https://www.youtube.com/watch?v=Qc4rs5jiYDg
Blog do Wagner Hosokawa. Para quem curte novas idéias para política, a sociedade e a vida!
domingo, 4 de agosto de 2024
Os liberais majoritários do PT e a crise pós eleição municipal de 2024
quinta-feira, 13 de junho de 2024
Governo Lula é uma coisa, o PT deve ser outra! Votação do projeto de lei do estuprador (PL) 1409/2024 e redução de recursos da educação e saúde vão enterrar o PT e a esquerda.
Preferia não escrever esse artigo. Mas o momento exige atenção: o fascismo bolsonarista esta pautando a sociedade e deixando o governo amedrontado. Quem preferir a estupida e medíocre posição dizendo que a (PL) 1409/202, lei pró estuprador é um risco menor e que o governo Lula tem "problemas" maiores recomendo que se é filiado, se desfilie do PT.
O PT se orgulha de ser o primeiro partido a criar uma secretaria de mulheres, mas parece que não compreendeu nada no processo de impeachment de Dilma e os ataques aos direitos de mulheres durante os governos Temer e Bolsonaro, e agora com a omissão da liderança do governo Lula. (https://www.ocafezinho.com/2024/06/13/a-irritacao-com-lider-do-governo-que-nao-conta-votos/)
Sabemos de onde vem a imposição pela aprovação dessa PL pró estupradores. Vem da bancada fascista bolsonarista que tendo atendido parte de sua pauta econômica pelo próprio governo do Lula, vamos lembrar que arcabouço fiscal foi uma grande articulação que contou com apoio de setores do bolsonarismo, e agora a proposta de reduzir as despesas obrigatórias com saúde e educação questão sendo discutidas pelo ministro Haddad foi antes uma proposta do sr. Guedes-Bolsonaro, que não passou.
Ou seja, ganhamos as eleições, porém não estamos atuando nas questões que são fundamentais para fortalecer as lutas do povo brasileiro. Lira governa mais que Lula contra o governo Lula.
Um bombardeio do projeto moralizante e ultraconservador ataca não o governo, mas suas bases sociais de um lado e Lira faz recuar o governo de outro. Sinais de desestabilização? Sim, não há duvidas.
O fascismo bolsonarista quer minar as bases sociais e ataca mulheres, população LGBTQIA+, negros e negras, trabalhadores e até as praias entraram na lista de enfrentamento contra o povo brasileiro. Caminhamos para um Estado liberal na economia e controlador dos corpos e vidas da maioria, o risco de um Estado teocrático conservador é presente.
No campo de luta entre capital e trabalho, nós trabalhadores perdemos de longe nesse terceiro mandato de Lula, pois, nada da reforma previdenciária e trabalhista foi revogado, a única pauta interessante que é a questão que retirar a desoneração da folha de pagamento, que não criou um emprego novo para classe trabalhadora e apenas manteve as margens de lucro dos empresários, nem essa vingou, está no impasse a favor do capital.
Agora estamos caminhando para um ponto que é o limite!
Se governo e partido são diferentes, palavras do presidente Lula, para quem governar é fazer alianças e partido, no caso o PT é parte dessa aliança, e onde o presidente mesmo afirma que mesmo sendo do PT, governa para todos. Então temos uma dura escolha a fazer: avançar ou recuar como partido.
Gleisi como presidenta do partido na questão da redução das despesas na saúde e na educação se posicionou contra e fez certo, mostrou posição, que é histórica na defesa da manutenção dos recursos desses direitos sociais. E as bases? Estarão os filiados e filiadas unidos e com compreensão suficiente de que não se trata afrontar o governo Lula, mas defender direitos fundamentais? O lulismo é um cancêr que cerca toda posição necessária do partido, depõe até contra o próprio Lula.
Lula podia ter dado uma bola dentro no caso das greves dos servidores públicos federais da educação e ter dado recado que precisou ser dito no Primeiro de Maio: de que durante o seu governo, ou os trabalhadores se organizam e vão pra cima e assim podem avançar ou nada virá. Porém, essa não foi a fala, preferiu dar um "pito" nos trabalhadores em greve, a ter que admitir que o PAC universidades só foi possível pela luta necessária dos servidores públicos federais da educação.
Até as 21h45 desse dia 13 de junho de 2024 o site oficial do PT está calado sobre a aprovação recorde (23 segundos) da PL dos estupradores, apenas a Secretaria de Mulheres se posicionou:
segunda-feira, 3 de junho de 2024
O PT de Guarulhos escolhe perder?
O gutismo é a velha vagabundagem governante. Todos, sem exceção, desfilaram nos cargos dos governos do PT (Seja Eloi ou Almeida), o próprio candidato do bolsonarismo, Jorge Wilson se aliou ao PT e teve seu lugar ao sol. Quem não se beneficiou jamais foi perseguido como o bolso-gutismo se colocou ao longo desses oito anos, petistas ou colaboradores, todos foram perseguidos de alguma forma, mesmo diante da inercia do partido, até onde sei, todos e todas sobreviveram de alguma forma, com algum medicamento ou forma de de adaptar, outros escolheram se aproximar da base do governo e ficar com seus interesses. Nessa situação a questão que fica é porquê aqueles que estão em posições de direção ou liderança parlamentar preferiram deixar os companheiros (as) a mercê das perseguições e sofrimento. Perseguições e sofrimentos pelo que fizeram no passado: apoiar, defender e lutar em defesa do governo do PT, com todos seus limites e erros programáticos.
Ausência de avaliação para construir a defesa dos 16 anos de governo do PT deixaram o fascismo gutista impregnar a ideia de que desde a colonização do Brasil até 2000 Guarulhos foi província "bem governada" e cidade em franco progresso e que os governos do PT é que levaram a cidade ao atraso. Essa foi a estória vendida e comprada, para agora vivermos numa coxias de 60% jumentos bolsonaristas.
Fomos derrotados nas ideias.
Agora por mágica ressurge o PT. Diferente, descaracterizado, apenas lulista e nada partido coletivo, organizado e mobilizado para disputar a sociedade.
De eleição em eleição perdendo identidade popular, social e enfrentamento na defesa dos interesses da classe trabalhadora.
Como desgraçadamente previsto, não se pode criticar Lula, falar de luta de classes, classe trabalhadora, fascismo, imperialismo, enfim, o vocabulário petista está preso ao momento, fora do governo lembramos da origem de classe, dentro do governo o mundo muda, a república funciona e a democracia liberal é assim, limitada e temos que aceitar. Não há quem prove o contrário, pois a realidade é dura.
E Guarulhos? Saflate tem refletido sobre a morte da esquerda, e analisando o cenário guarulhense ele tem razão. A cidade não é mais operária, está se tornando num grande armazém, encoberto sobre a forma da "logística", na verdade a cidade virou um galpão de tranqueiras que no capitalismo dependente brasileiro apenas faz parte do enredo desse teatro terrível da estagnação do crescimento, bem diferente de desenvolvimento.
Já perdi tempo explicando que a divisão das duas forças políticas no PT, de um lado Alencar e da outra Eloi era um equivoco, o momento não exigia esse tipo de imaturidade, e mesmo que a coalisão exigisse sacrifícios, derrotar esse projeto que transformou a prefeitura em uma emaranhada rede de esquemas que poucos se aventuram a desatar, a drenagem dos recursos públicos seja por todo tipo de terceirização, a destruição de serviços que pareciam consolidados como a educação e um próximo governo endividado pelo córrego Baquirivu.
Dizer que um escolheu sair do PT e outro ficar para "preservar" ser de esquerda é apenas fazer parte da plateia de um ou de outro, isso não responde a questão da tática e da estratégia em retomar um projeto de esquerda que faça sentido para o conjunto da população.
Guarulhos poderia ter deixado de ser apêndice da capital paulista, mas a inercia político ideológica dos governos do PT, rendição ao instituição, certeza da permanência no poder, uma rede de interesses que conflitavam com a ideia de governo popular, a exaustão de uma década no poder, conflitos internos do petismo, ausência de debate político interno, falta de vontade em refletir sobre o papel do governo para avançar a cultura política da população, desestabilização das organizações sindicais e populares, medo dessas mesmas organizações, tudo isso e muito mais jogou 60% da população/ eleitorado no colo do bolsonarismo fascista. A última pesquisa da "Paraná pesquisas" não deixa duvida: o gutismo está de saída com reprovação do governo em torno de 30%, até compreendemos, mas o governo Tarcisio com mais 60% de aprovação, e pergunto: "aprovado pelo quê?"
Não basta ocupar as ruas como bloco de carnaval que aparece uma vez por ano. As ruas devem ser ocupadas sempre, pautas, lutas e causas não faltam.
Pelo clima e termômetro dos grupos, candidatos e interesses, o lado de cá, a esquerda morreu mesmo, eleitoralmente irá para as ruas, fracionada nas diversas candidaturas que buscam seu lugar de fala na Câmara Municipal. Mas e o programa de governo? Do lado de cá nenhum movimento, alguns até arriscam dizer: "perda de tempo!" E o tempo dirá que esse erro e essa falta de juntar pelo que interessa os coletivos vai custar caro.
Há tempo de recuperar? Ideologicamente há sempre tempo, mas haverá disposição?
Amadurecer é bom e ruim ao mesmo tempo. Me permite refletir e agir de forma direta. Me torna assertivo no caminho, porém, me traz dores insanáveis, como não poder contribuir para que um lugar que foi tão fundamental na minha vida militante que é esse PT. E eu sei que esse mesmo lugar caga e anda sobre quem sou ou quem fui, assim paraliso.
Sigo tentando contribuir para derrotar o fascismo, principal subproduto do neoliberalismo que quer como uma maldita ideia de moral burguesa, repetir o erro que os próprios liberais corrigiram via Welfore State, para salvar a si próprio e o sistema evidente.
Não há vitória da classe trabalhadora na crise do capital, pois o lado de cá sofre mais. Estamos vendo isso no Rio Grande do Sul, vivemos isso na Covid-19 e em todas as crises dessas últimas duas décadas.
Nós devemos ser a crise! Nós devemos paralisar o sistema. Nós devemos causar o incomodo que exige mudanças!
....
"Sair de casa pronta pra peleja é lei
O fogo amigo é trégua na madruga
A trombeta soou, não era chá, eu sei
Não haveria mansidão nenhuma
Pisar com segurança nesse novo chão
A ocupação se dá de tal maneira
É guerra sem quartel, embate com razão
Pra pertencer e ser em toda esquina
Em toda esquina
Gente se junta pra fazer revolução
Gente se junta pra falar besteira
Com quem tu andas? Quem é que te estende a mão?
Veja que rua é pra vida inteira
Se na bandeira resta algum coração
Quando ele pulsa, ela sangra vermelha
E nas ladeiras pra subir tem sempre um não
Ladeira abaixo é assim, a noite inteira
Desafiando a norma do que deve ser
Que domicílio seja mundo afora
Tem hora que o que vale é argumentação
Tem tempo de bailar a noite inteira
A noite inteira"
Noite Inteira - Pitty (part. Lazzo Matumbi)
domingo, 7 de abril de 2024
Parei as analises de conjuntura?
Manter um blog escrito para mim que não sou comunicador, não sou jornalista e nem com tempo para elaborar textos diante do cotidiano é um grande desafio. Um dia, um conhecido disse que eu deveria migrar para uma forma audiovisual, e na pandemia quase investi nisso. Mas lembro que tive e tenho uma crítica dura a esquerda "youtuber", pois isso promove pessoas e não ideias.
Contudo, pessoas ainda entrar no blog seja lá o motivo. Esperando atualização ou buscando informação ou por conta do buscador mesmo quando tentar encontrar alguma "palavra" de referência.
Eu confesso que estou explodindo de analises que gostaria de compartilhar, já que analisar a conjuntura é parte da estratégia de qualquer organização - não importa seu tamanho ou proposta - é preciso fazer para entender a realidade, os movimentos das forças ao nosso redor e compreender que não há ações sem movimentos, ainda mais na política.
2024 começou bem tranquilo, mas parece que após o carnaval (como de costume) o tempo foi sendo ocupado pelo cotidiano, tarefas e compromissos, ou seja, após a pandemia de 2020, como analisado por mim, nada mudou, o capitalismo adequou a todos e todas nós durante a pandemia e pós pandemia. Sejam boas ou más táticas para classe trabalhadora como a reorganização do horário de entrada e saída para reorganizar o transporte público para que não houvessem aglomerações ou o home office nada mudou pós pandemia, só certezas. Certezas de que a exploração segue firme com suas várias mutações.
Então acabo dando aquela sumida. E reapareço quando os fatos gritam sobre a realidade.
Nem a questão eleitoral de Guarulhos ou nacional com relação a estratégia do PT ou da esquerda tem exigido minha modesta analise. Sei que os curiosos de plantão devem estar perguntando: "Alencar ou Eloi"? A retomada dos atos bolsonaristas ou a situação do governo Lula.
Tudo relevante, porém, cansativo. Cansativo porque o lulismo mitológico tem bloqueado as criticas necessárias ao governo Lula, seja porque Tarcísio nada de braçada num governo destruidor de direitos e sem a menor realização real para povo paulista, nem mesmo o genocídio no litoral movimenta o chão sobre a forma e o modelo de estado fascista que agora tem seu "líder" tem sentido algum tipo de enfrentamento, enfim, a pílula anestesiante das eleições que persegue a esquerda e abastece a direita segue firme.
Sei que há questões centrais como o massacre em Gaza devem ser denunciados, e tenho utilizado muito a rápida forma comunicacional para deixar meus reclames, em particular o instagram, instrumento que utilizei como recurso de sala de aula para trabalhos, me incorporou. E digo "me incorporou", porque é isso que se tornaram as redes, meios de nos incorporam, a nós humanos. Não é uma desumanização, mas uma incorporação terrível da nossa existência.
Acima na foto publiquei o último livro que li, a história de Ho Chi Ming pesquisada e publicada pelo autor João Mendonça Lima Neto é uma indicação que faço. Já respeitava o líder comunista vietnamita, agora conhecendo sua história fiquei apaixonado. Esse camarada leninista, atou com paciência e coerência na luta anticolonial e anti-imperialista, teve calma para enfrentar as adversidades, foi traído e enganado por uma esquerda que pressuponha lutar pelos povos, mas estava presa aso interesses particulares, e mesmo assim seguiu em frente.
Tenho tentado ler, ler e ler. Recomendo, pelo menos uns três títulos, e em especial, pelos que tenho (e são muitos) para correr atrás do tempo perdido em adquirir e não ler.
Enfim, talvez seria bom saber de você colega leitor, se vale a pena seguir com as analises por aqui, ou caminhar para outras formas como audiovisual.
Bom, vai ser a primeira vez que faço uma enquete:
https://www.ferendum.com/pt/PID2198731PSD128636752
Vai lá, me dá uma direção!
domingo, 28 de janeiro de 2024
MST lança carta compromisso com a luta e o povo brasileiro no marco de seus 40 anos.
MST lança carta compromisso com a luta e o povo brasileiro no marco de seus 40 anos
Carta apresenta a leitura do Movimento no atual momento político e sinaliza as lutas para o próximo período
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lançou neste sábado (27) a “Carta Compromisso do MST com a Luta e o Povo Brasileiro”. Divulgada ao final da reunião da Coordenação Nacional do Movimento, a carta foi apresentada durante o Ato Político em Comemoração aos 40 anos da organização.
“Reafirmamos o compromisso que assumimos há quarenta anos atrás: lutaremos até que os males do latifúndio sejam extintos de nossa sociedade e com ele toda opressão, miséria, destruição ambiental e fome,” destacou trecho da carta.
O material aponta ainda os desafios do Movimento na defesa dos bens da natureza e na organização para o 7º Congresso Nacional do MST, que será realizado em julho.
Confira a carta na íntegra:
CARTA ABERTA DO COMPROMISSO DO MST COM A LUTA E O POVO BRASILEIRO
Quarenta anos depois que mulheres e homens, trabalhadores rurais, tiveram a ousadia e a coragem de desafiar o latifúndio e criar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, nós, integrantes da Coordenação Nacional do MST, nos reunimos em nossa Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP).
Nos reunimos para celebrar nossa ancestralidade indígena, africana e camponesa de tantas lutas históricas do povo brasileiro e para celebrar a longevidade da nossa organização.
Nos reunimos para celebrar a conquista da terra. Somos 450 mil famílias assentadas e mais de 65 mil famílias acampadas. Nos territórios libertados das cercas da ignorância e da miséria, organizamos centenas de cooperativas, agroindústrias e escolas do campo. Celebramos a dignidade dos que agora produzem alimentos e protegem a casa comum, nossa mãe Terra.
É esta dignidade e altivez que inspiram a luta pela Reforma Agrária Popular a enfrentar a violência das milícias rurais e a lentidão do Estado, sem recuar na firme decisão de fazer cumprir a Constituição brasileira: a terra deve ser democratizada para cumprir sua função social de produzir vida digna à população camponesa, alimentos saudáveis e preservar a natureza.
Celebramos a organização dos trabalhadores e trabalhadoras que enfrentaram com coragem e determinação o golpe de 2016, os retrocessos dos direitos e o desprezo pela humanidade do governo Bolsonaro na pandemia da Covid-19. Com resistência ativa nos acampamentos e assentamentos, construindo a Reforma Agrária Popular, priorizamos a vida, fortalecemos as ações de solidariedade e as mobilizações populares em todo o país.
Esta organização foi determinante para eleger o Presidente Lula e sua vitória eleitoral foi um marco importante na luta internacional contra a ofensiva da extrema-direita. Construímos e participamos desta conquista. E, apoiamos todas as iniciativas do governo para enfrentar a fome, a miséria, o desemprego e para reindustrializar o país sobre novas bases sustentáveis. O Presidente Lula tem diante de si muitos desafios e obstáculos e sabe que somente a mobilização e a participação popular são capazes de realizar as transformações estruturais que nossa sociedade tanto precisa.
Nestas quatro décadas, enfrentamos inúmeras tentativas de criminalizar a luta social. Nenhuma organização sofreu tantas ameaças de Comissões de Parlamentares pelas forças conservadoras. Celebramos e agradecemos a solidariedade que recebemos diante da tentativa fracassada da bancada ruralista e da extrema-direita em nos criminalizar com a abertura de uma CPI contra o MST, que também buscou intimidar o governo Lula.
Nos preocupamos com o acirramento dos conflitos no campo, marcado pela criminalização e pelos assassinatos de lideranças quilombolas, indígenas e camponeses Sem Terra por todo o país.
Iniciativas como “Invasão Zero” estimulam a escalada de violência das milícias de Latifundiários e setores do Agronegócio em defesa do atraso e de um dos maiores índices de concentração de terras no mundo. Nos solidarizamos aos familiares dos que tombaram na luta pela terra, na defesa dos bens da natureza e reconhecimento de seus territórios.
Promotora da morte, a Bancada Ruralista aprovou a liberação desenfreada do uso dos agrotóxicos, atacou as terras indígenas, despejou dinheiro em falsas soluções para a crise climática e financiou a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.
Nos preocupamos que o primeiro ano do governo Lula terminou com o mesmo número de famílias acampadas do início do seu mandato. As possibilidades para resolver esse passivo são muitas, desde que haja determinação do governo em enfrentar a grilagem e a concentração agrária que historicamente marcou a estrutura fundiária brasileira.
Isso exige ainda um orçamento para o Ministério do Desenvolvimento Agrário e para o INCRA que seja capaz de retomar as políticas públicas para a reforma agrária em 2024, e que tenha condições reais de estruturar e fortalecer a organização daqueles e daquelas que produzem alimentos saudáveis, zelam da natureza e promovem justiça social.
A Reforma Agrária é uma ação estruturante e estratégica para combater diversas mazelas econômicas e sociais em nosso país, como a destruição da natureza, o desmatamento e o garimpo ilegal, a fome que assola a vida de milhões de pessoas, a concentração da renda e poder.
Por isso, nos comprometemos em seguir lutando pela democratização do acesso à terra, zelando pelos bens da natureza e pelas garantias dos direitos dos povos e comunidades do campo, das águas e das florestas em exercer a autonomia em seus territórios.
Reafirmamos nosso compromisso com o povo brasileiro e com a construção de uma nação mais justa e igualitária através da luta e da construção da Reforma Agrária Popular. Mais do que a democratização da terra, a reforma agrária, para nós, deve produzir alimentos saudáveis para alimentar todo o povo brasileiro, proteger os bens comuns da natureza e construir uma vida digna no campo.
Nos comprometemos em lutar contra a crise climática criada pelos países do Norte Global, pelos ricos do mundo, pelas transnacionais poluidoras e pelo agronegócio. Nos comprometemos com a preservação dos bens comuns da natureza e mantemos nossa meta de plantar 100 milhões de árvores e exigimos que os governos assumam o compromisso com o Desmatamento Zero e uma política massiva de reflorestamento.
Nos comprometemos em lutar contra todas as formas de opressão e injustiça, em enfrentar incansavelmente toda forma de racismo, discriminação e LGBTfobia. Somos solidários e não nos calaremos diante do genocídio do povo palestino em Gaza, conduzido pelo Estado de Israel e pelos Estados Unidos, e nem diante da prisão ilegal de Julian Assange, ativista da democratização da informação e denunciante dos crimes de guerra dos Estados Unidos.
Por fim, reafirmamos o compromisso que assumimos há quarenta anos atrás: lutaremos até que os males do latifúndio sejam extintos de nossa sociedade e com ele toda opressão, miséria, destruição ambiental e fome.
Queremos reafirmar estes compromissos na luta cotidiana, mas especialmente, em nosso VII Congresso Nacional, a ser realizado em julho deste ano em Brasília (DF).
E, convidamos o povo brasileiro a celebrar nossa cultura e nossa produção e em conhecer a atualização de nosso Programa de Reforma Agrária Popular e o que propomos para construir um campo e um país de vida digna e saudável!
Viva o povo brasileiro! Viva a luta popular!
Lutar, construir Reforma Agrária Popular!
Rumo ao VII Congresso Nacional do MST!
Escola Nacional Florestan Fernandes, Guararema, 27 de Janeiro de 2024.
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
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