segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Vamos dar um rolêzinho no shopping?


fonte da foto:http://f.i.uol.com.br/folha/cotidiano/images/13356230.jpeg

O role que causa o espanto dos visitantes e comerciantes dos shoppings deveria ser tratado como questão de estado e preocupação coletiva pelos seguintes motivos:

O modelo de desenvolvimento do capitalismo que atuou contra a juventude nestas três últimas décadas com a mercantilização da educação, sub empregos e negação de direitos.

O paradigma das cidades urbanas que evoluíram para determinar o lugar das classes, avançando sobre os centros, cercando economicamente e socialmente espaços urbanos e constituindo nos centros comerciais como lugar do " lazer" da classe trabalhadora, e empurrando os jovens para essa lógica.

E claro colocando a juventude na centralidade dessa estratégia enquanto geração "consumidora", basta observar a postura das grandes corporações diante das classificações das gerações, numa intenção de determinar as faixas consumidoras.

Agora o problema que a "besta do imperialismo" (segundo Che Guevara) não podia imaginar na sua lógica: como conciliar numa mesma juventude retirada de direitos como educação e trabalho, e uma alta condição consumidora atribuída? Essa resposta só o capital pode responder.

Mas principalmente os movimentos, entidades o organizações de juventude também devem analisar e compreender quais respostas essa juventude quer expressar. Os rolêzinhos em shopping`s e locais públicos, bailes funk`s, pancadões, enfim, formas e meios de encontros e reconhecimento social, de agrupar e promover divertimentos coletivos.

Os jovens em resposta apostam nos "rolêzinhos no shopping" como forma de dizer "existimos"! E ainda estimulados o tempo todo para consumir todo tipo de produtos . E quem são esses jovens?

Uma parte destes fazem parte os quase 26% de jovens dos 15 aos 24 anos que nem estudam e nem trabalham segundo dados do Pnad (Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicilios) e analisando pelo Ipea (órgão do governo federal), que analisa o que chama de geração nem, nem (nem estudam e nem trabalham), que parte sustentados pelas suas famílias e vivendo num contexto social onde a educação nacionalmente é fraca (reflexo dos acordos do MEC e órgãos internacionais como Banco Mundial), que leva em consideração apenas as matriculas e não a qualidade.

É uma geração que não é estimulada a descobertas e nem a criação, vêem o mercado do trabalho a partir da ascensão e não do processo, tem pressa e ao mesmo tempo sentem ter tempo para questões como carreira, família e outras que levem em consideração um grau de responsabilidade, são carregados pela alta evolução tecnológica, mas  não conseguem lidar com problemas cotidianos, enfim, são gerações sendo forjadas com mais pragmatismo e menos idealismo.

Esse choque de paradigmas levam ao fato que tende a manter-se como expressão deste momento histórico para esta geração que vive um dos períodos socioeconômicos mais estáveis em termos de desenvolvimento com recorde histórico de carteiras assinadas, contudo não tem evoluído a partir da escola que em pleno século XXI mantêm velhos paradigmas, inclusive morais no seu interior. A educação ainda é elemento fundamental quando falamos de inclusão e direitos da juventude porque tanto na formação de profissionais qualificados, quanto na formação de uma nova geração de novos adultos na sociedade.

Caso o Estado e a sociedade através da mídia comercial trate a questão dos "rolêzinhos"  como caso de "polícia"  ira radicalizar desnecessariamente um processo que expressão da nova reconfiguração da formação sociohistórica da sociedade brasileira que esta sendo protagonizada por parte desta juventude.

Portanto lidar com os jovens dos "rolês" exige diálogo, debates e a ampliação dos espaços participativos e interativos com a juventude.

Outra urgente resposta é a implantação dos direitos previstos no Estatuto da Juventude, sancionada pela presidenta Dilma em agosto deste ano.

Não há soluções fáceis para este que não deve ser tratado como problema, mas sim como desafio para sociedade, o Estado e as suas famílias.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Para além das eleições


Para além das eleições

A polarização PT e PSDB parece uma cortina de fumaça bem definida pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista), que tenta a todo momento resumir a disputa do estado brasileiro a uma rinha de dois partidos pelo poder. A verdade é que quando a mídia confronta e estabelece uma distancia pequena entre petistas e tucanos quer inclusive romper com essa lógica.

Ambos foram importantes para os interesses da burguesia e elites em nosso país, cada qual com sua medida e seus interesses. Fato, a regulação da mídia e o controle social da comunicação não saíram e isso já é vitória desses setores que sustentam através do status quo as relações de classe neste país.

Comunicação de massa, publicidade, opinião pública, marketing, propaganda, enfim todos os instrumentos conhecidos canalizam para manutenção de uma velha concepção ideológica chamada de hegemonia (Gramsci), poder exercido com muita maestria e sustentada pela mídia mercadológica.

O enfraquecimento do estado, ridicularização de pessoas em cargos públicos (“os políticos”), a idealização de heróis (Barbosa e outros), tudo uma estratégia pensada e orquestrada para encobrir outro Brazil que se gesta a cada crise e cada triunfo do capitalismo em nosso país. Repito, capitalismo em nosso país, porque a ideia de capitalismo nacional não está mais em voga em tempos de neoliberalismo.

Neoliberalismo que se sustenta cada vez mais por uma rede de mercados, corporações, grupos (como as Holding), enfim uma infinidade de sub classes que apoiam o sistema, ou seja, o combate passa por enfrentar essa rede.

E porque o título? É preciso retomar as perspectivas dos que reivindicam o projeto alternativo, popular e anti capitalista, neste caso, nós militantes socialistas e comunistas.

Para nós da esquerda do PT ficam as lições necessárias do Processo de Eleições Diretas do partido que mesmo que tratemos com festa é evidente o tamanho das nossas correntes de pensamento no interior do próprio partido. Cada vez mais devemos fazer o debate partindo das nossas lutas.

O governismo tem criado abismos profundos entre o que defendemos e o que realizamos. E não falo em programa máximo como reforma agrária ou erradicação da falta de vagas em creches, mas sim da efetivação das bases para fortalecer os movimentos sociais que tem na sua luta estas pautas.

Pode um governo não ser capaz de fazer a reforma agrária nos limites impostos hoje, porém é dever do governo ter posição, fortalecer e financiar ações, projetos e programas que permitam avançar renda e consciências em articulação com os movimentos, tornando cada nova conquista uma conquista do povo organizado.

Não basta distribuir uma parte da riqueza produzida que foi capitaneada pelo Estado por meio dos impostos se este mesmo Estado não consegue fortalecer nas relações com a população a defesa, pore exemplo, de se manter os atuais tributos que incidem sobre o lucro para manter um sistema de seguridade social que temos hoje, público e que de fato faz (com seus limites) um pouco de justiça social.

É preciso exigir de nós mesmos mais. Se buscarmos compor alianças conservadoras, elaborar programas de governo populistas ou tecnicistas e irmos para as eleições de 2014 assim, mesmo que possamos vencer nas urnas, podemos perder nas ruas.

O estado de São Paulo é o centro da econômia capitalista nacional. Concentra os quadros desta burguesia e desta elite. Dirige daqui os processos políticos que devem ser defendidos por uma classe dominante de nosso país. Os demais representantes nos rincões do Brazil vivem seu mundo colonizado nos demais estados, mas centram aqui.

Será que venceremos? Mesmo com o melhor candidato, melhor campanha, melhor aliança, melhor partido, melhores quadros, melhor recursos, será fácil vencer aqui? E porque queremos mesmo vencer aqui?

Algumas pautas mostram quais devem ser nossas prioridades, para além das eleições.

Primeiro, retomar o papel do estado sobre seu patrimônio: seus recursos naturais como energia (Cesp e Daee), as terras devolutas para reforma agrária como no Pontal do Paranapanema, o patrimônio sociocultural e afrodescendente do Vale do Ribeira, entre outros.

Segundo, enfrentar a questão da violência com a participação e organização da população com uma reforma da segurança pública com decisão política centrada no combate a violência institucional contra a juventude negra, pobre, trabalhadora e periférica, com investimento pesado em direitos de cidadania nas regiões onde vivem essa juventude.

Reconstruindo o processo inverso do sistema penal e das medidas socioeducativas, devolvendo os presos políticos do governo do estado de São paulo que passou as duas décadas penalizando a juventude das periferias sem construir uma alternativa ou oportunidades de direitos.

Terceiro, a educação não pode ser remendada com mais uma fórmula para resolver o abismo do projeto educacional neoliberal. Devemos entender o contexto das reformas de 1996, sua causa e consequência sobre a educação estadual, o analfabetismo funcional gerado por esta política, a manutenção do status quo de escola fechada, institucionalizada e antiparticipativa, sem um projeto pedagógico claro (qual posição, que concepção defende), para além do processo neoliberal.

Não há reforma que solucione este problema senão uma reforma que atenda o princípio da ocupação da população, ou seja, uma tomada do poder popular sobre a escola fisicamente e pedagogicamente, compor com as organizações e movimentos pela educação sem medo dos organismos institucionais e suas avaliações representativas do Banco Mundial.

Quarto desafio, é enfrentar o processo de desestatização. A palavra tem peso, portanto devemos dar uma resposta objetiva, devemos reestatizar os serviços públicos do nosso estado com o equilíbrio de retomar também os conselhos de direitos. Enfrentar a questão das organizações sociais na saúde, fortalecer conselhos de saúde que incidam sobre as gestões como primeiro passo, apoiar as prefeituras a assumir sob controle do SUS as falidas Santas Casas, descentralizar e regionalizar e permitir o máximo de transparência nos investimentos através do controle social.

Fortalecer a Sabesp e enterrar de vez a sua privatização e retomar o controle das águas do estado em parceria verdadeira com os municípios. Aplicar e investir em serviços regionais de Assistência Social que nunca foi feito pelo SUAS em São Paulo. Retomar o controle das rodovias assumindo o controle sobre as concessionárias e progressivamente restabelecendo o direito de ir e vir da população.

Estas não são os únicos desafios para o nosso estado. Mas são necessários e urgentes.

E para além das eleições está colocado o desafio para o partido: restabelecer em seu projeto político de poder a centralidade da militância, que não pode ser tratada como cabo eleitoral, mas agente da mudança e da transformação.

Isso exige não cairmos em contradições como defender direitos humanos e ter guardas municipais extremamente violentos no trato com as populações periféricas, estas contradições são inexplicáveis aos olhos e gestos da militância petista que luta pela igualdade racial, por exemplo.

Gestos e atitudes são fundamentais para o momento. Para caminharmos para além das eleições!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Cobrem-me coerência na defesa do PT contra o Poder Judiciário Burguês. Para além disso...

 
Fiquei dias refletindo sobre os mandados de prisão dos condenados da ação penal 470. Assisti as chegadas e as emoções diversas em torno dos presos, em particular, dos filiados Delubio, Genoino e Ze Dirceu.
 
 
Li as teses e posições da esquerda brasileira sobre o assunto. A nota do MST (Movimento Sem Terra), curta e direta, e a nota do Movimento Consulta Popular que desde o início do julgamento tem tecido análises criticas sobre a condução da suprema corte do país.
 
 
 Tenho visto as páginas nas redes sociais clamando por “justiça” e pela solidariedade aos presos “políticos” do PT e me pergunto se deveria ou não aderir. Bem sou militante, não militonto.
 
 
 Sobre a postura do Poder Judiciário, sua estrutura de Estado constituída para atender os interesses de uma república burguesa que tem inclusive na nossa constituição de 1988 o direito “sagrado” a propriedade, não é a primeira vez que me manifesto em coletivo, e não no particular, contra esse sistema legal e penal.
 
Eu me filiei ao PT ouvindo, lendo e lutando contra esse judiciário. Que privilegia os ricos e penaliza os pobres. Que desocupa áreas e joga famílias nas margens dos córregos e favelas. Que não pune assassinos de sem terra, de índios e jovens negros (as). Que rasga o Estatuto da Criança e do Adolescente a todo momento. Esse judiciário, ora o judiciário.
 
Esse judiciário é burguês. Veja os currículos e o berço da grande maioria que chega as togas dos tribunais. Veja a condição de classe e a origem da família. Desculpem, não é capacidade, é berço. Se é berço é burguês.
 
Posso confiar na sentença justa de quem nunca viveu ou sentiu ser da classe trabalhadora? Não.
Agora sobre a “solidariedade” me desculpem. Em nome da coerência política da minha trajetória não me peçam isso, pela história vivida no Partido dos Trabalhadores.
 
 
Vamos aos fatos, um a um. Delúbio é para o seu grupo aquele que foi o tesoureiro chefe das grandes articulações na disputa interna e externa do PT, em nome do partido (kkkkk), me poupem, uma autorização do grão tesoureiro dependia mais de uma decisão política do seu grupo do que do partido. Desconheço outra trajetória.
 
 
Genoino, aguerrido companheiro no PT na década de 1980 era dirigente da corrente “democracia radical”, junto com a ex-senadora Marina Silva. Lança em 1998 a tese do “socialismo republicano” até hoje sem muita clareza teórica. Seu erro, servir sem questionar, perguntar, apontar, atuar como dirigente maior do partido no quesito assinar na confiança. Excesso de confiança na força majoritária do partido.
 
 
Zé Dirceu, criador do PED (Processo de Eleições Diretas), acabando com o modelo assembleista de  encontros de filiados (as) para fazer o debate político do programa do partido e depois eleger a direção. Intervenções para impor alianças como a do Rio de Janeiro que indicou democraticamente candidatura própria, mas o interesse do “vale tudo” derruba a decisão e nos joga nos colo do aliado Garotinho.
 
 
Alianças que culminariam inclusive na relação com o nosso algoz do mensalão, Bob (roberto) Jeferson, homem linha de frente do governo Collor, articulador político do bloco anti cassação, e dono do PTB praticamente vendeu o partido em nome das alianças de 2002. Eu não me sentei com esse cara e nem trouxe ele para uma aliança com Lula, mas o Zé sim.
 
 
Nunca nos processos coletivos, chapas, direções ou relações coletivas de militância partidária nunca presenciei gesto de solidariedade ou de respeito às posições do nosso campo de pensamento a esquerda do partido, qualquer que fosse. Desobrigo-me a compor qualquer manifestação de cunho pessoal.
 
Evidente que nenhum inocente deve ir para cadeia ou ser penalizado. Mas revendo a história espero no mínimo que possamos aprender junto o que estamos passando. Que não cometamos o mesmo erro com revanchismo, nossa resposta é a força do povo que deve ter como diretriz única: não aceitar mais a exploração do sistema capitalista.
 
 
A injustiça não deve alimentar o ódio. Não me sinto melhor ou pior diante da condenação política dos presos filiados na ação penal 470.
 
 
Contudo, em nome do fortalecimento de um projeto político de grupo jogar três décadas de história de luta pela democracia e etc. já é uma pena eterna sob as cabeças dos condenados.
 
 
E isso não mudará minha posição. Lutar contra o jugo de um poder judiciário burguês e autocrático é necessariamente parte da nossa luta. Exigindo um partido no mínimo mais ideológico do que temos atualmente.
 
 
Exige uma profunda reforma no Estado sob nossos conceitos, concepções e compreensão do que é público.
 
 
Não a este Poder Judiciário. Barbosa é o menor dos nossos problemas, ele é mais um que negou suas raízes sócio históricas e escolheu ser serviçal do modelo vigente. Lutemos sim, pelo fim da autocracia liberal dos tribunais dominados pelos filhos, netos, bisnetos da burguesia. Em defesa do PT e do seu programa socialista para o Brasil.

 
Pautar nossa atuação partidária interna pela confiança e coerência. Confiança advém da certeza de que o caminho é o melhor para o conjunto do partido e do programa político. Coerência é poder ser sincero aos companheiros (as) e saber quando dizer não a algo duvidoso, alguma movimentação pantanosa, enfim, manter de pé os princípios (estes inegociáveis).
 
Solidariedade é um gesto condicionalmente socialista. Expressa a afirmação de queremos conjugar com aqueles que pertencem a nossa classe. Não é o caso.
 
 
E a palavra socialismo desapareceu dos nossos textos, das nossas formulações, das nossas resoluções, dos discursos, mas jamais deveria ter saído das nossas atitudes.

 

Natal de 2013.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

OS NINGUÉNS



OS NINGUÉNS

As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a

pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte

a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanha, nem nunca,

nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e

mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o

ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.

Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e

mal pagos:

Que não são, embora sejam.

Que não falam idiomas, falam dialetos.

Que não praticam religiões, praticam superstições.

Que não fazem arte, fazem artesanato.

Que não são seres humanos, são recursos humanos.

Que não tem cultura, tem folclore.

Que não tem cara, tem braços.

Que não tem nome, tem numero.

Que não aparecem na historia universal, aparecem nas paginas policiais

da imprensa local.

Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

(Eduardo Galeano)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

PED 2013: Uma vitória em clima de derrota.





PED 2013: Uma vitória em clima de derrota.

Com mais de 800 mil filiados (as) votando neste último domingo (10/11) o PT reafirma seu compromisso de renovar suas direções. O problema após a euforia dos “cabos eleitorais” e dirigentes é saber como superar o engodo da participação política que permite que seus filiados (as) exerçam o papel de militantes.

Militante é na opinião do poeta como “alguém que se doa a uma causa, que tem amor pela humanidade e tem determinação pelo que faz sem vinculo salarial”, isso porém representa muito pouco dos 800 mil votantes de domingo.

Já havia dito aqui que haverá no PT um profundo desafio paradigmático que será sentido ainda nos primeiros encontros das novas direções: a composição paritária de gênero, as cotas de jovens, negros (as) e indigenas que irão compor os diretórios do partido.

Contudo a força das nossas pautas, lutas e idéias só poderão ter uma medida a partir dos desafios que o partido enfrenta quando se torna uma grande máquina eleitoral e deixa de ser um instrumento de organização politíca dos trabalhadores (as).

Que papo é esse? Os enfrentamentos na afirmação das nossas políticas sociais, das questões relativas a cultura contra hegemônica que pressupõe derrotar o machismo, o racismo, os preconceitos de toda ordem, a homofobia, a xenofobia a brasileira (contra médicos estrangeiros e populações refugiadas como haitianos e bolivianos), o avanço de pautas conservadoras como ato médico, “cura gay”, etc.

A disputa pela direção política das manifestações mostrou o quanto nos distanciamos da massa que vivencia problemas gerados pelas elites e herdadas por nós nos lugares que governamos, inclusive no Planalto Central.

Nossa incapacidade ou ausência de protagonismo em poder canalizar tais expressões de mainifestação contra a exploração e a restrição de direitos como a mobilidade urbana representam o quanto estamos distantes da disputa pela hegemonia do Estado.

Hegemonia que abandonamos pela aceitação do status quo na forma de compor bases no parlamento e composição de governo. As alianças não são nossa maior dificuldade, dificil é conduzir os processos sempre de forma despolitizada e fortemente institucionalizada onde nós mesmos temos culpa pela força do aliado (a).

Se pudessemos retomar o conceito de disputa de hegemonia isso permitiria que pudessemos sobrepor a barreira das “garrafas” ou das lutas institucionalizadas (aquelas que nascem nos gabinetes e não nas articulações com os movimentos sindical e popular), e compor alianças de dentro pra fora e de fora pra dentro na formação dessa massa filiada, na redistribuição de tarefas por causas e pautas, na mobilização convocada por uma direção que compôs uma forte rede de militantes que podem estar no lugar certo, com a pauta de luta na mão.

O que vimos no dia 10/11 foi um show – de horrores – com “cabos eletorais” uns agressivos na abordagem outros totalmente passivos de ideias e dialogo, eleitores em trânsito (alta mobilidade urbana de filiados aos locais de votação), despreparo na recepção e organização em alguns locais de votação, abuso do poder econômico e da pressão sobre comissionados, enfim, essa na média foram os fatos ocorridos e as atas das localidades não me deixam mentir.

Esse processo de eleições diretas está falido!
Essa é a conclusão de muitos militantes Brasil afora seja pelos fatos ocorridos, seja pelo quorum que despencou em muitos lugares.

Ou seja, aquilo que serviu o campo majoritário no passado para retirar o processo interno e participativo, com debates durante o dia e eleição ao final pelo que chamamos de “processo de eleições diretas” hoje se mostra um instrumento que de longe garante a qualidade da escolha eleitoral e tampouco consegue permitir a participação direta do filiado (a) em algo que tenha sentido, repito, sentido a aquele (a) filiado (a) que venho aos espaços do partido apenas neste dia 10/11.

Nao há modelo conclusivo ou perfeito para democracia. O próprio conceito está em disputa se obervarmos que, por exemplo, o orçamento participativo que nasceu embrionariamente no PT para que sociedade pudesse decidir sobre parte do orçamento público, hoje é apresentado pelos órgãos mundiais do capitalismo como “forma de controle fiscal dos cidadãos sobre os governos”.

Sabemos que há diferenças na forma e no conteúdo entre nosso projeto político de esquerda e do FMI e Banco Mundial, e essa reflexão não consegue sair às ruas e nas casas dos nossos filiados (as). Eis o desafio, por isso a vitória de parte da esquerda popular e socialista do PT deve ser comemorada, mas com gosto de derrota.

Votos aos milhares não expressam necessáriamente um medidor dos desafios que estão colocados para o PT, expressam apenas que determinados grupos, tendências, correntes ou blocos majoritários reafirmam seu favoritismo a um preço danado de caro, o da morte do processo de criação e recriação de novos militantes para as lutas do partido.

É hora de manter firme nossos ideais, parabéns as novas direções!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Porque o PT vai as urnas neste domingo?




Porque o PT vai as urnas neste domingo?

10 de novembro de 2013. Um domingo comum na vida dos brasileiros (as), tendência de sol e caminhando para o fim do ano.

Mas milhares de homens e mulheres irão novamente escrever mais uma página da história da política do nosso país. São filiados (as) que irão votar para escolha das novas direções do Partido dos Trabalhadores com uma mudança na forma de composição que poderá representar uma profunda mudança de paradigma nas novas relações culturais que queremos construir para o Brasil.

A paridade nas direções entre homens e mulheres, as cotas para jovens até 29 anos e etnicas (negros e indigenas) expressa a vontade de um partido que em seu último congresso nãoquer esperar apenas os resultados da elevação da renda economica dos brasileiros (as) como único fator de melhora do país.

Transformações culturais nas relações entre homens e mulheres, negros e indigenas devem ser provocadas inclusive pela responsabilidade de ter nas suas direções a inclusão destes segmentos de genero, raça e etnia como forma de forçar o debate, a reflexão, as contribuições sobre o enfrentamento do racismo, do machismo, do sexismo, da homofobia e demais expressões não humanas e que se perpetuam como formas de dominação desta sociedade capitalista.

O socialismo não resolverá por si só as questões que envolvem direitos humanos, pois a economia e a política devem caminham juntas também numa outra perspectiva societária que tem no seu principio fundamental a emancipação humana.

Para o PT este é um dos seus principais desafios. O outro é superar a ideia dominante do pragmatismo e do governismo que contamina cada vez mais as disputas internas, força a aceitação de práticas cada vez mais condenavéis, principalmente com relação ao financiamento do partido e das campanhas eleitorais.

As alianças tornam-se um problema não só pelas figuras públicas com que nos aliamos, sendo que algumas representam setores da classe domintante da pior espécie do coronelismo, do clientelismo local e de interesses como banqueiros, emepresários, etc., mas pelo fato de que em nome das alianças não construímos nunca maioria suficiente para aprovar os projetos de lei de interesse coletivo e da classe trabalhadora. Até que ponto as alianças são convenientes para a força majoritária em detrimento do crescimento político do PT e dos seus aliados no campo da esquerda? 

Mesmo sendo necessário para renovar as direções, o Processo de Eleições Diretas (PED) no PT não tem empolgado a militância. Um clima de apatia e a pouca participação tem sido marcantes para que parte de tudo que ai está fique como é nas direções, ou seja, sem muitas mudanças. Lõgico que surpresas sempre existem.

Há quem diga que houve o esgotamento deste modelo que tem sido alvo de polêmicas nas últimas eleições internas. Criada na gestão que tinha o companheiro José Dirceu na presidencia do partido o instrumento era uma forma de “democratizar” a escolha dos dirigentes, ao mesmo tempo que era um meio de barrar a militância das tendências e correntes do pensamento a esquerda do PT que possuem uma participação mais ativa na vida partidária, pois a escolha das novas direções eram por etapas e a participação nos encontros eram necessários. Ou seja, não era apenas o voto direito, mas um período intenso de debates.

1998 foi marcada por uma intervenção durante a presidencia de Dirceu que impediu que a militancia carioca pudesse disputar o governo do estado com candidato próprio, onde pela primeira vez a maioria da direção se sobrepôs a maioria dos filiados (as) fluminenses. Um trauma que se abriu em nome das alianças. Lembrando que o aliado a época da força majoritária era Garotinho.

2005 parte da esquerda vê uma porta se abrindo. Muitas das denúncias do “mensalão” eram inclusive parte da chave que permitia as maiorias absolutas da força majoritária nas direções do partido. Contudo o vendaval se abateu mais sobre a militância a esquerda do partido. As baixas sobre a militância socialista foram de rachas que originaram o Psol até saídas mais a moderação política e a direita na espectro político.

2013 para as forças políticas da esquerda socialista e popular do PT representa a sobrevivência na vida dirigente do partido e a possibilidade de construir uma nova alternativa calçada em principios, coerência de ideias e posições ideologicas com maior firmeza. Projetos coletivos devem entrar na próxima pauta do PT e isso tem sido sentido inclusive na velha guarda da força majoritária.

E por isso o PT irá as urnas neste domingo, para renovar suas direções e permitir que na pluralidade de militantes, suas posições e ideias possam ser no minímo uma luz no fim do túnel para que não seja apenas a preparação da próxima disputa.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Medíocre na média é conduzir uma luta de classes sem povo e sem reflexão! Esperanças em tons de vermelho são papéis de parede numa casa de deformações!

O PED 2013 é para o petismo um momento de reflexão e movimento. Reflexão não apenas pelos debates oficiais agendados pela direção do partido, mas pela intensidade como se vê nas articulações, nas relações entre militantes, nas formas como se apoiam determinados grupos ou pessoas filiadas.

De movimento porque obriga até o mais acomodado dos burocratas a se apoiar em alguma atividade ou evento partidário, ou movimentar a "marcha dos dedos" dos pseudo intelectuais dos gabinetes, principalmente das forças que se reivindicam "a esquerda do pt", que sustentados pela máquina partidária não teriam outro momento de ver suas brilhantes teses publicadas senão neste momento.

Há quem diga que o debate no PT acabou. Ledo engano, o debate (o verdadeiro) esta apenas começando. Quais seriam os elementos a serem discutidos na intensidade merecida? O socialismo? Os rumos do governo do PT? A ausência de política na política partidária? Todos e muitos mais seriam fundamentais, mas para mim agora (ou até o momento), é o desvelamento de quem somos e o que queremos fazendo parte deste instrumento político chamado de Partido dos Trabalhadores.

Como militante pré "Lula lá", digo isso porque minha filiação e militância ao PT se dá antes das nossas vitórias eleitorais em Guarulhos (2000) e Lula (2002), então podemos dizer que vivi intensamente uma forma de luta política que tinha suas dificuldades, suas tarefas, seus desafios e sem a crise dos "holerites" que estamos vivendo atualmente. De maiorias frágeis, muito frágeis.

Sou de uma cidade em que uma corrente mensageira possuía o comando do governo e do partido num ano, e no outro após a derrota nas prévias e vitória nas urnas de um grupo que logo logo retomou suas origens majoritárias provaram para mim que (pelo menos no PT), basta você ser eleito (a) ao executivo e num passe de mágica (e um bom diário oficial), faz-se a nova maioria.

Mas o centro da minha critica não está nos "majoritários", pelo contrário, eles por divergência de projetos e convergência tática de construção de governo eu sempre me manterei na crítica construtiva, dialética e  coerente com a trajetória histórico política que construí até agora.

Eu sou militante da EPS, da Esquerda Popular Socialista, tendência que conseguiu no último período ser a convergência de uma esquerda petista e brasileira que reúne simplicidade e teoria, reflexão e ação, pragmatismo e coerência, posição sem imposição.

E é sobre esta última que preciso escrever, de forma fraterna, mas dura.

Analistas de teses tem escrito sobre as posições das forças políticas que colocaram-se a disputar os rumos do PT neste período. Pois bem, opinião é só opinião - se fosse para construir buscava o dialogo - contudo respeito intelectual aos processos são no mínimo necessários, e claro humildade (também) intelectual. Pois sem isso a tal da dialética fica sem sentido.

Primeiro, o que é na média um medíocre? É segundo o dicionário "estar na média", de "pouco valor", bem então vamos lá, se nossa tese (da EPS) está "na média" isso inclui então as teses do nosso próprio campo de esquerda, que "na média" batem e assopram sobre as velas da comemoração dos "dez anos que mudaram o Brasil"

Segundo, na média o "pouco valor" (medíocre) atribuído só expressa a arrogância intelectual de quem se considera no mínimo "melhor", ou de "melhor elaboração critica do momento vivido" e isso é uma tese que no mínimo é um "sopro de esperança" num tom de "vermelho". Partindo de qual premissa? Ah, a de que "o nosso governo" precisa avançar nos compromissos assumidos pelo "nosso partido". Conivência ou conveniência andam quase próximos, onde é bom votar a parte, registrar posição e guardar para o ego e depois manter-se no status quo da direção, com seus benefícios pagos pela militância que realmente está vivenciando as contradições do projeto institucional do PT e buscando no mínimo muda-lo ou transforma-lo.

Terceiro, se na média (nós da EPS) somos medíocres, na máxima temos tendências ou teses de "falastrões", divagam sem se apropriar necessariamente da compreensão do que seria melhor para o fortalecimento das idéias ou ideais da esquerda brasileira.

Houve um tempo no PT em que nós da esquerda do PT, donos da verdade e certos de nós mesmos, denunciamos essa mesma política de alianças que levaria parte da direção do lulismo ao banco dos réus num julgamento evidentemente político contra o PT e não a favor de uma postura republicana sobre a coisa pública.

2005 era a redenção. Alguns achavam que era a hora de ir pra cima, hoje nós (a esquerda do PT) lutamos para não sermos varridos das direções - não por uma maioria oportunista - mas, por uma base cada vez mais pragmática, apolítica e deslumbrada com os "dez anos que mudaram o Brasil".

Sobreviver virou palavra de ordem na esquerda do PT. E o pior podemos ser derrotados por nós mesmos.

Na média somos todos medíocres - na esquerda do PT -
, mas alguns medíocres estão buscando uma reflexão e um acumulo de forças que outros só conseguem estagnar-se na sua própria mediocridade falastrona.

Bela contribuição ao socialismo e aos socialistas do PT.