sexta-feira, 12 de março de 2021

Os que lutam toda vida são imprescindíveis! Com grande pesar, MST se despede de Joaquin Piñero

 Uma grande perda para classe trabalhadora! Kima era um companheiro que tinha paixão pela luta revolucionária, o conheci na Consulta Popular e depois nas lutas em parceria com o MST. Não nos falávamos muito, mas sempre que nos víamos nas lutas era acolhedor. Sua perda deixa a vida triste e nos deixa a certeza que seguimos, do luto a luta, Kima Presente!

Segue abaixo a nota do MST:

12 de março de 2021

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Joaquin iniciou sua militância no MST em São Paulo e dedicou mais de 20 anos de sua vida na luta pela terra. Foto: Arquivo MST

Os que lutam toda vida são imprescindíveis

 

Com grande pesar, MST se despede de Joaquin Piñero

 

 

É com grande pesar que nos despedimos do companheiro Valquimar Reis, nosso estimado Joaquin Piñero ou Kima, como era carinhosamente chamado pela militância Sem Terra. Joaquin faleceu na noite desta última quinta-feira (11/3), após complicações em seu estado de saúde.

 

Rondonense, flamenguista, iniciou sua militância no MST em São Paulo e dedicou mais de 20 anos de sua vida na luta pela terra, pela Reforma Agrária Popular e por uma sociedade mais justa para a classe trabalhadora. Atuou em diversos setores, estados e missões internacionalistas no MST.

 

Violeiro, poeta, sempre nos encantou com sua moda enluarada, e era um apaixonado pelo samba.

 

Desempenhou várias atividades dentro do MST, entre elas relacionadas as tarefas internacionalistas, sendo nosso representante na Articulação dos Movimentos Populares da ALBA, participando de inúmeros processos importantes na América Latina.

 

Em certa ocasião teve uma prisão injusta, que roubou muitos meses de sua vida. Mesmo assim não desanimou, era exemplo de persistência e otimismo. Joaquin organizou um cursinho supletivo na cadeia e passou a ser conhecido pelos presos como “Professor!”. Todos seus alunos na turma passaram.

 

Nos últimos anos de sua vida atuou no Rio de Janeiro, dedicado nas articulações em diversos setores da sociedade. Estudou Serviço Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) através de uma turma especial do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Joaquin estava assentado no Irmã Dorothy, em Quatis, no interior do Rio.

 

A alegria, o companheirismo, o amor com a família e compromisso com a luta são algumas características de Joaquin. Sempre muito querido por todos ao seu redor foi um militante dedicado, movido por grandes sentimentos de amor, como nos legou Che Guevara.

Joaquin deixa duas filhas e uma companheira amada, as quais estendemos toda a nossa solidariedade neste momento de dor. A família Sem Terra perde um dos seus membros valorosos e reafirmamos o compromisso de nos mantermos na luta pela emancipação da classe trabalhadora.

 

O MST está de luto, mas honrará seu legado de militância e dedicação.

 

Rio de Janeiro, 12 de março de 2021
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra




sábado, 20 de fevereiro de 2021

Artigo | Nestlé e Mondelez processadas por escravidão de crianças na cadeia do cacau

Artigo | Nestlé e Mondelez processadas por escravidão de crianças na cadeia do cacau: Ação contra duas das maiores indústrias de alimentos do mundo corre em Washington (DC) e envolve diversas empresas

Ação contra duas das maiores indústrias de alimentos do mundo corre em Washington (DC) e envolve diversas empresas

São Paulo (SP) |
 

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Processo inédito na cadeia produtiva do chocolate cobra empresas por trabalho infantil forçado em plantações de cacau na Costa do Marfim
Processo inédito na cadeia produtiva do chocolate cobra empresas por trabalho infantil forçado em plantações de cacau na Costa do Marfim - Divulgação/MPT

As duas maiores indústrias de alimentos do mundo, Nestlé e Mondelez, estão sendo processadas por escravidão de crianças na cadeia produtiva do cacau e do chocolate. A ação corre na capital dos Estados Unidos, Washington DC, e envolve também as empresas Cargill, Barry Callebaut, Mars, Olam e Hershey.

A ação foi movida pela International Rights Advocates (IRA), em nome de crianças que foram forçadas a trabalhar em plantações na Costa do Marfim, país que produz mais de 40% do cacau comercializado no mundo. O assunto foi tema de reportagem no jornal The Guardian.

Leia mais: A cada 15 dias morre uma criança vítima do trabalho infantil no Brasil

As multinacionais acima citadas são as principais beneficiárias da exploração. Caberia a elas, como controladoras da cadeia produtiva, não permitir crimes nos elos que ligam as fazendas de cacau ao produto final, o chocolate vendido em lojas ao redor do mundo.

O processo contra as empresas é inédito nesse mercado. Pode representar o rompimento de uma extensa rede de proteção e conivência, que evita a responsabilização criminal de multinacionais envolvidas em violações aos direitos humanos.

No Brasil ocorre problema idêntico ao da África. Pesquisa conduzida por este autor, em parceria com o Ministério Público do Trabalho, identificou seis multinacionais que exploram trabalho escravo e infantil na produção de cacau. As empresas são: Nestlé, Mondelez, Garoto, Cargill, Barry Callebaut e Olam. Parte dessas empresas está com ações ajuizadas pelo Ministério Público do Trabalho.

As empresas não falam publicamente sobre o assunto. Limitam-se a informar que seguem a legislação e que adotam princípios corporativos de responsabilidade social. Além de problemas no cacau, a Nestlé também está envolvida com trabalho infantil na cadeia produtiva do café, por intermédio da famosa marca Nespresso.

Leia também: Trabalhadores da Nestlé na América Latina se articulam contra “práticas desleais”

A Nestlé, principal indústria mundial de alimentos, com uma capitalização de mercado de US$ 200 bilhões (mais de R$ 1 trilhão), deveria dar o exemplo, mas não dá. Recentemente, a empresa anunciou que irá plantar um milhão de árvores nativas da Mata Atlântica, sob o pretexto de estar “cuidando do planeta para o seu filho”. Só no Brasil, são oito mil crianças e adolescentes em condições desumanas em fazendas de cacau.  Parte delas trabalhando para a Nestlé e as outras multinacionais do setor de alimentos.

Se a empresa valorizasse a vida e cuidasse de sua própria cadeia produtiva, poderia fazer muito mais do que jogadas de marketing.

* Marques Casara é jornalista especializado em investigação de cadeias produtivas. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP

Esqueçam 2021, vacina a passos lentos é hora de organizar o campo popular contra o fascismo!


 Texto no pôster: Estamos nos preparando para repelir o inimigo, Moscou e Leningrado, 1927. Autor: Merkulov Lu


Janeiro de 2021 passou. Passou a ressaca das eleições das duas Casas Legislativas e no final o bolsonarismo venceu. Venceu? Ou nunca perdeu! Baleia Rossi era a face da mesma moeda com perfume, mas sinalizava que impeachment não estava no seu horizonte, que os planos da política econômica assassina de Guedes seguiria e que mesmo após a COVID 19, os/as trabalhadores e trabalhadoras ainda iriam amargar com essa lógica financeira e neoliberal. Reformas contra a população que iriam ou irão, ter impacto mais devastador que a própria pandemia. As mesmas mentiras de "reformar para melhorar", sem que você, leitor ou leitora se pergunte: "melhorar para quem?" E no final, a resposta oculta é sempre a mesma, para os mesmos ricos e as elites de sempre!

Geralmente sou o otimista da sala. Mas não sobre 2021. Basta ver ao redor, governos medíocres e gestores do interesse do capital, BolsoDoria e minha versão local, BolsoDoriaGuti, todos serviçais do interesse privado em detrimento do público, eleitos num sistema que segue a mesma lógica das elites, com raras exceções o governo do PT venho após mais de 500 anos de colonização e expropriação de riquezas e direitos sociais, e querendo governar dentro das regras, deles!, deu no deu.

Por melhores analises que se façam do lado de cá. Por melhores cartas, comunicados e todo tipo de manifesto. O pouco que avançamos é necessário, mas ainda é pouco. Por mais que tenhamos avançado nas eleições municipais e com as conquistas de mandatos com perfil de combate no campo popular. Nada no horizonte aponta para uma saída de curto prazo para derrotar o bolsonarismo.

É evidente que não acredito em saída de curto prazo. 

Mas a direção do PT e algumas esquerdas sim! Quanto trata a questão como algo que caminha "naturalmente" para o processo eleitoral de 2022 e quando o ungido de Lula diz que "o antibolsonarismo é maior que o antipetismo" (fonte: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/02/10/antibolsonarismo-e-mais-hoje-forte-do-que-o-antipetismo-diz-haddad.htm) é um jogo de retórica que esquece que Bolsonaro joga em mais de uma frente. 

Pode "ele não" ter sido um deputado atuante, mas conhece os corredores do Congresso e soube se alimentar de narrativas para compor base eleitoral. Ou seja, otário é quem acredita que "ele não" saiba jogar o jogo, e a eleição da presidência da Câmara e do Senado mostram que se de um lado o fascismo babante mantem a base eleitoral, do outro o jogo matreiro da politica convencional reúne forças, e o Centrão e o PMDB estão aí pra provar que tudo é possível.

Vamos lembrar que ele deu rasteira no Moro. E se depender de como caminham as coisas por aqui, a tendência de manutenção de 30% de seu eleitorado segue firme e aterrorizante é saber que nas redes sociais "ele não" segue no topo das redes sociais, evidenciando que algo está fora da curva na política tradicional da direita, no centro e a esquerda. (fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/balaio-do-kotscho/2021/02/17/bolksonaro-continua-senhor-das-redes-sociais-com-399-milhoes-de-seguidores.htm)

Não é falta de aviso e nem de criticas. Mesmo no "bate e assopra" da Glogolpe ou de outros firmes comentaristas políticos, o certo é que o abismo que se abriu entre a classe assalariada média e o conjunto geral da sociedade é um fato que precisa ser analisando, interpretado e levado para nossa prática cotidiana.

Estudos futuros irão ter que nos apontar o que é essa nova comunicação de massa que vem de personagens como "ele não". Alguns sinais no processo histórico e nas conjunturas podem nos explicar num fato que me deixou preocupado um ano antes da eleição que levou a vitória do "ele não", onde em 2017 estava em Fortaleza (CE) de férias e eu e minha companheira andando pela feirinha de artesanato vimos uma camiseta estampada com a cara do individuo "Bolsonaro", e pensei, bom a uns vinte anos atrás essa iniciativa popular era tomada em produzir o rosto de Lula como símbolo de indignação ou referência do anti sistema. 

A expressão dessa mudança se deve pelo abandono do trabalho de consciência de classe, em particular pelo PT, e a velha forma de se fazer política no Brasil. País com um contingente de trabalhadores/as na pobreza e onde a desigualdade permite que o individual se afirme no jogo neoliberal do "cada um por si" impedindo que a dimensão do fazer político seja parte integrante da solução dos nossos problemas.

O trabalhador e sua banquinha com sua iniciativa de comercializar uma camiseta com a foto do "ele não" apenas expressa sua conexão com a tendência que viria a ser nosso terror em 2018 nas eleições presidenciais, ou seja, o trabalhador e a sua banquinha analisaram a conjuntura com maior destreza do que muitos de nós "sabidos" da política. 

2021 foi inaugurada pelas carreatas "Fora Bolsonaro" e "Impeachment", inusitadamente além da esquerda, setores do golpe de 2016 como o MBL (o fascismo de sapatênis) também aderiu, mas não quer se "juntar com a gentalha". Ainda bem, nós a gentalha preferimos manter as coisas no seu lugar. 

Mas mesmo com o conjunto de desmandos, genocídio e ilegalidades que vão desde a crise do Covid com atraso no Plano Nacional de Vacinação e quase sessenta pedidos de impeachment o governo do "ele não" segue impune.

Isso nos faz ficar acuados? Não. Há resistências que vieram das eleições municipais. O que há é dispersão, e isso é o elemento que ainda nos preocupa. E a pressão de 2022 não contribui.

Desde a aprovação da Constituição de 1988 as reformas que seguiram foram promovidas pela burguesia, em termos de Estado o desmonte e a pilhagem foi acelerada pela mudança de rota do capitalismo mundial, em tese, os liberais não tem o que reclamar, esse Estado é deles e segue sendo, mesmo durante os governos do PT. E isso diz muito sobre qual devam ser nossas preocupações de agora enquanto esquerda. 

Regredimos no campo institucional e voltamos a nos aquartelar no parlamento. Sobrevivemos no campo popular com os movimentos sociais seguindo firmes mesmo diante do encerramento dos investimentos do orçamento e do fundo público em políticas sociais. Os sindicatos seguem respirando, mas alguns seguindo para os respiradores enfrentando a maior regressão de direitos trabalhistas da história (como diria Carlos Lessa, a busca da burguesia neoliberal é de enterrar a era varguista).

Depois de muito anos dedicados a militância organizada eu mesmo estou em recuo. Sem um coletivo e sem uma direção fico atuando pontualmente. É o pior dos mundos para um leninista, mas até o velho dirigente teve seus momentos de recuo e imersão. Mas esse momento me abre uma janela de reflexão e observo hoje um abismo entre os ativistas e militantes orgânicos e a coletividade em geral. 

Já apontei criticas a isso em outro artigo que publiquei sobre erros na lógica militante da esquerda brasileira sobre os militantes profissionais e que não tem relação alguma ao modelo bolchevique, nem em tática, estratégia ou dedicação à classe. E agora reconheço que a disposição que eu e outros camaradas não se expressa na realidade atual. Não éramos melhores, mas estar liberado era como um dever que exigia ignorar família, lazer e o tempo. Ainda há muitos e muitas seguindo essa máxima, mas a rigor deveria ser a regra e não a exceção, já que militância politica na esquerda é diferente da horda de cabos eleitorais na direita.

Pode ser que 2022 possa ser aglutinador? Sim ou talvez. E ainda assim é a expressão da nossa tragédia quando perguntamos "quais foram os esforços de construção de uma práxis unitária contra o fascismo reinante no Brasil de agora?", mesmo que estejamos dispersos, isso não impediria pelo menos uma Mesa de Negociação pela unidade. Porém, não é o que temos. 

Os partidos seguem com sua relevância no cenário de disputa politica e por isso deveriam ter a maior responsabilidade sobre o processo no campo popular e das esquerdas. Negar isso é desconhecer a sociedade civil no Brasil. Não há experiências que provem o descolamento ou deslocamento fora desse instrumento político. 

A luta pela memória é dever da esquerda. Confusões que se perpetuam como o mito da ditadura militar branda e o "Brasil que ia pra frente", ou a adoração ao nazifascismo são expressões do momento e sinalizam que nosso dever deve ser levado a potência máxima.

Formar, formar e formar. Estudar, estudar e estudar. Ler, ler e ler. Atuar nos pequenos espaços, reunir pessoa a pessoa, dialogar e refletir, ocupar cada micro espaço e criar trincheiras de pensamento critico. 

Atualmente sem coletivo ou direção, sigo livre para cumprir essa tarefa sem precisar ter foco em criar seguidores ou panelas, admito que é muito libertador contribuir com a formação e fortalecer novos sujeitos políticos que ao avançarem em seu processo de consciência escolham por si os seus caminhos de luta, no nosso campo, o campo popular. 

Não desprezo as organizações, mas não há tempo de ficar disputando entre nós. Há uma sociedade para disputar e isso já é uma grande tarefa. 

Derrotar o fascismo deve guiar nossa práxis.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

O dia em que eu mandei um "FODA-SE TWITTER"

 

Cada vez mais vou reestabeleendo minha humanidade. Ganhei parte do meu tempo que perdia com o face e estava no twitter para obter mais informações e menos egocentrismos.

Durou até onde deu. 

Quando os cães de Trump invadiram o Congresso, mandei a real e foi minha última vez no twitter.

Denunciado por algum fascista nacional, meu singelo "Fogo nos fascistas" foi interpretado como discurso de ódio. 



Ok, no mundo das interpretações, fico com as convicções de quem não crê em mudanças pacíficas em um mundo que brutaliza populações como a que estamos vivendo.

Não considero fascistas humanos. E na história mundial não faltam provas. Desde a ascensão de Hitler e Mussolini, do horror da Segunda Guerra e dss expressões de ódio (de fato) dos seus seguidores atuais, uma ideologia que prega eliminação de outros humanos despreza a vida em nome da sua concepção de mundo não é humana.

Eu diferente sou comunista, meu problema não é com pessoas, mas com sistemas. Não defendo que ninguém morra pela vida do outro, mas também não aceito a exploração de uma pessoa sobre a outras. Podemos viver bem e nos desenlvolver sem esse mecanismo.

Mas então por que pregar "fogo nos fascistas"? Simples, essa ideologia não teria problema nenhum em tentar eliminar a mim ou qualquer outra pessoa humana. 

Defendo assim o princípio da defesa da humanidade contra algo que foi parido mas não desenvolveu capacidade intelectual humana.

Bom, avancei mais do que deveria.

Registro apenas a mensagem enviada ao twitter:


"Vocês são bons para perseguir progressistas, mas são mansos com fascistas.


Eu já me afastei do facebook, e minha vida está uma maravilha. Retomei o twitter pela informação, mas preferem dar voz a Bolsonaristas fascistas antidemocráticos.

Eu não retiro o que disse, pois considero fascistas não humanos.

E nem pretendo retomar o twitter, fodam-se. Há vida fora das bolhas, vivi muito bem meus anos sem vocês, vou viver ainda melhor sem.

Todo império tem seu fim. Lá atrás o orkut caiu em desgraça, vida longa ao Twitter até quando for extinto. 

Vocês são um negócio do capital e não uma relação social real. Sem financiadores, são apenas uma fábrica de bolhas virtuais."


sábado, 2 de janeiro de 2021

Disputa de projeto societário versus normalidade institucional. As eleições para as mesas nas Câmaras de vereadores/as no Brasil.

 




Já havia escrito aqui neste blog sobre "Pra que governar?"(https://wagnerhosokawa.blogspot.com/2020/08/o-fim-da-esquerda-liberal-derrota-da.html) diante da pilhagem de quase três décadas de governos do PSDB em São Paulo que deixariam a máquina do Estado enfraquecida e tornando o gabinete do governador em mero gerente de contratos. Agora, em 2021, a postura das esquerdas na composição dos legislativos municipais evidencia que adaptar é melhor que resistir. 

Da postura da bancada do PT na cidade de São Paulo ou do Psol em Belém do Pará, sendo que a primeira é pela sobrevivência política e a segunda pela governabilidade, temos muito a pensar sobre o papel dos instrumentos políticos da esquerda.

Antes que algum companheiro, esquerdista, lulotiête ou qualquer denominação assim venha a rosnar, quero lembrar que já vivi debates intensos na direção do partido (PT) de Guarulhos sobre sucessão na presidência do legislativo municipal, quando ainda quando o assunto era parte da responsabilidade coletiva e militante de disputa da sociedade. Ou seja, a sociedade e em especial o conjunto da classe trabalhadora era o centro das nossas preocupações quando o assunto era posição política. Agora tudo é vago, pois convêm. 

Primeiro um panorama de como foram as sucessões nas presidências dos legislativos: vamos começar pela minha cidade né, Guarulhos (SP) que teve chapa única para presidência e a mesa diretora tendo a frente um político tradicional, da direita corrupta e conhecido pelo jeito "carinhoso" de lidar com divergências, dono da principal pedreira e empreiteira local que serve a administração municipal a anos na cidade, ele Martello é a representação de um passado de desmandos e caos em Guarulhos em especial nas décadas de 1980 e 1990, fase do coronelismo em Guarulhos, o mesmo já passou pelo PPB (hoje PP) malufista e que era combatido inclusive por setores da sociedade civil e da centro direita de Guarulhos. Na votação ontem, 29 x 05 definiram a "vitória" da chapa "legislativo forte" (parece piada) para conduzir os trabalhos no parlamento local para o próximo período. Das cinco abstenções estão o Psol e divergentes da base do governo. E o que é interessante, a bancada do PT compôs a chapa e fechou questão no bloco "vitorioso". Ok, o passado não importa. Mas isso quando o seu adversário ou inimigo muda, o que não é o caso.

Na capital paulista o PT de São Paulo na mesma lógica se curva ao conhecido corrupto Milton Leite. Em votação unânime e também garantindo uma vaguinha na mesa diretora, deu cheque em branco para uma das figuras mais icônicas do entreguismo, oportunismo e mutretas da cidade de São Paulo, com divergência da bancada do Psol que apresentou candidatura alternativa e demarca como será a oposição a Covas.

E de São Paulo vamos para Belém do Pará, onde Zeca Pirão do MDB venceu com unanimidade o pleito, fazendo Psol e PT na mesa diretora. (FONTE: https://www.oliberal.com/politica/zeca-pirao-e-eleito-presidente-da-nova-mesa-diretora-na-camara-de-belem-1.341502) A governabilidade atua dentro dos padrões de um discurso sobre o "respeito as diferenças regionais", OK, mas onde ficam os valores universais? No fim, são apenas discursos que fazemos nos palanques, tudo segue o roteiro da Realpolitik  e os seus protocolos da ordem. 

Isso tudo mostra como será a prévia do que será a sucessão da Câmara dos Deputados/as e do Senado que seguirá a risca a ideia do "menos pior", onde de um lado está Arthur Lira (PP/AL) apoiado pelo bolsonarismo e Baleia Rossi (MDB/SP) pelo bloco liderado por Maia (DEM/SP), e já teve adesão da bancada do PT que negocia uma vaga na mesa diretora. 

Recentemente o militante Breno Altman tem sido uma voz solitária sobre o tema e apresentando suas razões para se posicionar pela disputa pela esquerda nas duas casas do Congresso Nacional, entre as justificativas estão a construção de unidade programática e firmar uma posição firme contra o bolsonarismo. (leiam em: https://operamundi.uol.com.br/opiniao/67903/a-falsa-escolha-de-sofia)

Entre os críticos está parte da classe assalariada média que vive envolvida pelos ideais liberais republicanos de que um dia alcançaremos a justiça social através de uma catarse abobada em que vamos nos dar as mãos e por magica a burguesia financeira irá ceder diante dos rostos felizes dos povos. Bom, eu não creio nessa babaquice, e se de mundo real que precisam, basta ver o processo de erosão da constituição de 1988 no período de 2016 a 2020, onde a burguesia governa desde o governo Collor por meio dos Projetos de Lei de Emenda a Constituição fracionando, destruindo e pilhando direitos por meio de medidas legais. Vamos contar quantas emendas a constituição a esquerda aprovou em favor da classe trabalhadora desde 1990? Nenhuma. Ah, e a lei da ficha limpa não conta, isso venho de forças progressistas com apoio da centro direita da Igreja Católica numa tentativa patética de combater corrupção colocando freios na democracia. Vamos lembrar que as brechas ajudaram inúmeros candidatos/as que se elegeram, exerceram mandatos, fizeram merda, retornaram, se candidataram e se elegeram...etc, etc., etc.

Há uma condição política de uma fração da classe assalariada média que flertar com as pautas da esquerda, mas que gosta de manter seu lugar de privilégios, atuando como opinião pública isentona, não se envolve nos processos de luta, prefere manifestações virtuais e reivindica um republicanismo liberal que foi abandonado já na ditadura de Luís Bonaparte (Leiam "O 18 Brumário de Luís Bonaparte", em Marx) e que em termos objetivos só condicionam o sistema e degradam as condições da classe trabalhadora. Aqui eu identifico o forte lugar de fala (quase monopólico) 

Sobre a atual situação: O que ter vaga numa mesa diretora pode significar? Bom, para o ocupante da cadeira temos a linha de sucessão, ou seja, no impedimento do titular e do vice, o presidente de qualquer parlamento ocupa provisoriamente o cargo de chefe do executivo. 

O que não é o caso. E na atual situação, ocupar vagas na mesa diretora? Isso amplia em assessoria e recursos na casa, e o membro ganha mais evidência em termos de exposição na mídia, mas não tem poder sobre a pauta, já que essa é prerrogativa do presidente e/ ou do colégio de lideres partidários. 

Historicamente para esquerda não fedeu nem cheirou.    

Aí você poderia me contestar. "Se não fede nem cheira, porque se preocupar?", simples, pela política estúpido!

Sim, por uma questão que tem valor para nós (esquerda) e não tem o menor valor para eles (representantes políticos da burguesia).

Outra coisa, posição que pode se estender para o futuro. Ou seja, uma vez que há alinhamentos de bancada, ainda mais numa composição pragmática, a tendência é ser cobrado por isso ao longo do mandato, até que haja uma situação limite em que ou se toma posição de rompimento ou se entrega de vez ao jogo parlamentar burguês. (A história é rica de exemplos, bora você ter o trabalho de pesquisar também) 

E as comissões? Bom no legislativo compor comissões é fundamental para se apropriar de certo poder no parecer de projetos de lei e outras medidas, mas historicamente para esquerda é um lugar também de marcar posição, já que temos situações como do final do ano guarulhense em que em menos de 48 horas o prefeito reeleito do PSD de Kassab enviou dois projetos de lei com pareceres relâmpagos destas comissões que tratam da privatização dos serviços de manutenção e construção na educação municipal (parceria público vaso sanitária/ privada)  e  extinção da empresa pública de serviços e obras municipais (Proguaru), nesses dois casos o parecer das comissões deixaria o personagem The Flash para trás. 

A esquerda parlamentar precisa fazer o que faz desde o século XIX ocupar o parlamento como lugar de denúncia e organização da classe trabalhadora, e mesmo longe dessas "facilidades" tem sido determinante para resistência nos Parlamentos. 

Num artigo recente (https://wagnerhosokawa.blogspot.com/2020/12/afasta-de-mim-esse-lula.html) citei a questão da "renovação" do PT e insisto na tese que no período de 2003 a 2010 perdemos a grande chance de construir uma unidade limitada interna para progressivamente renovar os quadros no parlamento, cirando a possibilidade de eleger, mesmo em cotas, setores da juventude, mulheres, negros/as e LGBTQI+, construir um amplo processo de ampliação no parlamento e fortalecer as esquerdas mesmo que num programa mínimo. Isso não foi feito e nem pensado. Mas ainda há tempo.

No final, é certo observarmos quem cobra de quem na relação com o PT. É um partido grande e expressivo, e no parlamento é sempre cobrado a assumir posturas de bancada parlamentar adequada e adaptada a ordem. Cobranças que vem dos intelectos da direita. Já que os laços coletivos e de classe foram rompidos, o que vale agora é o tratamento dado nesse processo de sucessão das casas legislativas: tratar com menor grau posições que podem desconstruir a ideia do porque é necessária a esquerda no parlamento. 

Cabe o partido, inclusive no parlamento levar a reflexão das massas e não o seu contrário. essa questão da opinião pública tem corroído os cérebros dos dirigentes, que preferem ser guiados pela idiotice geral em vez de serem eles parte dos educadores/as da classe trabalhadora. Leiam Gramsci!

Sobre o Psol e o caso de Belém, que não é o primeiro no caso das alianças momentâneas. Só Edmilson poderá provar que recuos no parlamento podem ser benéficos a classe trabalhadora, desde que acompanhadas paralelamente de uma estratégia que envolve ampliar a massa para um projeto de esquerda que resulte na ampliação da esquerda na sociedade civil e na sociedade política, e construir resistências ao modelo de Estado neoliberal traduzindo isso na relação com a categoria dos servidores públicos e do conjunto da sociedade.

No momento, nenhum movimento da esquerda brasileira que governou o Poder Executivo pode dar esse exemplo, o que tivemos é a velha forma de casuísmo e governabilidade dando em saldo zero para esquerda. 

Bom, vamos ver o que será. 

Depois de um período na governabilidade do legislativo, me contêm daqui dois anos no que avançamos ao entregar votos para corruptos de estimação.

Outra coisa, aguardo ansiosamente as notas de justificativa das bancadas em Guarulhos e em São Paulo. Ainda estou filiado, mereço essa consideração ainda.   



quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Vamos resistir e derrotar o fascismo com estudo e luta: doe agora!

 

https://www.expressaopopular.com.br/loja/produto/mochila-militante/

Mochila Militante

R$50,00

solidariedade é um dos pilares da e para a Editora Expressão Popular por ser o valor que temos como central para a construção do novo ser humano e de uma nova sociedade.

Na conjuntura que vivemos, com tantas ofensivas por parte do governo e das classes dominantes contra a vida, a Expressão Popular se propõe, em conjunto com os movimentos, a fomentar o desenvolvimento do trabalho de base nas periferias das cidades. Seja pela construção de bibliotecas populares, seja pela entrega da mochila militante.

Durante os três primeiros meses de 2021 entregaremos 500 Mochilas para 500 militantes que estão atuando nas periferias urbanas em 24 Estados do Brasil, contendo 3 livros, 3 cartilhas e um caderno, leituras fundamentais para compreender a nossa conjuntura e a dinâmica da luta de classes! Uma forma concreta de participar do processo de formação pessoal de cada militante.

Seguiremos o exemplo de Che que sempre carregava livros em sua mochila e o ensinamento de Paulo Freire: “A leitura é um ato de amor”.

Participe fazendo qualquer transferência bancária:

Editora Expressão Popular Ltda (CNPJ: 03.048.166/0001-76)

Banco do Brasil – Agência: 0442-1  | C/C: 283858-3

Ou simbolicamente assumindo os custos de uma (ou mais) Mochila Militante! Para saber mais informação sobre a campanha, envie um email para solidariedade@expressaopopular.com.br

497 em estoque

REF: Mochila MilitanteCategoria: 

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Expressão Popular e Movimentos Populares

ID do produto: 54091

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Afasta de mim esse Lula!

 


Afasta de mim esse Lula!

Na política nada é previsível. Mas alguns fatos ainda deixam inquieto esse inexpressivo militante, que depois de quase 24 anos dedicados ao partido, ainda se surpreende com algumas posições.

Os personagens da semana são Jaques Wagner, Alberto Cantalice e Paulo Paim, para citar alguns que declararam publicamente que após o resultado das eleições municipais de 2020, “o PT deve seguir sem Lula", "buscar se renovar e ter mais autonomia”, ou seja, que o partido siga sem a interferência do grande líder dos povos, presidente de honra do partido, filho incontestável da categoria metalúrgica do ABC, enfim, pedem “renovação” que passam por “dar férias” para Lula.

Já vi movimentos parecidos como este e que naufragaram, sito a “Mensagem ao partido" que surge como alternativa de ex-dirigentes do campo majoritário envergonhados com a crise do “mensalão" e que em geral tentam oportunamente se aproveitar das crises pelo qual passam o partido. A proposta não vingou porque subestimou a máquina partidária majoritária que no pós Lula 2002 mudou de nome de “Articulação Unidade na Luta” para “CNB” Construindo um Novo Brasil.

Quero aqui declarar minha posição histórica: no PT nunca fui lulista. Militei na esquerda socialista do PT, compus coletivos e teses como “Socialismo ou Barbárie” no final da década de 1990, a “Esperança é vermelha", dentre outras chapas e teses que defendiam que Lula, como figura pública, deveria se centralizar como militante e filiado, se submetendo a decisões coletivas do partido. Relembremos 2002, onde Lula na sua postura arrogante de exigir do partido “unanimidade", votamos em Suplicy defendendo o debate e da democracia interna.

Sempre fui petista, buscando construir um partido da classe trabalhadora, por isso, nunca fui lulista. Não desprezo e nem desrespeito sua história e o que representa, mas o partido deve ser o instrumento das lutas e não suas personalidades.

Muito bem. Diferente de mim e de vários militantes que tem essa compreensão e construção do PT, os companheiros Jaques Wagner, Alberto Cantalice e Paulo Paim literalmente cospem no prato que comeram e se lambuzaram, são do campo majoritário e dirigentes da CNB (Construindo uma Nova Balbúrdia) e ao se referirem assim ao grande líder é a mais alta traição.

A conjuntura política é caótica. O Bolsonarismo fascista neoliberal dá sinais que sobreviverá e não irá sair tão cedo do poder, pois se mantém vivo pela política econômica entreguista e financeira de que é fiadora ancorada em Paulo Guedes, o seu mandato e a pilhagem do Estado entregue aos partidos do “centrão” seguem como um projeto de tornar o país numa caricatura da economia dos EUA.

Assim, devemos considerar a narrativa fascista mais funcional ao financerismo neoliberal e dessa elite medíocre, do que um governo dos “bons costumes” tipo Jânio Quadros. Não, esse é um projeto que une mais interesses particulares de riqueza pessoal por meio do Estado que inclui um laissez faire laissez passer geral do bloco político e econômico dominante. Como disse a economista Maria da Conceição Tavares, “o tempo dos capitalismos nacionais ficou no século XX”, esse século XXI retrocedeu duas casas e se converteu em século XIX nas relações de trabalho e na brutal normalização da desumanidade.

Defender projetos nacionais sem que possamos antes discutir como construir um processo que recomponha a condição da classe trabalhadora em vínculos duradouros primeiro de sobrevivência e depois de organização, mesmo que não seja por um vinculo formal, mas que garanta uma renda fixa, continua e não essa lógica da uberização, que coloca a vida humana sempre no fio da navalha, ou enfrentamos essa realidade ou nenhum discurso ou ação pontual será capaz de retomarmos a luta de classes pelo menos num nível aceitável de resistência.

O fato é que essa classe trabalhadora apoiada na grande indústria, com vinculo formal e que compunha parte orgânica do Estado está fragilizada, isso quando observamos que a indústria nacional corresponde por 22% em 2019, empregando 20% dos/as trabalhadores/as formais frente aos quase 20 milhões de desempregados em 2020, parte causada pela pandemia do COVID-19 e da negligência do governo Bolsonaro e dos estados como Doria em São Paulo, e frente aos 38 milhões de trabalhadores/as informais, temos um vazio que é acompanhado pela redução de políticas públicas que poderiam reduzir esse desastre nacional.

Não derrotamos a lógica da privatização durante os governos do PT, a escolha foi uma “convivência pacifica”, não potencializamos e nem aproveitamos para criar alternativas como na economia solidária ou cooperativismo, menosprezamos as possibilidades de democratização e democracia participativa por meio de políticas sociais, não fortalecemos no campo, em particular, as organizações camponesas, quilombolas e indígenas, nos apoiamos num republicanismo pobre que em 131 anos de República sempre foi marcado por regimes autoritários, ditatoriais e antidemocráticos, subestimamos a formação da Escola Superior de Guerra e que forma ainda nas suas salas de aula um típico militar oportunista e autoritário, de ideologia dominante, vê na ascensão dos pobres uma declaração de guerra contra sua civilização perfeita.

E diante disso tudo, Lula ainda teve que ser “cancelado” pelas elites e seus mercenários no Poder Judiciário, não bastava o golpe midiático-judicial-parlamentar-machista, precisava neutralizar a esquerda e a centro esquerda. Lula livre acabou se tornando uma ideia frente a uma ameaça que não privava apenas o PT, mas toda esquerda brasileira, ausente e escamoteada dos instrumentos do Estado. Não construímos hegemonia, e mesmo as armas que temos precisariam ser retiradas, nessa conjuntura totalitária, Lula “paz e amor” também não poderia jogar o jogo.

Reafirmo minha análise anterior: o partido não compreendeu o que aconteceu em 2016. Não compreendendo a dimensão do golpe segue tratando 2018 como uma “gripezinha” e anestesiado com um segundo turno que levou Haddad não vê as ameaças que seguem construindo o poder das elites e destruindo o Brasil.

Quer tratar a disputa de 2022 como um problema de nomes ou alianças. Atua ainda na ação cosmética e estética dos problemas dos movimentos sindical, popular e da esquerda, segue fazendo disputas, cálculos e negações diante da realidade.

Prefere do esgoto das velhas articulações usando palavras como “renovação”, querem ser a patética reprodução falseada da sua “revolução democrática” que não construiu um novo Brasil, mas pela ausência de constituir uma classe trabalhadora fortalecida, preferiu governar para uma classe assalariada média despolitizada, medíocre e ávida por privilégios das quais não tem e não terá acesso, já que estes privilégios pertencem a classe dominante, que ri em demasia da submissão destes trabalhadores mergulhados na piscina de merda das ilusões do “empreendedorismo” num país que caminha para se tornar numa caricatura de serviços e dependente (novamente) dos países desenvolvidos do capitalismo.

Ascender ao poder não dá ao indivíduo um livre passe para fazer o que quer, na esquerda inclusive, alçar espaços de poder deveria ser uma tarefa que deve se submeter a organizações e coletivos, já que para angariar votos prega a ideia da defesa e do serviço a estas organizações e coletivos.

Nosso mito construiu sua trajetória, fez opções e compôs o projeto de poder que o fez ser quem ele é, Lula resiste ao tempo. Não é eterno, não mesmo. Poderia dar um giro na defesa dessa “renovação”, poderia. Mas teria poder? Ninguém ousa questionar Lula no PT. Mas quanto de poder Lula possui para mudar a lógica interna?

Eu arriscaria que no momento nem mesmo o grande líder poderia mudar a lógica como se movimentam as forças internas, seus interesses e questões que estão em jogo. Muito se atribui a Lula, mas como se comprova?

E mesmo que Lula apoiasse a renovação. Não há indivíduos no PT que não estejam alinhados a tendências, teses, projetos ou um coletivozinho que seja, é um partido e as pessoas não estão flutuando no ar. Portanto, renovar seria, por exemplo, colocar a juventude do PT no centro da estratégia, e não apenas nos discursos. Teria que determinar que independente dos interesses internos, alguns jovens seriam designados como tarefa do partido colocar no centro das decisões e inclusive das eleições. Quem renunciaria a seus interesses internos? E quantos pedidos Lula teria que fazer Brasil afora para que isso se concretizasse?

Não são perguntas com respostas fáceis.

Só sei que nunca fui lulista. Mas não sou aloprado.