sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O fascismo não merece ser tratado com seriedade! Por uma candidatura cômica da esquerda para o governo de São Paulo

 


Na luta a tática e a estratégia são definidas após analisar e refletir sobre o quadro que envolve a análise de conjuntura, a correlação de forças e os objetivos a serem alcançados. Há momentos em que se deve adotar objetivos táticos.

Em política avaliar situações de derrotas não é fraqueza é capacidade de articular-se para poder reunir forças e avançar. Se observarmos a situação dos países colonizados e as lutas de libertação, a experiência do Vietnã ainda é um caso exemplar de "arte da guerra".

As duas últimas disputas para o governo do estado de São Paulo foram para esquerda um desastre. O fascismo bolsonarista reúne no mínimo 60% dos votos, perde força na capital Paulista, mas atropela as nossas esquerdas nos interiores. Haddad em 2022 venceu, por exemplo, em 100% das urnas em uma cidade que tem menos de 1000 eleitores, ou seja, nada com coisa nenhuma, já Tarcísio nos esmagou em cidades que já foram governadas pelo PT como Ribeirão Preto, Campinas, Hortolandia, Registro, São José dos Campos, Santos, entre tantas. 

Uma reação popular só seria possível se tivéssemos uma tradição de construir territórios livres, autônomos ou insurgentes, mas isso está longe da nossa realidade. Então, estamos ainda reféns da lógica eleitoral.

Dito isso, hoje (23/01/2026) Tarcísio prefere não trocar o "certo pelo duvidoso" e seu guru, Kassab é o vitorioso do momento. Preferiu deixar os problemas familiares de Bolsonaro com o próprio, prefere a paciência do tempo, pois, uma reeleição de Lula pela quarta vez seria praticamente a última. Montar um bunker em São Paulo é como ter uma máquina azeitada e funcional aos seus interesses futuros. 

Diante do quadro, sabemos que as chamadas candidaturas viáveis da esquerda não são boas pelq viabilidade eleitoral, no quadro mais realista pelo PT Haddad já desconversou, de fora com apoio de Lula, Tebet não abre o jogo, tem dúvidas, pelo Psol o próprio Lula neutralizou Boulos em troca de um futuro próximo (ilusões), Hilton sabe o papel que precisa exercer para o Psol fazer bancada. O quadro é desolador. O resto é especulação de interesses que não refletem a realidade.

Eleger bancadas deveria ser o objetivo das esquerdas, deveriam criar vergonha e construir um acordo que atendesse reeleições preteridas, novas candidaturas e territorialidade, ampliando as representações pelo interior. Guardar personalismo, partilhar recursos e de forma determinante fazer da eleição para o Senado a grande prioridade. Se vão chamar isso de Bloco ou blocos, alianças pontuais, isso pouco importa. 

E o que fazer com a candidatura para governador?

Na arte da guerra, Sun tzu diz que há momentos em que deve-se criar distrações para confundir o inimigo. Eu defendo que se lance um/a camarada do campo da comédia. Sim, um/a comediante.

Já tivemos muitos dirigentes, intelectuais, professores, enfim, só gente boa, erudita, mas que no momento para enfrentar o fascismo precisamos nos reconectar com as massas, e o uso da comédia talvez seja a arma do momento.

Antes de você, querido/a leitor/a surtar ou discordar, vamos prosear sobre as questões da luta de classes. 

Pergunto: um comediante pertence a uma categoria profissional? Ele/ela pertence a cultura como trabalhador/? Tem uma função social?

Na trajetória das revoluções relembrar o papel do teatro na  revolução russa é fundamental, seja pelo caráter comunicacional, diante de uma população analfabeta que compunha parte significativa da sociedade russa daquele período, Brecht é uma referência e seus poemas, alguns, caricaturizam o modo burguês e suas burguesices. E hoje, a comédia foi uma trincheira necessária contra o fascismo bolsonarista.

O uso da ironia, sarcasmo e o cinismo podem e devem ser as nossas armas nesse momento, foda-se a retórica do inimigo, foda-se se o lado de lá que nos ataca sem dó, se nos debates eles começaram a sangrar, ótimo, se em algum ponto pedirem um "respeito", foda-se. RESPEITO que eles são incapazes de ter. Foi o próprio Tarcisio que disse estar " se lixando" para o tribunal penal internacional no caso do massacre na baixada santista. Então,  estamos nos lixando para o que o candidato Tarcisio dirá. 

A comédia não ofende, tira sarro. Não atira cadeiras, causa constrangimento, não se preocupa com falas Marsais, pois prefere a jugular. 

Não é rir das nossas desgraças, mas fazer pensar, refletir sobre a nossa realidade. É fazer nossas posições, mesmo que cômicas, sejam discutidas no bar da esquina, no jantar de casa, no trajeto do ônibus, do metrô e do trem, é virar referência do vendedor que grita nas ruas da 25 de março, enfim, retomar protagonismo.

E os votos? "Podemos perder votos se formos muito diretos!" Essa avaliação é subjetiva e não se sustenta. Assim como os petistas abobalhados, enganados por pesquisas iniciais diziam que Haddad era imbatível e Tarcisio forasteiro. Levamos uma paulada de um forasteiro que não sabia nem onde era seu colégio eleitoral. Então menos preocupação com o futuro e mais atenção à tática.

Volto a reafirmar o título desse artigo, tratar o fascismo com seriedade é um erro. 

E nem me venham com essa história de preparar um tecnocrata, intelectual, político profissional com um roteiro que basta. Vamos valorizar os nossos camaradas da comédia!

Avante, senão o fascismo atropela.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O mal que corrói o petismo!

 


Não tenho prazer de escrever essas críticas. Já expliquei isso em algum momento. O que não entendo é como militantes de esquerda não conseguem se  alimentar da crítica como forma de fortalecer sua luta, seu projeto. Talvez o institucionalismo tenha penetrado tanto no petismo que os valores pequenos burgueses tenham fundido a alma até do mais valente militante.

Esse ser do petismo consegue ir no Galpão Elza Soares e curtir com o MST, apoia a palestina, usa boné do Che, ao mesmo tempo que justifica as alianças de Lula com Lira e parte da direita bolsonarista, defende a floresta, mas não aceita críticas ao governo quando o assunto é perfurações de petróleo na Foz da Amazônia. 

Isso tudo leva a ausência total de protagonismo nas grandes manifestações que passam por 2013, pelo Fora Temer, pelo Ele não, no Fora Bolsonaro e recentemente na luta contra a Pec da Bandidagem, não vamos esconder a verdade, a triste verdade. Tirando 2013, todas as demais participei ativamente, e o que percebi, a ausência do PT, não estou falando que os petistas se aumentaram, muito pelo contrário, estavam lá. 

Mas a direção, os influenciadores, mandatários e qualquer dirigente estes não souberam se conectar com as lutas reais, quando estavam pensando o que fazer, as convocações já estavam circulando, quando exitaram em apoiar e convocar, as massas já estavam nas ruas, quando pensaram que tudo ia se instabilizar, o congresso de direita do orçamento secreto, aliados do governo Lula seguiam dado outra facada nas costas, e novamente novas mobilizações que não passaram pelo protagonismo do PT. 

Confesso que saúdo essa mudança, a esquerda não é um clube fechado e exclusivo,  ser de esquerda é caminhar pelo terreno da luta de classes, é enfrentar o capital e o capitalismo.

Escrevo isso também porque hoje abrindo meu e-mail recebi mensagem da fundação Perseu Abramo, do PT, e ótimo primeira notícia era sobre o 14 encontro nacional de mulheres do PT, fundamental, mas na sequência umas dez matérias  chapa branca, só governismo, só governismo. Nada que alimente o militante partidário, militante que fica em "modo espera" por definições do partido e não informes do governo.

Mas não seria isso o PT? Mandatos presos a lógica do Estado capitalista, que não sobrevive sem essa estrutura. 

O sangue de Rosa Luxemburgo está nas mãos dos sociaisdemocratas alemães, que embriagados pelo poder conciliatório e o acomodamento nesse poder que não sabiam mais o que era se sacrificar pela libertação da sua classe, que as migalhas do sindicalismo econômico não eram presentes e sim concessões raivosas da burguesia. Preferiram abrir mão da sua revolução e pior ainda abater as oposições a sua esquerda e dormir com a direita. Não tem perdão e a história foi cruel. Ascensão de Hitler e o nazismo varreu a Alemanha da história operária, dizimou e empreendeu a pior guerra é massacre humano da história.

Não, o PT não iria tão longe. Mas subjugar o petismo coocando-lhe uma coleira institucional e buscando manter o establishment, sua pequena e feliz elitizinha não mudará em nada a correlação de forças.

Concordo que o novo sempre vem. Mesmo que eu reconheça que fora do PT há poucas esperanças, e também já disse isso em outro lugar. 

Para me confrontar, talvez um desses petistas que tratam a política como religião e Lula como um Deus, vá dizer que o PT fo o partido que mais filiou no Brasil, ok parabéns. Um partido político não faz.mais do que sua obrigação. Quero lembrar que o PT de 2003 a 2010 também filiou muita gente, durante os anos de ouro do lulismo, mas não teve gente para lotar a esplanada em defesa de Dilma e de seu mandato legítimo. A prisão de Lula mobilizou militantes, mas as massas "ingratas" nem sairam na janela. 

Quem erra na análise, erra na ação.

E no 08 de janeiro de 2023 tirando os ministros de Estado e suas responsabilidades, o petismo ficou imóvel, sem saber o que fazer. O que impediu o golpe foi a preguiça e o medo das aposentadorias na confortável carreira militar, viva aos privilégios, ou alguns deles. 

2026 não haverá nada de novo. Pelo menos no petismo.


Justificando o sumiço.

 


Feliz 2026. Principalmente para você que ainda segue, bisbilhota ou tenta ver se esse blog segue ativo. Confesso que depois que se cria um espaço, a responsabilidade de mante-lo torna-se grande.

Desculpe pelos meses de longo inverno. Confesso minha máxima culpa, pois tenho utilizado o Instagram para expressar posições ou replicar posições que defendo.

Sempre achei aqui um lugar mais "refinado", no sentido de me aprofundar mais sobre temas e questões do nosso tempo e da nossa luta de classes.

E aqui estou. Esse post é para dizer que sigo firme. Já fui aconselhado a ir pelo caminho do audiovisual, tipo um canal, mas ainda não sei. Tenho me dedidcado sim ao canal do Sinpro Guarulhos e ao programa Papo de intervalo, porquê é algo coletivo. Um canal meu sou um tanto personalista, e não creio que essa exposição seja necessária.

Talvez eu insisto em manter esse lugar como uma terapia, para mim e você leitora e leitor, pois isso me exige pensar e escrever, e a você LER. Três coisas que se torna casa vez mais importantes em nosso tempo. 

Estou lendo o livre recente do Saflate, "Cinismo e falência da crítica", confesso que não ia mais comprar livros, já tenho muitos na minha lista de dívidas pessoais para ler, mas algo me chamou atenção, seja capa, resumo...enfim, foi e está sendo fundamental. Isso somado ao turbilhão de situações pessoais pelo que passei parece que se encontraram e se encaixaram perfeitamente.

Portanto, se você está em completa paralisia diante do fascismo brasileiro, Trump, Venezuela, direita, aquecimento global, crise da água e outros, minha primeira sugestão é: LEIA. De preferência um livro.

Só tem condições de lutar quem coloca nos eixos sua razão e compressão da realidade a sua volta. Se indignar ou criticar a torta direito só farão vocês errar visto como uma pessoa chata e não um militante de uma causa.

Eu não sou religioso, mas creio em forças sejam elas quais forem. Talvez algo que acontece com a gente influencie mesmo a nossa trajetória.

Digo isso, porque bem no final de 2025 naqueles momentos de alta estima lá no alto, eu estava fazendo tarefas de casa e fui novamente limpar o telhado da garagem, e bem no final algo ruim me aconteceu, pisei erroneamente numa trinca, e tive uma queda livre de lá. Dores, ambulância, maçã, atendimento médico, medicamentos e o custo da cagada: escapula direita fraturada e 60 dias de repouso. Sim, quando se está dependente é se recuperando de um acidente, o "repouso" é quase uma tortura.

Voltando ao meu momento holístico, porquê falei que creio em forças, pois esse tempo e os desafios que tem me trazido talvez seja um aviso de "reduza a velocidade", refletir sobre o que tem sido feito e talvez reavaliar rotas. Sim, parece que precisava desse tempo.

Ainda tenho muitas coisas para fazer e na lista de prioridades, sem data fixa estão:

- concluir o documentário sobre a UGES (União Guarulhense dos Estudantes Secundaristas);

- cumprir e honrar o mandato no Sinpro Guarulhos;

Do que pretendo fazer ou talvez me dedicar mais seria apoiar os Centros de Memória que guardam hoje os arquivos históricos da Uges com o Cedem da Unesp e os arquivos das lutas sociais de Guarulhos-SP que estão com o Centro de Memória da Unifesp campus Guarulhos.

Preciso tirar da gaveta o livro sobre minha experiência na Marcha Nacional da Reforma Agrária de 2005, onde caminhei de Goiânia até Brasília em maio daquele ano com as/os camaradas sem terra. 

Talvez ser assistente social voluntário em alguma associação que valha a pena para contribuir paea luta de classes. 

Tudo em 2026? Não querides, uma coisa que tenho tentado aprender é essa coisa do viver cada momento. 

No tempo que escrevo esse artigo pensei em contribuir com alguns escritos sobre a educação política e popular, o agitprop e outro que trata da arte da articulação política, duas coisas que foram sempre minha especialidade. 

Bem, é isso. Bom ano pra nós e que alguma força ou forças nos protejam, pois é ano de eleição.

A imagem desse artigo é de um cartão de Natal soviético