sábado, 14 de fevereiro de 2026

Para nós comunistas as armas representam defesa, combate e distração, nunca forma de governo!

 



É típico da ideologia burguesa atribuir a esquerda o uso do recurso da violência e o levante armado para "impor" suas ideias. Esse discurso fantasioso e mentiroso não leva em consideração que a própria burguesia além do controle pela força do monopólio da violência pelo Estado a partir das forças armadas e policiais, além dos recursos adicionais quando sente seu poder ou hegemonia em risco. Importante dizer que o crime organizado ou não é mais funcional a própria burguesia, pois, esses grupos não tem consciência de classe, mas busca pertencimenti material pelos valores da classe dominante, sabe que não alçara o reconhecimento social, mas busca o poder pelo dinheiro, as vezes, como a máfia compra sua posição social, e no final a busca destes grupos é apenas a ostentação. É um exército de mercenários (Sun Tzu) do qual fazem parte ex-militares ou até da ativa via corrupção.

E nós comunistas? Recorremos as armas como instrumento e um meio para os fins, seu uso se faz necessário para enfrentar estas forças citadas, em geral o exercito do povo é aquele cujo pertencimento não é para coerção, mas defesa popular e em última instância e com condições para uma insurgencia e até revolução.

Existem experiências diversas e a própria ideologia comunista na luta pela hegemonia dos explorados contra os exploradores, citemos a do Partido dos Panteras Negras (Black Panther Party), que na metade da década de 1960 se organizam para enfrentar a opressão racial estatal praticada pela polícia contra a população negra estadunidense. Mas as armas foram apenas uma medida de autodefesa, utilizando o dispositivo constitucional, reivindicado pelos grupos de direita fascista dos EUA, a interpretação da militância foi que se o uso das armas contra o invasor britânico é legítimo, interpretada como "armas = liberdade", o Partido dos Panteras Negras assumiram para si esta interpretação, porém, também para apoiar suas ações sociais como creches, escolas, centros de alimentação popular, cultural entre tantas, em apoio a maior autonomia e desenvolvimento das populações negras segregadas. 

Também depois de mais de uma década de reformas neoliberais, em 1994, após um longo processo de diálogo, integração, estudo e construções coletivas a união entre uma parte da esquerda mexicana e os povos indígenas, o levante de Chiapas no sul do México foi uma resposta inclusive à uma esquerda que estava depositando todas as suas fichas na democracia liberal burguesa, baixando as armas e preferindo as lutas domesticadas. A resposta do EZLN, Exército Zapatista de Libertação Nacional foi direta, resistir pela paz sim, mas enquanto o opressor usar a força, não haverão armas abaixadas, muito menos entregues, pois, o EZLN precisa manter seus territórios autônomos e isso só é possível com uma força militar popular e não institucional.

E em nosso tempo? Isso é possível? Possível não,  necessário. O fascismo que surge e se impõe parece que entendeu essa posição da esquerda, usando de artifícios pseudoteoricos, típico do nazi-fascismo, dialogar com o senso comum, usam o discurso da "guerra cultural" da esquerda contra os "valores da sociedade burguesa", e ainda com uma parte das esquerdas acomodadas e parte utilizando do mesmo método de corrupção da direita para seus fins particulares, isso alimenta ainda essa direita fascista 2.0 para carimbar a esquerda pelos problemas que a própria burguesia construiu e ainda constrói, já que a esquerda governa o estado, mas a direita controla a hegemonia das relações sociais.

O Chavismo provou que sem construir resistências militares não tem realização nos demais campos da economia, dos direitos sociais, culturais e outras conquistas redistributivas, pois além da tentativa de golpe contra Chavez,  inúmeras tentativas de sabotagem ao sistema energético, de distribuição de combustíveis e outras tentativas de pane para criar crise social são sabotagens possíveis e que acontecem. Salvador Alende e seu governo popular é a maior expressão histórica desse tipo de sabotagem adotado pelo governo dos EUA, que financiou em conjunto com o empresariado chileno a famosa "greve" dos caminhoneiros, um lockout que buscou desabastecer as principais cidades. 

Hoje, desde o governo fascista de Kennedy quando instaurou o bloqueio econômico contra Cuba passando pela "primavera Árabe" e as ações articuladas com o govenro sionista-nazi fascista de Israel tem atuado em diversas operações de sabotagem desde o massacre dos dirigentes do Hezbola com paigers-bomba e a crise iraniana, essas guerras híbridas tem sido a nova forma de sabotagem do imperialismo estadunidense.

Talvez o momento exige retomar o método! Nas fracassadas democracias liberais como a nossa criar grupos organizados na tese da defesa contra a violência fascista, machista, racista e homofóbica, grupos de tiro esportivo para defesa dos territórios e comunidades ameaçadas. Apoio incondicional não as propostas de armamento da direita fascista, mas criar empates, como se os feminicidas agem impunemente, que se garanta porte de arma especial para mulheres, principalmente as ameaçadas com medidas protetivas, com centros de treinamento e de autodefesa. Se a posição é não mudar a cultura da formação dos homens, então que a defesa seja a reação. Grupos populares de defesa dos nossos representantes políticos e de defesa dos nossos espaços e comunidades. Em alguns casos sob o lema, "nem polícia, nem bandido, aqui a segurança é pela força popular".

Há resistências pelo mundo afora. Em armas para se defender da violência sionista, para garantir direito ao seu território como no caso do povo Curdo, em defesa dos povos e territórios autônomos no caso do EZLN, na proteção de sua soberania pelas forças de defesa bolivianas e pelo povo cubano, o ELN na Colômbia, uma vez que os grupos paramilitares da direita fascista não baixou suas armas, no retorno de grupos como os Panteras Negras ou de esquerda de autodefesa nos EUA. 

As armas não são um fim em si mesmo. Para nós comunistas uma reação em um mundo que dominado pela hegemonia do capital, não está satisfeita apenas em explorar, mas em oprimir de forma desumana a humanidade exige resposta, as armas camaradas! 

A história exige dignidade, proteger a dignidade humana nesse momento não será com bandeira branca. Bandeira branca é sinal de rendição e não de paz nesse momento da humanidade.