segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"crescemos somente na ousadia apenas quando transgrido alguma regra o futuro regressa respirável"

Começo este breve artigo (prometo que serei breve), com um trecho do poema de Mario Benedetti para dizer parafraseando "Racionai's" quando dizem numa letra, "se querem jogar minha cabeça pros porcos, pode vir".

Grosseiro, sim! O suficiente para pelo menos neste espaço particular de função coletiva dividir com aqueles que lêem (ou melhor perdem tempo, a depender do que está aqui escrito), pois quero dividir algo que aconteceu a pouco tempo atrás em um espaço que considero necessário para as lutas da minha categoria e uma singela contribuição para luta da classe trabalhadora.

Eu estou já rodado, quem leu minha declaração de aniversário neste blog já imaginou o que já fiz nesta vida. A militância política só tem valor quando adquire a forma, o gosto e o sabor daquela cerveja que a gente toma depois de um tempo e bem gelada.

Recentemente participei de uma reunião que me deixou incomodado. Fiquei mais incomodado ao saber que algumas intervenções vieram no sentido de me atingir.

Sim, me atingir. Eu ser frágil e que não é dotado dos "podres poderes" e com uma força pequena que só pode ser grande se for grande o coletivo do qual pertenço.

Pior, o ataque é fogo amigo. Ou pelo menos era um amigo, ou melhor, companheiro. Lembrando o sentido da palavra companheiro - aquele com quem se divide o pão - enfim, sou uma ameaça e nem tinha me dado conta disso.

Eu que fiz um giro para minha interiorana cidade de Guarulhos, lugar onde escolhi dar minha pequena contribuição para revolução brasileira. Minha cidadezinha de 1.200.000 habitantes. Onde comecei minha militância política e que depois de muitos anos de luta tive o prazer de viver para ver, criticar e contribuir com o governo petista, almejado por todos (as) nos tempos difíceis da maldade dos coronéis. (Suas "crias" ou substitutos ainda rondam nesta cidade).

Aqui nesta versão 2.0 do século não tem me faltado em tarefas, desafios e felicidades. Até andei tanto pra encontrar uma companheira, revolucionária, de luta e de laços afetivos...enfim encontrei, vou seguir o ritual do mundo: casar, imaginem, vou casar (em breve).

E na altura desta vida ter que aguentar de parte desta minha esquerda - ora a nossa esquerda brasileira - o medo e o ataque de quem imaginava estar ao lado na grande revolução.

Agora não posso nem pensar em emprestar a pasta de dente. Vai saber como ela vai voltar. Gozada, cuspida...eu heim!

É meus caros acompanhantes do blog e companheiros (as) de fato, de luta, de copos (alcoólicos ou não), sigo como eterno estudante do mundo, vivendo, aprendendo e buscando não dar tanta bola pra gente tão pequena.

Vamos todos e todas ler o clássico: "Esquerdismo, doença infantil do comunismo", de Lênin - intelectual que eu respeito muito, mesmo!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

DIREITOS HUMANOS, necessária luta contra a bárbarie! Agentes de Segurança do Estado de SP devem no mínimo esclarecimentos!

Humanidade, palavra forte que indica entre os seres vivos o poder daquele único dotado de razão: os homens.

Porém isso parece ainda ser uma luta de pequenos contra gigantes. E de quem estou falando? Da construção de uma sociedade que tenha valores coletivos, humanos e principalmente sem abusos de poder por parte de quem quer que seja.

As notícias publicadas abaixo por jornais da imprensa guarulhense mostram a reação popular contra abusos cometidos por policiais militares que estariam agredindo, extorquindo e utilizando de violência física e moral para coagir a população do "Morro do Piolho"na região do Presidente Dutra.

Região de trabalhadores, lá conheço bem a realidade local e com certeza não é uma região dominada por traficantes ou grupos que promovem a violência. Suas desigualdades sociais e até mesmo algumas violências são problemas para serem resolvidos, mas nada é tão grave quanto a violação de direitos humanos.

Com certeza a indignação leva a atitudes pouco aceitáveis, como no caso a queima de dois ônibus, contudo a reação contra outra violência - a cometida contra as pessoas - é justificável quando não sequer uma providência ou esclarecimento por parte dos órgãos responsáveis pela - pasmem - segurança dos cidadãos e cidadãs.

Por isso escrevo no sentido não de denunciar, mas de reafirmar qual é a sociedade que queremos de fato construir agora e deixar para gerações futuras (gerações que espero que sobrevivam a violência que estão submetidos), e que possamos ter mais respeito pelos profissionais que devem prestar serviço a população.

Quero dizer que enviei hoje (27/01/2011) um ofício pedindo providências na apuração das denúncias para as Comissões de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores e da Assembléia Legislativa, para o Secretário Estadual da Justiça e para o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE), onde solicito no mínimo esclarecimentos.

Justamente porque atingem jovens - adolescentes - e porque soma-se as lutas da campanha "A juventude negra quer viver" que enfrenta a violência contra os jovens negros - vitimas majoritárias do abuso de autoridade - inclusive das forças de segurança pública.

Queremos sim a mudança necessária da forma de abordagem e uma reforma no currículo de formação das forças de segurança pública, bem como o respeito aos direitos humanos da juventude guarulhense e brasileira.

GUARULHOS

27 de janeiro de 2011 - 09:59

Alberto Augusto

Protesto no Morro do Piolho teve dois ônibus queimados

Ônibus queimado em protesto por assassinato de adolescente e enchentes

Protesto no Morro do Piolho teve dois ônibus queimados

Lucas Pimenta

Um protesto de moradores do Morro do Piolho, no Jardim Presidente Dutra, na tarde de ontem, terminou com um ônibus da linha Santos Dumont da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) completamente queimado na Avenida Papa João Paulo e outro na Avenida Rio Real, que teve as chamas controladas e seguiu em operação.

De acordo com os moradores, o motivo do protesto foi o assassinato de um garoto de 16 anos e, também, a sequência de ações truculentas da Polícia Militar, que supostamente entraria na comunidade com frequência e agrediria moradores. Outro motivo secundário viria das fortes enchentes que atingiram o local na última semana. “Fizemos isso porque não aguentamos mais. Somos pais de família, trabalhamos e a PM vem aqui todas as noites, batendo, queimando cigarro em nossos pés e até nos jogam no rio. Eles falam que querem drogas e dinheiro, mas não é todo mundo que é bandido”, comentou um morador do local, que tem 33 anos e preferiu não se identificar.

Outro morador da comunidade, 26 anos, também indica a revolta com a morte do adolescente, que trabalharia como ajudante e ao entrar em uma auto-peças na Avenida Rio Real foi morto com um tiro no tórax. Segundo o morador, no inquérito não consta o culpado, que seria o segurança do estabelecimento. “Voltamos do velório, hoje, indignados e fizemos isso. Para nos bater, a polícia vem, mas para achar quem matou um trabalhador, não faz nada”, comentou com indignação.

O caso agora é investigado pelo 7º Distrito Policial de Guarulhos, do Jardim São João, e, por conta do problema, o trânsito local ficou parcialmente fechado por três horas.

Relatos de moradores são histórias de terror

Mesmo sem a confirmação sobre o suposto abuso da Polícia Militar, relatos dos moradores do Morro do Piolho, na região do Jardim Presidente Dutra, são assustadores.

De acordo com um morador de 32 anos, a Polícia Militar faz incursões ao local praticamente todas as noites à procura de entorpecentes, supostamente queimam e mutilam moradores, mesmo sem encontrar qualquer ilegalidade. “Eles entram, nos cercam e nos forçam a dar dinheiro. Não faço parte do crime e mesmo eles não achando nada, queimam plástico quente e colocam em nossos pés”, afirmou.

Outro morador de 25 anos afirma que trabalha como ajudante, tem três filhas e relata que, após passar o dia o trabalhando, durante as ações da PM, é obrigado até mesmo a entrar no rio, que passa ao lado da comunidade. “Eles perguntam se a gente sabe nadar. Jogam-nos dentro do rio, que é todo sujo, e se não apontamos onde tem dinheiro, ficamos lá. Sou trabalhador, e é uma humilhação minha filha ver isso.”

Questionada, a assessoria da PM afirmou ter apurado a denúncia e que essa não corresponde. O órgão informa ainda que denúncias devem ser levadas à Corregedoria.

Fonte:http://www.folhametro.com.br/folha_metro_/f?p=254:3:1119225421149839::::P3_ID_NOTICIA,P3_ID_CADERNO:53007,909

Aparício Reis

Dois ônibus são atacados no Parque São Luís em protestos de moradores

Keyla Santos
Da Redação

Um coletivo da Empresa de Ônibus Guarulhos foi incendiado por volta das 17h de hoje na Avenida Papa João Paulo 1º, no Parque São Luís, próximo à comunidade Morro do Piolho. Um segundo veículo da Empresa de Ônibus Vila Galvão foi depredado na Avenida Rio Real. Policiais militares chegaram a tempo de impedir que populares ateassem fogo.

Segundo o major-tenente Carnevale é possível que a manifestação tenha ocorrido por conta das enchentes que vêm acometendo a região nos últimos dias. A informação é de que os moradores haviam solicitado à Prefeitura que fosse realizada limpeza no córrego e que fossem retirados os entulhos da região, porém, a solicitação não foi atendida.

Uma das faixas da Avenida Papa João Paulo 1º foi interditada, os policiais militares permaneceram no local para orientar os motoristas e acalmar os ânimos dos moradores. O major disse que, segundo relato de testemunha, os responsáveis pelo incêndio pediram para que os passageiros e os funcionários deixassem o veículo, permitindo inclusive que o motorista retirasse seus pertences.

A diarista Maria dos Santos, 40 anos, alegou que a manifestação foi necessária por conta das enchentes e também devido à violência policial. A moradora assegurou que viaturas da polícia militar adentram a comunidade em alta velocidade e não se preocupam com quem estava passando pela via. “Os jovens da comunidade são tratados como marginais, mas eles não são”, disse a diarista.

O motorista do ônibus da empresa Vila Galvão, Francisco Souza, 24 anos, disse que não suspeitou da ação, pois os manifestantes se passaram por passageiros no ponto. “Dois homens adentraram ao veículo e começaram a gritar ‘já era, já era, perdeu, perdeu’ e deram a entender que estavam com arma de fogo. Em seguida pediram para os passageiros deixarem o ônibus”, disse.

Segundo Souza, enquanto o veículo era evacuado, um grupo de aproximadamente dez pessoas começou a apedrejar o ônibus. “Um deles chegou até a jogar álcool em mim”, afirmou.

O ônibus incendiado foi retirado da via por volta das 22h30.

fonte: www.diariodeguarulhos.com.br

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Especial SUAS - Aldaiza Sposati

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A ameaça da classe média ou a derrota anunciada de um projeto de poder.



A chamada “classe média” tem sido a sensação dos debates internos do PT principalmente diante da derrota no estado de São Paulo, mantendo uma hegemonia de 20 anos de PSDB a frente do governo estadual. O problema é entender o que é a “classe média”?

Para o marxismo esses grupos médios da sociedade tem o perfil claro: são trabalhadores assalariados que tem faixas diferenciadas de renda e emprego definidas pelo mundo do trabalho, ou seja, mesmo que as condições socioeconômicas sejam até superiores em algumas faixas isso não o exime da sua condição de classe trabalhadora.
Não é uma classe, mas um extrato da classe, um grupo ou grupos de faixa salarial de níveis baixos, razoáveis e altos que permitem desfigurar a identidade (ou a construção) da classe.

Sua fragmentação é proposital pois atende a máxima do sistema capitalista deque todos/as tem a mesma oportunidade de chegar a ficar “rico” desde que trabalhe, seja disciplinado e suba os degraus da sua completa deformação social, política e econômica.

Suas características mais conhecidas: individualismo e consumismo.

Seu local de diversão familiar mais freqüentado: shopping.

Seu objetivo principal: abandonar raízes, desconhecer sua identidade e sonhar com a riqueza – sem entender a real origem dela nesta sociedade.

Seu legado para o mundo: destruir o planeta a serviço de um sistema que pouco conhece e muito lhe explora.

Sua história: não há historia para os que seguem por este caminho, a memória só existe aos que ousam.

Digo isso porque este debate é um não debate. Outro dia um grupo de amigos começou uma conversa sobre as dificuldades de ser atendido no serviço público, principalmente saúde e educação.

De fato é um caos a depender da localidade ou da comunidade. Os direitos a saúde e educação pública beiram a crise em determinados lugares, gerando indignação e revolta.

Mas quando digo que o debate sobre como dialogar ou obter o apoio da “classe média” é um não debate é porque deveria ser nossa (do Partido dos Trabalhadores) a manter o dialogo e a discussão permanente com todos os segmentos e grupos da classe que nos apoiam ou tem a possibilidade de nos dar poder – institucional ou popular.

Não é de hoje que a esquerda socialista no Brasil tem lutado ao lado de vários segmentos, como os estudantes, os artistas, nas forças armadas, nos meios médios da sociedade – os médicos e advogados (por exemplo) que davam suporte na luta armada e aos militantes na clandestinidade seja na ditadura Vargas ou na militar, na formação da CUT os bancários tinham uma cartilha que orientava entre tantas táticas de organização sindical, proponham o dialogo com os gerentes, que não se reconheciam como trabalhadores.

E nesta conversa o que me incomoda – sempre – é o senso comum disseminado na contramão da nossa luta por uma sociedade com mais justiça social. Ninguém que tenha uma condição salarial melhor tem a obrigação de viver como os franciscanos que optaram pelo voto de pobreza, reconheço que a tentação por um plano de saúde ou uma educação particular vem de uma necessidade particular dos seus familiares.

Porém me pergunto: e as pessoas que não tem essa possibilidade? Quem esta a margem dos seus direitos deve manter-se firme no purgatório?

Compaixão ou solidariedade neste caso não valem! Sentimentos lindos, mas com alto teor destrutivo sobre a própria sociedade.

Reconhecer-se como classe média é emburrecer. Sim afirmo, tornar-se ignorante. Onde a despolitização é gerada por esta mídia que impõe valores, jeitos, gostos, musicas, modos de vida, opiniões políticas – inclusive sobre nós. Vejamos pelas pesquisas, onde ocorrem o abuso sexual de crianças e adolescentes? Nos grupos médios. O desrespeito no transito – principalmente pelos mais jovens? Nos grupos médios. Os atos de preconceito e discriminação racial, sexual e religioso? Por grupos médios.

Isso porque esta mídia impõe que os grupos médios são mais “esclarecidos”, mas não aceitam a empregada viajando de avião para ver sua família e não para cuidar dos seus filhos/as. Porque o modelo de desenvolvimento que foi vitorioso nos oito anos do governo Lula foram baseados em grande media pelo acesso ao consumo – que gerou empregos, acesso a outros direitos, melhora das condições de vida, etc, mas não politizou e nem organizou a sociedade num outro patamar de igualdade, justiça social, solidariedade, socialismo, de direitos humanos, ou seja novos valores.

E porque tudo isso? Porque numa sociedade onda a base da sua existência é a exploração do homem pelo homem aqui temos um primeiro problema. Onde esta “classe media” é incentivada a resolver os seus problemas pessoais, individuais e sem o dever da reflexão sobre “porque o sistema público é ruim se é um direito e é pago coletivamente por todos/as?”

Enfim, ficamos com o desafio de: a) para construir de dentro de nosso projeto de poder formas de dialogo, organização política e direção com a classe trabalhadora, devemos investir sempre na formação política – como é feito pela AE; b) refletir sobre a identidade de classe e as armadilhas que são reproduzidas cotidianamente na sociedade; c) manter viva nossas organizações políticas e movimentos;

Fico triste porque é esta a sociedade que esta sendo gestada e nós não conseguindo construir um caminho. Fico assustado porque a violência crescente vem de uma emponderação as avessas – o individual sobre o coletivo.

No final fico com a certeza: da luta. Continuo a participar como militante que somos. E a perguntar o que fazem os que não têm o acesso aos serviços privados?

*Wagner Hosokawa
assistente social, coordenador municipal da Juventude da Prefeitura de Guarulhos e
militante da Articulação de Esquerda do PT.

Música "classe média"
autor Max Gonzaga

"Papagaio de todo telejornal

Eu acredito Na imparcialidade da revista semanal

Sou classe média, compro roupa e gasolina no cartão Odeio “coletivos” e vou de carro que comprei a prestação

Só pago impostos, Estou sempre no limite do meu cheque especial Eu viajo pouco, no máximo um Pacote CVC tri-anual

Mas eu “tô nem aí” Se o traficante é quem manda na favela Eu não “tô nem aqui” Se morre gente ou tem enchente em Itaquera Eu quero é que se exploda a periferia toda

Mas fico indignado com o Estado Quando sou incomodado Pelo pedinte esfomeado Que me estende a mão

O pára-brisa ensaboado É camelô, biju com bala E as peripécias do artista Malabarista do farol

Mas se o assalto é em “Moema” O assassinato é no “Jardins” E a filha do executivo É estuprada até o fim

Aí a mídia manifesta A sua opinião regressa De implantar pena de morte Ou reduzir a idade penal

E eu que sou bem informado Concordo e faço passeata Enquanto aumento a audiência E a tiragem do jornal

Porque eu não “tô nem aí” Se o traficante é quem manda na favela Eu não “tô nem aqui” Se morre gente ou tem enchente em Itaquera Eu quero é que se exploda a periferia toda

Toda tragédia só me importa Quando bate em minha porta Porque é mais fácil condenar Quem já cumpre pena de vida"

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Saber politizar o debate é necessário! Ou pelo menos respeita-lo (dirigido a uma psedo-imprensa de baixa capacidade ideologica e política)


Podem achar que é mania de perseguição. Mas pode ser mesmo, uma perseguição ao contrário. Recentemente a imprensa, ou melhor, um ou dois órgãos de imprensa insistem em negar a existência de uma corrente de pensamento de esquerda e socialista no interior do PT de Guarulhos (SP).


Eles publicam faz duas semanas que dois expoentes históricos do PT e que hoje se encontram fora da legenda estão recebendo “convites” para retornarem. Um deles tive o privilégio de militar lado a lado, desde a minha adolescência. Para que não haja jogo de palavras não é segredo para ninguém de que o escritor (ou blogueiro), que aqui escreve atuou no Núcleo Chico Mendes que tinha como representação parlamentar o companheiro Edson Albertão.


Minha primeira candidatura no PT, grandes lembranças e lições, que me permitiram colaborar na fundação do extinto Espaço Cultural Florestan Fernandes, das lutas do MST e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), do primeiro de maio de luta com os Racionais MC´s, onde pude viver minha história no partido sendo membro do Diretório Municipal e da Executiva da Macro Região Guarulhos/ Alto Tiete.


O que me incomoda é relação que tem parte da imprensa de pobre informação e pouca capacidade ideológica, pobrinha mesmo. Os companheiros citados, Albertão e Orlando Fantizzini saíram do PT em 2005 no auge da crise moral do partido conhecida (ou tachada pela imprensa golpista) como “crise do mensalão”. Já não era de hoje que combatíamos (e por isso disputamos o PT até hoje), grupos ou indivíduos que tornaram o partido num “balcão de negócios”, foram várias disputas históricas, locais ou nacionais – isso é publico na história do PT.


Bem sair ou ficar não era uma questão de vida ou morte, mas de decisão política sobre os rumos da esquerda brasileira para o futuro. Os dois companheiros decidiram nas suas bases sair! Fundaram o PSOL – Partido Socialismo e Liberdade, seguiram.


Eu e outros (as) companheiros (as) escolhemos ficar, lutar internamente e defender as mesmas bandeiras históricas da esquerda socialista do PT. Ficar não significou atestado de “traição” a causa dos trabalhadores (as), até porque os trabalhadores (em parte) continuam a dar vitórias eleitorais para o PT e o imaginário da sua luta popular.


Ficamos! Disputamos as eleições internas defendendo um partido que reassumisse sua tarefa histórica de defender interesses populares, estar ao lado do povo, não se confundir entre as tarefas de governo e de partido, sem alianças que ferissem nossos ideais, enfim, fizemos a lição de casa e disputamos a presidência do PT de Guarulhos até agora com três candidaturas: Minha, do Rafael Severino (o Rafa do PT) e neste último com a companheira Erika Gomes.


Não ficamos na luta interiorana do PT de Guarulhos, adentramos a Articulação de Esquerda (AE), tendência nacional da esquerda socialista, democrática e revolucionária do PT, e nos somamos a milhares de lutadores e lutadoras do povo.


Nestes últimos anos, de 2005 para 2010, mantivemos vivo o debate de rumos e projetos em disputa na sociedade onde enfrentamos internamente as diferenças com a forma de condução do partido e do governo, as escolhas para governar e para fazer política. Somos 1% do PT, e não temos vergonha de dizer em que permanecemos fieis aos nossos ideais.


Fomos contra a taxa da luz proposta pelo governo Eloi, realizamos o plebiscito pela reestatização da Vale do Rio Doce, defendemos um vice-prefeito do PT, uma política de alianças com os movimentos populares e sociais, fortalecimento do movimento sindical combativo – na defesa da CUT, pautamos as propostas de maior participação e políticas públicas para juventude, mulheres, negros/as.


Estivemos presentes em momentos decisivos como nas prévias que indicou o companheiro Almeida prefeito, mostrando que a força do PT está na militância e não nos cargos de governo, disputamos as eleições municipais de 2008 com uma candidatura a vereador com a cara e a coragem de obter 400 votos no intenso dialogo com a população, damos nossa contribuição para que o governo pense em referencias de políticas públicas versus obras apenas, enfim, lutamos, lutamos, com vários instrumentos e em várias frentes.


E na recente polemica do Rodoanel, discordamos do modelo de desenvolvimento viário do PSDB. Nós da AE defendemos que o governo tem o seu papel negociador e o partido o seu papel de disputa, para nós o partido deveria defender contrário ao Rodoanel, sim porque o que é injusto para o povo, não pode ser justo para o PT. E a audiência de 15 de dezembro de 2010, mostrou a face do governo tucano: truculento e autoritário.


Mesmo chamados de militantes de “movimento estudantil”, isso não nos desonra pelo contrário nos orgulha. Orgulho de ser reconhecido como combativo, como são os estudantes lutadores/as desta vida que defendem o justo.


E mesmo assim parte da imprensa (conservadora), que se retro alimenta dos anúncios do nosso governo municipal insiste em simplesmente ignorar a nossa existência. E imagino os motivos:


1) Não reconhecer um grupo de pensamento critico pode ser manter vivo no debate a certeza de que o PT é um partido de esquerda, que se renova, que debate projetos e pode manter-se no governo com novas e renovadas lideranças;


2) Não reconhecer uma esquerda socialista jovem, renovada, que mesmo sem os expoentes do passado, é desta tradição que viemos;


3) Não reconhecer que há um grupo organizado, propositivo, que disputa projetos de governo inclusive dentro do PT é desconsiderar que há debate – e não a versão autoritária que querem sempre impor sobre a imagem do nosso partido. A democracia é o óleo que move a vida dos petistas, o dia que isso não houver, não estaremos mais contribuindo com o fortalecimento do PT;


4) Não respeitar a historia das pessoas. Somos jovens, somos poucos, mas somos militantes e que exigimos respeito às lutas e defesas que realizamos. Na recente experiência de governo, onde ocupamos a tarefa de coordenar a Secretaria da Assistência Social não houve um segundo que não fossemos questionados, cobrados, mutilados, desrespeitados por interesses que moveram órgãos que deveriam informar e não mentir ou fantasiar. Vencemos (em parte), porque resgatamos o valor da política pública, pautamos temáticas antes esquecidas: idosos, crianças e adolescentes, pobreza X cidadania, acesso a direitos aos jovens, população em situação de rua, etc. Pautamos a campanha contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, realizamos fiscalização direta no cemitério da Vila Rio, realizamos reuniões técnicas com diversas áreas, uma belíssima campanha do Fundo da Criança num momento de crise econômica, valorizamos o servido público – que atende diretamente a população, conseguimos recursos em Brasília – tanto na assistência social, como na secretaria de direitos humanos e ministério da justiça, entregamos dois novos Centros de Referencia, a reforma do Albergue, novas viaturas para os conselhos tutelares e um permanente dialogo, um novo sistema de atendimento a crianças e adolescentes, implantamos o primeiro postos de atendimento a vitimas de trafico de pessoas, politizamos o debate da assistência social como política integrante e integradora da seguridade social do Brasil e entregamos os conselhos gestores para o controle social direito da população. Isso nos orgulha como esquerda e como socialistas;


5) E por fim, é bom lembrar que mesmo na Alemanha na década de 30, a esquerda socialista e a forças democráticas praticamente isoladas sobre o jugo do partido nazi-fascista também sofreram censura igual. Identidade censurada. Opinião censurada. Existência censurada. E no final desta historia? Quem foram os derrotados?

Venceu o povo. A resistência e a página da historia varreu ou para o passado ou para o esquecimento daqueles que tentaram ignorar os que lutam. Mas o que lutam não precisa deste tipo de exposição, de imprensa ou órgão de comunicação que serve a senhores que só desrespeitam a consciência do povo.

Os que especulam a idéia do retorno de ambos os companheiros sob a desculpa de “garantir o debate do PT”, mal sabe que é cúmplice desta situação em que nos encontramos. A despolitização do partido e do governo são resultados de um modo de ver as coisas, um projeto de pensar a disputa da sociedade. É um direito conduzir assim as coisas, é nosso direito enfrenta-lo!

O nosso direito é manter viva a luta. Bem vindo aos que querem retornar ao partido (com as devidas reflexões criticas da sua saída, porque se vão voltar no mínimo erraram ao sair), mas nós da AE Guarulhos já temos clareza no caminho, no projeto e no papel que desempenhamos na disputa do partido e do governo.

Queremos vida longa ao nosso governo petista, sempre repensado, avaliado, construido e mudando a vida dos trabalhadores/as. Mas politizando o debate, sobre qual é o nosso projeto e para que rumo? Individual ou coletivo?

Para os que nos ignoram, já estão devidamente incomodados com a nossa existência.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

QUERO MEU PARTIDO DE VOLTA!



Sei que o título não é novo e que já foi utilizado para reflexão, angústias e dialogo sobre os rumos do nosso partido, mas volta a ser necessário. No último dia 09 de dezembro deste ano (2010), nosso partido convocou a sua militância para uma reunião de executiva ampliada para debatermos a posição do PT e nossas ações frente ao trecho norte do Rodoanel apresentado pelo governo estadual tucano ao nosso governo municipal.

Motivos para não aceitar a proposta do trecho norte não nos faltaram na apresentação dos companheiros da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (muito clara e competente por sinal), onde a proposta do governo atinge a zona norte da capital (SP) e a nossa cidade. E justamente em Guarulhos haverão grandes impactos sobre equipamentos públicos (o traçado do Rodoanel passa literalmente por cima de adutoras de água e estação de tratamento de esgoto do SAAE, escolas, praças, etc), não dá acesso ao sitio da Candinha na região do Sto Dumont, desapropria ou simplesmente desocupa milhares de famílias de suas casas e gera um muro que divide a cidade de seus cidadãos e cidadãs.

Compreendo bem a posição do nosso governo municipal. Em diversos momentos buscamos o dialogo sobre a construção dos presídios, da Febem (Fund. Casa), nas enchentes do Vl. Any, e em diversas outras áreas. A resposta do governo estadual tucano sempre foi o “não”ou a imposição autoritária sobre nosso município. Dialogo não foi o forte dos governos Covas-Alckimin-Serra, onde em áreas da CDHU que poderíamos ter mais moradias vieram os presídios, em desrespeito aos movimentos de direitos da criança e do adolescente venho a imposição das Febens e a resposta do governo estadual nas enchentes do Vl. Any venho o silêncio diante do muro da vergonha que o prefeito Kassab faz na divisa com a região.

Bem e agora sobre o Rodoanel? Estratégia é a arte de saber como chegar ao objetivo a partir de várias frentes, e no quadro das nossas táticas esta o governo, o partido, a bancada de vereadores, os movimentos sociais e a população organizada. Podem ser várias frentes com tarefas diferentes? Claro.

Entendemos que cabe o governo discutir tecnicamente os itens que trazem prejuízos a cidade e a população (o que já esta sendo feito), a bancada de vereadores em buscar a organização do povo (isto já esta sendo feito), os movimentos sociais com o trabalho de debater suas posições (que também esta sendo feito), e o partido...que precisa ter uma posição política.

E é nisso que quero me deter. A nossa reunião foi boa, bom debate, revelador. O que me incomodou foi o tom diante de algumas propostas.

Nós da Articulação de Esquerda (AE), tomamos posição interna para que o partido tomasse uma posição contrária ao Rodoanel diante do modelo viário proposto e a forma autoritária do governo estadual tucano. A posição do partido é uma resposta política. É de enfrentamento ao debate com a sociedade. Os resultados da luta e da posição do partido devem ser inclusive o acumulo de forças que teremos no final.

Mas essa proposta foi combatida por alguns companheiros (se são mesmo companheiros), de forma extremamente desrespeitosa. Fomos acusados de 1) apresentar proposta com viés de “movimento estudantil”; 2) que seria ruim governo e partido terem posição diferentes; 3) que seria ser “do contra”; 4) que o “povo” quer o Rodoanel por conta do “progresso”;

Bem a cretinice política existe. A amnésia política também. E por isso é preciso botar os pingos nos “is”.

Ter uma proposta derrotada não é o problema, vários companheiros apresentaram sua divergência com relação a nossa posição, de forma fraterna. Agora vamos lembrar que:

1) O movimento estudantil tem longa historia de lutas em nosso país e nosso mundo. Se existe Petrobras (e vários companheiros encastelados nos seus cargos – bem pagos por sinal), se deu por luta do movimento estudantil. Se a presidente Dilma está eleita, foi nossa candidata e agora presidenta, ela mesmo venho do...movimento estudantil. Inúmeras lutas e propostas que levaram a vitória do PT e do presidente Lula foram das resistências do movimento estudantil;

2) O governo e partido na disputa da sociedade nem sempre caminharam juntos, no debate da taxa de luz proposto pelo governo Eloi enfrentamos o debate no partido. Na defesa da emenda 29 para Saúde o PT nacional fez inclusive campanha a favor da sua aprovação e o próprio presidente Lula solicitou que a bancada do governo votasse contrária a proposta; Contradição? Não, o governo é liderado pelo PT, mas tem nas suas alianças o cerne das contradições;

3) Nunca propomos ser contra o Rodoanel (por ser contra) ou simplesmente dizer “não” – ou melhor dizendo, o PT ao longo dos seus 28 anos enfrentou grandes debates inclusive sendo contrário a medidas que prejudicaram o povo brasileiro. Dissemos não a divida externa e lutamos por uma nação independente do jugo financeiro do FMI, dissemos não a ALCA e por uma nação soberana, dissemos não as privatizações e na defesa do patrimônio e das riquezas nacionais. Ou seja, se dissermos “sim” submissamente a estes princípios com certeza não teríamos nem eleito Lula, e nem tornado o PT referencia de luta contra projetos de desenvolvimento que só atendem o “progresso”das elites brancas do país;

4) “Progresso” é a desculpa que fez com que as elites – empresáriais, latifundiárias, empreiteiros e banqueiros – pudessem as custas do povo brasileiro, explorar cada vez mais os trabalhadores/as que esperam o “bolo crescer” até os dias atuais. O governo Lula redistribuiu a riqueza arrecadada pelo poder executivo e não a que é consumida vorazmente por estas elites. Em nome do “progresso” querem privatizar/ internacionalizar a Amazônia, em nome do progresso Chico Mendes foi assassinado no Acre pelos grandes empresários e latifundiários, em nome do progresso o governo estadunidense promoveu as guerras do Alfeganistão e no Iraque; Nosso debate é de que progresso estamos falando?
Qual é o nosso modelo de progresso pergunto aos “sábios”companheiros defensores do modelo predatório e anti-povo diante do Rodoanel? Mas o que mais me incomoda neste debate é a perda da capacidade de debater idéias, propor ações e fazer a luta política a favor de uma sociedade mais justa econômica, social e política. Alguns estão de fato embriagados com a ilusão do poder.

Sinto informar que o povo nos deu um mandato (de quatro anos), e nos avaliará a cada nova eleição. Se não disputarmos as consciências e não politizarmos a sociedade esta mesma população decidirá pela mudança conservadora. Só que ai será tarde, pois na cabeça de uma parte da sociedade, os conservadores (aquele que se conserva em algo ou algum lugar), seremos nós.

Samba do Lado

Composição: Chico Science

Faminto e calmo o samba chegou
Domingo de todos os lados
Daqui pra ali de lá pra cá
Pode se escutar o som daqui do Brasil
Lembro quase tudo que sei
E organizando as idéiasLembro que esqueci de tudo
Mas, eu escuto o samba!

E você samba de que lado
De que lado você samba
Você samba de que lado
De que lado você samba
De que lado, de que lado
De que lado, de que lado
Você vai sambar?

O problema são problemas demais
Se não correr atrás da maneira certa de solucionar
Olha o samba do teu lado
do teu lado olha o sambaolha o samba do teu lado
Do lado olha o samba do teu lado, do teu lado
O samba chegar
Olha o zambo do teu ladodo lado olha o zambo
Olha o zambo do teu ladodo lado olha o zambo
Olha o zambo , Olha o zambo
O problema são problemas demais
E não correr atrás da maneira certa de solucionar
Lembro quase tudo que sei
E organizando as idéiasLembro que esqueci de tudo
Mais...Eu escuto o samba
E você samba de que ladoDe lado você samba
Você samba de que ladoDe que lado você samba
De que lado, de que ladoDe que lado você vai sambar???

terça-feira, 16 de novembro de 2010

UM CONVITE PÚBLICO, DE UMA VIDA PÚBLICA!


Este era apenas para ser um convite do meu aniversário, dia 26/11 - as 19 horas no salão de festas localizado na Av. Suplicy, 475 - jd. Santa Mena - Guarulhos (SP), mas....

Dia 26 de novembro de 2010, mais um dias de milhões de pessoas. Para mim, um dia para saltar dos 30 para os 31 anos de idade. Uns chamam de velhice, outros de experiência e a quem diga que é um ano bem "vivido".



De qualquer forma são mais de 30 anos de estrada. Pensando bem, vivi minha infância e minha adolescencia até meus 14 anos "bem vividos" com direito a todos os dramas, dilemas e sonhos de uma criança e um pré adolescente descobrindo as coisas da vida. Nunca perguntei a minha mãe "de onde vem os bebês".



Aos 15 busquei referencias coletivas, turmas, grupos sociais...enfim, algo que ja me faltava na vida. Encontrei o movimento estudantil secundarista. Um barato. Ah quem chame "geração pós cara pintada", mas segui o roteiro todo: participei de congressos estudantins, fiz parte de organização, tendências, coletivos...se me lembro bem no final de 1994 até 2001 foram anos inesqueciveis da luta nas escolas contra o autoritarismo dos diretores, a solidariedade junto aos trabalhadores da educação, passeatas unificadas e próprias dos estudantes, greves memoráveis como a minha primeira realizada pelo Grêmio Livre da EE Homero Rubens Sá.




Eu estudava na EEPSG Frederico de Barros Brotero - minha escola, minha casa, lá na busca de informações sobre o que era um Grêmio Estudantil fui recebido por uma senhora gentil que cuidava da biblioteca e fez questão de me levar uma cópia do estatuto do Grêmio Livre, putz essa lembrança sempre marca pela simplicidade da funcionária em me levar o documento. Respeito, muito respeito pelos trabalhadores da educação.




Lá fiz parte do Grêmio Estudantil. Fui duramente repreendido pelas minhas idéias, mas sempre forte no que defendia. Mesmo assim respeito a todos e todas que enfrentei, pois, discutir posições políticas eram atos de muito valor e que hoje não vejo mais nos relatos dos militantes (pelo menos em Guarulhos).




Com a reforma do ensino promovida pelos serviçais do FMI/Banco Munidal no governo federal e estadual FHC-Paulo Renato-Covas-Rose Neubauer, sofremos por demais com os ensaios da privatização do ensino público, desregulamentação da educação e desmonte dos direitos. Fui obrigado a estudar na EE Conselheiro Crispiniano - onde trago na memória as boas professoras de luta, os colegas que fiz e as lutas que travei. Lá também me reprimiram, tentaram me expulsar. Minha professora de matemática fez a minha defesa, brilhante!!!




Seguindo nas idas e vindas...militei no Forúm Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente...bons anos de luta, fé e esperança com um ECA (Estatuto da Criança como arma contra os opressores), lá tivemos derrotas e vitórias - barramos a redução da idade penal, vencemos os pelegos e vendidos do governo Papotto, Nefi Tales e Jovino...lutamos pelo que hoje é respeitado: FUMCAD, CMDCA, Conferencias Gerais e Ludicas. Aqui minha menção ao eterno (e em vida) David, Viviane, Irmã Fatima, Conceição...muitas histórias.




Estive no primeiro time do primeiro Conselho Municipal da Educação com intensos debates entre nós e os governos municipais que se seguiram. Lembro das nossas discussões contra a municipalização, onde numa conferencia histórica derrotamos unanimemente esta proposta. Apenas o secretário da epóca e suas diretoras na secretaria votaram a proposta. Lembro-me do Joaquim, do Moacir, da Zelia, da Ozani...muitas batalhas.




2001, há dois momentos: a vitória da lei da meia entrada nos cinemas, teatros e shows onde nos organizamos lá no famoso (falecido, mas importante para história da esquerda da cidade), Espaço Cultural Florestan Fernandes em reuniões permanentes para preparar a luta pela aprovação da lei. Lá foram três semanas de intensas reuniões, encontros, visitas aos vereadores (as), panfletagens, etc.




Onde na primeira votação ocupamos o plenário com alunos do EE Antonio Viana e algumas escolas e eu fui escolhido pelo coletivo para fazer uma delcaração de apoio e pedido de aprovação do projeto na tribuna livre da Camara Municipal. Vitória, na primeira votação.




Na segunda semana novas mobilizações, mexemos com grandes interesses. Hoje tenho vários amigos historicos e colegas no PCdoB, mas no movimento estudantil a gente brigava feito "cão e gato", porque nós queriamos as entidades pra fazer revolução e eles dirigir com mao de ferro a partir da gerência do dinheiro da carteirinha de meia entrada, oras era luta pelo poder. Era projeto contra projeto, só o Lula lá unia a gente. (ah e o fora FHC também).




Voltando na segunda votação a Camara Municipal parecia "Salvador em epóca de carnaval" só faltava abada porque trio eletrico tinha três: o nosso (emprestado pelo sindicato dos condutores), o deles (que era alugado) e o do sindicato dos "perueiros"que estava lá fazendo um protesto da categoria. Ai...ai danou-se! Fizemos cordão de isolamento, eu fiquei marcado pela frase: "-Não vamos cair em provocações"...e o tumulto foi tanto que o projeto ficou para proxima. Terminamos com uma bonita assembleia na frente da Camara, sem som e no gogó.




Na terceira foi pauleira...ocupamos apenas o lado de fora do plenário, na praça mesma. Lá o lugar do povo. E os colegas do PCdoB o lado de dentro, optaram pelo desgate sobre os vereadores. Aí a tática "deu um tiro no pé" geraram um tumulto, irritaram os vereadores pró lei da meia entrada e deu-se uma pancadaria com a GCM...no final a bancada do PT (que alivio), de tanto desaforo que aguentou botou pra votar.......Vencemos!!! Fomos todos/as para o abraço coletivo. Reconheço que a emoção ainda é grande.




Nos outros anos outras lutas...velho e combativo MESS (Movimento estudantil de Serviço Social), onde fiz parte da gestão do CASS (Centro Acadêmico de Serviço Social) da PUC/SP e logo depois secretário geral da ENESSO (Executiva Macional dos Estudantes de Serviço Social)...e pensar que no dia que me meteram nesse "trem" eu tinha ido pro encontro nacional (que foi em Salvador na Bahia), apenas pra participar das mesas, conhecer Salvador e beber com a galera. No fim participei de reunião, dirigi plenária e bebi muita água de coco. Boas lembranças da gestão viver na luta com Grazi, Anita, Lu, Julia e Adriana. E hoje ver a Fernanda - que me empurrou e azucrinou a vida pra participar do MESS, dando aula na PUC/SP, que orgulho e meu muito obrigado!




Vivi também a luta institucional mais intensa no mandato do companheiro Luiz Eduardo Greenhalgh, é daqui muitas lições para vida pública e privada. Um mandato onde pude viver contradições, posições, emoções...das causas do Luiz e do aprendizado dos ideiais de todos/as que conheci e ainda são meus companheiros/as.




No exercício da minha profissão, e aqui registrar, profissão. Sou um assistente social formado, com registro no meu conselho (CRESS-CFESS), e reconhecidamente da classe trabalhadora. É bom demais poder ser quem já se é: da sua própria classe. É que quando estudante isso não era possível.





Meus anos turbulentos e atribulados nas instâncias da categoria só reafirmaram a certeza da responsabilidade do projeto que temos (enquanto sociedade), pois assumir uma direção estadual da forma como recebi a tarefa militante, não é facíl. Bem, nós militantes nunca recebemos tarefa facíl.




Após a conclusão do curso e ao obter meu registro profissional fiz - antes de mais nada - de participar das reuniões do coletivo de assistentes sociais que ja era da minha relação quando militei no Forum estadual de defesa dos direitos da criança e do adolescente de SP (companheiras Francisca Pini, Aurea...), lá vivi momentos inesquecíveis de entender nossa categoria, seus desafios como parte da classe trabalhadora, as questões relevantes do projeto etico-político, as dificuldades em tocar uma máquina estatal com as bandeiras políticas, fiz companheiras e companheiros de grande valor. Pra não ser injusto sei que todos/as sabem que mesmo nas brigas, discordâncias e divergencias...ao final, somos todos companheiros/as!!!


A vida no PT...nos meus anos de militancia pude poder viver as experiências e desafios que me forjaram nessa nova fase. Minha primeira campanha eleitoral foi na intensidade da vitória do companheiro Albertão para vereador - primeiro mandato da esquerda socialista no ano de 1996, e era um barato - seja pelo modo artesanal como a campanha foi feita com as faixas produzidas com um jato de tinta sobre um molde, tinha um rolo de banners que a gente cortava na unha e montava lá mesmo...xiiii. O comitê era realmente clandestino...kkkkk...uma casa cedida por um valoroso companheiro (Melis se não me falha a memória)...enfim uma loucura...vivi o melhor. As discussões coletivas, as perspectivas, as lutas...fizemos muito barulho: ocupamos a parada do 07 de setembro ainda no governo Nefi, trouxemos o Movimento Sem Terra e sem teto, marchamos até a av. Paulista com o MST, cursos de formação...eita boas lembranças.

Minha vida partidária sempre foi marcada pela esquerda socialista. Fui membro do DM e depois da executiva da macro região Guarulhos/ Alto Tiete. Já concorri a secretário estadual da juventude do PT...e na crise moral de 2005 nossos rumos se partiram em lados oposotos. Fiquei para enfrentar minhas contrádições, enquanto a maioria migrou para o PSOL, PCB...Vivi o desafio de manter viva a chama dos socialistas e comunistas do PT, onde encontrei companheiros/as valorosos. Deste processo encontrei um grande irmão, companheiro Tiago.

Fundamos o Núcleo Lutadores do Povo, de base e com uma sede bem precária (mas nossa), no centro da cidade onde voltamos a fazer as ações que antes estavam designadas ao grupo que fiz parte anteriormente. Disputamos a presidência do partido, ocupamos o 1% mais critico, barulhento e coerente do partido até os dias atuais, porém com nova identidade pois em 2008 nós nos incorporamos a AE - Articulação de Esquerda, tendência interna do PT de âmbito nacional e com força necessária para manter vivo nossos ideiais.

2007-2008 foram anos de grandes definições: apoiamos nas prévias do partido a candidatura do companheiro Sebastião Almeida tendo como princípio duas posições, uma desconstruir os hegemonismos praticados pelo grupo dirigido pelo companheiro Eloi - entendiamos que era preciso garantir democracia interna sem a imposição de nomes para sucessão, e dois a possibilidade de fazer um governo com uma identidade mais petista. Mas não fomos desleais, sempre dialogamos muito com o companheiro Eloi Pieta sobre a conjuntura e os rumos - mesmo que nossos rumos não fossem os mesmos - o debate sempre foi fraterno (divergente), mas fraterno.

Nesse mesmo período o coletivo entende que deveriamos disputar uma vaga na Camara Municipal e reassumir com voz no parlamento local a posição dos socialista do PT. Fiz o bom combate, uma campanha comunitária e com apoio popular que crescia na medida da apresentação das nossas propostas e ideais para população. Conquistamos 400 consciências para um projeto político de luta e de empenho na defesa de direitos. Temos orgulho disso, diferente dos ignorantes-no-poder e não-petistas que acham que a política é o voto comprado, alugado ou negociado, nós conquistamos.

E para nossa surpresa, o convite do companheiro Almeida para o secretariado na pasta da Assistência Social. Aqui deixo duas certezas aos que não conseguem fechar as suas contas. A primeira é de que fomos chamados para uma tarefa militante, pois quem conhecia a assistência social sabe que não foi uma das áreas de maior prioridade em nosso governo (por lá passaram seis secretários), e nosso compromisso era nos apoiar no modo petista de governar.

Segundo, o reconhecimento das nossas posições - acredito que construí pelo coletivo - uma relação de confiança política com o companheiro Almeida, algo que perpassa os números dos votos e se firma em nossos ideiais: queremos exercer a política para mudar a vida das pessoas.

Enfim boa experiência, pois reconstruímos a área, tornamos referência em Brasília pelo Ministério do Desenvolvimento Social, pautamos nossos desafios e buscamos implementar políticas públicas. Exemplo disso foi a minha indicação para o colegiado nacional de gestores da assistência social contra a gestão dirigida antes pelo DEM.

Agora a luta continua! 31 anos de vida, 16 de luta política, putz quando voc6e começa a contar história é porque ou já tem experiência ou velhice...e por isso quero comemorar com todos e todas que fizeram ou fazem parte desta vida!!!!