quinta-feira, 14 de março de 2013

50 VERDADES SOBRE HUGO CHÁVEZ E A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA



50 VERDADES SOBRE HUGO CHÁVEZ E A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA

Razões pelas quais o chefe de Estado venezuelano marcou para sempre a história da América Latina


O presidente Hugo Chávez, que faleceu no dia 5 de março de 2013, vítima de câncer, aos 58

anos, marcou para sempre a história da Venezuela e da América Latina. Veja abaixo 50 verdades

sobre a Revolução Bolivariana.

1. Jamais, na história da América Latina, um líder político alcançou uma legitimidade democrática

tão incontestável. Desde sua chegada ao poder em 1999, houve 16 eleições na Venezuela. Hugo

Chávez ganhou 15, entre as quais a última, no dia 7 de outubro de 2012. Sempre derrotou seus

rivais com uma diferença de 10 a 20 pontos percentuais.

2. Todas as instâncias internacionais, desde a União Europeia até a Organização dos Estados

Americanos, passando pela União de Nações Sul-Americanas e pelo Centro Carter, mostraram-se

unânimes ao reconhecer a transparência das eleições.

3. Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, inclusive declarou que o sistema eleitoral da

Venezuela era “o melhor do mundo”.

4. A universalização do acesso à educação, implementada em 1998, teve resultados excepcionais.

Cerca de 1,5 milhão de venezuelanos aprenderam a ler e a escrever graças à campanha de

alfabetização denominada Missão Robinson I.

5. Em dezembro de 2005, a Unesco decretou que o analfabetismo na Venezuela havia sido

erradicado.

6. O número de crianças na escola passou de 6 milhões em 1998 para 13 milhões em 2011, e a taxa

de escolarização agora é de 93,2%.

7. A Missão Robinson II foi lançada para levar a população a alcançar o nível secundário. Assim, a

taxa de escolarização no ensino secundário passou de 53,6% em 2000 para 73,3% em 2011.

8. As Missões Ribas e Sucre permitiram que dezenas de milhares de jovens adultos chegassem ao

Ensino Superior. Assim, o número de estudantes passou de 895.000 em 2000 para 2,3 milhões em

2011, com a criação de novas universidades.

9. Em relação à saúde, foi criado o Sistema Nacional Público para garantir o acesso gratuito à

atenção médica para todos os venezuelanos. Entre 2005 e 2012, foram criados 7.873 centros

médicos na Venezuela.

10. O número de médicos passou de 20 por 100 mil habitantes, em 1999, para 80 em 2010, ou seja,

um aumento de 400%.

11. A Missão Bairro Adentro I permitiu a realização de 534 milhões de consultas médicas. Cerca de

17 milhões de pessoas puderam ser atendidas, enquanto que, em 1998, menos de 3 milhões de

pessoas tinham acesso regular à saúde. Foram salvas 1,7 milhão de vidas entre 2003 e 2011.

12. A taxa de mortalidade infantil passou de 19,1 a cada mil, em 1999, para 10 a cada mil em 2012,

ou seja, uma redução de 49%.13. A expectativa de vida passou de 72,2 anos em 1999 para 74,3 anos em 2011.

14. Graças à Operação Milagre, lançada em 2004, 1,5 milhão de venezuelanos vítimas de catarata

ou outras enfermidades oculares recuperaram a visão.

15. De 1999 a 2011, a taxa de pobreza passou de 42,8% para 26,5%, e a taxa de extrema pobreza

passou de 16,6% em 1999 para 7% em 2011.

16. Na classificação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD (Programa das

Nações Unidas para o Desenvolvimento), a Venezuela passou do posto 83 no ano 2000 (0,656) ao

73° lugar em 2011 (0,735), e entrou na categoria das nações com o IDH elevado.

17. O coeficiente Gini, que permite calcular a desigualdade em um país, passou de 0,46 em 1999

para 0,39 em 2011.

18. Segundo o PNUD, a Venezuela ostenta o coeficiente Gini mais baixo da América Latina, e é o

país da região onde há menos desigualdade.

19. A taxa de desnutrição infantil reduziu 40% desde 1999.

20. Em 1999, 82% da população tinha acesso a água potável. Agora, são 95%.

21. Durante a presidência de Chávez, os gastos sociais aumentaram 60,6%.

22. Antes de 1999, apenas 387 mil idosos recebiam aposentadoria. Agora são 2,1 milhões.

23. Desde 1999, foram construídas 700 mil moradias na Venezuela.

24. Desde 1999, o governo entregou mais de um milhão de hectares de terras aos povos originários

do país.

25. A reforma agrária permitiu que dezenas de milhares de agricultores fossem donos de suas terras.

No total, foram distribuídos mais de 3 milhões de hectares.

26. Em 1999, a Venezuela produzia 51% dos alimentos que consumia. Em 2012, a produção é de

71%, enquanto que o consumo de alimentos aumentou 81% desde 1999. Se o consumo em 2012

fosse semelhante ao de 1999, a Venezuela produziria 140% dos alimentos consumidos em nível

nacional.

27. Desde 1999, a taxa de calorias consumidas pelos venezuelanos aumentou 50%, graças à Missão

Alimentação, que criou uma cadeia de distribuição de 22.000 mercados de alimentos (MERCAL,

Casa da Alimentação, Rede PDVAL), onde os produtos são subsidiados, em média, 30%. O

consumo de carne aumentou 75% desde 1999.

28. Cinco milhões de crianças agora recebem alimentação gratuita por meio do Programa de

Alimentação Escolar. Em 1999, eram 250 mil.

29. A taxa de desnutrição passou de 21% em 1998 para menos de 3% em 2012.30. Segundo a FAO, a Venezuela é o país da América Latina e do Caribe mais avançado na

erradicação da fome.

31. A nacionalização da empresa de petróleo PDVSA, em 2003, permitiu que a Venezuela

recuperasse sua soberania energética.

32. A nacionalização dos setores elétricos e de telecomunicação (CANTV e Eletricidade de

Caracas) permitiu pôr fim a situações de monopólio e universalizar o acesso a esses serviços.

33. Desde 1999, foram criadas mais de 50.000 cooperativas em todos os setores da economia.

34. A taxa de desemprego passou de 15,2% em 1998 para 6,4% em 2012, com a criação de mais de

4 milhões de postos de trabalho.

35. O salário mínimo passou de 100 bolívares (16 dólares) em 1998 para 2.047,52 bolívares (330

dólares) em 2012, ou seja, um aumento de mais de 2.000%. Trata-se do salário mínimo mais

elevado da América Latina.

36. Em 1999, 65% da população economicamente ativa recebia um salário mínimo. Em 2012,

apenas 21,1% dos trabalhadores têm este nível salarial.

37. Os adultos com certa idade que nunca trabalharam dispõem de uma renda de proteção

equivalente a 60% do salário mínimo.

38. As mulheres desprotegidas, assim como as pessoas incapazes, recebem uma ajuda equivalente a

70% do salário mínimo.

39. A jornada de trabalho foi reduzida a 6 horas diárias e a 36 horas semanais sem diminuição do

salário.

40. A dívida pública passou de 45% do PIB em 1998 a 20% em 2011. A Venezuela se retirou do

Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, pagando antecipadamente todas as suas

dívidas.

41. Em 2012, a taxa de crescimento da Venezuela foi de 5,5%, uma das mais elevadas do mundo.

42. O PIB por habitante passou de 4.100 dólares em 1999 para 10.810 dólares em 2011.

43. Segundo o relatório anual World Happiness de 2012, a Venezuela é o segundo país mais feliz da

América Latina, atrás da Costa Rica, e o 19° em nível mundial, à frente da Espanha e da Alemanha.

44. A Venezuela oferece um apoio direto ao continente americano mais alto que os Estados Unidos.

Em 2007, Chávez ofereceu mais de 8,8 bilhões de dólares em doações, financiamentos e ajuda

energética, contra apenas 3 bilhões da administração Bush.

45. Pela primeira vez em sua história, a Venezuela dispõe de seus próprios satélites (Bolívar e

Miranda) e é agora soberana no campo da tecnologia espacial. Há internet e telecomunicações em

todo o território.46. A criação da Petrocaribe, em 2005, permitiu que 18 países da América Latina e do Caribe, ou

seja, 90 milhões de pessoas, adquirissem petróleo subsidiado em cerca de 40% a 60%, assegurando

seu abastecimento energético.

47. A Venezuela também oferece ajuda às comunidades desfavorecidas dos Estados Unidos,

proporcionando-lhes combustíveis com tarifas subsidiadas.

48. A criação da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), em 2004, entre Cuba

e Venezuela, assentou as bases de uma aliança integradora baseada na cooperação e na

reciprocidade, agrupando oito países membros, e que coloca o ser humano no centro do projeto de

sociedade, com o objetivo de lutar contra a pobreza e a exclusão social.

49. Hugo Chávez está na origem da criação, em 2011, da Celac (Comunidade de Estados LatinoAmericanos e Caribenhos), agrupando, pela primeira vez, as 33 nações da região, que assim se

emancipam da tutela dos Estados Unidos e do Canadá.

50. Hugo Chávez desempenhou um papel chave no processo de paz na Colômbia. Segundo o

presidente Juan Manuel Santos, "se avançamos em um projeto sólido de paz, com progressos claros

e concretos, progressos jamais alcançados antes com as FARC, é também graças à dedicação e ao

compromisso de Chávez e do governo da Venezuela".

Milhares de venezuelanos se concentram nas ruas de Caracas para acompanhar cortejo fúnebre de

Hugo Chavez.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Chávez: a multidão vermelha faz história


publicada sexta-feira, 08/03/2013 às 13:56 e atualizada sexta-feira, 08/03/2013 às 19:34


por Rodrigo Vianna

A multidão nas ruas nem sempre é boa medida para avaliar um sistema político. Existem as multidões enfurecidas, as multidões conduzidas por ditadores. As multidões amorfas.

Acima, vemos a multidão vermelha que tomou as ruas de Caracas para se despedir de Chávez. Do alto, imagem que impressiona. Mas é preciso baixar à rua e olhar a história da América Latina para compreender de que multidão se trata.

De táxi, eu tentava me aproximar do Forte Tiúna – sede do comando das Forças Armadas da Venezuela, onde ocorre o velório de Hugo Chavez. O motorista que me conduzia olhava a multidão nas ruas e dizia: “quanto estão pagando a essa gente para vir até aqui?”. Ah, os taxistas…

Desci do carro, segui a pé com o cinegrafista Josias Erdei. Multidões desciam dos morros. Mães com crianças de colo, homens jovens de mãos dadas com as mães já alquebradas pelas idade, pais conduzindo famílias inteiras pelas ruas. Tristeza, sim, mas sem desespero. E os gritos: “Chávez vive, la lucha sigue”.

Essa é a multidão da democracia, tantas vezes pisoteada na América Latina. Pisoteada no assassinato de Gaitán na Colômbia em 1948, no suicídio de Vargas em 54, nos golpes militares do Cone Sul dos anos 60 e 70. A multidão vermelha de Caracas é a mesma que baixou dos morros, em 2002, e garantiu o mandato de Chávez. Os golpistas tinham as televisões, os empresários, a classe média. Chávez tinha o povão. Ou seria o contrário: o povão tinha Chávez, e dele não abriu mão.

É preciso lembrar sempre: a multidão precede Chávez na história da Venezuela. Não foi Chávez que inventou a multidão, mas ao contrário: a multidão é que inventou Chávez.

1989. O governo neoliberal venezuelano anuncia um aumento geral de tarifas. A multidão, sem líder, sem controle, põe fogo em Caracas. O Caracazo era o sintoma de que a multidão retomava o fio da história que os idiotas neoliberais imaginavam extinto.

A multidão do Caracazo gerou o Chávez de 92: líder de uma rebelião frustrada. Depois, viria a vitória chavista nas urnas em 1998. E um governo sustentado pela multidão. Sempre.

Chavez é filho da multidão, por mais que dezenas de pessoas com as quais conversei nas ruas de Caracas tendam a ver o contrário: “era como um pai para nós”. Ah, a eterna necessidade humana de se proteger à sombra de um pai poderoso e justo. Mas quantas vezes são os filhos que – sem perceber – conduzem os pais!

A multidão vermelha de Caracas tem o fio da história nas mãos. Vejo cenas emocionantes nas ruas: gente que chora ao falar o nome de Chávez. E um bordão que se repete, mas que não se desgasta: “Chávez somos todos nós, Chávez é a multidão”.

Na fila que passa lentamente ao lado do caixão, senhoras desesperadas se debruçam, fazem o sinal da cruz. Soldados fardados batem continência. Mas às vezes tudo se inverte: o soldado chora, e mulheres batem continência ao “comandante”.

O taxista do começo do texto, coitado, faz parte de um outro mundo. Preso à lógica mercantil, acredita que as pessoas só se movem quando são “pagas”. Mas a multidão de Caracas se move por outros caminhos. A multidão de Caracas parece disposta a conduzir o fio da história.

Discursos derramados na TV. E de repente o aviso (chocante para mim, confesso) de que Chávez será “embalsamado”. Que apego à figura do líder! Chávez, preso numa urna de cristal, não pode fazer nada. É apenas uma alegoria – algo fantasmagórica – num país em que a história se escreve pela multidão: em 89 no Caracazo, em 2002 na reação ao golpe, em tantas e tantas eleições… E agora também na despedida do líder.

Dia seguinte, sexta-feira: a multidão interrompe sua lenta caminhada ao largo do saguão onde ocorrre o velório. Agora são os chefes de Estado que prestam homenagem a Chávez. Simbolicamente, Nicolás Maduro ergue uma réplica da espada de Bolívar. E a deposita sobre o caixão.

Bolívar conduzia a multidão. Chávez foi conduzido por ela. A multidão vermelha de Caracas faz história.


 

terça-feira, 5 de março de 2013

Viva Chavez, seus ideais seguem no coração e na luta do povo da Venezuela.


Morre Chavez. Depois de muita torcida da direita, dos jornalista do PIG (Partido da Imprensa Golpista), das elites, dos banqueiros e de quem mais se alie a este pensamento conservador e capitalista, Chavez morre.

Sim, todos e todas morreremos. Principalmente os ricos que não poderão desfrutar de nada depois que se partem e espero que ao inferno. Não que haja céu parta nós comunistas, mas com certeza que se nosso destino é lutar, que possamos nascer logo novamente!

O legado de Chavez esta na idéia (antes perdida no desanimo) de patria, de nação. Lá na Venezuela podemos dizer que o que fica é um povo que se declara com "P" maiusculo...

Ha inumeras literaturas, livros e documentários ("a revolução não será televisionada") que podem descrever ou esclarecer sobre Chavez e a luta revolucionária deste período por isso vou me ater a ficar no pesar da morte e na certeza da vida dos ideais de Chavez.

Viva Chavez! Viva o povo da Venezuela! Socialismo, Liberdade, Patria ou morte!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Passou, apenas passou!

Aecio Neves fez um discurso que segundo ele "demarcaria" sua liderança na oposição ao governo de coalisão liderado pelo PT. Mas suas palavras no final pareciam aquele espirro que ameaça, mas passa! Frustante quando não conseguimos espirrar. Imagine ao Aecio, também não espirrou.

Quando o artigo é bom eu tenho que reconhecer, e este do Janio de Freitas é bom. Porque elogia a Dilma? Não! Porque analisa as peças no tabuleiro do jogo do poder institucional.

Ele mesmo escreve: "A crítica de maior alcance produzida por Aécio Neves, como uma síntese de todas, ficou na afirmação de que "tivemos um biênio perdido" (2011-12). Perdido por quem? Não por aqueles milhões que, não tendo emprego antes e não sendo herdeiros, obtiveram trabalho, salário, carteira assinada na redução do desemprego a históricos 4,4%. Também não por aqueles que, dizem os jornais apesar de si mesmos, entraram na classe média. Muito menos pelos resgatados de carências opressoras por programas assistenciais, pelas cotas universitárias, as oportunidades de consumo, e o mais que Aécio Neves sabe."

É justamente onde quero chegar, eu e meus companheiros/as da esquerda do PT. Politizar a sociedade é uma urgência para que possamos não só avançar nos shoppings, mas levar os trabalhadores/as a avançar nas consciências.

boa leitura!



Um pobre começo
artigo de JANIO DE FREITAS
fonte:http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/95375-um-pobre-comeco.shtml

Aécio Neves enfraqueceu-se muito; Eduardo Campos alimenta o noticiário criado em torno do seu nome

A semana política teve a sua graça, com o teatrinho mambembe do senador Aécio Neves e do governador pernambucano Eduardo Campos. O primeiro pôs a cabeça para fora do armário, pressionado a fazer um discurso que deveria projetá-lo à liderança da oposição. O outro quis entrar no armário, para diminuir as atenções postas em sua alegada pretensão presidencial.

Aécio Neves apoiou sua "denúncia" dos "13 erros" do governo petista na ideia de que "quem governa o Brasil é a lógica da reeleição". Muito bem visto. Com toda a certeza, Dilma Rousseff não governa com a lógica da derrota eleitoral. No que tem o exemplo deixado por todos os políticos. E, em particular, por um certo Aécio Neves no governo de Minas, que chegou até a espalhar no Estado placas de autopromoção em obras devidas ao governo federal. A queixa federal não deu resultado, mas a propaganda do então governador deu.

Desde o ano passado Fernando Henrique Cardoso e Sérgio Guerra, presidente do PSDB, insistiam com Aécio Neves, inclusive publicamente, para assumir o encargo de falar ao país pela oposição. Insistência duplamente justificada, por ser no partido o único possível candidato a presidente e pela oportuna ausência de liderança na oposição. Mas, se os erros e deficiências dos dois governos petistas fossem só os que Aécio Neves encontrou, para afinal lançar a pretendida liderança oposicionista, não haveria mesmo por que fazer oposição.

A crítica de maior alcance produzida por Aécio Neves, como uma síntese de todas, ficou na afirmação de que "tivemos um biênio perdido" (2011-12). Perdido por quem? Não por aqueles milhões que, não tendo emprego antes e não sendo herdeiros, obtiveram trabalho, salário, carteira assinada na redução do desemprego a históricos 4,4%. Também não por aqueles que, dizem os jornais apesar de si mesmos, entraram na classe média. Muito menos pelos resgatados de carências opressoras por programas assistenciais, pelas cotas universitárias, as oportunidades de consumo, e o mais que Aécio Neves sabe.

Eduardo Campos protegeu sua coerência com a criação de um neologismo: reclamou de "se eleitorizar" tanto e tão cedo a política. E tratou de se eleitorizar ali mesmo, em discurso para cerca de 200 prefeitos e sob os brados de "presidente! presidente!"

Seu discurso se eleitorizando tinha que ser crítico ao governo, do qual Eduardo Campos e o seu PSB são "aliados": "A população está preocupada com um Brasil que não cresceu como se esperava". Só se fosse a população pernambucana, mas nem ela, ao que se saiba fora de Pernambuco e conste sobre o governo de Eduardo Campos, no mínimo mediano.

Preocupados aparentam estar uma corrente empresarial e os economistas do mercado. Mas, se confrontados os seus ganhos e as tais preocupações, pode-se desconfiar (ou mais do que isso) de uma onda bem arranjada para extrair do governo sempre mais vantagens. E o fato é que o governo as tem concedido sem cessar.

Aécio Neves e Eduardo Campos não foram suficientes para evitar a atribuição a Lula e Dilma do lançamento da disputa sucessória. Para isso, bastou que Lula brindasse os petistas, na sua festa, com um "vamos reeleger Dilma!". Quem precipitou essa historiada de sucessão foi, de fato, a imprensa, a partir do blablablá de Lula candidato. Na realidade, Aécio Neves enfraqueceu-se muito; Eduardo Campos alimenta o noticiário criado em torno do seu nome, mas ainda não criou fatos que substituam a artificialidade; e Dilma, como sua Minas, está onde sempre esteve. Ou seja: a rigor, por ora nada de novo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

manifesto comunista de Marx e Engels preserva força analítica e literária!

Nos querem derrotados/as,
falam da morte das ideologias
a pura ignorância grita contra a direita e a esquerda
e prefere ser refém de uma realidade imposta
composta, de bosta e reposta.

Assim querem desacreditar os que lutam
desencorajar os que sonham
limitar os que ousam
e calar com a "liberdade" de mercado
a liberdade humana

Quando a ordem constrói sua força na desordem
quando a ordem impõe sua vontade
aos poucos, o tempo, o arado, o caminhar cumprem sua fiel missão
de nunca, nunca mesmo, deixar morrer nem as idéias
e nem os ideais de uma outra sociedade
socialista, comunista, solidária, livre, liberta, libertária
comunal, participativa, soberana...
em resumo como dizia o poeta: nada como um novo dia da nova primavera!

wh

BOA LEITURA

(ps.. vindo da FSP é sempre duvidoso, mas tem um gosto de inveja)


Elogio do inimigo
Relíquia ideológica, manifesto comunista de Marx e Engels preserva força analítica e literária 

Hoje, o "Manifesto do Partido Comunista", de Marx e Engels, é encarado como peça de antiquário. Só encanta "otários" que, mesmo sem serem comunistas de carteirinha, mesmo desprezando o regime policial de Fidel Castro, ousam ser de esquerda.

A bem da verdade, à direita "light" (que ensina que o ser humano é perverso, por isso vamos relaxar e gozar) corresponde uma esquerda "soft", que sente comichão diante de expressões como "modo de exploração capitalista" e "luta de classes". Uns e outros deveriam ler a nova edição do manifesto, com posfácio de Marshall Berman.

Em primeiro lugar, porque existe uma boa diferença entre ser comunista e marxista. Uma conversa superficial com um empresário reaça ou com um operador do mercado financeiro revela que ambos pensam nas relações de trabalho e na mobilidade do capital pela cartilha de Marx -pois ninguém identificou como o filósofo alemão a dinâmica da produção de riqueza.

A realidade social é marxista, embora sua reforma não precise passar pela revolução comunista. Feita a distinção entre teoria e ideologia, é curioso que um dos textos mais claros de Marx sobre o capital seja essa peça de propaganda de 1848, escrita com Engels. A edição realça a retórica literária do texto, que Berman aproxima do "lirismo expressionista", com sentenças que "rebentam diante de nós como ondas que nos fazem tremer ao impacto e nos encharcam de pensamentos".

A nova tradução, por seu rigor, altera a musicalidade de outras versões. A famosa frase inicial ("Um fantasma ronda a Europa -o fantasma do comunismo") vira "Um fantasma circula pela Europa...". E a construção da qual Berman tirou o título de seu livro "Tudo que É Sólido Desmancha no Ar" se transforma em "Evapora-se toda estratificação, todo o estabelecido".

Mais importante, porém, é como Marx e Engels detectam o poder de reinvenção do modo de produção capitalista -num elogio do inimigo que diagnostica com antecedência a globalização e seu poder hipnotizante, mesmo quando tudo parece prestes a derreter.

conexões
LIVRO
MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA ****
AUTORES: Karl Marx e Friedrich Engels
TRADUÇÃO: Sergio Tellaroli
EDITORA: Penguin-Companhia (112 págs., R$ 14,50)

LIVRO
TUDO QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR ****
Nesse panorama da cultura moderna, o marxista americano analisa o "Manifesto" ao lado das obras de Goethe e outros.
AUTOR: Marshall Berman
TRADUÇÃO: Carlos Felipe Moisés e Ana Maria Ioriatti
EDITORA: Companhia das Letras (2007, 472 págs., R$ 31)

FILME
NOTÍCIAS DA ANTIGUIDADE IDEOLÓGICA: MARX, EISENSTEIN, "O CAPITAL" ****
No documentário de mais de oito horas, o diretor alemão retoma o projeto de Eisenstein de filmar as metamorfoses do capital com base em Marx.
DIRETOR: Alexander Kluge
DISTRIBUIDORA: Versátil
(2008, R$ 74,90, DVD triplo)

FILME
OLDBOY ****
Chan-wook Park (2003, Spectra Nova, R$ 19,90)
Detido durante bebedeira, um homem é mantido em cativeiro durante 15 anos, sem saber a razão. Ao sair, descobre que foi acusado de assassinar a mulher e, na busca de vingança e de provas de inocência, envolve-se com uma "sushi girl". A trama absurda e underground resulta numa obra-prima do cinema sul-coreano, com desfecho digno do horror provocado pelas tragédias gregas.

DISCO
OPUS 80: EDMUNDO VILLANI-CÔRTES ***
Karin Fernandes (independente, R$ 34,90)
Ao lado da orquestra do Theatro São Pedro, a pianista Karin Fernandes interpreta obras de Villani-Côrtes. O destaque é o registro inédito do "Concerto n° 3", num álbum que inclui peça para piano, vibrafone e orquestra de cordas, além de composições para piano solo, com intensidade rítmica absorvida de cantigas e cantilenas populares.

LIVRO 
CORRESPONDÊNCIA 1928-1940 ****
Theodor W. Adorno e Walter Benjamin; tradução de José Marcos Mariani de Macedo (Editora Unesp, 487 págs., R$ 62) Fundamentais para a filosofia contemporânea, as cartas entre Benjamin e Adorno são pequenos ensaios: flagram a incorporação de eventos históricos (como a ascensão do nazismo) a pensamentos que, a partir de reflexões sobre Baudelaire ou Kierkegaard, criaram ferramentas críticas para pensar a modernidade. 

Elogio ao idiota, ou melhor ao analfabeto político!

Não tive tempo de publicar. Estava em campanha por um mandato de vereador com novas idéias para política, com posição ideologica de esquerda e ao lado das lutas populares.

Penso que se publicasse o brilhante artigo do Frei Betto isso não teria mudado o voto de ninguém. Também pouco me importa, o importante é a reflexão.

Sou militante e por isso participo, persigo, busco, debato, discuto e reflito. A sociedade que aí está não me representa, por isso busco representar outro projeto societário.

boa leitura, quem sabe nos encontramos em um mundo menos intolerante com a política e mais presente  na vida social desta sociedade.


19/09/2012 07:21:00

Eleições municipais: os candidatos são todos iguais?

Frei Betto*
Época de eleição é época de emoção. A razão entra em férias, a sensibilidade fica à flor da pele. Em família e no trabalho, todos manifestam opiniões sobre eleições e candidatos.
O tom das opiniões varia do palavrão (a desqualificar toda a árvore genealógica do candidato) à veneração acrítica de quem o julga perfeito. Marido briga com a mulher, pai com o filho, amigo com amigo, cada um convencido de que possui a melhor análise sobre os candidatos…
Um terceiro grupo insiste em se manter indiferente ao período eleitoral, embora não o consiga em relação aos candidatos, todos eles considerados corruptos, mentirosos, aproveitadores e/ou demagogos.
Não há saída: estamos todos sujeitos ao Estado. E este é governado pelo partido vitorioso nas eleições. Portanto, ficar indiferente é passar cheque em branco, assinado e de valor ilimitado, a quem governa. Governo e Estado são indiferentes à nossa indiferença e aos nossos protestos individuais.
É compreensível uma pessoa não gostar de ópera, jiló ou cor marrom. E mesmo de política. Impossível é ignorar que todos os aspectos de nossa existência, do primeiro respiro ao último suspiro, têm a ver com política.
A classe social em que cada um de nós nasceu decorre da política vigente no país. Houvesse menos injustiça e mais distribuição da riqueza, ninguém nasceria entre a miséria e a pobreza. Como nenhum de nós escolheu a família e a classe social em que veio a este mundo, somos todos filhos da loteria biológica. O que não deveria ser considerado privilégio por quem nasceu nas classes média e rica, e sim dívida social para com aqueles que não tiveram a mesma sorte.
Somos ministeriados do nascimento à morte. Ao nascer, o registro segue para o Ministério da Justiça. Vacinados, ao da Saúde; ao ingressar na escola, ao da Educação; ao arranjar emprego, ao do Trabalho; ao tirar habilitação, ao das Cidades; ao aposentar-se, ao da Previdência Social; ao morrer, retorna-se ao Ministério da Justiça. E nossas condições de vida, como renda e alimentação, dependem dos ministérios da Fazenda e do Planejamento.
Em tudo há política. Para o bem ou para o mal. A política se faz presente até no calendário. Já reparou: dezembro, último mês do ano, deriva de dez? Novembro de nove, outubro de oito, setembro de sete?
Outrora o ano tinha dez meses. O imperador Júlio César decidiu acrescentar um mês em sua homenagem. Criou julho. Seu sucessor, Augusto, não quis ficar atrás. Criou agosto. Como os meses se sucedem na alternância 31/30, Augusto não admitiu que seu mês tivesse menos dias que o do antecessor. Obrigou os astrônomos da corte a equipararem agosto e julho em 31 dias. Eles não se fizeram de rogados: arrancaram um dia de fevereiro e resolveram a questão.
O Brasil é o resultado das eleições de outubro. Para melhor ou para pior. E os que o governam são escolhidos pelo voto de cada eleitor.
Faça como o Estado: deixe de lado a emoção e pense com a razão. As instituições públicas são movidas por políticos e pessoas indicadas por eles. Todos os funcionários são nossos empregados. A nós devem prestar contas. Temos o direito de cobrar, exigir, reivindicar, e eles o dever de responder às nossas expectativas.
A autoridade é a sociedade civil. Exerça-a. Não dê seu voto a corruptos nem se deixe enganar pela propaganda eleitoral. Vote no futuro melhor de seu município. Vote na justiça social, na qualidade de vida da população, na cidadania plena.
* Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais, autor de “Calendário do poder” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org - Twitter:@freibetto.
(Adital)

Pedágio e a máfia contrária aos ciclistas e a política cicloviária! E se todos e todas descessem a serra em bicicletas, de quem cobrar pedágio?

Para ler, clique na imagem...