quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Artigo de Pedro Tierra, pela Carta Capital: Para nascer, nascemos: PT 35.




Para nascer, nascemos: PT 35.
O Partido dos Trabalhadores, depois de 35 anos de protagonismo nas lutas pela reconstrução da Democracia, se encontra numa encruzilhada.
Pedro Tierra
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
A aventura de construir um Partido de base popular que viesse a representar de maneira independente os interesses dos trabalhadores na sociedade brasileira, ainda sob a ditadura empresarial-militar imposta ao país pelo golpe de abril de 1964, percorre a esta altura três décadas e meia. 


No 10 de fevereiro de 1980 estavam amadurecidas as condições para dar forma a um organismo partidário que representasse as aspirações de uma classe social que se encontrava incluída, como mão-de-obra, no setor de ponta de economia, mas excluída da arena política. Uma classe que se revelou capaz pelo instrumento das greves, das mobilizações de massas e da ação parlamentar de estabelecer alianças com diferentes setores sociais para por abaixo uma tirania já em declínio. 


O PT foi diagnosticado inicialmente como um incômodo a ser digerido e eliminado pela repressão pura e simples ou pela própria dinâmica do metabolismo institucional da transição pelo alto engendrada por seu principal estrategista, o Gal. Golbery. Ao forçar as portas daquele sistema político concebido para abrigar disputas sob o estrito controle do regime ditatorial, entre os grande senhores da indústria, do agronegócio nascente e dos antigos monopólios de comunicação nutridos pelo regime, o Partido dos Trabalhadores cometeu um delito: o delito original de ter nascido. 


Com voz própria, ainda que desafinada, mas vigorosa, por liberar uma polifonia, àquela altura irreprimível, de reivindicações, desejos, esperanças, agredia com seu timbre dissonante os ouvidos de uma sociedade alfabetizada pelo silêncio. A campanha das “Diretas Já” mobilizou milhões. Se não venceu de imediato, sacudiu irremediavelmente os alicerces do regime. Com os movimentos sociais, sua base primeira, em ascensão, o PT se consolidou como expressão política dos de baixo e como projeto popular de desenvolvimento para o Brasil. 


Passados vinte e dois anos de batalhas ganhas e perdidas, mas sobretudo ganhas, o Partido dos Trabalhadores liderou a ampla aliança que venceu as eleições de 2002. Levou à chefia do governo central o operário metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, tendo como Vice um empresário bem sucedido, o mineiro José Alencar. O PT cometeu aí um delito derivado. 


Alcançou algo surpreendente. Inconcebível para os de cima e por isso mesmo imperdoável para as instituições moldadas à sua semelhança: venceu as eleições dentro das regras estabelecidas por seus adversários. E pôs à frente do país um homem que encarna tudo que aquelas elites políticas tradicionais, herdeiras da cultura da Casa Grande, rejeitam: ele vem do nordeste do país, região identificada pelos de cima, como paradigma do atraso e da dependência; ele vem do mundo do trabalho num país em que as elites descendentes dos senhores de escravos rejeitam o trabalho como atividade para negros e inferiores; ele vem do chão da fábrica, das ruas e não das universidades, nem da caserna que produziram os principais dirigentes da nação. 


Desmentindo os vaticínios dos pretensos ‘formadores de opinião’, esse homem conduziu o país sob o fogo quotidiano e implacável do cartel da mídia conservadora, por dois mandatos à frente de um governo que incorporou no seu percurso, além dos seus aliados tradicionais, no campo da esquerda, parcela do centro do espectro político do país e mesmo setores de direita pulverizados em representações partidárias de menor relevância. Um governo complexo que produziu modificações profundas no perfil da distribuição de renda do Brasil, combateu a fome e as desigualdades regionais, deu os passos necessários para consolidar um mercado interno de massas, imprimiu um novo ritmo e uma nova qualidade ao nosso desenvolvimento. 


Renovou o rosto da diplomacia brasileira e afirmou a imagem do Brasil diante do mundo como nunca na história. Reorientou as relações internacionais para uma perspectiva Sul-Sul, com ênfase na América do Sul, sem deixar as parcerias anteriores, Europa e EUA e ampliou-as firmando novas em extensão e qualidade. Apresentou o país como destino seguro para investimentos, afirmou nossa soberania pagando as dívidas com o FMI libertando-nos da condição humilhante, subalterna de nação tutelada. 


Chegou ao fim do mandato apoiado pela maioria esmagadora da população independente do extrato social, credo religioso ou filiação partidária. As descobertas das jazidas do pré-sal pela Petrobrás e a adoção do Sistema de Partilha para sua exploração apontaram um novo rumo para o processo de desenvolvimento do Brasil, estabelecendo um sólido vínculo programático entre o PT e a tradição trabalhista anterior, vigente no período Vargas. Ao encerrar o segundo mandato do Presidente Lula, o PT cometeu um terceiro delito: o delito de eleger uma mulher para dirigir o Brasil. 


No país herdeiro da cultura política do patriarcalismo dos coronéis de rebenque, espora e chapelão, do machismo explícito ou dissimulado, elegeu pela primeira vez na história uma mulher para a Presidência da República: Dilma Rousseff. Militante da resistência à ditadura desde a juventude e da reconstrução da democracia depois de cumprir pena nas prisões do regime. Trouxe consigo os sonhos da geração que se lançou à vida pública para enfrentar a tirania e devolver à nação sua perspectiva de retomada do desenvolvimento inclusivo, democrático e soberano. 


A construção política que tornou possível esses avanços não tem o direito de esperar trégua dos seus adversários, herdeiros implacáveis da cultura escravocrata, colonizada, autoritária, machista, intolerante que marca historicamente o exercício da política no Brasil. Ao afirmar-se na sua certidão de batismo como um Partido que lutará “por uma sociedade sem explorados e sem exploradores”, um partido socialista e democrático, o PT selou sua trajetória e o combate implacável que receberá enquanto se fizer presente na cena política do país. 


O Partido dos Trabalhadores depois de três décadas e meia de protagonismo nas lutas contra a Ditadura empresarial-militar e pela reconstrução da Democracia se encontra numa encruzilhada. Ou aprofundamos o processo de transformação que desencadeamos na sociedade brasileira, produzindo alterações relevantes no sistema político partidário do país e que resultou nos governos Lula e Dilma, nos afirmando como um Partido socialista ou sucumbimos à moléstia que acometeu as legendas que nos precederam: um partido sem projeto nacional, um aglomerado de mandatos incapaz de se por à altura da tradição que construímos e dos desafios para conduzir o projeto de sociedade pelo qual lutamos com êxito ao longo de doze anos de mandatos consecutivos: dirigir uma das maiores economias do mundo, um país que combata as desigualdades e respeite as diferenças, que garanta a sustentabilidade socioambiental, um país que acolha todos os seus filhos. 


Entre as tarefas que o Partido dos Trabalhadores deverá cumprir nessa etapa em que iniciamos o quarto mandato, está a recuperação da autoestima dos brasileiros e de sua própria autoestima sistematicamente demolidas pelo cartel da mídia conservadora que pretende converter a política em crime. Esse cartel – verdadeiro obstáculo ao avanço da Democracia e ao direito à informação – não suporta a altivez que conquistamos com os governos Lula e Dilma diante do mundo. Coordena uma ofensiva contra a Petrobrás, não para sanear as práticas de corrupção que, de resto, prosperaram desde os governos tucanos, mas para retirar da maior empresa pública brasileira e uma das maiores petroleiras do mundo as condições de credibilidade necessárias para gerir a exploração das jazidas do pré-sal, entrega-las por meio do regime de concessões para as empresas estrangeiras. E bloquear assim o fluxo de recursos capaz de sustentar um novo ciclo de desenvolvimento inclusivo e democrático para o Brasil. 


O bloco conservador, derrotado mais uma vez nas eleições democráticas de 2014, à falta de um projeto próprio de desenvolvimento para o país, projeta sobre o PT todas as mazelas que engendrou e pratica quotidianamente, ou seja, não somos combatidos por nossos erros, mas pelo compromisso fundamental de fidelidade aos interesses dos trabalhadores. Por essa razão que justifica historicamente a presença do PT no cenário político do país, ao iniciar o quarto mandato consecutivo à frente da Presidência da República, afirmamos diante da sociedade brasileira que as elites conservadoras que há alguns anos expressaram publicamente o desejo de “acabar com essa raça” entendam: três décadas e meia depois, viemos para ficar. E lembra-los, inspirados no poeta chileno Pablo Neruda: “Para nascer, nascemos”. 


Créditos da foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Do sitio do Levante Popular: A Petrobras é do povo! Para combater a corrupção, Constituinte é a solução!




Jovens de todo Brasil, atenção! Vivemos dias importantes da história do nosso país. Fomos às ruas por mais direitos, votamos por mais direitos, mas estamos com eles ameaçados por uma grande campanha contra a Petrobras. Essa campanha é contra a ampliação de direitos sociais no Brasil! Contra o uso soberano de nosso petróleo em investimentos para o povo brasileiro.

A Petrobras é estratégica para ampliação de direitos sociais no Brasil. Após décadas de pressão popular e com as possibilidades vindas da descoberta do pré-sal, bilhões de reais do petróleo serão destinados a saúde, educação e cultura nos próximos anos. Em tempos de crise econômica internacional, a Petrobras é a única possibilidade que temos para aumentar os investimentos nessas áreas tão carentes e necessárias em nosso país.

Com a demissão da atual diretoria da estatal, vemos nosso grande patrimônio vulnerável aos interesses gananciosos dos inimigos do povo. Os últimos dias nos mostraram que a Rede Globo pretende que a nova presidência da empresa venha das mãos de Joaquim Levy. As mesmas mãos que fizeram grandes cortes em investimento social, entre eles 7 bilhões de reais que seriam destinados à educação. Se queremos fazer do Brasil uma “Pátria Educadora” de verdade, precisamos ampliar o investimento público na educação. Sem mais cortes!

O papel da Rede Globo, entre outras grandes mídias, associadas a gigantes petrolíferas transnacionais, é destruir o sentimento de pertença em relação a empresa que o povo brasileiro tanto se orgulha. Para isso, fazem uma campanha de ataque à Petrobras associando-a diariamente a um punhado de corruptos. O objetivo é privatizar. Querem o petróleo para encher ainda mais seus bolsos, acabando com a única possibilidade do uso soberano de nossa riqueza para ampliar direitos sociais.

Mas a verdade é que, pela podridão do sistema político brasileiro, grandes empresas que financiam campanhas políticas montam esquemas como o descoberto pela Operação Lava-Jato para se beneficiarem através de licitações “compradas” durante a campanha eleitoral. Apesar de não sair na grande imprensa, o nosso atual sistema político é a real origem da corrupção nas empresas públicas.

A Petrobras forte e pública é a nossa grande chance de impedir uma agenda regressiva proposta por Joaquim Levy! Defender a Petrobras 100% pública, longe de corruptos e corruptores é defender mais direitos do povo e da juventude brasileira. Queremos corrigir o problema na raiz. A solução não é privatizar, mas sim a mudança do sistema político através de uma Constituinte Exclusiva e Soberana. Por isso voltamos às ruas hoje. E voltaremos quantas vezes forem necessárias.

Não me engana mais, a Rede Globo quer vender a Petrobras!

Militantes carregam faixa com a frase: “A Petrobras é do povo! Para combater a corrupção, Constituinte é a solução!”



Manifestantes se dirigem a sede da Petrobras no RJ



Concentração do ato. Faixa com a frase “Constituinte já”



A Petrobras é do povo, pra combater a corrupção Constituinte é a solução!



Atenção: Pátria educadora não corta verbas da educação.



Faixa produzida para o ato

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Boletim FPA, artigo: Juventude: aumenta acesso à educação na América Latina, mas desafios permanecem.




Juventude: aumenta acesso à educação na América Latina, mas desafios permanecem
O capítulo “Juventud: áreas críticas de la agenda para el desarrollo con igualdad”, do último relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), chamado Panorama Social de América Latina, mostra uma evolução considerável na região da porcentagem de jovens que tem acesso à educação, conforme o gráfico abaixo: de 1990 a 2012 aumentou em 6.6 pontos percentuais (p.p.) a proporção de jovens de 25 a 29 anos que concluíram o ensino superior na região e no mesmo intervalo de tempo subiu 33,5 p.p. a proporção de jovens de 15 a 19 anos que concluíram a educação primária. Os avanços se aceleram, no entanto de 2002 a 2012, como mostra o gráfico.

América Latina (18 países): evolução da proporção de jovens de 15 a 29 anos que concluíram a educação primária, secundária e terciária, segundo grupo etário, 1990, 2002 e 2012 (em %)

No entanto, o estudo mostra ainda três grandes desafios para a região quanto aos jovens:
- os “nem nem”: aproximadamente 30 milhões de jovens entre 15 e 29 anos de 18 países da América Latina (22% do total da população dessa faixa etária) se encontravam fora do sistema educativo formal e não estavam empregados, os chamados “nem nem”. No entanto, dos jovens “nem nem” de 15 a 29 anos na América Latina, 55% se dedicam a trabalhos domésticos e cuidados não remunerados e 70% dos que se declaram nessa última categoria são mulheres, o que mostra que parte importante das mulheres jovens na América Latina está dedicada a cuidar de outros e realizar trabalhos domésticos sem remuneração. 
- a taxa de desemprego diferenciada: o estudo também mostra que a taxa de desemprego da população de 15 a 24 anos na América Latina é muito superior à da população em geral (com mais de 15 anos). Para dados de 2012, a taxa geral de desemprego no Brasil era de 6,7%, enquanto para os jovens era de 15,9%.
- a violência: sete dos 14 países mais violentos do mundo estão na região: Belize, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica e Venezuela; e enquanto os índices sociais melhoram, os índices de violência têm aumentado na região, sobretudo a faceta da violência que afeta a juventude. Nos últimos anos, enquanto tem caído a taxa de mortalidade por violência interpessoal entre a população de 30 a 59 anos de idade, ela tem aumentado entre a população de 15 a 29 anos, bem como o patamar das taxas que atingem esse grupo mais jovem é bem mais alto que as taxas dos grupos de mais idade.
O Brasil tem bastante peso para influenciar os resultados gerais da América Latina e o Caribe e os desafios apontados em nível regional podem ser traduzidos em nível nacional. Também é um avanço brasileiro significativo o acesso dos jovens à educação, como é um desafio brasileiro responder à questão do desemprego e dos “nem nem” e da violência que atinge especialmente jovens e, mais especificamente, jovens negros no Brasil.

Análise: Ana Luíza Matos de Oliveira, economista

As opiniões aqui expressas são de inteira responsabilidade da sua autora,
não representando a visão da FPA ou de seus dirigentes.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Para enfrentar as "verdades" da mídia, é preciso saber as VERDADES do lado de cá. Leiam o artigo "Quanto vale a Petrobras"

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Os Civita e os irmãos Marinho afundam uma P-56 por semana!


Quanto vale a Petrobras

O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, sua apuração concluída, com o avanço das investigações.

A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das ações.

E, naturalmente, a novas reações iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor — subjetivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa — da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa — incluindo hienas de outros países, vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.

O que importa mais na Petrobras?

O valor das ações, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa — como afirmou um internauta — “pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?

Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, refletida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores — para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência — da internet.

Para os patriotas, e ainda os há, graças a Deus, o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.

Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de cassetete e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas econômicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?

Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da atuação humana?

Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilômetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?

Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira — condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” — enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?

Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?

Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?

Por que enquanto virou moda — nas redes sociais e fora da internet — mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?

Por que em novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, aSiemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?

Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 — mais de 10 bilhões de dólares — enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?

Quanto vale o fato de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?

É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política.

A PETROBRAS teve um faturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.

É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termoeletricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser — como diz o “mercado” — “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.

As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efetivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.

Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.

Em dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.

Nesse estudo, o “mensalão” — o nacional, não o “mineiro” — acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores atualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.

E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema — apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado — até agora.

Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afetam igualmente suas principais concorrentes.

Eles advém da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.

Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.

A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.

E, mesmo que houvesse prejuízo — e não há — na extração de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das atividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.

A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior atuação, como é o caso do Rio de Janeiro.

Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.

É necessário punir os ladrões que a assaltaram?

Ninguém duvida disso.

Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina.

A Petrobras não é apenas uma empresa.

Ela é uma Nação.

Um conceito.

Uma bandeira.

E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.

Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.

E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

ARTIGO “Com que roupa, eu vou?” Brasil de Fato Edição 614


ARTIGO
“Com que roupa, eu vou?”

Brasil de Fato
Edição 614
1° de dezembro de 2014

Alipio Freire
 
Se os golpistas de plantão não consumarem seus intentos durante os dias de desmobilização das festas de final de ano; se o senhor Aloysio Nunes não assumir a Presidência depois de uma overdose induzida que abata o senhor Aécio Neves – O Aspirante; se dona Marina Silva não for entronizada e coroada A Nefertiti do Igarapé Verde; se dona Kátia Abreu não decidir invadir a Bolívia e a Venezuela com o apoio do pessoal do pijama-e-coturno, para acabar com a baderna no Continente e expandir o agronegócio para além das atuais fronteiras; se Deus quiser e o Divino Espírito Santo permitir; se a presidenta reeleita, Dilma Rousseff, for empossada – conforme ordena a nossa Constituição; se..., se... , etc., uma das primeiras questões (se não a primeira) que se colocará, será a Reforma Política. 

Da direita à esquerda – passando pelos radicais de extremo centro – já existem vários projetos. Como originalmente esta é uma proposta programática do Partido dos Trabalhadores (assumida pela Presidência), antes mesmo de conhecermos todos os pontos da Carta de 1988 a serem reformados, temos uma singela pergunta a fazer, especialmente ao PT: com que força contamos para aprovar reformas que interessem aos trabalhadores e ao povo (povo=todos os explorados e oprimidos)?

As recentes eleições já demonstraram que não estamos com essa bola toda... No primeiro turno, acabamos com um Congresso mais à direita, que o da legislatura que ora finda e, no segundo, a diferença de votos entre os dois candidatos à Presidência foi pequena. Além disso, junto à opinião pública, consolida-se (e nos parece crescer), o ódio contra a esquerda, contra o PT e contra a presidenta.

Ou seja, neste momento a correlação de forças não nos é favorável, mas sim aos nossos inimigos de classe. O fato da presidenta ser obrigada a engolir ministros como a senhora Kátia Abreu e o senhor Joaquim Levy – por mais trágico que consideremos, é apenas a ponta do iceberg.

O processo de golpe que se desenvolve desde junho de 2013, prossegue em curso, e não duvidamos que recrudesça e possa ter um “final feliz” para os golpistas, se a Constituinte Exclusiva aprovar suas emendas (de sentido diametralmente oposto àquelas que propusermos, para o aprofundamento da democracia no Brasil). O golpe poderá se consumar por esse caminho, sem necessidade sequer de arcar com o ônus de tanques nas ruas. Ou seja, o tiro tende a sair pela culatra, com um retrocesso das conquistas obtidas em 1988.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Quem somos, onde estamos e para onde vamos? Novo golpe de 1964 ou atraso na vida política brasileira?


Quem somos, onde estamos e para onde vamos? Novo golpe de 1964 ou atraso na vida política brasileira?

Motivos para um impeachment? Primeiro a palavra é difícil, melhor o seu significado que é “impedimento”, ou seja, um ato de impedir algo ou alguém.  Comparar a conjuntura política do governo Collor com o atual governo Dilma é no mínimo atestado de “analfabetismo funcional” e quem deveria ter cassado o diploma do ensino médio é justamente quem faz coro com imagens ou informações nas redes sociais virtuais e pela imprensa mercantil.

Primeiro, reconhecer a grande capacidade de mídia e controle da opinião que exerce os atuais meios de comunicação controlados pelas elites e seus representantes políticos – os mesmos que a décadas se alimentam do dinheiro público. Sua capacidade de envolver, mentir e entreter é incrível. Jornalistas formados apenas em comunicação se metem a besta (ou bestas) a falar de temas que mal a sua formação universitária teria tocado (a não ser que o curso fosse numa linha intelectual critica), e falam de tudo, economia, política, gestão, medicina, água, direitos humanos, etc., etc., são “poliglotas do conhecimento” “educando” os ignorantes expectadores.

Segundo, o governo Collor foi fabricado por uma serie de fatores que envolveu maquiar o estado de Alagoas, transformar um “playboy”, filho de coronéis e que nunca trabalhou na vida (como assalariado médio), num “caçador de marajás”, sua subida meteórica aliada ao apoio de agentes investigativos (os casos envolvendo a vida privada de Lula), e forte apelo das elites que enriqueceram na ditadura civil-militar,  sustentadas pela “nova” república comandada por Sarney se viam ameaçadas pelo “candidato zebra” Lula da Silva. A mesma elite que precisa dos seus representantes descarta facilmente, hoje ironizam Collor e Sarney que ontem garantiam as concessões de emissoras, financiamento público e privilégios, são tratados como “bandidos” pelos mesmos “amigos”. A direita é leal ao dinheiro, ao lucro e privilégios, pessoas são descartáveis.

Terceiro, mesmo que os governos do PT tenham sido um misto entre neoliberalismo e desenvolvimentismo, é inegável que as políticas sociais de transferência de renda somados a valorização do salário mínimo e surgimento de uma nova parcela para classe assalariada média de renda consumidora fez o país crescer economicamente.

Então porque a sensação de “corrupção, violência sem controle e alto custo de vida”? Nada mudou em termos de controle da ideologia, os efeitos do neoliberalismo nas políticas públicas, na educação, na saúde, enfim, todo processo que envolve o controle da sociedade, das relações sociais e alienação.
Desmontando brevemente um a um a corrupção está na raiz desta sociedade brasileira e intimamente ligada a uma elite que governa a parte do próprio Estado. De tempos em tempos cada força política usa a seu favor os instrumentos de controle da sociedade e a mídia é sempre a melhor forma, todo mundo fala de “manipulação de opinião” e ela tem certeza, pois reproduz todo dia essa opinião sem refletir ou pensar. Derrotar a cultura de corrupção é vencer as nossas próprias ganâncias e interesses particulares.

A violência sem controle também e grande manutenção dos picos de audiência são os mais engraçados, porque a mesma mídia que diz que estamos em uma “guerra civil” dos “cidadãos de bem contra os bandidos” é a mesma que passa programas de lugares, viagens e felicidade das festas nacionais. Você já viu alguma matéria na TV, rádio ou mídia virtual e impressa que repercutisse intensamente durante o carnaval? É o Brasil é seguro quando interessa.

E o alto custo de vida pode ser visto no aumento dos serviços no Brasil. Qual é família que se dirige ao mercado para aquelas intermináveis filas de compra para estoque como meio de sobreviver à inflação? E o acesso aos bens de consumo duráveis, quantos dias ou anos você deixou de ligar de um telefone público mesmo?

Podemos ter diferenças, inúmeras diferenças, mas uma coisa não se pode acusar o governo do PT, se você pertenceu a classe assalariada média e hoje aproveita os privilégios ou viu sua renda melhorar e ainda reclama parceiro você é muito oportunista.

Mas isso está na raiz da classe assalariada média, com o tempo não se reconhece como parte da classe trabalhadora e com o tempo abre mão de direitos e quer privilégios, o oportunismo se apega ao discurso mais fácil, “tudo é culpa do PT”.

Proponho, vá estudar historia (a formação sócia histórica do Brasil). Olhe para sua renda atual e sua trajetória de vida. Só essas comparações podem desmistificar um pouco do Brasil apresentado pela mídia e o real vivido.

Impedimento de Dilma é golpe! Golpe é um ato que causa ruptura com o legitimo. Legitimo é respeitar a democracia, mesmo limitada.

Impedimento de Dilma é golpe. Golpe porque a conjuntura de 1992 é diferente de agora 2015.

Impedimento de Dilma é golpe. Golpe é praticado por canalhas, gente pequena e uma massa de abobados que seguem o que a o porta voz das elites, a mídia, lhes diz.

Impedimento de Dilma é golpe. Golpe que não será tolerado pelos brasileiros e brasileiras que acreditam e querem uma democracia forte e não uma ditadura que vai governar da Fiesp ou de outra latrina subterrânea das elites.

Não estou dizendo que nada deve mudar. Estou dizendo que a mudança precisa ser do lado de cá. Lado que não viu uma vitória em termos de transformação da sociedade via reformas estruturais como reforma agrária, reforma urbana, reforma educacional popular, fortalecimento da Seguridade Social Pública, do sistema político, etc., apenas tivemos a abertura política lenta, gradual e restrita com uma redemocratização incompleta, uma constituição que não viu os direitos de cidadania efetivados no tempo necessário, fantasmas nos armários do Estado e fissuras como cicatrizes que não fecharam.

Para ser nação não basta ocupar as ruas.

Tem que transformar as relações sociais e políticas. E isso só interferindo no cotidiano, na vida diária e na cultura que cerca o povo.

A maioria da sociedade tem direito a cobrar o seu projeto, um projeto popular de país.


Ir as ruas é fácil, quero ver botar a mão na massa!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Plebiscito oficial para impedir contrarreforma política

Plebiscito oficial para impedir contrarreforma política

 Data da notícia: 05/02/2015
Em ato na Câmara, movimentos sociais cobram retomada de projeto para convocar uma Assembleia Constituinte sobre o sistema político. Enquanto isso, ala conservadora opera para eternizar financiamento empresarial de campanhas
Por Pedro Rafael Vilela - Comunicação Plebiscito Constituinte
 
Movimentos e organizações da sociedade civil realizaram ato na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (4), para retomar a luta por um novo sistema político no país. No plebiscito popular realizado em setembro de 2014, quase oito milhões de pessoas disseram sim à Constituinte Soberana e Exclusiva do Sistema Político. Em outubro, como desdobramento da campanha popular, um Projeto de Decreto Legislativo (PDL), assinado por 181 parlamentares, foi entregue ao Congresso Nacional e propõe um plebiscito oficial com a mesma e única pergunta da consulta popular: você é favor de uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o Sistema Político? O povo é quem deve ter a palavra e decidir qual a reforma necessária para reverter as distorções na representação política em nosso país causadas pelo atual sistema político. Entre elas, a baixa representatividade de mulheres, negros, indígenas e trabalhadores; em contraste com a forte presença do poder econômico e de interesses corporativos de grandes empresas.

"Hoje, há na Câmara uma correlação de forças desfavorável aos trabalhadores e ao povo que quer ver seus direitos garantidos e exercer a cidadania política de maneira plena”, destacou a deputada Luíza Erundina (PSB-SP), uma das autores do PDL, junto com o deputado Renato Simões (PT-SP). Erundina, Simões e outros parlamentares presentes ao ato rechaçaram a manobra do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que encaminhou, na terça-feira (3), a tramitação da PEC nº 352/13, que provoca ainda mais retrocessos no atual sistema político brasileiro.
 Contrareforma
 A PEC nº 352 foi o resultado de um grupo de trabalho criado em 2013 após as manifestações de junho. O relatório final da proposta, debatida apenas entre os parlamentares, é uma “contrarreforma política”, na avaliação dos movimentos sociais. A proposta não cria nenhum mecanismo para acabar com a sub-representação de mulheres, população negra, povos indígenas e outras minorias. Também não cria mecanismos de democracia direta.
 Além disso, a PEC pode aumentar ainda mais a influência do poder econômico nas eleições, pois legalizaria na Constituição a doação de recursos de campanha por empresas, algo que já foi rejeitado até pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Há dez meses, os ministros da mais alta corte de Justiça consideraram inconstitucional a doação de empresas em campanhas eleitorais, a partir de uma ação proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O julgamento está definido por 6 votos a 1, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo e a decisão ainda não está valendo. Isso também explica a pressa dos deputados em mudarem a Constituição para permitir doação por empresas.
 “O Presidente da Casa [Eduardo Cunha], atendendo a compromissos de campanha, conseguiu a aprovação da admissibilidade de uma PEC que é uma anti-reforma política, uma contrarreforma política, que na prática vai impedir que o STF termine o que começou, que é impedir o financiamento privado de campanha”, apontou Alessandro Molon (PT-RJ).
 O deputado Renato Simões explicou que, apesar do avanço da agenda conservadora, os setores progressitas na Câmara conseguiram garantir que a comissão especial que vai ser criada para analisar a PEC, também vai analisar todos os projetos em tramitação que tratam da reforma política. “Vamos tratar o PDL em conjunto com a PEC 352 na Comissão Especial, com o mesmo peso. Quem participou do plebiscito escreveu uma página importante em suas vidas. Vamos transformar este episódio numa página da história com a realização do plebiscito oficial. Enquanto o financiamento privado durar, não vamos avançar. Nenhuma reforma será aprovada por um Congresso dominado pelo poder econômico”, avaliou.
 Pressão popular
 Para Maristela Matos, da secretaria operativa da campanha Plebiscito Constituinte, o momento é complicado e por isso exige maior participação social. “Tivemos votos para mostrar que a sociedade está mobilizada. Agora o enfrentamento é outros: é aqui no Congresso, que tem uma de suas composições mais conservadores. Temos uma tarefa de articular entidades e levar o debate para a sociedade, para conquistar corações e mentes. Constituinte já!”.
 O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) vai na mesma linha. Ele chegou a citar o ano de 1997, quando 19 trabalhadores rurais sem-terra foram brutalmente assassinados em Eldorado dos Carajás (PA). “Dias depois, uma marcha de trabalhadores sem-terra veio a Brasília. No primeiro dia, os deputados se esconderam, fecharam o Congresso e o Palácio do Planalto. No dia seguinte, eles aprovaram duas leis para favorecer a política de reforma agrária no país. Temos que pensar numa governabilidade política que venha com pressão do povo. Vamos à mobilização e à luta política”, afirmou.
 O deputado Henrique Fontana (PT-RS) lembrou que a ala conservadora no Congresso Nacional está fechada na proposta de eternizar o financiamento empresarial das campanhas e reduzir os poucos mecanismos ainda existentes para diversificar o acesso ao poder. Ele rebateu a proposta do voto distrital e o fim do voto obrigatório. “O voto distrital levará ao fim do voto de opinião e pesquisas demonstram que nos países que aplicaram o voto facultativo, quem deixa de votar é sempre o povo mais pobre”. Ele conclamou os movimentos sociais a buscar unidade em torno das propostas populares em discussão. Além da campanha pelo plebiscito oficial, é preciso apoiar o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Reforma Política apoiado por entidades como a OAB, CNBB, UNE, MCCE, entre outros e a ação em julgamento no Supremo Tribunal Federal que torna inconstitucional a doação empresarial para campanhas eleitorais.