Na luta a tática e a estratégia são definidas após analisar e refletir sobre o quadro que envolve a análise de conjuntura, a correlação de forças e os objetivos a serem alcançados. Há momentos em que se deve adotar objetivos táticos.
Em política avaliar situações de derrotas não é fraqueza é capacidade de articular-se para poder reunir forças e avançar. Se observarmos a situação dos países colonizados e as lutas de libertação, a experiência do Vietnã ainda é um caso exemplar de "arte da guerra".
As duas últimas disputas para o governo do estado de São Paulo foram para esquerda um desastre. O fascismo bolsonarista reúne no mínimo 60% dos votos, perde força na capital Paulista, mas atropela as nossas esquerdas nos interiores. Haddad em 2022 venceu, por exemplo, em 100% das urnas em uma cidade que tem menos de 1000 eleitores, ou seja, nada com coisa nenhuma, já Tarcísio nos esmagou em cidades que já foram governadas pelo PT como Ribeirão Preto, Campinas, Hortolandia, Registro, São José dos Campos, Santos, entre tantas.
Uma reação popular só seria possível se tivéssemos uma tradição de construir territórios livres, autônomos ou insurgentes, mas isso está longe da nossa realidade. Então, estamos ainda reféns da lógica eleitoral.
Dito isso, hoje (23/01/2026) Tarcísio prefere não trocar o "certo pelo duvidoso" e seu guru, Kassab é o vitorioso do momento. Preferiu deixar os problemas familiares de Bolsonaro com o próprio, prefere a paciência do tempo, pois, uma reeleição de Lula pela quarta vez seria praticamente a última. Montar um bunker em São Paulo é como ter uma máquina azeitada e funcional aos seus interesses futuros.
Diante do quadro, sabemos que as chamadas candidaturas viáveis da esquerda não são boas pelq viabilidade eleitoral, no quadro mais realista pelo PT Haddad já desconversou, de fora com apoio de Lula, Tebet não abre o jogo, tem dúvidas, pelo Psol o próprio Lula neutralizou Boulos em troca de um futuro próximo (ilusões), Hilton sabe o papel que precisa exercer para o Psol fazer bancada. O quadro é desolador. O resto é especulação de interesses que não refletem a realidade.
Eleger bancadas deveria ser o objetivo das esquerdas, deveriam criar vergonha e construir um acordo que atendesse reeleições preteridas, novas candidaturas e territorialidade, ampliando as representações pelo interior. Guardar personalismo, partilhar recursos e de forma determinante fazer da eleição para o Senado a grande prioridade. Se vão chamar isso de Bloco ou blocos, alianças pontuais, isso pouco importa.
E o que fazer com a candidatura para governador?
Na arte da guerra, Sun tzu diz que há momentos em que deve-se criar distrações para confundir o inimigo. Eu defendo que se lance um/a camarada do campo da comédia. Sim, um/a comediante.
Já tivemos muitos dirigentes, intelectuais, professores, enfim, só gente boa, erudita, mas que no momento para enfrentar o fascismo precisamos nos reconectar com as massas, e o uso da comédia talvez seja a arma do momento.
Antes de você, querido/a leitor/a surtar ou discordar, vamos prosear sobre as questões da luta de classes.
Pergunto: um comediante pertence a uma categoria profissional? Ele/ela pertence a cultura como trabalhador/? Tem uma função social?
Na trajetória das revoluções relembrar o papel do teatro na revolução russa é fundamental, seja pelo caráter comunicacional, diante de uma população analfabeta que compunha parte significativa da sociedade russa daquele período, Brecht é uma referência e seus poemas, alguns, caricaturizam o modo burguês e suas burguesices. E hoje, a comédia foi uma trincheira necessária contra o fascismo bolsonarista.
O uso da ironia, sarcasmo e o cinismo podem e devem ser as nossas armas nesse momento, foda-se a retórica do inimigo, foda-se se o lado de lá que nos ataca sem dó, se nos debates eles começaram a sangrar, ótimo, se em algum ponto pedirem um "respeito", foda-se. RESPEITO que eles são incapazes de ter. Foi o próprio Tarcisio que disse estar " se lixando" para o tribunal penal internacional no caso do massacre na baixada santista. Então, estamos nos lixando para o que o candidato Tarcisio dirá.
A comédia não ofende, tira sarro. Não atira cadeiras, causa constrangimento, não se preocupa com falas Marsais, pois prefere a jugular.
Não é rir das nossas desgraças, mas fazer pensar, refletir sobre a nossa realidade. É fazer nossas posições, mesmo que cômicas, sejam discutidas no bar da esquina, no jantar de casa, no trajeto do ônibus, do metrô e do trem, é virar referência do vendedor que grita nas ruas da 25 de março, enfim, retomar protagonismo.
E os votos? "Podemos perder votos se formos muito diretos!" Essa avaliação é subjetiva e não se sustenta. Assim como os petistas abobalhados, enganados por pesquisas iniciais diziam que Haddad era imbatível e Tarcisio forasteiro. Levamos uma paulada de um forasteiro que não sabia nem onde era seu colégio eleitoral. Então menos preocupação com o futuro e mais atenção à tática.
Volto a reafirmar o título desse artigo, tratar o fascismo com seriedade é um erro.
E nem me venham com essa história de preparar um tecnocrata, intelectual, político profissional com um roteiro que basta. Vamos valorizar os nossos camaradas da comédia!
Avante, senão o fascismo atropela.