terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O golpe do Regime Próprio e a inércia das oposições


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Com a confirmação da "aprovação por unanimidade" do Regime Próprio dos servidores públicos da prefeitura de Guarulhos (SP) sem nem uma audiência pública ou parecer público das comissões da Câmara de Vereadores (principalmente das do funcionalismo e de constituição e justiça), enfim vence a força de um governo fraco. Incrível como meu partido, o PT, entregou-se de corpo, alma, barba, cabelo e tudo mais nessa votação sem emitir uma nota ou pelo menos garantir o debate regimental previsto.

Uma votação de urgência. Mais uma que o governo fraco consegue diante de (evidente) uma oposição fraca.

E o que estava em jogo?

Em jogo está uma imensa massa de servidores públicos celtistas que agora passarão a contribuir, sem exceção, 11% descontados para o sistema de previdência municipal (IPREF) justificado com todo o blablabla sobre a determinação de lei federal, que "tem que ser assim e seguir as leis", leis que não se fazem presente nas urgências da população.

Há problemas relacionados aos compromissos: haverão novos concursos que renovem os locais de trabalho e de atendimento direto à população? Pois, só há aposentadoria num regime previdenciário como este se houver renovação do quadro de pessoal, inclusive para manter o atendimento ao público. Num contexto de terceirização, privatização e entrega dos serviços públicos para "competentíssima" iniciativa privada, que nunca erra e nunca deixa a população na mão, haverá renovação de quadros no serviço público? E não havendo quem paga a conta dos futuros aposentados (as)? Simples. O orçamento direto e os próprios segurados. No futuro, qualquer ataque aos servidores públicos terá como pano de fundo "os custos de aposentadoria" que se deficitário, sairá do orçamento direito da prefeitura.

Os fundos de pensão ou regimes complementares são ainda lugares de baixo controle, e a lei aprovada dá a "instituição pública" vencedora da gestão do regime complementar plenos poderes, inclusive da forma como se dá o controle público. Ou seja, o que não está na lei, abre muitas dúvidas.

A felicidade das garantias do regime estatutário podem parecer um "pote de ouro" no final do arco-iris, mas cuidado, os benefícios adquiridos agora precisam de maior observação e fiscalização para que os "erros nas contas" não levem muitos servidores municipais a serem empurrados para as filas da "revisão de benefícios, já que nem a entidade sindical ( que deveria proteger os trabalhadores/as se manifestou, ou melhor, manifestou-se a favor do projeto) não apontou se fará plantão - pelo menos - aos associados (as) para tal.

O projeto aprovado fala pouco de direitos, explica pouco algumas transições e fala muito de regime complementar. Entendo que é uma novidade, mas pensando bem, há muita cautela para gerir um fundo previdenciário que terá um montante considerável de recursos.

Nem todo alarde por outros grupos, associações e coisas e tal contribuíram efetivamente para enfrentar o projeto como ele deveria - em termos de luta política em defesa do serviço público - pois promessas de esclarecimento e rodadas de diálogo foram esquecidas e nem sequer um alerta foi feito quanto a necessidade de nos deslocarmos para "casa de leis" para (pelo menos) acompanhar o projeto. Foi uma articulação de gênio? Ou o melhor "passa-moleque" nunca antes visto na política dessa cidade? O tempo dirá.

Reclamações a parte, antes que venham encher o meu saco, fiz o que pude, e não sozinho. Participei de reuniões, articulei, fiz propostas, mas como um bom soldado. Não levei ao partido, até porque tinha certeza que as "cabeças pensantes e iluminadas" dariam conta de pelo menos propor o debate.

Enfim errei. Melhor errar do que ser traído. 

Traído pela entidade sindical a qual me associei, como bom militante. E onde não percebem o risco de ver sua nobre estrutura sindical ser engolida pelo desencanto, desânimo, indiferença e pela progressiva morte do serviço público, coma  aprovação do Regime Próprio a porta do "cada um por si" foi aberta e alguns dirão: "para que sindicato, se há garantias estatutárias e benefícios" e clube já há vários. Lembrem-se das carreiras em extinção na prefeitura. E não vou negar, em termos de gestão pública, os servidores públicos não foram a parte da classe trabalhadora mais respeitada nem antes, nem nos governos do PT (com algumas oscilações) e nem agora. (Não tenho problema com a critica, fiz sempre internamente e sigo fazendo para manter o debate)

E aqui valer a lição: "quem erra na análise, erra na ação" 

Vamos ver a disposição de luta da categoria. Contra o RJU não começou por onde deveria começar (pela sua "legitima" representação) e este projeto agora crava um ferro que manterá uma ferida aberta. 

Com tanta coisa para se preocupar no plano nacional e internacional, será que há um projeto alternativo de cidade? Um plano de governo alternativo para prefeitura e seu papel na relação com a sociedade? Como nessa votação não há oposição, talvez não haja mesmo um projeto que no centro atenda a população e a potencialize para ocupar o centro do poder.

O governo? Ora o governo queria, fez afagos e está feliz.

Também saberemos o que há por baixo da pele de cordeiro. Quem sabe?

E o futuro? Incerto como uma barragem da Vale do Rio Doce. 

Só sei que estão todas cheias de lama.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Aproveitar o momento para superar a idiocracia.


A idiocracia não é o mesmo que a “democracia dos idiotas”, poderia ser pela forma como se manipulou a grande massa, porém, o que se tem foi o uso da democracia como meio de se chegar no poder institucional-estatal e instalado nele fazer valer seu “projeto” moral e financeiro de sociedade, usando a força  (redes sociais, discurso de ódio, militarismo, etc.) para impor um tipo de indivíduo “normal” normatizado, privatizado e controlado, e para isso precisa ser idiotizado.

Ainda vou escrever academicamente isso até a hora que a ideia me for expropriada.

Já faz um tempo que não escrevo e imagino que muitos esperavam minha ácida e babante crítica diante da desgraça eleita e empossada. Bom, tenho focado muito no twitter minhas breves posições.

O certo que já alertava para essa inclinação de parte da sociedade brasileira para o bolsolixismo e que os riscos estavam expostos para quem quisesse ver. Nunca desanimei, votei em Haddad nos dois turnos, mas fui formado para pensar e refletir, e os sinais não eram dos melhores. Nem adianta dizer: “eu avisei”.

Por isso, prefiro focar na reflexão do que devemos fazer nesse e no (possível) próximo momento. 

Tempos atrás escrevi sobre esse papel da democracia como um valor a ser consumido como algo necessário à vida. Entende-se por consumo, não pela lógica capitalista, mas ontológica como um valor produzido e reproduzido pelas relações sociais entre todxs nós.

Há vários artigos ou reflexões que sinalizam para o perigo de depositar única ou exclusivamente na democracia a possibilidade de bem estar aos “cidadãos”, ou condição para melhorar a vida dos indivíduos, assim como depositada parte das esperanças de 1988 com o desgaste político econômico da ditadura civil-militar.

E o ponto é esse: a democracia como alternativa pragmática. Isso representa tanto perigo para democracia, quanto para os seus defensores.

Dizer que “só na democracia” é possível ter liberdade de imprensa até vai. E ainda assim devemos considerar o poder de mando e influência do mercado.

Agora dizer aos trabalhadorxs que a democracia resolverá os “problemas de emprego, distribuição de renda e demais direitos de cidadania” parte de um pressuposto mentiroso e que pode respingar na própria democracia.

Vamos aos fatos e reflexões das duas décadas vividas com a ascensão eleitoral do lulismo (Singer, 2012) e seu programa político institucional implantado. O acesso à benefícios estatais individualizados como transferência de renda (Bolsa Família) e créditos diversos dialogam com ima fração da classe trabalhadora, contudo depositam no “eu” um direito que não coaguna com uma perspectiva coletiva. E nem a sua gestão poderia ser coletiva, já que expressa o apoio e o estímulo ao indivíduo.

Além da personificação dos programas estatais e institucionais na pessoa do chefe de governo, nesse caso o presidente da República. 

Elemento que na voz das oposições, classificou-se de “populismo”, independente do papel que estas políticas públicas desempenham na autonomia dos indivíduos que devem ser apoiados sim pelo Estado para haver um processo cíclico de cidadania operando.

Seria possível então construir essa ponte da conquista individual para coletiva? 

Possível sim. O atual cenário mostra duas coisas: 1) Há dois pesos e duas medidas na direção hegemônica da esquerda brasileira, algo entre “radicalizar fora das instituições” e fraquejar republicanamente no exercício do poder institucional; e 2) Essa extrema direita que hegemonizou o pensamento facista literalmente “caga e anda” para o que o Estado Brasileiro acumulou em termos de estrutura, políticas ou concepção geral (tampouco a universal) e tem atuado (com seus limites) numa reconfiguração de instrumentos e valores.

Sobre esse segundo item, de forma dramática, a extrema direita mostra que mudanças e transformações estruturais são polêmicas, mas não impossíveis de fazer e sem esperar a “maturidade da sociedade”, vai a fórceps. Mudanças como esta, na esquerda, alguns grupos de base chamavam de “fazer fazendo”, ou seja, mantém-se o debate, mas não se espera um “super planejamento estratégico” para fazer.

E se essas mudanças e transformações são necessárias e pari passo às medidas de estímulo individual, devemos entender que são essas reformas estruturais a raiz da defesa da democracia.

Quem vai valorizar mais verbas para ciência e tecnologia se as mesmas estão distantes do diálogo e da perspectiva da sociedade? E eu digo isso não pelo que as pessoas vão “ganhar” através do desenvolvimento científico, e sim pela ampliação dos debates e discussões sobre o seu papel e importância para sociedade.

Quem sabe tendo essa combinação democrático – estratégica, possamos ter a sabedoria popular apropriando-se da necessidade do investimento da ciência, apontando pequenos desafios para vida cotidiana como tapar um buraco na rua, resolver o problema do acesso à alguns serviços, etc., e n contrapartida poder via democracia incorporar esses interesses pequenos, médios e grandes.
Posso estar repetindo a lógica deliberativa em Habermas, que dentre as suas correntes apoia-se na discussão do processo participativo-deliberativo. Ou seja, nada de novo.

O novo seria implantar esse processo como estratégia estruturante de Estado. O “fazer fazendo” resolvendo pequenos problemas institucionais de interesse público, envolvendo não pela necessidade, mas pelo interesse individual-coletivo.

Penso que o momento é de indignação e resistência. Porém, não vamos esquecer que por um tempo, nós na esquerda também dissemos: “vão ter que nos engolir”. Nossa chance e os problemas, limites, dificuldades e conquistas desse projeto já passaram, até o momento.

A questão agora é como enfrentar de pé o governo de extrema-direita fascista de Bolsolixo e ao mesmo tempo construir as bases de um projeto que tenha desde o primeiro dia de oportunidade a ousadia de implantar sem medo de ser feliz.

sábado, 20 de outubro de 2018

O Brasil merece Bolsonaro?


Seja biologicamente ou por alguma força superior, aquele ou aquilo que nos deu organicamente duas orelhas acaba sendo, as vezes, um incômodo. Ao ponto de pensar que as redes sociais como facebook provam (ainda bem) que o ser humano não tem capacidades sensoriais para “ouvir” pensamentos alheios, pois seria um caos. Uma psicose individual e coletiva.

Pode-se dizer que o “efeito Bolsonaro” trouxe uma coisa de boa: revelou o grau de formação político-cultural da sociedade brasileira e provocou o debate político nas intimidades dos indivíduos.

Nos vários ambientes, as conversas de alguma forma, convergem para o debate das eleições deste ano. 2018 será estudada, por muitos pensadorxs, por um bom tempo.

Além do fator emocional das conversas, a maldição da audição está nos argumentos, sendo um pior que outro por sinal, e numa dessas ouvi (sem querer) uma conversa acalorada em mesa alheia (já que o tom de voz também tornou-se componente aliado das emoções nesse tipo de discussão) onde permeou o debate sobre a Constituição e a prisão de Lula.

E esse é o debate que não fazemos. A Constituição de 1988 foi a maior expressão de unidade da formação dos Estados-nação e uma invenção liberal (só para lembrar) e que atravessou os tempos legitimado, como instrumento desta unidade, o pacto social (paz social) e a mediação entre as classes sociais no capitalismo.

Analisando friamente as possíveis situações no final dessas eleições, a resposta é evidente: não haverão vencedores.

E por que? Porque, independente do meu voto, que não será no ódio e nem na destruição de direitos sociais, e portanto será em Haddad (13), como de muitos e muitas que querem um país democrático. O fato é que a simbologia apregoada pelos instrumentos de poder e por algumas personalidades públicas é de que essa eleição se resume aos que “odeiam ou gostam do PT” e retiram o elemento central de disputa de projeto que está em jogo.

Todas as teses sócio históricas e de formação da sociedade brasileira podem ser repensadas agora, seja do “brasileiro cordial” ou do “nacional desenvolvimentismo”, é possível que a arrogância e ignorância do pensamento neoliberal tenha penetrado tanto no cotidiano e nos "sonhos" individualistas ao ponto de levar também à derrota dos ideais liberais, ortodoxos ou democráticos, do liberalismo tradicional e da perspectiva de Estado-nação, esse último assassinado pelos próprios (neo) liberais diante a globalização dos mercados.

A questão destas eleições reside no projeto despolitizado que agrega “vontades” em todas as classes sociais, ou como alguns denominaram como "um projeto liberal na economia e moralizante-conservador no íntimo da sociedade e dos indivíduos”, e é fascista pelo seu componente principal: normatizar um modelo de indivíduo. (Ponto)

Aos trabalhadores e seus segmentos que sobrevivem na pobreza e na miséria é oferecido o fetiche da “ordem”, levando negros, mulheres, jovens e demais a seguirem para o possível “paraíso” prometido em contraposição a violência urbana e o sensacionalismo da mídia.

Nem afirmando que o projeto “bolsonarista” representa retira de direitos trabalhistas, permissão para semi-escravidão (ou total escravidão), e enfraquecimento do pouco de nação, expressada no modelo de Estado existente, tudo isso e muito mais, não convence a pessoa e nem leva à reflexão dos seus seguidores de segunda hora, já que parte desse voto é desse novo imbecilismo "anti-pt".

Vamos então lutar até o fim? Sim. Eleitoralmente seguimos resistindo até 28 de outubro. Depois é depois.

Se Haddad vencer o que teremos que reconhecer é que será um governo que buscará a tentativa de reconstrução da “paz social”. O que já é muito diante do caos que cresce na violência verbal e física dos novos “fascistas” de plantão, moralistas sem moral.

Serão quatro anos de intensos debates e combates, conciliações e enfrentamentos, destruição e reconstrução, ou seja, isso não para por aí. O ciclo de 2013 termina em 2018, já que os seus “frutos venenosos” já brotaram, e o que se pode se pode esperar de 2019 em diante vai ser o momento de pensar, refletir e buscar reconfigurara práxis existente nos vários lugares.

A esquerda brasileira terá que fazer reflexões e discussões necessárias. Deve estar alerta ao novo fascismo e a luta por direitos, mas se ficar na mesmice será engolida pelo discurso fácil desse "verde-amarelismo" conservador.

E se o “lado B” ganhar?

Muita gente tem me perguntado, e afirmado, que estaremos sendo jogados ao caos em um eventual governo do “coiso”?

Sempre disse que isso seria ruim a vitória do "lado B", mas não um problema total. E eu explico.

1) Um governo Haddad colocaria os "cães de guarda" do sr. Bolso em permanente perseguição contra o governo e as pessoas com um ódio virulento, pois estaria na oposição. (Sim, isso será também efeito durante o mandato do “coiso”, mas imagine o modelo de oposição dessa gente durante o mandato de um eventual governo do PT);

2) Sendo governo, o sr. Bolso tem que mostrar ao que veio. Vai ter que conhecer a máquina e ver que no presidencialismo "verde-amarelo" há mais limites que possibilidades. E todxs sabemos que o poder executivo é importante para o exercício de poder, mas também espinhoso, limitador e cheio de desafios;

3) A retirada de direitos em todos os aspectos: trabalhistas, sociais, humanos, civis, enfim, de toda espécie ainda não terá o efeito de massa, e essa indignação ainda não será imediata, mas o “caldo” tende a ferver e pode ser que não seja a esquerda a reunir  e a liderar parte dos futuros “indignados” - e aí mora o perigo, voltando as teses pela "ditadura de verdade" já que para eles a "via democrática faliu";

4) Se o governo do sr. Bolso usar a repressão com força total para conter os ânimos do item (3) anterior, só vai “botar mais lenha na fogueira”, a barbárie pode (ou não) levar ao “estado de sítio” (por favor ler art. 137, 138 e 139 da Constituição), bem como buscar a paralisia, conchavo ou conivência das instituições. Lembrando que ainda poderá ser debitada na conta da esquerda algo que ela não necessariamente construiu nessas mobilizações;

5) Diante da crise econômica e social do governo do sr. Bolso e numa possível retirada radical de
direitos, principalmente os trabalhistas, é certo que não haverá muros, câmeras, segurança privada ou instituições “republicanas” que irão dar conta do “Haiti” que poderá se formar;

6) O centro do poder burguês tolera, em nome dos lucros, certos governos. Já vimos isso, como fez com os militares durante a ditadura e com as versões do governo Lula-Dilma, desde que o capital nunca perca, apoiam de “sorriso amarelo”. Mas quando querem botam a mão na massa, mudar o centro do poder no Estado, fazem sem a menor vergonha, vejamos os exemplos de Collor. No painel da FSP (20/10/18) isso aparece em sinais ao que se referente ao caixa 2 do “Watthsgate” e dizendo subliminarmente que as instituições jurídicas podem agir, até cassando a chapa eleita. Depois do impeachment de Dilma, você ainda dúvida disso? (Oh coitado). Então pare de chamar de "golpe" ou aceita que doí menos.

Dentro desse quadro, o que sobra a esquerda e aos progressistas que tem projeto societários anti capitalistas?

De novo a base. Base construída a partir da totalidade da classe, com raiz e disputa desse cotidiano alienante por outro que cultive diariamente um projeto de sociedade democrática, ambientalmente sustentável, de economia solidária e alternativa, distributiva, socialista, enfim, construindo a possibilidade da sociedade livre e emancipada.

Reafirmo o chamado a refletir para avaliar os erros e acertos pós 1988, que devem agora passar por uma avaliação coletiva de tática e estratégia. Quero errar de um modo diferente pós 2018.

Sem respostas pré cozidas.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

LANÇAMENTO do meu livro no II SINESPP (SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE ESTADO, SOCIEDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS)


Tenho prazer de informar que irei lançar meu livro no II SINESPP (SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE ESTADO, SOCIEDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS) -  DIA 20 DE JUNHO ÁS 16:00H NO CINE TEATRO DA UFPI (Universidade Federal do Piaui). 


domingo, 3 de junho de 2018

ANÍBAL QUIJANO (1928-2018) PRESENTE!



ANÍBAL QUIJANO (1928-2018)
Su obra reinterpretó las raíces de las ciencias sociales latinoamericanas

Nació en la ciudad de Yanama, Departamento de Áncash, Perú, en 1928. El mundo andino fue su casa, a la que siempre regresó.

Su pensamiento se reconoce en el linaje de José Carlos Mariátegui. De inmensa lucidez teórica y analítica, su obra fue tan diversa como impactante y, por momentos, dispersa. Solía decir que no tenía el hábito de la sistematización de la escritura, y que por eso prefería “escribir al viento”. El viento, la metáfora que elegía para expresar su incondicional compromiso con la libertad de pensar y de escribir, tan propia de de los intelectuales cuyas vidas de exilios prolongados, proscripciones y persecuciones, les han impedido mantenerse en un lugar fijo.

Durante muchos años estuvo vinculado a la Universidad Nacional Mayor de San Marcos, donde fue estudiante y profesor. Renunció definitivamente a ella en 1996, cuando fue intervenida por la dictadura de Alberto Fujimori. En San Marcos mantuvo una activa vida política, por la cual fue perseguido y encarcelado en 1948 y en 1950.

Recordando aquellos años, sostuvo: “La policía me despojó de todos mis papeles de trabajo, que eran muchos, y de toda la escritura que una desolada vigilia de demasiadas horas durante muchos años, había recogido en demasiados, dispares campos. En cada vez me sentí, como si no hubiese hecho nada nunca. Y en un momento de ese mismo 1953, eso sí lo recuerdo con precisión, decidí que no volvería a escribir. Todo lo que yo podía decir, ya estaba escrito y mejor”.

Más tarde, realizó diversos estudios sobre sociología y política y llegó a enseñar en diversas universidades de América Latina y del mundo. Fue investigador de la CEPAL durante su exilio en Chile. Fundó y dirigió la Revista Sociedad y Política en los años 70. Fundó la cátedra "América Latina y la Colonialidad del Poder" en la Universidad Ricardo Palma de Perú. Renunció a establecerse en Estados Unidos, aunque se desempeñó como profesor en el Centro Fernand Braudel de la State University of New York, en Binghamton, fundado por su gran amigo Immanuel Wallerstein.

Sus teorías sobre la idea de raza, colonialidad y eurocentrismo constituyen una línea divisoria en la historia del pensamiento latinoamericano y mundial.

En los años 90, sus textos se reprodujeron vertiginosamente. Fueron traducidos a varias lenguas y divulgados en toda América Latina, África, Asia y Estados Unidos, Canadá y Europa.
Fue un luchador incansable en defensa de la democracia, los derechos humanos y la igualdad. Su obra ha inspirado no sólo varias generaciones de cientistas sociales críticos, sino también movimientos y organizaciones libertarias, emancipatorias y anticoloniales en América Latina y África.
CLACSO lo distinguió con su Premio Latinoamericano y Caribeño de Ciencias Sociales y publicó su antología esencial: Cuestiones y Horizontes: de la Dependencia Histórico-Estructural a la Colonialidad/Descolonialidad del Poder.

Nos despedimos de Aníbal, un intelectual inmenso, un ser humano generoso y bueno. Sentiremos su ausencia, seguiremos su ejemplo.

Pablo Gentili
Secretario ejecutivo de CLACSO
Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales
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ANÍBAL QUIJANO
Cuestiones y Horizontes

De la Dependencia Histórico-Estructural a la Colonialidad/Descolonialidad del Poder

Antología Esencial
Selección y prólogo a cargo de Danilo Assis Clímaco
Aníbal Quijano ha argumentado que la persistencia de un pensamiento deriva del modo en que su relación cognitiva con el mundo permite la emergencia de nuevos sentidos en cada giro de la historia. En este sentido, la presente antología se propone perfilar las especificidades del pensamiento de Aníbal Quijano y el modo en que este se ha interactuado con los acontecimientos cruciales de nuestra historia reciente, permitiendo desde hace cinco décadas, lecturas que han transformado nuestra comprensión de la historia y la contemporaneidad latinoamericana.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

A “greve dos caminhoneiros” e a farsa para o golpe do golpe.


A “greve dos caminhoneiros” e a farsa para o golpe do golpe.

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Desde 21 de maio de 2018 os chamados “representantes” dos caminhoneiros deflagaram uma “greve” que dentro da sua tática conhecida estão o bloqueio de estradas. Até ai tudo normal de qualquer “movimento” que diz reivindicar algo “justo”, e neste caso, com as mudanças na política da Petrobrás realizadas pelo governo ilegítimo de Temer fez com que os reajustes dos combustíveis sigam os interesses dos acionistas da bolsa de Nova York e não do país e o pavio que ascendeu esse barril foi o diesel que alcançou o valor de R$ 5,00 (cinco reais).

Alguns sinais indicam o porquê a esquerda brasileira não deve apoiar ou ingenuamente acreditar na sua capacidade de influência sobre essa “greve”.

A primeira indicação é inclusive de Lenin, quando traz a figura do “inocente útil” e isso os caminhoneiros tem de sobra na sua trajetória histórica, suas greves sempre penderam para atender os interesses político e econômicos das elites, das burguesias e justamente por que a condição desta categoria profissional enquadrasse bem nas definições liberais, de “autonomia econômica” ou “livre iniciativa”, “dono do seu destino econômico” como taxistas e outros setores profissionais da área de serviços.

Se recordarmos na história da luta de classes temos 1973 contra o governo socialista de Salvador Allende e com Chavez em 1999, a tática de desabastecimento e locaute, combinadas recaem sobre os governos ou os interesses que rondam os setores que os dirigem, os empresários.

Segundo, a forma como se comporta a mídia, como se fosse combinado gerar essa sensação de “indignação” disseminada no empurra-empurra nos ônibus, padarias, locais públicos em geral, essa mesma mídia que criminalizou as lutas contra o golpe de 2016, que buscou jogar contra as greves gerais de 2017 contra as reformas impopulares, trabalhista e previdenciária, e no processo de julgamento do ex-presidente Lula.

A narrativa construída desde o início com apoio direto, parcialidade e complacência sobre os “bloqueios” fazem ascender o sinal amarelo. Os destaques feitos sobre as “negociações” e a baixa ou quase nula crítica aos bloqueios sinalizam que algo está sendo “trucado” no jogo do poder e das elites. Se tirar Lula da disputa presidencial de 2018 é verdadeira, se Luciano Hulk, Barbosa, Alckimin, Meireles e até Ciro são apostas que não chegam a encostar no “efeito Bolsonaro” que tem certo 20% das intenções de voto, então porque não supor que essa tentativa de avaliar em que grau o desabastecimento pode permitir gerar um clima de instabilidade.

Instabilidade que se for declarada pelos poderes constituídos, pode gerar uma tese de “necessidade para criar condições de estabilidade da ordem pública”, isso é possível e como já indicado num processo indireto, um juiz do STF teria a aura da “legitimidade institucional” e “sem partidos”.

Ainda não há medida para essa tática, mas o alerta é necessário.
Os movimentos confusos das direções da nossa esquerda deixam claro o grau de desagregação de unidade programática. A favor ou contra, em nome da tática da cooptação ou do momento único, alguns setores entendem que é “possível ganhar o movimento”, mas as primeiras bandeiras de “intervenção militar” foram levantadas e isso gera a confusão.

Terceiro, o desabastecimento providencial evidencia que ou somos uma caricatura de capitalismo ultra dependente ou há intencionalidades no jeito de fazer. Vamos aos fatos, como é possível os postos de combustíveis “esvaziarem” nesta quinta, se a corrida aos postos ficou mais evidente na manhã deste mesmo dia? Alguém solicitou medir com a régua se há ou não combustível?  Se é verdade que 40% da frota não rodou, quem ficou em casa de folga? Tem lista de quem “ganhou” o dia de folga nas empresas de ônibus?

Quarto, quem vence com a redução do reajuste? O Estado perde, novamente sobre ele incide perder receita com a redução de tributos e impostos sobre o diesel, a conta sendo paga pela população trabalhadora e negociada pelos políticos tradicionais, como se o Estado fosse um lugar vazio, onde os poderosos de plantão apenas negociam a seu prazer suas vontades. E quem vai ganhar nessa “greve”? Não será o frete dos caminhoneiros e nem a sua renda, que mantem na mesma, com todas as cobranças, pedágios e problemas relacionados ao seu trabalho, e seus donos, os empresários sorrindo.

A sensação está nas ruas, como em 2013. E em 2013 a esquerda também tratou de achar que poderia disputar o indisputável, que era a narrativa, essa que a direita também disputou e com toda sua força.

Agora, depois de várias reações as reformas neoliberais, nossas derrotas não nos ensinaram que o momento é de reflexão, repensar e retomar o horizonte estratégico.

Lições que precisam ser apreendidas concentram-se no debate em torno do conceito de cotidiano. Ou seja, como tornar diária essa luta pelo que é coletivo, humano e justo para classe trabalhadora.

Nesse maio não me engano. 

Essa greve não é nossa. A nossa vai ter luta.

Links para debater:

Por que os progressistas não devem apoiar a “greve” dos caminhoneiros. Por Afrânio Silva Jardim


  

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-os-progressistas-nao-devem-apoiar-a-greve-dos-caminhoneiros-por-afranio-silva-jardim/

Grupos pró-intervenção militar tentam influenciar rumo de greve dos caminhoneiros


https://www.terra.com.br/noticias/brasil/grupos-pro-intervencao-militar-tentam-influenciar-rumo-de-greve-dos-caminhoneiros,98806679cf0fa68dd3c90101c8401eb8y6tke0f7.html

Favorável à greve de caminhoneiros, Bolsonaro critica bloqueio de estradas... - 

https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/05/24/bolsonaro-bloqueio-caminhoneiros.htm?cmpid=copiaecola


Centrais apoiam greve dos caminhoneiros. São Paulo terá manifestação

Presidente da CUT diz que constantes altas de preços de combustíveis têm reflexo nos preços de outros produtos importantes para o consumo. Ato pedirá redução no preço do botijão de gás


http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2018/05/centrais-apoiam-greve-dos-caminhoneiros-sp-tera-manifestacao


Caminhoneiros recebem geladeiras, mantimentos e carvão em apoio à greve
Campanhas de apoio também estão sendo feitas por meio das redes sociais.

https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/porto-mar/noticia/caminhoneiros-recebem-geladeiras-mantimentos-e-carvao-em-apoio-a-greve.ghtml

Fala Zé Maria: Por que é preciso dar todo apoio à greve dos caminhoneiros

https://www.pstu.org.br/fala-ze-maria-por-que-e-preciso-dar-todo-apoio-a-greve-dos-caminhoneiros/

Não é locaute. É greve!

https://www.pstu.org.br/nao-e-locaute-e-greve/

Unificar as lutas contra a austeridade, o desemprego e o aumento do custo de vida

https://pcb.org.br/portal2/19761/unificar-as-lutas-contra-a-austeridade-o-desemprego-e-o-aumento-do-custo-de-vida


Todo apoio à greve dos caminhoneiros! Não à privatização da Petrobrás!
https://www.causaoperaria.org.br/todo-apoio-a-greve-dos-caminhoneiros-nao-a-privatizacao-da-petrobras/

sábado, 7 de abril de 2018

Reproduzindo: Editorial | A história está só começando I Editorial Jornal Brasil de Fato

LUTA

Editorial | A história está só começando

Não é a primeira vez que o Brasil se vê em um cerco provocado por forças conservadoras

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)
,

"Em todas as situações anteriores, o povo não teve outra saída senão se organizar e construir saídas coletivas para superar a realidade" / Ricardo Stuckert
Mais um ataque à democracia brasileira. É isso que significa a prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, votado na quarta (4) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um julgamento que segue com o objetivo do golpe que destituiu Dilma Rousseff a fim de recolocar (e manter) forças conservadoras, elitistas e anti-povo à frente do governo do Brasil.
Como resultado até agora, foram dois anos de corte de investimentos, de direitos trabalhistas destruídos e a da Constituição estraçalhada. E o povo brasileiro sofre com isso na pele: o custo de vida está mais alto, o desemprego batendo recordes, as contas no fim do mês não fecham… A vida realmente piorou para quem depende só do seu trabalho para sobreviver.
O cerco parece se fechar cada dia mais quando se olha ao redor e vê assassinatos políticos e perseguições, quando se vê milicos velhos e impunes fazerem ameaças públicas de intervenção, caso a decisão do STF fosse a favor do ex-presidente.
A realidade é dura mesmo e o sentimento de impotência tende a prevalecer. O que fazer diante disso tudo? É uma pergunta que vem logo à cabeça, sobretudo daqueles que já entenderam que vivemos em uma sociedade de classes, em que poucas famílias – donas de empresas e bancos – se beneficiam do trabalho de milhões.
É importante destacar que não é a primeira vez que o Brasil se vê em um cerco provocado por forças conservadoras. Para citar a história recente, foi assim na ditadura e nos anos 1990 com FHC. Em todas as situações, o povo não teve outra saída senão se organizar e construir saídas coletivas para superar a realidade. Muita gente se lembra das Diretas Já, nos anos 1980, e das marchas gigantes que cortaram o país em 1997, por um projeto popular para o Brasil.
A ideia de que “juntos somos mais fortes” tem que ser fortalecida neste momento. O Congresso do Povo, organizado pela Frente Brasil Popular, é uma boa oportunidade para isso, uma vez que tem a proposta de construir coletivos em cada cidade do Brasil, nos bairros, na periferia, na roça. Coletivos que terão a missão de levantar os reais problemas que as pessoas vivenciam em seu dia-a-dia. É também um espaço de estudo, de encontro, de achar esperança no olhar do outro, de ver na angústia uma possibilidade de superação.
A esperança não vem do além. Ela surge quando há um projeto de um país melhor. A tarefa é construir esse projeto. Que o Congresso do Povo, que acontece em julho deste ano, seja grande e capaz de apontar uma saída que vá para além das eleições. A história brasileira, contada pelos trabalhadores, ainda está só começando. Ainda tem muita luta pela frente.
Edição: Joana Tavares
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São Bernardo, 1978-2018
Lulismo não morre com a condenação do ex-torneiro mecânico, mas terá que se reinventar

Opinião de André Singer (FSP 06/04/2018)avsinger@usp.br

No dia 12 de maio de 1978 começava a greve da Scania-Vabis em São Bernardo do Campo. Era a primeira paralisação operária desde 1968 e o sucesso dos trabalhadores do setor automobilístico mudaria a história do país. A presença de Luiz Inácio Lula da Silva, o líder sindical que emergiu daquele movimento, por 24 horas no Sindicato dos Metalúrgicos depois de decretada a sua prisão na última quinta (5), fecha simbolicamente o longo ciclo iniciado então.

O lulismo não morre com a condenação do ex-torneiro mecânico. Mas terá que se reinventar para sobreviver sem a liberdade daquele em torno do qual o movimento cresceu ao ponto de chegar à Presidência da República. A despeito de quaisquer outras considerações, Lula demonstrou, durante esses 40 anos, a inegável capacidade de aglutinar o campo popular da política brasileira em torno de si.

A Operação Lava Jato, que alcança seu ápice com a ordem de aprisionamento do ex-mandatário, conseguiu o efeito objetivo de afetar o coração da alternativa popular. 
O juiz Sergio Moro, mais uma vez mostrando que age olhando para a política, apressou-se a executar a sentença antes que pudesse haver algum recuo superior. 

A profunda divisão do  STF (Supremo Tribunal Federal) a respeito, demonstrada na votação do habeas corpus, indicava a instabilidade da decisão anti-Lula tomada quarta (4).

Mas a Lava Jato, independentemente das intenções de cada um de seus membros, é apenas a ponta de um iceberg. 

Quando, na véspera da sessão do STF, o comandante Eduardo Villas Bôas divulgou duas postagens no Twitter e em uma delas escreveu que “o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade”, ficou claro que a prisão de Lula tinha se tornado, para determinados setores da sociedade, um assunto de “segurança nacional”.

As “intervenções pretorianas”, conforme as qualificou o ministro Celso de Mello, aproximaram um pouco a situação atual daquela vivida depois de 1964. 

Trata-se, mais uma vez, de impedir, no tapetão, que haja verdadeira alternância no poder. Uma disputa sem Lula candidato, e com dificuldade para explicar ao seu eleitorado quem o representa, esvaziará o pleito de outubro. A possível vitória de um candidato de “centro”, na realidade do campo da classe média, nessas circunstâncias, terá a sua legitimidade diminuída.

Por outro lado, a evolução dos acontecimentos poderá transformar a condenação de Lula no principal assunto da própria eleição. Dependerá, então, da capacidade dos dirigentes forjados neste ciclo, que permanecem em liberdade, reconstruir o polo que representa os pobres. Sobre o seu sucesso, o futuro dirá.