terça-feira, 10 de outubro de 2017

Prefeito de Guarulhos privatiza serviços públicos em nome do lucro sobre as pessoas.

"Privatizaram sua vida, seu trabalho,
sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário.
E agora não contentes querem
privatizar o conhecimento,
a sabedoria,
o pensamento,
que só à Humanidade pertence."
Bertold Brecht
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O Projeto de Lei 4.865/17 aprovado pela Câmara de Vereadores na "urgência" representa, em versão menor, o tipo de gestor que o neoliberalismo tem produzido desde a década de 1990. Uma "nova" safra de gestores a serviço do lucro fácil permitindo que o setor privado se aproprie do que não lhe pertence e recebendo todos os benefícios já investidos com dinheiro público, pois, depois de bilhões e milhões de recurso público investido nas construções e demais melhorias, o setor privado ganha, prontamente, o lugar. 

Geralmente maquiando, tenta iludir a massa quanto a "mudanças" e "melhorias" dos serviços, quando o que está escondido é justamente a falta de concorrência para desempenhar aquele serviço, recebendo vultuosos recursos públicos as custas da população.
Nem me preocupo em apresentar o projeto, agora lei, porque não merece tempo nisso, se quiserem podem conferir no Diário Oficial do município na página 06 - já que nem no site do legislativo é possível obter (http://www.guarulhos.sp.gov.br/uploads/pdf/1803431241.pdf) analise e tire as suas conclusões. 

De qualquer forma, o projeto cita a lei federal (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8987cons.htm) que já é do governo FHC e permite a concessão e prestação de serviços públicos, ou seja, uma porta que foi aberta e não foi fechada na era dos governos do ex-presidente Lula e nem Dilma, e que manteve aberta o processo de privatização sobre o pretexto da "concessão" e do louvor ao setor privado.

Sobre os servidores públicos atuais sobrará a precarização e o não-investimento nas necessidades básicas do trabalho no atendimento à população, novos ataques como a não-realização de concursos para vagas necessárias nas áreas e imposição de derrotas às categorias nas campanhas salarias e de defesa dos seus direitos.

Nem entro no mérito da corrupção. Pois sabemos como o financiamento público alimenta o setor privado e devolve isso legalmente e em parte nas campanhas e apoios generosos a filantropia político-eleitoral e outros, ou seja, pior do que a corrupção é a forma usurpadora de drenar recursos do Estado para o privado e o financiamento desse modelo de projeto político.

Quem perde também, e sempre, é a população que pouco pode reivindicar diretamente com o governante, verdadeiro responsável pelo bem e serviços públicos, mas que se esquiva dos problemas no jogo de "empurra" para o setor concessionário.

Verdade seja dita, lições para esquerda. Não é novidade como esse projeto começará a operar e será a partir dos novos serviços a serem criados. Vejamos o governo do estado de São Paulo que é expert em conceder hospitais públicos estaduais e contratação precarizada nas ETEC's, qualquer semelhança não é mera tragédia. 

Também durante os governos do PT os novos serviços também foram concedidos sem um projeto especifico, apenas seguiu o roteiro da legislação de FHC, no caso do Hospital Pimentas-Bonsucesso gerido pela SPDM (Unifesp) e alguns PA's com a Santa Casa de SP, ou seja, do lado de cá, pouco a argumentar. Não digo que não tenha que resistir.

O tempo dirá o quanto perderemos enquanto Estado Democrático e de direitos universais e quanto sociedade civil. Resistir ainda é a única saída.

Certo é que as elites guarulhenses, suas representações política e econômica, estão em fina sintonia, basta ver a ausência de um debate sério na imprensa local, comportadinha e num claro alinhamento, onde antes essa subserviência do legislativo era um "crime contra democracia", agora parece gesto de "boa vontade". Nesse caso não são os valores que se invertem, mas os interesses que se confluem.   

Não nos espanta a baixa mobilização, a falta de retaguarda para que os servidores públicos pudessem se manifestar e uma certa apatia do período, com as reformas como a trabalhistas  e novas privatizações pronta para serem publicadas ainda mexem com a situação atônita que atinge a classe trabalhadora.

links:
10/10/2017 - terça-feira

Stap estuda entrar com ação
 judicial para revogar lei da privatização

Nosso Sindicato avalia entrar com ação na justiça para acabar com o Projeto de Lei 4.865/17, que foi aprovado nesta segunda (9) na Câmara Municipal de Guarulhos, em sessão extraordinária. O PL, que trata de terceirizações e privatizações de serviços, obras e bens públicos, foi aprovado em primeira e segunda discussão, depois de os vereadores discutirem e votarem mais de 40 emendas. 

Advogado do Stap, dr. Marcelo Mendes Pereira diz: “Vamos observar os fundamentos para entrar com uma ação judicial, a fim de que esse projeto, que fere a Lei Orgânica do Município, seja revogado”.

Histórico - Na calada da noite, Guti enviou o “pacotão” que desmonta o serviço público ao Legislativo. Desde então, o Sindicato se pôs contrário ao projeto, que dá margem à Prefeitura cobrar até entradas de parques municipais como o Bosque Maia, Zoológico e Parque Chico Mendes.

No dia 3 de outubro, o Stap convocou e mais de centenas de Servidores foram à Câmara para contestar contra o projeto que seria votado naquele dia, no entanto, a sessão foi cancelada.

Dois dias depois, na quinta (5) nosso presidente Pedro Zanotti Filho criticou o projeto na Tribuna Livre da Câmara: “O prefeito quer leiloar nossa cidade. Quer um cheque em branco. Quer transferir tudo à iniciativa privada”. No mesmo dia, o presidente do Legislativo, Eduardo Soltur (PSD) convocou a sessão extraordinária para a segunda (9).


Na quinta (5), nosso presidente fez critica ao projeto de privatização na Câmara 

O Stap seguiu com denúncias a “Operação Desmonte”, com ações nas redes sociais e conscientização da população. Na segunda (9), nosso advogado emitiu um parecer que aponta ilegalidades do projeto. Ele analisou: “Trata-se de regulamentação daquilo que se pretendeu com a odiosa lei de terceirização, mormente nas atividades do serviço público, que, todavia, data máxima vênia, não lhe é aplicável por força de mandamento Constitucional”. 

Depois de 16 horas de sessão, Câmara aprova projeto

Os vereadores da Câmara de Guarulhos aprovaram o substitutivo nº 1 ao PL 4.865 de 2017, do Executivo, que disciplina as concessões e permissões de serviços, obras e bens públicos no âmbito do Plano Municipal de Modernização Administrativa. A sessão durou cerca de 16 horas.

Confira a lista de vereadores que votaram sim a privatização:

Betinho Acredite (PTB)

Carol Ribeiro (PMDB)

Dr. Alexandre Dentista (PSDC)

Dr. Eduardo Carneiro (PSB)

Eduardo Soltur (PSD)

Geraldo Celestino (PSDB)

Jorge Tadeu Mudalen Filho (PMDB)

João Barbosa (PRB)

João Dárcio (PODE)

Lauri Rocha (PSDB)

Luis da Sede (PRTB)

Moreira (PTB)

Pastor Anistaldo (PSC)

Paulo Roberto Cecchinato (PP)

Professor Jesus (DEM)

Rafa Zampronio (PSB)

Ramos da Padaria (DEM)

Sandra Gileno (PSL)

Sérgio Mgnun (PEN)

Serjão Inovação (PSL)

Thiago surfista (PRTB)

Tico Emerson (PP)

Toninho da Farmácia (PSD)

Wesley Casa Forte (PSB)

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A esquerda brasileira: fazer tudo pode não representar nada!

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Na "Era dos Extremos" do profº Hobsbawm ele traduz os fatos pelos quais nossas vidas atravessaram o longo e desafiador século XX. E o que podemos dizer do século XXI?

Poderíamos dizer que, até o momento, vivemos os "extremismos da era", ou seja, fantasmas do passado como nazismo e o fascismo retornando na cena pública, desfilando (literalmente) suas "verdades" e (pasmem) sendo alimentado por um modelo educacional que foi sendo enquadrado em determinismos, minimalismos e resumos-dos-resumos, independente se for particular ou pública, a escola tornou-se item obrigatório e desinteressante pela máquina financeira do capital e seus funcionários "eleitos" para "governar".

O atual estágio de formação dos sujeitos pela educação formal segue passos largos de algo que tornou-se institucionalmente inviável, pois, intencionalmente, acabar com esse modelo de ensino tornou-se parte do fetiche do capital. 

Vamos aos fatos: o capitalismo seguiu seu curso, suas reformas e seu controle sobre as finanças globais, submeteu estados nacionais a total submissão de um novo modelo de mercado ancorado na mais medíocre das funções de criação de mais-valia, subtraindo não apenas o lucro, mas também a ilusão disso em formas não-capitais como juros, fazendo com que o capitalista agora viesse a acumular: juros.

Apoiado por um processo de produção transnacional e corporativa, derrubou todas as barreiras planetárias, onde qualquer pequeno ou micro comerciante pode importar produtos com menor custo vindo dos portos e aeroportos de qualquer país, consumir "importados" não é mais o fetiche da classe (assalariada) média, contudo, agora o inacessível e a ostentação demandam essa supervalorização de ego consumista, além da narrativa das forças políticas no controle desse poder tornou-se única e indivisível: qualquer ajuste fiscal desestabilizador de direitos é solução para Grécia, Espanha, Brasil, enfim, finalmente o país irá dizer que segue uma diretriz implantada nos países "ricos".

Não bastasse isso, admitir que o capitalismo em sua neoliberal venceu e nem de longe perderá as atuais batalhas não é nenhum sentimento derrotista, mas realista. E o que mais agoniza e será a "bola da vez" será a educação.

Educação que se torna "universal" nessa campo contraditório do sistema (capitalista) vai penetrando como uma reivindicação necessária da classe trabalhadora, mas também da classe burguesa. Ambos ganham, mas precisam acessar e desfrutar de forma diferente. E assim foi até o final do século XX.

Ciência e conhecimento universais, pesquisas voltadas para alcançar benefícios para humanidade, ensino superior como o lugar sagrado da produção cientifica, de profissionais habilitados e campo "neutro" das disputas ideo-políticas, incluindo as vaidades e vontades dos governos, vai seguir um caminho tortuoso.

O capitalismo dirigente não dá ponto sem nó. Utilizando-se das tecnologias para ampliar a produtividade, a lucratividade em níveis jamais vistos na sua história e mantendo, assim, a classe trabalhadora em condição de controle absoluto, via desemprego, precarização e pulverização do processo de trabalho vinculado a flexibilização do jogo jurídico-trabalhista, isso em algum momento, afetaria também a boa e velha escola.

Muitas vozes, principalmente a serviço do capital, tem cuspido na escola que estudou para justificar que as massas precisam de formação "rápida" e "qualificação", não sendo necessário o tempo "desnecessário" com conhecimentos universais que se tornam "complementares" ao gosto e a "liberdade de escolha" de cada indivíduo.

O neoliberalismo está criando um novo direito: o direito de ser idiota!

Sim, quando a educação formal chega no ponto do seu esgotamento físico, econômico, cultural e político, algo me fez refletir e perceber que é INTENCIONAL termos uma escola ancorada a um modelo institucional-formal degradante, de assimilação do conhecimento pelo "mantra" da leitura repetitiva, com lousa e giz, não informacional e de auto-gestão do caos. 

As reformas propostas para o ensino médio expressam essa vontade insaciável do capital neoliberal de tornar o indíviduo "livre" do conhecimento universal, para escolher em qual fast-food empregacional irá trabalhar. Quando digo "fast-food empregacional", refiro-me ao a atual reforma trabalhista e a enorme tendência de uma classe assalariada precarizada e sem acesso aos direitos da seguridade social ou aposentaria pelo desgaste do trabalho.

O capital age como "bons espartanos" empurrando a nós, a "massa de bárbaros" para o precipício, ops, precipício será uma palavra muito refinada para nova educação modernizante do capital neoliberal, melhor dizer: "pra fundo do buraco".

E porque digo no título que "fazer tudo pode não representar nada", bom a julgar pelo que consideramos "estar em movimento", para alguns de nós, pelas nossas referências, "estar em movimento" significa o conjunto combinado ou não de nossas ações, formações, lutas sociais, enfim, temos objetivos comuns e estamos em franca construção disso.

Não é o que a conjuntura apresenta. Vamos aos fatos sobre as nossa esquerda, a começar pelo PT (com as ressalvas todas) a ausência de máquina estatal e até mesmo parlamentar levou uma parte da militância a retornar para outras máquinas como a sindical ou para o mundo real da sobrevivência, ainda é forte o susto com o golpe de 2016 e a progressiva campanha contra o petismo deu contornos de racismo e fascismo direto com ampla disseminação de preconceitos, que se observadas as devidas proporções são destiladas por jovens ou adultos na faixa dos 30 a 40 anos, basta analisar os perfis no facebook ou twitter e a narrativa primária dos ataques que vão desde a questões do "comunismo", ao uso da máquina estatal, ou descaso, ou corrupção, além do processo que já citei, a completa intolerância, falta de respeito e idiotice assumida na criação ou contestação de fatos ou dados, onde você fala de direitos trabalhistas e a resposta automática é o tal do "não existe almoço grátis", uma bobageira criada e disseminada, para travar o debate político e não fazer avançar. Não há companheiros, o grau de disputa pelo seu lugar ao "parlamento" (ao sol seria dar crédito ao concorrente) é evidente, e onde um petista ocupa o cargo, uns dez saem, pois lá ninguém quer "ajudar" ninguém, onde o PT internamente tornou-se um lugar em que "desejar sorte" é dizer "espero que afunde". Somando isso a ausência completa de direção, mesmo depois do seu último congresso, apostando todas a fichas no retorno do grande líder das massas. Sem pontes e nem amarras com setores da esquerda, o discurso da "frente ampla" continua sendo de forma arrogante, "eu sou o cara" ou o "PT é o maior partido", desse jeito e sem uma real reflexão coletiva apoiada nas bases, tudo tendo a dizer que 2018 é mais incerto que 2016.

O Psol busca brigar e tender a querer apenas a herança do pós-lulismo, nada indica que o esforço de guerra será pela "frente ampla", pela mesma arrogância do PT, numa linha "eu disse". Combativo, esquece-se que na pasmaceira da política brasileira, os primeiros que perdem são os que defendem posição ideológica e diferente dos demais partidos, é o que mais perde com o golpe, ops, a reforma política proposta. Ainda vive outro drama, ausência de unidade, coisa que o primeiro também vive, de forma diferente, virou satélite de um leque de movimentos e ativistas que busca fazer resistência político-institucional com o pé nos movimentos (ops, outro ato falho, esse discurso era do PT da fundação, "partido sem patrão") mas não construindo coesão de dentro para fora e de fora para dentro em um projeto maior. Pena, porque aqui perdemos todos e todas.

PCO honestamente quer o espólio e a massa falida do PT. Tem de forma generosa feito uma inflexão trotskista para tática, já que a estratégia esta enormemente longe, desculpe a gramática, mas é assim que estamos. Contudo, longe também de êxito em apresentar-se como força política que irá retomar a narrativa do processo histórico pertencente a classe trabalhadora.

Pstu, poucas palavras, haja visto que se conjuntura fosse um jogo tipo batalha naval, só restaria o bote salva-vidas, pois a julgar a sua análise da Venezuela e seu flerte com a direita anti-PSUV,  e não contra o "chavismo" como dizem, uma vez que o legado desse processo é estabelecer um novo centro do poder, e é fato, para além do chavismo, o PSUV é uma força política de esquerda, popular, com capilaridade nas forças armadas, na sociedade civil e entre os trabalhadores, isso poucas forças de esquerda tem conseguido reunir. 

E os demais partidos? Incluindo o PCdoB, PDT, PSB, enfim, pouco a comentar já que contra Temer ou com Temer, a luta pelo espaço eleitoral-institucional e o desembarque do petismo tem sido a principal estratégia de todos. 

Portanto, ao observar as pautas, são milhões todos os dias e todas as horas, estamos ou observamos milhões de pautas, lutas sociais, identitárias, salariais, reformas, contra-reformas, falência institucional, guerras de todos os tipos sobre todos os assuntos inimagináveis, novos fatos se sobrepondo a fatos ainda presentes, enfim, o capital abriu a "caixa de pandora" e o atual estágio da tecnologia, principalmente informacional tem se disseminado como se o tempo agora corresse atrás dos fatos tentando alcança-lo.

A diferença é que quem esta no poder pode gerenciar essa tempo a seu favor. Nós, trabalhadores e trabalhadoras, temos que seguir sobrevivendo e lutando, individual e coletivamente, a ponto de parecer passivo diante de umas pautas e ativo em outros, o gesto "curtir" parece ser, para militância política, um gesto de reação para não ser chamado de "negligente ou displicente" às pautas diversas que são listadas todos os dias. 

Essa semana o blog do Sakamoto disse que não se manifestar contra a manifestação de facistas nos EUA era no silêncio da neutralidade, apoiar. Bom eu diria que se apenas postar nas redes sociais é gesto de não-neutralidade diante do grotesco fato ocorrido, para mim serve apenas de redução de "dor na consciência" pela nossa real negligência . Pois enfrentar o nazi-facismo é uma tarfa diária, de educação popular . (https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/08/13/diante-do-odio-e-da-intolerancia-o-silencio-nao-e-neutro/)

Assim termino esse desabafo político (dos vários que tenho feito) para refletirmos qual é o centro das nossa disputa? O que nos faz estar em movimento de fato e não apenas com a nossa consciência tranquila? Ir a manifestação ou "curtir" ou postar uma opinião não é de fato estar em movimento, o que estamos fazendo para transformar e alterar a correlação de forças na sociedade?

Quando jovem li um artigo que suponho ser do Leonardo Boff que havia resgatado a estória da "galinha e da águia", e conta que auma águia filhote ao ser cuidada por um grupo de galinhas esqueceu-se da sua vocação natural, ser águia. Bom, espero que não estejamos tanto tempo sendo tratados como galinhas ao ponto de esquecermos de ser a águia necessária. 

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Estamos debatendo política assim???



* Nota1: também precisamos retomar o trabalho de base, e atualmente lembrei de outra estória envolvendo galináceos, sobre a galinha e a ema, no quesito tática e estratégia, pois, a ema é uma ave gigante e desajeitada, ao botar o seu ovo, que é enorme, o faz quieta e sem alarde. Já a galinha, ao botar seus ovos, que são pequenos comparados ao da ema, fazem um verdadeiro carnaval. Se queremos ser galinha ou ema, bem isso pouco importa, e a lembrança da estória também. Já que não estamos botando esse ovo grande de ema, sem alarde, e nem estamos fazendo um carnaval pelas pequenas conquistas que temos tido nessa conjuntura.

* Nota2: A partir de sexta, 18/08/2017, cumprida tarefa na Audiência Pública do PEEDHSP, como ainda estou "contaminado" pelo passado e buscando redenção para as lutas que se avizinham, e não estou falando de eleição, desta data em diante vou caminhar para o meu ostracismo. Sim, se minha pequena contribuição não é relevante, se minha presença incomoda e se o "amém" é a regra das nossas esquerdas, prefiro me resignar. Para alegria de muitos, muitos poucos "militantes de eventos", "oportunistas institucionais", "carreiristas sem carreira", candidatos a "militante youtubers" e outros tipos da fauna da nossa esquerda brasileira, eu prefiro mergulhar nos estudos, trabalhar no meio da classe trabalhadora (onde estou) e buscando contribuir microscopicamente com um nova ascenso que dê forças a nossa força política de classe. Deixo as vaidades e as verdades para quem queira construí-lá longe de mim.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Quando a democracia atrapalha o capital.

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Das várias mídias e meios de comunicação que fazem o papel de "porta voz do capitalismo brasileiro", o "Valor Econômico" soma-se como mais um medíocre meio que provoca nossa perda de tempo em lê-ló em igual esforço que o faz em fazer "jornalismo".

E através de "mercenários modernos e midiáticos" busca impor um pensamento em seu discurso que mescla os mitos da "guerra fria" contra o terror da economia keynesiana, criticas tipicas da baixa capacidade intelectual dos neoliberais, que acham que dinheiro compra tudo. 

Bom, neste capitalismo neoliberal, de fato a alma de alguns economistas e jornalistas tem sido pagas de forma barata frente a desgraça que provocam contra o país e os trabalhadores assalariados nas posições políticas que publicam.

Ao afirmar nesta segunda-feira (24/07/2017) em matéria publicada por uma de suas mercenárias midiáticas do capital, afirma que "Eleições podem impor retrocesso às reformas", só faltando um subtítulo: "Pela volta da ditadura pelo bem do Brasil". O texto funcionando mais como um manifesto e menos como matéria jornalistica trás para o público um discurso conhecido e que provoca: medo, medo e medo.

Medo de que? Da DEMOCRACIA. Sim, é o que expressa a porta voz do capital meia-boca deste país. Quando propõe um levante contra o processo eleitoral que segue, esperamos, seu curso normal em 2018, justifica que a democracia é ruim às reformas que Temer apresenta, em nome do capital.

E a matéria do jornal "Valor Econômico" não afirma que o medo é pela candidatura de Lula ou do PT. O medo que cerca é do inimigo real e que de fato pode frear essas medidas anti-trabalhadores que estão sendo aprovadas a toque de caixa pelo presifake Temer.

O medo das elites é contra nada mais, nada menos: EU, VOCÊ, TODOS E TODAS NÓS trabalhadores (as)!

Sim, o medo é que a maioria que trabalha e deixa parte significativa da riqueza produzida ser concentrada nas mãos das elites, possa se vingar em 2018 elegendo parlamentares comprometidos com os interesses dos trabalhadores assalariados, formais ou informais, segurados e beneficiários da seguridade social e dos programas sociais.

Pois, para os capitalistas essa maioria deve servir apenas e unicamente para "aquecer" a gélida economia em crise do nosso capitalismo medíocre. Salvar a cadeia produtiva e distributiva de bens necessários e supérfluos, enfim, consumir para salvar os mesmos que nos exploram diariamente. Consumir pode, votar pelo seu destino, não!

O medo empregado, timidamente, mas percebível, publicado neste articulo rasteiro chamado "Valor Econômico"  ainda é subliminar, pois, ainda há uma certa reserva por parte das elites em descartar um principio que eles mesmos e as suas referencias liberais tanto "lutaram" que é o discurso da "democracia contra o comunismo". Assim, como um covarde, escondem-se atrás de jornalistas medianos, que fazem o serviço sujo de porta-voz da sua real vontade, que, não é uma ditadura militar, mas financeira.

Controlando do Estado, o capital já está fazendo deste país uma grande corporação financeira, por isso o jogo do poder tem girado mais em "ganhar" deputados e senadores amarrados no emaranhado dessa rede de interesses privados e econômicos, e menos no modus operante de Temer, Cunhas, Maluf's e outros. Ao capital não interessa necessariamente a corrupção, mas a apropriação do público pelo privado.

Os corruptos tradicionais, ops, políticos tradicionais não interessam mais nesse jogo, apesar de ter grande influência. Interessa, a uma parte dos capitalistas, jogar o jogo de capitulação de um lado e o controle por outro, ou seja, um estado provedor dos seus interesses, funcionando como uma "corporação" que torna a sonegação legal, a privatização inevitável e a dilapidação da riqueza nacional algo "moderno" aos seus interesses. Se o Brasil fosse um filme, seria "Robocop" sem um "héroi" ou um "Madmax" sem a alusão poética.

O problema é, que se para a esquerda brasileira não há um novo que expresse o futuro para construir uma nova conjuntura política progressista, democrático-participativa, socializante de direitos e etc., para essa fração das elites o seu "novo" também ainda não surgiu. 

Não emergiu de junho de 2013, não emergiu do "fora Dilma", não emergiu das eleições de 2016 e ainda não saiu das salas de aula de empreendedorismo da FGV ou dos MBA's medíocres Brasil afora. Essa nova geração engravatada ou de vestido tailleur não "vestiu-se de povo" e sua representatividade é medíocre, assim como sua atuação na política nacional.

O certo é que na avaliação dos mercenários do jornal "Valor Econômico" o lucro esta acima das pessoas, pois, o lucro pode garantir "crescimento econômico" que vai gerar as "condições do crescimento do país". Ok, o discurso é velho, a receita é velha e o resultado esperado para o país é desastroso. E mesmo assim, um novo deus opera a tempos na sociedade, e não é cristão e muito menos muçulmano, é o capital. Que deve usar seus meios de interferir nas eleições de 2018, mas se baixar uma ditadura também ficará feliz.

O que incomoda não é o fato de que o "Valor Econômico" faz uma pregação já conhecida, porém, sem coragem de dizer o que realmente pensa, apenas reforça a velha tradição da política brasileira do apaziguar e tentar conciliar o inconciliável nas relações capital-trabalho.

Retrocessos de um lado, via reformas trabalhista e da previdência, com ou sem Temer e do outro, via a manter o Brasil no atraso expresso nos comerciais de outro porta-voz do mercado, a rede Globo que quer que retornemos às elites agrárias de bota e arma em punho ao defender os agrocriminosos (o Brasil das capitanias hereditárias e latifundiárias) como se a produção de grãos fosse central e maior a produção de tecnologia e independência e o abismo do investimento lesa-pátria chamado tesouro-direto ou como eu prefiro chamar "investimento permanente da crise do Brasil".

Já tardou de termos um projeto popular para o país que combine suas riquezas existentes, a determinação popular da classe assalariada, entre tantas qualidades ocultas e não estimuladas. Se o nosso povo é solidário distribuindo entre si o pouco que tem, imagine se resolvermos socializar a riqueza para que todos e todas tenham direito a vida digna.

O desafio continua em ambos os lados, se nem mesmo os seguidores de Pondé conseguem engatar um líder político da nova direta e a fração financista das elites, concluímos que se do lado de lá ainda há dificuldades, e não encontrou seu rumo, cabe a esquerda brasileira constituir-se de capacidade militante para ousar, sem pressa para formar e organizar e com pressa para buscar ampliar sua representação em 2018. Tarefa difícil e que se não nos atentarmos a isso, quem perderá é a pouca e ainda única democracia que temos. 





Veja a matéria abaixo do jornal Valor:

Eleições podem impor retrocesso às reformas
Valor Econômico - Angela Bittencourt - 24/07/2017


A eleição presidencial de 2018 poderá minar o esforço empreendido até agora para aprovar reformas estruturais com o objetivo de promover uma recuperação econômica, capaz de minimizar os efeitos inquestionáveis da Operação Lava-Jato sobre a atividade.

Para grandes investidores, é de 90% a probabilidade de o próximo governo dar continuidade às reformas estruturais e garantir ao Brasil uma política fiscal sustentável e que dará suporte para uma taxa de crescimento econômico igualmente sustentável.

Os investidores não consideram a possibilidade de a corrida eleitoral mostrar que a probabilidade do ajuste é de 50% e não de 90%. Se for configurado o cenário de 50%, os preços dos ativos financeiros sentirão o baque em função da reestimativa do sucesso já creditado não se sabe a quem.

O mais provável é que tudo termine bem, mas isso não é certo. Nos próximos quatros meses nada acontece. Contudo, a corrida eleitoral pode levar o mercado a fazer o dobro do ajuste feito até agora em câmbio e ações. A delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, não promoveu esse ajuste. Os juros, em forte queda, seguem sua própria dinâmica. Reagem à inflação em queda e à atividade baixa.

Essa combinação permite ao Banco Central manter, por um período, o juro abaixo do patamar considerado 'neutro', que banca crescimento sem pressões inflacionárias. Um descompasso do juro corrente em relação ao juro 'neutro', estimado em torno de 8%, é necessário inclusive para a recuperação do crescimento", disse em entrevista à coluna, na condição de anonimato, um experiente profissional sempre dedicado ao setor privado e que hoje compõe a diretoria de uma importante gestora de ativos.

Questionado sobre candidatos que poderão despertar confiança nos investidores, nosso interlocutor apontou personalidades filiadas ao PSDB: João Doria, prefeito de São Paulo, e Geraldo Alckmin, governador do Estado. "O PSDB é um atestado de qualidade de política econômica. Qualquer candidato do partido seria recebido dessa forma".

Quanto às condições em que o mercado financeiro pode vir a receber uma candidatura de Ciro Gomes, do PDT, o diretor da asset garante que o ex-senador tem duas características entre aquelas que o mercado financeiro mais teme: "Vai fazer a coisa errada e de maneira errática. E isso é tudo o que o Brasil não precisa."

Nosso entrevistado lembra que os candidatos devem ser conhecidos no ano que vem, perto da eleição de outubro, e afirma que Marina Silva (Rede Sustentabilidade) é um balizador de preferências.

"De Marina à direita, todos serão vistos como bons candidatos e ela mesma pode surpreender sendo bem assessorada. O PMDB está fazendo uma política econômica exemplar, mas não parece haver condição de o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se fazer candidato. Ele seria o ideal por sua credibilidade, experiência e acertos da atual gestão."

A atual equipe segue um "bom roteiro" de política macroeconômica. A questão fiscal não está equacionada, mas o teto de gastos do setor público foi um meio competente de endereçar os problemas fiscais. O diretor de investimentos de um conglomerado brasileiro entrevistado pela coluna afirma que o espólio do governo Dilma foi uma política macro toda errada, o que levou o país a crescer abaixo do potencial.

"A taxa de crescimento do PIB voltará ao seu potencial, mas além das reformas estruturais, o governo deve rever uma série de mecanismos que foram criados como paliativos. Um desses mecanismos é atrelar tudo à variação do PIB. O melhor exemplo é o salário mínimo. Mas o Brasil teve importantes avanços na área social", diz.

Esse profissional entende que a conquista de uma agenda social não pode e nem deve ser esquecida. "Temos hoje uma pausa na política de distribuição de renda. Ao mesmo tempo, com o desequilíbrio da Previdência, temos também uma transferência de renda do futuro para nós. O sistema de aposentadoria precisa ser totalmente reorganizado. O Brasil tem uma agenda fiscal complexa também em função dos gastos", comenta.

O entrevistado da coluna calcula que o ajuste fiscal deve ser equivalente a 5% do PIB. O problema é grave, mas não insolúvel. A carga tributária não vai subir mais e os gastos continuarão avançando. Ainda no escopo da política fiscal, entende a fonte, o governo deverá rever subsídios e optar pela transparência. "O BNDES tem subsídio para as suas operações, mas deveria demarcá-lo explicitamente e definir em que prazo esse mecanismo será usado."

As contas externas também chamam a atenção desse profissional que teme uma mudança de ventos, antes de o governo brasileiro realizar as reformas.

Os dados do setor externo divulgados pelo BC, na semana passada, mandaram um recado curto e grosso para o presidente Michel Temer: cuide da competitividade das exportadoras, faça valer cada centavo de investimento direto no país e não menospreze as políticas mais restritivas dos grandes bancos centrais.

O desempenho das contas externas também chama a atenção desse profissional que teme uma mudança de ventos no exterior antes de o governo brasileiro realizar as mudanças necessárias. "As condições internacionais ainda são bem favoráveis, mas os maiores bancos centrais do mundo estão em movimento."

No primeiro semestre, as contas externas tiveram o melhor resultado em anos. Fizeram diferença para melhor o superávit comercial e o ingresso de US$ 80 bilhões para investimento na economia real. O juro, ainda um dos mais altos do mundo, não evitou a saída de US$ 11, 3 bilhões de estrangeiros aplicados em renda fixa local.
Investimentos financeiros em ações superaram ligeiramente US$ 2,2 bilhões __ cifra ainda modesta para um país cujo governo já vê crescimento. E se o crescimento não vier, ou não tiver sustentação, haverá um retumbante retrocesso da política econômica.

sábado, 1 de julho de 2017

Recuar não é o problema. A questão é fingir resistir. Sobre a greve geral de 30 de junho de 2017.



Recuar não é o problema. A questão é fingir resistir. Sobre a greve geral de 30 de junho de 2017.

2017 já está marcada na história do Brasil como o ano em que a classe trabalhadora brasileira vivenciou o seu período mais desafiador. As reformas do governo golpista de Temer (PMDB/PSDB) atingem no coração dos direitos, trabalhista e previdenciária, daqueles que dependem do salário mínimo como única fonte de sobrevivência.

Os pontos da reforma trabalhista devolvem os trabalhadorxs para condição de antes da CLT (leis trabalhistas) de Vargas e ampliam a lógica do neoliberalismo que é o individualismo, ou seja, institui o “cada um por si” legalmente.

A reforma da previdência, a grosso modo, vai criar uma série de dificuldades para quem vive do salário possa se aposentar. “Trabalhar até morrer” não será uma piada e sim uma realidade.

E por isso, desde março o país tem vivido permanente estado de greve, com paralisações gerais pontuais como meio de pressão sobre o congresso nacional.

Das mobilizações mais significativas a de 28 de abril foi a de maior força, paralisando diversas atividades e manifestações massivas, na sequência a ocupação de Brasília seguida de violenta repressão demostraram o vigor da classe trabalhadora em resistir.

A questão é de fôlego.

A conjuntura que é  retomada remota ao campo de lutas simbólicas das classes. O país sempre foi dividido e o saudoso Betinho lutou para que pudéssemos reconhecer essa divisão pela raiz das desigualdades econômicas, sociais e políticas demostrada pelo problema da fome. Agora dizer que o país estava dividido por conta do governo do PT é puro oportunismo manipulando a ignorância das massas.

A reação conservadora e financista do capitalismo brasileiro ao apresentar estas reformas é a certeza de que houve golpe contra Dilma e que com Temer as forças políticas no congresso e o tempo estão favoráveis para eles. As elites estão apenas aproveitando a sua janela de oportunidade.

Lênin, líder máximo da revolução russa, e formulador dessa tese, em vários momentos da luta de classes na Rússia recorreu , dentre as variáveis de sua análise, à questão da conjuntura e o acúmulo de forças para construir a tomada do poder pela classe trabalhadora russa.

E é sobre isso que temos que conversar, sinceramente e seriamente.

Ontem, na avenida Paulista, resistimos de novo contra as reformas do governo Temer. Ok, temos que valorizar nossas lutas. Mas com reflexão critica necessária.

30 de junho de 2017 não foi a “melhor de três” e expressa o quanto as direções jogam para baixo as suas próprias lutas. Digo isso sem medo e preocupado com a organização da classe trabalhadora.
Sinais de que precisamos retomar processos ideo-organizativos e militantes:

1) As categorias que recuaram e desmobilizaram a greve geral foram a dos transportes, sito, condutores e metroviários, principalmente em São Paulo, centro do capital financeiro. E não os culpo plenamente, pois a atual legislação trabalhista-sindical, tem criado uma tendência perigosa que derruba a ideia de “mediação” da justiça do trabalho para justiça patronal, com as recorrentes obrigações de mais de 80% de manutenção de serviços e multas de mais de 500 mil a 1 milhão de reais sobre os sindicatos. Tendência que tem engessado a luta sindical e criando uma situação econômica de quase falência devido a esse abuso jurídico. E claro, essa coisa de “greve de fim de semana”, retirando a simbologia da pressão sobre os patrões;

2) A eternidade de diretores ou diretorias que se revezam nas máquinas sindicais, longe das bases e do cotidiano da classe trabalhadora e assim reforçando o caráter alienante das relações entre a direção e sua categoria profissional. Profissionalizar o dirigente não é problema. O problema é a legitimidade de quem tem a responsabilidade de atuar “full time” a sua categoria, não apenas corporativamente, mas a serviço da classe. E o que estamos vivenciando é uma profunda transição dessas gerações, que tem sido questionadas por renovadas oposições sindicais e movimentos de trabalhadores autônomos;

3) O trabalho de base. Que desde as reformas homeopáticas trabalhistas desde o governo Collor, FHC, Lula e Dilma, com privatização, flexibilização, terceiro setor, endividamento salarial (pelo crédito e financiamentos), descaracterização do vínculo dos servidores públicos, precarização, apropriação da previdência pública pelo privado dentre outras, que tem criado no interior da classe trabalhadora tipos de vínculos cada vez menos coletivos, fragmentados e dispersos. E não há no horizonte possível como retomar o trabalho de base pela organização da classe que articulada e mobilizada não precisa se submeter nem a justiça do trabalho e nem a paralisação dos transportes. Ou seja, a classe consciente dos prejuízos que traz ao lucro e não ao seu trabalho, que é essencial ao lucro.

Tudo isso para dizer que o momento pede retomar e combinar. Retomar a partir de um projeto de classe que atenda aos interesses do conjunto da classe. E combinado com a formação militante, círculos de organização, etc., que permitam emergir a qualidade ideo-organizativa da classe.

Não será para agora. É um processo.

Processo que precisa analisar o tempo presente. Porque ontem vivemos o nosso “mico” com ampla animação pelas redes sociais virtuais, mas com recuos diretos dos meios que de fato intervém na realidade de resistência da classe trabalhadora, onde é fato que os trabalhadorxs do transporte tem grande influência sobre os processos de greve geral e não parar São Paulo é como não ter havido de fato greve geral. É a trágica realidade do federalismo brasileiro, desigual e injusto.

Terminar o ato em São Paulo na igreja da Av. Consolação não consolou a nenhum de nós, lutadores e lutadoras do Brasil.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Quando falta estratégia, a ousadia vira chilique.

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Não sou adepto de termos pejorativos como aqueles cunhados pela direita golpista, como "esquerda caviar", pois, apenas expressa uma moda criada no calor desse momento, e como é um termo cunhado de forma medíocre tem pouca força de internalizar-se nas rodas de conversa. 

O que me preocupa mesmo são as novas-velhas tentativas de alguns militantes de buscarem ser "Che Gevaras" sem o desprendimento do mesmo, e buscam rapidamente, a possibilidade de estampar a sua "cara" nas próximas camisetas. 

Digo isso porque ah tempos temos visto que com o avanço das novas formas comunicativas, sito, redes sociais virtuais, novas tecnologias e etc., a perspectiva do "grande irmão" de Orwell ou da fama "big brother" tornou-se não apenas uma tendência atual da sociedade do consumo em geral, mas também da esquerda brasileira.

A tendência de "militantes-youtubers", ou "petismo classe média" ou até mesmo "esquerdista de varanda gourmet" são tipos típicos desse momento histórico que vivenciamos. Basta ver que qualquer vídeo ou declaração na internet tem mais um "quê" de viralização e menos de declaração política. O que estamos, alguns de nós, assistindo nesta conjuntura sociopolítica é menos a disposição para retornar o trabalho de base e mais uma super-exposição do "eu".

Vivemos o momento da erosão do perfil do "líder", figura exponencial que teve sua identidade constituída de simbolismo anterior, a exemplo disso, citamos Brizola e Lula como figuras da antiga escola e que tinham como característica agregar capital social  e político ao terem base social e identificação com uma posição político-ideológica, imaginemos que para direita também o vale.

Mas como explicar que determinados parlamentares sejam eleitos e eleitas? Como identificar isso no "efeito Dória" em São Paulo que sem conteúdo político-ideológico traz apenas a influência midiática e empresarial para um mundo em que os elementos simbólicos determinantes passam por posições que não podem ser simplistas?

Talvez a resposta esteja aí. Com o avanço do processo neoliberal, a capacidade de compartilhamento de conhecimentos cada vez mais se desfaz e reduz profundamente, se observarmos as debilidades cognitivas e epistemológicas de formação tornaram-se iguais entre escolas públicas e particulares, a primeira pela omissão e redução de direitos e a segunda pela idiotização da transferência de conhecimento como tarefa de memorização.

 E no fim, temos matérias chave como redação sendo vistas como técnica de alta preocupação, pois, responder o que conhecemos ou opinar sobre um assunto  parece ser um dos exercícios mais complexos de uma humanidade que dialoga pouco e viraliza muito tudo que vê, mas não reflete das novas mídias e meios digitais comunicacionais, apenas repassa com breves comentários.

Voltando ao dilema da esquerda, esta encontra-se numa encruzilhada danada. Onde ousar, individualmente, ainda é risco de morte. Seja numa greve ou num protesto, sabemos que na luta há preços pela nossa ousadia, a custos pela nossa liberdade. Liberdade que são escolhas, estas respondem na mesma intensidade com as que decidimos. 

Portanto, enquanto muitos recuam na luta por não terem confiança em suas organizações políticas, outros tentam ao máximo se expor, as vezes pela luta, e outras pela fama.

Sai o sujeito coletivo da luta. Entra o individualista, atrás da carreira.

Essa pode ser uma das questões centrais dos rumos da esquerda brasileira nos próximos anos. Cada um de nós ainda esta impactado com o rumo das mudanças e a rapidez como o capital aproveita as suas "janelas de oportunidades" com as reformas, trabalhista e previdenciária, buscando tratar essa pauta como urgente, usa a crise do capital como meio de dizer que o Estado que não recebe dos seus sonegadores de impostos, precisa novamente sacrificar quem sobrevive do salário.

E faz com que esta esquerda que há tempos tenta com sua paciência institucional dizer a massa de que "tudo virá aos poucos", olha para si mesmo e pensa no abismo que se meteu. Evidente que não dá pra fazer uma revolução institucional, essa ilusão foi experimentada, em termos, durante a "era do lulismo", mas então para que Estado numa estrategia das esquerdas? Se não for para aparelhar e distribuir aos realmente interessados que é classe trabalhadora, porque disputar eleições?

Por isso, me dirijo a reflexão desse momento. Como no caso das escolas ocupadas, geração que continuou as lutas contra as reformas neoliberais na educação que se iniciaram em 1994 pelos governos do PSDB, e resistimos contra essas medidas. E quando vejo o grau de bajulação que se faz a alguns jovens que lideraram esse processo, imagino o turbilhão de coisas que estão sendo operadas, direta e indiretamente, na cabeça deles e dos interesseiros de plantão. Diria as "julias" que se atentem para base, para o espraiamento das ideias no coletivo e para o fortalecimento das resistências e não das carreiras políticas.

Porque para um militante de esquerda o que deveria valer é a luta. Não vale a pena lutar se quando você sai de casa só mobiliza o seu ego.

E ainda nem me detive a avaliação do 6º congresso do PT, que na plenária final, o palco de cenas grotescas e práticas ainda poluídas só reafirmam minha posição por uma esquerda que reafirme o partido da classe trabalhadora, dos despossuídos, dos informais, dos precarizados, dos que pertencem a massa cotidiana e não a uma imagem patética de classe assalariada média.

Outra coisa é o Plano Popular de Emergência que me preocupa colocar novamente em nossa estratégia o velho desenvolvimentismo do capitalismo brasileiro, novamente a pauta não empolga, apenas reafirma necessariamente sobre quem deve construir seu plano estratégico, nós isolados? Ou NÓS, mesmo que isso leve tempo, mas que seja como uma planta de raiz profunda, que chegue a quebrar as calçadas pelas quais passam a nobre elite brasileira?

Diretas Já com certeza.
Direitas Já não.
Não vou em show, vou em ato-político.

sábado, 3 de junho de 2017

Fora Temer e Diretas Já SIM. "Showzinho" NÃO.

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(Greve Geral de 28 de abril de 2017/ Largo da Batata)

Não peço apoio para minha posição, que alias tem tido eco em vários espaços onde o assunto ganhou visibilidade. E estou falando do "Show por Diretas Já", bem noticiado pela imprensa popular como a revista "Veja" no dia 31 de maio de 2017. Incrível não!

Minhas razões passam por três premissas básicas: por uma posição de classe; uma análise de perspectiva das forças sociais populares; e a formação da sociedade brasileira. E já adianto, não é artigo acadêmico, portanto é uma posição política que busca dialogar o mais amplamente possível com bons e boas camaradas, compas e demais militantes, repito: militantes.

É comum na esquerda brasileira pós ditadura civil-militar construirmos consensos e "saídas possíveis" para as crises que rondam a república, pois foi assim na constituinte de 1988, nas eleições de 1989, no "Fora Collor", nas narrativas pelo "Fora", "Renuncia", "Sai" FHC (na década de 1990), na coalisão "lulista" via "carta aos brasileiros", na manutenção das "conquistas sociais" na chapa Dilma-Temer até...bom de 2013 pra frente você, leitor (a), já conhece a história.

Estas formas de interagir com os diferentes pode ser, a principio, a busca de uma identidade de esquerda pluralista, mesmo que a reciproca da reação burguesa não seja igual e muito menos republicana. O certo é que a esquerda brasileira tem abandonado a sua perspectiva pela "unidade", palavra que parece mágica diante de olhos esperançosos de que um dia o capitalismo perca fôlego ou ganhe "visão social" sobre os males que causa.

Antes de continuar, vamos entender como o termo "veja bem" é muito usado para justificar o injustificável como disse Rogério Ceni, que esta semana quando indagado sobre as vendas de jogadores do São Paulo (SPFC) no meio de um campeonato e onde no passado o atual técnico havia, enquanto jogador, criticado tal atitude. Sua resposta expressa o que virou a política brasileira aos olhos da massa: "Veja bem, todos os times precisam de dinheiro.".

 OK, mais um que desfila sobre o manto do discurso quando convêm. Digo isso, porque o técnico sãopaulino apoiou Aécio e é mais um no arco das "celebridades" que usam o seu capital político-cultural.

E é essa forma particular de "fazer política" que tem expulsado a esquerda brasileira das urnas, herança do "lulismo" entre o "projeto necessário para o país" e o que é "possível fazer". A ousadia é de ocasião. Governar é para os fracos.

E essa deve ser a primeira questão que me leva a não ir em show e sim em manifestação organizada e preparada para "botar o dedo na ferida" da sociedade brasileira, ou retomamos o trabalho de base no sentido de uma identidade de classe trabalhadora, da periferia, do cotidiano da massa simples e divagante, dos que assistem anestesiados os "globais", dos que desfilam na marcha fúnebre dos pontos de ônibus, metros e trens, enfim, do homem e da mulher do mundo real, ou novamente queremos conversar com esse biotipo de assalariado médio, a velha "classe média" que se julga mais "esclarecida", porém, com fortes tendências conservadoras, pois é a base da hegemonia brasileira esse ser conservador, reproduzido para pensar e agir sobre um modo de vida clássico: o "eu".

Agora uns dirão que essa é a principal justificativa da submissão da esquerda brasileira ao show de domingo (04 de junho), que é o "dialogo com esta classe (assalariada) média", como argumentou inclusive o líder do pós lulismo, Boulos, onde novamente, para nós "os fins justificam os meios". Já vimos no que deu essa análise. 

Não acredito que publicamente devêssemos nos "dividir" agora, mas um pouco de análise critica e discernimento deveriam servir para a atual conjuntura. Onde a soma dos diferentes nem sempre dará o resultado igual.

Também não é verdade que a luta pela derrubada de Temer e por novas eleições gerais signifiquem "unidade", pois há mais de duas versões sobre quem deve ser o sucedâneo do pós Temer. Todos sabemos que o PT ainda tem a sua maior cartada, Lula é candidato e com certeza o que mais tem penetração social na massa. Com os senões atrás: "vai ser uma coalisão lulo-centrista", "vai ter desgarrados do golpe no apoio, com Renam?", "vai aprofundar a necessidade de constituir uma bancada democrático-progressista como um bloco de esquerda?", vamos ver depois do seu 6º Congresso agora no começo de junho.

Boulos tem cartucho, mas entre o lupem do MTST e a esquerda "classe média", lhe falta vigor - apesar do seu esforço - e organização partidária (partido de classe e não do TSE) para avançar e mesmo no Psol as definições passam por outras premissas, inclusive sobre "rachar ou não" o "lulismo" com uma candidatura média ou simbólica, ou seja, entre fazer votos+bancada e puxar para baixo o "lulismo" ou manter o que tem em termos de bancada e buscar vencer um estado com uma candidatura a presidência simbólica (e assim deixar o lulismo passar), bom, seja qual for a escolha, é da sua soberania partidária decidir.

As demais forças políticas de esquerda (Pstu, Pcb, Pco, etc.) até poderiam decidir o jogo do pós Temer, mas ainda estão presos em formas e discursos que ainda se enraízam no terreno pantanoso da classe assalariada média penetrando nas elites da graduação universitária, dos sindicatos e instituições de categorias, das reuniões recheadas de "verdades" sobre si e defeitos sobre os outros, da denuncia da alienação para o esvaziamento das reuniões e atividades, etc., etc..

Todos podem ter razão em querer "convocar" para o show de domingo. Mas alerta de classe para os sinais evidentes do problema de se "alimentar a cobra entre quatro paredes", vejamos os motivos que me convencem a não ir neste domingo: 

- A polêmica nasce da matéria do UOL (da família Frias/Falha de S.Paulo) na matéria de 28/05/17 ao extrair a curiosa frase de um dos organizadores: "Não temos a intenção de excluir ninguém. Temos o máximo respeito pelas lutas históricas de cada segmento, mas achamos importante termos também a chance de fazer um evento com todos que queiram participar, puxado pelas diversas expressões culturais. Achamos que é uma forma de agregar, ampliar e mostrar a quantidade de gente que quer diretas-já", diz o produtor cultural Alexandre Youssef, presidente do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. (https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2017/05/31/artistas-excluem-partidos-e-sindicatos-de-ato-na-paulista.htm) 

Polêmica instalada foi como um rastilho de pólvora foi tanta que até sexta feira (02/06/2017) as justificativas estão sendo disseminadas e com amplo apoio dos setores populares, sites de esquerda e organizações para "corrigir" as afirmações vinda de um dos organizadores que tem ficha conhecida, e este é o ponto. Youssef é empresário do ramo de shows e entretenimento, se considera empreendedor mas é empresário, foi coordenador de juventude no governo Marta (quando era do PT), passou pelo PV e ajudou a criar a REDE de Marina. Queridinho da Globo participou do programa de Regina Case (o dominical "Esquenta"), ou seja, não é apenas um "empreendedor financeiro", mas político. 

- O movimento dos setores da mídia, aliados de primeira hora do golpe, agora procuram outro marionete para o mais alto cargo da república, recordemos que a Globo colocou o foco em Temer e Aécio, este último mereceu inclusive mais de 12 minutos no programa dominical-alienante "fantástico" (ou "fanático" para mim), e o mais impressionante é que desde os atos de junho de 2013 e a resistência ao golpe de 2016 essa mesma mídia ignorou, ignorou e dedicou-se a criar fatos e estórias para simplesmente fazer sumir das paginas do noticiário as manifestações promovidas até então. 
Agora, para este domingo a (in) Veja publica em matéria aberta para os internautas não-assinantes chamada "Show por ‘Diretas Já’ acontece em São Paulo no domingo. Ato terá presença dos rappers Mano Brown, Emicida e Criolo, do sambista Péricles e dos cantores Maria Gadu, Tulipa Ruiz, Otto e Simoninha" em 31/05/2017, com direito a cartaz e tudo (http://veja.abril.com.br/politica/show-por-diretas-ja-acontece-em-sao-paulo-no-domingo/) destacando o caráter "independente" do show, ops, ato.

Bom, toda luta política exige diálogo entre as forças que se incorporam nela. Alguns dirão que meu "radicalismo" não procede nessa conjuntura em que "algo maior precisa ser combatido" e que houve momentos na história em que "recuar" era necessário, mas vejamos: (a) durante a revolução cubana não havia unidade em torno da tomada do poder entre as esquerdas, porém o movimento 26 de julho ocupou protagonismo e Fidel Castro obteve apoio dos setores urbanos, contudo o aliado estava no mesmo espectro ideológico, não eram a máfia e nem setores desgarrados do ditador Batista; (b) o PCB mesmo adotando a estratégia da "resistência pacifica" foi massacrado pela ditadura civil-militar brasileira; (c) Florestan fez análises duras sobre o papel do "centrão" na constituinte, mantendo o mesmo centro ultra-conservador e atrasado oferecendo as saídas para o país, somado ao que temos com uma anistia ampla para torturadores e que depois de três décadas engessou a Comissão da Verdade e o retorno de uma frase conhecida desde a redemocratização, "foi o que foi possível fazer".

"Foi o que foi possível fazer" 

Essa parece ser a frase que justifica tudo no campo de força social da esquerda brasileira quando as direções hegemônicas não tem resposta concreta para um desafio concreto. Ou seja, a ousadia sempre fica a cargo dos palanques e e não da nossa iniciativa a frente das instituições públicas ou dos instrumentos necessários a luta da classe trabalhadora.

O susto de 2013 é outra boa forma de ver o quanto a esquerda brasileira não tem apresentado projeto estratégico, isso porque, depois do desastre da disputa de direção desses movimentos, tivemos ainda o ascenso das lutas pelas escolas ocupadas e outras manifestações que partiram da boa e velha articulação dos despossuídos em luta pelos seus direitos, sem uma organização por trás ou parte de um projeto construído de longo prazo. Essas iniciativas denominadas de iniciativas espontâneas ou classificadas pelos nossos doutos revolucionários de "espontaneísmo" só explicam - em profundidade -  a forma como a esquerda brasileira dividiu-se, desconectou-se e desagregou-se de um projeto nacional de classe, ao ponto de desenraizar-se da luta pelo cotidiano da classe trabalhadora real, massa cada vez mais crescente, informal ou precarizada. 

A aliança - mal constituída de domingo - pode representar a perda objetiva do processo que foi iniciado pela esquerda brasileira que voltou a ocupar protagonismo de massas na luta contra o golpe, pelo Fora Temer - Diretas Já e na greve geral de 28 de abril. 

Esses movimentos que pedem para "abaixar as bandeiras" nos atos foi o estopim dos constrangimentos gerais sobre a legitimidade da direção política e social das lutas. Essa deslegitimação recorrente ganha força, por exemplo, na reforma trabalhista quando propõe o fim do imposto sindical (presente do ditador Vargas) e que tem apoio sim da massa dos trabalhadores que a tempos foi abandonada - inclusive pela esquerda - a "deus dará" nos locais de trabalho, sem a boa e velha articulação, busca pelo convencimento coletivo, pela participação coletiva na defesa dos seus interesses trabalhistas.

Baixar as bandeiras em um ato pelo Fora Temer e por eleições diretas será a vacilação do século XXI no Brasil promovido pelas forças da esquerda brasileira. Será a destacada submissão pós ditadura mostrando que é mais forte do que aqueles que são atacados por este sistema do capital.

Submissão e aliança que é deliberadamente feita por cima, pelos "entendidos" em mobilização social, "youtubers do discurso progressista", e oportunistas de vanguarda pela esquerda brasileira.

A ideia do que é ser de esquerda está em desuso, justamente porque nossa tendência é metamorfosear quem somos ou o que escolhemos ser enquanto militantes sociais de esquerda. 

Não peço para que abandonemos ou queiramos que hajam restrições a luta pelas Diretas pós Temer, até porque as lutas não são pautas exclusivas de ninguém, apesar do momento político ser permeado de "verdades" que se impõem sobre o "meio classificatório" sobre quem é de esquerda e quem não é, tipica arrogância de quem pertence a classe, porém não se reconhece nela, ou se reconhece quando convêm.

Mesmo não considerando o valor de vários artistas participantes, alguns que já expuseram sua posição política, o certo é que se a esquerda brasileira não reassumir o seu protagonismo estará construindo o mesmo caminho que a direta já faz com destreza.

As candidaturas midiáticas representam uma vertente da atual política nacional e João Dória é a maior expressão disso pela direita brasileira, agora se a esquerda preferir tirar o seu próprio em nome das apostas por pessoas "famosas", artistas e qualquer um que não possui formação político-ideológica para assumir uma posição de classe, OK não conte comigo. Veremos em 2018.

Retirar esse protagonismo é empurrar as massas populares a se ancorarem nas tradicionais formas partidárias existentes e um retorno ao velho assistencialismo político e outras formas dos carentes serem atendidos por "políticos bem intencionados" no meio do povo.

Abrir mão da mobilização e dos meios que de fato politizam as relações e tensões de classe existente e que expõem as contradições desse sistema do capital relativizam as lutas políticas e jogam os lutadores e lutadoras para um abismo do "show" como meio de reunir a "massa", a questão é que durante uma greve de professores ou de metalúrgicos, se eu valorizo meios criativos de luta como valorizar a articulação com a cultura, não estamos retirando o protagonismo da ação central: a greve, meio que de fato estabelece laços fortes e duradouros com a luta e a reflexão critica (individual e universal) que realmente importa para práxis.

Não me venham com o discurso de que "é preciso acumular forças com outros setores da massa", bom essa história já vemos em variedade e o resultado tem sido a capitulação pelas frações (ou facções) da direita.

Solidariedade de classe: uma saída para formação de uma nova sociedade brasileira.

Em que momento deslocamos nossas energias para o Estado totalizante? Hoje, nós da esquerda cobramos dos governos a efetivação das políticas públicas em um momento adverso, o Estado reformado não pertence mais a nós, defensores do Estado de direitos universais de 1988. 

O CEDEM da Unesp possui um acervo valioso das experiências das lutas da classe trabalhadora brasileira, lembrando que quem quer alterar a correlação de forças na sociedade, destruir o modelo capitalista e fazer avançar um projeto de sociedade alternativo a esquerda brasileira compreendia o que era penetrar e politizar a sociedade investindo nas cheches populares, nos times comunitários, nas comunidades de base, nas ações das pastorais, vide a pastoral da criança, ou seja, na penetração direta na massa, vinculando sua realidade com o gesto de solidariedade de classe, sem a velha mascará da neutralidade do Estado Social capitalista.

Depositar as cartas em políticas públicas através das lutas sociais não representa abrir mão da luta político-ideológica que deve aliar os conhecimentos adquiridos pelos filhos e filhas da classe trabalhadora para impulsionar a organização, em primeiro lugar, a formação permanente e ativar as lutas sociais.

Uma vez me contaram a história ou estória de como o militante metalúrgico Santo Dias fazia sue trabalho de base e como entrava na casa dos operários para dialogar sobre a necessidade das lutas, e citam que ele levava debaixo dos braços uma bíblia, um sinal de que lutar por direitos "não representa a baderna" e deve ser praticada pelos que acreditam que a justiça social precisa ser conquistada contra a ordem. E isso sempre me motivou a continuar construindo nessa (e outras) perspectivas. 

De lá pra cá vim do movimento estudantil secundarista, tentei fazer trabalho de base na comunidade próximo de casa, me articulei com movimentos de ação direta via organizações de esquerda que confiava, fiz parte de cursinho comunitário e tento via o processo político-pedagógico da minha profissão e dos recursos socioeducativos construir alternativas a esse violento sistema do capital e o velho tradicionalismo-conservador da política brasileira. Sigo em frente.

Talvez seja por isso que atualmente me permito opinar com direito de me posicionar, porque creio que a esquerda brasileira deve reaprender, reassumir e retomar um projeto de nação que afirme sua alternativa ao capital, que seja plural, que tenha certeza da direção politico-social que conduz, que vença lutas e processos institucionais enraizado e enraizador de uma nova cultura política, e ao conduzir pela gestão pública institucional ou não com a certeza de que não pertencemos ou dependemos daquilo, somos passageiros e construtores de um projeto. 

Eu não vou domingo, eu vou em manifestação, ato público e lutas que reúnam e busquem reunir o melhor da nossa classe. Se não for assim, a falência da atual e da nova geração gestada na esquerda brasileira está em curso. 

Domingo é show! Bom show para vocês!

ps.: eu gosto muito da mistica, mesmo que outros em nossa esquerda odeie, mas o que toca a alma também pulsa na razão e no coração dos lutadores e lutadoras, por isso essa canção tem me tocado muito nesse período.

Caçador de Mim

Compositor: Sergio Magrão e Luiz Carlos Sá

Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura


Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

https://www.youtube.com/watch?v=Se9XYKHQi3Y