sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O fascismo não merece ser tratado com seriedade! Por uma candidatura cômica da esquerda para o governo de São Paulo

 


Na luta a tática e a estratégia são definidas após analisar e refletir sobre o quadro que envolve a análise de conjuntura, a correlação de forças e os objetivos a serem alcançados. Há momentos em que se deve adotar objetivos táticos.

Em política avaliar situações de derrotas não é fraqueza é capacidade de articular-se para poder reunir forças e avançar. Se observarmos a situação dos países colonizados e as lutas de libertação, a experiência do Vietnã ainda é um caso exemplar de "arte da guerra".

As duas últimas disputas para o governo do estado de São Paulo foram para esquerda um desastre. O fascismo bolsonarista reúne no mínimo 60% dos votos, perde força na capital Paulista, mas atropela as nossas esquerdas nos interiores. Haddad em 2022 venceu, por exemplo, em 100% das urnas em uma cidade que tem menos de 1000 eleitores, ou seja, nada com coisa nenhuma, já Tarcísio nos esmagou em cidades que já foram governadas pelo PT como Ribeirão Preto, Campinas, Hortolandia, Registro, São José dos Campos, Santos, entre tantas. 

Uma reação popular só seria possível se tivéssemos uma tradição de construir territórios livres, autônomos ou insurgentes, mas isso está longe da nossa realidade. Então, estamos ainda reféns da lógica eleitoral.

Dito isso, hoje (23/01/2026) Tarcísio prefere não trocar o "certo pelo duvidoso" e seu guru, Kassab é o vitorioso do momento. Preferiu deixar os problemas familiares de Bolsonaro com o próprio, prefere a paciência do tempo, pois, uma reeleição de Lula pela quarta vez seria praticamente a última. Montar um bunker em São Paulo é como ter uma máquina azeitada e funcional aos seus interesses futuros. 

Diante do quadro, sabemos que as chamadas candidaturas viáveis da esquerda não são boas pelq viabilidade eleitoral, no quadro mais realista pelo PT Haddad já desconversou, de fora com apoio de Lula, Tebet não abre o jogo, tem dúvidas, pelo Psol o próprio Lula neutralizou Boulos em troca de um futuro próximo (ilusões), Hilton sabe o papel que precisa exercer para o Psol fazer bancada. O quadro é desolador. O resto é especulação de interesses que não refletem a realidade.

Eleger bancadas deveria ser o objetivo das esquerdas, deveriam criar vergonha e construir um acordo que atendesse reeleições preteridas, novas candidaturas e territorialidade, ampliando as representações pelo interior. Guardar personalismo, partilhar recursos e de forma determinante fazer da eleição para o Senado a grande prioridade. Se vão chamar isso de Bloco ou blocos, alianças pontuais, isso pouco importa. 

E o que fazer com a candidatura para governador?

Na arte da guerra, Sun tzu diz que há momentos em que deve-se criar distrações para confundir o inimigo. Eu defendo que se lance um/a camarada do campo da comédia. Sim, um/a comediante.

Já tivemos muitos dirigentes, intelectuais, professores, enfim, só gente boa, erudita, mas que no momento para enfrentar o fascismo precisamos nos reconectar com as massas, e o uso da comédia talvez seja a arma do momento.

Antes de você, querido/a leitor/a surtar ou discordar, vamos prosear sobre as questões da luta de classes. 

Pergunto: um comediante pertence a uma categoria profissional? Ele/ela pertence a cultura como trabalhador/? Tem uma função social?

Na trajetória das revoluções relembrar o papel do teatro na  revolução russa é fundamental, seja pelo caráter comunicacional, diante de uma população analfabeta que compunha parte significativa da sociedade russa daquele período, Brecht é uma referência e seus poemas, alguns, caricaturizam o modo burguês e suas burguesices. E hoje, a comédia foi uma trincheira necessária contra o fascismo bolsonarista.

O uso da ironia, sarcasmo e o cinismo podem e devem ser as nossas armas nesse momento, foda-se a retórica do inimigo, foda-se se o lado de lá que nos ataca sem dó, se nos debates eles começaram a sangrar, ótimo, se em algum ponto pedirem um "respeito", foda-se. RESPEITO que eles são incapazes de ter. Foi o próprio Tarcisio que disse estar " se lixando" para o tribunal penal internacional no caso do massacre na baixada santista. Então,  estamos nos lixando para o que o candidato Tarcisio dirá. 

A comédia não ofende, tira sarro. Não atira cadeiras, causa constrangimento, não se preocupa com falas Marsais, pois prefere a jugular. 

Não é rir das nossas desgraças, mas fazer pensar, refletir sobre a nossa realidade. É fazer nossas posições, mesmo que cômicas, sejam discutidas no bar da esquina, no jantar de casa, no trajeto do ônibus, do metrô e do trem, é virar referência do vendedor que grita nas ruas da 25 de março, enfim, retomar protagonismo.

E os votos? "Podemos perder votos se formos muito diretos!" Essa avaliação é subjetiva e não se sustenta. Assim como os petistas abobalhados, enganados por pesquisas iniciais diziam que Haddad era imbatível e Tarcisio forasteiro. Levamos uma paulada de um forasteiro que não sabia nem onde era seu colégio eleitoral. Então menos preocupação com o futuro e mais atenção à tática.

Volto a reafirmar o título desse artigo, tratar o fascismo com seriedade é um erro. 

E nem me venham com essa história de preparar um tecnocrata, intelectual, político profissional com um roteiro que basta. Vamos valorizar os nossos camaradas da comédia!

Avante, senão o fascismo atropela.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O mal que corrói o petismo!

 


Não tenho prazer de escrever essas críticas. Já expliquei isso em algum momento. O que não entendo é como militantes de esquerda não conseguem se  alimentar da crítica como forma de fortalecer sua luta, seu projeto. Talvez o institucionalismo tenha penetrado tanto no petismo que os valores pequenos burgueses tenham fundido a alma até do mais valente militante.

Esse ser do petismo consegue ir no Galpão Elza Soares e curtir com o MST, apoia a palestina, usa boné do Che, ao mesmo tempo que justifica as alianças de Lula com Lira e parte da direita bolsonarista, defende a floresta, mas não aceita críticas ao governo quando o assunto é perfurações de petróleo na Foz da Amazônia. 

Isso tudo leva a ausência total de protagonismo nas grandes manifestações que passam por 2013, pelo Fora Temer, pelo Ele não, no Fora Bolsonaro e recentemente na luta contra a Pec da Bandidagem, não vamos esconder a verdade, a triste verdade. Tirando 2013, todas as demais participei ativamente, e o que percebi, a ausência do PT, não estou falando que os petistas se aumentaram, muito pelo contrário, estavam lá. 

Mas a direção, os influenciadores, mandatários e qualquer dirigente estes não souberam se conectar com as lutas reais, quando estavam pensando o que fazer, as convocações já estavam circulando, quando exitaram em apoiar e convocar, as massas já estavam nas ruas, quando pensaram que tudo ia se instabilizar, o congresso de direita do orçamento secreto, aliados do governo Lula seguiam dado outra facada nas costas, e novamente novas mobilizações que não passaram pelo protagonismo do PT. 

Confesso que saúdo essa mudança, a esquerda não é um clube fechado e exclusivo,  ser de esquerda é caminhar pelo terreno da luta de classes, é enfrentar o capital e o capitalismo.

Escrevo isso também porque hoje abrindo meu e-mail recebi mensagem da fundação Perseu Abramo, do PT, e ótimo primeira notícia era sobre o 14 encontro nacional de mulheres do PT, fundamental, mas na sequência umas dez matérias  chapa branca, só governismo, só governismo. Nada que alimente o militante partidário, militante que fica em "modo espera" por definições do partido e não informes do governo.

Mas não seria isso o PT? Mandatos presos a lógica do Estado capitalista, que não sobrevive sem essa estrutura. 

O sangue de Rosa Luxemburgo está nas mãos dos sociaisdemocratas alemães, que embriagados pelo poder conciliatório e o acomodamento nesse poder que não sabiam mais o que era se sacrificar pela libertação da sua classe, que as migalhas do sindicalismo econômico não eram presentes e sim concessões raivosas da burguesia. Preferiram abrir mão da sua revolução e pior ainda abater as oposições a sua esquerda e dormir com a direita. Não tem perdão e a história foi cruel. Ascensão de Hitler e o nazismo varreu a Alemanha da história operária, dizimou e empreendeu a pior guerra é massacre humano da história.

Não, o PT não iria tão longe. Mas subjugar o petismo coocando-lhe uma coleira institucional e buscando manter o establishment, sua pequena e feliz elitizinha não mudará em nada a correlação de forças.

Concordo que o novo sempre vem. Mesmo que eu reconheça que fora do PT há poucas esperanças, e também já disse isso em outro lugar. 

Para me confrontar, talvez um desses petistas que tratam a política como religião e Lula como um Deus, vá dizer que o PT fo o partido que mais filiou no Brasil, ok parabéns. Um partido político não faz.mais do que sua obrigação. Quero lembrar que o PT de 2003 a 2010 também filiou muita gente, durante os anos de ouro do lulismo, mas não teve gente para lotar a esplanada em defesa de Dilma e de seu mandato legítimo. A prisão de Lula mobilizou militantes, mas as massas "ingratas" nem sairam na janela. 

Quem erra na análise, erra na ação.

E no 08 de janeiro de 2023 tirando os ministros de Estado e suas responsabilidades, o petismo ficou imóvel, sem saber o que fazer. O que impediu o golpe foi a preguiça e o medo das aposentadorias na confortável carreira militar, viva aos privilégios, ou alguns deles. 

2026 não haverá nada de novo. Pelo menos no petismo.


Justificando o sumiço.

 


Feliz 2026. Principalmente para você que ainda segue, bisbilhota ou tenta ver se esse blog segue ativo. Confesso que depois que se cria um espaço, a responsabilidade de mante-lo torna-se grande.

Desculpe pelos meses de longo inverno. Confesso minha máxima culpa, pois tenho utilizado o Instagram para expressar posições ou replicar posições que defendo.

Sempre achei aqui um lugar mais "refinado", no sentido de me aprofundar mais sobre temas e questões do nosso tempo e da nossa luta de classes.

E aqui estou. Esse post é para dizer que sigo firme. Já fui aconselhado a ir pelo caminho do audiovisual, tipo um canal, mas ainda não sei. Tenho me dedidcado sim ao canal do Sinpro Guarulhos e ao programa Papo de intervalo, porquê é algo coletivo. Um canal meu sou um tanto personalista, e não creio que essa exposição seja necessária.

Talvez eu insisto em manter esse lugar como uma terapia, para mim e você leitora e leitor, pois isso me exige pensar e escrever, e a você LER. Três coisas que se torna casa vez mais importantes em nosso tempo. 

Estou lendo o livre recente do Saflate, "Cinismo e falência da crítica", confesso que não ia mais comprar livros, já tenho muitos na minha lista de dívidas pessoais para ler, mas algo me chamou atenção, seja capa, resumo...enfim, foi e está sendo fundamental. Isso somado ao turbilhão de situações pessoais pelo que passei parece que se encontraram e se encaixaram perfeitamente.

Portanto, se você está em completa paralisia diante do fascismo brasileiro, Trump, Venezuela, direita, aquecimento global, crise da água e outros, minha primeira sugestão é: LEIA. De preferência um livro.

Só tem condições de lutar quem coloca nos eixos sua razão e compressão da realidade a sua volta. Se indignar ou criticar a torta direito só farão vocês errar visto como uma pessoa chata e não um militante de uma causa.

Eu não sou religioso, mas creio em forças sejam elas quais forem. Talvez algo que acontece com a gente influencie mesmo a nossa trajetória.

Digo isso, porque bem no final de 2025 naqueles momentos de alta estima lá no alto, eu estava fazendo tarefas de casa e fui novamente limpar o telhado da garagem, e bem no final algo ruim me aconteceu, pisei erroneamente numa trinca, e tive uma queda livre de lá. Dores, ambulância, maçã, atendimento médico, medicamentos e o custo da cagada: escapula direita fraturada e 60 dias de repouso. Sim, quando se está dependente é se recuperando de um acidente, o "repouso" é quase uma tortura.

Voltando ao meu momento holístico, porquê falei que creio em forças, pois esse tempo e os desafios que tem me trazido talvez seja um aviso de "reduza a velocidade", refletir sobre o que tem sido feito e talvez reavaliar rotas. Sim, parece que precisava desse tempo.

Ainda tenho muitas coisas para fazer e na lista de prioridades, sem data fixa estão:

- concluir o documentário sobre a UGES (União Guarulhense dos Estudantes Secundaristas);

- cumprir e honrar o mandato no Sinpro Guarulhos;

Do que pretendo fazer ou talvez me dedicar mais seria apoiar os Centros de Memória que guardam hoje os arquivos históricos da Uges com o Cedem da Unesp e os arquivos das lutas sociais de Guarulhos-SP que estão com o Centro de Memória da Unifesp campus Guarulhos.

Preciso tirar da gaveta o livro sobre minha experiência na Marcha Nacional da Reforma Agrária de 2005, onde caminhei de Goiânia até Brasília em maio daquele ano com as/os camaradas sem terra. 

Talvez ser assistente social voluntário em alguma associação que valha a pena para contribuir paea luta de classes. 

Tudo em 2026? Não querides, uma coisa que tenho tentado aprender é essa coisa do viver cada momento. 

No tempo que escrevo esse artigo pensei em contribuir com alguns escritos sobre a educação política e popular, o agitprop e outro que trata da arte da articulação política, duas coisas que foram sempre minha especialidade. 

Bem, é isso. Bom ano pra nós e que alguma força ou forças nos protejam, pois é ano de eleição.

A imagem desse artigo é de um cartão de Natal soviético 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

2026, as eleições importam! Desafios da esquerda brasileira, pensar menos executivo e mais parlamentarista.

 


O cenário ainda não está certo. No plano federal a situação parece favorável para Lula e dos estados, São Paulo tem na liderança a reeleição indesejada de Tarcísio. Isso reflete em muito o que o fascismo brasileiro pretende nesse momento: manter e ampliar os dedos sujos no que puder, enquanto parte da esquerda se segura no lulismo. Esse cenário pode e deve expressar o que devem ser as tarefas da esquerda para o próximo período. Nadar contra realidade não é uma opção. E eu mesmo que defenda, atue e deseje uma saída revolucionária, reconheço que fomos dragados pelo modelo eleitoral e o processo da redemocratização realocou a esquerda da resistência armada para uma resistência institucional, compreensível diante do terror do período militar, mas o terrorrismo neoliberal foi mais rápido que a Constituição de 1988 e atropelou a classe trabalhadora.


Não bastasse o controle político das elites com seus representantes, a velha guarda da direita envelhecendo e a nova geração alimentada pelo egoísmo neoliberal quer terra arrasada em todos os campos institucionais, como uma praga devora os recursos do Estado por todos os lados, da farsa das privatizações, a roubalheira das pseudo organizações sociais e da precarização dos serviços públicos esse processo que criminaliza servidores públicos que não podem ser controlados pela escória neoliberal e distribui privilégios rotativos para políticos cada vez mais medíocres que não se contentam apenas com pequenas trocas, agora querem exercer uma tarefa que não lhes pertence, o de executar recursos por meio de emendas parlamentares ocultas, sem controle e planejamento público.

No meio do caos a pequena, mas corajosa atuação parlamentar da esquerda - nem toda evidente - tem resistido a pilhagem e buscando manter o "moral das tropas" com a mobilização dos atos de rua, nesse campo ainda estamos navegando em águas confusas, em tese o empate, como registrado pela USP que monitorou e quantificou tanto o ato pela anistia aos golpistas de 08 de janeiro e os atos contra a PEC da Bandidagem, sendo que em São Paulo ambos empataram, 42 mil para cada lado. 

Não é segredo que o bolsonarismo fascista tem priorizado o fortalecimento parlamentar numa estratégia que vai desde controle do legislativo e inviabilizar um quarto mandato de Lula. Nem é preciso argumentar muito sobre as tarefas da esquerda diante desse quadro, contudo falta decisão. Decidir o que será prioritário?

Mesmo que o estado de São Paulo com Tarcísio na frente das pesquisas represente um problema sério, a indicação das pesquisas de que Haddad segue na liderança é um sinal de qual prioridade estamos falando. 

Não é momento de barbeiragem, talvez precisemos de um (a) humorista sério e bem posicionado (a) para enfrentar o bolsonarismo de Tarcísio na tarefa de candidato (a) a governador (a) para desestabilizar a folga fascista estadual e investir pesado em uma das vagas para o senado e tentar, porquê não, as duas e buscar eleger senadores pelos demais estados, com identidade ideológica e alinhamento, sem essa de "aliados na direita", a votação da taxação dos bilionários provou que os cargos no governo representam menos do que o financiamento oculto que banca essa thurma. Preservar e ampliar as bancadas estaduais e federais pelo país afora, mantendo nomes fundamentais hoje na trincheira parlamentar.

Não é hora de errar muito, mas errar menos. Não é momento de divergências intestinais, mas de bons antiácidos. 
Todo momento é importante para o futuro. Contudo há momentos em que se não reagir, não haverá futuro!  

O direito a ser um professor analógico! Inteligência é apenas humana.

 


Havia no passado um termo chamado de "liberdade de cátedra" que segundo nota da reitoria da Universidade de Brasília (UNB) diz que a "Constituição Federal, no art. 206, assegura, a docentes e estudantes, a liberdade de aprender, de ensinar, de pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, de modo a garantir o pluralismo de ideias e concepções de ensino, bem como a autonomia didático-científica. Esse princípio é reforçado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei no 9.394 de 20 de dezembro de 1996), em seu artigo terceiro." (UNB, 2025) e este é o ponto.

É comum que o desenvolvimento de novas tecnologias possam atuar como parte da metodologia empregada no processo formativo, mas tudo tem limites. Eu desde minha passagem pela pós graduação me tornei um crítico feroz da ditadura da "nota Capes" na elaboração e construção das pesquisas acadêmicas, como todo idealista que chega nesse lugar restrito, acreditava e acredito que fazer ciência é um fazer para sociedade, contudo, esse planetinha não é apenas restrito ou elitista, é inclusive limitador onde uma questão paira firmemente no ar: as regras sagradas de elaboração, construção, permanência e aceitação são defendidas para proteger o fazer científico ou para justificar esse lugar restrito, elitista e limitado a uma turma? 

Furar essa bolha exige tanta articulação e capacidade de argumentação que em algum momento cansa. Eu cansei, reconheço. 

Contudo, do outro lado, o que está em curso no ensino seja superior ou básico parece muito pior. Seja no setor privado que busca lucratividade acima do processo formativo, seja no público que prefere inovar sem mudar nada. 
Estou falando de uma coisa que ganhou um nome que considero equivocado, a tal da "inteligência artificial" (IA) e me recuso a usar iniciais em caixa alta, não é nome próprio, é apenas uma designação para uma coisa que é artificial, mas não é inteligente. Inteligência vem do nosso  "telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor" que são características humanas. 

E nem vou ficar em grandes elaborações para explicar porque essa coisa artificial não é inteligente. Para isso basta lembrar dos tempos de escola quando muitos de nós no dia das provas utilizamos um recurso presente até hoje, a COLA. E o que era colar? Colar na escola era buscar as respostas com colegas solidários, com esquemas elaborados (de anotações na palma da mão a inscrições na carteira) ou bisbilhotando a prova do outro, enfim, era a forma encontrada para responder uma prova. E vejam que coisa incrível, o que a tal IA faz? Recebe da rede global via internet milhares, milhões, bilhões de megas e teras bytes escritos, elaborados, pesquisados, alimentados por nós humanos através do nosso  "telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor".

Chamar de "inteligente" uma coisa que colou é como dar um prêmio pra preguiçoso em dia de desafio.

Uns podem até dizer que a IA ao combinar dados tem elaborado novas produções. Mas montar quebra cabeças não requer inteligência, exige paciência e noção para juntar peças. 

Digo isso porquê quero fazer um chamado ao artesanal, ao analógico, ou seja, ao direito que temos de preservar métodos para garantir um mínimo de decência no processo formativo humano. Do mesmo jeito que livros de papel nunca serão extintos, e os dados e nossa humanidade provam isso, haverá sim professores que irão buscar preservar ações, atitudes e métodos formativos analógicos. Mesmo no processo educativo infantil a busca pelo retorno aos jogos interativos, integrativos e sem o uso de recursos tecnológicos evidenciam uma qualidade exclusivamente humana: a nossa relação, somos um ser vivo coletivo e que depende, mesmo buscando um momento só, alguma interação.

Se existe um movimento evidente de que para manter ou resgatar nossa humanidade é preciso ter uma distância segura dos recursos tecnológicos, isso não será diferente no processo formativo. Portanto, exigir o direito a ser um professor analógico, cujas habilidades e o trabalho educativo, acadêmico e formativo seja por meio da leitura, do diálogo ou dialógico, dos jogos reflexivos, lúdicos e dinâmicos, da elaboração crítica com ou uso exclusivo do "telencéfalo altamente desenvolvido". 

Fora de mim abrir mão da tecnologia, como toda boa ditadura, a do capital vai empurrando cada um de nós para suas formas sem direito a escolha - contraditório ao discurso liberal - pois, seja para pagar contas ou resolver problemas básicos somos empurrados para beira do abismo. A tecnologia não é o abismo, mas a forma e para o que ela é destinada em nossa sociedade.

Dito isso, reivindico meu direito ao analógico, quero poder exercer a docência a partir da velha escola de Sócrates, quero me integrar a realidade como Paulo Freire, quero as rodas de conversa e as interações humanas necessárias. Quero ser o ponto de partida, não preciso surpreender ninguém com mágica tecnológica, deixo isso para os outros magos que se sentem mais tranquilos com esse modelo. 

Um pouco de nostalgia para acalmar a alma!



terça-feira, 15 de julho de 2025

Deu PT? Eleições internas seguem na contramão da organização.


Algo está fora da ordem. Não, tudo segue orientada pela ordem, pelo menos no "comitê" central do Partido dos Trabalhadores (PT). Dia 06 de julho de 2025 os filados (as) seguiram em marcha para as urnas para "escolher" a nova direção do partido, como um fetiche pela democracia liberal limitada ou um masoquismo democrático o Processo de Eleições Diretas do PT representa hoje uma farsa em forma de "participação" massificada. Não foi uma "festa" da democracia, passou como um ato protocolar, sem o mesmo entusiasmo  de outros tempos.
Mesmo com a adiamento das eleições internas em Minas Gerais, num confronto patético entre as correntes dominantes que levou a justiça comum a decisão sobre o pleito, os números não mentem, em tese o partido conta com mais de um milhã de filiados, alcançou cerca de 550 mil, a metade diriam os otimistas. O mais constrangedor é a tabelinha do site do PT (https://pt.org.br/pt-faz-maior-ped-da-sua-historia-com-quase-550-mil-votantes/)


Cuja indicação é de que foi o "maior" PED da sua história, como se fosse um dado solto e que pudesse provocar grande euforia para o partido. Contudo, os anos de 2017 a 2019 foram os períodos terríveis de Temer e Bolsonaro, uma baixa que mostrou dois erros: um erro é o discurso da unidade que contaminou o partido, que deveria ser chamada de "abraço dos afogados", num período onde nenhuma força política interna pôde se posicionar de forma arrogante, pois em 2016 o PT tomou o maior tombo de sua história com a derrota em inúmeros municípios pelo Brasil e em 2019 primeiro ano do gov Bolsonaro, e segundo erro, a ausência total de uma reflexão coletiva, nenhum congresso extraordinário, nenhuma ação organizativa que pudesse coesionar o partido internamente, desde 2013, passando pelo golpe contra Dilma em 2016 e a vitória de Bolsonaro em 2018 e com Lula preso qualquer partido de esquerda que se preze deveria ter buscado reunir sua militância para uma analise estratégica, renovar o programa e definir os caminhos da luta social, eleitoral, popular e sindical. 

A direção, os "capas-pretas", os mandatários e demais autoridades internas preferiram seguir com suas vidas, com um pé no "Lula Livre" e outro numa oposição quase idêntica ao MDB durante a ditadura militar, viu o revés com a libertação de Lula e as portas abertas para as eleições de 2022. A busca pelo poder "rápido" ainda sob as hostes do lulismo é a força motriz de quem dirige o PT hoje. 

Escrevi, assim da posse de Lula sobre quanto tempo levaria ao partido para reprimir posições criticas de esquerda, abandonar o barco da luta anti-imperialista e anti capitalista neoliberal, e para minha pouco surpresa, menos de duas semanas de janeiro de 2023. Começaram os seguidores do lulismo a interromper qualquer critica legitima do lado de cá, que busca entender que para fortalecer o governo Lula como lugar de resistência e reconstrução pós Temer-Bolsonaro era necessário reagir. 

E sinais não faltaram, temos a tentativa de golpe ainda no mês de janeiro de 2023, as crises com Campos Neto no Banco Central, o revés de Motta e Alcolumbre na questão do aumento de impostos no IOF, cito estes para não me estender, como o constrangimento da extração de petróleo na bacia da Foz da Amazônia.

Do outro lado  o governo Lula foi surpreendido com as lutas que emergem fora do seu campo de visão, seja as lutas contra a anistia aos golpista de 08 de janeiro de 2025, ou a luta contra a escala 6x1 que atinge a juventude brasileira, que se tornou pauta fundamental e a recente exposição do que de fato promove as desigualdades, que é luta pela taxação dos bilionários. Em todas, o protagonismo do PT foi ridícula, com um empenho protocolar nas redes. 

Mas desde 2013 o PT que tinha como certo de que como maior partido da centro-esquerda, sem ele "nenhuma mobilização social" iria prosperar virou um mito. Nas mobilizações contra a anistia aos golpistas, contra escala 6x1 e na recente luta pela taxação dos bilionários, o que se viu são novas formas de participação e mobilização que não dependem da participação do PT. Se isso não é um sinal não sei mais o que seria?

Voltamos ao PED, nada de novo. Edinho Silva é um membro do establishment, onde das tarefas realizadas foi de ser Ministro da Comunicação Social do governo Dilma Roussef, e para um partido cuja região nordeste foi determinante, fiel e dando seu voto de confiança, internamente no PT Lula preferiu uma saída domestica, novamente o partido é presidida por um paulista. Sua votação também não expressa uma unidade, já que dos 550 mil, apenas 378 mil deram votos para sua vitória.

Seguimos para 2026 numa zona cega. No revés das pesquisas de avaliação do governo Lula a sua aprovação empata com a desaprovação após os ataques do Congresso nacional pelo Centrão, das medidas de taxação de Trump sobre o Brasil e o pedido de condeção dos golpistas, mas isso é apenas um sopro, há desafios pela frente, uma delas é o congresso nacional, se não buscarmos unidade para eleger uma bancada de deputados/as e senadores/as, não adianta buscar o poder executivo.

Vivemos um parlamentarismo de interesses, cuja lógica de classe é a busca por pilhar o Estado para atender a fome dos ricos, isso é fato! 

É preciso ter um olhar para o que interessa. Se o PT quer de fato avançar contra o fascismo precisa construir uma base, precisará trair aliados nos estados sim, esses aliados do centrão, os infiéis nas votações da base. Se o PT não quer se unir ao campo mais a esquerda como Psol, UP, PCB e outros, precisa dialogar para dar apoio e contribuir para que esse campo supere suas divergências e elejam pelo menos 8% do congresso, e o PT e seu campo (PSB, PcdoB, PDT e outros) possam avançar mais:


A esquerda nunca alcançou 50% do congresso, talvez essa tarefa nunca tenha sido parte de uma ação estratégica. Talvez isso tenha que mudar. 

Talvez o PT como partido tenha que entender que não basta "mobilizar" seus filiados. Precisa voltar ao jogo político e fazer política de classe, mesmo que isso não seja da vontade de alguns, mas o jogo é esse no momento, a direita sabe o que quer e busca seja pelo absurdo, seja pela ousadia.

No quadro atual, não estamos empolgando nem pelo absurdo e muito menos pela ousadia.

Se recuar na luta contra os bilionários, irá amargar um 2026 com mais dificuldades do que já vivencia. 

Uma parte da esquerda compreendeu isso, tem ido a campo e buscado eleger e ocupar esse lugar do congresso, provou que há possibilidades para avançar. 

As demais lutas seguem no dia a dia. Temos o Plebiscito Popular percorrendo as ruas do país. As ruas não vão esperar o PT decidir o que quer da vida.