sábado, 18 de abril de 2020

Crise de Saúde (Covid 19) e a solidariedade da emergência.

Contrariando orientações da OMS, apoiadores de Bolsonaro protestam ...
foto: reprodução/ Twitter

A segunda década do século XXI está marcada pela pandemia que marcará a história humana numa que será uma das conjunturas mais complexas que existiu. Antes da pandemia do Covid 19 (coronavírus) nós já nos encontrávamos no período do pico do neoliberalismo em sua fase mais agressiva, sob domínio da ditadura do capital financeiro global, ascensão política do "neo" fascismo que emerge a partir da vitória de Trump nos EUA e agora tudo indica que sua direção ideológica tem atuado como um tipo de uma "internacional do conservadorismo e do ultraliberalismo" com experiências exitosas em vários países, inclusive o Brexit, e o Brasil que entrou para o rol desse novo campo de força política que emerge das trevas. 

Essa "nova" força política reivindica o dinamismo do mercado e reação contra o  "liberalismo" com suas permissividades a questões raciais, de genêro e suas diversidades, exigem para si a velha narrativa da moral e dos bons costumes, aliando-se as novas formas de relações sociais por meio das tecnologias (celulares, Iphones, e outros) e não só isso, mas também o uso dos dados para os seus interesses políticos, atuando como um "partido de vanguarda" estruturado e com estratégia de poder.

Tragicamente, é um tipo de reprodução do internacionalismo do movimento comunista que teve ação vigorosa no final do século XIX e no século XX.

O que vivemos internacionalmente, no campo de forças da esquerda, mudanças devido a diversas questões globais que vai desde a capitulação da social democracia europeia em adesão e implantação do projeto neoliberal nas décadas de 1980-90, o levante do zapatismo no México, surgimento do Fórum Social Mundial (FSM), sucessivas crises do capital que leva a vitória dos governos de esquerda na América Latina, crises na União Europeia que gerou uma nova onda xenofóbica evidenciada pela situação dos povos imigrantes e vagantes pelo seu direito a sobrevivência, o "Brexit" com a saída do Reino Unido da União Europeia e novo processo de descenso político institucional da esquerda, em especial na América Latina por meio de golpes institucionais. Isso tudo nas duas décadas do século XXI

Nesse cenário, 2020 se inicia com sinais de fumaça e que se alastrou como um grande incêndio gerando a crise de saúde pelo Covid 19 (coronavírus) em escala global e gerou a maior crise da humanidade e humanitária internacionalmente, onde nesse exato momento (18/04/20) chegando a 
Confirmados
2.293.644
Recuperados
583.783
Mortes
157.400
(fonte OMS)

E mesmo diante desse cenário, politicamente essa "internacional do neo conservadorismo e do ultraliberalismo" manteve sua luta política, combatendo as propostas de isolamento social, atuando contrária às posições hegemônicas do campo científico e seguindo na sua estratégia de fazer avançar o campo do protofascismo ao manter vivo no seu discurso a alegação que a crise de saúde é uma tentativa de "golpe pela esquerda" contra Bolsonaro no Brasil.

A crise de saúde tem levantado o tema da solidariedade. Contudo, uma solidariedade muito específica no campo do pensamento liberal, ou seja, uma "solidariedade da emergência", que advém da ideia neoliberal da "doação ou ajuda" que deveria partir de setores da sociedade civil, um tipo de auto responsabilização dos indivíduos (Montano, 2010 p.168) que se apoia na lógica da privatização do Estado, redução da sua intervenção para manter o orçamento público para o financiamento do setor financeiro e do mercado e tratando as expressões da questão social no capitalismo como um problema exclusivo de uma "sociedade civil" na sua forma "colaborativa".

Essa solidariedade da emergência, nesse momento, opera sobre a visão mesquinha de "luta pela sobrevivência" dos indivíduos,  pois o que tem sido o centro desse "voluntarismo" todo é mais no sentido da busca pela proteção de si próprio e não necessariamente pensando nos outros (na coletividade), serve mais como um mecanismo básico de sobrevivência humana. E isso ocorre justamente porque parte da massa trabalhadora que emerge no cenário dessa conjuntura, conforme analisa Antunes da Unicamp e outros pensadores brasileiros, é justamente a fragmentação e a pulverização da classe trabalhadora, desempregada estruturalmente e empurrada à desproteção social no Brasil e no mundo. 

A crise de saúde fez tornar transparente e evidente a situação da grande massa desempregada excluída do mercado formal de trabalho, mas trabalhando no setor informal, terceirizado, diarista em todas as áreas de serviço e até da produção, precarizado e totalmente desprotegido socialmente. Onde a urgência da burguesia brasileira está centrada na contenção dos levantes da classe, e menos do problema da crise de saúde do Covid 19.

A pressa em aprovar medidas de auxílio vem mais da emergência de classe e preservação do seu poder do que da emergência humanitária.

As iniciativas "solidárias" tem sido desenvolvidas de forma diferente entre as várias frações da classe trabalhadora. Onde observamos que parte da classe assalariada média no alto dos seus condomínios têm protagonizado as "iniciativas das janelas", entre outras, enquanto nas periferias temos aquelas onde há uma organização comunitária efetiva estão mais preparadas para reagir e onde as periferias são marcadas pela desorganização, se encontram dispersas e sem apoio efetivo.

Nesse quadro o "perigo" está no efeito "panela de pressão", que pode fazer com que o desespero gere levantes populares dessas frações da classe, mais vulneráveis exigindo respostas frente a situação de pandemia/ crise de saúde pública.

O cenário não é favorável para uma revolta progressista e na disputa política geral quem sai na frente promovendo esse "levante" é a fração política bolsonarista entre os assalariados e pequenos burgueses, seguindo a direção do seu "chefe" na defesa da narrativa da pauta econômica contra as ações de isolamento social, buscando disputar essa narrativa no seio da sociedade brasileira.

No campo da esquerda a dispersão e parte da letargia sobre os fatos tem sido algo evidente, seja nas ações de enfrentamento a crise de saúde ou reagente apenas aos movimentos do bolsonarismo ou das frações burguesas que sustentam o governo. 

É preciso admitir que pela esquerda houve um atraso de reação nesse momento, em especial em articulação com as periferias e a classe trabalhadora em geral, principalmente em não criar um arco de defesa prévia para suas bases para poder avançar na população em geral.

Suas ações fragmentadas e dispersas, baixa capacidade de incidir sobre o debate político institucional, com a direita ocupando governos municipais, estaduais e a União desde a derrota político eleitoral do PT desde o golpe de 2016 e o distanciamento das organizações em resposta à questão social brasileira são elementos que estão presente em nossa realidade política.

A questão da solidariedade de classe deveria (e deve) se tornar um valor central e permanente, em particular, em tempos de guerra político ideológica contra o "neo" fascismo.

Foi a solidariedade de classe que constituiu a liga que promove os primeiros levantes operários da classe trabalhadora no Brasil, nos movimentos anarco sindicais, nas iniciativas dos círculos operários em apoio a dimensão das relações sociais do operariado, enfim, a versão do "nós por nós" é parte forte dos valores de luta da classe trabalhadora brasileira. Tanto que a ditadura do Estado Novo de Vargas foi implacável contra isso, inclusive, onde as instituições do Estado agiram sobre a dimensão da formação até ao esporte e lazer se observarmos o papel que cumpre o sistema "S" com o Senai, Sesc, entre outros, o disciplinamento das organizações sindicais pela lei trabalhista (CLT), ou seja, formas articuladas de capitular a partir do cotidiano da classe trabalhadora como meio de desestabilizar suas organizações.

Em contrapartida temos também nas décadas de 1970 e 1980 os levantes da classe trabalhadora fazendo surgir o "Fundo de Greve" como instrumento coletivo de apoio solidário aos trabalhadores demitidos durante as greves, os "clube de mães" e o movimento por direito a creches, enfim, historicamente a classe trabalhadora brasileira tem tradição em iniciativas valorativas da solidariedade de classe.

E no momento atual? O que houve no campo das esquerdas com relação ao valor da solidariedade de classe?

É importante ressaltar que a burguesia nunca abandonou sua estratégia de intervenção e desmonte das ações e valores da esquerda, como vimos historicamente, havendo uma capitulação da solidariedade pela ideologia neoliberal com protagonismo das organizações sociais, ONG's e frações da sociedade civil. E parte do descolamento da esquerda brasileira, seja pela transferência dessa inclusão social e entrega de suas ações de solidariedade de classe para estas frações da "sociedade civil", seja pela mudança da sua estratégia para o campo da luta político institucional.

Sobre essa "entrega" da perspectiva da solidariedade de classe pela esquerda (ou pela sua fração majoritária) é importante compreender que parte do projeto de disputa do Estado e da sociedade se alterou gravemente no último período histórico devido ao rápido entendimento de parte da esquerda brasileira pela conciliação de classes ou pelo conformismo político institucional travestido sobre o discurso acusatório de "assistencialismo". 

O que houve de forma efetiva pela esquerda em estabelecer a solidariedade de classe foi o processo que promove o Fórum Social Mundial (FSM). Que busca convergir estratégias para conciliar posições anticapitalistas e anti neoliberais, retomada da perspectiva solidária, comum e humanista., porém, sem unidade efetiva isso continuou fragmentada no decorrer do processo, mas pelo menos furou a bolha da concepção acusatória do "assistencialismo" através a ampliação de iniciativas como os cursinhos comunitários populares, bibliotecas populares, do movimento camponês, da economia solidária entre outras, que se mantiveram ainda dispersas. nas iniciativas da esquerda.

O abandono de ações e dos valores da solidariedade de classe dentro de uma estratégia de disputa pelo poder pela esquerda brasileira demonstra, nesse exato momento da história, a fragilidade das nossas redes de apoio e de ação militante.

A fragmentação no âmbito da classe trabalhadora quanto a sua efetiva solidariedade mostra a necessidade de uma real autocrítica da esquerda brasileira e não apenas desta ou daquela organização partidária, sindical ou popular. A ausência de uma ação coordenada, plural, articulada e ramificada nos lugares onde atuamos é parte dessa derrota nesse momento. Nossa resposta, partindo de nossas bases já exerceria forte peso no diálogo e ação junto as massas desacreditadas com a política profissional, além de mostrar nossa capacidade de incidir sobre uma realidade concreta. A solidariedade como práxis da sua classe, nós por nós mesmos.

Esse debate é importante em duas dimensões: a da nossa organização, necessária para resistir a exploração e opressão de toda ordem, nesse caso contra a ordem do capital; na outra a de valores humanos, onde a solidariedade para nós socialistas e comunistas não reside no momento, mas efetivamente intervindo na vida social cotidiana da classe trabalhadora.

Porém nesse exato momento histórico, não estamos exercendo nem na primeira e nem na segunda dimensão.

E essa crítica é necessária agora? Considero que sim. Já que quem se aproveita desse momento de crise de saúde é a própria burguesia e suas representações políticas nos três poderes estende seu oportunismo politico, econômico e social onde segue as reformas neoliberais com a ampliação da reforma trabalhista e da vergonhosa "carteira verde amarelo" que impõe perdas salariais, inverte a luta pela redução da jornada a uma condição de rebaixamento de direitos, oferece acesso ao auxílio emergencial para setores médios da pequena burguesia proletária (micro empreendedores, emprecariados diversos e outros) e dificultando os demais, em especial os mais vulneráveis da classe trabalhadora que estão presos/as no limbo da precarização do trabalho, desempregados empregados sem proteção social alguma.

Pois nada indica que depois da pandemia haverá a continuidade dessa solidariedade, já que o seu limite está estabelecido já pelo "cada um por si", onde a "solidariedade com o outro é pela sua própria sobrevivência", e não há gesto tão mesquinho que esse. Isso revela no espelho da alma humana esses indivíduos que se converteram a gentileza do atraso e a humanidade desumana.

Pode ser que ainda haja tempo de constituir em nossa análise crítica interna, em particular nas organizações que reivindicam a classe ainda como centro da luta, resistência e revolução, repito, das organizações que se reconhecem pertencentes a luta de classes, uma perspectiva que faça da solidariedade de classe parte do eixo estratégico da luta, dos valores e da práxis militante.

Mas onde se auto excluem as organizações partidárias, sindicais e sociais que alegam "fugir do debate ideológico" do "assistencialismo" e que se escondem na caverna fétida dessa "sociedade civil" (servil) e seguem mentindo para si e para classe, sob uma estratégia de um aliancismo medíocre que não organiza e não liberta ninguém.  

Hora de retomar a relação com a nossa classe, atualmente dispersa e fragmentada, mas atenta aos movimentos das forças. As massas, apesar de não estarem apoiadas em condições político culturais para ampliar pela reflexão crítica para buscar meios e formas de se libertar, pode sim ter na retomada de nossos movimentos em direção à solidariedade de classe, combinada com estudo e a luta efetivamente cultural formar opinião, reflexão e posição. Constituir redes de apoio, atuação e disposição para dar respostas a momentos como esse e sair ainda mais grande politicamente pode e deve ser o centro da nossa práxis.

Ainda há na esquerda uma práxis calcada na solidariedade de classe, a tempos tenho defendido que nas experiências contra hegemônicas que vão da Comuna de Paris ao Quilombo dos Palmares, passando pelos Panteras Negras e indo ao MST, que construir nossa auto organização, contrariando o Estado burguês, criando novas sociabilidades locais e fazendo com que essa "fantasma" da emancipação humana seja de fato uma assombração real pelas periferias pode ser um caminho agora inevitável, pelo qual dizia Milton Santos, onde a resistência viria (e virá) das periferias organizadas e como demostrou Marielle. Que é possível construir uma outra saída e alternativa à ordem do capital,  sem polícia e nem milícia de direita.

Construir Quilombos urbanos de fato. Sabendo que não será uma luta individual e nem fácil, pois Marielle foi vítima da sua própria estratégia e não teve tempo para ecoar nos ouvidos da esquerda brasileira que o caminho não é o abandono, mas o abraço à uma solidariedade de classe efetiva.

à luta camaradas, não temos tempo a perder
à luta camaradas, não temos nada a perder

terça-feira, 24 de março de 2020

"O preço a pagar?"

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O afastamento de Bolsonaro estaria em pauta? No meu último artigo, escrevi sobre os riscos da decretação de um "estado de sítio" justamente pelo sr. Jair B., mas como a política nacional está mais contaminada pela crise do bolsonarismo do que a população em geral pelo coronavírus (Covid-19), eu suponho que os movimentos da política nacional mudaram, ou vão mudar.

Análise política é sempre em tese, não é um jogo de adivinhação e nem previsão do tempo, mas é um recurso, nesse momento, necessário.

Lênin tratava momentos chave de crise como oportunidades históricas das forças políticas, contudo, nem sempre dava em revolução proletária, muito pelo contrário, na maioria das vezes deu merda. Bom, após o discurso em cadeia nacional do sr,. Jair à nação, desprezando as orientações de organizações como OMS - Organização Mundial da Saúde e fazendo disputa contra possíveis adversários políticos nos governos estaduais, Doria e Writzel, em particular, desdenhando da crise de saúde pública e gerando novo desconforto político institucional, conseguiu em um discurso UNIFICAR o país contra si próprio. Podemos até dizer que pelo menos fez algo certo desse vez.

Mas piadas à parte, o certo é que o cenário pode estar mudando. 

Vamos lembrar do rito para um impeachment do presidente? Pedido feito ao Congresso, que analisa a admissibilidade (lembra do Cunha?!) que se considerar procedente AFASTA o chefe da nação e dá início ao processo que irá avaliar pela procedência ou não do afastamento definitivo. Vice assume nesse período.

Opa, você diria: "Peraí, o sr. Jair fez composição com os militares e Mourão é fiel", desde que não haja uma articulação antes, pois, em política o que vale é a estratégia. 

O afastamento até concluir o processo é de 180 dias. Bom, 180 dias é um bom tempo para que as forças políticas se reagrupam em torno do novo chefe da nação que pode escolher seus "Golberys", reunificar os poderes, destinar recursos para estados e munícipios para atender a crise de saúde, colocar as forças armadas no atendimento de saúde pública com exército, aeronáutica e marinha, dar respostas rápidas, coesionar a opinião pública via mídia hegemônica, enfim, uma nova versão do "com supremo, com tudo" de Jucá. 

Mas e a base bolsonarista? Parte dela não poderá sair as ruas, parte não sairá pelo puro egoísmo individualista de medo da contaminação pelo Covid-19 e frações podem rachar até aí. Como já disse, em política se joga com estratégia. 

Parece uma analise simplista né. Mas os fatos e as entrelinhas não dormem no ponto e o discurso de hoje coesinou muitas figuras da velha e "nova" política. Basta dar uma olhada, e dessa vez não vou linkar em matéria externa nenhuma, é público e notório. 

É um jogo para ser jogado. E nesses casos Brasília não dorme, pode ser que seus protagonistas não queiram aparecer agora, mas dormir diante disso, nunca. 

Diante de um quadro favorável, nada muda em termos de reformas neoliberais se Bolsonaro cai. Não há ilusões que o possível governo Mourão vai ser tão mais alinhado à política econômica neoliberal que o próprio Bolsonaro, mas com um detalhe, sem combustão do atual chefe do executivo. Vai ser mais "liberal-republicano".

Com uma esquerda fragmentada em projetos, sem unidade nas oposições, com interesses para todos os gostos e uma tendência ao suicídio, não há sinais de que esse protagonismo seja da esquerda nesse quadro, e por isso o título desse artigo é "o preço a pagar".

Vamos aceitar pagar esse preço para retirar esse fascista do poder? 

O cenário pode não ser esse, ou poder ser outro, ou pode ser qualquer um. O certo é que seja qual for o cenário que possa derrubar Bolsonaro, nenhum deles inclui na linha de frente a nossa esquerda, pelas debilidades existentes (sem unidade, sem liderança em comum, Lula livre mas sem alianças sólidas, o dilema do projeto e do trabalho de base, enfim) e nenhum cenário será progressista. 

E quais sinais do dia de hoje: a nota do Senado pela sua presidência de Alcolumbre e Anastasia, lideranças do DEM, PSDB, Novo, antigos aliados do bolsonarismo, entre outros. E uma msg que uma amiga enviou que é o vídeo do comandante do exército que "orienta" as tropas para apoiarem a "guerra contra o vírus" (https://www.youtube.com/watch?v=f1pmexyCcGg), declaração insituticonal interna no mínimo estranha, ou seja, há movimentações sendo feitas.

E pense firme se valerá o "preço a pagar?" Vejam que isso num contexto em que Maia não aparece com destaque e defende descaradamente a redução dos salários dos trabalhadores/as do serviço público, passando ileso. (De um lado o "bunda-molismo" da nossa elite sindical, do outro uma catarse diante do que fala e pensa o sr. Jair.)

Será esse o preço a pagar?


ps.: Será esse o preço que a esquerda irá pagar pela ausência de uma estratégia?

domingo, 22 de março de 2020

Aos que acompanham esse blog, minhas desculpas!



Zeca Afonso - Grândola, Vila Morena





Olá,



Estive sumido, seja pelas tarefas ou pela perplexidade. As tarefas, como sabem, são do cotidiano. Mas a perplexidade é sobre esse vergalhão de situações absurdas, ignorantes e oportunistas vindo de um indivíduo que usurpou um poder (e a CPI  das Fake news me peritem agora falar assim) e se instalou em Brasília atuando como analisei em artigos anteriores.



Me afastei de escrever sobre o esse caos que é o governo do Bolsonaro e sua famiglia justamente porque iria "chover no molhado". Já há na mídia oficial, mercadológica e popular muita informação. evidente que da oficial e do mercado só escondem a vergonha em nome das reformas neoliberais, anti-soberanas e pró elites. Já havia sinalizado que esse era o governo que iria criar fumaças para encobrir seus desmandos e interesses econômicos-financeiros, e isso se confirmou, em especial, na reforma da previdência.



Diante desse tsunami de merdas, não consegui forças para emitir - mais uma - voz crítica desna, tenho utilizado mais o twitter (que está linkado com este blog), melhor ser mais objetivo nesse momento.



Porém, também exige de nós, militantes de esquerda, nos posicionarmos sobre como superar esse momento.



Por isso, peço desculpas pela publicação irregular de posições. Tentarei ser mais disciplinado.



Falando em disciplina: leiam Marx e leiam Lênin.



E para não perder a fé a esperança, deixo uma música que sempre me emociona: "Grandôla vila morena" foi a canção que embalou a resistência e a derrubada da ditadura em Portugal, onde não estava apenas na pauta derrubar o governo ditatorial, mas também defender a libertação dos povos subjugados e mantidos como colônias de Portugal.



Seguimos resistindo. Mas não vamos vencer sem luta!

Um sinal de alerta: coronavírus e a ameaça à democracia.

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"Prevenir é melhor do que remediar", essa frase pode ser verdade para esse momento de crise de saúde pública internacional, quanto a defesa da democracia brasileira. Parar e organizar parte da vida em tempos de reclusão nos faz refletir mais do que de costume. Ao ver na minha estante a nossa Constituição da República Federativa de 1988, me lembrei que havia feito uma breve consulta às brechas constitucionais, em especial aos artigos 137, 138 e 139 que tratam do "estado de sítio", e logo associei ao momento de caos político e institucional que passamos desde o golpe de 2016 e agora desde a posse de Bolsonaro em 2018. 

Numa rápida pesquisa na internet vi que o assunto é real: o deputado federal do PSB do RJ, Alessandro Molon levantou a bola sobre os riscos de uso da crise sanitária em nome de uma "defesa da população e do país, e acendeu o sinal de alerta. (link: https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/congresso-esta-atento-pra-bolsonaro-nao-decretar-estado-de-sitio-diz-molon/)

Por coincidência o professor José Eduardo Faria, professor titular e decano da Faculdade de Direito da USP e chefe do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito escreve na data de hoje (22/03/20) no jornal conservador e neoliberal, "O estado de SP" sobre esse assunto sob o título: "Pandêmia e estado de sítio", ao analisar a competência do atual governo afirma: "É nesse contexto em que um capitão ignaro, tosco e populista conseguiu se sobressair prometendo, em vez de políticas que alterem as estruturas da sociedade, “salvá-la” de inimigos imaginários. Em que um mau militar, como reconheceram seus antigos superiores – militar esse que cresceu na vida pública fazendo do cinismo e da mentira seus principais instrumentos de ação, ascendeu politicamente, apesar de ter uma visão de mundo da altura do rodapé.".

E dá o tom do "alarme" sobre um possível estado de sítio: "É por isso que, nesse cenário, tem de ser visto com enorme preocupação um eventual pedido de Estado de Sítio para conter a desordem que a pandemia poderá trazer. Entre outros motivos, porque esse pedido pode ser uma tentativa de usar mecanismos jurídicos da democracia pata corroê-la; de se valer do princípio da “comoção grave de repercussão nacional” e da “declaração de estado de guerra” a um vírus estrangeiro como pretexto para cercear liberdades públicas e restringir os direitos de manifestação e protesto.", ou seja, para um oportunista, tudo vale. E nesse caso confiar na "capacidade" do governo Bolsonaro em gerir a crise a partir de um "estado de exceção" é como confiar que a raposa não irá atacar nenhuma galinha, a não ser que a raposa seja vegetariana, o que não é o caso.

Os influenciadores da "famiglia" - mafiosa e miliciana - tem como "consultores" agentes do atual conservadorismo neoliberal, que vêem mais oportunidade em crises como esta para seus interesses no poder, do que ter uma postura "republicana".

Antes disso, publicado na agência Brasil, órgão do governo federal em 20/03/20 a informação publicada foi sobre esse assunto: "Decreto de estado de sítio não está no radar, diz Bolsonaro", e das questões abordadas, há uma frase de Bolsonaro que diz: "Ainda não está no nosso radar isso, não.", ou seja, onde há fumaça, pode haver fogo. (link: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2020-03/decreto-de-estado-de-sitio-nao-esta-no-radar-diz-bolsonaro)

A questão é: Ah uma ameaça a democracia? O que pode representar uma crise de saúde pública que impacta em todos os setores e segmentos do país, e que precisa de uma estrutura e infraestrutura capaz de dar respostas ao processo de contenção e atenção à população, diante de um governo federal preocupado exclusivamente com seus interesses no poder? Tal combinação representa perigo a nossa existência humana, evidente, mas e as instituições do Estado? E se setores do bolsonarismo entenderem que a crise de saúde tornasse uma oportunidade para provocar uma ruptura com a democracia, agora sobre uma "causa nobre"?

Qual deve ser a reação das esquerdas? Esperar o movimento atual? Ou reagir? Reagir entrando em discussão permanente, nem que seja remoto, por meios digitais, enfim, é urgente promover discussões em torno do tema, agir em estado de alerta contra o que será pior do que o próprio vírus, o vírus da ignorância e do oportunismo que representa Bolsonaro e sua "famiglia". Pois, a crise de saúde poderá e deve ser superada, mas a crise da democracia pode perdurar mais do que três anos ou até 2022. 

"Canja de galinha e repouso" agora não faz mal a ninguém. Ficar alerta com a democracia, seja em casa ou não também.

E nesse caso "bater panela" não vai substituir a velha e necessária articulação política.

É sério e urgente compas!!!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Um projeto de esquerda "menos pior" que a da direita?!

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Polêmicas. Uma democracia (liberal ou popular) se constrói por polêmicas. E o debate ficou pela questão do "pacote anti-crime" que o ministro-inquisidor Moro quis passar guela abaixo. Das criticas duras feitas por inúmeros criminalistas (exemplo: https://www.conjur.com.br/2019-mai-20/parecer-oab-critica-pacote-anticrime-cobra-amplo-debate) e uma das polêmicas está no item que trata do "excludente de ilicitude", um tipo de "licença para matar" que seria dado na defesa de policiais que atuarem em ações onde sob a alegação de "confronto" civis são abatidos pelos mesmos. Pois bem, além desse item, também teriam propostas que tornariam legal a "deduragem geral" ou "delação premiada", mesmo que sem provas para indiciar acusador e acusado.

Ontem, o que chamou a atenção geral - das esquerdas - foi a votação favorável de parlamentares do PSOL, em particular de Marcelo Freixo, conhecido pela sua militância na pauta dos direitos humanos, que votou a favor do projeto de lei, alterado e com anuência do ministro-inquisidor Moro. 
A polêmica está entre os que defendem que o projeto substitutivo "era melhor" que o original, ainda assim com a essência da proposta do ministro-inquisidor. Os contrários, dizem que o "menos pior" ainda assim é ruim para a classe trabalhadora, em especial, os jovens negros, principais vitimas das ações policiais.

Este nem é a primeira e nem a última polêmica que termina em uma posição de esquerda pelo "menos pior". Desde 1988 um trauma ronda a esquerda brasileira, o trauma da ditadura, seus horrores e sua postura radical contra seus opositores. Incrível que do lado de lá, da direita militar e das elites, radicalizar fazendo vítimas não provoca nenhuma indignação forte, do lado de lá não há um "menos pior", quando aplicam reformas, o fazem sendo pior ou "muito pior".

Do lado de cá, em uma narrativa defensiva (não ofensiva) aplicamos a tática do "menos pior". O PT da sua fundação é criticado até hoje por não ter votado nas diretas ou na constituinte, não seguiu a linha do "menos pior", considerada eleição indireta de Tancredo ou a constituinte dirigida pelo "centrão das elites" como "muito pior". Contradição, assim é a vida.

Mas de lá para cá muita coisa mudou, inclusive o PT, que seguiu a máxima do "menos pior" em várias ocasiões, muitas vezes orientada - indiretamente - por uma classe assalariada média que (ainda) prefere o "menos pior" a ter que enfrentar uma posição ou postura, por mais séria que seja.
De fato, podemos criticar a análise de Sergio Buraque de Holanda, em "Raízes do Brasil", quando coloca que a nação brasileira é esta grande diversidade de povos e que o "brasileiro cordial" como resultado dessa miscigenação. Porém, ele não estava errado em sua análise. Serve bem aos interesses da burguesia. (para recordar uma critica necessária de Leonardo Boff, link: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Sociedade-e-Cultura/A-dimensao-perversa-da-cordialidade-brasileira/52/42292)

Essa "cordialidade" vai domesticando justamente as vitimas desse sistema. E o pior, domesticando as forças políticas e sociais que deveriam buscar romper com essa "cordialidade mórbida" por um projeto - no mínimo - de nação onde deveria predominar a classe trabalhadora à frente do seu próprio projeto.

No último artigo que escrevi tratei do inimigo principal da classe trabalhadora nesse momento: a apatia. Muito bem, vamos incluir então a velha frase: "menos pior", como auto-defesa da nossa derrota.

A questão não é apenas a votação do "pacote anti-crime", mas de uma justificativa que persegue as esquerdas, todas aquelas que possuem poder institucional para decidir os rumos da política, e que é usada várias a várias vezes. Antes mesmos dessa polêmica, vamos voltar à polêmica sobre o "retorno de Marta ao PT e a sua indicação por Lula para disputar a prefeitura de São Paulo".

O discurso predominante foi: "sem alianças a esquerda não ganha", ou seja, é "menos pior". A contradição desse discurso está justamente nos fatos, onde a esquerda marcou historicamente foi onde atuou na contracorrente do "menos pior", vamos lá: ousou vencer em São Paulo em 1988 com Luiza Erundina, gestão lembrada até hoje (2019); Orçamento Participativo nas gestões do PT impondo inclusive derrotas ao modelo parlamentar fraco nas Câmaras de Vereadores; inúmeras conferências de políticas públicas onde a posição resultou em derrotas da direita e vitórias da esquerda (exemplo: a quanto tempo tentam impor a redução da idade penal?); a vitória eleitoral de Lula se deu menos pela "carta ao brasileiros" e mais pela simbologia do "partido que combate a corrupção" entre outras lutas de resistência; entre outras.

Na luta simbólica da esquerda glorificamos os "bons exemplos" de ousadia que não se pautaram pelo "menos pior". Mas preferimos seguir o curso de um rio que tende a dizer "melhor o menos pior", sem saber ou perceber que nem sempre pode ser o melhor caminho para uma real mudança.

Última reflexão: essa onda "anti-sistema" que contaminou a política brasileira segue o sentido inverso do "menos pior", eles querem sangue, posição e postura, ou seja, preferem a sensação de estarem "destruindo algo" para poder "criar algo novo" (é esse o discurso do "bolsonarismo").

Porém, não seria também, no inverso das pautas, uma luta da esquerda? Anti-sistema (capitalista), buscando destruir modelos atuais por um novo?

Será que não vamos superar esse "mito" do "menos pior".

Ou então é melhor parar de ser contraditórios. Discursos inflamados, radicais e duros nos microfones, mas práticas atuando pelo "menos pior", só geram confusões. O momento exige - como sempre exigiu - posição. Mais ou menos não é posição em uma conjuntura radicalizada.

Última reflexão - de verdade - seria a nossa direção de esquerda tão intimidada, recuada ou acomodada ao ponto de não conseguir acumular as insatisfações gerais da classe trabalhadora ao ponto de ser superada por uma direita fascista que responde a uma fração da classe trabalhadora (parte dos assalariados médios) que lhe devolve com apoio? E com a incursão de reformas que atingem as frações mais frágeis da classe trabalhadora, os pobres, o que estamos fazendo para que o seu levante seja progressista e não mais conservador?

E não me venham com essa história de que os que vivem na pobreza são propensos à uma reação progressista. Marx explica bem (18 Brumário) que os "de baixo" serviram bem aos interesses de Luís Bonaparte e em vários golpes de estado como no Chile (1973) os caminhoneiros, etc., etc., eis a questão que nos perturba.
Boa noite.


sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Direto ao assunto: O adversário da esquerda é a apatia!

Tarsila do Amaral: Obra "Morro da Favela" (1924)


Novembro de 2019. Primeiro ano do impensável governo de "Bolsonero", denominação que ainda considero a mais adequada, já que as similaridades são incríveis, pois - apesar da divergência histórica, o que levou a acusação de que o imperador Nero (no ano de 64 na antiguidade) é que os interesses dos poderosos prévia uma grande reforma urbana em Roma, e a "solução" teria sido o grande incêndio, que por coincidência ocorreu, e há historiadores que atribuem ao imperador romano a autoria, ou pelo menos a conivência. Pois bem, sobreviver ao primeiro ano de Bolsonero foi um difícil exercício, mais pela paciência do que pela combatividade.

A ausência de combate pode ser explicada pela insistente lógica "republicana" construída pela mídia e pelos setores da classe dominante e parte da sociedade civil referente ao "período de tolerância com governos que aniversariam no seu primeiro ano", essa narrativa perpassou por todos/as os/as presidentes que passaram pelo palácio do Planalto. 

E no Brasil dos grandes interesses, também vale "respeitar" certas regras republicanas, mesmo que em rota de colisão com o ridículo, autoritário e incompetente governo de Bolsonero, isso relativo tanto a essa "postura do cargo público". Com relação ao pacote de reformas, o nacionalismo bolsonarista foi trocado rapidamente pelo "esqueçam tudo que eu escrevi do FHC", até aí nada de novo. Importante dizer - antes que alguém encha o saco com isso - que os governos Lula e Dilma já tinham se comprometido com um programa de coalizão na "carta aos brasileiros", portanto, sendo de esquerda ou não, todos e todas embarcamos na grande coalizão. 

Bom, já havia inscrito aqui que o rol de alegorias iria ficar no governo, pois fazem parte da sua tática de manutenção da estratégia. Damares, Weintraub e outros ficam, ficam e não irão cair, pois são a tropa de elite do governo. Distraem, causam raiva, tiram o sono, perturbam...e é isso que farão dentro do jogo de cena e de entretenimento da oposição ao governo. Devemos deixa-lós em paz, não, mas oferecer atenção a cortinas de fumaça tem sido o centro da luta da esquerda e das forças progressistas, quando o centro real e que de fato interfere na vida da classe trabalhadora segue, sem interferências populares. 

Na vida real e na boca do "povo" a previdência, o custo de vida e o novo regime de "empregabilidade" ou de "geração de renda" incidem mais nos diálogos das ruas, do que os assuntos propagados pelas "autoridades". Certo que devemos denunciar e manter viva a defesa do nosso projeto político-cultural, mas na "boca do povo" os diálogos são de frustamento, derrota e do velho discurso "não a nada o que fazer". A apatia dentro do esquema central do conceito de alienação, parece ser a principal arma subjetiva mais eficaz da classe dominante no Brasil.

Antes do sexo seguro e do uso da camisinha, a prevenção a revoltas populares e lutas sociais de massa tem sido a principal preocupação das classes dominantes brasileiras desde o desembarque de Cabral na inauguração da sua nova "fábrica Brasil", que serviu muito bem a Portugal. 

Um ano de governo, e a depressão política parece ser mais contagiante do que a capacidade de resistência. 

De um lado uma militância que se divide entre o orgânico - intervindo no cotidiano, apoiada nas entidades, movimentos e organizações sindicais e populares, buscando cumprir o seu papel na agitação e propaganda; do outro o ativismo -  comprometido com eventos e atos pontuais, vivendo a vida assalariada média; o certo é que cada vez mais há um limbo daqueles e daquelas que estão com seus vínculos partidários, sindicais, sociais, etc., mas que estão canalizando sua militância em espaços de luta e resistência que se distanciam da velha lógica da "guerra interna", do "quem tem a razão e a verdade", das disputas entre nós, das direções assumidas e depois limitadas pelo mundo real, ou seja, quem viveu estas experiências e fez dialeticamente sua análise critica sobre o momento atual, acumulada pela avaliação do período em que adentramos o século XXI com a esperança do Fórum Social Mundial e agora vivendo sob a visão do retorno de um fascismo atualizado pela Big data e as novas tecnologias.

Apatia aliada a baixa condição político cultural aliada a forte penetração da ideologia neoliberal onde o "mercado a cima de todos e repressão para todos de baixo", o individualismo oportunista do "viva o agora" e que não se preocupa com a coletividade humana, a aliança perversa de um analfabetismo funcional (e intencional) aliada a lógica de consumo como sustentação da existência humana.

O resultado produziu o bolsonarismo, seu governo e suas posturas autoritárias, que ainda são iniciais e que podem se tornar, em breve, a partir da organização do seu partido, acionista parceiro da hegemonia político e econômica do atual capitalismo financeiro. 

Quando o termo "ditadura do mercado" aparece nas analises político-conjuntural da década de 1990, alguns dirigentes de esquerda consideravam o termo "muito duro", hoje o termo tem força, exerce sua força e impõe ao mundo sua lógica, a das corporações financeiras e seu poder, não de lobby, mas de mando efetivo.

Não trago dados, há muitos e muitas instituições que as divulgam e as analisam com DIEESE, BRASIL DE FATO, INESC, NÚCLEOS DE PESQUISA, entre outros, e este não é o objetivo desta opinião.

Nesse momento é importante considerar: o lado de lá, da classe dominante avança várias casas, não sente os enfrentamentos provocados pela sua "guerra político-cultural", as instituições da república seguem reproduzidas pelos netos, filhos e herdeiros de lugares onde os filhos e filhas da classe trabalhadora não conseguiram chegar, seja no Poder Judiciário, nas hierarquias militares, nas Promotorias Públicas, nas várias áreas do Poder Executivo e Legislativo. Evidente que essa formação e inserção depende de uma organização e um instrumento político que faça o investimento necessário. Isso no Brasil não há. Repito, não há.

Derrotar a apatia exige ainda um forte trabalho de agitação, propaganda e formação de massa, intensa, combinada e difusa na sociedade e no Estado.

Não existe tarefa ruim para classe trabalhadora, existe tarefa histórica. Esse momento exige que assumamos esta tarefa.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

No al golpe en Bolivia - Comité Directivo del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales


Declaración del Comité Directivo de CLACSO. No al golpe en Bolivia

clacso.org













9 de noviembre de 2019


El Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO) expresa su preocupación ante la vulneración de derechos y el irrespeto a los principios democráticos y a las decisiones de la mayoría del pueblo boliviano. Asimismo, rechaza el uso de la violencia, el reavivamiento del odio clasista y racial y el uso de estrategias de confrontación que dañan la institucionalidad democrática y la paz social.

Las fuerzas reaccionarias que desconocen el resultado electoral generan violencia sobre mujeres indígenas, campesinas y autoridades en ejercicio para hacerse ilegítimamente con el poder. No han esperado siquiera las conclusiones de la auditoría internacional que se realiza como muestra de la voluntad del actual gobierno de despejar las posibles dudas sobre los resultados de los comicios.

Ante esta situación, el Comité Directivo de CLACSO hace un llamado a los diversos grupos y sujetos para deponer las acciones violentas y contribuir a la búsqueda de alternativas de diálogo que respeten la institucionalidad del país, salvaguarden las conquistas alcanzadas por su pueblo, defiendan la democracia y detengan con urgencia el intento de golpe. A su vez, manifiesta su voluntad de contribuir a una solución pacífica y consensuada entre los sectores en conflicto y a un diálogo sin injerencias externas, que respete la decisión acordada en la CELAC de mantener a América Latina y el Caribe como zona de Paz.


No al golpe en Bolivia

Comité Directivo del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales