quarta-feira, 17 de julho de 2019

Um Brasil que segue derrotado por Bolsordinário.

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Chamem de "sem-educação", mas chamar essa coisa na presidência da República pelo nome ou referir ao mesmo ao maior cargo da mesma significa - para mim - uma ofensa. Depois de um semestre governado por essa realidade pré-moderna gastaria muitas linhas e seria chover no molhado nas diversas informações e contra-informações que se encontra o país.

Antes da posse fiz alertas e questionei: "O Brasil merece Bolsordinário?" E entre guerras culturais e reformas ultra-liberais a democracia incompleta e a transição lenta, gradual e vacilante do fim da ditadura expressam sinais - e é só o que posso oferecer no momento - de que a conciliação de 1988 esgotou-se.

Explico, primeiro esses setores guiados da massa, em momentos e atores diferentes ao longo da história do Brasil, os inocentes úteis serviram no Brasil mais às classes dominantes do que aos "bolcheviques", e em períodos-chave a máxima "tome o poder antes que o povo o faça" foi e é a orientação destas mesmas classes dominantes.

Contudo, pulando histórias, isso serviu até o golpe de 2016 e ao final da presidência de Temer em 2018. E ainda parecendo um "golpe dentro do golpe", onde os golpistas de 1964 foram golpeados em 1968, temos a tragedia das eleições de 2018 culminando num outsider fora da curva das elites.

E mesmo o mais tradicional liberal virou "vítima" dessa onda que reúne uma geração vitimada pelas reformas neoliberais que avançou nos países capitalistas do mundo todo.

O neoliberalismo se auto-proclamou a solução para o crescimento econômico e distribuir de bônus aos que se aventurassem individualmente aos seus planos, sem o "feio" controle estatal, combateu a universalidade de direitos confundido-a a uniformidade dos modos de vida regidos pelo Estado, difundiu o "viva o momento", sem dizer que isso ia custar caro ao planeta, ao tornar tudo que toca em mercadoria colocou a ciência em risco ao rebaixar o acesso a educação às populações, movimentou silenciosamente a sociedade moderna para um tempo de indiferença.

A indiferença e o individualismo de braços dados culminaram numa massa consumidora pulverizada, eclética, formada basicamente por um padrão de consumo determinada através de um forte controle de midiático e com a força da "Big Data" das startups da internet e todo esse aparato virtual que age em cumplicidade com o capital financeirizado.

O engraçado da contradição é que a própria hegemonia exercida pelas classes dominantes está em risco.

Esse tipo de "político anti-sistema" esta contaminando o cenário mundial com seus "Trump's" em vários tamanhos e formas, e parece que essa safra não para por aí, e vai se disseminando, combinada com um novo tipo de captação de eleitores - lembrando, eleitores de gerações produzidas sob a égide político-cultural do neoliberalismo - tem constituído bases e líderes que antes eram a "caricatura" da política, e hoje formam governos de coalizão e presidencialismos autoritários em democracias liberais "sólidas".

E mesmo que estejam sintonizadas com os interesses dominantes, a história prova e questiona: "A coleira será suficiente para controlar esses cães?" Por isso, se nós nos indignamos com os segmentos da burguesia que financiaram e lucraram a ditadura civil-militar no Brasil, imaginem aqueles que enriqueceram durante o nazismo-fascismo, ainda ocultos?

Sem coleira, poderão colocar suas teses a prova? Contra inclusive a sociedade moderna que firmou ao longo desse nosso tempo (do século XVIII ao XX) sob bases seguras para o capitalismo global? (Não desconsidero as experiências socialistas, mas a hegemonia se manteve sob o capital)

Voltando ao nosso "probleminha" doméstico: Mesmo que o serviço sujo do sistema financeiro esteja sendo feito em tempo recorde - nem Temer conseguiu aprovar a reforma da Previdência - com um texto radical que abrange embolsar os recursos dos que ainda podem esperar se aposentar, e nem FHC e seus predecessores conseguiram privatizar o ensino superior - joia da burguesia, e que era preservada por interesses meramente ideológicos pela mesma, agora está em xeque pela "nova política"

Entre cortinas de fumaça e piadas com as funções institucionais, tornamos parte do circo montado, não como plateia, mas como "auxiliares do palhaço". Agora entrando no campo da esquerda.

De greves em greves gerais de uma vez por mês, atos massivos, mas não suficientes para uma onda popular em defesa do que é mais caro à sociedade brasileira, a sua ciência, nos deparamos com o paradigma de 2013, que afirmava que "não era pelos 0,20 centavos", exigindo "educação e saúde padrão FIFA", nesse momento não consegue "acordar" para defesa de uma conquista sagrada da classe trabalhadora, que é a aposentadoria (ideia inclusive liberal) e recursos para educação pública, em particular para a manutenção da universidade pública.

Evidente que há resistências e esforços, ainda sem conexão com essa massa dispersa, eclética e indiferente. Há muitas causas e ativismo transparecendo que há progressismo em nosso meio, mas ainda individualista.

Na esquerda tradicional, tudo muito ainda tradicional.

Cães fora da coleira, assim o Brasil (que não é nação) segue.

Desculpe a demora pelas reflexões, mas o momento não está para amadores.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O golpe do Regime Próprio e a inércia das oposições


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Com a confirmação da "aprovação por unanimidade" do Regime Próprio dos servidores públicos da prefeitura de Guarulhos (SP) sem nem uma audiência pública ou parecer público das comissões da Câmara de Vereadores (principalmente das do funcionalismo e de constituição e justiça), enfim vence a força de um governo fraco. Incrível como meu partido, o PT, entregou-se de corpo, alma, barba, cabelo e tudo mais nessa votação sem emitir uma nota ou pelo menos garantir o debate regimental previsto.

Uma votação de urgência. Mais uma que o governo fraco consegue diante de (evidente) uma oposição fraca.

E o que estava em jogo?

Em jogo está uma imensa massa de servidores públicos celtistas que agora passarão a contribuir, sem exceção, 11% descontados para o sistema de previdência municipal (IPREF) justificado com todo o blablabla sobre a determinação de lei federal, que "tem que ser assim e seguir as leis", leis que não se fazem presente nas urgências da população.

Há problemas relacionados aos compromissos: haverão novos concursos que renovem os locais de trabalho e de atendimento direto à população? Pois, só há aposentadoria num regime previdenciário como este se houver renovação do quadro de pessoal, inclusive para manter o atendimento ao público. Num contexto de terceirização, privatização e entrega dos serviços públicos para "competentíssima" iniciativa privada, que nunca erra e nunca deixa a população na mão, haverá renovação de quadros no serviço público? E não havendo quem paga a conta dos futuros aposentados (as)? Simples. O orçamento direto e os próprios segurados. No futuro, qualquer ataque aos servidores públicos terá como pano de fundo "os custos de aposentadoria" que se deficitário, sairá do orçamento direito da prefeitura.

Os fundos de pensão ou regimes complementares são ainda lugares de baixo controle, e a lei aprovada dá a "instituição pública" vencedora da gestão do regime complementar plenos poderes, inclusive da forma como se dá o controle público. Ou seja, o que não está na lei, abre muitas dúvidas.

A felicidade das garantias do regime estatutário podem parecer um "pote de ouro" no final do arco-iris, mas cuidado, os benefícios adquiridos agora precisam de maior observação e fiscalização para que os "erros nas contas" não levem muitos servidores municipais a serem empurrados para as filas da "revisão de benefícios, já que nem a entidade sindical ( que deveria proteger os trabalhadores/as se manifestou, ou melhor, manifestou-se a favor do projeto) não apontou se fará plantão - pelo menos - aos associados (as) para tal.

O projeto aprovado fala pouco de direitos, explica pouco algumas transições e fala muito de regime complementar. Entendo que é uma novidade, mas pensando bem, há muita cautela para gerir um fundo previdenciário que terá um montante considerável de recursos.

Nem todo alarde por outros grupos, associações e coisas e tal contribuíram efetivamente para enfrentar o projeto como ele deveria - em termos de luta política em defesa do serviço público - pois promessas de esclarecimento e rodadas de diálogo foram esquecidas e nem sequer um alerta foi feito quanto a necessidade de nos deslocarmos para "casa de leis" para (pelo menos) acompanhar o projeto. Foi uma articulação de gênio? Ou o melhor "passa-moleque" nunca antes visto na política dessa cidade? O tempo dirá.

Reclamações a parte, antes que venham encher o meu saco, fiz o que pude, e não sozinho. Participei de reuniões, articulei, fiz propostas, mas como um bom soldado. Não levei ao partido, até porque tinha certeza que as "cabeças pensantes e iluminadas" dariam conta de pelo menos propor o debate.

Enfim errei. Melhor errar do que ser traído. 

Traído pela entidade sindical a qual me associei, como bom militante. E onde não percebem o risco de ver sua nobre estrutura sindical ser engolida pelo desencanto, desânimo, indiferença e pela progressiva morte do serviço público, coma  aprovação do Regime Próprio a porta do "cada um por si" foi aberta e alguns dirão: "para que sindicato, se há garantias estatutárias e benefícios" e clube já há vários. Lembrem-se das carreiras em extinção na prefeitura. E não vou negar, em termos de gestão pública, os servidores públicos não foram a parte da classe trabalhadora mais respeitada nem antes, nem nos governos do PT (com algumas oscilações) e nem agora. (Não tenho problema com a critica, fiz sempre internamente e sigo fazendo para manter o debate)

E aqui valer a lição: "quem erra na análise, erra na ação" 

Vamos ver a disposição de luta da categoria. Contra o RJU não começou por onde deveria começar (pela sua "legitima" representação) e este projeto agora crava um ferro que manterá uma ferida aberta. 

Com tanta coisa para se preocupar no plano nacional e internacional, será que há um projeto alternativo de cidade? Um plano de governo alternativo para prefeitura e seu papel na relação com a sociedade? Como nessa votação não há oposição, talvez não haja mesmo um projeto que no centro atenda a população e a potencialize para ocupar o centro do poder.

O governo? Ora o governo queria, fez afagos e está feliz.

Também saberemos o que há por baixo da pele de cordeiro. Quem sabe?

E o futuro? Incerto como uma barragem da Vale do Rio Doce. 

Só sei que estão todas cheias de lama.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Aproveitar o momento para superar a idiocracia.


A idiocracia não é o mesmo que a “democracia dos idiotas”, poderia ser pela forma como se manipulou a grande massa, porém, o que se tem foi o uso da democracia como meio de se chegar no poder institucional-estatal e instalado nele fazer valer seu “projeto” moral e financeiro de sociedade, usando a força  (redes sociais, discurso de ódio, militarismo, etc.) para impor um tipo de indivíduo “normal” normatizado, privatizado e controlado, e para isso precisa ser idiotizado.

Ainda vou escrever academicamente isso até a hora que a ideia me for expropriada.

Já faz um tempo que não escrevo e imagino que muitos esperavam minha ácida e babante crítica diante da desgraça eleita e empossada. Bom, tenho focado muito no twitter minhas breves posições.

O certo que já alertava para essa inclinação de parte da sociedade brasileira para o bolsolixismo e que os riscos estavam expostos para quem quisesse ver. Nunca desanimei, votei em Haddad nos dois turnos, mas fui formado para pensar e refletir, e os sinais não eram dos melhores. Nem adianta dizer: “eu avisei”.

Por isso, prefiro focar na reflexão do que devemos fazer nesse e no (possível) próximo momento. 

Tempos atrás escrevi sobre esse papel da democracia como um valor a ser consumido como algo necessário à vida. Entende-se por consumo, não pela lógica capitalista, mas ontológica como um valor produzido e reproduzido pelas relações sociais entre todxs nós.

Há vários artigos ou reflexões que sinalizam para o perigo de depositar única ou exclusivamente na democracia a possibilidade de bem estar aos “cidadãos”, ou condição para melhorar a vida dos indivíduos, assim como depositada parte das esperanças de 1988 com o desgaste político econômico da ditadura civil-militar.

E o ponto é esse: a democracia como alternativa pragmática. Isso representa tanto perigo para democracia, quanto para os seus defensores.

Dizer que “só na democracia” é possível ter liberdade de imprensa até vai. E ainda assim devemos considerar o poder de mando e influência do mercado.

Agora dizer aos trabalhadorxs que a democracia resolverá os “problemas de emprego, distribuição de renda e demais direitos de cidadania” parte de um pressuposto mentiroso e que pode respingar na própria democracia.

Vamos aos fatos e reflexões das duas décadas vividas com a ascensão eleitoral do lulismo (Singer, 2012) e seu programa político institucional implantado. O acesso à benefícios estatais individualizados como transferência de renda (Bolsa Família) e créditos diversos dialogam com ima fração da classe trabalhadora, contudo depositam no “eu” um direito que não coaguna com uma perspectiva coletiva. E nem a sua gestão poderia ser coletiva, já que expressa o apoio e o estímulo ao indivíduo.

Além da personificação dos programas estatais e institucionais na pessoa do chefe de governo, nesse caso o presidente da República. 

Elemento que na voz das oposições, classificou-se de “populismo”, independente do papel que estas políticas públicas desempenham na autonomia dos indivíduos que devem ser apoiados sim pelo Estado para haver um processo cíclico de cidadania operando.

Seria possível então construir essa ponte da conquista individual para coletiva? 

Possível sim. O atual cenário mostra duas coisas: 1) Há dois pesos e duas medidas na direção hegemônica da esquerda brasileira, algo entre “radicalizar fora das instituições” e fraquejar republicanamente no exercício do poder institucional; e 2) Essa extrema direita que hegemonizou o pensamento facista literalmente “caga e anda” para o que o Estado Brasileiro acumulou em termos de estrutura, políticas ou concepção geral (tampouco a universal) e tem atuado (com seus limites) numa reconfiguração de instrumentos e valores.

Sobre esse segundo item, de forma dramática, a extrema direita mostra que mudanças e transformações estruturais são polêmicas, mas não impossíveis de fazer e sem esperar a “maturidade da sociedade”, vai a fórceps. Mudanças como esta, na esquerda, alguns grupos de base chamavam de “fazer fazendo”, ou seja, mantém-se o debate, mas não se espera um “super planejamento estratégico” para fazer.

E se essas mudanças e transformações são necessárias e pari passo às medidas de estímulo individual, devemos entender que são essas reformas estruturais a raiz da defesa da democracia.

Quem vai valorizar mais verbas para ciência e tecnologia se as mesmas estão distantes do diálogo e da perspectiva da sociedade? E eu digo isso não pelo que as pessoas vão “ganhar” através do desenvolvimento científico, e sim pela ampliação dos debates e discussões sobre o seu papel e importância para sociedade.

Quem sabe tendo essa combinação democrático – estratégica, possamos ter a sabedoria popular apropriando-se da necessidade do investimento da ciência, apontando pequenos desafios para vida cotidiana como tapar um buraco na rua, resolver o problema do acesso à alguns serviços, etc., e n contrapartida poder via democracia incorporar esses interesses pequenos, médios e grandes.
Posso estar repetindo a lógica deliberativa em Habermas, que dentre as suas correntes apoia-se na discussão do processo participativo-deliberativo. Ou seja, nada de novo.

O novo seria implantar esse processo como estratégia estruturante de Estado. O “fazer fazendo” resolvendo pequenos problemas institucionais de interesse público, envolvendo não pela necessidade, mas pelo interesse individual-coletivo.

Penso que o momento é de indignação e resistência. Porém, não vamos esquecer que por um tempo, nós na esquerda também dissemos: “vão ter que nos engolir”. Nossa chance e os problemas, limites, dificuldades e conquistas desse projeto já passaram, até o momento.

A questão agora é como enfrentar de pé o governo de extrema-direita fascista de Bolsolixo e ao mesmo tempo construir as bases de um projeto que tenha desde o primeiro dia de oportunidade a ousadia de implantar sem medo de ser feliz.

sábado, 20 de outubro de 2018

O Brasil merece Bolsonaro?


Seja biologicamente ou por alguma força superior, aquele ou aquilo que nos deu organicamente duas orelhas acaba sendo, as vezes, um incômodo. Ao ponto de pensar que as redes sociais como facebook provam (ainda bem) que o ser humano não tem capacidades sensoriais para “ouvir” pensamentos alheios, pois seria um caos. Uma psicose individual e coletiva.

Pode-se dizer que o “efeito Bolsonaro” trouxe uma coisa de boa: revelou o grau de formação político-cultural da sociedade brasileira e provocou o debate político nas intimidades dos indivíduos.

Nos vários ambientes, as conversas de alguma forma, convergem para o debate das eleições deste ano. 2018 será estudada, por muitos pensadorxs, por um bom tempo.

Além do fator emocional das conversas, a maldição da audição está nos argumentos, sendo um pior que outro por sinal, e numa dessas ouvi (sem querer) uma conversa acalorada em mesa alheia (já que o tom de voz também tornou-se componente aliado das emoções nesse tipo de discussão) onde permeou o debate sobre a Constituição e a prisão de Lula.

E esse é o debate que não fazemos. A Constituição de 1988 foi a maior expressão de unidade da formação dos Estados-nação e uma invenção liberal (só para lembrar) e que atravessou os tempos legitimado, como instrumento desta unidade, o pacto social (paz social) e a mediação entre as classes sociais no capitalismo.

Analisando friamente as possíveis situações no final dessas eleições, a resposta é evidente: não haverão vencedores.

E por que? Porque, independente do meu voto, que não será no ódio e nem na destruição de direitos sociais, e portanto será em Haddad (13), como de muitos e muitas que querem um país democrático. O fato é que a simbologia apregoada pelos instrumentos de poder e por algumas personalidades públicas é de que essa eleição se resume aos que “odeiam ou gostam do PT” e retiram o elemento central de disputa de projeto que está em jogo.

Todas as teses sócio históricas e de formação da sociedade brasileira podem ser repensadas agora, seja do “brasileiro cordial” ou do “nacional desenvolvimentismo”, é possível que a arrogância e ignorância do pensamento neoliberal tenha penetrado tanto no cotidiano e nos "sonhos" individualistas ao ponto de levar também à derrota dos ideais liberais, ortodoxos ou democráticos, do liberalismo tradicional e da perspectiva de Estado-nação, esse último assassinado pelos próprios (neo) liberais diante a globalização dos mercados.

A questão destas eleições reside no projeto despolitizado que agrega “vontades” em todas as classes sociais, ou como alguns denominaram como "um projeto liberal na economia e moralizante-conservador no íntimo da sociedade e dos indivíduos”, e é fascista pelo seu componente principal: normatizar um modelo de indivíduo. (Ponto)

Aos trabalhadores e seus segmentos que sobrevivem na pobreza e na miséria é oferecido o fetiche da “ordem”, levando negros, mulheres, jovens e demais a seguirem para o possível “paraíso” prometido em contraposição a violência urbana e o sensacionalismo da mídia.

Nem afirmando que o projeto “bolsonarista” representa retira de direitos trabalhistas, permissão para semi-escravidão (ou total escravidão), e enfraquecimento do pouco de nação, expressada no modelo de Estado existente, tudo isso e muito mais, não convence a pessoa e nem leva à reflexão dos seus seguidores de segunda hora, já que parte desse voto é desse novo imbecilismo "anti-pt".

Vamos então lutar até o fim? Sim. Eleitoralmente seguimos resistindo até 28 de outubro. Depois é depois.

Se Haddad vencer o que teremos que reconhecer é que será um governo que buscará a tentativa de reconstrução da “paz social”. O que já é muito diante do caos que cresce na violência verbal e física dos novos “fascistas” de plantão, moralistas sem moral.

Serão quatro anos de intensos debates e combates, conciliações e enfrentamentos, destruição e reconstrução, ou seja, isso não para por aí. O ciclo de 2013 termina em 2018, já que os seus “frutos venenosos” já brotaram, e o que se pode se pode esperar de 2019 em diante vai ser o momento de pensar, refletir e buscar reconfigurara práxis existente nos vários lugares.

A esquerda brasileira terá que fazer reflexões e discussões necessárias. Deve estar alerta ao novo fascismo e a luta por direitos, mas se ficar na mesmice será engolida pelo discurso fácil desse "verde-amarelismo" conservador.

E se o “lado B” ganhar?

Muita gente tem me perguntado, e afirmado, que estaremos sendo jogados ao caos em um eventual governo do “coiso”?

Sempre disse que isso seria ruim a vitória do "lado B", mas não um problema total. E eu explico.

1) Um governo Haddad colocaria os "cães de guarda" do sr. Bolso em permanente perseguição contra o governo e as pessoas com um ódio virulento, pois estaria na oposição. (Sim, isso será também efeito durante o mandato do “coiso”, mas imagine o modelo de oposição dessa gente durante o mandato de um eventual governo do PT);

2) Sendo governo, o sr. Bolso tem que mostrar ao que veio. Vai ter que conhecer a máquina e ver que no presidencialismo "verde-amarelo" há mais limites que possibilidades. E todxs sabemos que o poder executivo é importante para o exercício de poder, mas também espinhoso, limitador e cheio de desafios;

3) A retirada de direitos em todos os aspectos: trabalhistas, sociais, humanos, civis, enfim, de toda espécie ainda não terá o efeito de massa, e essa indignação ainda não será imediata, mas o “caldo” tende a ferver e pode ser que não seja a esquerda a reunir  e a liderar parte dos futuros “indignados” - e aí mora o perigo, voltando as teses pela "ditadura de verdade" já que para eles a "via democrática faliu";

4) Se o governo do sr. Bolso usar a repressão com força total para conter os ânimos do item (3) anterior, só vai “botar mais lenha na fogueira”, a barbárie pode (ou não) levar ao “estado de sítio” (por favor ler art. 137, 138 e 139 da Constituição), bem como buscar a paralisia, conchavo ou conivência das instituições. Lembrando que ainda poderá ser debitada na conta da esquerda algo que ela não necessariamente construiu nessas mobilizações;

5) Diante da crise econômica e social do governo do sr. Bolso e numa possível retirada radical de
direitos, principalmente os trabalhistas, é certo que não haverá muros, câmeras, segurança privada ou instituições “republicanas” que irão dar conta do “Haiti” que poderá se formar;

6) O centro do poder burguês tolera, em nome dos lucros, certos governos. Já vimos isso, como fez com os militares durante a ditadura e com as versões do governo Lula-Dilma, desde que o capital nunca perca, apoiam de “sorriso amarelo”. Mas quando querem botam a mão na massa, mudar o centro do poder no Estado, fazem sem a menor vergonha, vejamos os exemplos de Collor. No painel da FSP (20/10/18) isso aparece em sinais ao que se referente ao caixa 2 do “Watthsgate” e dizendo subliminarmente que as instituições jurídicas podem agir, até cassando a chapa eleita. Depois do impeachment de Dilma, você ainda dúvida disso? (Oh coitado). Então pare de chamar de "golpe" ou aceita que doí menos.

Dentro desse quadro, o que sobra a esquerda e aos progressistas que tem projeto societários anti capitalistas?

De novo a base. Base construída a partir da totalidade da classe, com raiz e disputa desse cotidiano alienante por outro que cultive diariamente um projeto de sociedade democrática, ambientalmente sustentável, de economia solidária e alternativa, distributiva, socialista, enfim, construindo a possibilidade da sociedade livre e emancipada.

Reafirmo o chamado a refletir para avaliar os erros e acertos pós 1988, que devem agora passar por uma avaliação coletiva de tática e estratégia. Quero errar de um modo diferente pós 2018.

Sem respostas pré cozidas.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

LANÇAMENTO do meu livro no II SINESPP (SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE ESTADO, SOCIEDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS)


Tenho prazer de informar que irei lançar meu livro no II SINESPP (SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE ESTADO, SOCIEDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS) -  DIA 20 DE JUNHO ÁS 16:00H NO CINE TEATRO DA UFPI (Universidade Federal do Piaui). 


domingo, 3 de junho de 2018

ANÍBAL QUIJANO (1928-2018) PRESENTE!



ANÍBAL QUIJANO (1928-2018)
Su obra reinterpretó las raíces de las ciencias sociales latinoamericanas

Nació en la ciudad de Yanama, Departamento de Áncash, Perú, en 1928. El mundo andino fue su casa, a la que siempre regresó.

Su pensamiento se reconoce en el linaje de José Carlos Mariátegui. De inmensa lucidez teórica y analítica, su obra fue tan diversa como impactante y, por momentos, dispersa. Solía decir que no tenía el hábito de la sistematización de la escritura, y que por eso prefería “escribir al viento”. El viento, la metáfora que elegía para expresar su incondicional compromiso con la libertad de pensar y de escribir, tan propia de de los intelectuales cuyas vidas de exilios prolongados, proscripciones y persecuciones, les han impedido mantenerse en un lugar fijo.

Durante muchos años estuvo vinculado a la Universidad Nacional Mayor de San Marcos, donde fue estudiante y profesor. Renunció definitivamente a ella en 1996, cuando fue intervenida por la dictadura de Alberto Fujimori. En San Marcos mantuvo una activa vida política, por la cual fue perseguido y encarcelado en 1948 y en 1950.

Recordando aquellos años, sostuvo: “La policía me despojó de todos mis papeles de trabajo, que eran muchos, y de toda la escritura que una desolada vigilia de demasiadas horas durante muchos años, había recogido en demasiados, dispares campos. En cada vez me sentí, como si no hubiese hecho nada nunca. Y en un momento de ese mismo 1953, eso sí lo recuerdo con precisión, decidí que no volvería a escribir. Todo lo que yo podía decir, ya estaba escrito y mejor”.

Más tarde, realizó diversos estudios sobre sociología y política y llegó a enseñar en diversas universidades de América Latina y del mundo. Fue investigador de la CEPAL durante su exilio en Chile. Fundó y dirigió la Revista Sociedad y Política en los años 70. Fundó la cátedra "América Latina y la Colonialidad del Poder" en la Universidad Ricardo Palma de Perú. Renunció a establecerse en Estados Unidos, aunque se desempeñó como profesor en el Centro Fernand Braudel de la State University of New York, en Binghamton, fundado por su gran amigo Immanuel Wallerstein.

Sus teorías sobre la idea de raza, colonialidad y eurocentrismo constituyen una línea divisoria en la historia del pensamiento latinoamericano y mundial.

En los años 90, sus textos se reprodujeron vertiginosamente. Fueron traducidos a varias lenguas y divulgados en toda América Latina, África, Asia y Estados Unidos, Canadá y Europa.
Fue un luchador incansable en defensa de la democracia, los derechos humanos y la igualdad. Su obra ha inspirado no sólo varias generaciones de cientistas sociales críticos, sino también movimientos y organizaciones libertarias, emancipatorias y anticoloniales en América Latina y África.
CLACSO lo distinguió con su Premio Latinoamericano y Caribeño de Ciencias Sociales y publicó su antología esencial: Cuestiones y Horizontes: de la Dependencia Histórico-Estructural a la Colonialidad/Descolonialidad del Poder.

Nos despedimos de Aníbal, un intelectual inmenso, un ser humano generoso y bueno. Sentiremos su ausencia, seguiremos su ejemplo.

Pablo Gentili
Secretario ejecutivo de CLACSO
Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales
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ANÍBAL QUIJANO
Cuestiones y Horizontes

De la Dependencia Histórico-Estructural a la Colonialidad/Descolonialidad del Poder

Antología Esencial
Selección y prólogo a cargo de Danilo Assis Clímaco
Aníbal Quijano ha argumentado que la persistencia de un pensamiento deriva del modo en que su relación cognitiva con el mundo permite la emergencia de nuevos sentidos en cada giro de la historia. En este sentido, la presente antología se propone perfilar las especificidades del pensamiento de Aníbal Quijano y el modo en que este se ha interactuado con los acontecimientos cruciales de nuestra historia reciente, permitiendo desde hace cinco décadas, lecturas que han transformado nuestra comprensión de la historia y la contemporaneidad latinoamericana.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

A “greve dos caminhoneiros” e a farsa para o golpe do golpe.


A “greve dos caminhoneiros” e a farsa para o golpe do golpe.

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Desde 21 de maio de 2018 os chamados “representantes” dos caminhoneiros deflagaram uma “greve” que dentro da sua tática conhecida estão o bloqueio de estradas. Até ai tudo normal de qualquer “movimento” que diz reivindicar algo “justo”, e neste caso, com as mudanças na política da Petrobrás realizadas pelo governo ilegítimo de Temer fez com que os reajustes dos combustíveis sigam os interesses dos acionistas da bolsa de Nova York e não do país e o pavio que ascendeu esse barril foi o diesel que alcançou o valor de R$ 5,00 (cinco reais).

Alguns sinais indicam o porquê a esquerda brasileira não deve apoiar ou ingenuamente acreditar na sua capacidade de influência sobre essa “greve”.

A primeira indicação é inclusive de Lenin, quando traz a figura do “inocente útil” e isso os caminhoneiros tem de sobra na sua trajetória histórica, suas greves sempre penderam para atender os interesses político e econômicos das elites, das burguesias e justamente por que a condição desta categoria profissional enquadrasse bem nas definições liberais, de “autonomia econômica” ou “livre iniciativa”, “dono do seu destino econômico” como taxistas e outros setores profissionais da área de serviços.

Se recordarmos na história da luta de classes temos 1973 contra o governo socialista de Salvador Allende e com Chavez em 1999, a tática de desabastecimento e locaute, combinadas recaem sobre os governos ou os interesses que rondam os setores que os dirigem, os empresários.

Segundo, a forma como se comporta a mídia, como se fosse combinado gerar essa sensação de “indignação” disseminada no empurra-empurra nos ônibus, padarias, locais públicos em geral, essa mesma mídia que criminalizou as lutas contra o golpe de 2016, que buscou jogar contra as greves gerais de 2017 contra as reformas impopulares, trabalhista e previdenciária, e no processo de julgamento do ex-presidente Lula.

A narrativa construída desde o início com apoio direto, parcialidade e complacência sobre os “bloqueios” fazem ascender o sinal amarelo. Os destaques feitos sobre as “negociações” e a baixa ou quase nula crítica aos bloqueios sinalizam que algo está sendo “trucado” no jogo do poder e das elites. Se tirar Lula da disputa presidencial de 2018 é verdadeira, se Luciano Hulk, Barbosa, Alckimin, Meireles e até Ciro são apostas que não chegam a encostar no “efeito Bolsonaro” que tem certo 20% das intenções de voto, então porque não supor que essa tentativa de avaliar em que grau o desabastecimento pode permitir gerar um clima de instabilidade.

Instabilidade que se for declarada pelos poderes constituídos, pode gerar uma tese de “necessidade para criar condições de estabilidade da ordem pública”, isso é possível e como já indicado num processo indireto, um juiz do STF teria a aura da “legitimidade institucional” e “sem partidos”.

Ainda não há medida para essa tática, mas o alerta é necessário.
Os movimentos confusos das direções da nossa esquerda deixam claro o grau de desagregação de unidade programática. A favor ou contra, em nome da tática da cooptação ou do momento único, alguns setores entendem que é “possível ganhar o movimento”, mas as primeiras bandeiras de “intervenção militar” foram levantadas e isso gera a confusão.

Terceiro, o desabastecimento providencial evidencia que ou somos uma caricatura de capitalismo ultra dependente ou há intencionalidades no jeito de fazer. Vamos aos fatos, como é possível os postos de combustíveis “esvaziarem” nesta quinta, se a corrida aos postos ficou mais evidente na manhã deste mesmo dia? Alguém solicitou medir com a régua se há ou não combustível?  Se é verdade que 40% da frota não rodou, quem ficou em casa de folga? Tem lista de quem “ganhou” o dia de folga nas empresas de ônibus?

Quarto, quem vence com a redução do reajuste? O Estado perde, novamente sobre ele incide perder receita com a redução de tributos e impostos sobre o diesel, a conta sendo paga pela população trabalhadora e negociada pelos políticos tradicionais, como se o Estado fosse um lugar vazio, onde os poderosos de plantão apenas negociam a seu prazer suas vontades. E quem vai ganhar nessa “greve”? Não será o frete dos caminhoneiros e nem a sua renda, que mantem na mesma, com todas as cobranças, pedágios e problemas relacionados ao seu trabalho, e seus donos, os empresários sorrindo.

A sensação está nas ruas, como em 2013. E em 2013 a esquerda também tratou de achar que poderia disputar o indisputável, que era a narrativa, essa que a direita também disputou e com toda sua força.

Agora, depois de várias reações as reformas neoliberais, nossas derrotas não nos ensinaram que o momento é de reflexão, repensar e retomar o horizonte estratégico.

Lições que precisam ser apreendidas concentram-se no debate em torno do conceito de cotidiano. Ou seja, como tornar diária essa luta pelo que é coletivo, humano e justo para classe trabalhadora.

Nesse maio não me engano. 

Essa greve não é nossa. A nossa vai ter luta.

Links para debater:

Por que os progressistas não devem apoiar a “greve” dos caminhoneiros. Por Afrânio Silva Jardim


  

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-os-progressistas-nao-devem-apoiar-a-greve-dos-caminhoneiros-por-afranio-silva-jardim/

Grupos pró-intervenção militar tentam influenciar rumo de greve dos caminhoneiros


https://www.terra.com.br/noticias/brasil/grupos-pro-intervencao-militar-tentam-influenciar-rumo-de-greve-dos-caminhoneiros,98806679cf0fa68dd3c90101c8401eb8y6tke0f7.html

Favorável à greve de caminhoneiros, Bolsonaro critica bloqueio de estradas... - 

https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/05/24/bolsonaro-bloqueio-caminhoneiros.htm?cmpid=copiaecola


Centrais apoiam greve dos caminhoneiros. São Paulo terá manifestação

Presidente da CUT diz que constantes altas de preços de combustíveis têm reflexo nos preços de outros produtos importantes para o consumo. Ato pedirá redução no preço do botijão de gás


http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2018/05/centrais-apoiam-greve-dos-caminhoneiros-sp-tera-manifestacao


Caminhoneiros recebem geladeiras, mantimentos e carvão em apoio à greve
Campanhas de apoio também estão sendo feitas por meio das redes sociais.

https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/porto-mar/noticia/caminhoneiros-recebem-geladeiras-mantimentos-e-carvao-em-apoio-a-greve.ghtml

Fala Zé Maria: Por que é preciso dar todo apoio à greve dos caminhoneiros

https://www.pstu.org.br/fala-ze-maria-por-que-e-preciso-dar-todo-apoio-a-greve-dos-caminhoneiros/

Não é locaute. É greve!

https://www.pstu.org.br/nao-e-locaute-e-greve/

Unificar as lutas contra a austeridade, o desemprego e o aumento do custo de vida

https://pcb.org.br/portal2/19761/unificar-as-lutas-contra-a-austeridade-o-desemprego-e-o-aumento-do-custo-de-vida


Todo apoio à greve dos caminhoneiros! Não à privatização da Petrobrás!
https://www.causaoperaria.org.br/todo-apoio-a-greve-dos-caminhoneiros-nao-a-privatizacao-da-petrobras/