Blog do Wagner Hosokawa. Para quem curte novas idéias para política, a sociedade e a vida!
sábado, 24 de abril de 2021
A nova farsa da velha direita: PL 5595/20 não é pela educação, mas pelo privilégio!
quarta-feira, 7 de abril de 2021
Cuidados para não se tornar um autoritário!
Cuidados para não se tornar um autoritário!
Bolsonaro não é uma fase, é um projeto. Projeto que foi
sempre funcional às classes dominantes desde a colonização até a República. A
diferença é que os cães de guarda (ou de reserva) subiram a rampa do Planalto.
O fascismo brasileiro não é diferente de outros movimentos
ao redor do mundo. Sua existência se deu de uma ramificação da lógica
capitalista, por isso, mesmo que o fascismo original recuse parte das ideias
liberais, base da sociedade do capital, ainda assim não recusam o sistema, pois
a base dessa sociedade de mercado é a exploração por meio da subserviência,
servidão alienada e opressões consentidas ou de contenção.
Jair era uma caricatura quando interessava. Era o palhaço de
uma corte que se apoiava nele quando precisava criticar qualquer radicalismo de
esquerda, bastava um político de centro dizer que rechaçava radicalismos, “nem
de esquerda e nem de direita". Mas como disse o poeta, “tinha uma pedra no
meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra", e venho a porta que
se abre em 2016.
Jair não foi um erro na curva e nem uma questão nacional, localizada ou um problema brasileiro. As influências, relações e projetos já estavam em diálogo, disseminadas
nas suas bolhas e ganharam repercussão progressiva para fazer oposição aos
governos do PT. O fascismo brasileiro foi estimulado como uma das trincheiras
para combater o “avanço do comunismo" na medida que nada abalava as
sucessivas vitórias dos governos do PT.
Os governos do PT buscaram conciliar classes, atender
interesses diversos, apoiar em especial no campo das políticas públicas conceitos
modernos e modernizantes de Direitos Humanos, com planos, pactos, conferências
e toda forma de fortalecer uma sociedade civil amplamente progressista. O “New
Deal brasileiro” (Singer, 2012) do período dos governos do PT foi como uma
“paixão de uma noite de verão” e virou trevas em 2016, indicando que as classes
dominantes aceitam os lucros preservados, mas não inclusão social dos pobres,
indicando seu ódio de classes que é a raiz da sua criação numa sociedade onde o
andar de cima constitui o ideário racista, patriarcal, misógino, conservador,
opressor, violento, patrimonialista, homofóbico, escravista, antidemocrático e
avesso a matriz dos valores liberais originais.
A experiência de um governo fascista-neoliberal de Jair expressa
a nossa condição sincrética, pois, sendo parte do sistema não quer renunciar ao
poder e nem dos seguidores, segue em contradição entre fazer a “velha política”
que denunciou nas eleições de 2018 e manter os dentes cerrados para sua base de
apoiadores. E é justamente a sua base que tem deixado perplexo uma parte da
militância de esquerda e progressista. Onde os interesses de parte da classe dominante preferiu seguir com uma saída que combina "ordem e progresso".
Ao chegar em abril de 2021 com mais de 330mil mortos pela
Covid-19 e esperando que as medidas de proteção como uso da máscara e do álcool
em gel fossem suprapartidárias e acima das ideologias, o que vemos são gestos
canalhas e manifestações imbecis individuais e coletivas, de bombados à
médicos, de artistas à jornalistas, parece que nenhuma categoria sai ilesa de
ter seus imbecis de estimação seguindo as “orientações” do sr. Jair.
Nossa reação de indignação perpassa nossos princípios e
convicção nos Direitos Humanos, e quando menos esperamos estamos reproduzindo
uma postura autoritária quando dissemos: “foi em festa clandestina, fica na
espera da UTI", ou “não acredita em isolamento, não deveria tomar
vacina".
Longe de mim ficar numa linha abobalhada de humanismo
alienado, não acredito em caridade, mas em solidariedade de classe. Nem sou
ingênuo sobre a origem dos Direitos Humanos, que nascem dos princípios liberais
e que em parte são tolerados dada memória dos horrores do passado, em
particular, da Segunda Guerra e do totalitarismo nazifascista.
Contudo, devemos as
vezes respirar. Refletir para não nos somarmos ao autoritarismo que combatemos
e reestabelecer nossa compreensão de classe para exercitar uma práxis revolucionária
e não meramente emotiva motivada pelo momento. Assim como Lênin, que viu com
dor o assassinato do irmão mais velho, teve a frieza e a razão em observar que
o crime dele de tentar assassinar o Czar para instaurar uma nova ordem
societária tinha pouco resultado objetivo e subjetivo para mudar as relações
sociais e as suas estruturas.
Essa reação humana de indignação está no ar e muitos de nós estamos respirando e até propagando, já que a palavra segue cassada, não nesse momento, mas em todos os momentos em que a hegemonia dominante quer cercear posições e opiniões contrárias. Nunca foi tão importante ter uma posição, uma identidade e certezas com relação a manter o debate vivo em casa, no trabalho, nas lives, nos encontros remotos e outros espaços que estamos frequentando, mesmo que a distância e isolados.
As lições que apreendemos até aqui devem servir de gesto. Vivemos aprendendo a história, as gerações que formam vitimas de pestes, guerras e privações que atingiram massas de pessoas e gerações ao longo da nossa existência humana. O Estado Social Capitalista conciliou as classes, atendeu necessidades urgentes da classe trabalhadora, mas a burguesia também viu sua acumulação prosperar. O capitalismo neoliberal disseminou a discórdia sobre direitos sociais e para promover o mercado totalmente livre estimulou o individualismo no limite, onde a competição, a busca pela satisfação individual, o consumo total, enfim, criou uma geração de frustrados, depressivos e derrotados individualmente, já que as experiências coletivas foram combatidas em todas as dimensões da micro e macro política.
E quando uma pandemônio se estabelece em Brasília e uma pandemia se abate sobre o planeta, dois caos em tempos diferentes e que se estabelecem sobre uma sociedade vulnerável econômico e socialmente, com um Estado desarmado de políticas públicas e sociais que reage apenas às emergências e uma geração de jovens e adultos que estão vivenciando o caos causado por um vírus que se espalhou pelo mundo e no país causando mortes e dores intermináveis ainda.
Nunca foi tão real a fragilidade humana e exigindo de nós uma reação. Porém, responder ódio com ódio não é ação revolucionária e fulaniza as relações e não soma. Nunca foi tão importante manter sinais de alerta, levantes e contrapontos, mas organizados e alinhados num projeto coletivo, ou seja, seguir com nossos contatos, lugares e relações de luta, seguir nos protestos virtuais ou presenciais como carreatas e outras, seguindo as orientações de segurança (álcool gel e mascara), articulando e amarando com novas pessoas e como bons propagandistas da nossa causa gritar aos quatro ventos "fora Bolsonaro".
Então, vamos sim expressar nossa indignação, mas sempre
voltar para o ponto que interessa: como derrotar o fascismo-neoliberal e
imprimir um processo de luta que construa as bases para uma revolta que se
converta em revolução e desta uma nova ordem societária de relações sociais verdadeiramente humanas,
emancipadas.
Cães danados do fascismo
Babam e arreganham os dentes
Sai do ovo a serpente
Fruto podre do cinismo
Para oprimir as gentes
Nos manter no escravismo
Pra nos empurrar no abismo
E nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crer
Na nova Babilônia eu e você
Somos só carne humana pra moer
E o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogar
A bola incendiária está no ar
Fogo nos fascistas
Fogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crer
Na nova Babilônia eu e você
Somos só carne humana pra moer
E o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogar
A bola incendiária está no ar
Fogo nos fascistas
Fogo, Jah!
Cães danados do fascismo
Babam e arreganham os dentes
Sai do ovo a serpente
Fruto podre do cinismo
Para oprimir as gentes
Nos manter no escravismo
Pra nos empurrar no abismo
E nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crer
Na nova Babilônia eu e você
Somos só carne humana pra moer
E o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogar
A bola incendiária está no ar
Fogo nos fascistas
Fogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crer
Na nova Babilônia eu e você
Somos só carne humana pra moer
E o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogar
A bola incendiária está no ar
Fogo nos fascistas
Fogo, Jah!
Fogo, fogo (queima)
Fogo, fogo
Queima, Senhor! (queima)
Todo homem que oprime outro homem
Por ganância, por dinheiro
Faz da nossa revolta teu incêndio
Cada um de nós tua fagulha, Senhor
E queima a Babilônia
Salve, Jah!
Fogo, Jah!
Mas nós temos a pedrada pra jogar
A bola incendiária está no ar
Fogo nos fascistas
Fogo, Jah!
Fonte: Musixmatch
Compositores: Francisco Cesar Goncalves
Letra de Pedrada © Chita Producoes E Edicoes Musicais Ltda (chit
segunda-feira, 5 de abril de 2021
Quantos professores/as à UNICEF vai enterrar?
Quantos professores/as à UNICEF vai enterrar?
Ao ler as notícias do dia, uma de destaque no site UOL me
chamou atenção: “Unicef: Fechamento de escolas na pandemia fez Brasil regredir
duas décadas”, no conteúdo o centro da informação era o “perigo de regressão no
desenvolvimento escolar brasileiro” devido o fechamento das escolas como medida
de proteção adotada pelos poderes executivos dos estados e municípios,
lembrando que o governo negacionista e genocida de Bolsonaro via MEC apenas emitiu
normativas adiando ou mudando tanto os calendários, quanto a forma de ensino do
presencial para o remoto, pressionado pela pandemia da Covid-19 e pela opinião
pública.
A posição oficial da UNICEF chama atenção pelo coro que faz
com certos “movimentos” como o “Escolas Abertas” financiada por setores da
elite paulistana como os Setúbal ligados ao Itaú.
E a matéria jornalística em si é curta e traz um discurso
básico do representante da UNICEF no Brasil que precisa ser desmontada ao longo
desse artigo de opinião.
Antes de tudo, explico que não sou um comentarista alheio à
realidade. Militei no movimento de defesa do Estatuto da Criança e do
Adolescente, fui membro da coordenação do Fórum Municipal de Defesa da Criança
e do Adolescente (FMDCA), fui membro pela sociedade civil do Conselho Municipal
DCA, pertenci ao Fórum Estadual DCA, membro do Comitê Estadual Contra a Redução
da Idade Penal, participei da Jornada Internacional Contra o Trabalho Infantil,
ou seja, conheço a área de defesa de direitos de crianças e adolescentes. Recentemente
fui membro da Comissão Estadual que elaborou o Plano Estadual de Educação em
Direitos Humanos do estado de São Paulo.
Dito isso, a questão é o atual quadro das instituições como
a UNICEF que é um organismo internacional ligado ao sistema de proteção de
Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) e teria como dever conhecer
a realidade dos países membros e compreender que garantir direitos não se aplicam
da mesma forma entre os países. Tais diferenças implicam inclusive manter a permanente
vigilância sobre a situação política destes.
A preocupação do UNICEF poderia ser louvável ao apontar na
matéria do UOL que “O risco, de acordo com Bauer, é que os números da evasão
escolar não mudem com o fim da pandemia e a reabertura das instituições, já
que, uma vez desvinculadas, as crianças acabam se envolvendo em atividades de
trabalho infantil, o que dificulta o retorno”, ok isso é trágico.
Mas antes da pandemia da Covid-19 o Brasil passava por uma
tragédia ainda maior que a própria crise internacional de saúde, já que em 2016
a Emenda Constitucional 95 que impôs o teto de gastos reduziu os recursos dos
orçamentos púbicos e das áreas afetadas, em especial, o social foi o grande
afetado. Segundo o Relatório da própria UNICEF de 2018 informa que “No Brasil,
quase 27 milhões de crianças e adolescentes (49,7% do total) têm um ou mais
direitos negados. Os mais afetados são meninas e meninos negros, vivendo em
famílias pobres monetariamente, moradores da zona rural e das Regiões Norte e
Nordeste.” (2018, p.05) e com um detalhe importante: um ensurdecedor silêncio
sobre a causa.
A UNICEF não se manifestou nem uma linha sobre a EC 95, enfim,
soube acertar nos dados da exclusão sem coragem de denunciar um dos seus
motivos que é a política ultraliberal implantada pelo governo ilegítimo de
Temer.
O INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos) a anos tem contribuído para analise crítica
do orçamento público e os impactos das reformas neoliberais interferindo para
que as políticas públicas e sociais não saiam do papel e sigam financiando a
lógica rentista e financeira do mercado com recursos dos/as contribuintes, e em
artigo publicado em outubro de 2019 informa que “Entre 2016 e 2019, nenhum
orçamento autorizado para políticas públicas destinadas às crianças e
adolescentes foi gasto integralmente.”, e das várias “descobertas” nos códigos
do orçamento verificou que “em 2018 e 2019 a ação que contempla em seu plano
orçamentário a fiscalização para erradicação do trabalho infantil simplesmente
sumiu em termos de recurso do planejamento do governo.”
Outra situação perversa que piorou após a EC 95 do Teto de
Gastos: o trabalho infantil. O Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil (PETI)
criado durante o governo FHC foi objeto de criticas inclusive durante os
governos Lula e Dilma, já que os valores e a condução do programa não atendia às
propostas da sociedade civil, pelo fato de que os valores sempre foram
insuficientes para competir com o mercado de trabalho precarizado, o acompanhamento
das famílias não existia como parte de um processo de inclusão social, a fiscalização
e o combate eram limitados de recursos humanos, as campanhas não atingiam o
coração de uma cultura escravista e atrasada sobre o mito do “trabalho infantil
= formação do cidadão de bem” apregoado no senso comum e desastroso para suas vítimas.
Então, a UNICEF agora “preocupada com a evasão e com o
trabalho infantil” não se empenhou suficiente antes da pandemia da Covid-19 e
nem foi muito combativa frente ao governo Bolsonaro em cobrar tal
responsabilidade no início de 2019, apesar de já ter em 2018 os dados que
apontam “No conjunto de aspectos analisados, o saneamento é a privação que
afeta o maior número de crianças e adolescentes (13,3 milhões), seguido por
educação (8,8 milhões), água (7,6 milhões), informação (6,8 milhões), moradia
(5,9 milhões) e proteção contra o trabalho infantil (2,5 milhões)” e mesmo
assim diante da crise de saúde pública da Covid-19 preferiu agora se posicionar
num discurso que, em tese, todos e todas defendemos, mas sobre estratégias
diferentes.
O UNICEF sabe inclusive que a realidade das escolas públicas
no Brasil é de perversidade e que não se agravou só na COVID-19 se observarmos as
informações analisadas pelo Laboratório de Dados Educacionais (LDE) da
Universidade Federal do Paraná (UFPR) dos dados coletados em março do ano passado
(202) que pertencem ao Censo Escolar da Educação Básica, do Ministério da
Educação (MEC) apontaram que “o número de escolas públicas que não têm banheiro
e internet de banda larga cresceu entre 2019 e 2020 no Brasil. Em 2019, 3,5 mil
escolas públicas não tinham banheiros, em 2020 aumentou para 4,3 mil. A
internet banda larga não chegava a 15 mil escolas urbanas em 2019, já em 2020
este número saltou para 17,2 mil.”, segundo o jornal A Tarde associada ao site
UOL de março de 2021.
E mesmo contrariando os dados e as estatísticas preferiu fazer
um discurso que atende interesses dos donos de escolas privadas ao alimentar o
discurso da evasão = escolas fechadas, desconsiderando a realidade brasileira que
depois de um ano de pandemia da Covid-19 no Brasil o resultado é um desastre
social e humanitário com mais de 330 mil mortes evitáveis se tivesse havido um
combinado de pactos que passariam por ações coordenadas pelo Poder Executivo Federal
de proteção coletiva, investimento de recursos nas políticas sociais centrais
como saúde (SUS), assistência social e educação na dimensão de promover
mudanças na infraestrutura e acesso ao ensino remoto durante o período da
pandemia.
A escola é uma das poucas políticas públicas universais que
estão presentes nas mais distantes regiões do país, podendo nesse momento ser um
lugar de proteção das famílias periféricas como polo de apoio inclusive de
saúde coletiva, assistência social e proteções sociais diversas.
Mas a UNICEF no Brasil preferiu o caminho da pequenez política. Se calou em momentos importantes, tem os dados, mas não faz os combates necessários e faz um discurso funcional aos setores que nunca tiraram a bunda da cadeira para defender a educação pública, de qualidade e universal.
Setores como deste pseudomovimento “Escolas
Abertas” se omite nos pontos que são os mais fundamentais, pois, quando a
sociedade civil de fato estava mobilizada contra as reformas que prejudicavam a
educação no Brasil não vimos essa disposição. E sabemos que quando a vacinação avançar e o
país voltar a “normalidade” com certeza essas novas vozes irão se calar, pois,
a sua defesa é pontual, é uma defesa de classe, das classes dominantes e pequeno
burguesas, em nome de privilégios que desconsideram a verdade:
Por mais cara que seja a escola privada, tudo que parece
proteger as pessoas se torna estético, as serviço da publicidade dos donos, já
que a situação de precarização dos professores/as persiste, a cultura de
cuidado inexiste, mesmo entre as crianças, já que o individualismo cultuado a
anos não muda como girar uma chave.
Abrir escolas públicas ou privadas diante de um desgoverno
federal, estadual e municipal com uma nova onda que atinge terrivelmente
milhões de famílias e já matou mais de 330 mil brasileiros/as é fora da
realidade, já que nem a transmissibilidade do vírus é controlável. Ainda é
necessário repetir o que desde março de 2020 já havíamos apontado: Escolas
fechadas, vidas preservadas!
Wagner Hosokawa – Assistente Social, Militante, Docente, mestre, doutor
e atualmente puto da vida!
Fonte utilizadas
nesse artigo de opinião:
Unicef: Fechamento de escolas na pandemia fez Brasil
regredir duas décadas. Link: https://educacao.uol.com.br/noticias/2021/04/05/fechamento-de-escolas-pandemia-fez-brasil-regredir-duas-decadas-diz-unicef.htm?cmpid=copiaecola
Artigo | O impacto do Teto dos Gastos na vida de crianças e
adolescentes
POBREZA NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA – link: https://www.unicef.org/brazil/media/156/file/Pobreza_na_Infancia_e_na_Adolescencia.pdf
Crianças e adolescentes são prioridade absoluta no orçamento
público?
- link: https://www.inesc.org.br/criancas-e-adolescentes-sao-prioridade-absoluta-no-orcamento-publico/
Número de escolas públicas sem banheiro e internet cresce no
Brasil
Sinopses Estatísticas da Educação Básica
- link : http://portal.inep.gov.br/web/guest/sinopses-estatisticas-da-educacao-basica
sábado, 3 de abril de 2021
Vai ter golpe militar de Bolsonaro?
"Vai ter golpe?!" Essa frase parece pertencer ao vocabulário latino americano a muito tempo. Assim como Galeano em "As veias abertas da América Latina" já nos alertava que a história de invasão colonizadora da Europa e do expansionismo capitalista de olho nas riquezas naturais, da sua mão de obra e sua capacidade consumidora, assim como tudo que interessa a fome do capital em acumular riqueza as custas dos povos iria trazer ao nosso cotidiano como um mal predestinado ao nosso continente latino americano enquanto não houvesse uma revolução que determinasse a nossa emancipação desse sistema.
Periferia do capitalismo, nossos países são experientes em ditaduras civis-militares, golpes de Estado, Estado e suas instituições fracas para o interesse geral e fortes na preservação de privilégios de classe e uma classe trabalhadora que foi sendo subjugada a cada tentativa de organização e mobilização, onde a reação das elites sempre atuou de forma preventiva e violenta.
E mesmo os golpes realizados nesse nosso tempo em nosso continente latino americano não forma assim plenamente exitosos. Contra Chavez na Venezuela teve um revés e o chavismo resiste até hoje, na Bolívia o curto espaço de tempo e a pressão popular levou o MAS (partido de Evo Morales) a vitória, na América central a vergonhosa marcha dos imigrantes expôs que o golpe em Honduras jogou o povo num lamaçal social e econômico, levando as populações deste país e outros da América central a se submeter a tal fluxo imigratório por emprego e comida, no Paraguai mesmo destituindo Lugo, as mobilizações pela vacina e contra a inercia do presidente atual mostram o vigor das lutas sociais por lá, mesmo no Brasil o protagonismo de Lula e o revés da Lava-jato evidenciam força das esquerdas no processo eleitoral de 2022, a situação da Argentina, do Equador e do Uruguai, com sucessões democráticas que deram em governos ultraliberais já tiveram suas mudanças, onde primeiro foram os argentinos ao elegerem Fernandez, e esperasse que hajam mudanças ainda nos dois últimos.
Um golpe como 1964 teve como centro os interesses imperialistas do domínio estadunidense sobre o capitalismo na região. Mas em 2021? Ou 2022? O império precisa intervir com um governo militar ou um dirigente subserviente ou funcional aos seus interesses financeiros?
O golpe de Dilma não conta. Havia um dirigente confiável, Temer, ou seja, o jogo estava sob controle.
Por enquanto, nada sinaliza para uma quebra da "normalidade" institucional. Para burguesia a avaliação é evidente: "todos perdem!", e eles em particular.
Ainda mais em uma conjuntura onde Bolsonaro cada vez mais está acuado debaixo da mesa pelos partidos do Centrão e Lula sinaliza para os mercados uma nova aliança.
Não tem URSS, não há um Jango no governo, nem mesmo uma esquerda unida, orgânica e influente com pelo menos 30% da massa para agir e se levantar.
Agora, nunca esqueçamos disso. A burguesia prefere medidas preventivas. Se nós, a esquerda estivéssemos orgânicos e proativos, não sei se essa seria minha opinião.
Mas não custa lembrar:
DITADURA NUNCA MAIS!
sábado, 20 de março de 2021
Tentações autoritárias: Bolsonaro vai declarar "Estado de Sítio"?
Clovis Moura, intelectual brasileiro, faz um resumo preciso que responde como as elites brasileiras pensam a sua acumulação de riqueza, suas reflexões dividem esse processo em duas grandes fases, sendo a primeira escravocrata até 1888 e a República em 1889 se apoiando no capitalismo dependente (Florestan Fernandes), isso não é reducionismo, é um projeto. Sendo projeto de uma determinada classe dominante a sua interrupção ou mudança se daria por meio dos movimentos da base social que a sustenta ou que a ela se submete.
A história brasileira e seus historiadores/as a tempos concordam que a historicidade da relação entre as classes dominantes e dominadas foi de extrema repressão, onde qualquer questionamento a ordem estabelecida foi tratada com profunda violência, distante da idealização do "brasileiro cordial" de Sergio Buarque de Holanda para um tipo de "brasileiro subserviente, oprimido" num país onde a questão social era um "caso de polícia" como marco da República Velha e desde então a vida republicana nacional segue mais os ditames da acumulação de riqueza para classe dominante e menos, muito menos, ideais liberais de democracia, Estado de Direitos, fortalecimento de instituições, etc., isso diz muito sobre como as relações sociais foram se constituindo, uma desorganização organizada.
Bolsonaro é a expressão dos interesses dessa classe dominante com um componente adicional que é o fascismo verde amarelo. O fascismo brasileiro não é novo, Plinio Sampaio tentou na década de 1930-1940 por meio do movimento Integralista, Vargas flertou com a Alemanha nazista e os ditadores militares de 1964 compôs com o Plano Condor na especialização e interação entre as ditaduras militares na América do Sul com supervisão dos órgãos do governo dos EUA.
Os interesses direitos e ocultos se confundem e se fundem nessa conjuntura internacional e nacional. O pretexto da guerra fria era o conflito entre países capitalistas e socialistas, mas o Consenso de Washington reestabelece uma velha-nova ordem mundial do capitalismo, e o capitalismo dirigido pelo EUA se torna uma grande corporação que coloca alguns de seus órgãos a serviço da ampliação de mercados, como um plano de guerra para se apropriar das riquezas nacionais em nome da sua expansão.
Há informações públicas sobre a avaliação e interferência da diplomacia estadunidense no impeachment da presidente Dilma (ver em: https://www.cartacapital.com.br/mundo/governo-biden-deve-revelar-papel-dos-eua-no-impeachment-de-dilma-diz-economista/), onde tais interesses se regula pela nova acumulação capitalista por meio do rentismo financeiro, erosão do processo de acumulação produtiva do capital, erodindo empregos e renda, reformas estruturais que retiram direitos trabalhistas, redução do orçamento público das políticas sociais e de proteção social, drenagem de recursos do Fundo Público para o interesse do setor privado sem nenhuma contrapartida à sociedade brasileira, da qual inclusive foi retirada dela.
2016 a 2021, entre Temer e Bolsonaro a regressão de direitos e a concepção do neoliberalismo do "cada um por si e o mercado por todos" tem guiado as reformas trabalhista e previdenciária, cujos efeitos serão sentidos progressivamente para sociedade brasileira.
A pandemia causada pela Covid-19 colocou a humanidade em estado de atenção e emergência, onde o que era frágil se evidenciou, e falo justamente do Estado Brasileiro. A intencional não implantação dos instrumentos que fortaleciam a máquina estatal, a Seguridade Social, taxação de grandes fortunas, enfim todas que estão previstos na Constituição de 1988 fragilizaram as suas instituições onde a quase única questão que foi resolvida de fato foi a preservação de privilégios internos pelas forças políticas dominantes que a compõem.
Das fragilidades? A não implantação efetiva do SUS (Sistema Único da Saúde) nessa conjuntura com o aprofundamento das privatizações e terceirizações ao longo dos anos precarizou sensivelmente os serviços e seus trabalhadores/as, mesmo não abalando algumas conquistas como o Plano de Imunização, desde que se constituíam estoques de vacinas, o atendimento por meio dos programas à pacientes específicos e públicos excluídos deliberadamente da saúde complementar privada, porém, a rede de urgência e emergência onde os custos são altos e o retorno é certo na relação com os recursos públicos. Isso foi agravado na pandemia, e informações não faltam sobre isso na grande imprensa. (ver: (1) https://medicinasa.com.br/corrupcao-na-saude/ (2) https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/reuters/2020/09/25/respiradores-que-nunca-chegaram-como-corrupcao-dificultou-combate-a-covid-no-pais.htm)
A postura do sr. Bolsonaro na presidência buscando afagar sua base de apoio negacionista, autoritária e fascista tem sido o tom desde o inicio da pandemia, com quatro trocas de comando do Ministério da Saúde em menos de um ano e durante a pandemia, é incrível como os liberais de plantão e que gostam de "cagar suas regras" sobre o público exaltando a gestão privada, agora se calam. Todos/as sabemos o que uma mudança de gestão causa no processo de trabalho.
As tentações autoritárias do sr. Jair agora começam a se estabelecer após dois anos completos de governo com uma mudança significativa no jogo eleitoral de 2022, onde a decisão que coloca sobre suspeita as condenações do ex-presidente Lula e restabelecendo seus direitos políticos o insere na disputa eleitoral para presidência. Ânimos mudando, com sinalização de Doria em pensar concorrer reeleição para o governo do estado de São Paulo e as divergências internas no PSDB com falas divergentes entre o presidente do partido que rechaça Lula e FHC que daria voto útil no mesmo, o Centrão reavaliando possibilidades minando candidaturas de Hulk, Ciro, entre outros, e mexendo com os ânimos da direção bolsonarista.
Jair foi deputado federal, é parte do sistema, é do establishment e entre seus ideais e o dinheiro, fica com o dinheiro. Jair está mais para Hermann Göring (ver: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hermann_G%C3%B6ring) do que para Hitler, ou seja, prefere reunir riquezas individuais, e sinaliza isso ao falar de garantir vacinação após um ano de pandemia. Conhece os caminhos e interesses das forças políticas que apoiadas pela classe dominante, da qual faz parte, e busca articular seu governo num pragmatismo ainda mais tradicional.
Se for isso, por que o debate do "Estado de Sítio"? Usando a retórica da critica ao lockdown praticado pelos estados na busca por conter o avanço da Covid-19 devido ao atraso e a lentidão do processo de vacinação, arriscou dizer que tal medida era uma forma de "Estado de Sítio" localizada e que seria uma prerrogativa presidencial, isso levantou questões em todas as instituições, seja Congresso, STF, OAB entre outras.
Se apegando no item "I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa;", fez como sempre faz, "levanta a bola e joga pra massa", esperando algum apoio ou legitimidade. Após um ano de pandemia e a perda de mais de 290mil vidas querer aplicar uma medida que não tem haver com a politica de saúde é uma canalhice, já que medidas como fechamento de aeroportos e maior controle da circulação de pessoas é prerrogativa do "estado de emergência".
Blefe ou "vai que cola"? Já havia tratado esse assunto em outro artigo, sobre as cortinas de fumaça do sr. Jair, e isso é parte do seu método de governar, pode ser que ele mesmo espera a oportunidade, contudo várias duvidas no ar:
- O Estado de Sítio poderá ser aplicado em pacto acordado entre Executivo, Legislativo e Judiciário? E se for, há quem confie na palavra de Jair?
- Os militares irão num possível Estado de Sítio escamotear Jair?
- Ele terá peito para enviar o pedido ao Congresso caso lhe pareça favorável junto a sua base de apoio?
- Vai jogar para galera como faz até quando? E o que isso representa na sua estratégia negacionista e genocida com relação ao atraso na compra de vacinas?
E no final, voltando a questão da saúde e da pandemia, Estado de Sítio servirá do que? Declarar guerra contra alguma empresa farmacêutica? Encampar hospitais privados para ceder leitos de caráter universal? Abrir a economia com apoio das forças armadas? Para enfrentar a Covid-19 o Estado de Sítio não tem função social nenhuma. Apenas para dar um certo gosto de ditadura aos seus apoiadores.
domingo, 14 de março de 2021
Pior momento para um militante permanecer em crise individual.
Eu
havia dito em algum dessas “prosas" no blog que estava passando, pessoal e
individualmente, por um momento de transição. E por incrível que pareça não fiz
ainda a travessia necessária.
Alguns
conhecidos já devem estar de “saco cheio" das minhas reclamações e da
minha caminhada nessa transição que teve início no final de 2014 segue
ainda sem fim.
E o
que eu posso dizer? Não deu ainda! Entre traumas, ex-amigos/as e
ex-companheiros/as, rompimentos com coletivos ora tão sólidos e projetos tão
românticos, quanto desafiadores, traições não esperadas e rompimentos de outras
relações tudo causado pelas escolhas que fiz na luta política.
Humano
que sou, eu dizia “não ter arrependimentos”, mas hoje não tenho condições de
dizer isso. Seria hipócrita, mentiroso, egocêntrico, melhor aceitar que há sim
escolhas e ações ruins na vida.
Para
não deixar você, leitor e leitora, com mais curiosidades sobre os fatos, como
se eu fizesse jogos mentais com vocês, posso revelar um arrependimento:
minha decisão de ser candidato a vereador.
Das
tarefas políticas que me prestei, essa é a única que gera profundo
arrependimento.
Sei que o momento político e a conjuntura exigia a necessidade de assumir essa tarefa, estava no auge da militância, articulando e discutindo questões importantes, mais experiente e com condições mínimas.
Mesmo atravessando a
crise moral do PT de 2006, o que foi em frente era promissor. A experiência e
vigor do chavismo na Venezuela, uma resistência político institucional que não
virou mais um golpe de Estado promovida por Washington (EUA) mexia com alguns
de nós.
E no
PT, mesmo contrariando as estatísticas e a realidade institucional interna, o
programa político do qual fazia parte, a esquerda do PT, ainda mexia com a militância inclusive do
campo majoritário.
Sempre
fui militante de tarefas difíceis. Fazendo um balanço das tarefas que assumi ou
que minhas direções me designaram, a totalidade delas tem uma característica:
nunca de destaque, mas intermediária, entre a articulação, organização e mobilização.
Confesso que cumpri a totalidade de todas como um soldado.
E
nem preciso dizer que a candidatura a vereador era uma diferença na curva, eu
ficava mais exposto e à frente da tarefa.
Progressivamente, disputando espaço, fui candidato a presidente do PT municipal em 2008, e seguindo assim foram as tarefas que ocorreram: primeira derrota
para vereador, depois fiz parte do governo municipal da minha cidade em 2009, fui secretário municipal da
assistência, coordenador de juventude, em 2012 segunda tentativa e nova derrota para
vereador e depois de algum tempo de novo na coordenadoria de juventude segui
para o ostracismo entre 2014-2015. Como eu costumava dizer pra mim mesmo, depois desse período recuei as tropas para
dentro do quartel.
De
lá para cá preferi fazer comigo mesmo o que julgava ser melhor para lidar com
os traumas, tentei resolver por conta própria. Não deu certo. Saúde mental é coisa séria, e mesmo a gente sendo
militante, carregamos nossos preconceitos.
Guardei,
guardei, remexi e explodi. Basta uma faísca perto da gasolina para gerar uma
crise que se mostrou uma depressão. Não foi severa, porém, reveladora.
Se
cuidar não é admitir fraqueza. O/a militante tem que assumir que não somos
fortes, ainda mais se negamos ou combatemos esse sistema, no final tudo nos
perturba, nos indigna, nos fere e ainda nos dá esse sentimento de estar acuado.
As
primeiras consultas com psiquiatra foram angustiantes, contrariei os
medicamentos, fiquei em negação diante da regulação dos sentimentos por meios
psicotrópicos, me entreguei e segui. No atendimento psicológico descobri parte
do que me angústia, diagnóstico preliminar: ansiedade. Sim ansiedade é doença
mental e é séria.
Sempre
gostei de planejar tudo, guardar tudo, organizar tudo, não faltar a reuniões ou
compromissos, assumir tarefas e conclui-las, tudo estava encaixado no meu
roteiro militante, contudo, parte disso se revela como uma ansiedade que se
expressa de várias formas. Como disse, foda!
Progredi
e conheci a homeopatia, muito bom e adequado a minha crença de não medicalizar
a vida.
Paralelo
a isso vem a interminável transição pelo que passo.
Um dia olhando para as inúmeras caixas acumuladas no meu escritório senti um insight que tomou meus pensamentos. Primeiro, o sentido de guardar aquilo tudo? Memória é fundamental, mas a que custo? Memória das lutas da classe trabalhadora que a própria classe não irá poder desfrutar, pesquisar ou descobrir? Mexer no passado e avaliar o que tem sentido ou não passou a ser minha tarefa pessoal.
Tem sido
muito bom e tem feito progressos. Essa ideia do minimalismo é interessante, o
desapego as coisas deveria ser parte da concepção de vida de qualquer
militante de esquerda, e foquei nisso. Parte doei, parte em processo de doação e parte
joguei, joguei fora. Sentimento extraordinário.
Segundo, o sentido que damos a vida. Eu sou militante, depois de mais de duas décadas de uma vida dedicada a luta, não preciso de carteirinha ou diploma para atestar meus compromissos com a minha classe. Não estou dedicado como antes e nem assumi compromissos que não estão dentro dos valores que acredito. Reconheço que a falta de um coletivo, uma direção política faz falta, muita falta.
As vezes bate um sentimento de inutilidade, acomodação.
Se era pra perder, já perdi
Se era pra chorar, já chorei
O que mais falta pra me redimir?
Se era pra perder, já perdi
Se era pra chorar, já chorei
O que mais falta pra me redimir?
O chicote em minhas costas
Rasgando rios, o vergalhão
Via-crucis autoimposta
Na cabeça, no corpo
Eu, meu próprio general
Prazer em te reconhecer, minha inquisição
Não encontrei ironia pra dizer
Mea culpa
Se era pra perder, já perdi
Se era pra chorar, já chorei
O que mais falta pra me redimir?
Se era pra perder, já perdi
Se era pra chorar, já chorei
O que mais falta pra me redimir?
O chicote em minhas costas
Rasgando rios, o vergalhão
Via-crucis autoimposta
Na cabeça, no corpo
Eu, meu próprio general
Prazer em te reconhecer, minha inquisição
Não encontrei ironia pra dizer
Mea culpa
E ela que nem rezava, rezou
Quando o desalento desceu
Até a razão suplicou
Basta de tanto calabouço, é hora de alforria
Um novo tempo, que fora e dentro
Nos faça resgatar uma besta alegria
Se era pra perder, já perdi
Se era pra chorar, já chorei
O que mais falta pra me redimir?
Se era pra perder, já perdi
Se era pra chorar, já chorei
O que mais falta pra me redimir?
Se era pra perder, já perdi
Se era pra chorar, já chorei
O que mais falta pra me redimir?
Se era pra perder, já perdi
Se era pra chorar, já chorei
O que mais falta pra me redimir?
O que mais falta pra me redimir?
O que mais falta pra me redimir?
sexta-feira, 12 de março de 2021
Os que lutam toda vida são imprescindíveis! Com grande pesar, MST se despede de Joaquin Piñero
Uma grande perda para classe trabalhadora! Kima era um companheiro que tinha paixão pela luta revolucionária, o conheci na Consulta Popular e depois nas lutas em parceria com o MST. Não nos falávamos muito, mas sempre que nos víamos nas lutas era acolhedor. Sua perda deixa a vida triste e nos deixa a certeza que seguimos, do luto a luta, Kima Presente!
Segue abaixo a nota do MST:
12 de março de 2021

Os que lutam toda vida são imprescindíveis
Com grande pesar, MST se despede de Joaquin Piñero
É com grande pesar que nos despedimos do companheiro Valquimar Reis, nosso estimado Joaquin Piñero ou Kima, como era carinhosamente chamado pela militância Sem Terra. Joaquin faleceu na noite desta última quinta-feira (11/3), após complicações em seu estado de saúde.
Rondonense, flamenguista, iniciou sua militância no MST em São Paulo e dedicou mais de 20 anos de sua vida na luta pela terra, pela Reforma Agrária Popular e por uma sociedade mais justa para a classe trabalhadora. Atuou em diversos setores, estados e missões internacionalistas no MST.
Violeiro, poeta, sempre nos encantou com sua moda enluarada, e era um apaixonado pelo samba.
Desempenhou várias atividades dentro do MST, entre elas relacionadas as tarefas internacionalistas, sendo nosso representante na Articulação dos Movimentos Populares da ALBA, participando de inúmeros processos importantes na América Latina.
Em certa ocasião teve uma prisão injusta, que roubou muitos meses de sua vida. Mesmo assim não desanimou, era exemplo de persistência e otimismo. Joaquin organizou um cursinho supletivo na cadeia e passou a ser conhecido pelos presos como “Professor!”. Todos seus alunos na turma passaram.
Nos últimos anos de sua vida atuou no Rio de Janeiro, dedicado nas articulações em diversos setores da sociedade. Estudou Serviço Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) através de uma turma especial do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Joaquin estava assentado no Irmã Dorothy, em Quatis, no interior do Rio.
A alegria, o companheirismo, o amor com a família e compromisso com a luta são algumas características de Joaquin. Sempre muito querido por todos ao seu redor foi um militante dedicado, movido por grandes sentimentos de amor, como nos legou Che Guevara.
Joaquin deixa duas filhas e uma companheira amada, as quais estendemos toda a nossa solidariedade neste momento de dor. A família Sem Terra perde um dos seus membros valorosos e reafirmamos o compromisso de nos mantermos na luta pela emancipação da classe trabalhadora.
O MST está de luto, mas honrará seu legado de militância e dedicação.
Rio de Janeiro, 12 de março de 2021
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra










