sábado, 20 de fevereiro de 2021

Esqueçam 2021, vacina a passos lentos é hora de organizar o campo popular contra o fascismo!


 Texto no pôster: Estamos nos preparando para repelir o inimigo, Moscou e Leningrado, 1927. Autor: Merkulov Lu


Janeiro de 2021 passou. Passou a ressaca das eleições das duas Casas Legislativas e no final o bolsonarismo venceu. Venceu? Ou nunca perdeu! Baleia Rossi era a face da mesma moeda com perfume, mas sinalizava que impeachment não estava no seu horizonte, que os planos da política econômica assassina de Guedes seguiria e que mesmo após a COVID 19, os/as trabalhadores e trabalhadoras ainda iriam amargar com essa lógica financeira e neoliberal. Reformas contra a população que iriam ou irão, ter impacto mais devastador que a própria pandemia. As mesmas mentiras de "reformar para melhorar", sem que você, leitor ou leitora se pergunte: "melhorar para quem?" E no final, a resposta oculta é sempre a mesma, para os mesmos ricos e as elites de sempre!

Geralmente sou o otimista da sala. Mas não sobre 2021. Basta ver ao redor, governos medíocres e gestores do interesse do capital, BolsoDoria e minha versão local, BolsoDoriaGuti, todos serviçais do interesse privado em detrimento do público, eleitos num sistema que segue a mesma lógica das elites, com raras exceções o governo do PT venho após mais de 500 anos de colonização e expropriação de riquezas e direitos sociais, e querendo governar dentro das regras, deles!, deu no deu.

Por melhores analises que se façam do lado de cá. Por melhores cartas, comunicados e todo tipo de manifesto. O pouco que avançamos é necessário, mas ainda é pouco. Por mais que tenhamos avançado nas eleições municipais e com as conquistas de mandatos com perfil de combate no campo popular. Nada no horizonte aponta para uma saída de curto prazo para derrotar o bolsonarismo.

É evidente que não acredito em saída de curto prazo. 

Mas a direção do PT e algumas esquerdas sim! Quanto trata a questão como algo que caminha "naturalmente" para o processo eleitoral de 2022 e quando o ungido de Lula diz que "o antibolsonarismo é maior que o antipetismo" (fonte: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/02/10/antibolsonarismo-e-mais-hoje-forte-do-que-o-antipetismo-diz-haddad.htm) é um jogo de retórica que esquece que Bolsonaro joga em mais de uma frente. 

Pode "ele não" ter sido um deputado atuante, mas conhece os corredores do Congresso e soube se alimentar de narrativas para compor base eleitoral. Ou seja, otário é quem acredita que "ele não" saiba jogar o jogo, e a eleição da presidência da Câmara e do Senado mostram que se de um lado o fascismo babante mantem a base eleitoral, do outro o jogo matreiro da politica convencional reúne forças, e o Centrão e o PMDB estão aí pra provar que tudo é possível.

Vamos lembrar que ele deu rasteira no Moro. E se depender de como caminham as coisas por aqui, a tendência de manutenção de 30% de seu eleitorado segue firme e aterrorizante é saber que nas redes sociais "ele não" segue no topo das redes sociais, evidenciando que algo está fora da curva na política tradicional da direita, no centro e a esquerda. (fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/balaio-do-kotscho/2021/02/17/bolksonaro-continua-senhor-das-redes-sociais-com-399-milhoes-de-seguidores.htm)

Não é falta de aviso e nem de criticas. Mesmo no "bate e assopra" da Glogolpe ou de outros firmes comentaristas políticos, o certo é que o abismo que se abriu entre a classe assalariada média e o conjunto geral da sociedade é um fato que precisa ser analisando, interpretado e levado para nossa prática cotidiana.

Estudos futuros irão ter que nos apontar o que é essa nova comunicação de massa que vem de personagens como "ele não". Alguns sinais no processo histórico e nas conjunturas podem nos explicar num fato que me deixou preocupado um ano antes da eleição que levou a vitória do "ele não", onde em 2017 estava em Fortaleza (CE) de férias e eu e minha companheira andando pela feirinha de artesanato vimos uma camiseta estampada com a cara do individuo "Bolsonaro", e pensei, bom a uns vinte anos atrás essa iniciativa popular era tomada em produzir o rosto de Lula como símbolo de indignação ou referência do anti sistema. 

A expressão dessa mudança se deve pelo abandono do trabalho de consciência de classe, em particular pelo PT, e a velha forma de se fazer política no Brasil. País com um contingente de trabalhadores/as na pobreza e onde a desigualdade permite que o individual se afirme no jogo neoliberal do "cada um por si" impedindo que a dimensão do fazer político seja parte integrante da solução dos nossos problemas.

O trabalhador e sua banquinha com sua iniciativa de comercializar uma camiseta com a foto do "ele não" apenas expressa sua conexão com a tendência que viria a ser nosso terror em 2018 nas eleições presidenciais, ou seja, o trabalhador e a sua banquinha analisaram a conjuntura com maior destreza do que muitos de nós "sabidos" da política. 

2021 foi inaugurada pelas carreatas "Fora Bolsonaro" e "Impeachment", inusitadamente além da esquerda, setores do golpe de 2016 como o MBL (o fascismo de sapatênis) também aderiu, mas não quer se "juntar com a gentalha". Ainda bem, nós a gentalha preferimos manter as coisas no seu lugar. 

Mas mesmo com o conjunto de desmandos, genocídio e ilegalidades que vão desde a crise do Covid com atraso no Plano Nacional de Vacinação e quase sessenta pedidos de impeachment o governo do "ele não" segue impune.

Isso nos faz ficar acuados? Não. Há resistências que vieram das eleições municipais. O que há é dispersão, e isso é o elemento que ainda nos preocupa. E a pressão de 2022 não contribui.

Desde a aprovação da Constituição de 1988 as reformas que seguiram foram promovidas pela burguesia, em termos de Estado o desmonte e a pilhagem foi acelerada pela mudança de rota do capitalismo mundial, em tese, os liberais não tem o que reclamar, esse Estado é deles e segue sendo, mesmo durante os governos do PT. E isso diz muito sobre qual devam ser nossas preocupações de agora enquanto esquerda. 

Regredimos no campo institucional e voltamos a nos aquartelar no parlamento. Sobrevivemos no campo popular com os movimentos sociais seguindo firmes mesmo diante do encerramento dos investimentos do orçamento e do fundo público em políticas sociais. Os sindicatos seguem respirando, mas alguns seguindo para os respiradores enfrentando a maior regressão de direitos trabalhistas da história (como diria Carlos Lessa, a busca da burguesia neoliberal é de enterrar a era varguista).

Depois de muito anos dedicados a militância organizada eu mesmo estou em recuo. Sem um coletivo e sem uma direção fico atuando pontualmente. É o pior dos mundos para um leninista, mas até o velho dirigente teve seus momentos de recuo e imersão. Mas esse momento me abre uma janela de reflexão e observo hoje um abismo entre os ativistas e militantes orgânicos e a coletividade em geral. 

Já apontei criticas a isso em outro artigo que publiquei sobre erros na lógica militante da esquerda brasileira sobre os militantes profissionais e que não tem relação alguma ao modelo bolchevique, nem em tática, estratégia ou dedicação à classe. E agora reconheço que a disposição que eu e outros camaradas não se expressa na realidade atual. Não éramos melhores, mas estar liberado era como um dever que exigia ignorar família, lazer e o tempo. Ainda há muitos e muitas seguindo essa máxima, mas a rigor deveria ser a regra e não a exceção, já que militância politica na esquerda é diferente da horda de cabos eleitorais na direita.

Pode ser que 2022 possa ser aglutinador? Sim ou talvez. E ainda assim é a expressão da nossa tragédia quando perguntamos "quais foram os esforços de construção de uma práxis unitária contra o fascismo reinante no Brasil de agora?", mesmo que estejamos dispersos, isso não impediria pelo menos uma Mesa de Negociação pela unidade. Porém, não é o que temos. 

Os partidos seguem com sua relevância no cenário de disputa politica e por isso deveriam ter a maior responsabilidade sobre o processo no campo popular e das esquerdas. Negar isso é desconhecer a sociedade civil no Brasil. Não há experiências que provem o descolamento ou deslocamento fora desse instrumento político. 

A luta pela memória é dever da esquerda. Confusões que se perpetuam como o mito da ditadura militar branda e o "Brasil que ia pra frente", ou a adoração ao nazifascismo são expressões do momento e sinalizam que nosso dever deve ser levado a potência máxima.

Formar, formar e formar. Estudar, estudar e estudar. Ler, ler e ler. Atuar nos pequenos espaços, reunir pessoa a pessoa, dialogar e refletir, ocupar cada micro espaço e criar trincheiras de pensamento critico. 

Atualmente sem coletivo ou direção, sigo livre para cumprir essa tarefa sem precisar ter foco em criar seguidores ou panelas, admito que é muito libertador contribuir com a formação e fortalecer novos sujeitos políticos que ao avançarem em seu processo de consciência escolham por si os seus caminhos de luta, no nosso campo, o campo popular. 

Não desprezo as organizações, mas não há tempo de ficar disputando entre nós. Há uma sociedade para disputar e isso já é uma grande tarefa. 

Derrotar o fascismo deve guiar nossa práxis.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

O dia em que eu mandei um "FODA-SE TWITTER"

 

Cada vez mais vou reestabeleendo minha humanidade. Ganhei parte do meu tempo que perdia com o face e estava no twitter para obter mais informações e menos egocentrismos.

Durou até onde deu. 

Quando os cães de Trump invadiram o Congresso, mandei a real e foi minha última vez no twitter.

Denunciado por algum fascista nacional, meu singelo "Fogo nos fascistas" foi interpretado como discurso de ódio. 



Ok, no mundo das interpretações, fico com as convicções de quem não crê em mudanças pacíficas em um mundo que brutaliza populações como a que estamos vivendo.

Não considero fascistas humanos. E na história mundial não faltam provas. Desde a ascensão de Hitler e Mussolini, do horror da Segunda Guerra e dss expressões de ódio (de fato) dos seus seguidores atuais, uma ideologia que prega eliminação de outros humanos despreza a vida em nome da sua concepção de mundo não é humana.

Eu diferente sou comunista, meu problema não é com pessoas, mas com sistemas. Não defendo que ninguém morra pela vida do outro, mas também não aceito a exploração de uma pessoa sobre a outras. Podemos viver bem e nos desenlvolver sem esse mecanismo.

Mas então por que pregar "fogo nos fascistas"? Simples, essa ideologia não teria problema nenhum em tentar eliminar a mim ou qualquer outra pessoa humana. 

Defendo assim o princípio da defesa da humanidade contra algo que foi parido mas não desenvolveu capacidade intelectual humana.

Bom, avancei mais do que deveria.

Registro apenas a mensagem enviada ao twitter:


"Vocês são bons para perseguir progressistas, mas são mansos com fascistas.


Eu já me afastei do facebook, e minha vida está uma maravilha. Retomei o twitter pela informação, mas preferem dar voz a Bolsonaristas fascistas antidemocráticos.

Eu não retiro o que disse, pois considero fascistas não humanos.

E nem pretendo retomar o twitter, fodam-se. Há vida fora das bolhas, vivi muito bem meus anos sem vocês, vou viver ainda melhor sem.

Todo império tem seu fim. Lá atrás o orkut caiu em desgraça, vida longa ao Twitter até quando for extinto. 

Vocês são um negócio do capital e não uma relação social real. Sem financiadores, são apenas uma fábrica de bolhas virtuais."


sábado, 2 de janeiro de 2021

Disputa de projeto societário versus normalidade institucional. As eleições para as mesas nas Câmaras de vereadores/as no Brasil.

 




Já havia escrito aqui neste blog sobre "Pra que governar?"(https://wagnerhosokawa.blogspot.com/2020/08/o-fim-da-esquerda-liberal-derrota-da.html) diante da pilhagem de quase três décadas de governos do PSDB em São Paulo que deixariam a máquina do Estado enfraquecida e tornando o gabinete do governador em mero gerente de contratos. Agora, em 2021, a postura das esquerdas na composição dos legislativos municipais evidencia que adaptar é melhor que resistir. 

Da postura da bancada do PT na cidade de São Paulo ou do Psol em Belém do Pará, sendo que a primeira é pela sobrevivência política e a segunda pela governabilidade, temos muito a pensar sobre o papel dos instrumentos políticos da esquerda.

Antes que algum companheiro, esquerdista, lulotiête ou qualquer denominação assim venha a rosnar, quero lembrar que já vivi debates intensos na direção do partido (PT) de Guarulhos sobre sucessão na presidência do legislativo municipal, quando ainda quando o assunto era parte da responsabilidade coletiva e militante de disputa da sociedade. Ou seja, a sociedade e em especial o conjunto da classe trabalhadora era o centro das nossas preocupações quando o assunto era posição política. Agora tudo é vago, pois convêm. 

Primeiro um panorama de como foram as sucessões nas presidências dos legislativos: vamos começar pela minha cidade né, Guarulhos (SP) que teve chapa única para presidência e a mesa diretora tendo a frente um político tradicional, da direita corrupta e conhecido pelo jeito "carinhoso" de lidar com divergências, dono da principal pedreira e empreiteira local que serve a administração municipal a anos na cidade, ele Martello é a representação de um passado de desmandos e caos em Guarulhos em especial nas décadas de 1980 e 1990, fase do coronelismo em Guarulhos, o mesmo já passou pelo PPB (hoje PP) malufista e que era combatido inclusive por setores da sociedade civil e da centro direita de Guarulhos. Na votação ontem, 29 x 05 definiram a "vitória" da chapa "legislativo forte" (parece piada) para conduzir os trabalhos no parlamento local para o próximo período. Das cinco abstenções estão o Psol e divergentes da base do governo. E o que é interessante, a bancada do PT compôs a chapa e fechou questão no bloco "vitorioso". Ok, o passado não importa. Mas isso quando o seu adversário ou inimigo muda, o que não é o caso.

Na capital paulista o PT de São Paulo na mesma lógica se curva ao conhecido corrupto Milton Leite. Em votação unânime e também garantindo uma vaguinha na mesa diretora, deu cheque em branco para uma das figuras mais icônicas do entreguismo, oportunismo e mutretas da cidade de São Paulo, com divergência da bancada do Psol que apresentou candidatura alternativa e demarca como será a oposição a Covas.

E de São Paulo vamos para Belém do Pará, onde Zeca Pirão do MDB venceu com unanimidade o pleito, fazendo Psol e PT na mesa diretora. (FONTE: https://www.oliberal.com/politica/zeca-pirao-e-eleito-presidente-da-nova-mesa-diretora-na-camara-de-belem-1.341502) A governabilidade atua dentro dos padrões de um discurso sobre o "respeito as diferenças regionais", OK, mas onde ficam os valores universais? No fim, são apenas discursos que fazemos nos palanques, tudo segue o roteiro da Realpolitik  e os seus protocolos da ordem. 

Isso tudo mostra como será a prévia do que será a sucessão da Câmara dos Deputados/as e do Senado que seguirá a risca a ideia do "menos pior", onde de um lado está Arthur Lira (PP/AL) apoiado pelo bolsonarismo e Baleia Rossi (MDB/SP) pelo bloco liderado por Maia (DEM/SP), e já teve adesão da bancada do PT que negocia uma vaga na mesa diretora. 

Recentemente o militante Breno Altman tem sido uma voz solitária sobre o tema e apresentando suas razões para se posicionar pela disputa pela esquerda nas duas casas do Congresso Nacional, entre as justificativas estão a construção de unidade programática e firmar uma posição firme contra o bolsonarismo. (leiam em: https://operamundi.uol.com.br/opiniao/67903/a-falsa-escolha-de-sofia)

Entre os críticos está parte da classe assalariada média que vive envolvida pelos ideais liberais republicanos de que um dia alcançaremos a justiça social através de uma catarse abobada em que vamos nos dar as mãos e por magica a burguesia financeira irá ceder diante dos rostos felizes dos povos. Bom, eu não creio nessa babaquice, e se de mundo real que precisam, basta ver o processo de erosão da constituição de 1988 no período de 2016 a 2020, onde a burguesia governa desde o governo Collor por meio dos Projetos de Lei de Emenda a Constituição fracionando, destruindo e pilhando direitos por meio de medidas legais. Vamos contar quantas emendas a constituição a esquerda aprovou em favor da classe trabalhadora desde 1990? Nenhuma. Ah, e a lei da ficha limpa não conta, isso venho de forças progressistas com apoio da centro direita da Igreja Católica numa tentativa patética de combater corrupção colocando freios na democracia. Vamos lembrar que as brechas ajudaram inúmeros candidatos/as que se elegeram, exerceram mandatos, fizeram merda, retornaram, se candidataram e se elegeram...etc, etc., etc.

Há uma condição política de uma fração da classe assalariada média que flertar com as pautas da esquerda, mas que gosta de manter seu lugar de privilégios, atuando como opinião pública isentona, não se envolve nos processos de luta, prefere manifestações virtuais e reivindica um republicanismo liberal que foi abandonado já na ditadura de Luís Bonaparte (Leiam "O 18 Brumário de Luís Bonaparte", em Marx) e que em termos objetivos só condicionam o sistema e degradam as condições da classe trabalhadora. Aqui eu identifico o forte lugar de fala (quase monopólico) 

Sobre a atual situação: O que ter vaga numa mesa diretora pode significar? Bom, para o ocupante da cadeira temos a linha de sucessão, ou seja, no impedimento do titular e do vice, o presidente de qualquer parlamento ocupa provisoriamente o cargo de chefe do executivo. 

O que não é o caso. E na atual situação, ocupar vagas na mesa diretora? Isso amplia em assessoria e recursos na casa, e o membro ganha mais evidência em termos de exposição na mídia, mas não tem poder sobre a pauta, já que essa é prerrogativa do presidente e/ ou do colégio de lideres partidários. 

Historicamente para esquerda não fedeu nem cheirou.    

Aí você poderia me contestar. "Se não fede nem cheira, porque se preocupar?", simples, pela política estúpido!

Sim, por uma questão que tem valor para nós (esquerda) e não tem o menor valor para eles (representantes políticos da burguesia).

Outra coisa, posição que pode se estender para o futuro. Ou seja, uma vez que há alinhamentos de bancada, ainda mais numa composição pragmática, a tendência é ser cobrado por isso ao longo do mandato, até que haja uma situação limite em que ou se toma posição de rompimento ou se entrega de vez ao jogo parlamentar burguês. (A história é rica de exemplos, bora você ter o trabalho de pesquisar também) 

E as comissões? Bom no legislativo compor comissões é fundamental para se apropriar de certo poder no parecer de projetos de lei e outras medidas, mas historicamente para esquerda é um lugar também de marcar posição, já que temos situações como do final do ano guarulhense em que em menos de 48 horas o prefeito reeleito do PSD de Kassab enviou dois projetos de lei com pareceres relâmpagos destas comissões que tratam da privatização dos serviços de manutenção e construção na educação municipal (parceria público vaso sanitária/ privada)  e  extinção da empresa pública de serviços e obras municipais (Proguaru), nesses dois casos o parecer das comissões deixaria o personagem The Flash para trás. 

A esquerda parlamentar precisa fazer o que faz desde o século XIX ocupar o parlamento como lugar de denúncia e organização da classe trabalhadora, e mesmo longe dessas "facilidades" tem sido determinante para resistência nos Parlamentos. 

Num artigo recente (https://wagnerhosokawa.blogspot.com/2020/12/afasta-de-mim-esse-lula.html) citei a questão da "renovação" do PT e insisto na tese que no período de 2003 a 2010 perdemos a grande chance de construir uma unidade limitada interna para progressivamente renovar os quadros no parlamento, cirando a possibilidade de eleger, mesmo em cotas, setores da juventude, mulheres, negros/as e LGBTQI+, construir um amplo processo de ampliação no parlamento e fortalecer as esquerdas mesmo que num programa mínimo. Isso não foi feito e nem pensado. Mas ainda há tempo.

No final, é certo observarmos quem cobra de quem na relação com o PT. É um partido grande e expressivo, e no parlamento é sempre cobrado a assumir posturas de bancada parlamentar adequada e adaptada a ordem. Cobranças que vem dos intelectos da direita. Já que os laços coletivos e de classe foram rompidos, o que vale agora é o tratamento dado nesse processo de sucessão das casas legislativas: tratar com menor grau posições que podem desconstruir a ideia do porque é necessária a esquerda no parlamento. 

Cabe o partido, inclusive no parlamento levar a reflexão das massas e não o seu contrário. essa questão da opinião pública tem corroído os cérebros dos dirigentes, que preferem ser guiados pela idiotice geral em vez de serem eles parte dos educadores/as da classe trabalhadora. Leiam Gramsci!

Sobre o Psol e o caso de Belém, que não é o primeiro no caso das alianças momentâneas. Só Edmilson poderá provar que recuos no parlamento podem ser benéficos a classe trabalhadora, desde que acompanhadas paralelamente de uma estratégia que envolve ampliar a massa para um projeto de esquerda que resulte na ampliação da esquerda na sociedade civil e na sociedade política, e construir resistências ao modelo de Estado neoliberal traduzindo isso na relação com a categoria dos servidores públicos e do conjunto da sociedade.

No momento, nenhum movimento da esquerda brasileira que governou o Poder Executivo pode dar esse exemplo, o que tivemos é a velha forma de casuísmo e governabilidade dando em saldo zero para esquerda. 

Bom, vamos ver o que será. 

Depois de um período na governabilidade do legislativo, me contêm daqui dois anos no que avançamos ao entregar votos para corruptos de estimação.

Outra coisa, aguardo ansiosamente as notas de justificativa das bancadas em Guarulhos e em São Paulo. Ainda estou filiado, mereço essa consideração ainda.   



quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Vamos resistir e derrotar o fascismo com estudo e luta: doe agora!

 

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Mochila Militante

R$50,00

solidariedade é um dos pilares da e para a Editora Expressão Popular por ser o valor que temos como central para a construção do novo ser humano e de uma nova sociedade.

Na conjuntura que vivemos, com tantas ofensivas por parte do governo e das classes dominantes contra a vida, a Expressão Popular se propõe, em conjunto com os movimentos, a fomentar o desenvolvimento do trabalho de base nas periferias das cidades. Seja pela construção de bibliotecas populares, seja pela entrega da mochila militante.

Durante os três primeiros meses de 2021 entregaremos 500 Mochilas para 500 militantes que estão atuando nas periferias urbanas em 24 Estados do Brasil, contendo 3 livros, 3 cartilhas e um caderno, leituras fundamentais para compreender a nossa conjuntura e a dinâmica da luta de classes! Uma forma concreta de participar do processo de formação pessoal de cada militante.

Seguiremos o exemplo de Che que sempre carregava livros em sua mochila e o ensinamento de Paulo Freire: “A leitura é um ato de amor”.

Participe fazendo qualquer transferência bancária:

Editora Expressão Popular Ltda (CNPJ: 03.048.166/0001-76)

Banco do Brasil – Agência: 0442-1  | C/C: 283858-3

Ou simbolicamente assumindo os custos de uma (ou mais) Mochila Militante! Para saber mais informação sobre a campanha, envie um email para solidariedade@expressaopopular.com.br

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Expressão Popular e Movimentos Populares

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Afasta de mim esse Lula!

 


Afasta de mim esse Lula!

Na política nada é previsível. Mas alguns fatos ainda deixam inquieto esse inexpressivo militante, que depois de quase 24 anos dedicados ao partido, ainda se surpreende com algumas posições.

Os personagens da semana são Jaques Wagner, Alberto Cantalice e Paulo Paim, para citar alguns que declararam publicamente que após o resultado das eleições municipais de 2020, “o PT deve seguir sem Lula", "buscar se renovar e ter mais autonomia”, ou seja, que o partido siga sem a interferência do grande líder dos povos, presidente de honra do partido, filho incontestável da categoria metalúrgica do ABC, enfim, pedem “renovação” que passam por “dar férias” para Lula.

Já vi movimentos parecidos como este e que naufragaram, sito a “Mensagem ao partido" que surge como alternativa de ex-dirigentes do campo majoritário envergonhados com a crise do “mensalão" e que em geral tentam oportunamente se aproveitar das crises pelo qual passam o partido. A proposta não vingou porque subestimou a máquina partidária majoritária que no pós Lula 2002 mudou de nome de “Articulação Unidade na Luta” para “CNB” Construindo um Novo Brasil.

Quero aqui declarar minha posição histórica: no PT nunca fui lulista. Militei na esquerda socialista do PT, compus coletivos e teses como “Socialismo ou Barbárie” no final da década de 1990, a “Esperança é vermelha", dentre outras chapas e teses que defendiam que Lula, como figura pública, deveria se centralizar como militante e filiado, se submetendo a decisões coletivas do partido. Relembremos 2002, onde Lula na sua postura arrogante de exigir do partido “unanimidade", votamos em Suplicy defendendo o debate e da democracia interna.

Sempre fui petista, buscando construir um partido da classe trabalhadora, por isso, nunca fui lulista. Não desprezo e nem desrespeito sua história e o que representa, mas o partido deve ser o instrumento das lutas e não suas personalidades.

Muito bem. Diferente de mim e de vários militantes que tem essa compreensão e construção do PT, os companheiros Jaques Wagner, Alberto Cantalice e Paulo Paim literalmente cospem no prato que comeram e se lambuzaram, são do campo majoritário e dirigentes da CNB (Construindo uma Nova Balbúrdia) e ao se referirem assim ao grande líder é a mais alta traição.

A conjuntura política é caótica. O Bolsonarismo fascista neoliberal dá sinais que sobreviverá e não irá sair tão cedo do poder, pois se mantém vivo pela política econômica entreguista e financeira de que é fiadora ancorada em Paulo Guedes, o seu mandato e a pilhagem do Estado entregue aos partidos do “centrão” seguem como um projeto de tornar o país numa caricatura da economia dos EUA.

Assim, devemos considerar a narrativa fascista mais funcional ao financerismo neoliberal e dessa elite medíocre, do que um governo dos “bons costumes” tipo Jânio Quadros. Não, esse é um projeto que une mais interesses particulares de riqueza pessoal por meio do Estado que inclui um laissez faire laissez passer geral do bloco político e econômico dominante. Como disse a economista Maria da Conceição Tavares, “o tempo dos capitalismos nacionais ficou no século XX”, esse século XXI retrocedeu duas casas e se converteu em século XIX nas relações de trabalho e na brutal normalização da desumanidade.

Defender projetos nacionais sem que possamos antes discutir como construir um processo que recomponha a condição da classe trabalhadora em vínculos duradouros primeiro de sobrevivência e depois de organização, mesmo que não seja por um vinculo formal, mas que garanta uma renda fixa, continua e não essa lógica da uberização, que coloca a vida humana sempre no fio da navalha, ou enfrentamos essa realidade ou nenhum discurso ou ação pontual será capaz de retomarmos a luta de classes pelo menos num nível aceitável de resistência.

O fato é que essa classe trabalhadora apoiada na grande indústria, com vinculo formal e que compunha parte orgânica do Estado está fragilizada, isso quando observamos que a indústria nacional corresponde por 22% em 2019, empregando 20% dos/as trabalhadores/as formais frente aos quase 20 milhões de desempregados em 2020, parte causada pela pandemia do COVID-19 e da negligência do governo Bolsonaro e dos estados como Doria em São Paulo, e frente aos 38 milhões de trabalhadores/as informais, temos um vazio que é acompanhado pela redução de políticas públicas que poderiam reduzir esse desastre nacional.

Não derrotamos a lógica da privatização durante os governos do PT, a escolha foi uma “convivência pacifica”, não potencializamos e nem aproveitamos para criar alternativas como na economia solidária ou cooperativismo, menosprezamos as possibilidades de democratização e democracia participativa por meio de políticas sociais, não fortalecemos no campo, em particular, as organizações camponesas, quilombolas e indígenas, nos apoiamos num republicanismo pobre que em 131 anos de República sempre foi marcado por regimes autoritários, ditatoriais e antidemocráticos, subestimamos a formação da Escola Superior de Guerra e que forma ainda nas suas salas de aula um típico militar oportunista e autoritário, de ideologia dominante, vê na ascensão dos pobres uma declaração de guerra contra sua civilização perfeita.

E diante disso tudo, Lula ainda teve que ser “cancelado” pelas elites e seus mercenários no Poder Judiciário, não bastava o golpe midiático-judicial-parlamentar-machista, precisava neutralizar a esquerda e a centro esquerda. Lula livre acabou se tornando uma ideia frente a uma ameaça que não privava apenas o PT, mas toda esquerda brasileira, ausente e escamoteada dos instrumentos do Estado. Não construímos hegemonia, e mesmo as armas que temos precisariam ser retiradas, nessa conjuntura totalitária, Lula “paz e amor” também não poderia jogar o jogo.

Reafirmo minha análise anterior: o partido não compreendeu o que aconteceu em 2016. Não compreendendo a dimensão do golpe segue tratando 2018 como uma “gripezinha” e anestesiado com um segundo turno que levou Haddad não vê as ameaças que seguem construindo o poder das elites e destruindo o Brasil.

Quer tratar a disputa de 2022 como um problema de nomes ou alianças. Atua ainda na ação cosmética e estética dos problemas dos movimentos sindical, popular e da esquerda, segue fazendo disputas, cálculos e negações diante da realidade.

Prefere do esgoto das velhas articulações usando palavras como “renovação”, querem ser a patética reprodução falseada da sua “revolução democrática” que não construiu um novo Brasil, mas pela ausência de constituir uma classe trabalhadora fortalecida, preferiu governar para uma classe assalariada média despolitizada, medíocre e ávida por privilégios das quais não tem e não terá acesso, já que estes privilégios pertencem a classe dominante, que ri em demasia da submissão destes trabalhadores mergulhados na piscina de merda das ilusões do “empreendedorismo” num país que caminha para se tornar numa caricatura de serviços e dependente (novamente) dos países desenvolvidos do capitalismo.

Ascender ao poder não dá ao indivíduo um livre passe para fazer o que quer, na esquerda inclusive, alçar espaços de poder deveria ser uma tarefa que deve se submeter a organizações e coletivos, já que para angariar votos prega a ideia da defesa e do serviço a estas organizações e coletivos.

Nosso mito construiu sua trajetória, fez opções e compôs o projeto de poder que o fez ser quem ele é, Lula resiste ao tempo. Não é eterno, não mesmo. Poderia dar um giro na defesa dessa “renovação”, poderia. Mas teria poder? Ninguém ousa questionar Lula no PT. Mas quanto de poder Lula possui para mudar a lógica interna?

Eu arriscaria que no momento nem mesmo o grande líder poderia mudar a lógica como se movimentam as forças internas, seus interesses e questões que estão em jogo. Muito se atribui a Lula, mas como se comprova?

E mesmo que Lula apoiasse a renovação. Não há indivíduos no PT que não estejam alinhados a tendências, teses, projetos ou um coletivozinho que seja, é um partido e as pessoas não estão flutuando no ar. Portanto, renovar seria, por exemplo, colocar a juventude do PT no centro da estratégia, e não apenas nos discursos. Teria que determinar que independente dos interesses internos, alguns jovens seriam designados como tarefa do partido colocar no centro das decisões e inclusive das eleições. Quem renunciaria a seus interesses internos? E quantos pedidos Lula teria que fazer Brasil afora para que isso se concretizasse?

Não são perguntas com respostas fáceis.

Só sei que nunca fui lulista. Mas não sou aloprado.

domingo, 29 de novembro de 2020

Eloi Pieta não venceu, mas quem foi derrotado foi o PT de Guarulhos.


 


Em 2009 o PT foi derrotado em Santo André (SP) encerrando uma hegemonia que foi construída pelo prefeito Celso Daniel, assassinado em 2002. Um companheiro que foi eleito vereador, Tiago Nogueira me disse como seria a estratégia do partido para enfrentar a derrota e construir a oposição, e uma delas foi a decisão da bancada em manter o Orçamento Participativo (OP) por meio das emendas da bancada do PT, demostrando unidade na Câmara de Vereadores/as, dentre outras ações. Em 2012 o PT voltava para prefeitura com a vitória de Carlos Grana. 

Essas lições são algumas das quais analisarei sobre a derrota de Elói Pieta à prefeitura de Guarulhos (SP). 

E por que a derrota é do partido? 

Vamos aos fatos, aos 95% das urnas do segundo turno apuradas, a distância de Guti (PSD de Kassab) de Elói é cerca de 14%. Ou seja, perto dos 10% que em minha avaliação poderiam ter sido conquistados já, se o partido tivesse cumprido sua tarefa na oposição, escolhido ficar imerso no cotidiano da população e reunido a militância em reuniões revelantes e não nas chatissimas discussões intermináveis sobre quem é o melhor ou as velhas marcações de posições.

Digo disso diante da realidade. O governo Guti é a imagem do novo com a velhas elites políticas, envolvido em polêmicas e ausências fez com que a saúde saltasse como o maior problema da cidade, onde 70% de pesquisados pelo IBOPE consideram o principal problema de Guarulhos cidade, o problema do aterro sanitário onde houve tragédia por má gestão e tentativa de ampliar para interesses de máfias que compõem a questão do lixo e a desaprovação que supera a barreira dos 40%, mesma média de rejeição apontada pelas pesquisas eleitorais. Cidade abandonada, foi maquiada descaradamente no ano eleitoral e o asfalto foi o protagonista.

Bom, e o PT? O partido não mudou algumas lógicas, e a prova é a própria campanha majoritária que afastou o próprio PT (como símbolo e identidade) e que parece uma anti marca na maioria das nossas candidaturas do partido, a direita na contramão explora a ideia de que o “PT é ruim", e o próprio PT assume a carapuça quando esconde. Espero, como sempre, que seja feito um balanço.

Na verdade fatores anteriores também pesam. Tínhamos uma bancada de sete vereadores, um foi para o Psol e foi reeleito recentemente, e era o mais atuante. Mas a bancada e o partido ficaram inertes nesses anos até o processo de escolha do candidato. Nesses quatro anos nenhuma ação pesada, não foi realizada uma permanente de fiscalização e denúncia, enfim nada foi feito de forma efetiva e o partido tinha poucas atividades politicas. Mesmo com o acordo entre o Alencar (dep. fed./ CNB)  e o Eloi (onde havia ameaça de previas internas) ainda assim fizeram com que o partido se colocasse para disputa sem a marca da oposição e sim da “mudança segura".

Elói ir para o segundo turno foi uma façanha, já que na última eleição que disputou em 2016 ficamos em terceiro lugar. Agora, a conjuntura foi aliada, onde “bateu aquela saudade do PT", em uma cidade que em 2018 o eleitorado mudou, aqui Bolsonaro levou 60% dos votos. 

Há gerações que não viveram o governo do Elói ou grupos e lideranças de bairro que escolhera manter seus projetos pessoais dependendo do financiamento do atual governo para suas "ações sociais" e migraram rápido para o colo de Guti. O OP em Guarulhos havia completado 10 anos em 2011 e mesmo assim, foi extinto em 2017 pelo atual governo, sem nenhuma reação da população ou do partido .

Ou seja, a vitória poderia ser por um mínimo, nossa distância do atual prefeito no primeiro turno foi de 10%, não é muito se considerar a onda “anti PT", mas poderia ter sido conquistada com uma ação do partido ao longo dos quatro anos.

As urnas mostram então quais devem ser as prioridades políticas do PT daqui para frente. Uma delas é erguer sua sede no Pimentas, como dever e respeito a população que de fato reconheceu o trabalho realizado pelos governos petistas, já que a região deu 61,88 % dos votos para Elói contra 38% de Guti. Em duas regiões há empate evidente, na grande região que envolve São João, Presidente Dutra e Bonsucesso, Eloi vence com 50% contra 49% de Guti.

Analisando onde Eloi foi derrotado, vejamos onde houve empate, como em Cumbica e adjacências, pois Guti vence com 53% contra 46% de Eloi, região periférica e que está polarizada, em outra região considerada periférica foi bem diferente, Cabuçu-Recreio-Taboão deram 66% para Guti contra 33% de Eloi, região marcada por reclamações de abandono de ambos candidatos na série histórica dos prefeitos da cidade.

A resposta da classe assalariada média preferiu a continuidade, se observamos a região da Ponte Grande Guti vence com 73% contra 26% para Eloi, em outra Cecap-Vila Barros Guti vence com 61% contra 38% e a região do Centro expandido (reunindo o bairro do Continental e adjacências) deu 71% para Guti contra 28%. Em todas tanto Guti como Eloi cresceram, em nenhuma região do primeiro turno para o segundo ambos conquistaram votos.

O que fazer diante dessa realidade? Guti teve ascensão mais pela onda anti-PT do que pelos seus mandatos na Câmara, como prefeito preferiu gerenciar mais do mesmo, fez um governo medíocre onde se envolveu em confusões causadas mais pelos seus próprios aliados do que pela oposição e ficou evidente que colocou a máquina para funcionar no processo eleitoral. A reeleição se deu mais pela ausência de oposição e não por um governo com uma marca ou dinamismo de gestão pública.

O PT precisa fazer uma avaliação política, repito política. A ausência do uso de personalidades como Lula na campanha evidência que a estratégia foi se afastar do próprio partido, e a imagem do grande líder NÃO aparece em nenhuma peça publicitária da campanha, bem diferente dos tempos áureos do petismo na cidade.

Não digo apenas o PT de Guarulhos. É uma questão nacional e que não devemos botar apenas na conta do bolsonarismo, este foi pra debaixo da mesa nessa eleição e o centro pragmático foi o vencedor. Sinais de que podemos estar perdendo a simbologia da constituição de 1988, marcada pelos direitos sociais e por políticas públicas. 

Mas por enquanto só posso falar de Guarulhos.

Os dados provam que algumas teses simplistas e despolitizadas não se confirmam: uma delas é a de que Eloi fora do PT poderia ter sido eleito, errado, tanto que o PT foi o partido com maior número de votos na cidade e elegeu cinco vereadores mesmo depois de um tsunami anti partido ter atingido em cheio em 2016 e 2018. Outro mito da derrota é a imagem do PT, a frase “não voto no PT" escuto desde os meus quinze anos, e agora com 41 anos, esse tipo de preconceito partidário é comum em sociedades onde a elite controla, manda e polariza a política contra seus inimigos de classe, e por fim não há espaço vago na política, se o partido não construir unidade programática mínima e ação política permanente e de massas melhor não se assustar com o futuro se não lhe for favorável.

No final não vamos culpar a vítima, a população. Se somos militantes de esquerda devemos ter análise de classe, compreender que há uma classe trabalhadora assalariada presa a ilusões políticas estéticas, sem quem dialogue com seus anseios, dúvidas e possibilidades, categorias profissionais que precisam de apoio e articulação, e a necessária politização da política.

Aqui é só uma análise preliminar. Espero que hajam outras sem julgamentos, catastrofismos, culpabilização, denuncismo, enfim, desejo o melhor para cidade, e a oportunidade foi perdida.

Abaixo, imagens tiradas de print do site G1 com a divisão eleitoral.
















sábado, 21 de novembro de 2020

Vidas Negras Importam! Antecedentes importam?

 





Novamente o Carrefour é centro de uma brutalidade. Novamente a brutalidade envolve um homem negro. Outras brutalidades já foram registradas e as brutalidades trabalhistas nem se fale, a lista é enorme, quem quiser conferir vai algumas matérias (clica no link): 

https://www.brasildefato.com.br/2020/11/20/sete-vezes-em-que-o-carrefour-atuou-com-descaso-e-violencia

https://secrj.org.br/noticias/liminar-determina-que-carrefour-acerte-as-contas-com-trabalhador/

http://www.esquerdadiario.com.br/Crise-Carrefour-lucrou-tanto-com-a-reforma-trabalhista-que-comprou-a-rede-concorrente

Mas o que me importa nessa breve reflexão é a postura da grande mídia e sua velha condição de classe. Assim que as imagens envolvendo a agressão contra João Alberto e sua morte por asfixia por seguranças da rede de supermercados. 

No calor de noticiar o fato a grande mídia teve tempo nas edições das suas matérias de "puxar" os antecedentes da vítima ao levantar que o mesmo tinha registros anteriores de violência doméstica, ameaça e porta de arma ilegal. Bom, se fosse liberal e moralista, me bastavam na minha débil análise justificar o discurso de que "o sujeito provocou a sua morte".

Mas não sejamos imbecis!

A razão humana evoluiu muito para minimizar problemas estruturais e cotidianos da sociedade.

Se João Alberto tinha pendências ou erros isso já estava sob a atenção do sistema jurídico do chamado Estado Democrático de Direito. Estado negado pelos fascistas, mas que respeita seus direitos civis e humanos.

Voltemos ao assassinato. Agora após informações recentes do caso, foi um assassinato. 

Qualquer profissão, qualquer profissão mesmo. Recebe a instrução e a formação necessária para o desempenho das suas funções, a minha, a sua, a de todos e todas nós. Profissões que lidam com o público principalmente. Ou pelo menos deveria ser apesar das imagens em contrário no caso de João Alberto.

E mesmo que João tenha errado. Que ele pudesse desfrutar da "liberdade" que a sociedade constitucional e liberal que as repúblicas no capitalismo a proporcionam. Sendo encaminhado para órgãos de segurança ou advertido conforme pede a nossa legislação devidamente racional.

Mas o caso seguiu por outro caminho. Os seguranças usando o poder que não lhes cabia agiram como animais, abandonaram o suporto poder do exercício das suas funções e partiram para agressão e a violência.

O fato é que João Alberto Silveira Freitas morreu. Não foi contido dentro das "normas profissionais", não foi encaminhado a um órgão de segurança ou de justiça e nem vai poder apresentar suas alegações sobre o fato. Foi calado.

Sobre os seus antecedentes? Tenho visto e perdido tempo com as "nobres" e porcas opiniões nas redes sociais, lugar realmente tóxico para humanidade e as alegações são no mínimo incríveis. 

Primeiro, os que cobram da esquerda "coerência". Pois estaríamos defendendo um "agressor de mulheres". Bom, jamais defenderíamos João Alberto se a cena fosse dele agredindo uma mulher. Outra coisa, a máxima liberal do "defendereis suas ideias mesmo que não concorde com nada que dizes", as vezes vale mais pelo gesto da esquerda do que pela coerência da direita. Defendemos sim o respeito a dignidade humana que foi privada no caso de João Alberto. 

Segundo, o discurso de ódio do "aqui se faz, aqui se paga", naqueles eruditos de centro que dizem que o mesmo pelos seus antecedentes, "provocou" a situação que lhe tirou a vida.

Agora, quando as vitimas são brancas e de classe social superior, não vejo a mídia pesquisando e expondo seus antecedentes. Muito pelo contrário, a vitima branca e de renda superior vira mártir de uma injustiça brutal.

Outra ponto central: E onde está a JUSTIÇA para os inúmeros jovens, homens e mulheres negros e negras que não possuíam ANTECEDENTES CRIMINAIS e mesmo assim perderam suas VIDAS? 

Estes, sem os antecedentes, perderam suas vidas e nada se fez em termos de justiça!

Ou seja, a regra continua sendo racial. 

O único antecedente que importa é o histórico. E este reafirma a necessidade do 20 de novembro e de todos os dias de todos os anos até que de fato todas as vidas negras importem. O que já denotaria grande passo de humanidade.

Enquanto isso. Vamos seguir denunciando, destruindo se necessário o que simboliza e mantem a lógica perversa do racismo em nosso país e no mundo.