sábado, 19 de março de 2016

Democracia. É isso que representou dia 18 de março. As imagens falam mais que as palavras!


lutemos, hoje, amanhã, sempre! A vida exige isso, é o sentido da vida.


Créditos das fotoso abaixo: Jornalistas Livres








segunda-feira, 14 de março de 2016

"Grândola, Vila Morena", sempre a democracia. Não recuaremos!



"(...) Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena (...)"
Zeca Afonso

Porque me toca e choro ao ouvir na voz de Zeca Afonso, Nara Leão, Chico Buarque e tantos e tantas vozes, vai ver porque é a mesma emoção dos portugueses quando venceriam a ditadura civil-militar durante da "revolução dos cravos" que castigava Portugal ou agora em nosso novo século o povo que calou o ministro português diante de um parlamento paralisado diante das vozes contra o nefasto capitalismo mundializado.

Democracia, é isso que significa ouvir e chorar ao sentir que o momento exige que se retome para vida o seu sentido. Sentido real, ideal e verdadeiro. Sentido a palavras que ficaram em desuso como emancipação, liberdade, coerência, ideais...

Não basta mandar as pessoas estudarem a história, é preciso ensina-lá.

Não basta a "luta livre" das redes sociais virtuais, é preciso reatar e fortalecer as relações de nossa classe.

Em tempos de homens partidos, a busca da unidade. Possível e necessária.

Romper com poucos interesses para defender interesses coletivos.

Se ainda choro é porque em mim não morreu aquela vontade de gritar bem alto: Democracia!

Democracia que te quero mais, renovada, ampla e distributiva - igual - nem menos e nem mais.

"Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade"

A democracia vive horas decisivas em nosso país.

Pela Legalidade Democrática
Fórum 21 convoca a intelectualidade brasileira à defesa da democracia, contra o golpe


A democracia vive horas decisivas em nosso país. 


O ar empesteado de avisos da véspera, lubrificados pelo Jornal Nacional, e pelas manchetes desta fatídica 6ª feira, 4 de março de 2016, desdobrou-se na ruptura longamente cevada, desde outubro de 2014. 

Os agentes da PF chegaram a residência do ex-presidente Lula e o levaram sob condução coercitiva. Praticamente sequestrado: durante horas não havia notícia oficial de seu paradeiro, com a desculpa de se evitar manifestações, ou seja, parecem temer o povo ou a democracia. 

A revanche dos interesses derrotados nas eleições presidenciais do ano passado desfechou assim seu bote final contra a soberania das urnas. 


Dê-se a isso o nome que se quiser dar. 

Os acontecimentos das últimas horas, a obscena sintonia entre a mídia e a polícia partidarizada, falam por si. 

O pudor e as aparências foram sacrificados em nome do que importa: a caça implacável à Lula, apontado pelo Datafolha, no início desta semana, o melhor presidente da história deste país, por 37% dos brasileiros 


É impossível levar a cabo o projeto de restauração neoliberal preconizado pelos grandes interesses do dinheiro local e estrangeiro, com um estorvo que detém esse trunfo na urna. 

Não se trata da pessoa do ex-presidente. 

O que foi sequestrado neste 4 de março de 2016 é o que ele representa em carne e osso – com todas virtudes e limitações da carne e do osso humanos. 

Os pilares erguidos desde 2003, na construção da grande ponte de acesso dos brasileiros aos direitos da civilização e da democracia social, estão sendo demolidos. 

A caça a Lula, consumada agora, é a parte mais explosiva dessa faina demolidora, edulcorada de cruzada ética pela narrativa dominante. 

O Fórum 21 nasceu como um espaço ecumênico de aglutinação da inteligência brasileira. 

Reúne todos aqueles empenhados em contribuir para a construção da frente democrática e progressista em formação no país. 

Não podemos subestimar o que temos pela frente a partir de agora. 

O assalto em curso visa a democracia, as lideranças que dificultam a subordinação radical do país aos interesses rentistas e, em última instancia, sonegar um futuro melhor ao povo brasileiro. 

O ataque desfechado por José Serra esta semana às maiores reservas de petróleo descobertas no século XXI ilustra a força motriz desse mutirão. 


Dilapidar o pré-sal e o potencial que ele representa em direitos e autonomia econômica simboliza o modelo que eles querem vestir a fórceps no país. 

Isso não se faz sem o uso da força. 

Reacende-se a velha fornalha que incinerou ou tentou incinerar governos, soberania e direitos em 1932, 1954, 1962, 1964, 1989 … 

Hoje, como das vezes anteriores, vivemos uma transição de ciclo de desenvolvimento. 

Esgotou-se um capítulo do crescimento brasileiro. 

Outro precisa ser construído. 

A complexidade da travessia consiste no fato de que o velho já não atende às necessidades nacionais, mas o novo ainda não se estruturou para servi-las. 

Estamos na soleira de escolhas cruciais na vida de uma nação. 

O passo seguinte terá como bússola a solidez econômica voltada para atender as necessidades e urgências do nosso povo? Ou o país, seu parque fabril, seus recursos e seu gigantesco mercado de massa serão reduzidos a um anexo de interesses dissociados das urgências nacionais? 

É isso que está em jogo nas horas que rugem. 

Para resistir não basta a emoção. 

É preciso organização --local, regional, nacional. 

É preciso impulsionar uma espiral ascendente de mobilizações, consistentemente preparadas. 

O Fórum 21 conclama seus integrantes, o mundo acadêmico e todos os intelectuais brasileiros a cerrarem fileira ao lado da democracia. 

Não apenas para resistir. 

Mas para fazer dessa resistência uma ponte de repactuação da nossa riqueza e do nosso potencial, com o potencial e a riqueza do nosso povo. 

Esse é o sentido das reuniões que o Fórum 21 convocará em seguida, para discutir o novo degrau do golpe, a crise econômica, a partidarização da justiça e a manipulação do discernimento social pela mídia. 


Essa maratona não se confunde com uma tertúlia acadêmica. 

Trata-se de aglutinar a inteligência brasileira para refletir e agir. 

E isso significa, entre outras coisas, levar a círculos amplos da população a verdadeira natureza do embate que se acirra e se acelera. 

O embate entre um projeto de sociedade para 30% de sua elite; ou a árdua luta pela construção de uma verdadeira democracia social no Brasil. 

Em breve, a agenda de encontros do Fórum 21 nas universidades e capitas brasileiras será divulgada. 

Todos nós sabemos de que lado devemos marchar. 

Trata-se agora de exercer integralmente esse discernimento juntando forças na trincheira ecumênica do Fórum 21 e de outras iniciativas democráticas em curso. 

Resistir ao golpe para construir um Brasil mais justo e soberano: essa é a tarefa para a qual a História nos convoca nesse momento. 

Só podemos cumpri-la juntado forças em torno da nossa maior arma: a palavra engajada. 



Assinaturas: 


Alexandre Rocha Padilha - Secretário Municipal de Saúde de São Paulo
Alipio Freire - Militante político
Altamiro Borges - Jornalista
Andrea Loparic, professora de Filosofia/USP
Andrei Koerne - Professor de Direito do Largo São Francisco - USP
André Vitor Singer - Professor da FFLCH-USP
Anivaldo Padilha - Presidente do Fórum 21
Arlete Moysés Rodrigues, professora/Unicamp
Bernardo Kucinski - Professor aposentado de comunicação da USP e Escritor
Breno Altman - Jornalista
Carlos Eduardo Fernandez Da Silveira
Carolina Maria Pozzi de Castro, professora/UFSCar
Claudineu De Melo - Advogado
Clemente Ganz Lucio - Diretor do DIEESE
Eduardo Fagnani - Professor de Economia da UNICAMP
Erminia Maricato - Professora de Arquitetura da USP
Fabio José Bechara Sanchez - Professor de Sociologia da UFSCAR
Fernando Morais - Escritor
Flavio Wolf Aguiar - Professor e Jornalista
Francisco César Pinto Fonseca - Professor de Ciência Política da FGV
Fábio Konder Comparato - Jurista
Gabriela Calazans, professora (Santa Casa)
Georgia Haddad Nicolau - Jornalista
Gerson Sobrinho Salvador De Oliveira - Médico
Gilberto Bercovici - Professor de Direito do Largo São Francisco - USP
Gonzalo Berron - Economista
Guilherme Santos Mello - Professor de Economia da UNICAMP
Igor Fuser - Jornalista e Professor de Relações Internacionais da UFABC
Jean François Germain Tible - Professor de Ciência Política da USP
Joaquim Calheiros Soriano - Diretor da Fundação Perseu Abramo
Joaquim Ernesto Palhares - Secretário Político do Fórum 21
José Luiz Del Roio - Militante Político
José Reinaldo Carvalho - Jornalista
José Ricardo Maciel Kobayaski - Professor
Kenarik Boujikian - Desembargadora do TJSP
Ladislau Dowbor - Professor de Economia da PUC-SP
Laura Capriglione - Jornalista
Laurindo Leal Filho - Professor de Comunicação da ECA-USP
Leda Paulani - Professora de Economia da USP
Lucas Baptista De Oliveira - Mestrando da UNICAMP
Lucius Provase - Professor de teoria literária
Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo - Professor de Economia da UNICAMP e FACAMP
Luiz Kohara, arquiteto e urbanista
Léa Maria Aarão Reis, Jornalista
Magda Barros Biavaschi - Desembargadora aposentada do RS
Marcelo Brandão Ceccarelli - Mestrando da UNICAMP
Marcio Pochmann - Presidente da Fundação Perseu Abramo e membro do Fórum 21
Maria Alice Vieira - Membro do Fórum 21
Maria Inês Nassif - Jornalista e Membro do Fórum 21
Maria Luiza Flores da Cunha Bierrenbach
Maria Rita Garcia Loureiro Durand - Professora de Ciência Política da FGV
Martonio Mont'Alverne Barreto Lima, jurista
Nuno de Azevedo Fonseca, professor FAU/USP
Paulo Roberto Salvador - Jornalista
Pedro Paulo Zahluth Bastos - Professor de Economia da UNICAMP
Pedro Rossi - Professor de Economia da UNICAMP
Reginaldo Mattar Nasser - Professor de História da PUC-SP
Reginaldo Moraes - Professor de Ciência Política da UNICAMP
Ricardo Guterman - Servidor da Assembleia Legislativa de SP
Ricardo Musse - Professor de Sociologia da USP
Rodrigo de Luiz Brito Vianna - Jornalista
Rosa Maria Marques - Professora de Economia da PUC
Rubem Murilo Leão Rêgo - Professor de Ciência Política da UNICAMP
Silvio Angrisani Caccia Bava - Jornalista
Socorro Gomes - Presidenta do Conselho Mundial da Paz
Tais Ramos - Advogada e professora de Ciência Política
Vera Soares - Professora
Vicente Carlos Y Pia Trevas - Sociólogo
Vicente Trevas, Sociólogo
Wagner Nabuco de Araujo - Jornalista
Walfrido Jorge Warde Jr - Advogado
Walquiria Gertrudes Domingues de Leão Rego - Professora de Ciência Política da UNICAMP

terça-feira, 8 de março de 2016

Lava Jato e Mãos Limpas: diferenças e semelhanças (justiça seletiva?)

Lava Jato e Mãos Limpas: diferenças e semelhanças

SAB, 05/03/2016 - 10:51
ATUALIZADO EM 05/03/2016 -
http://jornalggn.com.br/noticia/lava-jato-e-maos-limpas-diferencas-e-semelhancas 13:51

Por Edú Pessoa
A Operação Mãos Limpas (em italiano, Mani Pulite) tem diferenças e semelhanças com a Lava Jato brasileira, embora ambas tenham sido criadas com o intuito de desestabilizar a política dos dois países - Itália e Brasil - criando um novo arranjo político-institucional.
DI PIETRO E MORO
Di Pietro e Moro são os concurseiros com a cara do golpismo moderno. Di Pietro estudou Direito na Universidade dos Estudos de Milão e em 1981 se tornou juiz da comarca de Bergamo (região norte da Itália), após aprovação em concurso público.
Quatorze anos depois, Moro, hoje o titular da Lava Jato, também se forma em Direito pela Universidade Estadual de Maringá, fundada por seu pai, Dalton Moro, e se torna juiz federal da 4ª região (Paraná) em 1996, após aprovação em concurso público de 4 fases.
ORIGEM DA MÃOS LIMPAS
A Mãos Limpas começou na cidade de Milão, nos anos 90, com 4 juízes e 2 procuradores atuando na operação. O juiz titular da Operação era Antonio Di Pietro. Coincidência (ou não) o juiz titular da Operação Lava Jato também tem um sobrenome de origem italiana: Sergio Moro.
Mãos Limpas seria um prosseguimento da investigação contra o Banco Ambrosiano, instituição financeira privada criada por padres italianos, acusada de realizar operações ilegais da Loja Maçônica P2, do Banco do Vaticano e da máfia. As operações ilegais do banco podem estar por trás da estranha morte do Papa João Paulo I (que queria aprofundar as investigações nas finanças do Banco do Vaticano).
O banco também foi usado pelos norte-americanos contra o Contras da Nicarágua e o Sindicato Solidariedade da Polônia, como forma de patrocinar conflitos e golpes nesses países (em virtude da ascensão dos governos de esquerda e a "guerra" contra o comunismo).
SEMELHANÇA DO AMBROSIO COM O BANESTADO
Muito parecido com o Ambrosio é o caso do Banestado, banco público paranaense (depois privatizado no governo FHC), usado para lavar dinheiro e levar recursos para paraísos fiscais. Moro também foi o juiz responsável pela operação judicial que investigava a ida ilegal de dinheiro para o exterior, através das contas CC5. Os recursos ilegais foram fruto das privatizações e acordos espúrios, ocorridas durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique.
A CAÇA A NOMES NACIONALISTAS
Enquanto hoje, Moro caça Odebrecht, Pessoa e outros nomes da engenharia nacional, Di Pietro, no seu tempo, prendeu o engenheiro e membro do Partido Socialista Italiano (PSI), Mario Chiesa. Chiesa, preso e torturado por Di Pietro, revelou um suposto esquema de uso de contas na suiça para desvio de recursos públicos.
É ou não é a cara da história do Triplex do Lula e do suposto uso de "offshores" pelo ex-presidente?
Falando em Triplex, a operação italiana também representou uma verdadeira caçada a líderes de esquerda em todo o país, incluindo Bettino Craxi, líder do PSI. O PSI ganhou eleições importantes, como as de Roma e vinha crescendo na preferência do eleitorado.
É possível traçar (guardadas as proporções entre os sistemas políticos-eleitorais italiano e brasileiro) um paralelo com a ascensão do PT após 2003, cujas vitórias sucessivas culminaram em um conjunto de ações midiáticas e judiciais para tirá-lo do poder.
A caçada da Mãos Limpas contra Craxi (que morreu durante as investigações) é a mesma que fazem hoje contra Lula, perseguido politicamente por Moro et caterva de forma implacável.
DI PIETRO, MORO E A OPINIÃO PÚBLICA
O apoio da imprensa foi fundamental para que a população italiana apoiasse as ações guiadas de Di Pietro. Prova disso foram as pesquisas de sondagem, feitas durante a operação, que mostravam o juiz com mais de 80% de aprovação, o que pavimentou seu caminho para a política. Recebeu tratamento da mídia italiana e da opinião pública de "herói", com direito a cartazes, faixas penduradas nas sacadas dos prédios e até "brindes".
Mais uma vez podemos traçar um paralelo com Moro, alçado pela opinião pública nacional e internacional, com apoio da velha mídia brasileira (e da mídia norte-americana), à condição de herói. Uma publicação norte-americana retrata Moro com a roupa dos "caça fantasmas", sugerindo seu "combate à corrupção". PHA mostrou que a revista tem FHC no conselho editorial, mas a mídia tupiniquim escondeu esse (importante) detalhe.
No Brasil, Moro é admirado pela velha mídia e pelos coxinhas. Da Globo, recebeu o prêmio "Faz a Diferença", prêmio também recebido por Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, pelos serviços prestados à Casa Grande. Dos coxinhas, recebe flores, tira fotos e posa de "popstar" nos poucos lugares em que apareceu publicamente. E não só: usa palestras, mobilizando a classe média para legitimar o golpe institucional via Judiciário.
AS ESTATAIS DE PETRÓLEO
Muito se fala do rearranjo político, promovido pela Mãos Limpas (Di Pietro largou a magistratura para se dedicar a política e fundar um partido), mas pouco se fala das consequências dessa operação para a estatal de petróleo daquele país: a AGIP. Criada em 1953 (mesmo ano da Petrobrás), a AGIP (sigla para Azienda Generale Italiana Petroli ou Empresa Pública Italiana de Petróleo) era uma estatal do ramo do petróleo, com capital 100% público e controlada pelo governo italiano.
O envolvimento da estatal na operação, supostamente usada para desviar recursos para financiamento ilícito de partidos políticos, acabou gerando como consequência política sua privatização, em 1995, adquirida pelo grupo ENI, da qual manteve apenas o antigo logotipo (o cão com 6 patas que cospe fogo sob o fundo amarelo e letras na cor preta).
A Petrobrás, do mesmo ano da AGIP, também foi alvo de ações semelhantes na Lava Jato, ao ter sido colocado no olho do furacão, acusada de ser usada para financiar campanhas eleitorais de Dilma Rousseff, através da irrigação em contas dos empreiteiros nacionais.
As acusações envolvendo a estatal brasileira vão além de um mero combate à corrupção, mas servem de base para ações contra o PT no TSE, promovidas pelo PSDB, e álibi para justificar sua privatização. É comum ouvir da boca de parlamentaristas oposicionistas de que a Petrobrás está sob "má gestão", "corrupção", "rapina", etc.
Qualquer semelhança com a AGIP não é mera coincidência...
OS EUA E OS PARTIDOS DE ESQUERDA
A guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética (atual Rússia) nos anos 50-80, foi o pano de fundo para uma caça a partidos e líderes identificados com as ideias de esquerda.
A Mãos Limpas isentou o Partido Comunista Italiano (PCI). O partido capitalizou politicamente com a Mãos Limpas e vários de seus líderes aproveitaram a investigação para blindar do sentimento anticomunista, garantido assim apoio popular com a veiculação de discursos e trechos de seus líderes, a favor da investigação (um pouco como o que o PSDB faz hoje com a Lava Jato).
Prova disso é que o PCI, anos 70, foi considerado o maior partido de esquerda da Europa. Dentro da Itália, fez contraponto à Democracia Cristã, principal força política do país até então.
Com uma visão próxima da social-democracia (hoje praticada pelo PT), Enrico Berlinguer, então presidente do partido, propôs um "compromisso histórico" dos comunistas com os cristãos, a fim de unir o país. Mas o acordo acabou não se concretizando, por causa da morte do líder cristão e ex-primeiro ministro Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas.
E onde os EUA entram nisso? Ora, a morte de Aldo pelos Brigadas Vermelhas foi patrocinada pelos EUA, através de grupos clandestinos situados na OTAN, chamados "Stay Behind". Na Itália o nome do grupo era Gladio, supervisionado pela CIA. A morte de Aldo foi exatamente impedir a ascensão e a vitória dos comunistas no poder. 
No Brasil, a coisa anda de um jeito diferente: a Lava Jato não é capitalizada pelo partido de esquerda no governo, o PT, mas sim pela oposição, capitaneada pelo PSDB e que sofre com a falta de propostas, militância política e votos e identificação dos eleitores (principalmente os mais humildes) com suas plataformas privatizantes.
Contudo, o objetivo da Lava Jato é o mesmo da morte de Aldo: enfraquecer o PT no poder e minar qualquer possibilidade de união entre as forças antagônicas nacionais, fortalecimento da soberania nacional e crescimento do nosso processo econômico.
As pegadas norte-americanas apareceram através de investigação de blogueiros, mostrando a relação entre empresas donas do Triplex em Parati com a Monsak Fonsesa, offshore que financia golpes e atentados terroristas no mundo todo, sob coordenação do governo norte-americano.
O RESULTADO POLÍTICO DA MÃOS LIMPAS E AS LIÇÕES DA LAVA JATO
Não sabemos ainda as consequências da Lava Jato para o futuro do país, mas alguns indícios mostram que ela produziu efeitos catastróficos na economia: queda do PIB, redução dos contratos de grandes obras, desemprego nas áreas de engenharia pesada, entre outros. Na Operação Mãos Limpas, uma das principais consequências foi a pavimentação da carreira política de Di Pietro.
Em 1997, abandonou de vez a magistratura e assume a carreira política. Primeiro pelo centro, mas recebeu convites da direita (como do empresário e político Silvio Berlusconi). Três anos depois, DI Pietro funda o "Itália de Valores", classificado como um partido autônomo, com orientação "nem de esquerda, nem de direita".
Estranho, mas a Rede me lembra muito esse Itália de Valores?
Não sabemos ainda se Moro irá galgar carreira política após a Lava Jato. O fato concreto é que além da privatização da estatal de petróleo, a Mãos Limpas acabou rachando politicamente o país. Hoje, os italianos amargam PIBs negativos, como resultado da vinculação à política neoliberal norte-americana, muito fruto desse racha e do enfraquecimento de suas estatais, por força da operação judicial.
A lição para a Lava Jato é a seguinte: sair do ciclo vicioso requer diálogo e consenso para superar a crise política e econômica. Com a prisão de Lula hoje, será que o Moro ajudou a "rachar" o país, como a morte do outro Moro, o ex-premier italiano?
A conferir...

08 de março, a luta não pará.

manifestação

GLOBO CENSURA. EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Quando o minimo de liberdade for cerceada, isso exige força contra essa opressão e ditadura do capital financeiro.
boa leitura e apoie o direito de divergir!



GLOBO CENSURA. EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

LIGADO .


Nós, abaixo-assinados, vimos a público repudiar o autoritarismo das Organizações Globo, responsáveis por mais um ataque frontal à liberdade de expressão ao lançar mão da judicialização da censura para intimidar blogueiros e jornalistas que investigam o caso do triplex em Paraty que, segundo uma fiscal do ICMBio, pertenceria à família Marinho, uma das mais ricas do Brasil. A informação foi divulgada pela agência Bloomberg, em 2012, e replicada pelo site UOL e pela revista CartaCapital.

Veículos como O Cafezinho, Tijolaço, Diário do Centro do Mundo e Rede Brasil Atual aprofundaram as investigações nas últimas semanas e, estranhamente, receberam notificações extrajudiciais por publicarem reportagens e artigos sobre o suntuoso imóvel , construído em área de proteção ambiental. Os blogueiros também apontaram as suspostas ligações dos Marinho com a Mossack Fonseca, empresa multinacional investigada por ser especialista em abrir off-shores. A repercussão desagradou a empresa monopolista, que ordenou a retirada dos conteúdos do ar.

O expediente adotado pela Globo, no entanto, revela uma estratégia comumente aplicada a quem ousa desafiar seus interesses: a ação judicial, com o fim de intimidar e sufocar, financeiramente, os que ameaçam – ou expõem – seu império.

Além de ferir o direito fundamental da liberdade de expressão, as Organizações Globo também evidenciam sua ojeriza e intolerância para com as mídias alternativas. A ideia de que haja diversidade e pluralidade de vozes na mídia brasileira - inscritas em nossa Constituição -, ao que parece, desperta a ira dos proprietários da emissora. Também, pudera: com denúncia de sonegação fiscal na casa do bilhão, a empresa certamente tem muito mais que um triplex a esconder.

Como em dezenas de casos de perseguição judicial a blogueiros e ativistas digitais, repudiamos a atitude censora da Rede Globo, talvez um resquício do período de sua ascensão econômica enquanto tentáculo midiático da ditadura militar. Afinal, ao tentar estrangular as mídias alternativas, a Rede Globo estrangula, também, a democracia.

O "ladrão de merenda" recebe apoio do "rouba mas faz" - tá tudo lindo em São Paulo


Maluf elogia honestidade de Alckmin e "lança" candidatura do tucano para presidente


web.infomoney.com.br
7 de março de 2016







Em evento realizado na manhã desta segunda-feira (7) em São Paulo, o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) elogiou bastante o governador Geraldo Alckmin e passou a encorajar o tucano a lançar sua candidatura para a presidência em 2018.


Apesar disso, Alckmin, ao falar na saída do evento, desconversou sobre o assunto e disse que “2018, três anos, com a situação política brasileira, são três séculos. Fica muito longe”. “Ninguém que é governador de São Paulo pode dizer que não é candidato a presidente”, disse Maluf, se dirigindo a Alckmin.


Segundo o deputado, o governador nunca pediu nada a ele, quando governador de São Paulo, que fosse para favorecimento pessoal. “Nesse momento por que passa o Brasil, São Paulo é um oásis de honestidade”, disse Maluf, acrescentando que pede a Deus que dê a Alckmin chances de galgar patamares maiores na política.


Maluf foi condenado na semana passada a três anos de prisão pela justiça francesa, por lavagem de dinheiro de 1996 a 2005. O deputado teve também bens no valor de 1,8 milhão de euros confiscados da conta de sua família. Suspeita-se que o dinheiro tenha origem no desvio de obras viárias em São Paulo.

Foto: Futura Press