segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Marta, uma nova Marina?



"Ou o PT muda ou acaba o PT", bem essa frase vinda de mim ou de outro membro ligado as tendências "radicais" ou a esquerda do petismo até seria "digerível" ou aceitado, mas vindo de Marta (Suplicy) a coisa "muda" de figura.

Já não é novidade que o PT é um dos poucos (ou único) partido da/na ordem institucional atual que mantém vivo a ideia de partido: organizado, com militância e intensa vida partidária. Nossas diferenças internas e divergências de posições são conhecidas, as vezes não muito compreendidas pela população em geral é comum ver que não somos militantes abobados ou "cabos eleitorais" sem cérebro que passam a mão na cabeça das direções ou dirigentes. O "doa a quem doer" vale mais para nós do que para a maioria do partido.

Também não é nova as posturas individuais dos nossos dirigentes. Essa construção se fortalece durante a gestão do ex. presidente do PT José Dirceu com a implantação das "eleições direitas" para as direções do partido, com candidatos (as) a presidência do partido (em cada nível) eleitos (as) a parte - reforçando o personalismo , tática conhecida do stalinismo (1) e praticada já faz um tempo pelas forças majoritárias.

Ou seja, quem criou o método que aguente as consequências. Marta sai atirando e o problema é para que lado? Com certeza não é por um PT mais a esquerda, socialista ou que busque transformar a sociedade. Então o que reivindica Marta?

A julgar pela sua origem, com certeza para Marta um partido mais liberal, na defesa de uma ética burguesa ou socialismo light (ou cor de rosa) se preferir. Um partido "Hobin Hood" que "governa com os ricos e trabalha para os pobres", velha conciliação de classes ou a via dos abobados: "vamos salvar o planeta".

Ela atira em Juca Ferreira (atual ministro da Cultura do segundo mandato da pres. Dilma), levou "provas de gastos superfaturados" dessa gestão direto a CGU (Controladoria Geral da União) - que sucedeu Gilberto Gil durante o mandato do ex pres. Lula, ela critica, esbraveja e se defende da fama de "arrogante", e atribui isso ao PT ou a petistas.

Contudo vamos aos fatos, primeiro ela (Marta) pediu para sair do governo assim que terminou o segundo turno, antes disso foi as ruas, pediu voto (para Dilma) e se expôs em diversos eventos públicos de campanha, ou seja, ela (Marta) também estava em campanha? Quem sabe para um novo ministério? Segundo, é senadora pelo PT e acreditamos a tempos não deve muitas explicações da sua atuação aos dirigentes paulistas, isto porque Marta é Marta, como alguns se sente "dona do mandato" e uma "entidade acima do partido". Terceiro, acusar Juca Ferreira é em parte atacar o ex pres. Lula, será essa a melhor "manobra", visto que Juca Ferreira não é um qualquer é militante não só do meio cultural, mas um quadro e provar irregularidades contra alguém que até hoje cumpriu sua função na política pública cultural não é tarefa fácil. 

Quarto, quem conhece o perfil sabe que Marta é Marta define sua estratégia politica pautada pelas suas relações de classe e interesses particulares o que pode provocar uma grande indefinição bem as vésperas do ano eleitoral de 2016. Uns especulam que seu olhar é sobre a prefeitura, outros que 2018 pode ser o caminho, o que esperar de alguém que prestes a garantir reeleição à prefeitura de São Paulo (2004) e com governo bem avaliado fizesse um movimento que a derrotou. Lembremos, afastou-se da imagem do ex pres. Lula, impôs um método de campanha eleitoral regada a vultuosos recursos financeiros e sem militância, contratando os famosos "moranguinhos", e claro uma desvinculação da sigla que a fez ser a dirigente política que é, o PT (aquele que agora ela exige resgatar).

 E como ela mesmo diz para abrir a segunda semana de janeiro de 2015 (fonte Fsp 12.01.2015): ""Marta se diz decepcionada com o próprio partido e que se sente "há muito tempo alijada e cerceada". "Cada vez que abro um jornal fico estarrecida (...) É esse o partido que ajudei a criar e fundar?". Apesar disso, a senadora diz que ainda é uma "decisão duríssima" a de abandonar o PT."Não tomei a decisão nem de sair, nem para qual partido, mas tenho portas abertas e convites de praticamente todos, exceto PSDB e DEM.""

Como individualmente cada um faz o que quer caberá a Marta e seus "orientadores" políticos dizerem qual é o rumo: "Mudar o PT, retomar o petismo ou construir uma saída oportunista tipo "Marina Silva"", com um detalhe aos militantes socialistas do PT, não será para um projeto popular e/ou coletivo. 

E o que representa a posição de Marta? 

Representa o que já estávamos vivenciando  um tempo no PT, que é diante da desconfiguração das nossas lutas, nossas reivindicações e nosso projeto de sociedade surgem a indisciplina interna - onde cada um faz o que quer esperando novas portas a se abrirem, a ausência de objetivo político coletivo e o sentimento de afastamento da base e da sua direção. 

O governo Dilma escolheu agir sob um velho método, da barganha em troca de apoio, contudo adotando seus critérios de "escolha" a um preço que todos e todas temos que esperar. Com o risco de termos um governo com olhos para governar de um lado e olhos na atuação dos ministros do outro para fazer com que alguns não caiam na tentação de bolar esquemas incríveis de uso da máquina e dos recursos públicos para fins privados.

O efeito Marta não pode ser visto apenas sobre o olhar condenatório do petismo e sim sob a necessária discussão de que partido temos e que partido queremos para conduzir um projeto coletivo de sociedade e não apenas de governabilidade.

Dizem a todo momento que o PT faz o errado. Assim seguimos condenados por uma mídia medíocre que corre atrás de lucros e vantagens, acusados pelas práticas individuais e particulares de alguns, bem como e a toda hora taxados como figuras ruins. Desculpem, mas esse julgamento não condiz ao que promovemos neste último período no Brasil, mesmo sendo anticapitalista, aquele capitalismo que misturava neoliberalismo com colonialismo e militarismo combinados passando por Sarney, Collor, Itamar e FHC não conduziam o país ao interesse comum de ninguém.

Ao PT devemos decidir se daqui para frente teremos uma legião de Martas construindo seu voo solo - individual, personalista e particular,  ou criar espaços comuns, coletivos e solidários para que o PT seja o PT.

P.S. 1) O exemplo dos trabalhadores metalúrgicos do ABC pode e esta sendo um bom exemplo de como retomar a consciência de classe ou o significado da luta contra esse sistema. Uma greve construída na SOLIDARIEDADE com os demitidos e claro um pouco de estomago pois um dia o empregado de hoje poderá ser o de amanhã. Evidente que os tempos são outros, mas o métodos do capital são os mesmos, quando lucram não partilham um pedaço do que seria justo dentro das regras liberais burguesas, quando alegam crise "demita se". Um desses analistas econômicos que  "papai e mamãe indicaram" para estas consultorias medíocres do capital afirmou "ser necessário", como se não estivesse falando de gente, seres humanos. Que a luta dos metalúrgicos do ABC faça (pelo menos) ressurgir a compreensão do que é solidariedade de classe.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

NOTA EM DEFESA DO SUAS.

Irrelevante não é a SNAS (Secretaria Nacional da Assistência Social), irrelevante é uma ministra INCAPAZ E INCOMPETENTE a altura do SUAS para estar e ser reconduzida a este cargo.

Em defesa dos SUAS, Dilma não ande para trás e não desmonte o que conquistamos no governo Lula.

Irrelevante é uma política fiscal que tira dos trabalhadores para dar aos podres de ricos.

Segue a nota do Conselho Nacional da Assistência Social que deve ter passado desapercebido por nós devido as festas e o descanso do fim do ano.

boa leitura!






Brasília, 22 de Dezembro de 2014



NOTA EM DEFESA DO SUAS.

Em 7 de dezembro de 1993 foi promulgada da Lei nº 8.742, que 
define um novo marco regulatório para a Assistência Social no 
Brasil como política pública, direito do cidadão e dever do Estado.

Desde então, vários avanços foram conquistados em prol dessa 
política pública rompendo, assim, com práticas filantrópicas, 
caridosas, e assistencialistas presentes em ações desenvolvidas 
historicamente nessa área.

Comemoramos, neste período, 21 anos da Lei Orgânica da 
Assistência Social - LOAS. O estágio atual de efetivação do 
SUAS reafirma o compromisso do governo brasileiro com 
os movimentos sociais e a sociedade civil, de forma geral, 
em implementar os avanços da Constituição Federal e da LOAS.

A NOB/SUAS 2012 e a Lei 12.435/2011 incorporam os avanços 
acumulados e materializam as deliberações das Conferências de 
Assistência Social que veem ocorrendo no Brasil, e em todas as 
unidades da federação desde a década de noventa.

Dentre as deliberações aprovadas nas Conferências destaca-se a 
orientação pela existência do Comando Único em todas as 
esferas de governo no que se refere à gestão da Politica de 
Assistência Social.

A materialização dessa deliberação é um avanço em alguns 
estados e municípios brasileiros. No entanto, após 21 anos 
de lutas e vitórias, estamos vivenciando a ameaça de retroceder
em importantes conquistas. É extremamente preocupante saber 
da possibilidade de extinção ou fusão de secretarias de Assistência 
Social (ou congêneres) a outras secretarias da área social. Tal medida 
poderá provocar dentre outras coisas:

· Perda da identidade dessa politica pública setorial ;

· Dificuldade de operacionalização dos serviços, programas, projetos e 
benefícios ;

· Dificuldade de contratação de quadro próprio de recursos humanos;

· Óbices no exercício do controle social pelos órgãos responsáveis;

· Indefinição de recursos orçamentários;

· Fragilidade no monitoramento, acompanhamento e avaliação das 
ações desenvolvidas na área;

· Redução no acesso aos direitos socioassistenciais por parte dos 
usuários da Política de Assistência Social.

Diante disso, o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS 
vem a público declarar sua posição contrária a qualquer retrocesso 
na área e, sobretudo, a este. Na oportunidade chama atenção 
aos gestores estaduais e municipais acerca da importância da 
defesa e materialização de todos os avanços do SUAS, em 
especial a defesa ao Comando Único da Assistência Social 
em todas as unidades da federação. 



Brasília 11 de dezembro

Plenária do Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS

Conselho Nacional de Assistência Social

domingo, 4 de janeiro de 2015

O "lobo de Wall Street" e o idiota da sociedade neoliberal.





Segundo o dicionário Aurélio (on line) a palvra "idiota" significa:1 Diz-se da pessoa incapaz de coordenar ideias; 2 Pateta; parvo; 3 Que denota estupidez. E com essa "onda" neoliberal a solta com seus "truques e confusões" também deveria incluir: "nova pessoa gestada nas reformas econômicas e politicas do séc. XX e preparada para ser um "consumista acéfalo" do séc. XXI".

Observando a sutileza ou o emu olhar como espectador mesmo, dois filmes retratam o que de "melhor" foi sendo produzido nas relações humanas no capitalismo 2.0 neoliberal. Se os termos privatizar e mercantilizar se tornam usuais por nós nesse tempo que vivemos, o que esperar de uma palavra antiga, mas não antiquada e perfeitamente adequada (e atualizada) para a realidade atual: INDIVIDUALISMO.

Sim o bom e velho conceito introduzido nos debates sobre a formação desta sociedade que conhecemos sob o comando do sistema capitalista é cada vez mais a "lógica" da vez introduzida em doses cavalares nas culturas e na formação desse "novo ser humano" (se é que dá pra dar essa definição).

Voltemos a sétima arte: o final de dois filmes quase que se assemelham no gesto final dos "bons moços" que passaram as duas histórias atrás de "fazer justiça".

Na produção o "Senhor das Armas" (Lord of War), o "destemido agente da lei" tem no finalzinho da sua importante "missão" o gosto da "vitória" de ter preso um grande traficante de armas, mas o dialogo final termina (reprodução do site wikipedia) "Jack (Valentine, agente da lei), no regozijo de ter finalmente conseguido prendê-lo, senta-se numa sala com Yuri (o traficante de armas)para explaná-lo das conseqüências da prisão. Mas é Yuri quem toma as rédeas da conversa, dizendo por que não passaria nem um dia na prisão: colocá-lo na prisão seria um embaraço enorme para o governo estadunidense, já que era ele quem fornecia o armamento dos inimigos dos inimigos americanos, e seus compradores eram úteis à política externa do governo.", uau, sim uau!

No outro (mais recente), "O lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street), outro agente da lei, outro "destemido", outro determinado consegue "prender (com delação premiada, OK), o dono e corretor Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) de uma das maiores corretoras de ações no mercado financeiro por fraudes fiscais e etc., bem esse final é mais constrangedor pela duplicidade, a cena do agente da lei no metro lendo a matéria em letras garrafais sobre a prisão e bla bla bla, e num momento ele olha ao seu redor as pessoas simples (como ele), e imagino duas coisas que no filma não fica claro: 1) O agente da lei reflete sobre a proposta inicial de Belfort quando tenta suborna-lo, pois ele acabou de realizar uma grande prisão e continua "naquela vida; ou 2) Observa que mesmo "cumprindo o seu dever "a vida segue e ninguém está nem aí pra isso" - velha lógica da exploração - o explorado nem sempre (ou quase nunca) sente as correntes que o prendem.

Citei estes dois finais justamente para dizer que: aos justiceiros de plantão (prende, mata e arrebenta) ou derrotistas (nada vai mudar), de que o problema é o coração do sistema, deste sistema que impõe padrões de vida, buscas pelo material, financeiro e supérfluo.

Há mais filas e empurra empurra para comprar nos shoppings ou mercados do que para participar de atividades de solidariedade de classe.

Há mais disposição para derrotar o outro do que para haver colaboração.

Há mais desconfiança do que certezas nas relações. As que envolvem dinheiro e poder podem acabar com amizades e até terminar em morte. O crime individualizado o sistema cuida parceiro.

E são problemas da sociedade? Sim, mas desta sociedade do capitalismo.

Quem busca viver ou resistir sabe que o caminho não é fácil.   As vezes participar para mudar a política ou o planeta acabam sendo vistos como gestos "individuais" invertendo a ideia de quem é o "individualista" da história, os que querem sair dessa "matrix" ou os que querem viver na sua ilusão.

Eu tenho visto e vivido bons exemplos de que nós socialistas estamos buscando transformar relações e mudar a política, nosso dever não é agir como se nossa atuação fosse "caricata" ou "individual", muito pelo contrário devemos com o gesto mostrar que é possível, necessário e urgente desidiotizar a sociedade.

Vejam os filmes, porém engatem na sequencia o documentário "Trabalho Interno", para entender que a "vida boa" dos que querem ser "ricos" nesta sociedade produzem muita desgraça, miséria e violência para a sua grande maioria.




You tube
https://www.youtube.com/watch?v=WDxSfCZgCmk (O lobo de wall street)
https://www.youtube.com/watch?v=jPFNzi4fNgY (O senhor das armas)
https://www.youtube.com/watch?v=ViOYXZL_3Bs (Trabalho interno)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Que venha 2015!



quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

É a hora da VERDADE!


A frase "o Brasil não pode esperar" nunca foi tão importante quanto agora. O relatório da Comissão Nacional da Verdade expressa o que é tão necessário para que o país possa definitivamente seguir seu caminho democrático.

Antes que hajam as vozes dos ignorantes e desavisados que dizem: 1) "Mas isso foi a tanto tempo, já passou!" ou 2) "A esquerda também matou e fez terrorismo"

Vamos a verdade: primeiro sobre o tempo. Diga ou pergunte a você mesmo se você simplismente "deixaria" pra lá se um pai, mãe, filho (a), ou parente próximo fosse preso, torturado e executado pelo Estado, num país sem pena de morte e onde ninguém deveria ser perseguido por "pensar" diferente do governo (que não foi eleito por sinal, pois os "milicos de farda" não tinham direito e nem respaldo da sociedade para governar).

Outra verdade: segundo sobre o "terrorismo", bem se a TV, o rádio ou a mídia imprensa chamar seu pai ou mãe de "bandidos" sem provas e pelo único motivo de acusar para incriminar ou jogar a sua imagem na "lama", você aceita que as pessoas o "rotulem". Bem se você é ingênuo demais para acreditar nisso pare de acreditar em Jesus Cristo, Mandela ou Tiradentes. Todos conspiraram, se reuniram quanto seus governantes impediam tal ação, e subverteram a ordem contra o poder da minoria do seu tempo. Foram taxados de "terroristas" e por isso receberam a cadeia ou morte.

Portanto deixemos de crer em mentiras que o Estado ou setores da sociedade lhe disseram. A hora de colocar o pingo nos "is" é agora. Essa é a hora da VERDADE.

Segue a nota dos movimentos sociais.
http://www.levante.org.br/nota-publica-pela-punicao-dos-torturadores-da-ditadura-militar/

Nota Pública: Pela punição dos torturadores da Ditadura Militar

Postado em 10 dezembro 2014 por Levante



As organizações políticas se manifestam para expressar a importância do dia 10 de dezembro de 2014 que marca um esforço concentrado de 2 anos na luta por memória e verdade.

Autoridades, movimentos sociais e entidades de diretos humanos colaboraram nas investigações das violações cometidas pelo Estado brasileiro durante o período da ditadura militar.

Depois de observarmos o atraso ideológico de uma gente que sai às ruas pedindo intervenção militar, constatamos que vivemos em um período de polarização da luta social, e nos colocamos diametralmente opostos a estes sujeitos. Somos favoráveis ao aprofundamento radical da democracia em nosso país.

O relatório produzido pela Comissão Nacional da Verdade, assim como as recomendações ao Estado brasileiro, devem deflagrar um novo período de lutas aos movimentos sociais que atuam contra a impunidade com centralidade na luta pela Justiça.
esse


Esse processo coloca em evidência a necessidade do Estado brasileiro, através da Presidência da República, executar a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos que prevê a punição dos agentes de Estado responsáveis por crimes de tortura. Dessa forma, daria vazão à principal bandeira dos movimentos em luta pela justiça que é a superação da lei de anistia, possibilitando o fim da impunidade.

A dívida histórica do Estado brasileiro com a justiça ameaça a democracia sempre que o aparato repressivo atua com sua estrutura atrasada de uma polícia militarizada e com um método defasado que aterroriza a sociedade.

Existe uma relação intrínseca entre a impunidade dos torturadores, a violência policial e o sistema político vigente com o processo inacabado de democratização do país. A violência do Estado que perseguiu, torturou e matou centenas de militantes políticos é a mesma que hoje possui em sua estrutura os autos de resistência que é um dos instrumentos que tem justificado o extermínio da juventude pobre, em especial negra, nas periferias das grandes cidades.

O sistema político que sustentou a ditadura militar de 64 a 85 deu lugar a um modelo que bloqueia a participação social e não tem condições de operar as reformas necessárias para o país. Daí vem a necessidade de se fazer uma profunda reforma do sistema político que só acontecerá com pressão social por meio de uma Constituinte Exclusiva e Soberana.

A execução da sentença da CIDH é o próximo passo na luta pela justiça, que viabilizará a punição dos torturadores e o fim da impunidade que assombra nosso presente de lutas pela emancipação nacional.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Classe assalariada média, uma "classe" detergente: neutra, e que faz limpeza (social)


 Já faz um tempo que desde a ascensão de Lula a presidente seguido por Dilma a esquerda brasileira tem na sua prateleira de análise várias questões que elevam o debate político sobre os rumos do Brasil, o papel das esquerdas e qual projeto nacional e de povo está sendo construído ou pensado.

Vários intelectuais orgânicos e pensadores do lado de cá (de esquerda, democráticos e progressistas) tem cumprido o papel de debater o país que temos nos últimos 12 anos com um governo onde o PT optou por alianças com setores que pudessem garantir a governabilidade e não uma colisão para promover reformas estruturais para preparar o Brasil para um novo momento.

Entre avanços, estagnação e derrotas, a elevação da renda e a promoção de uma política desenvolvimentista mesmo que atrelada ao projeto neoliberal permitiu que parte da classe trabalhadora pudesse ascender (mesmo que individualmente).

Agora as emoções vividas na eleição de 2014 e em particular neste segundo turno mostram que: 1) a despolitização promovida pela lógica neoliberal ancorada no consumo e no medo da inflação fortaleceu uma ideia construída de "classe" assalariada média que segue a orientação "cada um por si e o mercado por tod@s"; 2) as alianças consomem cargos e barram projetos coletivos e impedem o PT de avançar a esquerda tornando a direção do partido num "viciado em governabilidade" e num time de "retranca" todo o tempo se defende sem ir ao ataque;  3) o endurecimento das posturas nas relações da sociedade permitindo que numa química de gosto duvidoso pois com uma mídia centralizada e mercantilizada fez e faz ampliar o pensamento moralizante, pequeno burguês,  discriminatório,  preconceituoso e altamente segregador.

Por isso a minoria barulhenta das elites que passaram a buscar as ruas possuem hoje o controle de uma maioria da classe assalariada média neutra (não gosta de política mas serve aos interesses dessa minoria, e é guiada por um pensamento fácil e individualista de "limpeza social", com ódio aos pobres, migrantes, de sexo (homofóbicos), racial (negr@s) e de gênero (mulheres), valendo todo tipo de argumento que unifique essa "base" conservadora. 

Sei que vários amig@s podem se ofender com isso e nem quero ser "melhor" que ninguém,  não nasci esclarecido mas fiz escolhas. 

O que é preciso hoje, aqui e agora fazer é perguntar se é esta sociedade que queremos? Valores e projetos coletivos semore dão trabalho e nunca serão 100% de comum acordo,  porém quando construímos juntos nossa comunidade,  nosso bairro, espaços comuns, país,  enfim, temos mais certeza ou clareza do caminho. 

Tod@s queremos uma vida segura, sem brigas, sem violências,  etc., e caímos numa solução fácil que é reprimir os diferentes ou afastar os que nos "incomodam". Enquanto dissermos "política,  futebol e religião não se discutem" continuaremos com medo e dependentes de "heróis" ou "líderes" de interesses duvidosos. 

Compartilhamos churrascos, festas de família e outras coisas materiais. Será que não somos capazes de compartilhar nossas difentes opiniões e caminhar para um pensamento comum? Responder juntos e juntas qual melhor caminho para que tod@s possam ter direitos iguais, respeito, dignidade,  e tantos outros valores que não dependem dessa lógica do capitalismo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

ARTIGO “Com que roupa, eu vou?” Brasil de Fato Edição 614 1° de dezembro de 2014 por Alipio Freire

Li e recomendo o artigo do grande lutador Alipio Freire. Ele que no título do seu artigo nos traz a frase de uma velha e verdadeira canção que incomodará na posse de Dilma e nos perseguirá nos próximos quatro anos... Boa leitura!





ARTIGO
“Com que roupa, eu vou?”

Brasil de Fato
Edição 614
1° de dezembro de 2014

Alipio Freire


Se os golpistas de plantão não consumarem seus intentos durante os dias de desmobilização das festas de final de ano; se o senhor Aloysio Nunes não assumir a Presidência depois de uma overdose induzida que abata o senhor Aécio Neves – O Aspirante; se dona Marina Silva não for entronizada e coroada A Nefertiti do Igarapé Verde; se dona Kátia Abreu não decidir invadir a Bolívia e a Venezuela com o apoio do pessoal do pijama-e-coturno, para acabar com a baderna no Continente e expandir o agronegócio para além das atuais fronteiras; se Deus quiser e o Divino Espírito Santo permitir; se a presidenta reeleita, Dilma Rousseff, for empossada – conforme ordena a nossa Constituição; se..., se... , etc., uma das primeiras questões (se não a primeira) que se colocará, será a Reforma Política.

Da direita à esquerda – passando pelos radicais de extremo centro – já existem vários projetos. Como originalmente esta é uma proposta programática do Partido dos Trabalhadores (assumida pela Presidência), antes mesmo de conhecermos todos os pontos da Carta de 1988 a serem reformados, temos uma singela pergunta a fazer, especialmente ao PT: com que força contamos para aprovar reformas que interessem aos trabalhadores e ao povo (povo=todos os explorados e oprimidos)?

As recentes eleições já demonstraram que não estamos com essa bola toda... No primeiro turno, acabamos com um Congresso mais à direita, que o da legislatura que ora finda e, no segundo, a diferença de votos entre os dois candidatos à Presidência foi pequena. Além disso, junto à opinião pública, consolida-se (e nos parece crescer), o ódio contra a esquerda, contra o PT e contra a presidenta.

Ou seja, neste momento a correlação de forças não nos é favorável, mas sim aos nossos inimigos de classe. O fato da presidenta ser obrigada a engolir ministros como a senhora Kátia Abreu e o senhor Joaquim Levy – por mais trágico que consideremos, é apenas a ponta do iceberg.

O processo de golpe que se desenvolve desde junho de 2013, prossegue em curso, e não duvidamos que recrudesça e possa ter um “final feliz” para os golpistas, se a Constituinte Exclusiva aprovar suas emendas (de sentido diametralmente oposto àquelas que propusermos, para o aprofundamento da democracia no Brasil). O golpe poderá se consumar por esse caminho, sem necessidade sequer de arcar com o ônus de tanques nas ruas. Ou seja, o tiro tende a sair pela culatra, com um retrocesso das conquistas obtidas em 1988.