domingo, 15 de abril de 2012

17 de abril, dia municipal de luta pela reforma agrária! Em Guarulhos também é preciso pensar o Brasil!


Nota do Blogueiro:

Em 1997 foi aprovada a Lei nº4922 de 30 de abril de 1997 do Guarulhos. DISPÕE SOBRE ...DISPÕE SOBRE A INSTITUIÇÃO DO DIA MUNICIPAL DE LUTA PELA REFORMA AGRARIA E DA OUTRAS PROVIDENCIAS. de autoria do ex-vereador Edson Albertão.

Ela foi aprovada para lembrar que não é apenas as glórias dos ricos que são entoadas a todo momento sobre as desgraças dos pobres.

Lembrar 17 de abril, é lembrar que assassinos ainda não pagaram pelo que fizeram aos trabalhadores rurais sem terra, desarmados e que só queriam um pedaço de terra para plantar (e não serem enterrados/as).

Boa leitura, indignem-se! Assim não perdemos nossa capacidade sermos, HUMANOS!

16 anos de impunidade. Jornada de Lutas exige Reforma Agrária e justiça

5 de abril de 2012


Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST

Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra:
Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora
(Chico Buarque – Assentamento)

“Morrer de bem com a minha terra”. Infelizmente, muitos sem-terra já morreram sem ter uma terra que possam chamar de sua. O massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, na BR 155, sul do Pará, no qual 155 policiais militares utilizaram armas de fogo contra 1500 Sem Terras, entre os quais mulheres e crianças.

A ação da PM assassinou 19 camponeses e expôs para todo o país a questão da violência no campo contra aqueles que lutam pela Reforma Agrária. Até hoje, ninguém foi punido pelo massacre, e os sobreviventes, mutilados tanto física quanto psicologicamente, continuam sem receber a devida assistência médica.

Em 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu o dia 17 de abril como o Dia Internacional de Luta pela Terra. O MST realiza durante o mês de abril jornadas de lutas, com ocupações, marchas e atos pelo país inteiro, para pressionar o governo a priorizar a pauta da Reforma Agrária e honrar a memória daqueles que perderam suas vidas na luta pela terra.

“Nosso dia de lutas surgiu infelizmente por causa de Eldorado dos Carajás. O latifúndio é inerentemente violento e impede as pessoas de viver e trabalhar no Campo. O que ocorreu em Carajás nos dá força e clareza para lutar, pois enquanto houver latifúndio, a desigualdade, violência e falta de democracia no Campo vão continuar”, acredita Jaime Amorim, dirigente do MST em Pernambuco.

Para Dom Tomás Balduíno, Bispo emérito de Goiás co-fundador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), “esse dia lembra a força da caminhada dos trabalhadores do Campo, que se arrasta desde Zumbi dos Palmares até hoje na história do Brasil. A luta pela Reforma Agrária não é questão de conseguir apenas um pedaço de chão, mas de mudar nosso país. A luta é profunda, ampla e de mudanças”.

A terra está ali, diante dos olhos e dos braços, uma imensa metade de um país imenso, mas aquela gente (quantas pessoas ao todo? 15 milhões? mais ainda?) não pode lá entrar para trabalhar, para viver com a dignidade simples que só o trabalho pode conferir, porque os voracíssimos descendentes daqueles homens que primeiro haviam dito: “Esta terra é minha”, e encontraram semelhantes seus bastante ingênuos para acreditar que era suficiente tê-lo dito, esses rodearam a terra de leis que os protegem, de polícias que os guardam, de governos que os representam e defendem, de pistoleiros pagos para matar. (José Saramago)

Dezesseis anos depois do massacre, os conflitos no campo continuam; neste ano, três membros do MLST foram assassinados em Minas Gerais. Já em Pernanbuco, outros dois companheiros do MST foram tombados por balas de pistoleiros nos últimos dias.

Jaime acredita que hoje a violência contra os assentados está mais seletiva. “Temos dois tipos de violência: a primeira, perpetrada por grandes grupos de fazendeiros atacando lideranças locais, como aconteceu este ano. A segunda é a violência do Estado, que se utiliza do aparato jurídico para impedir as pessoas de olhar para frente e enxergar a perspectiva de uma Reforma Agrária concreta. O fato de que temos muitos acampamentos que já duram 10, 15 anos pela desapropriação do Estado é por si só uma violência”.

Dom Tomás afirma que esta violência ocorre porque “o poder público nega sistematicamente a Reforma Agrária, apoiando o discurso dos grandes fazendeiros e empresas de que ‘o agronegócio é o modelo do progresso’. Tudo que se opõe a este suposto progresso, segundo essa lógica, são obstáculos que devem ser removidos”.

Aliado a isso está o papel da mídia, cujas informações refletem os interesses das elites
alinhadas com o agronegócio. “A imprensa mudou sua postura: antigamente ela criminalizava os movimentos e desqualificava a luta e as lideranças. Hoje, ela tenta ignorar as lutas sociais de sua agenda, e a população, sem informação, se afasta do tema, formulando ideias de que o movimento está desmobilizado ou que a luta pela Reforma Agrária não é mais importante”, analisa o dirigente do MST.

E se, de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Pra uma fantasia
Do meu violão
(Chico Buarque – Fantasia)

Para que a Reforma Agrária torne-se realidade e a felicidade deixe de ser uma fantasia, é preciso lutar. Jaime afirma que “estamos animados para a jornada de lutas deste ano, pois ela vai ser uma demarcação de força. Estamos construindo uma unidade maior entre unidades e movimentos do campo, pois todos nós temos sido agredidos pelo mesmo aparato. Temos que nos unir para soltar um grande grito pela Reforma Agrária e contra o latifúndio”.

O rio de camponeses se põe novamente em movimento; foices, enxadas e bandeiras se erguem na avalanche incontida das esperanças nesse reencontro com a vida - e o grito reprimido do povo sem-terra ecoa uníssono na claridade do novo dia: "REFORMA AGRÁRIA, UMA LUTA DE TODOS!" (Sebastião Salgado)"

Terra, 15 anos

Os trechos em negrito e a foto desta matéria foram retirados do livro Terra, que foi lança há 15 anos. O livro é composto por fotos do fotógrafo Sebastião Salgado sobre a vida dos indígenas e camponeses em um país cuja terra não lhes pertence mais. O prefácio é do escritor José Saramago, e as músicas de Chico Buarque, cujo CD acompanha a obra. Os três juntos constituem a Coleção Terra, criada em 1997. Para Dom Tomás, a arte com foco político se faz fundamental, pois “o povo que luta também celebra, canta, faz seus repentes e trovas. A caminhada do povo é poética, inspirada na mística e profética”.

Jaime avalia que “o MST sempre produziu muito culturalmente, e isto serve de inspiração para quem acompanha o Movimento de fora, como artistas famosos, apoiarem o movimento. Mas os momentos onde a arte está mais próxima da luta política são os momentos de maior mobilização. Arte, cultura e educação caminham lado a lado no movimento”.

ANO APÓS ANO, e cadê a Justiça?

Artigo da revista caros amigos, abril de 2012.

Por Joao pedro stedile

No dia 17 de abril de 1996, sendo presidente Fernando Henrique Cardoso, as tropas da policia militar autorizadas pelo Governador Almir Gabriel(PSDB-Para), e financiadas pela empresa VALE DO RIO DOCE (como denunciou mais tarde no processo o advogado dos policiais..), atacaram uma marcha pacífica de mais de mil familias de sem terras que saíram de Eldorado dos Carajás rumo a Belém.

O resultado do massacre todos sabem, até as pedras. 19 sem-terras assassinados, alguns com requintes de crueldade, depois de algemados, foram mortos a coronhadas. Outros dois morreram alguns meses depois, e mais de 60 sofreram seqüelas até hoje, impossibilitados para o trabalho agrícola.

A sociedade brasileira ficou estarrecida. A ONU, os bispos, o Papa e os orixás clamaram por justiça. Os movimentos camponeses de todo mundo escolheram então o dia 17 de abril, como dia mundial da luta camponesa, em homenagem àqueles mártires.

Seguiu-se um lento processo na Justiça paraense, que chegou a um Júri Popular,em 2002, que condenou os dois principais comandantes militares a penas de mais de 200 anos de cadeia. Os comandantes recorreram. Opoder judiciário os acolheu. E silenciou. Passados 16 anos do massacre, nenhum responsável direta ou indiretamente foi preso, punido ou sofreu qualquer restrição por parte da “justiça” brasileira !

Por essas e outras é que o povo brasileiro, de longe, considera o poder judiciário, o mais injustro, o mais anti-democratico, o mais corporativo, o mais servil aos interesses da burguesia. Como diz o ditado popular, cadeia no Brasil, é feita para pobres e pretos!!.

Mas algum dia teremos uma reforma do poder judiciário, para estancar a vergonha das injustiças, dos salários imorais, das vantagens e das infiltrações denunciadas até pelo Conselho Nacional de Justiça.

Felizmente, os sobreviventes foram assentados num latinfudio de 50 mil hectares, que até então o Incra dizia ser “produtiva” e hoje se constituem na mais produtiva e progressista comunidade rural do município de Eldorado dos Carajás, o distrito de 17 de abril!.

Enquanto isso, cadê a reforma agrária?

O capital agrário e as corporações transnacionais estão “nadando de braçada” na agricultura brasileira. Depois da crise do capitalismo internacional, os preços médios das commodities agrícolas dobraram. Isso representou uma enorme aumento na taxa de lucro, e uma corrida dos capitalistas de todo mundo, para comprar terras no Brasil, América Latina e controlar a produção das mercadorias agrícolas.

Resultado: O Brasil sofreu nos últimos anos, o maior índice de concentração de terras de todos os tempos. Está em curso uma enorme concentração da produção agrícola, que destina 85% de todas as terras agrícolas apenas para quatro produtos: soja, milho, cana e pecuária de corte. A economia brasileira de volta aos tempos coloniais, virou agro-exportadora, enquanto a industria caiu para apenas 15% do PIB.

O agronegocio concentra terras e produção. Aumenta sua dependência dos fertilizantes importados que esse ano atingiu a marca de 28 milhões de toneladas. Transforma o Brasil no maior consumidor mundial de venenos agrícolas, que contamina o solo, as águas,e até a atmosfera, matam seres vegetais, animais, e proliferam o câncer em mais de um milhão de brasileiros por ano. Sendo que segundo o Instituto Nacional do Câncer, somente 40% escparão com vida!

Desequilibra o meio ambiente com seus desmatamentos e destruição da biodiversidade. Altera o clima. Mas segue ganhando muito dinheiro.

Tudo isso é saudado pela imprensa burguesa como o sucesso do progresso!

E o governo ?

Bem, o governo ainda não tomou posse na área agrária, e quando se manifesta é para dizer besteira, como essa repetição burra, de que reforma agrária não é distribuir terras, que primeiro temos que melhorar a qualidade dos assentamentos.

Seria a mesma coisa de dizer aos 10 milhões de famílias brasileiras que vivem em moradias precárias, que o governo não vai mais construir casas, que antes prefere reformar as casas dos que já tem.

Senhores governantes : procurem no dicionário da educação do campo, recém editado pela Fiocruz, ou no Aurélio. Reforma agrária é um programa governamental, em que o estado desapropria as grandes propriedades, os latifundios e os distribui entre os agricultores sem- terra, promovendo a democratização da propriedade rural no país.

Todos os países do hemisfério norte, todas as democracias contemporâneas realizaram reformas agrárias, democratizaram o acesso a terra, como base para construção de sociedades mais democráticas. Afinal, a terra é um bem da natureza, e todos os cidadãos tem os mesmos direitos sobre elas, assim como tem direito a alimentação, a emprego, moradia digna e a educação.

Como não querem fazer uma verdadeira reforma agrária , ficam inventando subterfúgios de ocasião. Sejam mais sinceros, pelo menos! E menos burros, porque os grandes proprietários de terra, as empresas transnacionais e o agronegocio sempre fizeram campanha e financiaram os candidatos neoliberais e contrários ao governo Lula e Dilma.


João Pedro Stedile, da coord. Nacional do MST e da via campesina Brasil

Caminhos e descaminhos do processo jurídico

O massacre de Eldorado do Carajás teve repercussão ímpar, pelo do número de mortos, pelas circunstâncias das execuções sumárias, e em função do número de policiais envolvidos.

A construção da impunidade teve início minutos após o fim do massacre. Mesmo sabendo da ilegalidade, os policiais removeram todos os corpos da cena do crime e com este ato, impossibilitaram a realização de perícias eficazes para a localização dos autores dos disparos.

Dois promotores de justiça, que insistiam na tese de que era obrigação do Ministério Público do Estado do Pará investigar a responsabilidade do Governador do Estado e do alto escalão no massacre, foram afastados do caso pelo na época Procurador-Geral de Justiça, Manoel Santino do Nascimento. No segundo mandato do Governador Almir Gabriel, Manoel Santino do Nascimento foi Secretário Especial de Governo.

O encarregado do Inquérito Policial Militar, Coronel PM João Paulo Vieira, também isentou Almir Gabriel e toda a cúpula do Governo de qualquer responsabilidade pelo massacre. No segundo mandato do Governador Almir Gabriel, o Coronel João Paulo Vieira foi nomeado Chefe da Casa Militar. O inquérito policial instaurado por determinação do Superior Tribunal de Justiça para apurar a responsabilidade do Governador Almir Gabriel foi arquivado a pedido da Procuradoria Geral da República. Mesmo tendo sido afastadas pessoas com envolvimento importante no massacre, em função da intensa pressão do MST e da sociedade, conseguiu-se que pelos menos os policiais militares diretamente envolvidos com as execuções sumárias e lesões fossem processados judicialmente.

Junho de 1996
Início do maior processo em número de réus da história criminal brasileira. Cento e cinqüenta e cinco policiais militares. Nesses 10 anos, o processo ultrapassou o número de 10 mil páginas.

Setembro de 1996
O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) apresentaram à Comissão Interamericana de Direitos uma petição contra a República Federativa do Brasil. A referida petição denuncia a violação dos artigos 4, 5, 8, 25 e 1.1 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, em prejuízo de Oziel Alves Pereira e outros.

16 de agosto de 1999
Primeira sessão do Tribunal do Júri para julgamento dos réus em Belém, presidida pelo juiz Ronaldo Valle. Esta sessão encerrou-se com a absolvição dos três oficiais julgados - Coronel PM Mário Colares Pantoja, Major PM José Maria Pereira de Oliveira e Capitão PM Raimundo José Almendra Lameira. Foram 3 dias de sessão com cerceamento dos poderes da acusação, impedimento da utilização em plenário de documentos juntados no prazo legal, permissão de manifestações públicas de jurados criticando a tese da acusação e defendendo pontos de vista apresentados pela defesa. Por fim, o juiz Ronaldo Valle, em decisão polêmica, apresentou questionamento aos jurados que distorceu o resultado da votação do Conselho de Sentença, obtendo assim a absolvição dos três réus pelo placar de quatro votos a três. Com a pronta reação do MST e dos advogados e promotor, os julgamentos dos demais cento e cinqüenta e dois réus foram imediatamente suspensos.

Abril de 2000
Tribunal de Justiça do Estado do Pará determinou a anulação do julgamento, decisão mantida em um segundo julgamento em outubro de 2000. Antevendo a anulação do julgamento, o juiz Ronaldo Valle solicitou o afastamento do caso. Dos dezoito juízes criminais da Comarca de Belém, dezessete informaram ao Presidente do Tribunal de Justiça que não aceitariam presidir o julgamento, informando como razão para tal, na maioria dos casos, simpatia pelos policiais militares e aversão ao MST e aos trabalhadores rurais.

Abril de 2001
Nomeada uma nova juíza para o caso - Eva do Amaral Coelho que designou o dia 18 de junho de 2001 como data para o novo julgamento dos três oficiais absolvidos em agosto de 1999. Contudo, alguns dias antes do início da sessão, a juíza Eva do Amaral Coelho determinou a retirada do processo da principal prova da acusação, um minucioso parecer técnico da Unicamp, subscrito pelo Professor Ricardo Molina que, em conjunto com um CD - Rom de imagens digitais, comprovava claramente que os responsáveis pelos primeiros disparos contra os trabalhadores foram os policiais militares. Novamente o MST reagiu a esta nova situação anormal obrigando a juíza a rever sua posição. Em função disso, a juíza Eva do Amaral Coelho suspendeu o julgamento marcado para o dia 18 de junho e não apresentou nova data para a retomada do julgamento.

14 de maio a 10 de junho de 2002
O julgamento dos acusados pelo massacre Eldorado do Carajás foi retomado. Após cinco sessões de julgamento, dentre os cento e quarenta e quatro acusados julgados, cento e quarenta e dois foram absolvidos (soldados e 1 oficial) e dois condenados (Coronel Pantoja e Major Oliveira), com o benefício de recorrerem em liberdade. Em decorrência dos benefícios estendidos aos dois únicos condenados, as testemunhas de acusação não compareceram mais ao julgamento, em função de ameaças de morte e por não acreditarem na seriedade do julgamento. Conforme informações publicadas pela imprensa do Pará, os jurados eram pressionados por pessoas ligadas aos acusados no sentido de votarem pela absolvição. Pelo menos uma jurada suplente teve a coragem suficiente para confirmar a ocorrência de tais fatos. Durante cerca de vinte dias, os principais jornais do Estado do Pará publicaram matérias informando em detalhes as intimidações e ameaças de morte que estariam recebendo as principais testemunhas da acusação, principalmente duas, Raimundo Araújo dos Anjos e Valderes Tavares. Nada foi feito em relação à proteção e salvaguarda de tais testemunhas, tampouco as autoridades do Poder Judiciário do Pará cogitaram suspender o julgamento, que se apresentava previamente com seu resultado comprometido, em função do clima de hostilidade e intimidação existente contra as testemunhas de acusação e jurados. Prevendo esta situação, o MST não aceitou participar de um julgamento onde não estivessem sequer garantidas a segurança e a tranqüilidade das pessoas fundamentais para a acusação. Tanto a defesa como a acusação apresentaram recursos de apelação para o Tribunal de Justiça do Pará.

Fevereiro 2003
A petição do MST e da Cejil foi aceita pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, com relação aos fatos denunciados e aos artigos 4 (direito à vida); 5 (direito à integridade pessoal); 8 (garantias judiciais); 25 (direito a um recurso judicial); e 2 (dever de adotar disposições de direito interno) da Convenção Americana, juntamente com o artigo 1.1 do referido tratado (obrigação de respeitar os direitos constantes da Convenção). Atualmente, está em discussão a posição das partes envolvidas. (fonte: http://www.cidh.oas.org/annualrep/2003port/Brasil.11820.htm )

Novembro de 2004
A 2ª Câmara do Tribunal de Justiça do Pará julga numa só sessão julgou todos os recursos da defesa e da acusação e manteve a decisão dos dois julgamentos realizados pelo Tribunal do Júri, absolvendo os 142 policiais militares e condenando o Coronel Pantoja (228 anos de prisão) e o Major Oliveira (154 anos de prisão).

22 de setembro de 2005
Pantoja é posto em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal que lhe concedeu habeas corpus.

13 de outubro de 2005
Major Oliveira é posto em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal, que estendeu a ele o habeas corpus em favor do Coronel Pantoja.

Agosto 2009
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recursos dos policiais militares condenados pela morte de 19 trabalhadores sem-terra em 1996, ocorridas em Eldorado dos Carajás (PA). A defesa pedia a anulação do julgamento, ocorrido em 2002, mas os ministros da Quinta Turma, por unanimidade, consideraram regular a formulação dos quesitos (perguntas sobre o crime) apresentados ao Júri. A relatora do recurso, ministra Laurita Vaz, não detectou nulidades nos quesitos formulados pelo juiz. (fonte:http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.... ).

2010 e 2011

Neste período, entre os anos de 2010 e 2011, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal julgaram diversos recursos (Recurso Especial, Embargos de Declaração, Embargos de Divergência, Agravo Regimental, Reclamações) apresentados pelo Coronel Mario Colares Pantoja e pelo Major José Maria Pereira Oliveira, com a exclusiva finalidade de postergar o cumprimento das penas que lhes foram impostas.

Ante o descabimento das teses jurídicas apresentadas e ante o evidente caráter protelatório, todos esses recursos foram negados, quer pelo STJ, quer pelo STF.

2012

No final do mês de março de 2012 a defesa dos réus Mario Colares Pantoja e Major José Maria Pereira Oliveira apresentou ao Supremo Tribunal Federal pedido de habeas corpus, requerendo fosse concedido o direito de permanecerem aguardando em liberdade o final julgamento de todos os recursos protelatórios que vêm sendo apresentados.

Ante essa evidente tentativa de protelar ainda mais o cumprimento da sentença condenatória que lhes foi imposta pelo Tribunal do Júri, o Ministro Gilmar Mendes, em decisão liminar data de 28 de março de 2012, depois de afastar as alegações da defesa, fez contar de sua decisão:

“É que, reconhecida a existência de abuso do direito de recorrer, tem sido firme a posição desta Corte no sentido de determinar a baixa dos autos independentemente do trânsito em julgado” (HC 112751)

Assim sendo, é necessário que imediatamente os autos do processo retornem ao Pará, para o imediato início do cumprimento das penas que lhes foram impostas, pondo fim à impunidade reinante no caso.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

É preciso tratar da democracia socialista


Comentário do Blogueiro:

Depois de um período terminando a Dissertação de Mestrado pela Pós Graduação em Serviço Social pela PUC/SP, querendo abordar esse tema tão importante para nós militantes de esquerda. Reproduzo o artigo de Tarso Genro e que expressa uma busca pessoal para nossa luta pelo Poder Popular!

Boa Leitura!

Por Tarso Genro *


Mesmo as democracias consolidadas são ameaçadas, hoje, pela crise do sistema financeiro global. É clara a incompatibilidade objetiva entre o processo de enriquecimento sem trabalho, da atual fase do capitalismo global, com os sistemas socialdemocráticos estabelecidos, responsabilizados falsamente pela crise.


Nesse contexto, pergunto: não se deve abrir um debate honesto sobre democracia e a ideia do socialismo, tomando este não mais como modo de produção "pré-configurado", mas como ideia reguladora?

Sustento que socialistas e comunistas não têm feito este debate por dois motivos.

Primeiro, porque, nos governos, enfrentam a questão da governabilidade, a partir de alianças muito amplas, às quais esse tema arrepiaria.

Segundo, porque as tarefas de governo tendem a promover a abdicação da reflexão teórica pela necessidade empírica de "resolver coisas". Resolvê-las para responder exigências alheias às questões concretas do socialismo, que não estão em jogo em nenhum lugar do Ocidente, com exceção de Cuba e, aliás, em sentido inverso.

Mas há uma razão de fundo, que encobre as duas acima citadas e imprime passividade às culturas socialistas partidárias, na atual conjuntura mundial.

É a recusa, consciente ou inconsciente -por incapacidade ou opção-, de abordar a questão do socialismo, em conjunto com a questão democrática.

Através desse exercício ficaria clara a dificuldade de manter bases eleitorais afinadas com um regime de acumulação ou distribuição socialista, dentro da democracia política. É preciso encarar esta verdade.

A socialdemocracia reformista, que assumiu os governos de esquerda neste período, recuou, em consequência, da "utopia socialista", para se preservar na "utopia democrática". Abdicou, assim, da ideia da "igualdade" -presente nas propostas socialistas- para assumir a idéia da "fraternidade" em abstrato, presente na idéia de solidariedade, na constituição política do Estado social de Direito.

Só que essa fraternidade funciona, no sistema global em curso, como pura exigência de renúncia para os "de baixo". Não como sacrifício para os "de cima".

E funciona em momentos de bonança, como distribuição limitada de recursos "para os de baixo", (através de salário e outras prestações sociais) e como acumulação ilimitada de riqueza para os "de cima" (através do lucro e da especulação financeira).

É isso que gera incompatibilidade, globalmente, entre capitalismo e democracia, promovendo grandes dúvidas sobre o futuro da democracia, inclusive na Europa.

As experiências socialistas "reais" resolveram este dilema ("da máxima desigualdade" aceitável e da "mínima igualdade exigível") através dos privilégios regulados no aparato de Estado e do partido.

Esses quadros foram se liberando dos seus compromissos originários e simulando que a "igualdade verdadeira" estava logo ali. E não estava. A socialdemocracia "de esquerda", na Suíça, Suécia, Dinamarca, Noruega, regularam a desigualdade máxima e organizaram a economia para um modo de vida mais duradouro e menos renunciável, pelos seus destinatários, do que as experiências soviéticas.

Pode-se dizer que ambas as experiências -formas específicas de capitalismo de "Estado" ou "regulado"- promoveram paradigmas modernos, à sua época, de igualdade social.

Deixaram, porém, em aberto a questão da democracia socialista como modelo universal, na qual a diferença entre "máxima desigualdade aceitável" e a "mínima igualdade exigível" seja estabelecida como projeto universal para uma humanidade fundada na paz e na justiça.

A esquerda pensante, pelos seus partidos, tem o dever ético de retomar este debate e esta utopia.



* Tarso Genro é governador do Rio Grande do Sul; foi ministro da Justiça (2007-2010), ministro da Educação (2004-2005) e prefeito de Porto Alegre pelo PT (1993-1996 e 2001-2002).

(Artigo publicado originalmente na coluna Tendências/Debates no jornal Folha de São Paulo, edição de 08/04/2012)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Compromisso com a cidade e o sentimento de dever cumprido!





Aos meus companheiros e companheiras,

Ao povo guarulhense,

Deixo nesta quarta feira (04.04), o meu cargo de Coordenador municipal de Juventude. Envio a todos e todas vocês minha Carta de Despedida do Governo do companheiro Prefeito Sebastião Almeida (PT) e assume no meu lugar a companheira e lutadora Erika Gomes.


Erika é militante que conheci na luta da juventude, contribuiu para primeira Conferencia Municipal da Juventude (2008) e agora na segunda Conferencia pela Coordenadoria. Funcionaria Pública de Carreira na Saúde cumpre a função de Gestora na Coordenadoria da Juventude me ajudando nas principais ações da Coordenadoria.


Desejo força e garra a esta companheira.

Eu aproveito para convidar VOCÊ para minha Prestação de Contas do trabalho realizado no governo do Prefeito Almeida (PT), acredito que esse será um dia especial por ter a sua presença. Nosso encontro será no dia 14 de Abril (sábado), a partir das 15 horas no Salão de Festas em cima da Intersoldas, endereço é no Anel Viário (Av. marechal Castelo Branco), n. 4109 no Gopóuva.


Vamos juntos construir uma cidade mais participativa e com direitos para todos e todas!

E grande abraço a todos e todas que em acompanham nesta caminhada!

Wagner Hosokawa

Assistente Social da Coordenadoria da Juventude

Compromisso com a cidade e o sentimento de dever cumprido!

Me despeço do cargo de Coordenador de Juventude da Prefeitura de Guarulhos feliz em ter começado o trabalho no desenvolvimento das políticas públicas para os jovens guarulhenses.

Ser o primeiro coordenador foi uma responsabilidade muito importante e acredito que conseguimos conquistar direitos importantes integrando com outras áreas parceiras de governo deixando para juventude ações importantes como o Programa Grafite é Cidadania, a Semana e a Feira do Estudante, a Bicicletada da Juventude, a Ciclovia de Lazer, a campanha A Juventude Negra quer Viver, o Projovem Urbano e o processo participativo que entregou o primeiro Plano Municipal da Juventude da cidade de Guarulhos.

Agradeço aos meus companheiros (as) de governo das diversas áreas que apoiaram estas conquistas da juventude e em nome destes que cumprimento o empenho dos servidores públicos que estiveram presentes.

Antes em 2009 quando assumi a Secretaria da Assistência Social e Cidadania realizei reformas importantes com a ampliação de mais trabalhadores, de mais serviços essenciais e ações para atender a população e consolidar o Sistema Único da Assistência Social. Me orgulho em ter criado os Conselhos Gestores para unir população, trabalhadores e gestão, além de ter a presença e o reconhecimento de uma Ministra de Estado, Marcia Lopes, amiga e companheira de luta.

Nestes três anos e três meses de governo a confiança do companheiro e Prefeito Sebastião Almeida depositada em mim, nas ações realizadas e na minha equipe foram fundamentais. Assumi o compromisso de trabalhar por mais políticas públicas com participação popular e na garantia de direitos sociais.

Agradeço especialmente a toda equipe da Coordenadoria da Juventude onde fomos um time vitorioso, pois, ninguém faz nada sozinho e sim em coletivo. Ao PT que me ensinou a defender o sempre os interesses do povo. Ao meu coletivo que caminha lado a lado na luta das comunidades.

Sem os quais não estaria ocupando estas funções públicas que conduzi com transparencia, ética, respeito aos cidadãos e cidadãs. Retorno a minha função de servidor público e profissional como assistente social da Prefeitura com orgulho de servir aonde estiver.

Acredito que o compromisso assumido com a população foi cumprido. Seguindo sempre os ideais que o Prefeito Almeida nos determinou respeitando a população com dedicação e empenho diário sigo estes passos agora na próxima tarefa que irei buscar em nome do projeto democrático e popular que estamos construíndo na cidade de Guarulhos.

Obrigado a todos e a todas, seguimos na luta! Forte Abraço!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Primeiro Centro de Referencia da Juventude, é público, é um começo!

Prefeitura inaugura Centro de Referência da Juventude
Deisy de Assis

Foi inaugurado ontem o mais novo equipamento para jovens guarulhenses: o Centro de Referência da Juventude. No local funcionará a Coordenadoria Municipal da Juventude e espaços para o desenvolvimento de atividades diversas.

Na ocasião da inauguração, o coordenador da juventude, Wagner Hosokawa, menciona que o local dará espaço a oficinas, encontros para debates e reuniões.

“Estávamos em um local pequeno e emprestado de outra pasta do Governo. Agora temos um espaço novo, que será mantido pelo orçamentoda coordenadoria”, disse. Hosokawa frisou a importância de oferecer ao jovem a oportunidade de criar como forma de combate à violência, às drogas e outros problemas que atingem essa população.

O vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Carlos Derman, participou da inauguração e lembrou sua juventude e a participação em movimentos estudantis contra a ditadura militar, em 1968.

Serviço - O Centro de Referência da Juventude está na Rua Antônio Francisco da Silva, 44, Centro.

2ª Bicicletada da Juventude reúne mais de 3.000 ciclistas




2ª Bicicletada da Juventude reúne mais de 3.000 ciclistas

fonte: Redação Web e site da Prefeitura de Guarulhos

Na manhã ensolarada deste domingo, 1, os guarulhenses acordaram cedo para pedalar pelas ruas da cidade.

Mais de 3.000 ciclistas reuniram-se em frente ao Bosque Maia para participar da 2ª Bicicletada da Juventude, promovida pela Prefeitura de Guarulhos.

Com muita música e animação, o passeio, que teve início às 10 horas, durou cerca de duas horas e meia. Ao final, 13 bicicletas foram sorteadas entre os inscritos.

Com apoio do Grupamento Ronda Bike da Guarda Civil Municipal (GCM) e das secretarias de Esporte, Saúde e Transporte e Trânsito, os ciclistas percorreram vias públicas importantes como as avenidas Paulo Faccini, Presidente Tancredo de A. Neves, Monteiro Lobato e Ministro Evandro Lins e Silva, que farão parte da extensão da ciclovia

O prefeito destacou que já está em andamento o projeto para ampliar a ciclovia da cidade, que ligará o Bosque Maia ao Cecap.

“Estamos estudando maneiras para que o ciclista possa utilizar a bicicleta com segurança não somente para o lazer, mas também para trabalhar e estudar. A ciclovia é apenas o primeiro passo para uma cidade mais consciente e sustentável” completou Almeida.

O coordenador da Juventude, Wagner Hosokawa, e o prefeito Sebastião Almeida chegaram pedalando e parabenizaram a população pela participação no evento.

“É muito gratificante ver a quantidade de pessoas que aderiram a iniciativa. Isso mostra que cada vez mais a população está aceitando a ideia de ter um estilo de vida mais saudável, utilizando meios de transporte alternativos e ecologicamente corretos”, disse Hosokawa.

domingo, 1 de abril de 2012

O PSDB ODEIA GUARULHOS, E A PROVA É PARTILHA DAS VERBAS ESTADUAIS!



01/04/2012
Alckmin privilegia prefeitos tucanos com verbas em SP
Fonte: Folha de S.Paulo

O gestão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), privilegiou as cidades paulistas administradas pelo seu partido e seus aliados na partilha dos recursos do Estado para investimentos.

Levantamento no repasse de verbas para as 52 cidades paulistas com mais de 100 mil eleitores aponta que, das dez que mais receberam recursos, cinco são chefiadas por tucanos. Os outros cinco municípios que mais receberam grana são comandados por aliados: PSB, PMDB e PSD.

O dado não contabiliza transferências obrigatórias.

O levantamento foi realizado em repasses de janeiro de 2011 a última terça-feira.

Esse grupo das 52 maiores cidades concentra quase 70% do eleitorado paulista 17 delas são governadas pelo PT e nove, pelo PSDB.

Em São Paulo, a campeã na liberação de verbas do governo foi Praia Grande (71 km de SP). A cidade, governada pelo PSDB, recebeu R$ 25,9 milhões, o equivalente a R$ 150 por eleitor. A prefeitura ainda espera recursos para erguer um viaduto.

"Não tenho privilégio nenhum, sou tratado pelo governador como qualquer prefeito. Uma cidade que ganha 27 mil habitantes por ano é complicada de manter", disse o prefeito Roberto Francisco (PSDB), que será candidato à reeleição.

Entre as que receberam menos recursos estão seis do PT, sigla que faz oposição ao Palácio dos Bandeirantes.

Administrada por Marília (435 km de SP), Ticiano Tóffoli (PT). A cidade não recebeu nenhum centavo.

Outro exemplo é Guarulhos (Grande SP), segundo maior município do Estado, governado por Sebastião Almeida (PT). Em 15 meses, a prefeitura recebeu R$ 400 mil R$ 0,50 por eleitor, para a construção de clínica para dependentes.

Governo diz seguir "critério"

O governo de São Paulo afirmou, em nota, que os convênios obedecem critérios técnicos. "Levam em conta viabilidade orçamentária, necessidade da população e relevância para a região.

Opinião do blogueiro:

Muitas obras importantes são hoje co-financiadas junto ao governo federal. Só em Guarulhos as Estações de Tratamento de Esgoto, obras viárias, Hospital Pimentas Bonsucesso, 27 creches...

Os tucanos falam uma coisa e fazem outra. A verdade que os municípios paulistas como São paulo já deveriam ter perdido recursos da Assistência Social a muito tempo, exemplo disso é São Paulo que não fez a lição de casa, mas a grandeza do governo federal em nome do atendimento à população.

Em sua reposta, o governo também criticou o grupo escolhido para a pesquisa, que "faz um recorte incapaz de traduzir de maneira isenta os investimentos do Estado nos municípios".