segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Manifesto XI MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Manifesto XI MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA 

Neste 20 de novembro de 2014, entidades do movimento negro e ativistas anti-racistas saem as ruas para celebrar, pelo 11º. Ano, a luta de Zumbi e de todos os quilombolas. Passados mais de 126 anos da abolição inconclusa, negros e negras brasileiros enfrentam ainda obstáculos de natureza estrutural para conquistar sua plena igualdade. 

Ainda que nos últimos anos conquistássemos algumas importantes políticas públicas de inclusão racial, como as cotas nas universidades e nos concursos públicos, a Lei 10639/03, a instituição de ministério, secretarias e conselhos em âmbito federal, estadual e municipal para elaboração de políticas de igualdade racial, o racismo continua impregnado na sociedade brasileira. 

O racismo expressa-se: 
- pelo genocídio da juventude negra demonstrado com o crescimento de homicídios de jovens negros e negras, a maioria cometido por forças policiais. 

- pelas ações de intervenção urbana que isolam as periferias das grandes cidades, condenando a maioria negra a viver em condições precárias. 

- pela pouca presença de negros e negras e da agenda anti-racista nos espaços institucionais do Executivo, Legislativo e Judiciário. 

- pela recusa das universidades estaduais paulistas, USP e Unicamp a implantarem sistemas de cotas. 

- pela invisibilidade de negros e, principalmente, da agenda anti-racista nos meios de comunicação de massa, sem contar a visão distorcida e preconceituosa em que personagens negros e negras são retratados nos produtos midiáticos. Se 

- pela insuficiência de recursos dos orçamentos públicos para os órgãos de combate ao racismo, pela não implantação de legislações já aprovadas de combate ao racismo, bem como as políticas de inclusão racial. 
Entendemos que as causas deste racismo são estruturais. Todos os indicadores socioeconômicos demonstram que as pirâmides sociais e raciais coincidem, com brancos no topo, negros e negras na base. Em momentos de crise e estagnação econômicas, a população negra é a principal atingida. Para tanto, são necessárias reformas profundas que levem a constituição de outro modelo de sociedade, cujas instituições estejam organizadas de forma a atender as demandas da maioria da população que é negra. Diante disto, a agenda da 11ª. Marcha da Consciência Negra defende sete eixos: 

1 – REFORMA POLÍTICA. É fundamental impedir que o Poder Econômico continue interferindo sem qualquer controle nos pleitos eleitorais e na condução das instituições governamentais. É urgente uma reforma política que implante o financiamento exclusivamente público das campanhas eleitorais, combate tenaz aos “caixas dois” das campanhas, e que criem sistemas de participação direta da população na tomada de decisões e mecanismos que garantam uma maior presença de candidaturas negras nos partidos políticos com condições reais de elegebilidade. A presença das doações privadas nas campanhas tem criado uma “privatização da política” gerando uma situação favorável para relações promíscuas entre Estado e iniciativa privada, desrespeitando o princípio básico da democracia que é um governo do povo e para o povo. Plebiscito realizado em setembro por movimentos sociais demonstraram que quase 8 milhões de cidadãos defendem a reforma política. 

2 – REFORMA DA MÍDIA. É urgente a aprovação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Democratização da Mídia que estabelece mecanismos de impedimento do monopólio dos meios de comunicação e de controle social da comunicação. Não é possível uma democracia existir em uma sociedade em que onze famílias controlam os fluxos de informação e a produção de entretenimento, com predominância de uma empresa, a Globo. O poder da mídia constrange governos eleitos democraticamente, atua na deformação da opinião popular sobre a participação política, invisibiliza negras e negros e a agenda antirracismo, impõe as agendas do grande Capital e tem a intenção de transformar a sociedade em massa de consumidores e não cidadãos. A invisibilidade de negros e negras e da agenda anti-racista é uma das consequências do monopólio midiático. 

3 – PELA DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA, PELO FIM DOS AUTOS DE RESISTÊNCIA E CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL. As periferias ainda vivem em verdadeiros “estados de sítio”, com execuções extrajudiciais, prisões arbitrárias e invasões de domicílios sem mandados. A concepção militar das forças policiais criam um caldo de cultura favorável para tratar a população como inimiga. Os critérios raciais são aplicados na definição de suspeitos e no trato mais violento por parte dos policiais. É urgente que a polícia se desmilitarize e se torne uma força civil com mecanismos de controle social. Também é necessário acabar com o instrumento dos autos de resistência que encobrem assassinatos cometidos por policiais. Também o movimento negro é contrário a proposta de redução da maioridade penal que virou bandeira de campanha dos setores mais reacionários da sociedade. Defendemos a plena aplicação do Estatuto da Criança e Adolescente para garantir as crianças, adolescentes e jovens o pleno respeito aos seus direitos. 

4 – PELA DESTINAÇÃO DE MAIS RECURSOS PARA AS POLÍTICAS DE INCLUSÃO RACIAL. Os órgãos específicos de combate ao racismo sofrem de falta de recursos. Muitas das políticas de inclusão racial aprovadas nos últimos anos tem dificuldade de serem aplicadas por isto. O orçamento da Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) de 2013 é equivalente a R$0,60 por negro e negra brasileiro. Diante disto, defendemos a criação de Fundos de Políticas de Inclusão Racial com verbas vinculadas no orçamento federal, estadual e municipal cujas aplicações serão de acordo com os planos aprovados nas conferências participativas e controlados pelos conselhos com participação do movimento negro. 

5 - IMPLANTAÇÃO DAS LEIS ANTIRRACISMO E DE PROMOÇÃO DA POPULAÇÃO NEGRA – tem se tornado comum a inobservância de decretos presidenciais, leis e direitos constitucionais no campo antirracismo e de promoção da população negra, por isso exigimos a implantação das leis federais e aprovação de estaduais correlatas: que tipifica e estabelece pena aos crimes de racismo (Lei 7.716/89 - Lei Caó), que obriga o ensino da história da África e dos afrodescendentes nas escolas (Lei 10.639/03), que institui o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/10), que estabelece cotas nas universidades públicas federais (Lei 12.711/12), que estabelece 20% das vagas dos concurso para o serviço públicos para negras e negros (Lei 12.990/14), que estabelece direitos trabalhistas as empregadas domésticas (PEC 72), que oficializa o Hino à Negritude (Lei 12.981/14), que estabelece procedimentos para titulação de terras quilombolas (Decreto. 4887/2003), dentre outras. 

6 – PELO DIREITO DE EXPRESSÃO DAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA. O racismo se expressa pela perseguição sistemática as religiões de matriz africana. Casas de candomblé e terreiros de umbanda são freqüentemente atacados por grupos fanáticos, seguidores destas religiões são perseguidos, inclusive nas escolas públicas. Isto coloca em risco a noção de Estado laico e de direito a expressão religiosa. 

7 – CONTRA O MACHISMO E O FEMINICÍDIO E A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NEGRA – Os dados do relatório do Ministério do Desenvolvimento Social de 2011 mostram das famílias cadastradas no Cadastro Único (que possibilita o recebimento do Bolsa Família), 90,3% são chefiadas por mulheres e 9,7% por homens. Entre os beneficiários do Bolsa Família, 93,1% tem a mulher como principal responsável. Dos responsáveis pelas famílias beneficiadas, 69% são negros e 30% brancos. O perfil dos jovens que nunca vão a escola: 59,87% são negros e oriundos de família chefiadas por mulheres negras. Perfil semelhante se observa nos jovens assassinados nas periferias das cidades brasileiras. Tudo isto aponta que a violência contra a mulher negra expressa nestes dados e outros mecanismos, como o feminicídio, a mortalidade materna, a violência doméstica, entre outros, retroalimenta a cadeia do racismo. Por isto, a luta pela equidade e empoderamento da mulher negra é tarefa central para a democratização efetiva da sociedade brasileira. 

Estes sete pontos sintetizam a estratégia política do movimento negro, apontando para a necessidade de mudanças estruturais para que o combate ao racismo dê um salto de qualidade. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Não deixe que senadores derrubem decreto de Participação Social.



Olá Companheir@! 




Você sabia que os senadores querem derrubar o decreto de Participação Social que dá voz ao povo nas decisões do País? E querem fazer isso com urgência, ainda nesta semana!






Contate os senadores - http://www.senado.gov.br/senadores/- e peça para que eles não derrubem esse mecanismo tão importante para o povo brasileiro.#NãoDerrubaSenador


Entenda por quê!













O que é? - A PNPS é um decreto utilizado como instrumento normativo. Ele define como a participação social deve acontecer dentro do governo. Com ele, as demandas sociais são fortalecidas e os cidadãos poderão participar das decisões do Brasil. A Lei já existe na Constituição, precisa ser regulamentada.


Por que ele é importante? - Ele empodera a sociedade pelo domínio das informações. O povo poderá opinar sobre as decisões do governo de forma direta e não apenas pelos representantes. Já existe em Porto Alegre, pelo orçamento participativo, e em Nova Iorque, com a consulta a população para definir os gastos.


Por que não querem a regulamentação? - Por que com ela os políticos perdem a prerrogativa de serem os "despachantes" dos currais eleitorais e seus eleitores passarão a ter voz, a falar por eles mesmos.


Por que sua mobilização é importante? - A Lei Maria da Penha, Lei da Ficha Limpa e Marco Civil da Internet são exemplos de legislações aprovadas pela pressão popular.




Participe!!! 


Partido dos Trabalhadores

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Semana de Luta pelo Plebiscito Oficial – 09 a 15 de Novembro



Circular n19/2014 – Semana de Luta pelo Plebiscito Oficial – 09 a 15 de Novembro
De: Secretaria Operativa Nacional
Para: Comitês Estaduais, Comitês Regionais, Comitês Municipais, Comitês Locais, cidadãos e cidadãs responsáveis pela realização do Plebiscito

Prezados/as organizadores/as do Plebiscito em todo o país,

Seguimos com a orientação de voltar a organizar nossos comitês e ampliar ainda mais nossa campanha, com o objetivo depressionar pela convocação de um Plebiscito Oficial, que pergunte à população brasileira a mesma pergunta que fizemos em nosso Plebiscito Popular.

Para isso, teremos na próxima semana uma Semana de Luta pelo Plebiscito Oficial. As ações devem ocorrer entre os dias 09 e 15 de Novembro e, abaixo, seguem orientações específicas aos Comitês:

1)  Todas as informações sobre as ações da semana devem ser enviadas para a Secretaria Nacional através dos e-mailsplebiscitoconstituinte@gmail.com e comunicaconstituinte@gmail.com. Tudo que diz respeito à divulgação e à repercussão das ações na mídia deve ser enviado, para que consigamos organizar as informações em nossos meios nacionais.

2)    Verificar a possibilidade da construção, nas Assembleias Legislativas Estaduais e nas Câmaras dos Vereadores, de Audiências Públicas a respeito do Plebiscito Constituinte Oficial, baseando-se no Decreto Legislativo que demos entrada na Câmara dos Deputados e solicitando apoio de parlamentares.
O Decreto Legislativo tem o número 1508/2014 e pode ser acessado no link abaixo:

3)    É muito importante que esse momento seja utilizado para retomar os Comitês. Assim, as atividades de base como rodas de conversa, ações de agitação nas cidades e nos territórios, audiências populares, utilizando a criatividade, devem ser organizadas ao longo da semana, em qualquer um dos dias.
É importante reservar um dia da semana para alguma atividade organizativa dos Comitês, realizando plenárias ou reuniões que consigam planejar os trabalhos daqui até o início do ano que vem, além de analisar o momento importante da conjuntura política do país.
  
4)    O dia 13 de Novembro, quinta-feira, é o dia escolhido para a construção de atos de rua, massivos, em todas as capitais. Todos os Comitês Estaduais devem priorizar esses atos nessa data, auxiliando os Comitês Locais na organização e procurando ampliar o máximo possível o leque de entidades e organizações participantes.
É importante lembrar que o último dia 04 de Novembro marcou uma retomada geral da campanha, com a organização de atos de boa repercussão e pressão social. Não recuar e seguir firmes na luta pela Constituinte significa, nesse momento, voltar-nos para fora e transformar nossa luta numa verdadeira luta de massas! Só assim será possível avançarmos e conquistarmos nosso objetivo.
Desejamos fazer do 13 de Novembro uma data que marcará nossa campanha e nos dará ainda mais fôlego para os próximos passos! Lembrem-se de que 14 de Novembro é o dia em que fazemos aniversário de 1 ano!!

Muita força nessa luta!!

Constituinte Quando???
Já!!!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

PT: ganhamos as eleições presidenciais e perdemos para mídia ?


Muitas pessoas se aglomeraram na porta do TUCA durante a realização do evento de apoio à candidatura de Dilma Rousseff. (Foto: Agência Estado)


2014 é um ano que começa sem graça e termina entrando para história da república. As eleições presidenciais foram marcadas pelos que analisam a conjuntura política de "janelas que se abriram" indo desde a morte de Eduardo Campos (PSB) até a votação expressiva de Aécio, os efeitos mais conservadores de junho de 2013 foram mais fortes do que as lutas progressistas que o insuflaram e a mídia que em nome da sua sede de retomada do poder executivo nacional apostou todas as suas fichas no "vale tudo" da vitória do representante político autêntico do sistema financeiro neoliberal.

É esse ano morno, e as primeiras pesquisas presidenciais mostravam isso, foi se consolidando como uma colcha de retalhos de variadas formas e posições. Onde no subterrâneo das articulações políticas os representantes da mídia mercantilizada arquitetavam o tom do movimento anti PT construindo dois mitos: 1) do crescimento baixo e a volta da inflação; e 2) o PT é o grande partido da corrupção, "como nunca antes na história";

Dois mitos construídos na melhor forma que o dinheiro pode comprar e pagar, de um lado intelectuais, economistas, estudados e estudiosos vomitando o velho "economês" dos mercados, um mantra diário que saltou aos olhos como na máxima ideia de que "uma mentira contada milhares de vezes torna-se uma verdade". Do tomate as declarações de técnicos da Fazenda tudo foi para criar o clima de terror sobre um passado já vivido e amargo. 

Contudo o modelo desenvolvimentista mantinha-se forte: taxa de empregabilidade e aquecimento do mercado consumidor individual, esfriando ali e aqui e não gerando a adesão necessária para o candidato do sistema financeiro neoliberal.

Então colocou-se força naquilo que marcou as eleições de 2006: "mensalões e petrolões" foram termos usados para ligar diretamente ao petismo a ideia de corrupto, acrescendo um pouco de ódio e factoides da guerra fria como "comunismo e cubanização". E a "tropa de elite" do jornalismo mercantilizado forçosamente imprime essa marca. Com certeza já tinham em mãos através de suas consultorias e analises de que a tática "colou", esse é o tom que se elevou do primeiro para o segundo turno.

O que assistimos era uma candidata (Dilma) com 10 minutos de um lado e do outro o candidato do sistema financeiro neoliberal ocupando a quase totalidade dos meios de comunicação de rádio, TV, revistas, jornais e drones eletronicos nas redes sociais. Se na década de 1960 pudemos ter na história do Brasil a "rede da legalidade" conduzida por Brizola na defesa da constituição e da posse do vice presidente eleito João Goulart, agora em 2014 vivenciamos a "rede da ilegalidade" mostrando que a mídia mercantilizada exerce - sem limites - a força de ser um poder que se esconde atrás da liberdade de expressão para expressar interesses de classe, das elites claro!

Quero expressar minha opinião dizendo que já faz algumas eleições que estava preferindo o que aconteceu nesta. Já faz um tempo que dissemos que a sociedade brasileira não superou seu racismo, seu ódio aos próprios irmãos/irmãs (a diversidade regional), a discriminação de classe, etc., e o que pude viver nestas eleições é a SAÍDA DO ARMÁRIO do que pensa de fato a sociedade brasileira herdeira de uma ditadura civil militar que fez acordos por cima para conciliar o seu fim via a impunidade dos seus crimes e de uma democracia que não amadureceu tanto assim.

Ver, ouvir e perceber o que pensa parte da sociedade brasileira é reconhecer o quanto estamos longe de romper paradigmas conservadores para dar um salto civilizatório enquanto povo brasileiro. Reconhecer que a formação socio historica do país ainda precisa de novos tons de claro para sair do cinza que encobre e distancia sua população da realidade produzida para uma realidade real.

De todas as tensões uma foi acompanhada por uma parte de nós com esperança e apreensão: o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político reuniu o melhor de uma militância que estava dispersa, nos reagrupamos em comitês (mais de 2 mil pelo Brasil), e conseguimos num esforço que a tempos não se observava 7,5 milhões de votos, sendo que na sua grande maioria a favor da Constituinte Exclusiva e Soberana para mudar o atual sistema político.

A melhor tradução disso é que a sociedade brasileira, principalmente a classe trabalhadora assalariada média é refém dos mesmos e já citados, estudados e discutidos meios de (re) produção das ideias dominantes, o sonho pequeno burgues e o mito da "classe média" em busca de privilégios. Agindo direta ou indiretamente a serviço da manutenção de uma elite que não a quer na sua festa, mas precisa dela para limpar o salão. 

E a outra é a mudança do atual sistema político brasileiro, que nasce no paradigma da democracia liberal burguesa, que limita a sociedade a escolher apenas pessoas, personalidades e personagens para se sentir "representado", sem poder para decidir rumos das reformas políticas e sem opção no atual modelo legal. 

Os 7,5 milhões de votos no Plebiscito Popular mostram o caminho que parte da classe trabalhadora quer e com toda certeza não é seguir o modelo conservador proposto e alimentado pelo candidato do sistema financeiro neoliberal.

Porém, é uma manifestação que espera uma direção, um chamado para que seja proposto de fato mudanças. Aqui fica o recado das urnas oficiais e populares: Dilma e o PT, agora é a hora de fazer as reformas estruturais! Sistema político, agrário e fundiário, público e estatal, social e econômico...

Um país que desde o inverno de 1964 nunca mais soube o que é luta de classes. Desde a democratização tratamos as divergências com conciliações, quando se impõem derrotas aos trabalhadores pede-se calma em nome do "outro dia", os que não aguentam e gritam são obrigados a se calar, os que questionam são taxados como "chatos ou do contra", e de recuo em recuo permitimos que o mostro guardado no armário do "politicamente correto" finalmente ensaiasse a sua saída.

O problema é saber qual gigante foi acordado, o da mudança ou do totalitarismo. 

Historias de jovens sendo assediadas e até estupradas, militantes recebendo xingamentos e outros até mortos pelo simples ato de defender, numa democracia, a sua liberdade de expressão. Esses e os vários fatos foram relatados durante essa eleição. Nós petistas temos o hábito da proposta, do dialogo e da emoção diante do processo eleitoral e nas lutas que defendemos, mas o lado de lá reunindo seus seguidores recém saídos do armário mostram que não surgiram para a democracia, mas para a agressão, a ofensa e a baixaria.

Temos um mandato presidencial para propor reformas estruturais urgentes, com apoio que não lhe faltará e o calor contagiante da militância mostra isso. Em política quem não faz escolhas é conduzido. 

Saber agora o que é melhor para sociedade brasileira daqui para o futuro cabe a nós.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Por que escolhemos Dilma Rousseff - da Revista Carta Capital.

Posição, a política brasileira está precisando de posição ea revista Carta Capital desceu do muro obscuro da mídia brasileira que se apresenta "imparcial", quando já é escrava do capital.

boa leitura!
Wagner hosokawa

Dilma-Rousseff

Editorial
Por que escolhemos Dilma Rousseff

Queiram ou não, Aécio Neves e Eduardo Campos serão tragados pelo apoio da mídia nativa e da chamada elite. Ou seja, da reação

por Mino Carta — publicado 04/07/2014 03:52, última modificação 05/07/2014 12:16


Começa oficialmente a campanha eleitoral e CartaCapital define desde já a sua preferência em relação às candidaturas à Presidência da República: escolhemos a presidenta Dilma Rousseff para a reeleição.

Este é o momento certo para as definições, ainda mais porque falta chão a ser percorrido e o comprometimento imediato evita equívocos. Em contrapartida, estamos preparados para o costumeiro desempenho da mídia nativa, a alegar isenção e equidistância enquanto confirma o automatismo da escolha de sempre contra qualquer risco de mudança. Qual seria, antes de mais nada, o começo da obra de demolição da casa-grande e da senzala.

O apoio de CartaCapital à candidatura de Dilma Rousseff decorre exatamente da percepção de que o risco de uns é a esperança de outros. Algo novo se deu em 12 anos de um governo fustigado diária e ferozmente pelos porta-vozes da casa-grande, no combate que desfechou contra o monstruoso desequilíbrio social, a tolher o Brasil da conquista da maioridade.

CartaCapital respeita Aécio Neves e Eduardo Campos, personagens de relevo da política nacional. Permite-se observar, porém, que ambos estão destinados inexoravelmente a representar, mesmo à sua própria revelia, a pior direita, a reação na sua acepção mais trágica. A direita nas nossas latitudes transcende os padrões da contemporaneidade, é medieval. Aécio Neves e Eduardo Campos serão tragados pelo apoio da mídia e de uma pretensa elite, retrógrada e ignorante.

A operação funcionou a contento a bem da desejada imobilidade nas eleições de 1989, 1994 e 1998. A partir de 2002 foi como se o eleitorado tivesse entendido que o desequilíbrio social precipita a polarização cada vez mais nítida e, possivelmente, acirrada. Por este caminho, desde a primeira vitória de Lula, os pleitos ganham importância crescente na perspectiva do futuro.

CartaCapital não poupou críticas aos governos nascidos do contubérnio do PT com o PMDB. No caso do primeiro mandato de Dilma Rousseff, vale acentuar que a presidenta sofreu as consequências de uma crise econômica global, sem falar das injunções, até hoje inescapáveis, da governabilidade à brasileira, a forçar alianças incômodas, quando não daninhas. Feita a ressalva, o governo foi incompetente em termos de comunicação e, por causa de uma concepção às vezes precipitada da função presidencial, ineficaz no relacionamento com o Legislativo.

A equipe ministerial de Dilma, numerosa em excesso, apresenta lacunas mais evidentes do que aquela de Lula. Tirante alguns ministros de inegável valor, como Celso Amorim e Gilberto Carvalho, outros mostraram não merecer seus cargos com atuações desastradas ou nulas. A própria Copa, embora resulte em uma inesperada e extraordinária promoção do Brasil, foi precedida por graves falhas de organização e decisões obscuras e injustificadas (por que, por exemplo, 12 estádios?), de sorte a alimentar o pessimismo mais ou menos generalizado.

Críticas cabem, e tanto mais ao PT, que no poder portou-se como todos os demais partidos. Certo é que o empenho social do governo de Lula não arrefeceu com Dilma, e até avançou. Por isso, a esperança se estabelece é deste lado. Queiram, ou não, Aécio e Eduardo terão o pronto, maciço, às vezes delirante sustentáculo da reação, dos barões midiáticos e dos seus sabujos, e este custa caro.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Porque é melhor Dilma no primeiro turno!


O caráter dos três mandatos do PT foram marcados pela conciliação com forças conservadoras da política nacional para garantir a governabilidade num programa de desenvolvimento econômico e social que equilibrasse a desigual distribuição de renda elevando as condições da base e do meio da "pirâmide" para uma renda média, essa "humanizaçao" do capitalismo brasileiro e pequenas reformas estruturantes nas políticas públicas marcaram o período do PT no poder nacional a partir de Brasília. 

Esse processo inevitável nos primeiros anos do gov. Lula, justamente porque o Estado herdado por FHC era o neoliberal, inclusive nos compromissos eleitorais com a famosa "carta aos brasileiros" (2002) isso já demostrava recuo no programa democrático popular. Os movimentos iniciais do governo aplicam a amarga receita do neoliberalismo com a reforma da previdência sob os trabalhadores do setor público e a mesma política fiscal e do mercado financeiro. Aos poucos foram feitas mudanças nas políticas sociais com a criação do Bolsa Família, retomada da ampliação das instituições federais de ensino superior, parcerias com os municípios e uma retomada de investimentos em infraestrutura. As contradições características do gov. Lula se expressam por exemplo no campo da política agrária com apoio tanto ao agronegócio, quanto a agricultura familiar. A grande marca da politica ficou a cargo da política externa que barra os acordos da ALCA e aproxima o país para relações internacionais multipolares com o fortalecimento do Mercosul, criação dos Brics e independência política mundial.

Isso explica, em parte, a forte vitória nas urnas e uma onda vermelha que vimos mesmo diante dos ataques da oposição de direita que estava (e está) mais preocupada com em derrotar o PT (partido) em vez do governo.

Agora neste breve balanço desses 12 anos podemos concluí que os ataques deliberados das elites em fazer oposição pelos meios de comunicação aberta, criação e ou apoio a pretensas lideranças politicas ou midiáticas para fazer o coro oposicionista, as críticas a aproximação internacional com Cuba, o chavismo e o "bolivarianismo", tentando imprimir uma ideia- força de um "comunismo petista autoritário"mostram o quanto é forte o conteúdo de luta de classes. Não importa se há tentativas de "conciliação de classes", como acusam alguns setores da nossa esquerda, a certeza que o núcleo central das elites nos odeiam.

Outro fator fortíssimo do elemento de classes é que passou a ser uma campanha aberta de marginalização dos trabalhadores pobres, críticas aos padrões de condições de vida da nova parcela de assalariados que chegou a renda média (criticas ao" "padrão" de qualidade e ocupação dos aeroportos), criticas ate racistas com relação as cotas raciais ou regulamentações de direitos como politicas para mulheres, demarcações de terra indígenas e quilombolas, parâmetros para o salário mínimo, acesso educacional (mesmo que parte pela lógica do consumo educacional via Prouni), etc.. 

Frente a isso porquê votar e levar Dilma ao primeiro turno? 

Primeiro garantir que não seja preciso comprometer ou repartir o próximo governo com compromissos com mais setores ligados as forças conservadoras. Dando condições para um realinhamento ao programa democrático popular.

Segundo, a possibilidade de fazer avançar uma verdadeira reforma do sistema político por uma constituinte exclusiva e soberana, onde a manifestação voluntaria de mais de oito milhões de brasileiros demostraram que parte dos trabalhadores assalariados da nova conjuntura quer fazer mudanças necessárias no país. Buscando o fortalecimento das organizações da classe trabalhadora e um novo marco republicano que introduza elementos como a democracia participativa.

Terceiro, a esquerda brasileira poderá ter que enfrentar (mesmo que ainda dividida), a maior reação conservadora e de classe já imaginada desde o fim da ditadura civil-militar e da ofensiva neoliberal, onde preservar direitos sociais e colocar em pautas projetos do campo progressista, popular, socialista e dos trabalhadores/as será o elemento divisor da sociedade brasileira, que poderá ser a retomada do debate de classes. Reconhecer de que lado está? Será fundamental para nossa luta.

Quarto, reagrupar as forças progressistas e da esquerda, pois é claro que haverá a reorganização do lado de lá. As ideias-força do modelo neoliberal podem impor sobre nossas elites e sua representação politica um pacto como que assistimos na Venezuela.

No primeiro turno com Dilma temos muito a ganhar, basta aprendemos com as possibilidades do momento histórico.

Recolocar as ideias socialistas deve ser a tarefa de toda militância para além das eleições oficiais.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Plebiscito por constituinte tem quase 8 milhões de votos. Resultado será levado a Brasília.



Plebiscito por constituinte tem quase 8 milhões de votos; resultado será levado a Brasília

Número de votantes chegou a 7.754.436, dos quais 97,05% favoráveis à constituinte exclusiva e soberana do sistema político, e 2,57% contrários
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 24/09/2014 18:40, última modificação 24/09/2014 19:15
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/09/plebiscito-por-reforma-politica-tem-adesao-de-quase-8-milhoes-e-resultado-sera-levado-a-brasilia-9996.html
DIVULGAÇÃO
Constituinte_exclusiva
'É um resultado extraordinário, principalmente por ter sido ignorado pela mídia', disse Vagner Freitas
São Paulo – O Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, realizado entre dias 1° e 7 deste mês, chegou a quase 8 milhões de votos no país. Com cerca de 95% das urnas apuradas, o número de votantes atingiu 7.754.436 de votos, dos quais 97,05% votaram no “sim” e 2,57% disseram “não”. Brancos (0,2%) e nulos (0,17%) não chegaram a 0,5%. Os números foram divulgados na tarde de hoje (24), em entrevista coletiva que reuniu o presidente da CUT, Vagner Freitas, um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, e Paola Estrada, da Secretaria Operativa Nacional do movimento.
Embora o objetivo inicial fosse atingir pelo menos 10 milhões de votos, marca do plebiscito contra a Alca em 2002, os organizadores consideraram que a consulta pela Constituinte foi vitorioso e superou as expectativas. “É um resultado extraordinário, principalmente por ter sido ignorado pela mídia”, disse Vagner Freitas.
“O (governador Geraldo) Alckmin come um pastelzinho ou toma um cafezinho e vira notícia da mídia, e do plebiscito, que foi apoiado por vários candidatos a presidente da República, não saiu nada”, criticou Paola. Freitas lembrou que a consulta sobre a Área de Livre Comércio das Américas contou com apoio de parcela do empresariado e da igreja católica e não foi boicotado tão ostensivamente pela imprensa como o da reforma política.
Rodrigues, do MST, ressaltou o caráter “pedagógico” da consulta. “Além disso, teve grande importância do ponto de vista organizativo.” Segundo ele, o resultado deve ser comemorado por três motivos: ficou demonstrado, pela participação, que a sociedade quer mudanças no sistema político; a realização, de acordo com o dirigente, bem-sucedida do movimento, foi decorrente das mobilizações de rua iniciadas em junho de 2013; e foi um incentivo para a continuidade das mobilizações pela constituinte exclusiva.
Apesar de a convocação de um plebiscito ser atribuição do Congresso Nacional, cuja composição pode ficar ainda mais conservadora com a eleição de 2014, os organizadores acreditam que ele aconteça. "Nossa disputa será junto com a sociedade. Com as forças organizadas e mobilização vamos criar um clima e um debate por um novo processo constituinte e não deixar a questão só com o Congresso", explicou João Paulo Rodrigues.
O próximo passo dos movimentos reunidos em torno do plebiscito popular agora é levar os resultados para os principais representantes dos três poderes, nos próximos dias 14 e 15: a presidenta Dilma Rousseff; o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski; e o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros.
Os organizadores lembraram que lideranças importantes, ao participar, deram legitimidade ao processo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos candidatos à presidência Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Luciana Genro (Psol) e até Pastor Everaldo (PSC) participaram da votação. Dilma, Lula e Luciana votaram “sim”. Marina e Everaldo não revelaram seus votos. “Ainda assim, é importante, porque eles participaram e assim também legitimaram o movimento”, disse Paola Estrada.

Alckmin

Os organizadores do plebiscito popular lembraram, na coletiva, que o governador Geraldo Alckmin impediu que as urnas entrassem nas escolas da rede estadual de ensino. Isso dificultou a participação da juventude da rede de ensino de São Paulo no processo. “Até entendo, porque ele deve ser defensor do financiamento privado de campanhas políticas”, ironizou o presidente da CUT. O governador enviou ofício às escolas estaduais para que os professores evitassem a discussão sobre o plebiscito em salas de aulas, além de ter solicitado que diretores não autorizassem as urnas, segundo os organizadores da consulta.
O fim da participação de empresas privadas como financiadoras de candidatos e partidos é uma das principais bandeiras do movimento social.
“Eu acho que se ele concordasse com as propostas do plebiscito ele teria facilitado a coleta de votos nas escolas. Só consigo imaginar por uma posição contrária dele ao que propunha o plebiscito. Como eu não sei a posição dele, penso que seja isso. Não acredito que o governador do estado tenha feito isso apenas por um ato de mesquinhez. Acho que ele deve ter mais coisas para fazer”, afirmou Vagner Freitas.