terça-feira, 22 de julho de 2014

Comitê de Guarulhos dialoga com a população sobre o Plebiscito Popular



Comitê de Guarulhos dialoga com a população sobre o Plebiscito Popular

Para apresentar à população a pauta da Constituinte do Sistema Político, o Comitê de Guarulhos realizou duas panfletagens, as quais também convidaram a população a participar da PLENÁRIA MUNICIPAL NA QUINTA 24/07 (Teatro Adamastor, Av. Monteiro Lobato, 734).

Na quinta (17), uma atividade no Calçadão da Dom Pedro abriu o diálogo com estudantes e trabalhadores. Foram distribuídos 2.500 panfletos. A discussãosobre o Plebiscito Popular recebeu bastante apoio da população, que expressava seu desejo de ver mudanças na política. Foi possível, por exemplo, ter contato com membros de um grêmio estudantil, que levaram materiais para debater na escola.

Já no domingo (20), o comitê panfletou para milhares de jovens de todo o estados reunidos na Romaria da Pastoral da Juventude. Novamente, o Plebiscito Popular recebeu manifestações de apoio.


Vamos avançar na construção do plebiscito! Todos à plenária municipal nesta quinta!


terça-feira, 15 de julho de 2014




Adolescentes e jovens são 28% da população mundial

“Investir na Juventude” foi o tema escolhido pelo Fundo de População da ONU (UNFPA) para marcar o Dia Mundial da População, celebrado em 11 de julho. 

A reportagem foi publicada pela Redação da ONU Brasil, 10-07-02014. 

O investimento em jovens e adolescentes para que possam alcançar seu pleno potencial e contribuir para o desenvolvimento dos países é o tema escolhido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), para lembrar o Dia Mundial da População deste ano. A data, observada no dia 11 de julho, marca o início de uma ação global em redes sociais que visa a incluir as demandas de jovens e adolescentes como prioridade na futura agenda de desenvolvimento pós-2015. 

A ação do UNFPA, que no Brasil adotará o lema “Jovens Somamos Mais” e a hashtag #investiremjuventude, pretende engajar os próprios jovens e adolescentes para que expressem suas necessidades e aspirações, compartilhando mensagens e imagens sobre os temas de seu interesse e ampliando sua participação no debate sobre as novas metas globais de desenvolvimento. 

Existe atualmente 1,8 bilhão de pessoas no mundo com idade entre 10 e 24 anos, constituindo a maior população de jovens (15 a 24 anos) e adolescentes (10 a 19 anos) da história – pessoas que podem contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento sustentável com inclusão social de seus países. 

Para que isso ocorra, entretanto, é necessário assegurar seus direitos e investir no seu futuro, oferecendo a todas e todos uma educação de qualidade, emprego e renda decentes, segurança pessoal e acesso à saúde, em especial a saúde sexual e reprodutiva, além de educação integral em sexualidade, num contexto de igualdade de gênero e livre de qualquer tipo de violência ou discriminação. 

Investimentos certos, na hora certa, poderão fazer a diferença, principalmente se, entre outros, forem proporcionados espaços de interlocução e assegurada a participação efetiva dos jovens na construção de respostas. 

“Pessoas jovens saudáveis, educadas, produtivas e engajadas podem ajudar a quebrar o ciclo intergeracional de pobreza e são mais resilientes diante dos desafios individuais e sociais. Como cidadãos qualificados e informados, essas pessoas podem contribuir mais plenamente para suas comunidades e nações”, afirma o diretor executivo doUNFPA, Babatunde Osotimehin. Segundo ele, “O UNFPA está comprometido com os esforços para promover as aspirações da juventude e colocar as pessoas jovens no centro dos esforços nacionais e globais de desenvolvimento”. 

Brasil: jovens são 27% 

Segundo o Censo 2010 do IBGE, o Brasil possui mais de 51 milhões de jovens com idade entre 15 e 29 anos, o equivalente a 27% da população total; para a faixa etária de 15 a 24 anos, o total supera 34 milhões de pessoas, ou 18% da população aproximadamente. 

Emprego, educação e segurança são alguns dos principais desafios enfrentados pela juventude brasileira: segundo dados de 2009, 61% das e dos jovens brasileiros com idade entre 18 e 24 anos estavam desocupados e 69% não frequentavam escola. Além disso, foram registradas 52 mil mortes anuais por causas externas, das quais 53% causadas por homicídios. 

Dia Mundial da População 

Desde 1989 os países celebram, no dia 11 de Julho, o Dia Mundial da População. A data foi escolhida pela ONUporque foi nesse dia, em 1987, que a população mundial atingiu a marca de 5 bilhões de pessoas – atualmente, a população mundial supera os 7 bilhões, número alcançado em 2011. 

A data tem como objetivo alertar para a importância e a urgência das questões populacionais, particularmente no contexto dos planos e programas de desenvolvimento, e a necessidade de se buscar soluções para estes desafios.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Dívida com faculdade é pesadelo nos EUA - LEIA É MAIS DO IMPORTANTE, É A NOVA INVASÃO (ESCRAVIDÃO) DO IMPÉRIO.

Capital estrangeiro tem comprado universidades e pequenas faculdades no Brasil. E muitos (ingenuamente) se perguntar qual finalidade? Simples, a primeira fase da invasão do capital estrangeiro é ter as instituições de ensino privadas, as segunda será mudar a legislação brasileira introduzindo inclusive mudanças com relação ao "credito".

É urgente que a luta anticapitalista em nosso país, na sua trincheira parlamentar deva logo regular as relações entre o mercado financeiro e o endividamento. Essa nova escravidão financeira é mais destrutiva que o próprio desemprego ou a miséria.

Povo endividado não participada das decisões políticas, faz hora extra para o capital. Povo endividado não vota em candidaturas com proposta ideo política, vota em quem pode reduzir a agonia das dividas. 

Veja a noticia enviada pela albanoticias@mst.org.br e pelo professor Igor Fuser.

Boa leitura e boa indignação


Dívida com faculdade é pesadelo nos EUA

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON - O Estado de S.Paulo

13 Julho 2014 | 02h 05
Crédito estudantil consome renda dos mais jovens e adia sonho da casa própria

O sonho da casa própria não frequenta o imaginário de Michael Persley. Aos 31 anos, ele é um dos 39 milhões de americanos que contraíram empréstimos para bancar a universidade, o tipo de financiamento que mais cresceu nos Estados Unidos na última década. Hoje, o débito estudantil supera o de cartões de créditos e os gastos com a compra de carros e é apontado como um dos fatores que seguram o ritmo de crescimento do mundo. Endividados, muitos jovens adiam o momento de criar uma família ou abandonar repúblicas para mergulhar na vida adulta, com impacto negativo sobre o mercado imobiliário. 

O índice de criação de novos lares despencou depois da crise de 2008 e se mantém abaixo da média histórica, refletindo a fraca recuperação da renda, o desemprego persistente e a dívida recorde dos que concluem o ensino superior. Com o aumento das anuidades e do número de pessoas que frequentam universidades, os empréstimos a estudantes mais do que quadruplicaram entre 2004 e 2013, atingindo US$ 1,11 trilhão no primeiro trimestre de 2014. O valor só é inferior aos US$ 8,69 trilhões para o pagamento de hipotecas. 

No mesmo período, o endividamento total das famílias teve expansão de 40%, para US$ 11,65 trilhões. Há dez anos, os americanos tinham US$ 690 bilhões pendurados no cartão de crédito, quase três vezes mais que os US$ 260 bilhões que possuíam em empréstimos estudantis. 

Durante a crise, o único tipo de débito que cresceu foi o contraído para pagamento de universidades, que atualmente equivale a quase o dobro da dívida com cartões e a quase quatro vezes o valor devido pela aquisição de veículos. Dados oficiais indicam que 71% dos estudantes americanos saem da universidade endividados. 

Persley terminará sua pós-graduação em dezembro com um débito próximo de US$ 100 mil (R$ 222 mil), dos quais US$ 35 mil custearam seu curso de Ciência Política na Universidade de Illinois, em Chicago. Quando entrou na faculdade, em 2007, a anuidade era de US$ 20 mil, valor que sua família não tinha como pagar. 

"A menos que você tenha pais com muito dinheiro, não há como evitar os empréstimos estudantis", disse o estudante ao Estado. Seu pai é leiteiro e sua mãe trabalha em uma livraria. Juntos, eles ganham cerca de US$ 40 mil (R$ 89 mil) por ano, com os quais tiveram de sustentar seis filhos. 

A meio ano de concluir seus estudos, Persley não consegue vislumbrar uma existência sem dívida. "Parece que é parte da vida, como amor, amigos e família. Se tiver sorte e encontrar um bom emprego, talvez consiga pagar o débito em 10 ou 20 anos." Só depois disso é que ele poderá pensar na possibilidade de comprar um casa, afirmou. 

O impacto negativo do endividamento dos jovens sobre o mercado imobiliário está entre as preocupações do governo e do Federal Reserve (Fed, o banco central) em relação ao futuro da economia do país. A venda de imóveis residenciais cresceu abaixo do esperado em meses recentes, apesar de as estatísticas mostrarem redução do desemprego e reação da atividade econômica. No quarto trimestre de 2013, o índice de propriedade de casas atingiu o nível mais baixo em 18 anos, com 65,1%. 

Além de não contraírem hipotecas, muitos dos estudantes ou ex-estudantes endividados continuam a viver em repúblicas, o que deprime o número de formação de novas residências, com impacto negativo para outros setores da economia. Persley divide um apartamento com quatro pessoas em Washington e não sabe quando será capaz de morar sozinho. 

Pendurado. Lex Sonne, de 32 anos, também mora com amigos. Com graduação em Inglês e pós em Escrita Criativa, ele contraiu uma dívida de US$ 70 mil em empréstimos estudantis, cujo pagamento vem adiando desde 2008, quando saiu da universidade. Pelos seus cálculos, o débito está próximo de US$ 80 mil e ele não tem a menor ideia de como vai pagá-lo. 

Tanto Persley quanto Sonne têm dívidas superiores às da maioria das 39 milhões de pessoas que obtiveram créditos para o ensino superior. Segundo dados oficiais, o valor médio dos débitos é de US$ 29,4 mil. 

A maioria dos financiamentos é garantida pelo governo federal. Nesses casos, os estudantes só começam a pagar o débito depois de se formarem. Em tese, a primeira parcela deve ser desembolsada em até um ano do fim da universidade. 



Mas, se o devedor não tem bens nem um salário pago de maneira formal por um empregador, as opções do credor para recuperar o dinheiro são limitadas. Esse é o caso de Sonne, que não é dono de imóveis e trabalha como freelancer.

terça-feira, 8 de julho de 2014

MOVIMENTOS SOCIAIS SAEM ÀS RUAS EM LUTA PELO PLEBISCITO CONSTITUINTE


MOVIMENTOS SOCIAIS SAEM ÀS RUAS EM LUTA PELO PLEBISCITO CONSTITUINTE


Por Maura Silva

Do Site do Plebiscito Constituinte

Nesta segunda-feira (7), diversos movimentos sociais como Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Movimento dos Pequenos Agricultura (MPA), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Rede Fora do Eixo, Comitês Populares do Plebiscito, Sindicalistas, realizaram atos e intervenções artísticas pelo país no Dia Nacional de Luta pela Constituinte.

As ações, que aconteceram em 14 estados, tiveram como objetivo chamar a atenção da sociedade para o Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, cujas coletas de votos acontecem daqui a dois meses, entre os dias 1 a 7 de setembro.

Panfletagens, colagem de cartazes, pinturas, baterias de rua, aulas públicas e ocupações culturais foram algumas das formas usadas pelas organizações para debater o tema com a sociedade.
"Com pinturas em murais, colagem de cartazes e agitação com bandeiras e baterias buscamos conscientizar a população sobre a importância da revisão dos atuais processos dentro do poder”, disse Laryssa Sampaio, do Levante Popular da Juventude.

Desde agosto de 2013, mais de 250 organizações, movimentos sociais, centrais sindicais, partidos políticos constroem a ferramenta do Plebiscito Popular para promover mudanças no sistema político brasileiro. Atualmente, já foram criados mais de 600 comitês populares em todo o país.

Jaime Amorim, da coordenação nacional do MST, acredita “o nosso sistema representativo está falido. Uma reforma política é necessária para que a sociedade civil tenha cada vez mais espaço nas decisões tomadas pelos nossos poderes”.

A votação, prevista para acontecer na semana da pátria e que pretende coletar 10 milhões de votos em todo o Brasil, trará apenas uma única pergunta: “Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político?”

Para Diva Braga, da Consulta Popular, a luta pela Constituinte se coloca como a mais significativa luta política desde As Diretas Já! “Essa é a nossa prioridade de lutas atualmente, pois congrega a participação da sociedade civil e das diversas pautas de interesse do povo Brasileiro na luta por mudanças estruturais do país e o Plebiscito é a ferramenta de organização do povo nesta luta”.

As ações aconteceram em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais, Sergipe, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul e Pará.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

EU RECOMENDO: Artigo "Para decidir os rumos do Brasil " de Frei Beto

Eu recomendo, artigo do Frei Beto - sempre na luta.
Boa Leitura

Para decidir os rumos do Brasil



A Constituinte Exclusiva e Soberana deverá ser unicameral, sem o Senado, e sem tutela do Judiciário e ingerência do poder econômico. Só através dela nosso país alcançará, de modo pacífico, as tão almejadas reformas de estruturas

24/06/2014
por Frei Betto

Mês que vem começa a propaganda eleitoral compulsiva e compulsória. Mais uma eleição em outubro, da qual é importante todos nós participarmos. Antes, porém, haverá algo tão importante quanto: o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana, na Semana da Pátria (1 a 7 de setembro).

Eis a ocasião de dar uma virada no jogo! Vamos responder à questão: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o sistema político?” Adianto aqui a minha resposta: eu sou.

Não será a primeira vez que isso acontece. Em 2002, o presidente FHC queria que o Brasil integrasse a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), monitorada pelos EUA. O povo brasileiro foi consultado em plebiscito. Foram coletados 10.234.143 votos em 46.475 urnas em todo o país. O resultado comprovou a vontade popular: 98,32% dos eleitores se manifestaram contra a entrada do Brasil na Alca.

No mesmo plebiscito havia outra pergunta: se o Brasil deveria ceder o território de Alcântara (MA) para os EUA instalarem uma base militar. Resultado: 98,54% votaram contra. O acordo foi anulado.

Outros plebiscitos foram convocados: em 2000, sobre a dívida externa; em 2007, sobre a privatização da Vale do Rio Doce (que só piorou após sair do controle do Estado).

A Constituição de 1988, em vigor, representa uma transição conservadora da ditadura à democracia. Teve o erro de não ser exclusiva. Foram seus formuladores os mesmos deputados e senadores eleitos para o Congresso pelo atual sistema político viciado. Por isso, preservaram muitos resquícios da ditadura, como a militarização da polícia, a estrutura fundiária favorável ao latifúndio, o pagamento da dívida pública, a injusta anistia aos torturadores e assassinos do regime militar, impunes até hoje!

A Constituinte Exclusiva e Soberana deverá ser unicameral, sem o Senado, e sem tutela do Judiciário e ingerência do poder econômico. Só através dela nosso país alcançará, de modo pacífico, as tão almejadas reformas de estruturas, como a agrária e a tributária, e priorizará a qualidade da educação, da saúde, do transporte público e de outras demandas populares.

Com essa Constituinte, proposta pelos movimentos sociais, poderemos aperfeiçoar a democracia representativa e participativa, e fortalecer o controle social sobre as instituições brasileiras.

Participe desde já! Esta é a forma e o momento de mudarmos o sistema político do Brasil, que hoje monopoliza em mãos do Congresso a convocação de plebiscitos e referendos.

Organize um Comitê Popular ou participe dos já criados em sua cidade, bairro, sindicato, movimento social ou partido político. Faça de seu computador uma arma para o aperfeiçoamento de nossa democracia! Saiba como fazê-lo e onde os comitês já atuam através destes contatos: WWW.plebiscitoconstituinte.org.br / facebook.com/plebiscitoconstituinte / Email: plebiscitoconstituinte@gmail.com

Frei Betto é escritor, autor do romance “Aldeia do silêncio” (Rocco), entre outros livros

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Eu recomendo...artigo de Leonardo Boff


Eu recebi da minha amiga e companheira de lutas Aurea e reproduzo sua contribuição do artigo escrito por Leonardo Boff.

Eu recomendo, refletir é necessário para mudar a sociedade.
Agir é urgente, com clareza de onde se quer ir.
boa leitura!

linkhttp://leonardoboff.wordpress.com/2014/06/18/uma-democracia-que-se-volta-contra-o-povo/
Uma democracia que se volta contra o povo
18/06/2014

Uma grita geral da mídia corporativa, de parlamentares da oposição e de analistas sociais ligados ao status quo de viés conservador se levantou furiosamente contra o decreto presidencial que institui a Política Nacional de Participação Social. O decreto não inova em nada nem introduz novos itens de participação social. Apenas procura ordenar os movimentos sociais existentes, alguns vindos dos anos 30 do século pássado, mas que nos últimos anos se multiplicaram exponencialmente a ponto de Noam Chomsky e Vandana Shiva considerarem o Brasil o país no mundo com mais movimentos organizados e de todo tipo. O Decreto reconhece esta realidade e a estimula para que enriqueça o tipo de democracia representativa vigente com um elemento novo que é a democracia participativa. Esta não tem poder de decisão apenas de consulta, de informação, de troca e de sugestão para os problemas locais e nacionais.

Portanto, aqueles analistas que afirmam, ao arrepio do texto do Decreto, que a presença dos movimentos sociais tiram o poder de decisão do governo, do parlamento e do poder público laboram em erro ou acusam de má fé. E o fazem não sem razão. Estão acostumados a se mover dentro de um tipo de democracia de baixíssima intensidade, de costas para a sociedade e livre de qualquer controle social.

Valho-me das palavras de um sociólogo e pedagogo da Universidade de Brasília, Pedro Demo, que considero uma das mentes mais brilhantes e menos aproveitadas de nosso país. Em sua Introdução à sociologia (2002) diz enfaticamene:”Nossa democracia é encenação nacional de hipocrisia refinada, repleta de leis “bonitas”, mas feitas sempre, em última instância, pela elite dominante para que a ela sirva do começo até o fim. Políitico (com raras exceções) é gente que se caracteriza por ganhar bem, trabalhar pouco, fazer negociatas, empregar parentes e apaniquados, enriquecer-se às custas dos cofres públicos e entrar no mercado por cima…Se ligássemos democracia com justiça social, nossa democracia seria sua própria negação”(p.330.333). Não faz uma caricatura de nossa democracia mas uma descrição real daquilo que ela sempre foi em nossa história. Em grande parte possui o caráter de uma farsa,. Hoje chegou, em alguns aspectos, a níveis de escárnio.

Mas ela pode ser melhorada e enriquecida com a energia acumulada pelos centenas de movimentos sociais e pela sociedade organizada que estão revitalizando as bases do país e que não aceitam mais esse tipo de Brasil. Por força da verdade, importa reconhecer, que, entre acertos e erros, ele ganhou outra configuração a partir do momento em que outro sujeito histórico, vindo da grande tribulação, chegou à Presidência da República. Agora esses atores sociais querem completar esta obra de magnitude histórica com mais participação. E eles têm direito a isso, pois a democracia é um modo de viver e de organizar a vida social sempre em aberto – democracia sem fim – no dizer do sociólogo português Boaventura de Souza Santos.

Quem conhece a vasta obra de Norberto Bobbio um dos maiores teóricos da democracia no século XX, sabe das infindas discussões que cercam este tema, desde do tempo dos gregos que, por primeiro, a formularam. Mas deixando de lado este exitante debate, podemos afirmar que o ato de votar não é o ponto de chegada ou o ponto final da democracia como querem os liberais. É um patamar que permite outros níveis de realização do verdadeiro sentido de toda a política: realizar o bem comum através da vontade geral que se expressa por representantes eleitos e pela participação da sociedade organizada. Dito de outra forma: é criar as condições para o desenvolvimento integral das capacidades essenciais de todos os membros da sociedade.

Isso no pensar de Bobbio – simplificando uma complexa discussão – se viabiliza através da democracia formal e da democracia substancial. A formal se constitui por um conjunto de regras, comportamentos e procedimentos para chegar a decisões políticas por parte do governo e dos representantes eleitos. Como se depreende, estabelecem-se regras como alcançar a decisões políticas mas não define o que decidir. É aqui que entra a democracia substancial. Ela determina certos conjuntos de fins, principalmente o pressuposto de toda a democracia: a igualdade de todos perante a lei, a busca comum do bem comum, a justiça social, o combate aos privilégios e a todo tipo de corrupção e não em último lugar a preservação das bases ecológicas que sustentam a vida sobre a Terra e o futuro da civilização humana.

Os movimentos sociais e a sociedade organizada, devido à gravidade da situação global do sistema-vida e do sistema-Terra e na busca de um caminho melhor para o Brasil e para o mundo querem oferecer a sua ciência, as experiências feitas, seus inventos, suas formas próprias de produzir, distribuir e consumir, em fim, tudo aquilo que possa contribuir na invenção de outro tipo de Brasil no qual tudos possam caber, a natureza inteira incluída.

Uma democracia que se nega a esta colaboração é uma democracia que se volta contra o povo e, no termo, contra a vida. Daí a importância de secundarmos o Decreto presidencial sobre a Política Nacional de Participação Social, tão irrefutavelmente explicada em entrevista na TV e em O Gl0bo (16 /6/2014) pelo Ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência Gilberto Carvalho.

Leonardo Boff foi professor de Etica e Teologia e é escritor

terça-feira, 10 de junho de 2014

Do pão à organização - Campanha Plebiscito pela Constituinte 2014





EXTRAORDINÁRIA CONTRIBUIÇÃO PARA ORGANIZAÇÃO DO PLEBISCITO POPULAR, VAI FICAR RECLAMANDO OU VAI PARTICIPAR PARA CONSTRUIR UM NOVO BRASIL, COM UM NOVO SISTEMA POLÍTICO.