quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Democracia, um valor necessário à Universidade Brasileira! Cardeal descumpre comrpomisso historico em SP.

Nunca, nem quando a polícia militar comandada pelo bosal Erasmo Dias invadindo o campus da PUC/SP, vimos tanta ausência do princípio democrático conquistado.

A PUC/SP é a única universidade privada - "sem fins lucrativos e comunitária" (diz ela), que elege seu reitor (a) pelo voto dos professores, alunos e funcionários. Herança de um verdadeiro cardeal a favor da democracia, Dom Paulo Evaristo Arns (saudades de quem quer construir um país e um mundo democratico e com, justiça social)

Mesmo com a lista triplice, nunca. Digo NUNCA mesmo, a fundação São Paulo através da arquidiocese questionou a vitoria do mais votado (a), sempre quem foi a escolha democratica da comunidade academica foi o reitor (a) empossado (a).

E não precisamos de regras para nos dizer isso, quem defende o princípio democrático e quer que ele o avance sabe: o bom senso de quem crê na democracia da valor ao voto da maioria, desde que eleito de forma democrática, participativa e defendendo idéias.

É triste! Como ex-aluno e agora mestre formado por esta instituição, aprendi valores humanos e democráticos, e agora vendo os fatos tenho duas certezas:

1- Que a PUC/SP precisa ser autonoma e desvincular-se de vez da igreja e partindo para o seu papel historico laico como deve ser;
2- E que quem rasga sua historia de vida como Dom Odilio o faz mostra que princípios jamais podem ser esquecidos independente do cargo que se ocupe - triste não é ser lembrado por defender a democracia e perder, triste é ser o promotor do fim dela!

Leiam o que saiu na imprensa:

ttp://www.estadao.com.br/noticias/vidae,nova-reitora-da-puc-sp-descumpre-promessa-e-assume-cargo,959965,0.htm

Nova reitora da PUC-SP descumpre promessa e assume cargo

Anna Cintra, última colocada em votação, assinou compromisso de não aceitar nomeação

13 de novembro de 2012 | 22h 47
Cristiane Nascimento, Paulo Saldaña e Luiza Vieira, Especial para o Estadão.edu
A professora de Letras Anna Maria Marques Cintra, de 73 anos, nomeada reitora da PUC-SP nesta terça-feira, 13, rompeu um compromisso assumido em debate promovido em agosto de só aceitar o cargo caso fosse a mais votada entre estudantes, funcionários e professores da instituição.
Anna Cintra foi a terceira colocada na votação realizada no fim daquele mês. Os outros dois candidatos - Dirceu de Mello, atual reitor e primeiro colocado, e Francisco Antonio Serralvo - também  firmaram o mesmo compromisso durante debate dos candidatos à reitoria, organizado por estudantes no dia 13 de agosto no Tucarena.

Mesmo com o resultado da eleição já apurado em setembro, a definição de que quem assumiria o comando da universidade só poderia ocorrer após nomeação pelo cardeal Dom Odilo Scherer, grão-chanceler da universidade e presidente do Conselho Superior da Fundação São Paulo, que administra a instituição. E foi apenas nesta terça, 13, que o cardeal oficializou a nomeação.
Segundo Francisco Serralvo, o documento assinado durante o debate, no entanto, "não tem um valor significativo perante a decisão do cardeal". "A recusa de Anna Cintra em assumir o cargo poderia ser interpretada como insubordinação pela fundação mantenedora da PUC", disse ao Estadão.edu.
CONFIRA, NO VÍDEO, A ASSINATURA DO DOCUMENTO:



http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,associacao-de-professores-ve-risco-a-democracia-da-puc-sp,959979,0.htm

Associação de professores vê 'risco à democracia da PUC-SP'

Docentes pedem que Dirceu de Mello, 1º colocado em eleição, continue no cargo de reitor

14 de novembro de 2012 | 1h 57
Marcio Dolzan, Especial para o Estadão.edu
A Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc) divulgou nesta terça-feira, 13, uma nota criticando a nomeação da professora Anna Cintra, terceira colocada na eleição, como reitora da universidade. Anna Cintra foi escolhida para o cargo pelo cardeal d. Odilo Scherer, grão-chanceler da PUC-SP e presidente do Conselho Superior da fundação que administra a instituição de ensino.
O documento, assinado conjuntamente com a Associação dos Funcionários Administrativos da PUC-SP, afirma que as duas entidades não reconhecem Anna Cintra como reitora e que serão tomadas "todas as providências possíveis e necessárias para que prevaleça a vontade da comunidade puquiana", que apontou Dirceu de Mello, atual reitor, como o candidato mais votado na consulta à comunidade acadêmica, em agosto.
Uma reunião dos professores foi marcada para esta quarta-feira, 14, na frente da reitoria, para discutir a questão. O local foi ocupado por estudantes na noite desta terça.
Confira a íntegra da nota:
"NOTA URGENTE! A Democracia da PUC-SP está em risco.
D. Odilo Scherer, grão chanceler da PUC-SP, resolveu afrontar os princípios democráticos que sempre nortearam a nossa universidade: resolveu nomear ao cargo de Reitor a candidata menos votada, a professora Anna Cintra. Isso nunca aconteceu antes em nossa universidade.
A Apropuc e a Afapuc não se curvarão ante a política de fato consumado. Assim como resistimos, no passado, aos golpes assestados pela ditadura militar, resistiremos agora à tentativa de liquidar a democracia universitária orquestrada pela Fundação São Paulo.
Declaramos não reconhecer na professora Anna Cintra a reitora da PUC. Reiteramos o nosso respeito ao resultado das urnas, que sagrou o Prof. Dirceu de Mello o vencedor. Vamos adotar todas as providências possíveis e necessárias para que prevaleça a vontade da comunidade puquiana.
Não ao golpe!
Não à ditadura!
Viva a democracia!
Longa vida à PUC combativa, autônoma e soberana!"



http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,alunos-da-puc-sp-ocupam-reitoria-em-protesto-contra-escolha-de-reitora,959959,0.htm

Alunos da PUC-SP ocupam reitoria em protesto contra escolha de reitora

Professora Anna Cintra foi a última em votação, mas Dom Odilo Scherer a escolheu

13 de novembro de 2012 | 21h 52
Carlos Lordelo, Cristiane Nascimento, Davi Lira, Luiza Vieira, Marcio Dolzan, Ocimara Balmant e Paulo Saldaña - O Estado de S. Paulo
Cerca de 400 alunos da PUC-SP invadiram na noite desta terça-feira, 13, a reitoria e decretaram greve horas depois de o cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, grão-chanceler da universidade, ter nomeado a professora Anna Maria Marques Cintra como nova reitora. Anna Maria ficou em terceiro lugar na eleição para o cargo, em agosto.



http://blogs.estadao.com.br/ponto-edu/atual-reitor-da-puc-sp-e-ovacionado-por-estudantes/

Atual reitor da PUC-SP é ovacionado por estudantes

* Por Carlos Lordelo, do Estadão.edu

Ao chegar na assembleia geral que ocorre na manhã desta quarta-feira, 14, na PUC-SP, o  atual reitor Dirceu de Mello foi ovacionado por estudantes, professores e funcionários. Apesar de ter sido o mais votado nas eleições para o mandato de reitor, Mello não foi o escolhido para o cargo.   O cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, grão-chanceler da universidade, nomeou a professora Anna Maria Marques Cintra como nova reitora, mesmo tendo ela ficado em terceiro lugar na eleição para o cargo, em agosto.
dIRCEUpuc600.jpg
“Não posso negar que foi uma surpresa muito grande não ter sido escolhido”, afirmou Mello. O atual reitor lembrou ainda  do rompimento de um compromisso assumido pelos três candidatos a reitores em um debate promovido em agosto. Na ocasião, os três firmaram um documento no qual afirmava que só aceitariam o cargo caso fossem os mais votados entre estudantes, funcionários e professores da instituição.
Mello disse ainda ter ficado sensibilizado pela mobilização. “Para mim, o que interessa é estar no coração de alunos, professores e funcionários”, disse. Novamente aplaudido, o reitor garantiu que  mesmo diante da greve e da ocupação da reitoria, vai cumprir o seu mandato até o fim do mês e não irá se afastar de suas funções.  Em seguida, agradeceu a manifestação e caminhou junto com o seus assessores para a reitoria.

PUC realiza assembleia geral na manhã desta quarta-feira, em frente à reitoria ocupada

Comunidade protesta contra a nomeação da 3.ª colocada em votação como reitora

14 de novembro de 2012 | 9h 27
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,puc-realiza-assembleia-geral-na-manha-desta-quarta-feira-em-frente-a-reitoria-ocupada,960215,0.htm


Atual reitor, Dirceu de Mello, fala em assembleia geral da PUC-SP - ARQUIVO PESSOAL
ARQUIVO PESSOAL
Atual reitor, Dirceu de Mello, fala em assembleia geral da PUC-SP
Alunos, professores e funcionários da PUC-SP se reúnem na manhã desta quarta-feira, 14, em frente à reitoria da instituição, ocupada na noite desta terça por centenas de estudantes. A comunidade protesta contra a nomeação da professora Anna Maria Marques Cintra como nova reitora. Anna Maria ficou em terceiro lugar na eleição para o cargo, realizada em agosto.
"Em um ato que fere a democracia da universidade e tira cada vez mais a autonomia da comunidade acadêmica com a igreja católica (Fundação São Paulo), exigimos a retirada imediata de Anna Cintra como reitora e a homologação dos resultados das eleições", diz a comunidade por meio de um panfleto que tem sido distribuído aos presentes nesta manhã.
Para a professora Beatriz Abramides, da Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc), a escolha de Anna Cintra representa o fim da soberania e pode levar à proibição de docentes votarem para escolha de chefes de departamento. "Não vamos aceitar essa imposição. Basta de autoritarismo", gritou ao microfone.
Pelo menos 500 pessoas participam do ato. De acordo com os manifestantes, a greve deve continuar até que seja retirada a nomeação de Anna do cargo de reitora. Os estudantes afirmam ainda que o movimento é "unitário", uma vez que envolve alunos, professores e funcionários da instituição.

Uma professora que teve o direito à fala comparou manifestação na PUC à luta de trabalhadores em países europeus que enfrentam uma greve crise econômica. "Estamos juntos com os trabalhadores da Grécia, Espanha e Portugal na luta contra a opção autoritária de quem explora os trabalhadores e os jovens", comentou.
"Greve geral, fora cardeal", cantam os alunos da PUC-SP
 As regras para a escolha do reitor na PUC-SP preveem eleição em que alunos, funcionários e professores votam. Uma lista tríplice segue para o cardeal, que tem a prerrogativa de escolher um dos nomes. Tradicionalmente, o primeiro colocado é o escolhido.
Após o anúncio da nomeação de Anna Maria, os alunos convocaram uma assembleia no câmpus de Perdizes, zona oeste da capital, para definir o que seria feito. Por unanimidade, foi aprovada a greve dos estudantes e a ocupação da reitoria. Em seguida, eles empilharam carteiras no Pátio da Cruz, no prédio da reitoria, e em corredores da instituição.
*atualizado às 10h50


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/78022-alunos-da-puc-invadem-predio-contra-nomeacao-de-nova-reitora.shtml
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Alunos da PUC invadem prédio contra nomeação de nova reitora
Dom Odilo, arcebispo de São Paulo, nomeou a 3ª colocada na eleição
DE SÃO PAULO Os estudantes da PUC-SP decidiram ontem, em assembleia, por uma greve geral e invadiram o prédio da reitoria, em Perdizes (zona oeste), em protesto contra a nomeação da nova reitora, a professora Anna Maria Marques Cintra.
Professores e funcionários também estavam na assembleia. Anna Maria foi nomeada ontem à tarde pelo cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC-SP.
Ela foi a terceira colocada na eleição. O primeiro colocado foi o atual reitor, Dirceu de Mello. A Apro-PUC (associação dos professores) e a Afapuc (associação de funcionários) divulgaram nota em repúdio ao ato de dom Odilo.
"Dom Odilo Scherer resolveu afrontar os princípios democráticos que sempre nortearam a nossa universidade: resolveu nomear ao cargo de reitor a candidata menos votada. Isso nunca aconteceu antes em nossa universidade", diz o texto.
"É uma revolta muito grande, mesmo entre os professores que não votaram no professor Dirceu", afirma o docente Valdir Mengardo.
A Arquidiocese de São Paulo afirmou que dom Odilo escolheu a reitora a partir de uma lista tríplice, como previsto no estatuto da universidade.
A prerrogativa de escolher o reitor a partir de lista tríplice é comum. Na USP, o reitor João Grandino Rodas foi o segundo na eleição e depois foi nomeado pelo então governador José Serra (PSDB) em 2009.
Professores e estudantes afirmam que, na PUC, o grão-chanceler segue a tradição de homologar a decisão da eleição realizada internamente.
"A nomeação de Cintra é um desrespeito à tradição democrática da PUC", diz o estudante Stefano Wrobleski, 22, membro do centro acadêmico do curso de jornalismo.
Anna Cintra é graduada em letras clássicas pela PUC-SP e doutora em linguística pela USP. Foi vice-reitora acadêmica, presidente da Comissão Geral de Pós-Graduação, diretora-geral do Centro de Ciências Humanas e chefe do Departamento de Português da PUC. Hoje, leciona no programa de Pós-Graduação em Língua Portuguesa.
ELEIÇÃO
A nova reitora havia questionado o resultado das eleições, devido à anulação de cerca de 300 votos. Segundo a PUC, os votos questionados foram considerados no resultado. Mesmo assim, o mais votado foi o atual reitor.
Alunos dizem que a professora assinou um documento se comprometendo a não assumir o cargo, caso fosse nomeada. Ela não se pronunciou.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Eu defendo a permanência da UNIFESP em Guarulhos!


Em respeito a democracia, publico as duas opiniões sobre a questão da permanência do campus da UNIFESP em Guarulhos. Eu defendo a permanência da UNIFESP em Guarulhos!

Contra o preconceito - porque essa visão de que a presença da universidade em uma região da periferia (em crescimento economico e social), não é boia para universidade só cola para visões elitistas, brancas e retrogradas;

Contra a segregação social - a posição dos que querem a saída do campus fere a proposta de democratizar e ampliar os muros da universidade que deve viver e vivenciar a realidade da população para assim estar a serviço dela;

Contra o elitismo - pois o campus da Unifesp poderá contribuir mutuamente através do tripé ensino-pesquisa-extensão na região podendo contribuir para um novo desenvolvimento social local no Pimentas, em Guarulhos e na região do Alto Tiete.

Esta luta pela universidade pública em Guarulhos vem das lutas do movimento estudantil da década de 1980, na retomada da democracia no Brasil e em Guarulhos passando pela luta dos estudantes secundaristas na UGES, todas as conferencias municipais da educação desde 1997 afirmam e reafirmam que Guarulhos quer e precisava de uma universidade pública, passando pela luta dos Cursinhos comunitários e reivindicações nas edições do Orçamento Participativo.

Uma luta de 30 anos não pode morrer e nem recuar! O campus da Unifesp FICA!

Boa leitura, para os que pensam no povo, em uma universidade a serviço da sociedade e de Guarulhos!



Unifesp
07.08.2012 19:20
Mudar o campus de lugar não é a solução
Em meio à recente crise enfrentada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), oprofessor Janes Jorges defende, em artigo enviado a CartaCapital, que a distância do campus da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) não é a causa dos maiores problemas da instituição. Para ele, a falta de infraestrutura na unidade da Unifesp é mais relevante, e os alunos, docentes e funcionários precisam se unir para encontrar saídas mantendo a universidade na região, pois a Unifesp poderia ser um motor de desenvolvimento do bairro Pimenta, em Guarulhos. Confira o artigo abaixo:
Por Janes Jorge*


Os alunos da Unifesp reclamam da distância do campus de Guarulhos e da falta de infraestrutura. Foto: Olga Vlahou
Neste ano de 2012, professores, alunos e técnicos administrativos têm discutido intensamente os graves problemas enfrentados pela Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Inúmeros fatores são apontados como causadores da chamada “crise da EFLCH”, embora o próprio entendimento do que seja a tal crise varie bastante na comunidade universitária, bem como a melhor forma de superá-la. O objetivo deste texto é discutir em que medida a localização do campus é um fator agravante ou provocador dos problemas da EFLCH. A tese aqui defendida é a de que a crise não decorre de fatores geográficos – localização e características do entorno – e que sua presença no bairro Pimentas, em Guarulhos, não compromete sua excelência acadêmica, além de ser um fator de desenvolvimento social, político e urbano da Região Metropolitana de São Paulo.
É preciso ressaltar que ao se decidir pela localização do campus da EFLCH não se deve ter no horizonte perspectivas e interesses de curto prazo, embora eles sejam os que parecem ter maior sentido do ponto de vista individual. Houve um tempo que o belo campus Butantã da USP era um local isolado e distante para muitos, assim como o campus da Unicamp. Por outro lado, mudanças de endereço de campi não são estranhos à vida universitária, como a própria história da FFLCH/USP indica – embora a mudança de endereço da Faculdade de Direito da USP do Largo de São Francisco não tenha prosperado.
Uma correlação mecânica entre a chamada crise da EFLCH e o bairro Pimentas transfere a responsabilidade da situação para uma agente exterior ao mundo universitário. Neste caso, o fator provocador não decorre mais da estrutura universitária e da ineficiência com que professores e alunos atuam dentro dela ou de sua incapacidade em transformá-la. É transferida, mesmo que involuntariamente, para o bairro popular.
Há a necessidade de evitar a ilusão de que bastaria mudar a localização do campus para que os problemas da EFLCH acabassem, pois isso poderia gerar nova frustação caso eles se repetirem alhures. O mais provável é que se os problemas não forem discutidos em sua complexidade e enfrentados coletivamente, a mudança apenas alteraria o endereço de grande parte deles. Os problemas de licitação e a precariedade do campus, as greves de alunos e professores, as dificuldades de diálogo na EFLCH e na Unifesp não são decorrentes do local do campus. As dificuldades de transporte sim. Mas, neste caso, deveriamos deixar o local ou contribuir para que tais dificuldades sejam superadas em benefício da comunidade universitária e da vizinhança, mesmo tendo como horizonte um período de tempo mais longo?
É compreensível que professores e estudantes que enfrentam, há anos, todo o tipo de dificuldade estejam desanimados e furiosos, ou mesmo saturados de debates. Ainda mais depois de um semestre conflituoso – embora também de conquistas, como as novas áreas para o campus. Mas, começar do zero em outro local, sabe-se lá onde, não parece a melhor saída.
Um bom argumento, talvez central, para que a EFLCH permaneça em Pimentas vem da necessidade de construir uma metrópole mais igualitária em todos os sentidos. Como é necessário expandir o ensino superior público na Região Metropolitana de São Paulo, que tem cerca de 20 milhões de pessoas, ou 10% da população brasileira, é recomendável do ponto de vista da justiça social e do desenvolvimento urbano que as universidades ocupem lugares antes preteridos da metrópole, como os seus extremos. Em geral, urbanistas e geógrafos concordam que é preciso criar “novas centralidades”, algo benéfico para toda a metrópole, inclusive para suas áreas privilegiadas que hoje também enfrentam graves problemas de mobilidade urbana e segurança.
Não é mais possível desenvolver a Região Metropolitana de São Paulo concentrando ações e recursos em áreas historicamente beneficiadas pelo poder público, ocupadas preferencialmente por segmentos de classe média alta da população. É preciso conectar a periferia à periferia. Seria irônico que a universidade pública, autora de tal diagnóstico em inúmeros estudos, aja contrariamente ao que recomenda à sociedade. Quanto à região central da cidade de São Paulo, talvez sua melhor vocação, hoje, seja a moradia.
A expansão da Unifesp na Grande São Paulo e cidades próximas responde a essa necessidade de democratização da metrópole. Ao desenvolver nestes locais uma estrutura universitária pública, amplia-se a consciência crítica e cidadã. Um exemplo são os professores da EFLCH em conselhos municipais de Guarulhos e participando de outras iniciativas municipais. Essa interação é tensa por interferir diretamente em conflitos locais, mas é também transformadora.
Guarulhos é a segunda cidade mais importante da Região Metropolitana. Quando a EFLCH funcionar plenamente poderá, então, polarizar toda a área leste e norte da Grande São Paulo, além de parte do Vale do Paraíba. São milhões de pessoas, dezenas de cidades. Devido à precariedade do transporte público, seguramente não é o campus ideal para o aluno ou professor que vive nas zonas Sul e Oeste de São Paulo, mas a situação é melhor para o paulistano da Zona Leste e Norte, ou de Itaquaquecetuba. Cabe, por fim, lembrar que nas zonas Leste e Norte de São Paulo e em parte de Guarulhos existem bairros de classe média alta. Futuramente, eles poderão servir de moradia a professores e alunos.
A EFLCH e o bairro Pimentas
Nas últimas décadas, o bairro Pimentas teve mudanças positivas, segundo seus moradores. E foi, sem dúvida, a nova conjuntura econômica nacional e os investimentos municipais que alteraram a região. O campus não causou a valorização imobiliária de que muitas vezes foi acusado, pois ela ocorreria de qualquer forma.
Por outro lado, a presença da EFLCH no bairro foi benéfica. Escolas da região recebem alunos do campus e professores da rede pública vão para a EFLCH, além de docentes da Unifesp que se engajam em atividades de pesquisa e extensão. Mais uma vez, tendo-se o curso de história como referência, é possível afirmar que os resultados são promissores. Evidentemente isso poderia ser feito mesmo que a universidade estivesse em outra região de São Paulo, mas é inegável a diferença de estar localizado em um bairro popular e ir a uma destas regiões realizar atividades de extensão. Neste caso, o compromisso com a realidade local se impõe de forma inescapável, pois a comunidade universitária trata de seu próprio destino.
O campus também traz recursos para o bairro: atrai investimentos e atenção do poder público (federal, estadual e municipal), cria empregos para moradores da região, ajuda a movimentar o comércio, o aluguel de residências, etc. Em longo prazo, pode criar dinâmicas que ampliem as opções culturais e as perspectivas da população local, tornando o bairro mais heterogêneo e diversificado. Salvo engano, quando o quadro de professores estiver completo serão cerca de 250 docentes, centenas de funcionários e milhares de alunos de diversos locais diferentes. Muitos deles estarão pela primeira vez em um bairro de origem popular.
De nada adiantaria, porém, a EFLCH ser benéfica para o desenvolvimento de São Paulo e para o bairro Pimentas se não fosse capaz de produzir conhecimento de qualidade. Tendo como parâmetro a área de história – faltam dados e conhecimento para analisar as demais – isso vem ocorrendo plenamente. O curso de História está entre os melhores e mais difíceis de São Paulo. Há alunos concluindo a faculdade e disputando com êxito o mercado de trabalho e a pós-graduação, o que deve se expandir de forma acelerada.
O departamento também tem realizado encontros acadêmicos periodicamente, apesar de todas as dificuldades. No primeiro semestre houve, inclusive, um encontro internacional exitoso. Professores e alunos têm seus projetos aprovados pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e convênios com instituições importantes, como o Arquivo Público do Estado de São Paulo. Além disso, enquanto houve aulas os grupos de pesquisa se reuniram periodicamente. Em julho, estudantes de História acolheram no campus e no CEU o Encontro Nacional dos Estudantes de História, que contou com cerca de 450 participantes, a maioria de fora de São Paulo.
Alguns apontam os índices de evasão dos alunos da EFLCH como a prova cabal de que o campus é inviável no bairro Pimentas. Evidentemente, a precariedade do transporte público e, em especial, a ausência de uma estação de metrô na região causam grandes prejuízos a estudantes, técnicos administrativos e professores, além da população local. Contudo, não é possível correlacionar tão imediatamente um suposto “isolamento” do bairro e as taxas de evasão, pois há outros problemas afetando a vida dos estudantes.
Uma possibilidade, talvez mais provável, é a de que os alunos se desanimam ao chegar a um campus sem condições adequadas de estudo e convivência acadêmica e não pela distância geográfica. Portanto, somente se a EFLCH estivesse plenamente instalada seria possível fazer essa correlação entre evasão e distância. Por outro lado, o simples arrolamento estatístico da evasão não explica as suas causas. Para isso, são necessários estudos qualitativos, pois a evasão pode decorrer de inúmeros fatores, alguns até mesmo positivos, como maiores possibilidades de escolha por parte dos estudantes.
Ainda que seja uma deficiência gravíssima de solução complexa, alunos, professores e técnicos administrativos não são passivos diante da precariedade da rede de transportes públicos. Procuram soluções como os fretamentos e caronas, nem sempre saídas ideais. Por isso, a luta pela instalação de uma estação de metrô próxima ao campus é um sonho possível que devia começar a ser construído imediatamente. Esse objetivo poderia, inclusive, congregar a comunidade universitária e a população do bairro e arredores. Embora promissor, é necessário aguardar para avaliar a qualidade do sistema Orca recém-conquistado.
Além disso, é interessante observar como o sistema de caronas entre professores – que funciona relativamente bem -, não deixa de estreitar os encontros e conversas com os colegas, indicando que o enfrentamento conjunto das dificuldades pode ter efeito agregador e construtivo.
Novo campus: novas promessas e novos problemas?
É possível que algumas pessoas que pensam na saída do bairro Pimentas como solução para os problemas da EFLCH idealizem o novo local a ser escolhido. A situação começaria a mudar de figura quando o novo local fosse indicado. Seria o momento em que os problemas dele começariam a aparecer. Por exemplo, será que ele seria mais próximo que o atual para estudantes e professores? E para os técnicos-administrativos? Haveria verba garantida para essa operação? O governo federal apoiaria a medida? E o governo municipal da nova cidade escolhida, apoiaria? Mesmo que fossem de partidos políticos diferentes às vésperas de uma eleição presidencial? E a Unifesp aceitaria uma EFLCH na cidade de São Paulo?
É difícil acreditar que, se a estrutura universitária não foi capaz de oferecer um prédio novo para a EFLCH, possa rapidamente disponibilizar todo um campus novo, sem problemas de infraestrutura e bem localizado. Não se corre o risco de iniciar um novo ciclo de reivindicações do zero, tendo que refazer todas as relações que, bem ou mal, já existem em Guarulhos – desde o cadastramento de escolas para a licenciatura até contatos com o poder municipal? E, mais grave ainda, não se corre o risco de perder tudo o que foi conquistado no primeiro semestre sem qualquer garantia de haver algo melhor em outro lugar? Parece um risco alto demais.
Diante do que foi dito acima, acredita-se que a EFLCH, que já tem uma bela história de lutas, conquistas e realizações em Guarulhos, permaneça unida no campus atual, preparando-se para sua expansão com novos cursos e alunos, encontrando seu lugar na Unifesp, na metrópole e no universo do conhecimento.
*Professor-doutor de Teoria da História da Universidade Federal de São Paulo. É autor do livro Tietê – O Rio que a Cidade Perdeu, e, com outros autores, de Paulicéia Afro: lugares, histórias e pessoas.

Ensino Superior
27.07.2012 14:16
A Unifesp e as soluções provisórias
A crise na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) continua se agravando. As reclamações quanto as condições do campus de Guarulhos, na Grande São Paulo, e os planos que a reitoria têm para mantê-lo no bairro dos Pimentas incomodam professores e estudantes. No artigo abaixo, Juvenal Savian, coordenador da Pós-Graduação em Filosofia da Unifesp, explica as reivindicações dos professores da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. “Em 2006, tentou-se fundar um campus ‘na’ periferia, mas esse campus não deve ser necessariamente ‘de’ periferia”, escreve o professorAqui você pode ler o dossiê “A crise da Escola de Humanidades da Unifesp e sua permanência no Pimentas”.
Por Juvenal Savian*
A Unifesp está prestes a alugar um prédio industrial pertencente à empresa Stiefel a fim de ali instalar parte da EFLCH (Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), Campus Guarulhos (Bairro dos Pimentas), enquanto durarem as obras do campus definitivo. O prédio da Stiefel foi projetado para ser ventilado por um sistema de ar condicionado central que requer atualmente adaptação. A empresa recusa-se a fazer a adaptação, propondo que a Unifesp a faça. Esta, por sua vez, diante de uma soma que pode chegar a 2 milhões de reais, considera a hipótese de alugar o prédio sem ar condicionado.
http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/07/Unifesp1-300x199.jpg
Sem espaço. Aluno de Filosofia reclama da ausência da infraestrutura. Foto: Olga Vlahou
Eis apenas um elemento do conjunto de soluções provisórias adotadas pela Unifesp para resolver a crise da EFLCH. Não se pode negar o empenho da Reitoria e da Direção do Campus, mas tais soluções são inadequadas ao funcionamento de uma faculdade cuja vocação são a alta pesquisa, a docência superior e a extensão. Há certamente um grave problema de assessoria no governo federal e na Unifesp. Prova-o o fato de que essas instâncias, ao analisar a crise da EFLCH, têm se concentrado em medidas de circunstância e em aumentar a segurança no campus, temendo as ocupações costumeiras do movimento estudantil. Mas negligenciam a tensão existente entre o bairro e o campus, o problema insolúvel de acesso (a menos que houvesse algum colossal projeto ferroviário ou metroviário), o isolamento cultural do campus etc.
Há indícios de que atuam no campus não apenas diferentes grupos estudantis, mas também outros movimentos, de ideologia “extremista” e estabelecidos há mais tempo no bairro. Esses grupos conduzem, junto com alguns estudantes, a um enfrentamento das instâncias administrativas da universidade e sobretudo do corpo docente. Como dizem, os docentes são elitistas, burgueses e oferecem formação inadequada, porque seu projeto é fundar uma universidade popular, com partilha dos bens do campus. Há também o incômodo explícito de algumas autoridades do governo federal e municipal com o fato de a EFLCH não levar progresso ao bairro nem assistência social. Alguns docentes chegaram a assimilar essa consciência missionária, mas todos têm de admitir agora que a Unifesp só levou especulação imobiliária ao bairro e mais acepção social, porque sua formação beneficia 90% de estudantes que não vêm de lá. Por outro lado, ela é profundamente excludente, pois sua localização dificulta o acesso à imensa maioria de seus estudantes, facilitando-o apenas aos que moram no seu entorno.
À revelia de todos os problemas e tendo mesmo que lutar para justificar sua existência, o corpo docente da EFLCH tem feito o impossível para corresponder às elevadas exigências a que é exposto. Mas tocou-se o limite. As soluções provisórias são inadequadas e mesmo o projeto do novo campus já contém problemas. Todavia, reservam-se cerca de 50 milhões de reais para esse projeto, quase o dobro do orçamento anual de subprefeituras paulistanas como Pinheiros e Campo Limpo. Na contrapartida, há, na Praça da República, centro de São Paulo, prédios inteiramente apropriados para ensino e pesquisa em humanidades, com boa estrutura e por um terço desse preço.
A EFLCH foi criada para pôr em prática um Projeto Acadêmico específico; não foi criada para um bairro. E não se trata de falar de periferia ou de centro, pois em qualquer lugar onde não haja cultura formal, com acesso dificultado e ideologia de enfrentamento, não cabe um campus universitário. É preciso analisar a conveniência de a EFLCH continuar onde está. Em 2006, tentou-se fundar um campus “na” periferia, mas esse campus não deve ser necessariamente “de” periferia.
*É Coordenador da Pós-Graduação em Filosofia da Unifesp

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Um convite necessário, lembrar é resistir!

Respeito aos que lutaram, vai Carlos ser Marighella na vida!

Abaixo a ditadura militar,
Abaixo a ditadura do mercado!

Ontem, hoje e sempre
enquanto houver opressão, haverá resistência!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Seu Jorge recita "Negro Drama", dos Racionais

É a vida, só a luta muda essa vida!

É hora de reposicionar as peças do jogo. Mas antes saber o que está em jogo?



Terminou a festa da democracia. Resultados já dados, festas já passadas, descansos merecidos e retomada da vida diária. Isso poderia ser o cenário da trajetória normal da política tradicional brasileira.

Porém para uma parte dos que se dedicaram, debateram e apresentaram propostas para população partem para uma nova jornada: disputar a sociedade com as condições em jogo.

Há setores hoje no PT já em olho em 2014 e outros em 2016. Projetos para o futuro só deveriam ser traçados e determinados pelo presente, mas há quem já sonhe com a próxima cadeira que quer se sentar.
Para nós da esquerda socialista brasileira os caminhos que existem são os que estão colocados já faz um tempo:
  • 1)      Disputar as eleições no marco das regras atuais, ocupar espaços institucionais e seguir na resistência e no fortalecimento de movimentos contestatórios a ordem vigente;
  • 2)      Envolver-se nas entranhas do movimento sindical e fazer de lá, com todos os seus problemas, um espaço a ocupar, sobreviver e resistir;
  • 3)      Organizar-se nos movimentos sociais e populares, sobrevivendo pelas beiradas da institucionalidade, das organizações não governamentais e mandatos parlamentares. Correndo riscos de todo tipo nos enfrentamentos e conflitos sociais.

Todas as alternativas de lutas estão aí sendo realizadas, sem demérito ou crise com a forma. O que importa agora é saber de fato o que se quer e qual é a perspectiva pela frente.

Qualquer escolha depende do grau de organização dos militantes e da sua evidente sobrevivência econômica, uma vez que o modelo de partido que Lênin previu não cumpre mais esse papel para agremiações como o PT ou Psol que repartem a partir das forças internas seus militantes liberados. Ou quando o partido de quadros persiste em existir as formas mais fechadas e que são mais rígidas na escolha dos seus militantes organizadores como Pstu, Pcb e PcdoB.

E qual acúmulo social queremos e para onde? Estas duas perguntas vivem de respostas vagas e  beirando o oportunismo de quem já está estabelecido em seus cargos, portanto se não for feito de forma seria, com uma análise partindo do estudo, da vivencia e da certeza do sacrifício que a organização esta disposta a fazer nenhuma resposta é sincera.

Mesmo o crescimento do PSB não foi um definidor da vitória dos “socialistas”, pois parte dessa vitória é debitada na conta de Eduardo Campos (governador do Pernambuco) que com o sonho em chegar ao Palácio do Planalto dialoga inclusive com o playboy-tucano de Minas Gerais, Aecio Neves. O PcdoB recuou na linha programática e amargou derrotas, a maior em Porto Alegre foi dada pela trágica linha da candidata sem bandeira ideológica como se definia Manuela. O Psol será testado na administração pública no governo do Macapá, e já foi derrotado no quesito alianças pois ao ser eleito até com o DEM no Amapá joga de lado a “unidade da esquerda contra o Pt e o Psdb”, vive uma crise de identidades onde diferente (mas não tanto), no RJ o efeito Marcelo Freixo é mais ligada ao bom mandato que possui do que a força organizada do Psol no estado, vamos ver como se comporta a bancada de quatro vereadores.

Hoje para nós da Esquerda Popular Socialista (EPS) há algumas certezas sobre porque construir o pensamento socialista no PT, organizar a resistência ao capitalismo e manter-se na luta popular e institucional. São elas:

  • a)      O PT ainda é a força eleitoral e popular que agrega parte significativa dos setores populares, comunitários e sociais nas cidades, reúne um sentimento de compromisso com os mais pobres ao mesmo tempo tem essa idéia de “partido que se preocupa com o social”, exemplo disso é a votação expressiva na cidade de São Paulo nos extremos;
  • b)      Quando há o confronto entre idéias que buscam romper com o velho Estado nacional tradicionalista e patrimonialista, seja na defesa das cotas raciais e sociais nas universidades, nas políticas para mulheres, direitos para a população LGBT, liberalização da maconha, enfim, as vozes mais atrasadas da sociedade se levantam, acusam e taxam o PT como se fossemos ungidos de um “lugar do mal” para acabar com a “santa aliança moral”. Esse confronto de idéias ainda nos posiciona como setor progressista e de pensamento avançado de sociedade;
  • c)       A qualidade das políticas públicas e da atuação parlamentar continua sendo referencia na sociedade brasileira;
  • d)      Estamos ainda com raízes nas lutas sociais, nas entidades de categorias e na luta sindical, sendo que causamos as polêmicas necessárias, as mobilizações necessárias e estamos presentes em movimentos onde mesmo hostilizados pela posição partidária, somos respeitados como militantes.
  • Por isso é preciso superar a “vergonha” de 2005. Para quem não conhecia essa diferenciação interna no PT nós já combatemos os mesmos acusados pelo “mensalão” em outros encontros internos, já enfrentávamos o desvio de nossos princípios e ideais e, portanto não nos cabe ter problemas de consciência moral e sim de enfrentar o debate político.

O Supremo Tribunal Federal mostra a sua parcialidade diante de uma constituição que é objeto histórico da conciliação entre as classes, e claro quando chamada a enfrentar grandes polêmicas pode ser tão progressista quanto atrasada, dependendo de cada cabeça . Ingênuos ou não provamos que nossas indicações ao STF não foram para privilegiar ninguém, pois é o PT o partido que está no banco dos réus e não o processo 470.

Reposicionar o jogo da disputa pela sociedade é reafirmar nosso compromisso com a luta socialista, buscando meios de construir a revolução social e popular, unir as forças progressistas, democráticas e revolucionárias que querem romper com o velho Brasil patrimonialista, clientelista, moralmente atrasado, elitista e de classes.

Reposicionar o jogo é romper agora com as velhas picuinhas da esquerda ou a velha necessidade de saber quem tem a verdade. Quem insistir nesse não-método esquerdista vai ficar só, sozinho mesmo, pois alguns debates precisam ser feitos com a população e não com guetos ou grupos dos “mesmos”.
Reposicionar o jogo é não ter medo de ter posição.

Reposicionar o jogo é saber o tamanho da nossa força, o que acumulamos no período e como poderemos sustentar nossa força ou nosso crescimento.

Aqui me dirijo aos companheiros/as que disputaram as eleições de 2012, onde é momento de fazer um balanço do que cresceu em nossa tática, o que mantemos para manter viva nossa organização e  do que não foi possível conquistar. E claro, o que queremos conquistar.

O que está em jogo são os elementos que nos fazem permanecer e continuar a luta revolucionária no PT.

Agora é preciso organizar, preparar, visitar, cativar, cuidar e construir as bases para um novo período que pode ser constituído pela hegemonia do lado de cá, só depende de nós!

Wagner Hosokawa
Militanto do PT de Guarulhos e da EPS.

Vitória do PT e aliados, a certeza da governabilidade da cidade com Almeida!

Mais de 60% dos votos válidos. A oposição pode chiar, a imprensa local pode chamar a população de incapaz de escolher, mas a verdade é uma só: elegeu-se o projeto mais adequado a governar a cidade, no momento.

Dizer que a culpa foi do medo não condiz com o clima da última semana. Inclusive os "cães raivosos" do oponente deveriam ser colocados numa celinha e substituídos por pessoas que possam promover diálogo com a população. Foi um show de xingamentos, vozes roucas, acusações, enfim, a baixaria é a marca do oponente.

Guarulhos é uma cidade que vive presa aos velhos paradigmas do passado, um tradicionalismo besta ligado a velha sombra de ser ex região administrativa da capital que formou uma elite falida, pouco capaz de produzir um representante político a altura e incapaz de governar a cidade sem se lambuzar com a corrupção, não importa a sua proporção será corrupta.

Do outro lado vive um momento importante de crescimento vivido (e inconteste, como guarulhense e militante que correu o mundo nas escolas de nossa cidade), que foi fruto do investimento público em serviços, novos espaços culturais, nova cultura habitacional, educacional, mesmo na saúde (criticada aqui em todos os lugares do Brasil), são visíveis a vinda de novos profissionais no setor público e privado. Finalmente a vinda de algumas lojas de porte não são recebidas com a chave da cidade como fez o falecido (e esquecido), prefeito Nefi Tales em 1997 ao dar a chave da cidade para o gerente do Mc donald's na av. Tiradentes. Imagine se fizéssemos isso com o fran's cafe, armarinhos fernandes, poupe-me...que venham, aqui o desenvolvimento chegou e tem nome e rg.

O governo do PT não superou certas contradições da política brasileira como as alianças para governanr e vencer eleições, as vezes percebo até certo "petismo" nos olhos de um aliado, com mais vigor do que certos "companheiros" que vejo na sede e na vida do partido.

Vencer o quarto mandato leva a várias análises, inclusive as catastróficas. A eleição do companheiro Almeida foi para o PT um teste, um teste ruim de uma nova lógica interna: do chantagismo eleitoral!

Montou-se um central de inverdades e análises de botequim. Muitas jogando o governo e o companheiro prefeito para baixo! Impondo derrota no segundo turno e se chegasse ao segundo turno não teria folego para chegar ao final...

Pois bem, todos que apostaram nisso falharam. Vencemos bem no primeiro turno ao ponto de faltar poucos 2 mil votos para encerrar esse período. Novamente testados na urna no segundo turno vencemos com mais de  60% dos votos e o nosso adversário perdeu de forma vergonhosa (com menos votos que da última vez que disputou conosco em 2008).

Quem ganha com isso? Não é o PT e nem a cidade!

O quarto mandato dá ao PT e seus aliados uma condição tranquila de construção do quinto mandato por diversos fatores:

1) Almeida terá tranquilidade para governar, pois não é candidato a reeleição e governar bem agora é  construir uma vitrine para 2016;

2) A cidade tem atraído grandes investimentos de grande, médio e pequeno porte, basta administrar bem interesses, principalmente da população para que haja resposta popular;

3) Com a parceria através do governo Dilma a cidade continua com as grandes obras e investimento social, as eleições de 2014 apontam para sua reeleição, uma vez que alcança picos de 70% de aprovação da sua atuação a frente do governo federal;

4) Manter-se no meio da população, ir às ruas e bairros, sem perder essa relação popular através não só dos meios participativos mas principalmente participar da vida da cidade;

Estas condições básicas podem construir uma passagem tranquila para o quinto mandato, tendo sempre que responder a grande pergunta que fará sempre a população: "Porque manter nosso partido frente da responsabilidade de governar a cidade?"

Essa resposta precisa ser respondida com a militância, a mesma que foi convocada para sair as ruas para pedir os votos. É a mesma que dará essa resposta e a governabilidade!

(Sobre o debate socialista e a luta dos trabalhadores é preciso maior análise, caminhando nas ruas é perceptível que a massa popular reconhece isso no PT. Falta a nós militantes da esquerda socialista saber penetrar, dialogar e não abandonar a relação comunitária, diária e necessária com nosso povo para aí saber como construir um projeto político hegemonico de cidade e de sociedade, e não apenas ser um "bom governo" sem identidade político-ideologica e sem organização política para as lutas reais do povo)

Wagner Hosokawa
é militante do PT e da Esquerda Popular Socialista (EPS)
e mestre em Serviço Social pela PUC/SP

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Leiam: Stédile: Esquerda sectária faz jogo da direita


Prefiro deixar a matéria falar por si. Tem muito militonto metido a esquerda mais preocupado em manter sua vidinha de renda média e criticar tudo a que construir a luta...


publicado em 24 de outubro de 2012 às 20:52
Para Stédile, esquerda sectária faz jogo da direita


O candidato do PT à Prefeitura de Fortaleza, Elmano de Freitas, participou, na manhã desta sexta-feira (19) de uma mesa de debates com os movimentos sociais da cidade. Com o tema “Análise política nacional e perspectivas para Fortaleza”, a mesa foi realizada no Centro Frei Humberto e contou com a participaçãode João Pedro Stédile, membro da Coordenação Nacional do MST.

Primeiro a falar, Stédile fez uma rápida análise conjuntural das eleições deste ano, à luz da luta de classes no país. Ele criticou de forma veemente os grupos de esquerda que se deixam levar pelo sectarismo e esquecem da importância de disputar as instituições de poder com a direita: “O sectarismo é como se fosse o pentecostalismo da esquerda: são pequenos grupos que se agarram a defesa de uma leitura doutrinária da teoria e esquecem de fazer as disputas institucionais da luta de classes. Não por coincidência são grupos formados pela pequena burguesia, que não tem problemas objetivos para resolver na luta de classes, então se dão ao luxo de ficar apenas pregando a ideologia”, afirmou.

Para o companheiro, essa falta de perspectiva de luta real pelas instituições faz com que esses grupos se acomodem ao discurso do voto nulo ou, ainda pior, passem a torcer por vitórias da direita, quando suas candidaturas não têm chance de vencer: “É uma vergonha para a esquerda alguém como o Plínio defender o voto no Serra contra o Haddad”, exemplificou.

E continuou: “Isso é tudo o que a burguesia quer. Deixar os trabalhadores lutarem por terra, trabalho, moradia enquanto ela cuida do dinheiro público, que nada mais é do que a mais-valia geral que o Estado recolhe na forma de impostos”, concluiu.

Segundo Stédile a única maneira de transformar a luta de classes em uma luta permanente e acumular forças para a classe trabalhadora é combinar a luta de massas dos movimentos sociais com a luta institucional. Para finalizar, o companheiro listou as cinco principais batalhas que a esquerda vai travar neste segundo turno, que na sua opinião são São Paulo, Contagem, Belém, Salvador e Fortaleza.

Sobre o pleito de Fortaleza, Stédile afirmou que a eleição de Elmano é fundamental para frear a aliança entre Aécio Neves e Eduardo Campos — que é a nova aposta da direita brasileira, frente ao esfacelamento dos partidos conservadores tradicionais — e para lutar contra a oligarquia dos Gomes no estado.

“Por isso, se tem uma coisa que eu gostaria de pedir para vocês é: não durmam até o dia 27. Arregacem as mangas, porque parte do futuro do país, parte do que vai acontecer em 2014, começa a ser decidido aqui”, finalizou.

Durante sua fala, Elmano mostrou muita confiança na vitória, principalmente pelo crescimento da candidatura petista entre os segmentos mais pobres da cidade. O candidato, porém, disse que espera uma disputa muito embolada até o final e fez coro com Stédile no chamado à militância para estar nas ruas até o último dia da campanha.

Para Elmano, o segundo turno tem servido para deixar bem claro que a candidatura do PT representa os interesses dos mais pobres na luta de classes local, enquanto a candidatura adversária representa os interesses da elite política e econômica local. Essa divisão ficou bem clara na última pesquisa do Datafolha. No segmento com renda familiar mensal superior a 10 salários mínimos, a intenção de votos do candidato do PSB é de 67%, contra 33% do petista.

Já entre aqueles com rendimento familiar mensal de até dois salários mínimos, o petista abre 10 pontos de diferença: 55% a 45% dos votos válidos, em uma população formada majoritariamente pelas classes C e D.
Elmano falou ainda sobre a importância dos oito anos do governo do PT em Fortaleza para a melhoria de vida da população mais pobre, com a construção de moradias, a diminuição do número de áreas de risco, a melhoria da cobertura do sistema público de saúde, entre outras conquistas.

De acordo com o candidato, uma das maiores conquistas do governo do PT foi o aumento da participação da população na discussão das prioridades do município, com o Orçamento Participativo, do qual foi coordenador.
“Eu quero ser prefeito para abrir uma nova etapa na consolidação do nosso projeto político, avançando na participação popular e na relação com os movimentos sociais. Quero que essa cidade seja ainda mais uma referência de governo de esquerda e de governo comprometido com a melhoria da qualidade de vida da população mais pobre”, concluiu.