terça-feira, 6 de agosto de 2013

Pesquisa IBOPE-OAB revela que 85% querem reforma política valendo para 2014



Pesquisa IBOPE-OAB revela que 85% querem reforma política valendo para 2014

Estudo mostra ainda que 78% dos entrevistados se posicionaram contra a participação de empresas em financiamento de campanhas

Um desejo que vem das ruas para que a ‘democracia do dinheiro’ possa ser varrida definitivamente das eleições a partir de 2014. Esse foi o sentimento registrado na sede da Ordem dos Advogados do Brasil que divulgou pesquisa IBOPE nesta terça-feira (6), em Brasília. O estudo revela que 85% dos entrevistados são favoráveis à reforma política para valer já nas próximas eleições. Quanto ao financiamento de campanha, 78% dos entrevistados se posicionaram contra a participação de empresas nas campanhas e 90% pediram punições mais rigorosas contra a prática de “caixa-dois”. Além disso, a pesquisa mostra que 92% dos entrevistados são a favor de projeto de lei nesse sentido por iniciativa popular.

Ao lado do presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado, o líder interino do Governo Dilma na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), espera que o Congresso Nacional revise seu posicionamento de não querer alterar o sistema eleitoral para o próximo ano.

“Nós temos tempo para as mudanças efetivas para 2014. Um debate feito com prioridade somente para reforma política poderá garantir que esta votação ocorra até 30 de setembro. O anteprojeto de lei de iniciativa popular “Eleições Limpas” da OAB ajuda a combater o abuso do poder econômico no processo eleitoral, porque proíbe o financiamento das campanhas por empresas. Elas não votam e por tanto não devem financiar as eleições. O projeto ainda propõe teto de gastos, e isso passa a dar igualdade aos candidatos equilibrando o processo eleitoral”, avaliou Fontana.

A pesquisa apontou, também, qual o melhor modelo para eleger deputados na opinião dos entrevistados. A favor de mudanças e pela instituição do voto em lista (lista e propostas de candidatos) ganhou a preferência de 56% das pessoas, enquanto 38% se manifestaram pela manutenção do atual modelo, de voto nominal. O IBOBE entrevistou 1.500 pessoas em todo o país de 27 a 30 de julho.

Carta da Jornada de Lutas da Juventude Brasileira: A hora e a vez da juventude



Carta da Jornada de Lutas da Juventude Brasileira

A hora e a vez da juventude

As mobilizações da juventude em junho representam uma mudança na conjuntura política no Brasil e abrem uma janela histórica para a realização das reformas estruturais necessárias para garantir a soberania nacional e os direitos da classe trabalhadora, promovendo o desenvolvimento econômico com justiça social, livre do racismo, machismo e homofobia.

Construímos no começo deste ano uma articulação ampla para fazer um diagnóstico coletivo da conjuntura, promover lutas sociais para pressionar os governos e enfrentar os inimigos do povo brasileiro. Participam diversas entidades que organizam a juventude em movimentos sociais e sindicatos de trabalhadores da cidade e do campo, entidades estudantis, feministas, juventudes partidárias, religiosas, LGBT, coletivos de cultura e das periferias.

O nosso manifesto de lançamento, apresentado em fevereiro de 2013, proclamava a unidade da juventude para “avançar nas mudanças e conquistar mais direitos para juventude”. Logo depois, fizemos uma jornada de lutas em todo o país em março/abril, com a plataforma que construímos de forma conjunta.

Já havia naquele momento a expectativa de que os jovens sairiam às ruas para cobrar dos governos mais investimentos em educação, melhores condições de vida, mudanças no sistema político e respeito aos direitos. As manifestações de massa que aconteceram por todo o país, que tiveram como estopim a luta contra o aumento das passagens do transporte público, mostrou a disposição dos jovens irem às ruas exigir mudanças.

A juventude nas ruas com demandas progressistas, que implicam necessariamente o fortalecimento da classe trabalhadora, da soberania nacional e do Estado brasileiro, cria um quadro político favorável para avançar no processo de transformação do país. Nesse quadro, temos o compromisso de consolidar a unidade política, enraizando a nossa articulação nas nossas bases, intensificar o processo de luta, tendo como plataforma o nosso manifesto, e contribuir com o processo de mobilização.

Não queremos retrocessos, mas lutaremos para o país avançar. A partir de 2003, obtivemos avanços por meio da luta, em um período de crescimento econômico, com políticas sociais e distribuição de renda, porém dentro de um quadro de governo de composição de forças da burguesia e da classe trabalhadora, que tem dado sinais de esgotamento e mantém bloqueadas as reformas estruturais.

A juventude quer fazer política. Queremos casar a energia dos jovens nas ruas com o histórico de organização da classe trabalhadora. O momento é de enfrentar os inimigos do povo brasileiro, fazer pressão sobre os governos e aprofundar as mudanças.

Não queremos medidas paliativas. Precisamos de um novo modelo econômico que rompa com a herança neoliberal, assegure os direitos dos trabalhadores, retome as empresas públicas privatizadas e imponha limites para o capital financeiro.

Não bastam os discursos dos governantes. É necessário ações concretas que apontem no sentido das reformas estruturais e politizem a sociedade brasileira, tendo como motor as demandas da juventude e as lutas sociais.

Não aceitamos o discurso da “governabilidade”. O Congresso Nacional tem uma ampla maioria conservadora que, no contexto de um governo de coalizão, impede as reformas estruturais. O melhor exemplo é o recuo imposto à presidenta Dilma Rousseff depois do lançamento da proposta de realização de um plebiscito para a realização de uma Assembleia Constituinte Exclusiva para a Reforma Política, mesmo sob o calor dos protestos nas ruas.

É necessário arrebentar as amarras que impedem as transformações sociais. Os governos precisam dar um sinal claro à juventude, aos sindicatos e aos movimentos sociais de que governarão com a sociedade mobilizada em luta para fazer as mudanças.

Estamos em luta por uma Reforma Política para viabilizar as grandes mudanças e enfrentar o problema da corrupção, que tem raiz na relação do Poder Público com o capital privado, cristalizada no financiamento privado de campanhas eleitorais. Precisamos democratizar o sistema político, garantindo a participação permanente da sociedade nas grandes decisões e ampliando a presença dos jovens, trabalhadores, camponeses, estudantes, negros, mulheres e homossexuais.

Estamos em luta pela democratização dos meios de comunicação, que criminalizam os protestos e legitimam a violência policial. Lutamos por mais investimentos na educação pública, com a garantia de 10% do PIB. Lutamos pela vida da juventude que é cotidianamente alvo da violência, especialmente nas periferias das grandes cidades, defendendo a desmilitarização da PM e uma profunda reforma no sistema de segurança pública.

Ficaremos mobilizados durante todo o mês de agosto em diversas atividades. Concentraremos esforços em uma nova jornada de lutas para defender a nossa plataforma entre 28 de agosto a 7 de setembro. Faremos uma manifestação em defesa do investimento em educação pública no dia 28 de agosto. Vamos fazer protestos na frente das sedes da Rede Globo em todo o país em defesa da democratização dos meios de comunicação na última semana de agosto. Fortaleceremos a mobilização do Gritos dos Excluídos, organizado pelas pastorais e por movimentos populares, na semana do 7 de setembro. Vamos à luta, juventude, fazer as reformas estruturais para transformar o Brasil!

São Paulo, 3 de agosto de 2013

JORNADA DA JUVENTUDE BRASILEIRA*







APEOESP;


Central dos Movimentos Populares (CMP);


Confederação Nacional dos Trabalhadores em Eduacção (CNTE);


Coletivo Nacional de Juventude Negra – Enegrecer;


Coletivo Quilombo;


Coletivo Paratodos;


Coletivo Sinal Livre;


Construindo um Novo Brasil/PT;


Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil;


CUT SP;


Democracia Socialista/PT;


Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia (ENEBIO);


Esquerda Popular Socialista/PT;


Fora do Eixo;


Juventude da CUT;


Juventude do MST;


Juventude Socialismo e Liberdade (JSOL);


Juventude do PT (JPT);


Juventude Revolução;


Levante Popular da Juventude;


Marcha Mundial das Mulheres (MMM);


Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB);


Movimento Camponês Popular (MCP);


Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA);


Pastoral da Juventude (PJ);


Pastoral da Juventude Estudantil (PJE);


Pastoral da Juventude Rural (PJR);


Rede Ecumênica da Juventude (Reju);


Sindicato dos Bancários de SP;


União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES);


União Estadual dos Estudantes do RJ (UEE RJ);


União Estadual dos Estudantes de SP (UEE SP);


União da Juventude Socialista (UJS);


União Nacional dos Estudantes (UNE);


União Paranaense dos Estudantes (UEP).





*Entidades que quiserem aderir à carta e participar do processo de lutas devem enviar um e-mail para juventude@cut.org.br

Pelo fim dos Autos de Resistência nos registros policiais!!!


Importante campanha. Pelo fim das mortes da juventude negra.
Desmilitarização da Polícia.
Onde está Amarildo?
Esse informe é do companheiro Jefferson Lima - Secretário Nacional da JPT

Boa leitura!

A Câmara dos Deputados deve votar na próxima semana, o Projeto de Lei n. 4471/12, que prevê o fim dos Autos de Resistência. Participamos hoje com representantes de movimentos juvenis e articuladores do Plano Juventude Viva de uma mobilização no Congresso Nacional pedindo o apoio dos parlamentares para o PL 4471.

O PL 4471 extingue o Auto de Resistência e determina que todas as mortes efetuadas pelas forças policiais no país sejam investigadas e que o agente autor do disparo chame assistência médica para a vítima, em vez dele mesmo tentar prestar socorro, o que muitas vezes impede que a perícia investigue se houve resistência de fato ou se houve abuso por parte do policial.

A aprovação do PL faz com que a alegação de resistência , comum em todas as corporações do país, seja investigada e o policial sejo preso em flagrante. Vários crimes hoje não investigados passaria por um novo processo de investigação. Esse PL é de suma importância no combate ao exterminio da juventude em sua maioria negra. — #AprovaçãoDaPL4471

Definimos como prioridade nas nossas ações deste ano e já estamos na luta. Importante a mobilização nas redes para avançar na tramitação.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Queremos direitos por inteiro e para toda juventude. Limitar meia entrada pra apenas 40% dos ingresso NÃO! #VetaDilma




Queremos direitos por inteiro e para toda juventude. Limitar meia entrada pra apenas 40% dos ingresso NÃO!  #VetaDilma

Link. http://migre.me/fEt8T    
Carta sobre o limite de 40% na meia-entrada no Estatuto da Juventude

Compreendemos que impor o limite de 40% para a oferta de meia- entrada ataca uma conquista histórica da juventude e do movimento estudantil brasileiro
1º/08/2013
 Movimentos e organizações sociais da cidade, do campo e das florestas,
 Ex.ma, Presidenta da República Dilma Roussef,
 Nós, organizações de jovens da cidade, do campo e das florestas, viemos publicamente nos manifestar sobre o limite de 40% para ingressos com meia-entrada - em eventos culturais, esportivos e cinemas para estudantes e jovens de baixa renda, contida no Estatuto da Juventude (PL 4529/2004) recentemente aprovado no Congresso Nacional que segue para sanção da Presidenta.

Após quase 10 anos de tramitação, consideramos que a aprovação e a sanção presidencial do Estatuto da Juventude é fundamental e necessária, pois além de ser uma conquista histórica de toda a juventude brasileira, será um grande passo para a conquista de direitos sociais que possibilitarão para as juventudes mais e melhores condições sociais para a construção de projetos de vida com autonomia e emancipação social. E reconhecemos que no texto aprovado há um conjunto de artigos que auxiliam na promoção de direitos para o conjunto da juventude brasileira.

O conjunto das organizações e movimentos sociais que assinam esta Carta construíram, ao longo dos 10 anos de tramitação do Estatuto da Juventude no Congresso, um processo intenso de debates e incidência no sentido de disputar os rumos políticos do Estatuto da Juventude, na perspectiva dele ser um instrumento para a promoção de mais direitos para o conjunto da juventude brasileira, e não para parte dela.

Contudo, na leitura que realizamos do Estatuto aprovado, percebemos que a aprovação do Estatuto no seu Artigo 23, em especial no parágrafo 10, que refere-se à meia-entrada em eventos esportivos, culturais e nos cinemas, foi alvo do interesse dos grandes empresários e produtores da cena cultural de massas em articulação com setores do movimento estudantil. Esclarecemos a Presidenta, que esse setor representa apenas uma pequena parte, e não os muitos e grandes grupos sociais do conjunto da juventude brasileira que vivem nas cidades e no campo. Ainda, salientamos que este parágrafo foi incluído por uma emenda durante a votação no plenário sem nenhum diálogo com a sociedade civil.

Compreendemos que impor o limite de 40% para a oferta de meia- entrada ataca uma conquista histórica da juventude e do movimento estudantil brasileiro. Além disso, ampliará a exploração exercida pelos grandes empresários e produtores culturais que foram e são historicamente privilegiados com acesso a grandes montantes de verbas públicas, pela Lei Rouanet, por outros meios e privilégios concedidos.

Além disso, para nós, compactuar e sancionar com esse limite de 40% na meia-entrada é um ato que agrava a situação das políticas públicas de juventude e da desigualdade social no Brasil. Lembramos que as últimas e imensas manifestações ocorridas em todo o Brasil ocorreram também pela negligência e falta de prioridade nos temas relacionados à juventude brasileira e aos direitos sociais básicos, como a mobilidade e transporte público, a questão das reformas urbana e agrária e a falta de planejamento diante do atual momento demográfico do país, com a maior população em faixa etária jovem da sua história.

Por isso, nós reivindicamos o VETO do parágrafo 10, do artigo 23 da PL 4529/2004, pg. 15:
“§ 10. A concessão do benefício da meia-entrada de que trata o caput é limitada a 40% (quarenta por cento) do total de ingressos disponíveis para cada evento”.

Ainda, reivindicamos o direito irrestrito a meia-entrada para toda juventude. Ex.ma Presidenta, com essa atitude, acreditamos que o Estatuto da Juventude terá maiores condições de se consolidar como uma carta de direitos, reconhecendo as e os jovens da cidade, do campo e das florestas como sujeitos de direitos.

Sendo uma representante do povo e da maioria da população brasileira, temos a certeza que irá atender a nossa reivindicação de veto. Mais do que sentar à mesa e nos ouvir, o essencial é escutar e dar respostas efetivas às demandas das organizações e movimentos sociais de todo o país.

NÃO AO LIMITE DE 40% NA MEIA-ENTRADA! VETA DILMA!

Assinam essa carta:
ASSOCIAÇÃO DE CULTURA E PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO BANTU - ACBANTU
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS - ABGLT
ARTICULAÇÃO BRASILEIRA DE LÉSBICAS - ABL
ÁGERE - COOPERAÇÃO EM ADVOCACY
ARCAFAR-SUL - ASSOCIAÇÃO REGIONAL DAS CASAS FAMILIARES RURAIS DO SUL DO BRASIL
ASSOCIAÇÃO DE JUVENTUDE PELO RESGATE A CULTURA E CIDADANIA – AJURCC
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DA JUVENTUDE RURAL TERRA LIVRE - ANJR TERRA LIVRE
ASSOCIAÇÃO VIVA A CULTURA – AVIVAC
CENTRO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE - CEDAPS
COLETIVO ARTISTICO CUTURAL DO ALTO DO MATHEUS - MULINGA
COLETIVO NACIONAL DE JUVENTUDE NEGRA - ENEGRECER
COMISSÃO PASTORAL DA TERRA - CPT
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA - CONTAG
COIAB - COORDENAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DA AMAZÔNIA
ESCOLA DE GENTE
FASE - SOLIDARIEDADE E EDUCAÇÃO
FEDERAÇÃO DOS ESTUDANTES DE AGRONOMIA DO BRASIL - FEAB
FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DA AGRICULTURA FAMILIAR DA PARAÍBA – FETRAF – PB
FÓRUM DE JUVENTUDES DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
FÓRUM ECUMÊNICO ACT BRASIL
FÓRUM MUNICIPAL DE JUVENTUDE DE APODI - RN
FÓRUM SOCIAL DE MANGUINHOS
GRUPO CONEXÃO G
INSTITUTO ALIANÇA
INSTITUTO BRASILEIRO DE ANÁLISES SOCIAIS E ECONÔMICAS - IBASE
INSTITUTO DE JUVENTUDE CONTEMPORÂNEA – IJC
INSTITUTO IMAGEM E CIDADANIA
INSTITUTO JUVENTUDE EM AÇÃO
INSTITUTO PÓLIS
JUVENTUDE DA CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES – CUT
JUVENTUDE DA COORDENAÇÃO NACIONAL DAS ENTIDADES NEGRAS - JCONEN
JUVENTUDE DO PARTIDO DOS TRABALHADORES – JPT
JUVENTUDE SOCIALISMO E LIBERDADE - JSOL
JUVENTUDE EXTRATIVISTA DO CONSELHO NACIONAL DAS POPULAÇÕES EXTRATIVISTAS - CNS
LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE
MOVIMENTO AGROECOLÓGICO - MAE
MOVIMENTO DA MULHER TRABALHADORA RURAL DO NORDESTE – MMTR/ NE
MOVIMENTO DE MULHERES CAMPONESAS - MMC
MOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS - MAB
MOVIMENTO DOS PEQUENOS AGRICULTORES - MPA
MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - MST
ORGANIZAÇÃO DA JUVENTUDE INDÍGENA POTIGUARA – OJIP
PASTORAL DA JUVENTUDE - PJ
PASTORAL DA JUVENTUDE RURAL - PJR
REDE DE JOVENS DO NORDESTE – RJNE
REDE DE JUVENTUDE PELO MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE - REJUMA
REDE ECUMÊNICA DA JUVENTUDE - REJU
REDE FALE
RENAJOC - REDE NACIONAL DE ADOLESCENTES E JOVENS COMUNICADORES
REDE NACIONAL DE ADOLESCENTES E JOVENS VIVENDO COM HIV/AIDS
SERVIÇO DE TECNOLOGIA ALTERNATIVA – SERTA
UNIÃO NACIONAL DAS ESCOLAS FAMÍLIAS AGRÍCOLAS DO BRASIL - UNEFAB
UNIÃO NACIONAL DE COOPERATIVAS DA AGRICULTURA FAMILIAR E ECONOMIA SOLIDÁRIA - UNICAFES

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Questões para pensar o Brasil: Altamiro Borges: Dilma suspenderá anúncios da Globo?






Boa leitura, sobre uma página que precisa ser virada na história do Brasil. Que nenhuma empresa controle a mídia como temos hoje. Monopólio é ditadura, é crime contra a sociedade brasileira.

Cabuloso não é fato da Rede (roubo) Globo ser sonegadora de impostos, mas o que fizeram para sumir com os processos: http://carcari.blogspot.com.br/2013/07/a-historia-da-sonegacao-da-globo.html
Altamiro Borges: Dilma suspenderá anúncios da Globo?

26/07/2013
Empresas que sonegam impostos não podem receber recursos públicos. É crime fiscal
Escrito por:

Pela legislação em vigor no Brasil, empresas que sonegam impostos não podem receber dinheiro público. Elas praticam crime fiscal, prejudicando os investimentos na educação, saúde, transporte e outros serviços. Neste item, a publicidade oficial dos órgãos do governo e das estatais pode ser encarada como um tipo de subsídio. A TV Globo, que abocanhou mais de R$ 500 milhões em anúncios em 2012, foi denunciada pela blogosfera – a partir de Miguel do Rosário, do blog Cafezinho – por ter sonegado milhões em impostos. Até hoje, a poderosa emissora não mostrou o Darf, o comprovante do pagamento. Fica, então, a pergunta: o governo Dilma suspenderá a publicidade na Rede Globo?

Nesta semana, os jornalistas Amaury Ribeiro Jr., autor do best-seller “A privataria tucana”, e Rodrigo Lopes garantiram no jornal mineiro “Hoje em Dia” que o império global ainda não saldou sua dívida com a Receita Federal e deram um furo jornalístico: “A Globopar, empresa ligada à TV Globo, está com parte das suas contas bancárias e bens bloqueados, devido a uma dívida ativa de R$ 178 milhões com o Tesouro Nacional. De acordo com documentos conseguidos pelo Hoje em Dia na Justiça Federal do Rio de Janeiro, a dívida inscrita no cadastro de inadimplentes foi originada por várias sonegações de impostos federais”.

Ainda segundo os jornalistas, “por solicitação da Procuradoria da Fazenda Nacional do Rio de Janeiro, as contas bancárias da Infoglobo e a da empresa Globo LTDA também chegaram a ser bloqueadas. Mas os irmãos Marinho – Roberto Irineu, José Roberto e João Roberto – conseguiram autorização da Justiça para liberar o bens dessas duas últimas empresas no mês passado, na 26ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro... A dívida da Globopar, no entanto, já está inscrita no cadastro de inadimplentes do Tesouro Nacional, em fase de execução. Na semana passada, a Globo conseguiu adiar a entrega de seu patrimônio ao tesouro até que o processo transite em julgado”.


O jornal “Hoje em Dia” também teve acesso ao processo que apurou o sumiço do inquérito de sonegação das Organizações Globo na compra dos direitos da transmissão da Copa de 2002. “Um documento enviado pela Receita à Justiça em 2010 comprova, ao contrário do que a emissora divulgou, que a dívida de R$ 600 milhões nunca foi paga. A papelada comprova ainda que o Ministério Público Federal ao ser avisado sobre operações de lavagem de dinheiro entre a Globo e a Fifa nas Ilhas Virgens Britânicas prevaricou muito... Um inquérito criminal contra os irmãos Marinho chegou a ser instaurado, mas também sumiu das dependências da Receita Federal”.


Por último, a reportagem de Amaury Ribeiro Jr. e Rodrigo Lopes informa que “nos últimos dois anos, a empresa foi notificada 776 vezes pela Receita Federal por sonegação fiscal... A maior parte dessas autuações envolve a apreensão de equipamentos, sem o recolhimento de impostos, no aeroporto do Galeão, no Rio De Janeiro. Para um bom entendedor a Globopar é uma empresa contumaz na prática do descaminho”. Diante destes fatos escabrosos, os dois jornalistas ironizam: “O ministério da Comunicação do governo Dilma Rousseff e os demais governantes desatentos liberaram verba para empresa inadimplente com a União, o que constitui ato de improbidade administrativa”.


Novamente a pergunta que não quer calar: a presidenta Dilma Rousseff continuará autorizando os bilionários anúncios publicitários numa empresa que sonega impostos e que já foi notificada 776 pela Receita Federal? Os senadores e deputados não cobrarão uma resposta do governo? Os manifestantes que ocupam as ruas nas últimas semanas não exigirão o fim deste incentivo à sonegação fiscal e à corrupção? A mídia “privada” continuará com seu pacto mafioso de silêncio? Tantas perguntas e tão poucas respostas!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Estatuto da Juventude, pela metade ou por inteiro?

Boa leitura, novos desafios.


10/07/2013 - 00h38Atualizado em 11/07/2013 - 17h25

Deputados aprovam Estatuto da Juventude; texto vai a sanção

Projeto prevê benefícios como meia-passagem em ônibus interestaduais; e meia-entrada em cinema e eventos culturais para jovens de famílias de baixa renda.
Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Sesssão Extraordinária. Discussão do substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 4529/04, que institui o Estatuto da Juventude. dep. Manuela Dávila (PCdoB-RS)
Plenário aprovou projeto que prevê políticas públicas para cidadãos de 15 a 29 anos de idade.
O Plenário aprovou nesta terça-feira (9) o substitutivodo Senado ao Projeto de Lei 4529/04, que institui o Estatuto da Juventude. O texto define princípios e diretrizes para o Poder Público criar e organizar políticas para cidadãos de 15 a 29 anos de idade. A matéria será enviada à sanção.
De autoria da Comissão Especial de Políticas Públicas para a Juventude, a matéria foi relatada pela deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS). Nas negociações feitas em Plenário, a relatora manteve um dos principais pontos alterados pelos senadores: a meia-passagem para estudantes.
Assim, ficou mantido o desconto de 50% nas passagens interestaduais para os jovens, independentemente do motivo da viagem. Entretanto, por haver discordâncias sobre a constitucionalidade, ela excluiu o benefício para o transporte intermunicipal.
O Senado havia proposto a concessão de duas vagas gratuitas para jovens de baixa renda e duas vagas com desconto de 50%, se as gratuitas fossem ocupadas.

"O Senado restringiu o meio passe para quatro lugares, dois livres e dois para carentes. Nós estamos devolvendo o meio passe para todos os estudantes, porque a conjuntura política mudou. Porque hoje nós temos mais deputados que concordam que, depois das grandes passeatas, os estudantes têm direito ao meio passe, e não a lugares restritos como o Estatuto do Idoso garante", disse a relatora.

Veja infográfico sobre os principais pontos do Estatuto da Juventude
Manuela D’Ávila também manteve o artigo do texto da Câmara sobre o ensino para alunos com deficiência, segundo o qual é dever do Estado assegurar a esse jovem o atendimento educacional especializado gratuito, preferencialmente, na rede regular de ensino.
Meia-entrada
Outro ponto disciplinado pelo projeto, a meia-entrada de estudante, também tem inovações. Além dos estudantes, terão direito a ela os jovens pertencentes a famílias de baixa renda com até 29 anos.
O texto considera famílias de baixa renda aquelas com renda mensal de até dois salários mínimos e inscritas no cadastro único do governo federal.
Em todos os casos, a meia-entrada ficará limitada a 40% dos ingressos disponíveis, conforme prevê o Projeto de Lei 4571/08, do Senado, incorporado parcialmente ao substitutivo do estatuto.
Esse projeto foi aprovado no dia 24 de abril, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, mas depende de recurso que pede sua análise pelo Plenário da Casa.
Segundo a relatora, o acordo para aprovar o Estatuto da Juventude envolveu a votação do PL 4571 pelo Plenário na próxima semana.
Emissão de carteirinha
O Estatuto da Juventude também disciplina a emissão da carteirinha estudantil, assim como o PL 4571/08. Somente os estudantes matriculados no ensino regular, especial, profissional, e de jovens e adultos poderão ter acesso à carteirinha que dará direito à meia-entrada. Cursos de idioma, por exemplo, estão excluídos.
Gustavo Lima / Câmara dos Deputados
Sesssão Extraordinária. Discussão do substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 4529/04, que institui o Estatuto da Juventude. dep. Manuela Dávila (PCdoB-RS)
Manuela D’Ávila manteve a meia-passagem para estudantes em transporte interestadual.
Como já previsto nas leis que regulam a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016, a meia-entrada não valerá nesses eventos.
Foi retirada do texto a exigência de selo de segurança personalizado para as carteirinhas.
Bebidas
Permanece no substitutivo a proibição de propagandas de bebidas com qualquer teor alcoólico com a participação de jovem menor de 18 anos.
Esse tópico faz parte dos direitos de atenção à saúde, cuja política deverá ter como uma das diretrizes a garantia de inclusão do tema no currículo escolar, além da questão do uso de drogas. A inovação nesse quesito é a inclusão do tabaco.
O texto do Senado exclui, entretanto, o planejamento familiar e as doenças sexualmente transmissíveis dentre os assuntos a serem tratados.
Os professores deverão conversar também com os alunos sobre o impacto da gravidez, seja planejada ou não.
Tanto nos projetos pedagógicos quanto na capacitação de profissionais de saúde e de professores, o uso de álcool, tabaco e drogas precisa ser abordado.
Profissão e renda
Para estimular a profissionalização, o substitutivo aprovado prevê que o Poder Público realize ações voltadas ao preparo para o mercado de trabalho. Deverá ser dada prioridade a programas de primeiro emprego e à introdução da aprendizagem na administração pública direta.
Uma das medidas constantes do texto da Câmara e retirada pelo substitutivo aprovado é a que previa a criação de uma linha de crédito especial para jovens empreendedores.
Sistemas nacionais
Com o objetivo de articular as diversas políticas de municípios, estados e União direcionadas aos jovens, o substitutivo cria o Sistema Nacional da Juventude (Sinajuve), coordenado pelo governo federal, e do qual participarão todos os governos.
Planos nacional, estaduais e municipais de juventude deverão ser elaborados. Para cumprir os objetivos das políticas públicas para a juventude, os municípios poderão se unir em consórcios.
Conselhos
A exemplo dos conselhos da criança e do adolescente, os governos deverão criar conselhos de juventude para colaborar na formulação das políticas públicas.
Gustavo Lima / Câmara dos Deputados
Sesssão Extraordinária. Discussão do substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 4529/04, que institui o Estatuto da Juventude
Público acompanhou votação nas galerias do Plenário.
Entre as atribuições do conselho de juventude estão a de notificar o Ministério Público sobre infração administrativa ou penal contra os direitos do jovem garantidos na legislação.
Confira outros pontos excluídos pelo Senado do texto que vai à sanção:
- escolas com mais de 200 alunos não precisarão mais ter um local apropriado para a prática de atividades poliesportivas;
- não há mais reserva de 30% dos recursos do Fundo Nacional de Cultura para projetos e programas culturais voltados aos jovens;
- emissoras de rádio e televisão não terão mais de destinar espaços e horários especiais para tratar da realidade social do jovem;
- o Poder Público não terá mais a prioridade de universalizar a educação em tempo integral; e
- a União não terá mais de criar e gerenciar subsistemas nacionais de informações sobre a juventude e de acompanhamento das políticas.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Pierre Triboli

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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Homens sem rosto, identidades perdidas de uma população no cárcere.


Segue um artigo que escrevi em 2007, mas muito atual.
Boa Leitura!


Homens sem rosto, identidades perdidas de uma população no cárcere.


Wagner Hosokawa
Assistente Social formado pela PUC-SP

Apresentação e análise

Conhecendo o sistema carcerário apenas pelo olhar da mídia, muitas vezes não observamos os rostos ou identidades dessas pessoas que perdem nomes e naturalidades, entre outros pertences da sua individualidade. O que é apresentado nos programas de linha policial a partir da lógica “mocinho e bandido” esconde a realidade presente na diária reprodução da ideologia dominante que limita as relações sociais, na sociedade capitalista contemporânea, e torna a população carcerária em meros casos que “infringem a ordem estabelecida pela legislação penal vigente”.

A criminalização da questão social não deve ser apontada apenas como uma manifestação pura e simples do individuo, mas como resultante dos aspectos sócio-econômicos, políticos e culturais pelos quais se apresenta. A própria reorientação do capitalismo na década de 1990, que aumenta sua acumulação via reestruturação produtiva, gera mudanças no processo de desenvolvimento industrial no Brasil, deslocando inclusive suas prioridades para o mercado financeiro, com métodos de produção cada vez mais dinâmicos, rápidos e quantitativos. Esses fatores reduzem significativamente os postos de trabalho, e sao elementos do período neoliberal em nosso país.

A alienação do trabalho alcançou um elevado estágio neste período da história, quando o individuo se individualiza, se desprende das idéia de coletivo e de vida comunitária, para se jogar à lógica da luta pela sobrevivência individualista. Como diz Ianni, “talvez se possa dizer que esse desencontro entre a sociedade e a economia seja um dos segredos da prosperidade dos negócios (no capitalismo moderno) (...) em outros termos, a mesma sociedade que fabrica a prosperidade econômica fabrica as desigualdades que constituem a questão social” (Ianni, 1991). Em relação a essa analise e à criminalização do indivíduo, observemos a opinião do Sr. Alberto Silva Franco, desembargador aposentado do TJ de São Paulo, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo (15/08/04), sobre a proposta de revisão da lei de crimes hediondos: “quem está num nível de miséria é um perturbador do sistema econômico. O Estado mínimo não está preocupado com o social (...).”

Isso se aplica ao modelo de Estado Mínimo adotado pelos governos desde o fim da década de 1980, num projeto que combina a desaceleração do desenvolvimento produtivo e o fortalecimento do mercado de capitais como política econômica na América Latina, inclusive no Brasil. Essa opção impôs uma idéia de que a melhor distribuição de renda acontece como conseqüência natural do crescimento econômico, da estabilidade monetária e do equilíbrio financeiro.

Passada mais de uma década, esse modelo não se mostrou eficaz, e mais uma vez ocorreu o seu inverso: aumento de desempregados na última década, queda de poder aquisitivo e renda e aumento dos crimes voltados contra o patrimônio.

Esta situação engendrou, como via possível, o subemprego, a informalidade, a mendicância, a dependência de programas de transferência de renda ou, em último caso, a criminalidade.

Buscamos, a partir desta compreensão da sociedade, partir para um estudo sobre a população carcerária, trazendo para o centro desse debate as particularidades de pessoas que, de forma diferenciada, tiveram suas vidas cruzadas pela situação do cárcere, e terão de aprender a ter uma nova convivência social, e buscar novos meios de sobrevivência no “mundo” muito restrito que é o da penitenciária.

Partimos dos mesmos pressupostos que direcionam o trabalho realizado pelo Instituto Terra Trabalho e Cidadania (ITTC)[1], que coordenou, de 1999 a 2001, uma pesquisa minuciosa para conhecer a população carcerária da penitenciaria Mário de Moura Albuquerque (P1, na cidade de Franco da Rocha-SP)[2].

Nosso objetivo aqui é construir um desenho das identidades dos presos para conhecê-los, individualmente e coletivamente, nas relações sociais existentes antes do delito e no dia-a-dia do cumprimento da pena. Nossa interrogação também diz respeito ao modo de estabelecer as relações com estas informações e criar possibilidades no processo de ressocialização dos presos.

A pesquisa, apesar da importância e riqueza dos seus dados, ainda não foi totalmente analisada ou organizada de forma completa, pois alguns elementos novos são atualizados pelo tempo, pelas mudanças na legislação, pelas penas já cumpridas ou deslocamento dos presos para outras unidades penitenciárias. Também é preciso considerar uma margem de diferença em alguns dados, devido à negativa ou desconhecimento do preso a respeito da questão apresentada pelo entrevistador. Assim, algumas análises não dizem respeito ao universo total pesquisado, mas esse cuidado foi adotado, para que não se generalize aquilo que se mostrou parcialmente na visão dos entrevistados.

Mesmo assim, as informações colaboram para apresentar um perfil de uma população, não reconhecida como formada por indivíduos que têm direitos, com um cotidiano desconhecido pelo próprio sistema penitenciário e pela sociedade.

No universo total da pesquisa[3], temos informações de caráter quantitativo e também questões abertas (de caráter qualitativo), sendo 327 os presos pesquisados.

Apresentação preliminar dos dados

Uma das primeiras categorias que destacamos é sobre o trabalho. 270 dos entrevistados citaram pelo menos uma categoria de trabalho no item “profissão”, contra 54 que não responderam por não terem clareza sobre seu ofício, antes de cometerem o crime. Isto significa que apenas 16% não declararam ter exercido uma profissão ou trabalho.

Sobre a idade dos condenados, a ausência de perspectiva entre os jovens está refletindo inclusive no seu ingresso nos crimes comuns, seja o furto, seja o roubo, e no universo da nossa pesquisa, temos 153 jovens de 18 a 25 anos já condenados. É a faixa etária de maior concentração, são 47% de jovens alijados do convívio social. Portanto, a maioria é de trabalhadores e jovens.

Também é relevante o número de presos que tiveram passagem pelo sistema FEBEM (Fundação do “Bem-Estar” do “Menor”)”[4]. Cerca de 60 entrevistados responderam positivamente quando perguntamos se o preso em questão já esteve interno num sistema ou participou de outras medidas sócio-educativas[5].

Isso mostra uma população jovem e trabalhadora envolvida na criminalidade e alijada de sua capacidade de produzir socialmente, a partir do cerceamento de sua liberdade, resultante de suas histórias de vida e das oportunidades (não) colocadas à disposição da grande massa da população brasileira em situação de vida precária e vulnerável, como veremos a seguir.

Pessoas que, nas entrelinhas da própria pesquisa, buscam reencontrarem-se em atividades, visitas ou até mesmo em cartas. Buscam, assim, retomar uma sociabilidade mínima durante o cumprimento da pena e o retorno à sociedade, que não se dá apenas pela condição de sair em “liberdade”.

Deixamos claro que não apresentamos uma opinião de intervenção “moral”, como se apresentam nos instrumentos da ideologia dominante[6] que querem imputar sobre a população carcerária a responsabilidade única pelo crime, como se houvesse divisão entre “bons ou maus”, desconsiderando as diferenças de classe, de oportunidade e de inserção social existentes em nossa sociedade.


Execução penal no Brasil, verdades e mentiras sobre a atual situação carcerária e a realidade social vivida
As informações da pesquisa refletem, em parte, os resultados de estatísticas nacionais, como os dados do IBGE[7], chamados de “Dados do Século XX”, que reúnem informações sobre o perfil da população brasileira neste último século. No capítulo “Justiça”, apresenta inúmeras alterações do perfil da população carcerária entre as décadas de 1940 e 90, bem como a diferenciação dos crimes.

Os crimes contra o patrimônio[8] representam apenas 26%, em 1943, dos motivos totais de condenações. Em meados de 1985 quase 58%. Se considerarmos nossa pesquisa, realizada em 1999-2001, dos 327 pesquisados, 199 foram condenados por roubo, outros 22 por furto, 47 por tráfico, e apenas 18 por “matar alguém”.

Nos relatos dados pelos pesquisados no item “causa do delito”, em que se perguntava “por que realizou tal atividade criminosa”, temos 106 respostas abertas que afirmam que cometeram crime de furto e roubo em função de “desemprego”, “necessidade financeira”, “ajudar a família” e “melhorar as condições de vida”.

Porém, devemos considerar os diferentes processos históricos pelos quais passou a sociedade brasileira, entendendo seu crescimento populacional e as diversas mudanças socioeconômicas que foram determinantes para a alteração do comportamento em relação ao crime e à violência.

Considerando a violência como um fator da crescente desumanização, é interessante trazer para a análise a perspectiva do relatório da ONU[9] sobre os países latino-americanos: “durante o decênio 1980-1990, os salários mínimos urbanos reais diminuíram, quase em todos os países da América Latina”. Essa análise guarda relação com a mudança de perfil carcerário apontada acima.

Dados do “Mapa da Violência 4 – os jovens do Brasil” colocam nosso país em quinto lugar no ranking de homicídios entre os jovens na faixa dos 15 aos 24 anos: de cada 100 mil jovens brasileiros, 52,1 foram assassinados em 2000. Na pesquisa, há um comparativo desse quadro sobre os custos da violência, por exemplo, representando 10% do PIB só em atendimento aos casos de homicídios na saúde. Na maioria dos casos, os motivos são os mesmos: ascensão social por meio de atividades ilícitas e crimes que vão de roubo e furto a tráfico de drogas.

Segundo Pochmann[10], “... o jovem fica vulnerável a alternativas ilegais de sobrevivência (...) onde o desemprego não é um componente isolado”. Observando as análises de especialistas de outras áreas, há mais lenha nessa fogueira da relação do jovem e a reprodução da questão social. Na matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo (04/04/04), sob o titulo “Fenômeno cria geração perdida”, cinco pesquisadores de uma instituição ligada à Unicamp afirmam que “a permanência na marginalidade teria raízes nos ganhos aferidos com as ações criminosas e no grau de envolvimento com o crime, atividade na qual muitas dessas pessoas – em algum momento da vida – encontraram a única forma de subsistência”. Considerando os dados no estado de São Paulo, os pesquisadores informam a “proporção assustadora”: das mais de 125 mil pessoas nas cadeias, a maioria é jovem e presa por roubo.

Na mesma matéria, há apontamentos sobre que tipo de relação o Estado vem fazendo sobre a questão da segurança e criminalidade. ”(...) o Estado usa o enorme número de capturados para sustentar o sucesso da ação policial e frisar uma falta de relação direta entre o melhor policiamento e a queda da criminalidade. Mas a quantidade de presos, dizem os estudiosos de segurança, não necessariamente reflete eficiência da força estatal”.

Como conseqüências disso, há uma inserção cada vez maior de presos e presas cumprindo pena em condições questionáveis, segundo informações inclusive de organizações de defesa dos direitos humanos, e constantes crises no interior do sistema penitenciário.

Números de matrícula: esquecendo várias histórias de vida.

Reconhecendo a realidade enfrentada no interior do cárcere, e fazendo relação com os dados nacionais apresentados, podemos afirmar que: o sistema constituído atualmente não depende apenas de recursos, mas também de um projeto que possibilite realizar ações de atendimento que resguardem os direitos dos presos na construção de seu perfil e de sua identidade no sentido da ressocialização e inserção dos egressos e das egressas na sociedade.

Na pesquisa realizada pelo ITTC[11], no cabeçalho de identificação do entrevistado, associados ao seu nome, estão os números de matrícula de cada um no sistema. Não questionamos a importância das regras que delimitam a organização administrativa da instituição penal. Nosso ponto é a “institucionalização da pessoa”, evidenciada a partir do momento em que ela é reconhecida no sistema pelo seu número, e não pelo seu nome. Podemos dizer que ela é rebatizada, o nome de nascença é o número de encarcerado.

A partir daqui, apresentamos uma análise dos dados da pesquisa para que nos leve a entender o cotidiano dos presos.

No item “situação carcerária”, a questão sobre “quais cursos gostariam que fossem oferecidos na Penitenciária” recebeu as seguintes resposta: 139 indicações em cursos de informática, 109 de elétrica, 88 de enfermagem, 125 de desenho mecânico e 61 de outros. Destacamos a iniciativa do preso para qualificar-se, atualizar-se ou formar-se em algum curso técnico que possibilite apreender mais conhecimento durante o cumprimento da pena e que lhe possibilite algum trabalho no cárcere ou quando do seu regresso à sociedade.

Sobre as atividades realizadas pelos presos, foi perguntado: “quais atividades culturais e educacionais que participa”. Temos 160 respostas para “atividades religiosas”, seguidas de 130 para “festas” e 79 para “palestras”, ou seja, esses mesmos presos participam de algum tipo de ocupação do próprio tempo, dedicando-se a alguma atividade, mesmo que tenha valor subjetivo, como no caso da religiosa. Porém, as ofertas são ínfimas, restritas em diversidade e qualidade[12].

Para a questão: “gostariam de participar de alguma atividade e de quais atividades”, temos 131 respostas para a realização de hortas comunitárias, 108 para música (instrumentos musicais), 93 para pintura ou artesanato, 88 para criação de pequenos animais, 56 para teatro e 27 para outros. Ficam claros os vários interesses dos presos e suas possibilidades de criatividade, apontando que o trabalho não deve ser a única alternativa, pois outras atividades são direitos garantidos pela legislação.

Em relação à situação familiar dos presos, 277 afirmam ter família. Destes, 35 afirmaram estar casados, 20 solteiros e 132 “amasiados” (termo que trata de um relacionamento a dois sem formalização legal); contra 47 que responderam não ter família constituída.

A identidade e o perfil do grupo de presos da P1 ganha mais uma característica: eles são jovens, trabalhadores e se sentem pertencentes a uma família. É uma informação importante para podermos traçar ações e políticas públicas para a sociedade e para o público no sistema penitenciário.

Sobre a comunicabilidade com o “mundo exterior”, temos, nas respostas sobre as visitas, 220 entrevistados que afirmaram receber algum tipo de visitante, acrescidos de outros 50 detentos, que declararam receber visitas esporádicas. Ainda sobre as visitas, na categoria “recebe visita de quem”, são citados desde “familiares” genericamente, e, especificamente, citados com maior freqüência, “pai, mãe, filho(a), esposa e irmã”, seguidos de primos(as), tias(os), namorada, avô e avó. Sobre o “recebimento de correspondência”, cerca de 260 recebem cartas de pessoas, familiares ou amigos(as).

Vale destacar a presença marcante de presos da cidade de São Paulo, em torno de 137(na sua maioria da zona leste, norte e sul – nesta ordem), e de cidades da grande São Paulo, como Guarulhos, o grande ABCD, Osasco, Santa Isabel e Suzano, entre outras. Algumas cidades do interior são mais citadas, como Campinas e Ribeirão Preto, e ainda encontramos presos oriundos de cidades como São José do Rio Preto, Teodoro Sampaio, Registro e Amparo, que somadas, representam 52 dos detentos do interior do estado de São Paulo.

Lembramos que há situações precárias em termos econômicos e sociais das famílias, onde distância é um fator importante para impossibilitar o contato maior e constante com o parente próximo, a esposa, a companheira ou com os amigos, dificultando a manutenção dos laços de amizade e as relações sócio-afetivas.

Identidades espalhadas pelo chão do sistema:
Recomeçando pelos limites impostos pela sociedade.

Na questão “escolaridade”, temos: presos com primário completo são 35, e com primário incompleto, 100, seguidos de 121 presos com ginasial incompleto e apenas 21 com ginasial completo. 14 apresentavam ensino médio incompleto, e 4 tinham completado o ensino médio; 4 tinham ensino superior incompleto, e 2 completaram esse nível de estudo. Apenas 6 não informaram sua escolaridade, e 20 afirmaram ser analfabetos. A falta de um programa educacional interno que viabilize ampliar estas faixas de conhecimento e oportunizar a alfabetização é uma situação a ser considerada.

O nosso jovem detento, trabalhador, paulista, constituiu família e têm escolaridade situada na incompletude dos diversos níveis de ensino, seja primário, ginasial ou médio.

Sobre a “profissão” dos presos, 270 afirmaram ter ofícios ou conhecimentos especializados. Existem habilidades e conhecimentos que não são potencializados no presídio, pois 136 presos informaram não ter ou não realizar nenhuma atividade de trabalho no cárcere.

Outros 118 estão atuando em algum tipo de trabalho, em oficinas de trabalho, atividades internas da administração, na cozinha ou em atividades externas. Assim, a chamada “ociosidade” nos presídios é o que impera, não pela recusa do preso, não pela ausência de qualificação, não pela falta de interesse do preso em aprender o novo, mas pela ausência de ações constituídas para exercício de trabalho ou desempenho de atividades.

Mesmo na realização dos escassos trabalhos oferecidos pelo sistema, encontramos precariedades. Nas questões relativas às condições de trabalho e segurança e sua existência ou não na penitenciária, mais especificamente na questão: “recebe equipamento de segurança?”, 106 presos afirmaram não haver oferta de equipamentos de segurança para a realização do seu trabalho. Em outra questão, sobre problemas de higiene no ambiente de trabalho, foram dadas 30 respostas afirmativas, alegando 17 situações problemáticas nos sanitários, 15 no sistema de esgoto, 8 no ambiente da cozinha e 2 na oficina.

À pergunta “você já sofreu algum acidente de trabalho na penitenciária?”, 19 responderam que sim, sendo que 4 afirmaram ser de “queda”, outros 9 relacionaram o acidente com o material utilizado no trabalho (produto químico etc.), e os demais não responderam ou não souberam responder.

Para além de questões de formação e déficit de ocupação do preso, temos o descaso em relação à legislação trabalhista[13], de segurança individual, na falta de estímulo quanto aos hábitos de higiene e cuidado pessoal, se refletindo em todo o cotidiano do preso. Mesmo no trabalho, não há preocupação em manter os indivíduos, o grupo e o coletivo protegidos de riscos e condições insalubres.

Segundo os entrevistados, a profissão é fundamental na perspectiva de retorno ao convívio familiar e social. A esse respeito, vale a pena comentar sobre um pequeno resultado obtido a partir da pesquisa citada, quando os profissionais do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania, a partir da análise e leitura das informações obtidas nas entrevistas, realizaram um esforço no sentido de aproximar os desejos e as necessidades indicadas pela população carcerária, por meio do reconhecimento da existência de uma necessidade coletiva de melhoria da alimentação e da pouca oferta de atividades internas no cárcere.

O resultado foi a proposição e a implantação de um projeto de horta, a ser implementada, cuidada e desenvolvida pelos presos, e que foi encaminhada pela entidade juntamente com a diretoria de produção do presídio, para a diretoria geral. O projeto resultou em uma atividade concreta para um grupo de presos e, ao mesmo tempo, em melhoria na qualidade da alimentação diária.

Com relação a outros direitos e garantias, destacamos o item: “há contagem de remição da pena[14]?”. Temos 200 respostas positivas, porém, quando perguntado: “você controla?”, há apenas 129 respostas afirmativas. Isso mostra o não acompanhamento do preso em relação ao seu direito, pela ausência de informações que o auxiliem no acompanhamento dos seus direitos.

Quanto à saúde dos entrevistados, destacamos algumas informações, no item “você tratava de alguma doença antes de ser detido?”. 48 responderam que sim, e 279, que não. Porém, mais adiante, era perguntado: “depois que chegou aqui, apresentou alguma queixa ou doença?” Temos 101 respostas afirmativas, mostrando que as condições do cárcere são promissoras para o desenvolvimento de situações de falta de saúde, e ainda não demonstram a presença de medidas de prevenção ou atendimento especializado para tratamento de doenças conseqüentes da idade, hereditariedade ou adquiridas no cárcere.

Nas questões de sexualidade, relacionadas a saúde, temos no item “orientação sexual”, as seguintes quantidades: 303 heterossexuais, 8 homossexuais e 3 bissexuais. Sobre as visitas íntimas, 187 afirmaram que não recebem, e 140 afirmaram receber. Destes, a maioria recebe na própria cela, e 113 com freqüência quinzenal, contra 24, de freqüência esporádica. Quando perguntados se receberam na penitenciária algum tipo de orientação sobre o uso de preservativos, cerca de 141 responderam que sim, em oposição aos 186 que responderam não.

Ainda na questão da saúde, e mais especificamente sobre saúde mental, cabe expor os resultados do item “saúde mental antes de ser preso”, na questão “você sofreu algum tipo de agressão?” Temos 119 respostas, que foram divididas e classificadas pelo tipo: espancamento, 116; violência sexual, 2; e tortura, 31. Os outros tipos de agressão são: humilhação, 79; ameaça, 61, e extorsão, 28. É importante ressaltar que temos várias respostas múltiplas por isso supera - e muito - os 119 que responderam afirmativamente.

Esses resultados são seguidos pela pergunta seguinte: “se foi agredido fisicamente, por quem foi?” Mesmo que haja um grande número de entrevistados que “afirmam” sofrer algum tipo de agressão por parte de autoridade policial, a pesquisa não se aprofundou suficientemente nesta questão.

Não há como afirmar quais são as razões ou situações que envolveram a agressão, seus motivos, porém cabe afirmar que não há amparo legal ou moral que justifique a violência como procedimento sobre uma população contida, privada da liberdade e que deveria ter sua integridade física e moral assegurada pelo Estado.

Conclusão
Nem Santos, nem Demônios:
Desmistificando a imagem projetada para a sociedade, reconstruindo rostos.

Observando os números, dados e informações vindos dos próprios presos, pairam no ar inúmeras indagações, reflexões e perguntas que levam nossa imaginação para uma situação inimaginável: e se fossemos nós a estar nesta situação? Justamente porque a conclusão a que se chega, olhando toda a estrutura que mantêm o sistema carcerário, é que a sociedade brasileira não deveria ter um sistema carcerário que desumaniza e desvia-se da sua tarefa.

Por outro lado, olhar para o dia-a-dia, as histórias de vida, as questões que levaram cada um deles a cometer um crime, enfim, a compreensão e a aproximação do perfil dos 327 presos da Penitenciária de Franco da Rocha indicam caminhos e instrumentos fundamentais para pensar ações de ressocialização do preso dentro de possibilidades restritas, sem grandes investimentos, sem grandes ilusões mas, no mínimo, dentro da lei. Isso significa mexer nas questões que envolvem o sistema carcerário.

Esse desvelar do preso e do cárcere mostra-nos o quanto é importante levar para a sociedade este debate, rompendo o estigma, presente e assumido, inclusive por quem se encontra cumprindo pena, aceitando a violência, acomodando-se e naturalizando a prisão como uma roda viva para quem nela está. Para quem nela passou ou a ela retornou, por reincidência, é assim e “sempre será!”

Há de se acumular propostas alternativas e reverter o quadro de violência e falta de oportunidades para a classe trabalhadora paulista (no caso da P1), e mais, ampliar as oportunidades para o preso caracterizado como: jovem, ex-trabalhador, com pouca ou nenhuma escolaridade, com sentimentos e valorização da família a que pertence, enfim, ampliar as oportunidades para o cidadão brasileiro, que se encontra privado do convívio social e submetido a condições desumanas nos presídios.

Acreditamos que revelamos um vasto campo de limites e possibilidades no sentido de fazer incorporar um outro olhar sobre os presos.




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[1] O ITTC é uma organização não governamental que atua na defesa dos direitos humanos. E em São Paulo, hoje, tem sua ação, prioritariamente, voltada ao atendimento de presas estrangeiras, em convênio com Secretaria da Administração Penitenciaria (SAP), e presas brasileiras em geral, distribuídas pelos “presídios” da capital paulista.

[2] A pesquisa citada deu origem no mesmo período ao desenvolvimento de projeto de apoio a ressocialização dos internos desta penitenciária.

[3] A pesquisa possui nove categorias, sendo: 1) dados gerais; 2) dados processuais; 3) dados sociais; 4) situação carcerária; 5) trabalho; 6)saúde; 7)saúde mental; 8) saúde atendimento; 9) hábitos; no item citado os dados “causa do delito” estão contidos nos dados processuais

[4] O sistema FEBEM citado refere-se à medida de internação e medidas em meio aberto que compõem o artigo 122, que trata das medidas sócio-educativas (cap. IV, seção VII), contidas na lei 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

[5] As medidas sócio-educativas surgem como um novo paradigma sobre a atuação da sociedade, por meio do Estado, para a reinserção do adolescente infrator e volta ao convívio familiar ou com a comunidade. A esse respeito, o Estatuto da Criança e do Adolescente se contrapõe à concepção punitiva contida no revogado “código de menores”.

[6] Sobre “as classes sociais e o estado”, V. Lênin, 1917, do livro “O Estado e a revolução”, cap. I. Nesse capítulo, autor trabalha sobre a literatura marxiana para analisar como se reproduz, na sociedade capitalista, a diferença entre as classes, e como o Estado, as forças armadas e inclusive as prisões atuam na forma repressiva do capital para conter revoltas ou ações contrárias aos objetivos dominantes.

[7] IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, fundação pública vinculada ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão do governo federal.

[8] Consideram-se “crime contra o patrimônio” o furto, o roubo, o estelionato e o latrocínio, pela legislação vigente e utilizada pela pesquisa do IBGE.

[9] Relatório de 1994, do comitê preparatório da cúpula social mundial, ONU.

[10] Professor de Economia da Unicamp e ex-secretário de trabalho da Prefeitura de São Paulo (na gestão Marta Suplicy).

[11] Pesquisa desenvolvida em 1999-2001, pelo Instituto Terra, Trabalho e Cidadania, já citada.

[12] Ressaltamos o que está estabelecido pela Lei de Execuções Penais (LEP), no seu artigo 41, com referência aos direitos do preso: “V - proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação; VI - exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e desportivas anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena; Vll - assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa”.

[13] Artigos 138 e 153 e 154 do decreto 611/92.

[14] O condenado que cumpre pena em regime fechado ou semi-aberto pode remir (abater) pelo trabalho parte do tempo de execução da pena na proporção de um dia de pena por três horas de trabalho (art. 33 da LEP). V. Manual dos direitos dos presos, publicado pelo ITTC (Instituto Terra, trabalho e cidadania).



Referências Bibliográficas
OLIVEIRA, Isaura de Mello Castanho; PAVEZ, Graziela Acquaviva, e SCHILLING, Flávia, Reflexões sobre violência e justiça. São Paulo, Educ, (ANO).

Fernandes, Florestan, “Apontamentos sobre a teoria do autoritarismo”;

Folha de SP, Cotidiano, (15.08.04), sob o título “Direito Penal não resolve o problema” – questões pendentes na configuração de uma política social: uma síntese – Laura Tavares analise publicada em dezembro de 2004, no site www.outrobrasil.net.

IANNI, O. “A questão social”. In: São Paulo em Perspectiva. São Paulo, Jan/Mar. 1991. COMPLETAR REFERÊNCIA

ITTC, Manual dos direitos dos presos, São Paulo;

Wacquant, Loic, “Porque punir os pobres: uma nova gestão da miséria nos Estados Unidos” Instituto Carioca de Criminologia – editora Freitas Bastos;

Yazbek, Maria Carmelita, Revista Temporalis – Abepss, ano II, n° 03 jan a jun / 2001 – “A questão social no capitalismo”, texto Pobreza e exclusão social: expressões da questão social no Brasil.[GK1]

Wagner Hosokawa
Assistente Social formado pela PUC-SP.

Revista PUCVIVA

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Postado por Eduardo Marculino às 01:52
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