sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Hora de decidir: uma esquerda socialista ou uma esquerda liberal?


Há uma grande diferença no ar: transformar o poder ou apenas fazer parte dele? A questão não é tão simples e a resposta para quem estabeleceu em sua vida uma distância da sua antiga pele para uma nova, ou seja, que busca em vida alguma forma de atuação ou militância política precisa, se escolheu ser da esquerda refletir sobre essa questão.

Escolhas definem lado, posição e podem trazer consequências, como tudo na vida.

Um projeto político tornou-se majoritário no PT e configura-se nas suas escolhas de governo, adotando uma postura de "paz" ao capital, aos mercados e ao jogo político nacional travou uma luta intensa no espaço das oposições. Criticou o neoliberalismo e manteve-se atuante no Congresso Nacional e nas experiências de governo, isso tudo até 2002.

A força politica majoritária venceu! (Até aqui). Mas vamos voltar um pouco atrás nas posturas desse campo majoritário para entendermos o que chamo de postura de "esquerda liberal", Rosa Luxemburgo denominaria "reformismo" e na Europa Ocidental nas experiências da França e Espanha, neoliberalismo mesmo.

1998 a campanha Lula determina a desaproximação do MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, me lembro bem, apoiei um candidato a deputado federal que buscou eleger-se com esta marca, Luis Eduardo Greenhalgh. A propaganda eleitoral já era meio morta, meio "branca" e tenta radicalizar no final, o "Lula operário" surge nas últimas inserções e o segundo turno vai embora e com ele mais quatro anos de FHC, o terror.

2002 temos de tudo, postura de Lula em não aceitar prévia e ser urgido como único faz a primeira provocação vindo do senador Suplicy quando se inscreveu para as prévias advertindo que Lula precisava ouvir as bases e ser aclamado por elas (nesta eu votei Suplicy contra a arrogância do grande líder), depois a aliança com o PL e com Quércia, novamente provocações com a ocupação do palco do encontro estadual que terminou em pancadaria (eu participei), e a "carta aos brasileiros" que mais era "carta aos mercados financeiros", sela a vitória de 2002 no clima da "paz e do amor".

É fundamental lembrar que uma esquerda liberal na perspectiva da luta de classes não busca aprofundar contradições e promover mudanças no jogo político hegemônico, faz da "luta pela qualidade vida e aumento de renda" o seu "farol" para uma sociedade "mais justa" ou "menos desigual".

Portanto não se deve desconsiderar os avanços do governo de alianças com o PT a frente no quesito políticas públicas justamente pela ampliação da legislação social vigente (lei maria da penha, estatuto do idoso, SUAS, etc..), nem a adoção de programas e projetos no campo do "welfore state" tipo brasileiro seja com a transferência de renda ou ações políticas incisivas como agricultura familiar, cisternas, "luz para todos", entre outras que canalizaram recursos de investimento para regiões e populações que não tinham a intervenção do Estado.

Mas com os limites de uma política econômica alinhada ao modelo anterior - neoliberal - com um processo intenso de financeirização do capital com reformas antipopulares na previdência pública, aumento do crédito e financiamentos, enfim, na lógica do capita, veja o lucro dos bancos/ banqueiros na última década.

Essa combinação desenvolvimentismo calçado em renda e consumo durou, e durou bem, mas a geração de privilégios ao capital produtivo  em gestos de cortes de taxas, tributos ou impostos não consolidou uma nova mentalidade no velho capitalismo brasileiro que tem tendências "vampirescas"sobre o patrimônio do Estado. Ou seja, nunca se lucrou tanto e nunca se acomodou tanto um setor que é o coração do capitalismo.

"Todos ganharam!", sim até certo momento. A "nova" classe assalariada de renda média surge no cenário, engorda os lados da "pirâmide social" e junto com a antiga classe assalariada média consome não apenas os produtos, mas a cultura e os ideais de uma sociedade capitalista moderna - obter privilégios, manter e subir "padrão de vida". E com certeza não buscar uma sociedade mais igualitária.

Seria tarefa do governo politizar as "massas". Não e Sim. Não, porque esta tarefa é do partido que seria a organização com esse papel de mobilizar, disputar projetos e organizar. E SIM o governo poderia ter posição, deveria fazer gestos, mostrar que a diferença do projeto e modelo está na forma de governar devendo inclusive optar pela combinação soberania e participação deliberativa. Não o fez.

Houveram conferências e consultas públicas. Mas nada disso em um país continental como o nosso é tão "liquido e certo", dado que os participantes das conferências vem de um processo de desgaste com os governos anteriores e isso acaba (equivocadamente) deslegitimando o instrumento político: conferência. E as consultas públicas são pelos meios virtuais, não atingido quem deveria ser consultado de fato, os trabalhadores.

Então qual caminho? O melhor seria construir meios participativos na consolidação das políticas públicas, subverter a lei do "cão" (a 666 das licitações), abrir as decisões regionais de iniciativa federal e o acompanhamento local pela população beneficiada, ou seja, se vai ter ônibus, ambulância, creche, etc. com recursos federais, uma obrigação seria "botar o povo pra dentro", canais de denúncia pública, reuniões e plenárias com autoridades sem burocracias, acesso aos trâmites com linguagem popular, e obrigar sim o gestor, servidor público e quem quer que seja. Os contratos de financiamento federal são tão burocráticos na relação com as prestações de contas, porque não subverter tambçem pela participação?

E isso tudo para afirmar que o modelo que ainda está em curso majoritariamente no PT e no governo de alianças é de uma esquerda liberal, limitada pelas opções que fez não quer transformar o poder, apenas fazer parte dele e promover algumas mudanças. Governabilidade substituiu a palavra reformas de base.

O que fazer? Há caminhos abertos como o que vivemos com o Plebiscito por uma reforma do sistema politico em 2014 e lutas sociais que se fortaleceram. Nunca a certeza que o caminho para uma esquerda socialista esteve tão próxima como agora. 

Quando a direta e as elites querem impor sua posição, seu discurso, seus símbolos e pensamentos, abre novamente o jogo das mudanças, pois se o campo de batalha é aquele em que se pode disputar inclusive cores e ideias, agora é a hora de afirmar para esta sociedade qual modelo? qual projeto de sociedade é ideal, se o que está ai incomoda tanto.

De um lado esse projeto é disputado pela "volta da ditadura civil-militar", "intervenção militar", "fora Cuba", e assim vai. Se o lado de lá é louco, porque revidamos. Simples, porque o lado de lá se apoio na grande mídia que reproduz um "peido" como se fosse perfume, como é o preconceito a Cuba que foge da verdadeira realidade, mas vendida para sociedade a mentira, essa se estabeleceu. Quando defendemos a ilha, "loucos" somos nós.

Cabe aos militantes da esquerda socialista não buscar esforços no mesmo dilema, mas se reunir, organizar, fazer, agitar, propagandear...sigla, discurso, não! Nossas ideias e ideais, a luta e a organização são processos. Retomar o que é um partido para nós socialistas e comunistas, que é o partido da classe, nossa organização em rede, em teia, de nós com nos mesmos, popular, comunitários, não juntos num partido institucional, mas filiados no único partido que interessa aos trabalhadores e trabalhadoras, o da nossa classe com um programa político claro: defesa da humanidade!

Desorganizados ou reduzidos perderemos esse momento.

Não temos nada a perder com esse sistema político.

Mudando temos muito a ganhar! Vencer!

Voltado a pergunta inicial: você quer transformar o poder ou apenas fazer parte do que está aí?

Ps.: Bobbio representa bem um termo que claro não existe como conceito, "esquerda liberal", mas se nos aprofundarmos na raiz do termo "esquerda" ela também não nasce comunista e nem revolucionária, os que estavam a esquerda do parlamento defendiam reformas sociais mas dentro de um sistema que é cruel pela sua própria forma de acumular riqueza. Cito Bobbio porque é claro os próprios liberais tem vergonha de serem identificados com a "direita", preferem esconder-se na democracia liberal.

Movimentos Sociais se reúnem para intensificar luta pela Constituinte

Movimentos Sociais se reúnem para intensificar luta pela Constituinte

O objetivo do encontro é retomar e reforçar os comitês populares da base e realizar atividades de formação política

Escrito por: Divulgação • Publicado em: 02/09/2015 - 12:04
Foto: Divulgação
Na próxima sexta-feira (4), diversos movimentos populares de todo Brasil se reúnem na cidade de Belo Horizonte (MG) para o Encontro Nacional e Popular pela Constituinte.
 
A atividade pretende reunir cerca de 1.000 ativistas e marca um ano da realização do Plebiscito Popular, quando quase 8 milhões de pessoas disseram “Sim” à Reforma Política por meio de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.
 
A ação contará com comitês municipais e estaduais da Campanha, além de movimentos populares de todo o Brasil que apoiam a Constituinte. O objetivo do encontro é retomar e reforçar os comitês populares da base e realizar atividades de formação política.
 
Há um ano, o Brasil inteiro se mobilizava para a votação do Plebiscito Popular Por Uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Realizado na Semana da Pátria, com aproximadamente 40.000 urnas abertas e mais de 2.000 Comitês Populares construídos em todos os estados da Federação e com a participação de mais de 450 organizações sociais. 
 
O Plebiscito Popular ganhou corpo, força, e milhões de pessoas, em todos os cantos do Brasil, foram formadas sobre a importância de se discutir uma mudança no sistema político brasileiro, sobretudo, no que tange ao financiamento empresarial das eleições, a falta de representatividade do povo brasileiro no Congresso Nacional e fortalecimento da participação popular.
 
Os votos do Plebiscito Popular foram entregues formalmente aos poderes ExecutivoLegislativo e Judiciário, durante a V Plenária Nacional do Plebiscito pela Constituinte realizada nos dias 13 e 14 de outubro de 2014, em Brasília (DF).
 
“Esse resultado demonstra o acúmulo e o trabalho de base que foi feito, tanto no ponto de vista do trabalho pedagógico, organizativo e de apresentar uma proposta do que queremos à sociedade brasileira”, disse João Paulo Rodrigues, da Direção Nacional do MST.
 
A luta pela Constituinte continua
A Executiva Nacional da Campanha acredita que o momento de crise econômica e política do país fortalece a ofensiva conservadora com pautas retroativas, reafirmando a importância da Campanha e necessidade de se realizar uma verdadeira Reforma Política. Membro da executiva, Ricardo Gebrim, aponta para as “terríveis” encruzilhadas em torno da atual crise política, em que de um lado há pressões pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, enquanto do outro as pressões são para transformar seu governo num governo neoliberal.
 
“A única saída política que possibilita mexer nesse sistema político e assegurar que rompamos com o neoliberalismo é a constituinte. E nesse momento a Campanha ganha força porque ficou evidente que a Reforma Política protagonizada pelo Congresso é uma farsa, um teatro, que na verdade só quer legalizar e constitucionalizar a doação empresarial de campanha”, explica Gebrim.

Serviço:
Data:
 04 de setembro de 2015
Hora: 10h
Local: Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais. R. Rodrigues Caldas, 30 - Santo Agostinho, Belo Horizonte - MG, 30190-921.
Inscrições: serão feitas através de envio das informações (nome, cidade, entidade, telefone e e-mail) para o e-mail plebiscitoconstituinte@gmail.com.

Programação do Encontro Nacional e Popular pela Constituinte
9h – Mesa “Conjuntura e luta pela Constituinte” – Representante da CUT, representante do MST, representante da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político e representante da Secretaria Operativa Nacional da campanha por uma Constituinte.
13h – Almoço
14h – Debate em grupos
16h – Plenária Final
18h – Jantar e Noite Cultural

O que é o Orçamento Participativo?



Produzido para o Ciclo do Orçamento Participativo de 2009.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O povo de São Paulo é contra o golpe Todos e todas às ruas no dia 20 de agosto, às 17h, no Largo da Batata

Arte: Maria Dias

O povo de São Paulo é contra o golpe
Todos e todas às ruas no dia 20 de agosto, às 17h, no Largo da Batata

O Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo se organiza a partir de dezenas de movimentos e entidades, do campo e da cidade, que buscam acompanhar e avaliar a conjuntura, bem como construir um projeto de Estado inclusivo, democrático e popular.
As mais de 50 organizações que compõem esta frente acreditam que a ameaça de golpe da direita brasileira, atrelada ao imperialismo, que nesse momento se organiza a partir de partidos, de parcela importante e significativa da mídia, de grupos de direita conservadora e reacionária, precisa ser barrada nas ruas pelo povo.
Aqui em São Paulo, a direita conservadora e golpista tem expressão forte e se alojou no governo do estado há mais de 20 anos. Como no projeto tucano e da direita nacional, o governo procura reduzir os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e combate os movimentos sociais e qualquer sinal de mobilização.
Além de ter privatizado e de querer privatizar ainda mais o estado, há uma blindagem da mídia paulista e nacional em relação ao PSDB e, principalmente, em relação ao PSDB paulista e ao governador Geraldo Alckmin. Isso tudo mesmo diante dos descasos como a negação da crise da falta de água, a ausência de políticas habitacionais e a repressão aos movimentos de moradia, sem falar do sistema prisional caótico, comandado em grande parte pelo crime organizado.
Há ainda a falta de segurança para o povo e os desmandos da polícia militar paulista e cresce o genocídio da juventude, especialmente negra. Denunciamos os escândalos de corrupção nas obras como o Rodoanel (do esquecido caso do famoso Paulo Preto) e o cartel do metrô, tema que teve como enfoque a articulação das empresas e não as relações com os governos tucanos há anos.
O governo de São Paulo também se recusa a cooperar com os governos municipais e federal no SUS, na participação de programas de sucesso como o SAMU.
Por fim, a educação em São Paulo não vai bem, em todos os níveis, com o desmonte das escolas, universidades e dos institutos de pesquisa, inclusive de referência nacional. Como marca de sua postura, o governo estadual também combate as categorias e não dialoga com os sindicatos que fazem greve. Um dos maiores exemplos dos últimos tempos foi a desmoralização que fez da luta dos professores e professoras do estado de São Paulo, inclusive desrespeitando decisões do Judiciário.
Por tudo isso, nós, do Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo, conclamamos toda a sociedade paulista para se unir nas agendas de luta. Estaremos nas ruas contra o golpe, em defesa da democracia, da Petrobras e do pré-sal, por direitos da classe trabalhadora, contra o ajuste fiscal e por uma reforma do sistema político.
Por isso, convocamos a população de São Paulo a participar das mobilizações no dia 20 de agosto, a partir das 17h, no Largo da Batata, bairro de Pinheiros, zona oeste da capital paulista.
Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo
São Paulo, 7 de agosto de 2015.


Assinam pelo Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo:

Afuse (Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação de São Paulo)
Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)
Centro Acadêmico XI de Agosto
CMP (Central de Movimentos Populares)
Coletivo de Luta pela Água
CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras)
Consulta Popular
CPT (Comissão Pastoral da Terra)
CRECE (Conselhos dos Representantes dos Conselhos de Escola)
CUT Nacional
CUT/SP
CTB São Paulo
FACESP (Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo)
FAF (Federação da Agricultura Familiar do Estado de São Paulo)
FETAM (Federação dos Trabalhadores da Administração e do Serviço Público Municipal no Estado de São Paulo)
FETEC (Federação dos Bancários da CUT)
FETQUIM (Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico da CUT no Estado de São Paulo)
FETSS (Federação dos Trabalhadores em Seguridade Social no Estado de São Paulo)
FLM (Frente de Luta por Moradia) 
FNSA (Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental)
FNU (Federação Nacional dos Urbanitários)
Frente Nacional Contra a Redução da Idade Penal
Frente Todos pela Democracia
Levante Popular da Juventude
MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens)
Marcha Mundial de Mulheres
MMPT – (Movimento de Moradia Para Todos)
MSTL – (Movimento Sem Terra de Luta)
MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores)
MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra)
MTD/SP (Movimento de Trabalhadores e Trabalhadoras Desempregados)
Rede Nossa São Paulo
SEPESP (Sindicato dos Escrivães de Polícia do Estado de São Paulo)
Sifuspesp (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo)
Sindicato dos Bancários de São Paulo
Sindicato dos Bancários do ABC
Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba
Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Sindicato dos Químicos de São Paulo
Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente – SINTAEMA
Sindicato dos Oficiais Marceneiros de São Paulo
Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna
Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto
Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de SP
Sindipetro Unificado de São Paulo
Sindsaúde-SP (Sindicato dos Trabalhadores Públicos na Saúde do Estado de São Paulo)
Sindsep (Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo)
Sinpsi (Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo)
Sinsexpro (Sindicato dos Trabalhadores nas Autarquias de Fiscalização do Exercício Profissional e Entidades Coligadas no Estado de São Paulo)
Sinteps (Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza)
Sitraemfa (Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e a Família do Estado de São Paulo)
UBM (União Brasileira de Mulheres)
UEE (União Estadual dos Estudantes de São Paulo)
UJS (União da Juventude Socialista)
UMM (União do Movimento de Moradia)
UNEGRO (União de Negros pela Igualdade)
UPES (União Paulista dos Estudantes Secundaristas)

Quando a omissão esconde o medo. O que pensar de 2015?


Em política não existe espaço vazio, decisão sem sentido ou manifestação de "alienados". Na política o que está sempre em disputa não são apenas números, mas projetos. Projetos de sociedade, de nação, de Estado, enfim, tudo que pertença ao centro do poder pertence a política e tem nos projetos coletivos direção. 

Projetos coletivos não são exclusividade da esquerda, a direita para manter hegemonia a faz muito bem desde a revolução francesa. Os ciclos do capital caminham lado a lado aos circos que se transformaram os Estados nação depois da super hegemonia do capital e do neoliberalismo - livres mercados, presos humanos.

16 de agosto é mais uma cena que tem tomado conta do cotidiano de 2015, o ano que Brasil surtou - segundo eu mesmo em um artigo anterior. As mobilizações, as aberrações anti democráticas, os discursos vazios "fora corrupção" evidenciam mais uma página de uma situação política que está sendo fabricada diariamente e numa constante luta de classes: a de que o Brasil "está em crise (econômica)" gerada pelo desgoverno e pela corrupção do PT".

O mantra segue e o horário nobre da TV dos poderosos segue firme. Não importa quem convocou ou quem está participando, se é um operário de renda média ou um pequeno empresário, o que importa é que na disputa de hegemonia só há força real quem tem a força das ideias, e neste caso, estamos nós (a esquerda, os progressistas, democráticos, etc., etc.) estamos perdendo não em números ou em likes, mas no sentimento do que quer se chamar "nação".

Quanto mais batemos, mais o lado de lá se reconhece e assimila, vestidos de "coxinhas" se transvestem com orgulho e o que era pejorativo vira moda ou uma auto afirmação de classe (mesmo que os que sustentem essa lógica não sejam da classe dominante), serão bem aceitos e recebidos. Quanto mais ridicularizamos, mais as camisetas da corrupta CBF viram o estandarte desse gente.

E nós, divididos e repartidos estamos em quase todos os lugares. Só para ter uma visão ampla da confusão da nossa esquerda: a Liga Operária tenta capitalizar os atos conservadores, o PSTU e PCB preferem o "muro" nem um ato, nem outro, e em nome disso fala "atos apenas os da unidade da classe", porém com cada um de um lado, o PCO busca reaproximações para uma unidade das esquerdas, esperando claro uma crise para emergir como alternativa. Parte do PT e do PSOL mais o PCdoB preferem a defesa das liberdades democráticas e se concentram em manter a narrativa do inicio deste ano, um ato deles, um ato nosso.

Com esta configuração não basta um congresso, nem encontro e muito menos rendição. Unidade depende de um alto grau de compreensão política da conjuntura, de cessão de algumas posições e de entrega das suas possibilidades em nome de algo maior. A direita tem nos dado esse "algo maior", ataca o PT e ridiculariza toda esquerda não alinhada ao governo petista, marginalizam nossos símbolos, discursos, praticas, etc., incitam a massa a "comprar" um velho discurso: "esquerda e desenvolvimento" não combinam, vide a luta dos trabalhadorxs da GM em São José dos Campos ou das ações do MST Brasil afora.

Nossa solidariedade é vista com ressalvas e cada vez mais essa falsa ideia de liberdade de expressão através das redes sociais invade opiniões. 

Quem está dividindo o Brasil é a direita. Mas a "gente colorida e animada" de ontem não quer "rótulos" dirá que não é de direita e que prefere o Brasil.

E nós que queremos o país para todos e todas. Que lutamos contra as desigualdades do capitalismo. Que nos levantamos e cobramos direitos. Que nos dedicamos a meios participativos. Que impomos nossa voz quando nos querem calados. Que não nos rendemos a ditadura dos juros e nem a exploração. Nós não buscamos nada? De nada vale nossa luta?

Em outras ocasiões na história os povos em luta sempre conseguiram unir sua narrativa e sua força (direta ou oculta) para enfrentar o que chamávamos de ditadura ou "governo dos ricos", em vários exemplos a demostração de força vinha com a certeza de que a vida no seu dia a dia poderia também melhorar. 

O capitalismo pode ser voraz, muito voraz nessa fase, mas aprendeu a ser cada vez mais pragmático via sociedade do consumo, induz e convence nesse Brasil de inúmeras narrativas dominantes como a ideia força do "povo cortês e pacifico", alia-se ao do "acesso ao consumo de bens nunca antes possível", vencendo novamente o ideário pequeno burguês sob a forma de "classe (assalariada) média".

Já debatemos muito a era do Lulismo, suas conquistas e vitórias, derrotas e tragédias. Governar parece não ser mesmo a melhor tática de aglutinar forças sociais necessárias ao socialismo quando dez anos de governo de coalizão liderado pelo PT não nos permitiram fortalecer as organizações populares e da base, mesmo com uma esquerda tão dividida os esforços de reunir a população em torno de um projeto coletivo de esquerda falharam porque não se orientaram pelo tempo, mas pelo momento. 

Resumo: não houve disputa de hegemonia, impomos e implantamos nossa pauta via governo, porém sem prover as formas de reunir e organizar. Assim fica o sentimento de que só conseguimos mobilizar em momento de desgraça (demissões, desocupações, mortes, etc..), e não de melhora das condições da nossa classe.

Pior que as cenas de ontem é ter que admitir que do lado de lá está havendo um esforço de fortalecimento de hegemonia, para além de uma vontade eleitoral (do PSDB por exemplo), existe o fortalecimento de um projeto que já é vitorioso sobre a sociedade capitalista brasileira, suas elites nunca deixaram o poder, apenas perderam força no poder executivo do Estado brasileiro. E parece que isso não encaixa na cabeça de ninguém que tem a responsabilidade de direção em nossa esquerda.

Junho e julho as greves de professorxs deram o tom da conjuntura política e para as direções partidárias valeu apenas manter a disputa de posições ou manter a discussão governista. No Paraná apanharam de forma brutal e em São Paulo foram ignorados, em todos houve muita mobilização.

E simplesmente perdemos o tempo certo de debater o projeto coletivo do lado de cá da sociedade que não é alinhada ao capitalismo, que quer as bases de uma nova sociedade, mas está onde não deveria estar mais, acuada.

Nem me venham com essa, os teóricos acadêmicos da nossa esquerda dizer que não estamos acuados. Nos tribunais, nas universidades públicas, enfim, nos pilares desse bloco histórico a formação dos dirigentes dessa hegemonia seguem firmes e agora disputam as ruas, firmes também.

Não me venham com essa de que estou "valorizando" e "temendo" a quantidade de pessoas e lugares, sim estou vendo o movimento real de uma força política que esperava ter derrotado (em parte) via eleitoral em 2002 e esperava construir as bases para avançar o projeto coletivo e popular de Brasil pós neoliberalismo.

Não é o que está havendo, e o medo está voltado na sua pior forma. Falta ressuscitar a Hebe para completar.

O PT tem a obrigação de não ceder, deveria ter se manifestado em nome dos brasileirxs que não foram com a convicção de que o lado de lá pode sair as ruas, mas deve respeitar a democracia. Desculpe ao Instituto do grande líder do ABC, mas é preciso uma organização coletiva para expressar o que não somos e não aceitaremos por imposição dos que foram dia 16.08.

20 de agosto tem nova resposta a está conjuntura, nós lutadores estaremos lá de novo e novamente para dizer a presidenta de que estamos lá para defender o governo e o projeto popular (isso não inclui Levy, Katia Abreu, Kassab e cia..), porém  prazo da política é claro, sem gestos para os que lutam, fique então com Renan e os coronéis, porém não nos peça nada. Escolhas tem consequências. 

A quinze anos atrás quem determinava o "medo" eramos nós. Reunidos com lutadorxs de outras parte do planeta conseguíamos através do Fórum Social Mundial ousar em dizer não aos desmandos do capital, Davos cercada não dormia tranquila nos alpes suíços e uma massa de gente boa, lutadora e classista partia de todos os cantos e com todos os cantos para dizer que o lado de cá quer o fim do capital e não da humanidade.

O medo que criávamos era contra o capital e seus representantes. No imaginário nossas bandeiras eram uma só, colorida e alegre, ao ponto desses mesmos capitalistas dizerem: "Estão fodidos e ainda assim felizes?!", sim fodidos pelo capital e alegres com o novo mundo que queremos construir.

Quero poder voltar a essa disputa. Não estarei no dia 20 de agosto defendendo o governo, mas sim a democracia, o anticapitalismo e os direitos humanos necessários neste país.

Wagner Hosokawa

ps.: A tendência interna do PT a que pertenço, a Esquerda Popular Socialista (EPS) teve a coragem de se posicionar sobre os efeitos dessa conjuntura que culminou nos atos de ontem e assim a reproduzo abaixo.

DIREITA BRASILEIRA HEGEMONIZA INSATISFAÇÃO DE SETORES MÉDIOS

As manifestações de 16 de agosto de 2015 consolidaram sua direção política.

Aquilo que era lateral,marginal e minoria nas mobilizações anteriores, adquire foro de hegemonia política nesse final de semana: intolerância, xenofobia, machismo, homofobia, anticomunismo, pregação aberta da violência misógina contra Dilma Rousseff etc. A leniência com corruptos notórios, em nome do combate à corrupção foi o dobre de finados do falso moralismo. Invocar Eduardo Cunha como ícone da moralidade pode enterrar, de vez, a farsa desse tipo de manifestantes.
O que era bizarro tornou-se comum.
É preciso demonstrar que as lideranças tucanas, demistas e afins que atuaram nesse esforço golpista do dia 16 de agosto, perfilaram com toda a bizarrice acima denunciada. Identificaram-se com a apologia da violência contra a presidenta Dilma e com sua condição feminina. Com a intolerância religiosa expressa por lideranças extremistas de evangélicos e católicos presentes. Com o preconceito generalizado em relação aos pobres beneficiários de programas governamentais, à população nordestina, à população LGBT etc., algo acumulado ao longo desses últimos meses.
A diversificada insatisfação de massas no país, reunindo múltiplos motivos que vão desde demandas locais, municipais, regionais, estaduais convergindo para o Palácio do Planalto, tudo isso perde força não só quantitativamente, mas também qualitativamente.
Associar a imagem dessas lideranças políticas aos “cartazes” do ódio é uma tarefa a ser assumida abertamente pelo Partido.
A militância, seja nas ruas, seja nas redes sociais da internet, está disposta a fazer isso. Mas, precisa ter um estímulo político e ideológico. Cartazes dizendo que os ricos é que têm que estar no poder, que Dilma Rousseff deveria ter sido enforcada no Doi-Codi, que é preciso intervenção militar são coisas que devem ser coladas às imagens de tucanos e demistas. No entanto, isso será feito de forma fragmentária se o Diretório Nacional do PT, demais instâncias dirigentes, nossos setoriais e nossas bancadas parlamentares (em todos os níveis) não assumirem isso enquanto diretriz.
O ato do dia 20 tem importância crucial. O PT, respeitando a dinâmica, a pauta e a organização do citado ato, deve incentivar – institucionalmente – a manifestação. E deve apoiar abertamente a demanda social de mudança da política econômica.
Aliás, a chacina de Osasco e região, que recentemente vitimou duas dezenas de jovens trabalhadores, deve também constar no quadro de denúncias e exigência de que o governo estadual de São Paulo apure as responsabilidades. Sobretudo pelo fato de que há fortes suspeitas de envolvimento de agentes políciais motivados por vingança no lamentável episódio.
Nesse sentido, urge uma decisão política e sua materialização na capilaridade partidária. Em hipótese alguma, o declínio da direita nas ruas pode servir de pretexto para baixarmos a guarda!


Brasília, 17 de agosto de 2015
Comissão Executiva da Direção Nacional da EPS

sábado, 25 de julho de 2015

Vito Giannotti - movimento operário na ditadura militar #QuintasResistentes

Perder um amigo é motivo de grande tristeza, imagine um companheiro imprescindível para classe trabalhadora.

Este companheiro que pude conhecer nos cursos de formação promovidos no Espaço Cultural Florestan Fernandes, mandato do companheiro Albertão, estes espaços que tentamos das nossas maneiras manter vivos. Vito com esse sotaque italiano forte e sem meias palavras merece todo nosso respeito, homenagem e viva a luta (e a memória) da classe trabalhadora.

Valeu Vito, seguimos seu exemplo e sua luta!


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Uma semana agitada que começou com vitória e terminou num golpe!




É assim que começou esta semana, atos em Brasília com milhares de pessoas - principalmente jovens que conhecendo o Brasil foram marchar, cercar e buscar convencer o Congresso Nacional de que a redução da idade penal que jogará adolescentes na cadeia não é a solução.

O mito ou melhor a farsa com que jogam as maioria dos deputados (as) que apoiam a medida é justamente para ocultar a corrupção que joga nossos adolescentes a margem, no canto frio e úmido dessa sociedade.

Querem encobrir suas corrupções, pequenas ou grandes. Deveriam criar vergonha na cara e debater os recursos cortados da educação, o aumento do PIB em nossa educação ou aprovar com urgência o PNE (Plano Nacional de Educação), mas não preferem cadeias e não escolas.

Cunha, um deputado medíocre que tem mania de querer ser rei do Congresso humilha a República e faz da Casa de Leis, uma Casa Sem Leis. Derrotado na votação do projeto, com uma manobra noturna recoloca projeto de mesma intenção (reduzir a idade) em votação e aprova de forma canalha.

Aos que aplaudem cuidado. Os palhaços são vocês. Usados num jogo torpe e sem nexo a redução virou arma contra o governo federal, assim como muitos direitos civis que estão ameaçados.

Se o vagabundo Cunha levar a última consequência os seus atos, ele que se prepare, porque parte da nação não  irá aceitar de forma dócil sua canalha e a corja que o segue.

Boa leitura! 

Segue matéria do Jornal Brasil de Fato sobre a questão.  

Parlamentares vão à Justiça contra aprovação da PEC 171 e conduta de Cunha


Grupo suprapartidário vai ao STF pedir anulação da sessão da PEC 171 e também vai questionar judicialmente atos do presidente da Câmara desde que assumiu o cargo.
03/07/2015
Por Hylda Cavalcanti

 
Molon: "Vamos mostrar que Cunha está adqurindo o hábito de levar as votações à exaustão" | Foto: W. Dias/ABr
 
























Um grupo suprapartidário de 60 deputados decidiu, em reunião na tarde de quinta-feira (2), elaborar um mandado de segurança a ser interposto na segunda-feira (6) no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da sessão que aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171, na Câmara. A PEC trata de redução da maioridade penal. Os parlamentares também vão estudar uma possível medida judicial, restrita à conduta do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por quebra regimental.

Em paralelo, o grupo vai trabalhar para ampliar a mobilização das entidades da sociedade civil contra a redução da maioridade penal e se articular com o Senado para alterar o teor da PEC, caso não haja mudança na votação em segundo turno na Câmara.

Fazem parte do grupo, entre outros, Alessandro Molon (PT-RJ), Glauber Braga (PSB-RJ), Henrique Fontana (PT-RS), Paulo Rocha (PT-SP), Paulo Teixeira (PT-SP), Ivan Valente (Psol-SP), Chico Alencar (Psol-RJ), Jandira Feghali (PCdoB- RJ), Erika Kokay (PT-DF) e Paulo Pimenta (PT-RS)

Segundo Alessandro Molon (PT-RJ), o trabalho dos deputados terá de ir além da questão que envolve a PEC 171. “Vamos mostrar ao STF que o presidente da Câmara está adquirindo o hábito de levar as votações à exaustão, por meio de emendas aglutinativas que são apresentadas e apresentadas até serem aprovadas da forma como ele quer. Se ficar assim, ficará comprovado que, neste parlamento, quem detiver a atenda terá sempre o poder e isso não é compatível com um ambiente democrático”, disse.

Molon ressaltou que o documento será construído “sem pressa”, mas no sentido de mostrar que o atual presidente da Câmara fere a democracia e rasga a Constituição e o regimento interno da casa.

O deputado Henrique Fontana disse que não há mais como admitir a postura de Eduardo Cunha e que o que se viu na última sessão representa forte prática casuística. “O presidente desta casa tem sido muito arrogante na conduta dos trabalhos legislativos e age como quem quer ser o dono do plenário. Só se pode explicar suas atitudes a partir do autoritarismo de quem não é capaz de respeitar um resultado e comete ilegalidades”, ressaltou.

"A sessão foi uma farsa", disse Glauber Braga, acrescentando: “Temos de discutir a redução dos critérios mínimos de democracia no parlamento. É um hábito nocivo e degradado esse de se armar um golpe ao regimento da Câmara e à democracia”.

Guerra declarada

A reunião dos deputados representou uma espécie de guerra declarada ao grupo liderado hoje por Eduardo Cunha, formado em grande parte por setores mais conservadores do Congresso, sobretudo as bancadas que representam os evangélicos e o empresariado. Cunha disse que está em ação uma estratégia do PT para “sabotar” a articulação política que tem sido coordenada pelo vice-presidente Michel Temer (do PMDB) e as queixas dos deputados sobre o resultado da sessão desta madrugada representa “choro de perdedores”.

“Isso é choro de quem não tem voto, de quem está entrando em agenda que não é da sociedade. Não é à toa que o governo está indo para 9% de popularidade e está do mesmo tamanho de quem apoia a manutenção da idade penal”, alfinetou, ao criticar a base aliada e o governo numa única declaração.

O presidente da Câmara disse que vai procurar Temer para sugerir que ele deixe a missão recebida pela presidenta Dilma Rousseff de tocar a articulação política no Congresso. Acrescentou que, a seu ver, a postura dos deputados da base aliada de criticá-lo (Cunha) e de obstruírem sua atuação legislativa configura-se em “clara maneira de sabotar o trabalho do vice-presidente por parte do PT”.

A saia justa já resultou numa declaração feita pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva. Ele afirmou que o presidente da Câmara tem todo o direito de se posicionar da forma como quiser, como é prerrogativa de todo regime democrático, mas o vice presidente Michel Temer “tem papel fundamental na governabilidade do país”.

'Base partidarizou'

Para o autor da emenda aglutinativa que limitou ainda mais a redução da maioridade penal – e, com isso, levou 24 deputados a mudarem seus votos, resultando na virada de jogo que aprovou a PEC (depois de ter sido rejeitada na véspera), o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), a derrota dos que são contrários à redução deve ser computada ao governo, porque “a base aliada se comportou de forma partidária e não levando em consideração o que acha a maioria dos deputados que a integram”.

Rosso, que trabalhou para reduzir a maioridade, lidera na casa o partido de Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e atual ministro das Cidades – pasta tida como uma das mais prestigiadas e influentes do atual governo.

“Esta deveria ter sido uma votação do foro intimo de cada parlamentar, porém, o governo encaminhou ao contrário da grande maioria de sua base. O líder do governo tinha que ter liberado a bancada, já que grande parte dos partidos da base se posicionou favorável à redução”, acentuou Rosso, em crítica ao líder José Guimarães (PT-CE).

Guimarães, que não comentou a fala do líder do PSD, contou que apelou para que a votação fosse suspensa com o intuito de se construir um texto de consenso e chamou a atenção para o bom senso dos parlamentares. “Fiz um apelo, para evitar exatamente que uma discussão sobre um tema tão importante para o país fosse feita com tamanha dureza. Essa proposta foi rejeitada e a matéria foi votada num clima de esticar a corda. Isso não é bom para o parlamento”, destacou.

O atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que a quebra de normas regimentais termina por passar fragilidade e insegurança no processo legislativo. “Se aceitarmos essa interpretação do regimento, estaremos abrindo precedentes onde nunca mais aprovaremos nada que alguns não concordam, porque farão votações intermináveis para atender à vontade deles”, avaliou. O assunto continua sendo o principal foco das discussões de hoje no Congresso.

Rejeição ou insuficiência?

A confusão que está instalada se deu porque, na votação da segunda sessão que apreciou a PEC 171, uma emenda aglutinativa considerada quebra de regimento por parte dos que são contrários à redução da maioridade penal foi incluída na pauta. A emenda terminou sendo aprovada por 323 votos favoráveis e 155 votos contrários. O placar mostrou que, por conta da emenda – que alterou o texto apreciado na véspera e restringiu a redução da maioridade apenas para casos os casos de crimes hediondos (estupro, sequestro e latrocínio) – 24 deputados decidiram mudar seus posicionamentos e passaram a apoiar a aprovação do texto, o que levou à virada.

Os parlamentares que criticam a atitude consideram que, pelo fato de o assunto já ter sido votado e encerrado na sessão da madrugada de ontem, a emenda deveria ter sido considerada prejudicada e ter sua inclusão na pauta considerada proibida. 
A brecha encontrada pelo grupo liderado por Eduardo Cunha foi o fato de que, como a matéria em questão é uma PEC, a votação anterior, não foi rejeitada, e sim, deixou de ter os votos necessários considerados suficientes para que fosse aprovada. motivo pelo qual consideram que caberia, então, a emenda.

Na sessão anterior, a PEC teve 303 votos favoráveis (eram necessários 305) e 184 votos contrários.