Blog do Wagner Hosokawa. Para quem curte novas idéias para política, a sociedade e a vida!
segunda-feira, 22 de junho de 2020
"Esquerda precisa apresentar narrativas contra o bolsonarismo", diz Esth...
São os alertas que eu e diversos/as companheiros/as estamos apontando. Há uma força política que emerge das trevas e agora exige o seu lugar na política. E nós? Trataremos a política como "normal"? Ou iremos resistir e fazer subir nossas bandeiras.
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Porque teve ato pela democracia domingo?
O de fato estamos numa pandemia, de fato deveríamos estar em isolamento social. Mas porquê essa estratégia ? Porque a doença é nova, os testes são variados e não tem avaliação 100% conclusiva e não ha uma vacina. Evidente que para conter contaminação há propostas de isolamento social pelo grau de contaminação, nesse caso por ar, por toque, enfim.
Mas isso não determina que a consciência do ser social mude por completo. Capitalistas seguem sendo capitalistas (mesmo os bonzinhos), racistas são racistas, machistas seguem machistas...e assim vai. Não haverá mudanças radicais, a não ser pela nossa sobrevivência.
Estamos desde o início da quarentena em completa negação. Deixamos em "stand-by" nossas relações, gostos e até mesmo ideias, vontades, e isso em nome da sobrevivência.
Mas mesmo o próprio governo federal que decretou urgência é o mesmo que desrespeita as normas de isolamento, flerta com manifestações de apoio de todo tipo de lixo humano (racista, oportunista, machista, milico, pedofilo, etc) para apoiar uma afronta as instituições do Estado (que são frágeis, sempre foram) e ainda apoiando volta da ditadura militar.
Imagine milhares ou milhões em negação. Imagine milhares ou milhões que pensaram que durante a pandemia que as botas sujas e os rifles do Estado iam "dar um tempo" nas suas comunidades, pois o vírus chegou com força nas periferias, que não podem se dar ao luxo de um isolamento social ou pedir comida pelos aplicativos, e mesmo assim Joãos, Marias, Amarildos...ainda assim surgem aos montes. O unico consolo das famílias desses jovens negros será a de que poderão velar, já que bala de fogo não é causado pelo Covid-19.
Mas imagine essa insatisfação gerada, aos montes, que em algum grupo social, fração de classe ou coletivo que seja incomodado e provocado direta e indiretamente pelo xurume crescente das ruas em verdeamarelo, em clima de copa do mundo e babando por ditadura e eliminação do outro.
Bom, não há controle para liberdade de expressão, para o sacrifício humano, para o ser social vivo e vivente.
Há no meio das torcidas muitas pessoas, humanas e vivas, que estão a muito tempo entendendo que o seu lazer, seu esporte, seu time do coração não está desassociado desse ser social que é único, que tem particularidade e totalidade, que sabe que quer conviver entre os seus iguais, mas não entre aqueles que ameaçam valores básicos conquistados como vida, democracia, igualdade...
Os EUA tem outro dinâmica, a guerra, a conquista pela força está na base da formação da sociedade estadunidense. Sim, nasceram como uma sociedade fincada numa ariatocracia democratico liberal (ler Tocqueville, "democracia na América). Lá nasce a luta pelos direitos civis, Martin Luter King, Panteras Negras, Malcon X, a "libertação" foi inclusa, nasceu a segregação racial como política institucional e a resistência como resposta.
Aqui fomos domesticados (ler Eduardo Galeano, As veias abertas da America Latina) nossa colonização, monarquia, República foram de sangue, suor e lagrimas dos povos, concentração absurda de riquezas para uma minoria dominante. A alienação imcorporou rápido na década de 1990 a passividade como parte integrante das relações sociais no Brasil (ler Jesse de Souza, "A elite do atraso") e ter assumiu o lugar do ser.
O que assistimos na pandemia não é solidariedade. É um show de horror, onde a periferia é de a jaula e os "doadores" os visitantes, que querem ter a certeza que os animais devem ficar nas suas jaulas com seu cheiro fetido, sua brutalidade controlada e sua razão domesticada.
Isso é uma panela de pressão. E não foi o lado de cá que ligou o foda-se, mas não vamos ver essa pressão chiar na nossa cara.
Se precisar morrer, melhor morrer vivendo.
Parta de onde partir, a defesa da vida e da democracia não exige carta, autorização, lugar ou pessoas detterminadas ou mesmo identidade. Ela surge, surge porquê desde o primeiro ser humano que descobre o poder da sua práxis é assim, somos contraditórios.
sexta-feira, 29 de maio de 2020
O país em chamas, mas é preciso parar para alguma distração fora dessa realidade surreal.
Não sei como começar um análise de conjuntura. São tantos fatos que ficamos atônitos, o "bolsonarismo" como força politica fascista venho para ficar e a nós cabe saber como combate-lo e parar de nega-lo.
Vou retomar essa ideia mais tarde.
Agora no momento quero compartilhar boas lembranças de um estudante de escola pública que sem os recursos necessários caminhou o seu caminho.
Essas lembranças são para dizer que minha aproximação com a ideologia marxista, em especial "O manifesto do partido comunista" de Marx e Engels emprestado pelo professor de história, Marcos, ainda na EEPSG Profº Frederico de Barros Brotero, que na empolgação e como leitor iniciante fiz a leitura detida de cada um dos prefácios feitos à edição em várias linguás e países até chegar no texto mais importante propriamente dito. Nessa mesma escola na minha pesquisa em saber mais sobre o que era o Grêmio Estudantil e meio influenciado (pasmem) pelo seriado da Tv Glogolpe, "anos rebeldes" fui à biblioteca da escola perguntar se havia alguma publicação sobre o assunto, semanas depois a bibliotecária da escola venho na porta da sala de aula me entregando uma cópia xerocada e me deu, tamanho deve ter sido meu interesse, esses gestos não esquece nunca de minha memória.
A militância no movimento estudantil secundarista e minha aproximação com a esquerda me deu um objetivo de vida, gosto pelo estudo, onde descobri o sentido real da educação como direito e não como dever, gosto pela leitura - coisa que odiava - interesse pleo sentido de Brasil e a certeza de que parte das minhas duvidas sobre as desigualdades sociais que me incomodavam tinham respostas e soluções.
Dessas lembranças vem de 1999 e 2001:
O jornalista Elio Gaspari da Folha havia ficado muito incomodado com o privatizador ministro da educação, sim não foi só Bolsonaro que tinha o seu sinistro da educação, Paulo Renato de Souza era tão empenhado em destruir a educação pública que havia dito que "nenhum auno da escola pública brasileira tinha ido bem na redação do ENEM", fazendo com que uma chuva de cartas chegasse a redação e Elio disponibilizou sua coluna para desmascarar o ministro.
Eu, fui um desses alunos.
São Paulo, Domingo, 26 de Dezembro de 1999

ELIO GASPARI
A segunda lista da turma 10 do Enem
Aqui vai a segunda lista dos estudantes que tiraram 10 na prova de redação do Enem e pediram que isso fosse registrado, sobretudo porque se noticiou aqui que nenhum dos 315 mil jovens que fizeram a prova conseguiu semelhante sucesso:
Alice Caroline Santos Prado, do colégio Delta, de Goiânia.
Ana Silvia Meira, do Santa Maria, de Santa Maria (RS).
Cibele Lourdes dos Santos, do Universo, de Praia Grande (SP).
David Carletti Levy, Centro Federal de Educação Tecnológica, do Rio.
Diego Luiz Boava, de Itatiba (SP).
Felipe Costa Fuchs, do Farroupilha, de Porto Alegre.
Fabiano Jesus de Souza, do José de Anchieta, de Vila Prudente, São Paulo. O cachorro dele comeu um naco do boletim, mas poupou o pedaço onde estava a nota.
Fernanda Zuffellato, do Bandeirante, de São Paulo.
Gabriela Andrade Vasques, do Crummond, de Lorena, SP. (9,5 em conhecimentos gerais.)
Gisele Moriel, do Objetivo, de Santo André (SP).
Jorge Luís Oliveira Tostes. Tem 37 anos, mora em Bauru (SP) e concluiu o curso médio em 1980, no Instituto de Educação Governador Roberto Silveira, de Caxias, RJ. (9,4 em conhecimentos gerais.)
José Borbolla Neto, do Bandeirantes, de São Paulo.
Leonardo Lage Bertschinger, do Farroupilha, de Porto Alegre.
Manoel Moacir Rocha Farias Junior, do Sete de Setembro, de Fortaleza.
Marco Antonio Cochar Pisani, Liceu de Artes e Ofícios, de São Paulo.
Milton Minoru Miyamoto, de São Paulo.
Paulo Roberto de Morais Almeida, tinha concluído o curso secundário há 12 anos, na Escola Estadual Antonio Lordello, em Limeira (SP). Fez vestibular para direito na USP e, com as notas do Enem, elevou sua média de 104 para 112,1, o que praticamente lhe assegurou a aprovação. (Teve 9,0 na prova de conhecimentos.)
Renata Yuri Takemura, do Rainha dos Apóstolos, São Paulo.
Renato Antunes dos Santos, Curso Anglo, de Tatuí (SP).
Tamara Rangel Vieira, Colégio Pedro 2º, do Rio.
Tatiana Lisita Ribera, do Disciplina, de Goiânia.
Thaís Maria Novellino Natale, do Colégio São Paulo, São Paulo.
Thiago Jung Bauermann, do Marista, de Curitiba. (9,5 em conhecimentos).
Tiago Rodrigues de Oliveira, do Colégio Militar, de Porto Alegre. (9,0 em conhecimentos gerais.)
Wagner Hosokawa, da Escola Estadual Conselheiro Crispiniano, de Guarulhos (SP).
Karin Ribeiro Nascimento Cardoso, do Rio, não tirou 10. Tem 16 anos e ficou com 9,5, mas sua mãe, Maria Marta Nascimento, ficou de tal maneira orgulhosa da filha, que não custa nada acrescentá-la à lista. Karin tem um sonho: conhecer o jornalista Ziraldo. Tomara que consiga.
(fonte:https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2612199918.htm)
E a minha passagem da primeira para segunda fase da Fuvest, sem cursinho e vindo da escola pública: (Ah na época a tentativa era Letras na USP, bom não deu. Mas ir para segunda fase é um sentimento tão gostoso)
|
domingo, 17 de maio de 2020
Quando falta estratégia, sobra "achismos". Era uma vez um partido, hoje sobra tamanho!

A notícia de que o PT teria contratado uma pesquisa de opinião à empresa VoxPopuli para medir o impacto do apoio ou rejeição do sr. Bolsonaro e as medidas de transferência de renda do auxilio emergencial teriam relevância estratégica se não fossem divulgadas pela revista do golpe, a (in) Veja que segundo ela mesma informa: "Uma pesquisa recente do Vox Populi encomendada pelo partido de Lula quantificou o fenômeno. Ela apresenta o desempenho do presidente por região, renda familiar e escolaridade. VEJA teve acesso aos dados."
Vamos repetir a última frase: "Veja teve acesso aos dados". Podemos considerar que a VoxPopuli vazou, sim. Podemos considerar que um dirigente do partido vazou, com certeza. A própria Dilma ironizou os vazamentos de informações de reuniões de gabinete que deveriam ser sigilosas consideradas "sigilo de Estado", mas não. E não é novidade. Durante o governo Lula, nenhuma reunião era sigilosa o bastante que não fosse parar nas "venenotas" da Farsa de S.Paulo.
Uns poderiam dizer que "é do jogo politico". Mas considerando que as reuniões obscuras de políticos do PSDB e outras agremiações seguem seu sigilo, supor que isso é "endêmica" apenas ao PT só demostra a fragilidade em nosso projeto de disputa pelo poder. Uns chamam de "excesso de republicanismo", este militante chama de "cagada" mesmo.
O uso de espiões é tradicional de forças políticas e econômicas que estão no poder. A atual conjuntura brasileira evidencia que isso é uma pandemia na política e Moro contribuiu muito.
Mas o problema reside e o uso dos meios midiáticos tradicionais e mercadológicos não é novidade na luta interna do PT, antes acusamos um opositor de "usar de meios burgueses para fugir o debate interno", ou "desrespeito a democracia interna e disciplina militante", hoje seria só cagada intencional mesmo.
Isso pode constatar que "ninguém é confiável"? Depende do dirigente e da forma como as articulações políticas se dão no processo, e mesmo assim o risco existe.
Bom, uma vez escancarado o problema, os dados analisados aqui não pertencem a revista golpista (in) Veja, e sim do PT e sua contratada VoxPopuli. Um dado interessante, sempre que as matérias ficam abertas e escancaradas, como esta, nestas grandes corporações de comunicação, o certo é que querem ver o "circo pegar fogo", então vamos à gasolina.
A preocupação do partido está correta. Quem dirige o Estado colhe suas bénéfices, e por pior que seja o governante ou o governo, em um país onde a desigualdade é profunda qualquer iniciativa que busque amenizar as "dores" da fome, desemprego ou pobreza tem um retorno. A forma como isso vai ser implantado determinam o caráter do governo no poder, desde na forma do velho coronelismo paternalista ou reformismo social democrata, isso agindo individualmente sobre o cotidiano do sujeito distante de qualquer debate político que se contraponha a lógica das forças no poder, logo vai incorporando o beneficio como algo "dado e recebido" para atender tais necessidades sociais emergentes. Sobre isso vale considerar:
- A imagem sobre o beneficio concedido não é somente quem (Bolsonaro ou Lula), mas também qual instituição, nessa caso o Estado via governo federal/ Caixa Econômica Federal;
- A necessidade social operada pode ser caótica, com filas e pessoas ainda sem receber, em análise, e outros, mas devemos considerar o impacto sobre a vida de quem recebeu, e falamos de cerca de 46,2 milhões de pessoas, dados da agência Brasil de 30/04/20, isso no âmbito das individualidades diversas, socializando o valor sobre suas necessidades diversas, e mesmo que isso não reflita em "gratidão", em parte haverá efeito de reconhecimento; O velho poder do Estado Moderno, a história enfim não acabou né Fukuyama?!
- Como não houveram reformas estruturais que permitissem ampliar a participação social por meio das diversas políticas públicas e sociais, e que poderiam ter dado os mesmos resultados dos levantes de 2013, mas sobre uma outra perspectiva de classe, ainda as narrativas, discursos e formas de ver e fazer as coisas, em especial em política seguem as mesmas;
Onde a revista (in) Veja não teve muita dificuldade para apontar duas mudanças na curva de aprovação ao governo fascista de Bolsonaro em dois aspectos: escolaridade e região do país, e sinaliza (nas suas palavras): "A leitura é que os 600 reais do auxílio emergencial pagos a trabalhadores informais e beneficiários do Bolsa Família influenciaram na manutenção do um terço de apoio que Bolsonaro apresenta nas pesquisas em geral."
E o deslocamento por escolaridade diz que aqueles com ensino fundamental em dez. 2019 eram menos de 19% e agora em abril de 2020 são 42% os que "aprovam" o governo federal, seguido dos de "ensino médio" que dão 33%, e no público com formação no superior caiu para 24%, uma mudança significativa na curva.
Com relação a região nordeste, que deu a vitória a Fernando Haddad nas últimas eleições, o quadro mostra que a aprovação em dez. de 2019 era pouco menos que 15% sobe em abril de 2020 para 27% e com uma tendência de queda dos que "reprovam" o governo federal.
Isso somada a análise constatada internamente no PT e que a (in) Veja traz ""O Bolsa Família aumentou a probabilidade de essas pessoas votarem no Lula e na Dilma, mas não gerou petistas. Já esse auxílio emergencial é temporário. A curto prazo, há o aumento na popularidade, mas quanto tempo dura essa gratidão?”, questiona o cientista político da FGV Cesar Zucco."
O processo que poderia ter "gerado petistas" ou novos cidadãos/ cidadãs ou ativistas populares sob a perspectiva da defesa da democracia e outros valores humanos não estiveram no centro ou pelo menos em paralelo às medidas governamentais do período Lula-Dilma. E isso depende de um esforço conjugado, mobilizante e permanente, sem a preguiça republicana constumeira.
Talvez que desse discurso republicano da classe dirigente do petismo seja a sua própria gênese do erro, ao colocar em suas fileiras parte dessa geração de "novos petistas", sem tradição ou leitura ou postura intelectual arrogante e elitista formam penetrando no "mundo do PT", com super valorização da historia que não foi vivida, glorificando o passado e vivendo sua Realpolitik contra os "radicais", dando ao Estado a crença de que estar no poder e saber conduzi-lo seria suficiente.
Esse republicanismo burro e intensamente preguiçoso que no uso dos recursos dos cargos buscou fazer carreiras, bebedeiras e um "viver a vida" em nome de um projeto de poder que supostamente teria sido consolidado por uma "democracia sólida dos trópicos", e de vitória em vitória bastava "usar a caneta" da republica para vencer quem ameaçasse o poder dos "soviets dos mares do sul".
O uso recorrente de ataques pós golpe contra a classe trabalhadora e contra os pobres como "ingratos" termina o ciclo de cretinices desses novos desamparados do neo petismo, que nunca participado de uma vida partidária intensa, com debates intermináveis e luta sociais intensas, agora quer se apegar ao passado da década de 1980, sem ter feito uma única reflexão importante sobre o presente de 2013-2020.
Agora o Estado liberal é uma realidade incomoda e mesmo diante de uma disputa evidente de projetos societários que estão sendo conduzidos por Bolsonaro e sua Internacional do conservadorismo-fascista (Bannon e outros) ainda uma parte do republicanismo burro aposta no "susto das instituições", esquecendo que os atores do golpe são os mesmos de toga, de terno e de mandatos, perseguindo seus interesses no heich de Bolsonaro.
Se é para aprendermos com as lições do passado, melhor retornarmos "As veias abertas da América Latina" de Eduardo Galeano, em especial de como foram sufocadas as iniciativas de construir um continente latino americano independente e desenvolvido, e como direta e indiretamente o imperialismo capitalista sufocou a todos, pois, a paz dos povos não pode representar "baixar a guarda" no alerta contra as tentativas do capitalismo em destruir qualquer forma alternativa à sua ordem.
Cuba resiste, mas não dorme tranquila, esta em alerta permanente.
Para nós, vencer eleições parlamentares é manter viva a denúncia do sistema. E vencer as eleições para o Executivo? O que isso vai representar para esquerda quando não houver mais nada para administrar que tenha conectividade com nosso projeto societário ou nossos valores humanos?
Com a pilhagem total do Estado e as inúmeras amarras para sua libertação em termos de reformas estruturais, de que valerá para esquerda vencer? Fazer bons índices de superavit? Mostram como somos fiéis a lógicas fiscais das quais não concordamos?
A esquerda no mundo está no meio de uma encrenca. Na Grécia, Espanha e até na promissora Portugal, as amarras neoliberais impedem que hajam governos ousados do ponto de vista de ampliar a mobilização da sociedade em defesa de um Estado que se imponha sobre a sanha capitalista. Cada vez mais o projeto neoliberal avança para novas formas de destruir o que era tão sólido na (antiga) sociedade moderna. Os ataques de Trump a OMC evidenciam que os capitalistas financeiros querem o fim o acordo de Breton woods e querem novas instituições que atendam aos interesses, de fato, do capitalismo financista. A velha estrutura da ONU passa por um questionamento e uma erosão silenciosa, onde gravatas de marca, diplomas e títulos pessoais não serão mais considerados pela nova ordem global.
Tudo isso, em meio a pandemia e pandemônios, exigem que haja o retorno para os estudos e a formação, da qual parte da intelectualidade nas instituições públicas devem se inscrever, não como entidades superiores, mas com pés no chão e lado a lado, para o trabalho de base massivo e coordenado, e não esse dos discursos e disperso, para combinação das táticas eleitorais com desprendimento e impersonalização, e uma maior definição do que seria um projeto de poder que se traduza no convencimento e dedicação do povo.
O cenário pós pandemia será de revanche do capitalismo. Será mais duro e cruel contra aqueles que nada tiveram a ver com sua baixa de lucros, novamente a classe trabalhadora vai pagar com tortura e dor, a revanche implacável dos especuladores e sua corja empresarial e banqueira. O mundo pós pandemia vai ser pior do que este que estamos vivendo, pois o sangue que vai correr não será monitorado pelas instituições ou instrumentos da burguesia (mídia em especial), e serão muitos que vão sofrer. A ditadura do mercado financeiro será dura, quem viver verá.

sábado, 18 de abril de 2020
Crise de Saúde (Covid 19) e a solidariedade da emergência.

foto: reprodução/ Twitter
A segunda década do século XXI está marcada pela pandemia que marcará a história humana numa que será uma das conjunturas mais complexas que existiu. Antes da pandemia do Covid 19 (coronavírus) nós já nos encontrávamos no período do pico do neoliberalismo em sua fase mais agressiva, sob domínio da ditadura do capital financeiro global, ascensão política do "neo" fascismo que emerge a partir da vitória de Trump nos EUA e agora tudo indica que sua direção ideológica tem atuado como um tipo de uma "internacional do conservadorismo e do ultraliberalismo" com experiências exitosas em vários países, inclusive o Brexit, e o Brasil que entrou para o rol desse novo campo de força política que emerge das trevas.
Essa "nova" força política reivindica o dinamismo do mercado e reação contra o "liberalismo" com suas permissividades a questões raciais, de genêro e suas diversidades, exigem para si a velha narrativa da moral e dos bons costumes, aliando-se as novas formas de relações sociais por meio das tecnologias (celulares, Iphones, e outros) e não só isso, mas também o uso dos dados para os seus interesses políticos, atuando como um "partido de vanguarda" estruturado e com estratégia de poder.
Tragicamente, é um tipo de reprodução do internacionalismo do movimento comunista que teve ação vigorosa no final do século XIX e no século XX.
Tragicamente, é um tipo de reprodução do internacionalismo do movimento comunista que teve ação vigorosa no final do século XIX e no século XX.
O que vivemos internacionalmente, no campo de forças da esquerda, mudanças devido a diversas questões globais que vai desde a capitulação da social democracia europeia em adesão e implantação do projeto neoliberal nas décadas de 1980-90, o levante do zapatismo no México, surgimento do Fórum Social Mundial (FSM), sucessivas crises do capital que leva a vitória dos governos de esquerda na América Latina, crises na União Europeia que gerou uma nova onda xenofóbica evidenciada pela situação dos povos imigrantes e vagantes pelo seu direito a sobrevivência, o "Brexit" com a saída do Reino Unido da União Europeia e novo processo de descenso político institucional da esquerda, em especial na América Latina por meio de golpes institucionais. Isso tudo nas duas décadas do século XXI
Nesse cenário, 2020 se inicia com sinais de fumaça e que se alastrou como um grande incêndio gerando a crise de saúde pelo Covid 19 (coronavírus) em escala global e gerou a maior crise da humanidade e humanitária internacionalmente, onde nesse exato momento (18/04/20) chegando a
Confirmados
2.293.644
|
Recuperados
583.783
|
Mortes
157.400
|
(fonte OMS)
E mesmo diante desse cenário, politicamente essa "internacional do neo conservadorismo e do ultraliberalismo" manteve sua luta política, combatendo as propostas de isolamento social, atuando contrária às posições hegemônicas do campo científico e seguindo na sua estratégia de fazer avançar o campo do protofascismo ao manter vivo no seu discurso a alegação que a crise de saúde é uma tentativa de "golpe pela esquerda" contra Bolsonaro no Brasil.
A crise de saúde tem levantado o tema da solidariedade. Contudo, uma solidariedade muito específica no campo do pensamento liberal, ou seja, uma "solidariedade da emergência", que advém da ideia neoliberal da "doação ou ajuda" que deveria partir de setores da sociedade civil, um tipo de auto responsabilização dos indivíduos (Montano, 2010 p.168) que se apoia na lógica da privatização do Estado, redução da sua intervenção para manter o orçamento público para o financiamento do setor financeiro e do mercado e tratando as expressões da questão social no capitalismo como um problema exclusivo de uma "sociedade civil" na sua forma "colaborativa".
Essa solidariedade da emergência, nesse momento, opera sobre a visão mesquinha de "luta pela sobrevivência" dos indivíduos, pois o que tem sido o centro desse "voluntarismo" todo é mais no sentido da busca pela proteção de si próprio e não necessariamente pensando nos outros (na coletividade), serve mais como um mecanismo básico de sobrevivência humana. E isso ocorre justamente porque parte da massa trabalhadora que emerge no cenário dessa conjuntura, conforme analisa Antunes da Unicamp e outros pensadores brasileiros, é justamente a fragmentação e a pulverização da classe trabalhadora, desempregada estruturalmente e empurrada à desproteção social no Brasil e no mundo.
A crise de saúde fez tornar transparente e evidente a situação da grande massa desempregada excluída do mercado formal de trabalho, mas trabalhando no setor informal, terceirizado, diarista em todas as áreas de serviço e até da produção, precarizado e totalmente desprotegido socialmente. Onde a urgência da burguesia brasileira está centrada na contenção dos levantes da classe, e menos do problema da crise de saúde do Covid 19.
A pressa em aprovar medidas de auxílio vem mais da emergência de classe e preservação do seu poder do que da emergência humanitária.
A pressa em aprovar medidas de auxílio vem mais da emergência de classe e preservação do seu poder do que da emergência humanitária.
As iniciativas "solidárias" tem sido desenvolvidas de forma diferente entre as várias frações da classe trabalhadora. Onde observamos que parte da classe assalariada média no alto dos seus condomínios têm protagonizado as "iniciativas das janelas", entre outras, enquanto nas periferias temos aquelas onde há uma organização comunitária efetiva estão mais preparadas para reagir e onde as periferias são marcadas pela desorganização, se encontram dispersas e sem apoio efetivo.
Nesse quadro o "perigo" está no efeito "panela de pressão", que pode fazer com que o desespero gere levantes populares dessas frações da classe, mais vulneráveis exigindo respostas frente a situação de pandemia/ crise de saúde pública.
Nesse quadro o "perigo" está no efeito "panela de pressão", que pode fazer com que o desespero gere levantes populares dessas frações da classe, mais vulneráveis exigindo respostas frente a situação de pandemia/ crise de saúde pública.
O cenário não é favorável para uma revolta progressista e na disputa política geral quem sai na frente promovendo esse "levante" é a fração política bolsonarista entre os assalariados e pequenos burgueses, seguindo a direção do seu "chefe" na defesa da narrativa da pauta econômica contra as ações de isolamento social, buscando disputar essa narrativa no seio da sociedade brasileira.
No campo da esquerda a dispersão e parte da letargia sobre os fatos tem sido algo evidente, seja nas ações de enfrentamento a crise de saúde ou reagente apenas aos movimentos do bolsonarismo ou das frações burguesas que sustentam o governo.
É preciso admitir que pela esquerda houve um atraso de reação nesse momento, em especial em articulação com as periferias e a classe trabalhadora em geral, principalmente em não criar um arco de defesa prévia para suas bases para poder avançar na população em geral.
Suas ações fragmentadas e dispersas, baixa capacidade de incidir sobre o debate político institucional, com a direita ocupando governos municipais, estaduais e a União desde a derrota político eleitoral do PT desde o golpe de 2016 e o distanciamento das organizações em resposta à questão social brasileira são elementos que estão presente em nossa realidade política.
Suas ações fragmentadas e dispersas, baixa capacidade de incidir sobre o debate político institucional, com a direita ocupando governos municipais, estaduais e a União desde a derrota político eleitoral do PT desde o golpe de 2016 e o distanciamento das organizações em resposta à questão social brasileira são elementos que estão presente em nossa realidade política.
A questão da solidariedade de classe deveria (e deve) se tornar um valor central e permanente, em particular, em tempos de guerra político ideológica contra o "neo" fascismo.
Foi a solidariedade de classe que constituiu a liga que promove os primeiros levantes operários da classe trabalhadora no Brasil, nos movimentos anarco sindicais, nas iniciativas dos círculos operários em apoio a dimensão das relações sociais do operariado, enfim, a versão do "nós por nós" é parte forte dos valores de luta da classe trabalhadora brasileira. Tanto que a ditadura do Estado Novo de Vargas foi implacável contra isso, inclusive, onde as instituições do Estado agiram sobre a dimensão da formação até ao esporte e lazer se observarmos o papel que cumpre o sistema "S" com o Senai, Sesc, entre outros, o disciplinamento das organizações sindicais pela lei trabalhista (CLT), ou seja, formas articuladas de capitular a partir do cotidiano da classe trabalhadora como meio de desestabilizar suas organizações.
Em contrapartida temos também nas décadas de 1970 e 1980 os levantes da classe trabalhadora fazendo surgir o "Fundo de Greve" como instrumento coletivo de apoio solidário aos trabalhadores demitidos durante as greves, os "clube de mães" e o movimento por direito a creches, enfim, historicamente a classe trabalhadora brasileira tem tradição em iniciativas valorativas da solidariedade de classe.
Foi a solidariedade de classe que constituiu a liga que promove os primeiros levantes operários da classe trabalhadora no Brasil, nos movimentos anarco sindicais, nas iniciativas dos círculos operários em apoio a dimensão das relações sociais do operariado, enfim, a versão do "nós por nós" é parte forte dos valores de luta da classe trabalhadora brasileira. Tanto que a ditadura do Estado Novo de Vargas foi implacável contra isso, inclusive, onde as instituições do Estado agiram sobre a dimensão da formação até ao esporte e lazer se observarmos o papel que cumpre o sistema "S" com o Senai, Sesc, entre outros, o disciplinamento das organizações sindicais pela lei trabalhista (CLT), ou seja, formas articuladas de capitular a partir do cotidiano da classe trabalhadora como meio de desestabilizar suas organizações.
Em contrapartida temos também nas décadas de 1970 e 1980 os levantes da classe trabalhadora fazendo surgir o "Fundo de Greve" como instrumento coletivo de apoio solidário aos trabalhadores demitidos durante as greves, os "clube de mães" e o movimento por direito a creches, enfim, historicamente a classe trabalhadora brasileira tem tradição em iniciativas valorativas da solidariedade de classe.
E no momento atual? O que houve no campo das esquerdas com relação ao valor da solidariedade de classe?
É importante ressaltar que a burguesia nunca abandonou sua estratégia de intervenção e desmonte das ações e valores da esquerda, como vimos historicamente, havendo uma capitulação da solidariedade pela ideologia neoliberal com protagonismo das organizações sociais, ONG's e frações da sociedade civil. E parte do descolamento da esquerda brasileira, seja pela transferência dessa inclusão social e entrega de suas ações de solidariedade de classe para estas frações da "sociedade civil", seja pela mudança da sua estratégia para o campo da luta político institucional.
É importante ressaltar que a burguesia nunca abandonou sua estratégia de intervenção e desmonte das ações e valores da esquerda, como vimos historicamente, havendo uma capitulação da solidariedade pela ideologia neoliberal com protagonismo das organizações sociais, ONG's e frações da sociedade civil. E parte do descolamento da esquerda brasileira, seja pela transferência dessa inclusão social e entrega de suas ações de solidariedade de classe para estas frações da "sociedade civil", seja pela mudança da sua estratégia para o campo da luta político institucional.
Sobre essa "entrega" da perspectiva da solidariedade de classe pela esquerda (ou pela sua fração majoritária) é importante compreender que parte do projeto de disputa do Estado e da sociedade se alterou gravemente no último período histórico devido ao rápido entendimento de parte da esquerda brasileira pela conciliação de classes ou pelo conformismo político institucional travestido sobre o discurso acusatório de "assistencialismo".
O que houve de forma efetiva pela esquerda em estabelecer a solidariedade de classe foi o processo que promove o Fórum Social Mundial (FSM). Que busca convergir estratégias para conciliar posições anticapitalistas e anti neoliberais, retomada da perspectiva solidária, comum e humanista., porém, sem unidade efetiva isso continuou fragmentada no decorrer do processo, mas pelo menos furou a bolha da concepção acusatória do "assistencialismo" através a ampliação de iniciativas como os cursinhos comunitários populares, bibliotecas populares, do movimento camponês, da economia solidária entre outras, que se mantiveram ainda dispersas. nas iniciativas da esquerda.
O abandono de ações e dos valores da solidariedade de classe dentro de uma estratégia de disputa pelo poder pela esquerda brasileira demonstra, nesse exato momento da história, a fragilidade das nossas redes de apoio e de ação militante.
A fragmentação no âmbito da classe trabalhadora quanto a sua efetiva solidariedade mostra a necessidade de uma real autocrítica da esquerda brasileira e não apenas desta ou daquela organização partidária, sindical ou popular. A ausência de uma ação coordenada, plural, articulada e ramificada nos lugares onde atuamos é parte dessa derrota nesse momento. Nossa resposta, partindo de nossas bases já exerceria forte peso no diálogo e ação junto as massas desacreditadas com a política profissional, além de mostrar nossa capacidade de incidir sobre uma realidade concreta. A solidariedade como práxis da sua classe, nós por nós mesmos.
Esse debate é importante em duas dimensões: a da nossa organização, necessária para resistir a exploração e opressão de toda ordem, nesse caso contra a ordem do capital; na outra a de valores humanos, onde a solidariedade para nós socialistas e comunistas não reside no momento, mas efetivamente intervindo na vida social cotidiana da classe trabalhadora.
Porém nesse exato momento histórico, não estamos exercendo nem na primeira e nem na segunda dimensão.
E essa crítica é necessária agora? Considero que sim. Já que quem se aproveita desse momento de crise de saúde é a própria burguesia e suas representações políticas nos três poderes estende seu oportunismo politico, econômico e social onde segue as reformas neoliberais com a ampliação da reforma trabalhista e da vergonhosa "carteira verde amarelo" que impõe perdas salariais, inverte a luta pela redução da jornada a uma condição de rebaixamento de direitos, oferece acesso ao auxílio emergencial para setores médios da pequena burguesia proletária (micro empreendedores, emprecariados diversos e outros) e dificultando os demais, em especial os mais vulneráveis da classe trabalhadora que estão presos/as no limbo da precarização do trabalho, desempregados empregados sem proteção social alguma.
Pois nada indica que depois da pandemia haverá a continuidade dessa solidariedade, já que o seu limite está estabelecido já pelo "cada um por si", onde a "solidariedade com o outro é pela sua própria sobrevivência", e não há gesto tão mesquinho que esse. Isso revela no espelho da alma humana esses indivíduos que se converteram a gentileza do atraso e a humanidade desumana.
Pois nada indica que depois da pandemia haverá a continuidade dessa solidariedade, já que o seu limite está estabelecido já pelo "cada um por si", onde a "solidariedade com o outro é pela sua própria sobrevivência", e não há gesto tão mesquinho que esse. Isso revela no espelho da alma humana esses indivíduos que se converteram a gentileza do atraso e a humanidade desumana.
Pode ser que ainda haja tempo de constituir em nossa análise crítica interna, em particular nas organizações que reivindicam a classe ainda como centro da luta, resistência e revolução, repito, das organizações que se reconhecem pertencentes a luta de classes, uma perspectiva que faça da solidariedade de classe parte do eixo estratégico da luta, dos valores e da práxis militante.
Mas onde se auto excluem as organizações partidárias, sindicais e sociais que alegam "fugir do debate ideológico" do "assistencialismo" e que se escondem na caverna fétida dessa "sociedade civil" (servil) e seguem mentindo para si e para classe, sob uma estratégia de um aliancismo medíocre que não organiza e não liberta ninguém.
Mas onde se auto excluem as organizações partidárias, sindicais e sociais que alegam "fugir do debate ideológico" do "assistencialismo" e que se escondem na caverna fétida dessa "sociedade civil" (servil) e seguem mentindo para si e para classe, sob uma estratégia de um aliancismo medíocre que não organiza e não liberta ninguém.
Hora de retomar a relação com a nossa classe, atualmente dispersa e fragmentada, mas atenta aos movimentos das forças. As massas, apesar de não estarem apoiadas em condições político culturais para ampliar pela reflexão crítica para buscar meios e formas de se libertar, pode sim ter na retomada de nossos movimentos em direção à solidariedade de classe, combinada com estudo e a luta efetivamente cultural formar opinião, reflexão e posição. Constituir redes de apoio, atuação e disposição para dar respostas a momentos como esse e sair ainda mais grande politicamente pode e deve ser o centro da nossa práxis.
Ainda há na esquerda uma práxis calcada na solidariedade de classe, a tempos tenho defendido que nas experiências contra hegemônicas que vão da Comuna de Paris ao Quilombo dos Palmares, passando pelos Panteras Negras e indo ao MST, que construir nossa auto organização, contrariando o Estado burguês, criando novas sociabilidades locais e fazendo com que essa "fantasma" da emancipação humana seja de fato uma assombração real pelas periferias pode ser um caminho agora inevitável, pelo qual dizia Milton Santos, onde a resistência viria (e virá) das periferias organizadas e como demostrou Marielle. Que é possível construir uma outra saída e alternativa à ordem do capital, sem polícia e nem milícia de direita.
Construir Quilombos urbanos de fato. Sabendo que não será uma luta individual e nem fácil, pois Marielle foi vítima da sua própria estratégia e não teve tempo para ecoar nos ouvidos da esquerda brasileira que o caminho não é o abandono, mas o abraço à uma solidariedade de classe efetiva.
à luta camaradas, não temos tempo a perder
à luta camaradas, não temos nada a perder
terça-feira, 24 de março de 2020
"O preço a pagar?"

O afastamento de Bolsonaro estaria em pauta? No meu último artigo, escrevi sobre os riscos da decretação de um "estado de sítio" justamente pelo sr. Jair B., mas como a política nacional está mais contaminada pela crise do bolsonarismo do que a população em geral pelo coronavírus (Covid-19), eu suponho que os movimentos da política nacional mudaram, ou vão mudar.
Análise política é sempre em tese, não é um jogo de adivinhação e nem previsão do tempo, mas é um recurso, nesse momento, necessário.
Lênin tratava momentos chave de crise como oportunidades históricas das forças políticas, contudo, nem sempre dava em revolução proletária, muito pelo contrário, na maioria das vezes deu merda. Bom, após o discurso em cadeia nacional do sr,. Jair à nação, desprezando as orientações de organizações como OMS - Organização Mundial da Saúde e fazendo disputa contra possíveis adversários políticos nos governos estaduais, Doria e Writzel, em particular, desdenhando da crise de saúde pública e gerando novo desconforto político institucional, conseguiu em um discurso UNIFICAR o país contra si próprio. Podemos até dizer que pelo menos fez algo certo desse vez.
Mas piadas à parte, o certo é que o cenário pode estar mudando.
Vamos lembrar do rito para um impeachment do presidente? Pedido feito ao Congresso, que analisa a admissibilidade (lembra do Cunha?!) que se considerar procedente AFASTA o chefe da nação e dá início ao processo que irá avaliar pela procedência ou não do afastamento definitivo. Vice assume nesse período.
Opa, você diria: "Peraí, o sr. Jair fez composição com os militares e Mourão é fiel", desde que não haja uma articulação antes, pois, em política o que vale é a estratégia.
O afastamento até concluir o processo é de 180 dias. Bom, 180 dias é um bom tempo para que as forças políticas se reagrupam em torno do novo chefe da nação que pode escolher seus "Golberys", reunificar os poderes, destinar recursos para estados e munícipios para atender a crise de saúde, colocar as forças armadas no atendimento de saúde pública com exército, aeronáutica e marinha, dar respostas rápidas, coesionar a opinião pública via mídia hegemônica, enfim, uma nova versão do "com supremo, com tudo" de Jucá.
Mas e a base bolsonarista? Parte dela não poderá sair as ruas, parte não sairá pelo puro egoísmo individualista de medo da contaminação pelo Covid-19 e frações podem rachar até aí. Como já disse, em política se joga com estratégia.
Parece uma analise simplista né. Mas os fatos e as entrelinhas não dormem no ponto e o discurso de hoje coesinou muitas figuras da velha e "nova" política. Basta dar uma olhada, e dessa vez não vou linkar em matéria externa nenhuma, é público e notório.
É um jogo para ser jogado. E nesses casos Brasília não dorme, pode ser que seus protagonistas não queiram aparecer agora, mas dormir diante disso, nunca.
Diante de um quadro favorável, nada muda em termos de reformas neoliberais se Bolsonaro cai. Não há ilusões que o possível governo Mourão vai ser tão mais alinhado à política econômica neoliberal que o próprio Bolsonaro, mas com um detalhe, sem combustão do atual chefe do executivo. Vai ser mais "liberal-republicano".
Com uma esquerda fragmentada em projetos, sem unidade nas oposições, com interesses para todos os gostos e uma tendência ao suicídio, não há sinais de que esse protagonismo seja da esquerda nesse quadro, e por isso o título desse artigo é "o preço a pagar".
Vamos aceitar pagar esse preço para retirar esse fascista do poder?
O cenário pode não ser esse, ou poder ser outro, ou pode ser qualquer um. O certo é que seja qual for o cenário que possa derrubar Bolsonaro, nenhum deles inclui na linha de frente a nossa esquerda, pelas debilidades existentes (sem unidade, sem liderança em comum, Lula livre mas sem alianças sólidas, o dilema do projeto e do trabalho de base, enfim) e nenhum cenário será progressista.
E quais sinais do dia de hoje: a nota do Senado pela sua presidência de Alcolumbre e Anastasia, lideranças do DEM, PSDB, Novo, antigos aliados do bolsonarismo, entre outros. E uma msg que uma amiga enviou que é o vídeo do comandante do exército que "orienta" as tropas para apoiarem a "guerra contra o vírus" (https://www.youtube.com/watch?v=f1pmexyCcGg), declaração insituticonal interna no mínimo estranha, ou seja, há movimentações sendo feitas.
E pense firme se valerá o "preço a pagar?" Vejam que isso num contexto em que Maia não aparece com destaque e defende descaradamente a redução dos salários dos trabalhadores/as do serviço público, passando ileso. (De um lado o "bunda-molismo" da nossa elite sindical, do outro uma catarse diante do que fala e pensa o sr. Jair.)
Será esse o preço a pagar?
ps.: Será esse o preço que a esquerda irá pagar pela ausência de uma estratégia?
domingo, 22 de março de 2020
Aos que acompanham esse blog, minhas desculpas!
Zeca Afonso - Grândola, Vila Morena
Olá,
Estive sumido, seja pelas tarefas ou pela perplexidade. As tarefas, como sabem, são do cotidiano. Mas a perplexidade é sobre esse vergalhão de situações absurdas, ignorantes e oportunistas vindo de um indivíduo que usurpou um poder (e a CPI das Fake news me peritem agora falar assim) e se instalou em Brasília atuando como analisei em artigos anteriores.
Me afastei de escrever sobre o esse caos que é o governo do Bolsonaro e sua famiglia justamente porque iria "chover no molhado". Já há na mídia oficial, mercadológica e popular muita informação. evidente que da oficial e do mercado só escondem a vergonha em nome das reformas neoliberais, anti-soberanas e pró elites. Já havia sinalizado que esse era o governo que iria criar fumaças para encobrir seus desmandos e interesses econômicos-financeiros, e isso se confirmou, em especial, na reforma da previdência.
Diante desse tsunami de merdas, não consegui forças para emitir - mais uma - voz crítica desna, tenho utilizado mais o twitter (que está linkado com este blog), melhor ser mais objetivo nesse momento.
Porém, também exige de nós, militantes de esquerda, nos posicionarmos sobre como superar esse momento.
Por isso, peço desculpas pela publicação irregular de posições. Tentarei ser mais disciplinado.
Falando em disciplina: leiam Marx e leiam Lênin.
E para não perder a fé a esperança, deixo uma música que sempre me emociona: "Grandôla vila morena" foi a canção que embalou a resistência e a derrubada da ditadura em Portugal, onde não estava apenas na pauta derrubar o governo ditatorial, mas também defender a libertação dos povos subjugados e mantidos como colônias de Portugal.
Seguimos resistindo. Mas não vamos vencer sem luta!
Assinar:
Postagens (Atom)
