domingo, 30 de setembro de 2012

Compromisso, história e luta...isso posso oferecer. Novas idéias para política com novas atitudes e formas de lutar pelos direitos da população!

Compromisso, história e luta...isso posso oferecer. Novas idéias para política com novas atitudes e formas de lutar pelos direitos da população!


Outros compromisso de luta:


     
  • Defesa da democratização do poder político na direção de se realizar plebiscitos, referendos e consultas a população para ampliar a participação popular no controle do poder público pela população em temas relevantes;

  • Apoiar a ampliação de medidas preventivas ligadas as áreas de esporte, cultura, lazer e educação; Apoio a campanha contra o extermínio da juventude negra, pobre e trabalhadora; Apoio a proposta de segurança pública comunitária e não repressiva.

  • Apoiar e propor uma legislação de compensação por parte dos grandes empreendimentos imobiliários, comerciais e empresariais que causem impacto na vizinhança e vias próximas. Por uma legislação fundiária justa em apoio a luta dos sem teto e por direito a moradia popular.

  • Apoiar as lutas dos trabalhadores/as da educação e os estudantes. Apoiar a luta pela ampliação do direito ao meio passe e Passe Livre para Juventude. Defender estudos e a implantação de creches integrais e noturna para mulheres trabalhadoras.
  •  

    Com apoio dos trabalhadores/as e profissionais da área apresentar projetos de lei que atendam o direito da população e valorizem o SUS; Lutar pelo transporte público ambulatorial para famílias de baixa renda e que não possuam condições de mobilidade; Fiscalizar o direito a saúde.
     

    Defesa do Plano Municipal Cicloviário, com mais ciclovias, bicicletários e valorização dos direitos dos ciclistas;

    Apoio e regularização dos Pontos de Coleta de material reciclado como depósitos e apoio a propostas sustentáveis.
  • Luta pelo Plano de Cargos, Carreira e salário ÚNICO PARA OS SERVIDORES PÚBLICOS, com reparação e reposição de perdas aos trabalhadores com menor salário ou salários defasados pelas perdas na inflação;
  • Democratização e Controle Social pela População através de Conselhos Populares; Criação da Lei Municipal do Sistema Único da Assistência Social; Luta contra o trabalho infantil e a exploração sexual de crianças e adolescentes; Defesa do ECA e cumprimento dos direitos contidos na lei.

domingo, 23 de setembro de 2012

ALMEIDA CONSOLIDA LIDERANÇA E ESTÁ PERTO DA REELEIÇÃO



ALMEIDA CONSOLIDA LIDERANÇA E ESTÁ PERTO DA REELEIÇÃO

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (19) pelo Diário de Guarulhos mostra o prefeito Sebastião Almeida (PT) com uma ampla vantagem na corrida eleitoral. Almeida está com 39% das intenções de voto, bem distante do segundo colocado, o tucano Carlos Roberto, com 19,5%.
A 19 dias da eleição, o levantamento da Opinião Pesquisa indica que haveria segundo turno pela diferença de 0,1%, já que Almeida tem 39% das intenções de votos enquanto seus adversários juntos somam 39,1%. Conforme os dados levantados, 55,7% dos entrevistados acreditam que o prefeito petista será reeleito.
O terceiro colocado na pesquisa é Alan Neto (DEM) com 7,2% das intenções de voto, empatado com Jovino Cândido (PV) com 7%. Wagner Freitas (PP) aparece em quinto lugar com 4,2%, seguido por Joel Paradella (PSTU) com 0,7% e Ederaldo Batista (PSOL) com 0,5%. Os que declararam que vão anular o voto são 14% e os indecisos chegam a 7,7%.
Um eventual segundo turno em Guarulhos não tira a perspectiva de uma vitória tranquila de Sebastião Almeida sobre Carlos Roberto. De acordo com a Opinião Pesquisa, o atual prefeito se reelegeria com facilidade com 51,2% da preferência dos eleitores, contra 34,5% do candidato tucano.  
Os entrevistadores ouviram 400 eleitores de Guarulhos nos dias 6, 7 e 8 de setembro, por meio de questionários divididos em cotas de sexo, idade, renda e regiões da cidade. A margem de erro é de 4,8 pontos percentuais para mais ou para menos. A coordenação técnica da pesquisa é do sociólogo Nilton César Tristão e da urbanista Nilzete Rodrigues Costa. A pesquisa foi registrada no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais do TSE com o número SP-00964/2012.
Em pesquisa do mesmo instituto divulgada em 13 de agosto, Almeida tinha 38,45% (hoje tem 39%), Carlos Roberto tinha 18,2% (hoje tem 19,5%) e Alan Neto 8,5% (hoje tem 7,2%). Jovino Cândido tinha 11,9% em agosto e agora tem 7%.
“Os números de agosto e setembro mostram que os candidatos principais mantiveram praticamente as mesmas posições, com variações mínimas”, concluiu o jornal. “Como esses números estão dentro de uma margem de erro de 4,8 pontos percentuais para cima ou para baixo ainda não é possível afirmar com segurança que não haverá segundo turno, embora esse seja o cenário mais provável”, analisou ainda o Diário de Guarulhos.

Manter viva a causa do PT: para além do “mensalão”


DEBATE ABERTO

Manter viva a causa do PT: para além do “mensalão”

Sabidamente, temos elites econômicas e intelectuais das mais atrasadas do mundo. Seu tempo passou. Continuam conspirando, especialmente, através de uma mídia e de seus analistas, amargurados por sucessivas derrotas como se nota nestes dias, a propósito de uma entrevista montada de Veja contra Lula. Estes grupos se propõem apear o PT do poder e liquidar com seus líderes.

Leonardo Boff

Há um provérbio popular alemão que reza: “você bate no saco mas pensa no animal que carrega o saco”. Ele se aplica ao PT com referência ao processo do “mensalão”. Você bate nos acusados mas tem a intenção de bater no PT. A relevância espalhafatosa que o grosso da mídia está dando à questão, mostra que o grande interesse não se concentra na condenação dos acusados, mas através de sua condenação, atingir de morte o PT.

De saída quero dizer que nunca fui filiado ao PT. Interesso-me pela causa que ele representa pois a Igreja da Libertação colaborou na sua formulação e na sua realização nos meios populares. Reconheço com dor que quadros importantes da direção do partido se deixaram morder pela mosca azul do poder e cometeram irregularidades inaceitáveis. Muitos sentimo-nos traídos, pois depositávamos neles a esperança de que seria possível resistir às seduções inerentes ao poder. Tinham a chance de mostrar um exercício ético do poder na medida em que este poder reforçaria o poder do povo que assim se faria participativo e democrático.

Lamentavelmente houve a queda. Mas ela nunca é fatal. Quem cai, sempre pode se levantar. Com a queda não caiu a causa que o PT representa: daqueles que vem da grande tribulação histórica sempre mantidos no abandono e na marginalidade. Por políticas sociais consistentes, milhões foram integrados e se fizeram sujeitos ativos. Eles estão inaugurando um novo tempo que obrigará todas as forças sociais a se reformularem e também a mudarem seus hábitos políticos.

Por que muitos resistem e tentam ferir letalmente o PT? Há muitas razões. Ressalto apenas duas decisivas.

A primeira tem a ver com uma questão de classe social. Sabidamente temos elites econômicas e intelectuais das mais atrasadas do mundo, como soía repetir Darcy Ribeiro. Estão mais interessadas em defender privilégios do que garantir direitos para todos. Elas nunca se reconciliaram com o povo.

Como escreveu o historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma no Brasil 1965,14) elas “negaram seus direitos, arrasaram sua vida e logo que o viram crescer, lhe negaram, pouco a pouco, a sua aprovação, conspiraram para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continuam achando que lhe pertence”. Ora, o PT e Lula vem desta periferia.

Chegaram democraticamente ao centro do poder. Essas elites tolerariam Lula no Planalto, apenas como serviçal, mas jamais como Presidente. Não conseguem digerir este dado inapagável. Lula Presidente representa uma virada de magnitude histórica. Essas elites perderam. E nada aprenderam.

Seu tempo passou. Continuam conspirando, especialmente, através de uma mídia e de seus analistas, amargurados por sucessivas derrotas como se nota nestes dias, a propósito de uma entrevista montada de Veja contra Lula. Estes grupos se propõem apear o PT do poder e liquidar com seus líderes.

A segunda razão está em seu arraigado conservadorismo. Não quererem mudar, nem se ajustar ao novo tempo. Internalizaram a dialética do senhor e do servo. Saudosistas, preferem se alinhar de forma agregada e subalterna, como servos, ao senhor que hegemoniza a atual fase planetária: os USA e seus aliados, hoje todos em crise de degeneração.
Difamaram a coragem de um Presidente que mostrou a autoestima e a autonomia do país, decisivo para o futuro ecológico e econômico do mundo, orgulhoso de seu ensaio civilizatório racialmente ecumênico e pacífico.

Querem um Brasil menor do que eles para terem vantagens.

Por fim, temos esperança. Segundo Ignace Sachs, o Brasil, na esteira das políticas republicanas inauguradas pelo PT e que devem ser ainda aprofundadas, pode ser a Terra da Boa Esperança, quer dizer, uma pequena antecipação do que poderá ser a Terra revitalizada, baixada da cruz e ressuscitada. Muitos jovens empresários, com outra cabeça, não se deixam mais iludir pela macroeconomia neoliberal globalizada. Procuram seguir o novo caminho aberto pelo PT e pelos aliados de causa. Querem produzir autonomamente para o mercado interno, atendendo aos milhões de brasileiros que buscam um consumo necessário, suficiente e responsável e assim poderem viver um desafogo com dignidade e decência.

Essa utopia mínima é factível. O PT se esforça por realizá-la. Essa causa não pode ser perdida em razão da férrea resistência de opositores superados porque é sagrada demais pelo tanto de suor e de sangue que custou.

Leonardo Boff é teólogo e escritor.

Carlos Nelson Coutinho presente!



Reproduzo o comunicado da Coordenação da Pós Graduação em Serviço Social da PUC SP
Sobre o falecimento deste grande intelectual de esquerda e lutador do povo brasileiro...


Caros (as) professores (as), alunos (as) e comunidade acadêmica da PUCSP

É com muita tristeza e emoção que recebemos a notícia do falecimento do nosso querido companheiro Carlos Nelson Coutinho.
Para além do intelectual marxista com amplo reconhecimento público nacional e internacional de sua obra crítica e combativa, de sua inestimável contribuição à difusão do pensamento de Gramsci no Brasil, de sua interlocução e colaboração imprescindíveis no debate teórico e político das ciências sociais e do Serviço Social, na formação de gerações de assistentes sociais e cientistas sociais e políticos solidamente formados a partir de sua inspiração e orientação, perdemos nosso amigo, grande figura humana, sempre pronto ao afeto e a imprimir leveza e graça nas suas relações, das quais muitos de nós compartilhamos.
Em nome dos professores e alunos do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da PUC-SP, nossa solidariedade aos docentes, discentes e funcionários da Escola de Serviço Social da UFRJ, à sua companheira, familiares, amigos.
Manifestamos nossa profunda homenagem à vida e ao legado de Carlos Nelson Coutinho para todos nós e futuras gerações.

Profas. Raquel Raichelis Degenszajn e Maria Carmelita Yazbek
Coordenação do PEPG em Serviço Social da PUCSP

O que se espera de um prefeito comprometido com a Política de Assistência Social é:



Eleições Municipais 2012
Carta Aberta do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS)
O Brasil vivencia em 2012 um importante momento: as eleições municipais para os cargos
de prefeitos e vereadores. O direito de escolher seus representantes é uma conquista
legítima do povo brasileiro e deve ser exercido com consciência. Votar é um ato de plena
cidadania e de fortalecimento da democracia.
Neste período de escolhas importantes, o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS
conclama a sociedade brasileira para a participação neste processo democrático
reconhecendo as propostas dos candidatos comprometidos com a política de assistência
social.
O que se espera de um prefeito comprometido com a Política de Assistência Social é:
• Respeito aos direitos de proteção social de Assistência Social consagrados em
Lei para todos.
Garantir a universalidade do atendimento, de forma gratuita e de qualidade, conforme
preconiza a Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS (Lei 8743/93).
• Rejeição à prática do assistencialismo, do nepotismo e do primeiro damismo na
Política de Assistência Social.
A assistência social é uma política pública reconhecida pela Constituição Federal de 1988 e
deve ser efetivada como dever do Estado e direito do cidadão.
• Fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social - SUAS no município,
com investimentos no aprimoramento da gestão.
O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) está garantido na Lei 8.742/93 – Lei Orgânica
da Assistência Social - (LOAS).
• Cofinanciamento da proteção social visando garantir a prestação de serviços,
programas, projetos e benefícios da rede socioassistencial.
Garantia do cofinanciamento municipal para a prestação de serviços, programas projetos e
benefícios socioassistenciais de forma continuada, permanente e planejada.
• Fortalecimento dos conselhos de Assistência Social e realização das
conferências de Assistência Social.
O controle social do SUAS é a garantia da participação social que contribui para o seu
permanente aprimoramento em consonância com as necessidades da população brasileira.
• Valorização dos trabalhadores do SUAS.
Implantação da Norma Operacional Básica de Recursos Humanos, com ênfase na realização
de concursos públicos específicos para a Assistência Social, capacitação e plano de carreira,
cargos e salários para trabalhadores da área.
• Compromisso com a superação da extrema pobreza e a erradicação do trabalho
infantil.
Promoção de ações intersetoriais visando superar as várias formas de manifestação da
pobreza, garantindo o acesso à Renda, à Inclusão Produtiva e Acesso a Serviços Públicos.
Brasília, setembro de 2012.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Unidade por por Terra, Território e Dignidade!



Terça-feira, 22 de agosto de 2012

Ano 9 - nº 195
Unidade por por Terra, Território e Dignidade!
 Os movimentos sociais do campo, que se reuniram nesta semana no Encontro Unitário dos Trabalhadores, Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e das Florestas, em Brasília, lançaram uma declaração conjunta que representa uma demonstração de articulação e unidade política dos camponeses, pequenos agricultores, sem-terra, indígenas e quilombolas, além de ambientalistas, defensores dos direitos humanos e estudantes que participaram dessa construção.

O encontro é uma resposta aos desafios do nosso país para superar a desigualdade na distribuição da terra, que se mantém inalterada desde a década de 20, mas com riscos econômicos, sociais, culturais e ambientais em consequência da especialização primária da economia.

O projeto capitalista em curso no Brasil, representado no campo pelo agronegócio, tem como objetivo a acumulação de capital no setor primário, servindo aos interesses e domínio do capital estrangeiro no campo por meio das transnacionais.
A ofensiva desse projeto causa o esmagamento e a desterritorialização dos trabalhadores e trabalhadoras dos povos do campo, das águas e das florestas. Além disso, impede a realização da reforma agrária, a demarcação e reconhecimento de territórios indígenas e quilombolas.

Por outro lado, tem impactos sociais e ambientais negativos, com o aumento da violência, a violação dos territórios dos pescadores e povos da floresta, a fragilização da agricultura familiar e camponesa, a sujeição dos trabalhadores e consumidores a alimentos contaminados e ao convívio com a degradação ambiental.
O encontro demonstra que é indispensável um projeto de vida e trabalho para a produção de alimentos saudáveis em escala suficiente para atender as necessidades da sociedade, que respeite a natureza e gere dignidade no campo.

Para isso, é necessário realizar a Reforma Agrária, defender a nossa soberania territorial, garantir a  a soberania alimentar, desenvolver a agroecologia, com a centralidade da agricultura familiar e camponesa e de formas tradicionais de produção e educação do campo, indígena e quilombola como ferramentas estratégicas para a emancipação.

Abaixo, leia a declaração final do Encontro Unitário dos Trabalhadores, Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e das Florestas.   
   

Por Terra, Território e Dignidade!

Após séculos de opressão e resistência, “as massas camponesas oprimidas e exploradas”, numa demonstração de capacidade de articulação, unidade política e construção de uma proposta nacional, se reuniram no “I Congresso Nacional dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas sobre o caráter da reforma agrária”, no ano de 1961, em Belo Horizonte. Já nesse I Congresso os povos do campo, assumindo um papel de sujeitos políticos, apontavam a centralidade da terra como espaço de vida, de produção e identidade sociocultural.

Essa unidade e força política levaram o governo de João Goulart a incorporar a reforma agrária como parte de suas reformas de base, contrariando os interesses das elites e transformando-se num dos elementos que levou ao golpe de 1964. Os governos golpistas perseguiram, torturaram, aprisionaram e assassinaram lideranças, mas não destruíram o sonho, nem as lutas camponesas por um pedaço de chão.

Após décadas de resistência e denuncias da opressão, as mobilizações e lutas sociais criaram condições para a retomada e ampliação da organização camponesa, fazendo emergir uma diversidade de sujeitos e pautas. Junto com a luta pela reforma agrária, a luta pela terra e por território vem afirmando sujeitos como sem terra, quilombolas, indígenas, extrativistas, pescadores artesanais, quebradeiras, comunidades tradicionais, agricultores familiares, camponeses, trabalhadores e trabalhadoras rurais e demais povos do campo, das águas e das florestas. Neste processo de constituição de sujeitos políticos, afirmam-se as mulheres e a juventude na luta contra a cultura patriarcal, pela visibilidade e igualdade de direitos e dignidade no campo.

Em nova demonstração de capacidade de articulação e unidade política, nós homens e mulheres de todas as idades, nos reunimos 51 anos depois, em Brasília, no Encontro Nacional Unitário de Trabalhadores e Trabalhadoras, Povos do Campo, das Águas e das Florestas, tendo como centralidade a luta de classes em torno da terra, atualmente expressa na luta por Reforma Agrária, Terra, Território e Dignidade.

Nós estamos construindo  a unidade em resposta aos desafios da desigualdade na distribuição da terra. Como nos anos 60, esta desigualdade se mantém inalterada, havendo um aprofundamento dos riscos econômicos, sociais, culturais e ambientais, em conseqüência da especialização primária da economia.

A primeira década do Século XXI revela um projeto de remontagem da modernização conservadora da agricultura, iniciada pelos militares, interrompida nos anos noventa e retomada como projeto de expansão primária para o setor externo nos últimos doze anos, sob a denominação de agronegócio, que se configura como nosso inimigo comum.

Este projeto, na sua essência, produz desigualdades nas relações fundiárias e sociais no meio rural, aprofunda a dependência externa e realiza uma exploração ultrapredatória da natureza. Seus protagonistas são o capital financeiro, as grandes cadeias de produção e comercialização de commodities de escala mundial, o latifúndio e o Estado brasileiro nas suas funções financiadora – inclusive destinando recursos públicos para grandes projetos e obras de infraestrutura – e (des)reguladora da terra.

O projeto capitalista em curso no Brasil persegue a acumulação de capital especializado no setor primário, promovendo super-exploração agropecuária, hidroelétrica, mineral e petroleira. Esta super-exploração, em nome da necessidade de equilibrar as transações externas, serve aos interesses e domínio do capital estrangeiro no campo através das transnacionais do agro e hidronegócio.

Este projeto provoca o esmagamento e a desterritorialização dos trabalhadores e trabalhadoras dos povos do campo, das águas e das florestas. Suas conseqüências sociais e ambientais são a não realização da reforma agrária, a não demarcação e reconhecimento de territórios indígenas e quilombolas, o aumento da violência, a violação dos territórios dos pescadores e povos da floresta, a fragilização da agricultura familiar e camponesa, a sujeição dos trabalhadores e consumidores a alimentos contaminados e ao convívio com a degradação ambiental. Há ainda conseqüências socioculturais como a masculinização e o envelhecimento do campo pela ausência de oportunidades para a juventude e as mulheres, resultando na não reprodução social do campesinato.

Estas conseqüências foram agravadas pela ausência, falta de adequação ou caráter assistencialista e emergencial das políticas públicas. Estas políticas contribuíram para o processo de desigualdade social entre o campo e a cidade, o esvaziamento do meio rural e o aumento da vulnerabilidade dos sujeitos do campo, das águas e das florestas. Em vez de promover a igualdade e a dignidade, as políticas e ações do Estado, muitas vezes, retiram direitos e promovem a violência no campo.

Mesmo gerando conflitos e sendo inimigo dos povos, o Estado brasileiro nas suas esferas do Executivo, Judiciário e Legislativo, historicamente vem investindo no fortalecimento do modelo de desenvolvimento concentrador, excludente e degradador. Apesar de todos os problemas gerados, os sucessivos governos – inclusive o atual – mantêm a opção pelo agro e hidronegócio.

O Brasil, como um país rico em terra, água, bens naturais e biodiversidade, atrai o capital especulativo e agroexportador, acirrando os impactos negativos sobre os territórios e populações indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e camponesas. Externamente, o Brasil vem se tornando alavanca do projeto neocolonizador, expandindo este modelo para outros países, especialmente na América Latina e África.

Torna-se indispensável um projeto de vida e trabalho para a produção de alimentos saudáveis em escala suficiente para atender as necessidades da sociedade, que respeite a natureza e gere dignidade no campo. Ao mesmo tempo, o resgate e fortalecimento dos campesinatos, a defesa e recuperação das suas culturas e saberes se faz necessário para projetos alternativos de desenvolvimento e sociedade.

Diante disto, afirmamos:

1)       a reforma agrária como política essencial de desenvolvimento justo, popular, solidário e sustentável, pressupondo mudança na estrutura fundiária, democratização do acesso à terra, respeito aos territórios e garantia da reprodução social dos povos do campo, das águas e das florestas.

2)      a soberania territorial, que compreende o poder e a autonomia dos povos em proteger e defender livremente os bens comuns e o espaço social e de luta que ocupam e estabelecem suas relações e modos de vida, desenvolvendo diferentes culturas e  formas de produção e reprodução,  que marcam e dão identidade ao território.

3)      a soberania alimentar como o direito dos povos a definir suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos que garantam o direito à alimentação adequada a toda a população, respeitando suas culturas e a diversidade dos jeitos de produzir, comercializar e gerir estes processos.

4)      a agroecologia como base para a sustentabilidade e organização social e produtiva da agricultura familiar e camponesa, em oposição ao modelo do agronegócio. A agroecologia é um modo de produzir e se relacionar na agricultura, que preserva a biodiversidade, os ecossistemas e o patrimônio genético, que produz alimentos saudáveis, livre de transgênicos e agrotóxicos, que valoriza saberes e culturas dos povos do campo, das águas e das florestas e defende a vida.

5)      a centralidade da agricultura familiar e camponesa e de formas tradicionais de produção e o seu fortalecimento por meio de políticas públicas estruturantes, como fomento e crédito subsidiado e adequado as realidades; assistência técnica baseada nos princípios agroecológicos; pesquisa que reconheça e incorpore os saberes tradicionais; formação, especialmente da juventude; incentivo à  cooperação, agroindustrialização e comercialização.

6)      a necessidade de relações igualitárias, de reconhecimento e respeito mútuo, especialmente em relação às mulheres, superando a divisão sexual do trabalho e o poder patriarcal e combatendo todos os tipos de violência.

7)      a soberania energética como um direito dos povos, o que demanda o controle social sobre as fontes, produção e distribuição de energia, alterando o atual modelo energético brasileiro.

8)      a educação do campo, indígena e quilombola como ferramentas estratégicas para a emancipação dos sujeitos, que surgem das experiências de luta pelo direito à educação e por um projeto político-pedagógico vinculado aos interesses da classe trabalhadora.  Elas se contrapõem à educação rural, que tem como objetivo auxiliar um projeto de agricultura e sociedade subordinada aos interesses do capital, que submete a educação escolar à preparação de mão-de-obra minimamente qualificada e barata e que escraviza trabalhadores e trabalhadoras no sistema de produção de monocultura.

9)      a necessidade de democratização dos meios de comunicação, hoje concentrados em poucas famílias e a serviço do projeto capitalista concentrador,  que criminalizam os movimentos e organizações sociais do campo, das águas e das florestas.

10)   a necessidade do reconhecimento pelo Estado dos direitos das populações atingidas por grandes projetos, assegurando a consulta livre, prévia e informada e a reparação nos casos de violação de direitos.

Nos comprometemos:

1- a fortalecer as organizações sociais e  a intensificar o processo de unidade entre os trabalhadores e trabalhadoras, povos do campo, das águas e das florestas, colocando como centro a luta de classes e o enfrentamento ao  inimigo comum, o capital e sua expressão atual no campo, o agro e hidronegócio.

2-    a ampliar a unidade nos próximos períodos, construindo pautas comuns e processos unitários de luta pela realização da reforma agrária, pela reconhecimento, titulação, demarcação e desintrusão das terras indígena, dos territórios quilombolas e de comunidades tradicionais, garantindo direitos territoriais, dignidade e autonomia.

3-    a fortalecer a luta pela reforma agrária  como bandeira unitária dos trabalhadores e trabalhadoras e povos do campo, das águas e das florestas.

4-    a construir e fortalecer alianças entre sujeitos do campo e da cidade, em nível nacional e internacional, em estratégias de classe contra o capital e em defesa de uma sociedade justa, igualitária, solidária e sustentável.

5-    a lutar pela transição agroecológica massiva, contra os agrotóxicos, pela produção de alimentos saudáveis, pela soberania alimentar, em defesa da biodiversidade e das sementes.

6-    a construir uma agenda comum para rediscutir os critérios de construção, acesso, abrangência, caráter e controle social sobre as políticas públicas, a exemplo do PRONAF, PNAE, PAA, PRONERA, PRONACAMPO, pesquisa e extensão, dentre outras, voltadas para os povos do campo, das águas e das florestas.

7-  a fortalecer a luta das mulheres por direitos, pela igualdade e pelo fim da violência.

8-  a ampliar o reconhecimento da importância estratégica da juventude na dinâmica do desenvolvimento e na reprodução social dos povos do campo, das águas e das florestas.

9-  a lutar por mudanças no atual modelo de produção pautado nos petro-dependentes, de alto consumo energético.

10-  a combater e denunciar a violência e a impunidade no campo e a criminalização das lideranças e movimentos sociais, promovidas pelos agentes públicos e privados.

11- a lutar pelo reconhecimento da responsabilidade do Estado sobre a morte e desaparecimento forçado de camponeses, bem como os direitos de reparação aos seus familiares, com a criação de uma comissão camponesa pela anistia, memória, verdade e justiça para incidir nos trabalhos da Comissão Especial sobre mortos e desaparecidos políticos, visando a inclusão de todos afetados pela repressão.

Nós, trabalhadores e trabalhadoras, povos do campo, das águas e das florestas exigimos o redirecionamento das políticas e ações do Estado brasileiro, pois o campo não suporta mais.  Seguiremos em marcha, mobilizados em unidade e luta e, no combate ao nosso inimigo comum, construiremos um País e uma sociedade justa, solidária e sustentável.

Brasília, 22 de agosto de 2012.


Associação das Casas Familiares Rurais (ARCAFAR)

Associação das Mulheres do Brasil (AMB)

Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA)

Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF)

Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)

Conselho Indigenista Missionário (CIMI)

CARITAS Brasileira

Coordenação Nacional dos Quilombolas (CONAQ)

Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG)

Comissão Pastoral da Pesca (CPP)

Comissão Pastoral da Terra (CPT)

Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB)

Central Única dos Trabalhadores (CUT)

Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB)

Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (FETRAF)

FASE

Greenpeace

INESC


Marcha Mundial das Mulheres (MMM)

Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

Movimento Camponês Popular (MCP)

Movimento das Mulheres Camponesas (MMC)

Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE)

Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)

Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP)

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

Movimento Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)

Oxfam Brasil

Pastoral da Juventude Rural (PJR)

Plataforma Dhesca

Rede Cefas

Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF)

SINPRO DF

Terra de Direitos

Unicafes

VIA CAMPESINA BRASIL

sábado, 18 de agosto de 2012

ora de varrer o lixo da Câmara de Vereadores de São Paulo.




Vamos varrer quem NÃO ACREDITA NA DEMOCRACIA. Todo bosal que concorda com a DITADURA MILITAR não deveria ter mandato eletivo na democracia.

Na DEMOCRACIA deve ter direitos quem acredita e fortalece o processo democrático. Quem se beneficia dela apenas é OPORTUNISTA.

Varrer o lixo, é agora!


Agnaldo Timóteo defende Regime Militar e ofende plateia na Câmara de SP


fonte: Yahoo! Notícias – qui, 16 de ago de 2012
O vereador Agnaldo Timóteo (PR) defendeu a Ditadura Militar na tarde desta quinta-feira durante discurso na Câmara Municipal de São Paulo. Segundo o jornal “O Estado de S.Paulo”, ele chegou a chamar servidores que estavam na plateia de “idiotas” e animais” e os mandou calar a boca. O cantor também criticou a Comissão da Verdade, instalada no Legislativo no começo do ano.

Segundo Timóteo, "não se pode condenar todo o Regime pelos erros de alguns de seus agentes" e que a PM em São Paulo estava sendo perseguida. "Em 1970 nós éramos 90 milhões em ação, não podemos esquecer disso. E todos os presidentes militares morreram pobres, enquanto muitos dos nossos representantes eleitos se aposentam milionários", acrescentou, continuando: “Não vejo um documentário falando das estradas que os militares construíram, das grandes obras. Só falam mal, a grande mídia faz uma perseguição odiosa ao Regime”.

Em campanha salarial, os servidores que estavam na plateia para acompanhar a sessão ordinária também xingaram Timóteo. 

Ao final do discurso, o vereador Ítalo Cardoso (PT) apresentou requerimento na Corregedoria da Casa acusando o vereador de quebra de decoro parlamentar. "Pela manhã ele já havia ofendido o público que veio acompanhar a audiência da Comissão da Verdade. Ele quebrou o decoro hoje duas vezes, de manhã e à tarde", disparou o petista.