sábado, 1 de julho de 2017

Recuar não é o problema. A questão é fingir resistir. Sobre a greve geral de 30 de junho de 2017.



Recuar não é o problema. A questão é fingir resistir. Sobre a greve geral de 30 de junho de 2017.

2017 já está marcada na história do Brasil como o ano em que a classe trabalhadora brasileira vivenciou o seu período mais desafiador. As reformas do governo golpista de Temer (PMDB/PSDB) atingem no coração dos direitos, trabalhista e previdenciária, daqueles que dependem do salário mínimo como única fonte de sobrevivência.

Os pontos da reforma trabalhista devolvem os trabalhadorxs para condição de antes da CLT (leis trabalhistas) de Vargas e ampliam a lógica do neoliberalismo que é o individualismo, ou seja, institui o “cada um por si” legalmente.

A reforma da previdência, a grosso modo, vai criar uma série de dificuldades para quem vive do salário possa se aposentar. “Trabalhar até morrer” não será uma piada e sim uma realidade.

E por isso, desde março o país tem vivido permanente estado de greve, com paralisações gerais pontuais como meio de pressão sobre o congresso nacional.

Das mobilizações mais significativas a de 28 de abril foi a de maior força, paralisando diversas atividades e manifestações massivas, na sequência a ocupação de Brasília seguida de violenta repressão demostraram o vigor da classe trabalhadora em resistir.

A questão é de fôlego.

A conjuntura que é  retomada remota ao campo de lutas simbólicas das classes. O país sempre foi dividido e o saudoso Betinho lutou para que pudéssemos reconhecer essa divisão pela raiz das desigualdades econômicas, sociais e políticas demostrada pelo problema da fome. Agora dizer que o país estava dividido por conta do governo do PT é puro oportunismo manipulando a ignorância das massas.

A reação conservadora e financista do capitalismo brasileiro ao apresentar estas reformas é a certeza de que houve golpe contra Dilma e que com Temer as forças políticas no congresso e o tempo estão favoráveis para eles. As elites estão apenas aproveitando a sua janela de oportunidade.

Lênin, líder máximo da revolução russa, e formulador dessa tese, em vários momentos da luta de classes na Rússia recorreu , dentre as variáveis de sua análise, à questão da conjuntura e o acúmulo de forças para construir a tomada do poder pela classe trabalhadora russa.

E é sobre isso que temos que conversar, sinceramente e seriamente.

Ontem, na avenida Paulista, resistimos de novo contra as reformas do governo Temer. Ok, temos que valorizar nossas lutas. Mas com reflexão critica necessária.

30 de junho de 2017 não foi a “melhor de três” e expressa o quanto as direções jogam para baixo as suas próprias lutas. Digo isso sem medo e preocupado com a organização da classe trabalhadora.
Sinais de que precisamos retomar processos ideo-organizativos e militantes:

1) As categorias que recuaram e desmobilizaram a greve geral foram a dos transportes, sito, condutores e metroviários, principalmente em São Paulo, centro do capital financeiro. E não os culpo plenamente, pois a atual legislação trabalhista-sindical, tem criado uma tendência perigosa que derruba a ideia de “mediação” da justiça do trabalho para justiça patronal, com as recorrentes obrigações de mais de 80% de manutenção de serviços e multas de mais de 500 mil a 1 milhão de reais sobre os sindicatos. Tendência que tem engessado a luta sindical e criando uma situação econômica de quase falência devido a esse abuso jurídico. E claro, essa coisa de “greve de fim de semana”, retirando a simbologia da pressão sobre os patrões;

2) A eternidade de diretores ou diretorias que se revezam nas máquinas sindicais, longe das bases e do cotidiano da classe trabalhadora e assim reforçando o caráter alienante das relações entre a direção e sua categoria profissional. Profissionalizar o dirigente não é problema. O problema é a legitimidade de quem tem a responsabilidade de atuar “full time” a sua categoria, não apenas corporativamente, mas a serviço da classe. E o que estamos vivenciando é uma profunda transição dessas gerações, que tem sido questionadas por renovadas oposições sindicais e movimentos de trabalhadores autônomos;

3) O trabalho de base. Que desde as reformas homeopáticas trabalhistas desde o governo Collor, FHC, Lula e Dilma, com privatização, flexibilização, terceiro setor, endividamento salarial (pelo crédito e financiamentos), descaracterização do vínculo dos servidores públicos, precarização, apropriação da previdência pública pelo privado dentre outras, que tem criado no interior da classe trabalhadora tipos de vínculos cada vez menos coletivos, fragmentados e dispersos. E não há no horizonte possível como retomar o trabalho de base pela organização da classe que articulada e mobilizada não precisa se submeter nem a justiça do trabalho e nem a paralisação dos transportes. Ou seja, a classe consciente dos prejuízos que traz ao lucro e não ao seu trabalho, que é essencial ao lucro.

Tudo isso para dizer que o momento pede retomar e combinar. Retomar a partir de um projeto de classe que atenda aos interesses do conjunto da classe. E combinado com a formação militante, círculos de organização, etc., que permitam emergir a qualidade ideo-organizativa da classe.

Não será para agora. É um processo.

Processo que precisa analisar o tempo presente. Porque ontem vivemos o nosso “mico” com ampla animação pelas redes sociais virtuais, mas com recuos diretos dos meios que de fato intervém na realidade de resistência da classe trabalhadora, onde é fato que os trabalhadorxs do transporte tem grande influência sobre os processos de greve geral e não parar São Paulo é como não ter havido de fato greve geral. É a trágica realidade do federalismo brasileiro, desigual e injusto.

Terminar o ato em São Paulo na igreja da Av. Consolação não consolou a nenhum de nós, lutadores e lutadoras do Brasil.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Quando falta estratégia, a ousadia vira chilique.

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Não sou adepto de termos pejorativos como aqueles cunhados pela direita golpista, como "esquerda caviar", pois, apenas expressa uma moda criada no calor desse momento, e como é um termo cunhado de forma medíocre tem pouca força de internalizar-se nas rodas de conversa. 

O que me preocupa mesmo são as novas-velhas tentativas de alguns militantes de buscarem ser "Che Gevaras" sem o desprendimento do mesmo, e buscam rapidamente, a possibilidade de estampar a sua "cara" nas próximas camisetas. 

Digo isso porque ah tempos temos visto que com o avanço das novas formas comunicativas, sito, redes sociais virtuais, novas tecnologias e etc., a perspectiva do "grande irmão" de Orwell ou da fama "big brother" tornou-se não apenas uma tendência atual da sociedade do consumo em geral, mas também da esquerda brasileira.

A tendência de "militantes-youtubers", ou "petismo classe média" ou até mesmo "esquerdista de varanda gourmet" são tipos típicos desse momento histórico que vivenciamos. Basta ver que qualquer vídeo ou declaração na internet tem mais um "quê" de viralização e menos de declaração política. O que estamos, alguns de nós, assistindo nesta conjuntura sociopolítica é menos a disposição para retornar o trabalho de base e mais uma super-exposição do "eu".

Vivemos o momento da erosão do perfil do "líder", figura exponencial que teve sua identidade constituída de simbolismo anterior, a exemplo disso, citamos Brizola e Lula como figuras da antiga escola e que tinham como característica agregar capital social  e político ao terem base social e identificação com uma posição político-ideológica, imaginemos que para direita também o vale.

Mas como explicar que determinados parlamentares sejam eleitos e eleitas? Como identificar isso no "efeito Dória" em São Paulo que sem conteúdo político-ideológico traz apenas a influência midiática e empresarial para um mundo em que os elementos simbólicos determinantes passam por posições que não podem ser simplistas?

Talvez a resposta esteja aí. Com o avanço do processo neoliberal, a capacidade de compartilhamento de conhecimentos cada vez mais se desfaz e reduz profundamente, se observarmos as debilidades cognitivas e epistemológicas de formação tornaram-se iguais entre escolas públicas e particulares, a primeira pela omissão e redução de direitos e a segunda pela idiotização da transferência de conhecimento como tarefa de memorização.

 E no fim, temos matérias chave como redação sendo vistas como técnica de alta preocupação, pois, responder o que conhecemos ou opinar sobre um assunto  parece ser um dos exercícios mais complexos de uma humanidade que dialoga pouco e viraliza muito tudo que vê, mas não reflete das novas mídias e meios digitais comunicacionais, apenas repassa com breves comentários.

Voltando ao dilema da esquerda, esta encontra-se numa encruzilhada danada. Onde ousar, individualmente, ainda é risco de morte. Seja numa greve ou num protesto, sabemos que na luta há preços pela nossa ousadia, a custos pela nossa liberdade. Liberdade que são escolhas, estas respondem na mesma intensidade com as que decidimos. 

Portanto, enquanto muitos recuam na luta por não terem confiança em suas organizações políticas, outros tentam ao máximo se expor, as vezes pela luta, e outras pela fama.

Sai o sujeito coletivo da luta. Entra o individualista, atrás da carreira.

Essa pode ser uma das questões centrais dos rumos da esquerda brasileira nos próximos anos. Cada um de nós ainda esta impactado com o rumo das mudanças e a rapidez como o capital aproveita as suas "janelas de oportunidades" com as reformas, trabalhista e previdenciária, buscando tratar essa pauta como urgente, usa a crise do capital como meio de dizer que o Estado que não recebe dos seus sonegadores de impostos, precisa novamente sacrificar quem sobrevive do salário.

E faz com que esta esquerda que há tempos tenta com sua paciência institucional dizer a massa de que "tudo virá aos poucos", olha para si mesmo e pensa no abismo que se meteu. Evidente que não dá pra fazer uma revolução institucional, essa ilusão foi experimentada, em termos, durante a "era do lulismo", mas então para que Estado numa estrategia das esquerdas? Se não for para aparelhar e distribuir aos realmente interessados que é classe trabalhadora, porque disputar eleições?

Por isso, me dirijo a reflexão desse momento. Como no caso das escolas ocupadas, geração que continuou as lutas contra as reformas neoliberais na educação que se iniciaram em 1994 pelos governos do PSDB, e resistimos contra essas medidas. E quando vejo o grau de bajulação que se faz a alguns jovens que lideraram esse processo, imagino o turbilhão de coisas que estão sendo operadas, direta e indiretamente, na cabeça deles e dos interesseiros de plantão. Diria as "julias" que se atentem para base, para o espraiamento das ideias no coletivo e para o fortalecimento das resistências e não das carreiras políticas.

Porque para um militante de esquerda o que deveria valer é a luta. Não vale a pena lutar se quando você sai de casa só mobiliza o seu ego.

E ainda nem me detive a avaliação do 6º congresso do PT, que na plenária final, o palco de cenas grotescas e práticas ainda poluídas só reafirmam minha posição por uma esquerda que reafirme o partido da classe trabalhadora, dos despossuídos, dos informais, dos precarizados, dos que pertencem a massa cotidiana e não a uma imagem patética de classe assalariada média.

Outra coisa é o Plano Popular de Emergência que me preocupa colocar novamente em nossa estratégia o velho desenvolvimentismo do capitalismo brasileiro, novamente a pauta não empolga, apenas reafirma necessariamente sobre quem deve construir seu plano estratégico, nós isolados? Ou NÓS, mesmo que isso leve tempo, mas que seja como uma planta de raiz profunda, que chegue a quebrar as calçadas pelas quais passam a nobre elite brasileira?

Diretas Já com certeza.
Direitas Já não.
Não vou em show, vou em ato-político.

sábado, 3 de junho de 2017

Fora Temer e Diretas Já SIM. "Showzinho" NÃO.

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(Greve Geral de 28 de abril de 2017/ Largo da Batata)

Não peço apoio para minha posição, que alias tem tido eco em vários espaços onde o assunto ganhou visibilidade. E estou falando do "Show por Diretas Já", bem noticiado pela imprensa popular como a revista "Veja" no dia 31 de maio de 2017. Incrível não!

Minhas razões passam por três premissas básicas: por uma posição de classe; uma análise de perspectiva das forças sociais populares; e a formação da sociedade brasileira. E já adianto, não é artigo acadêmico, portanto é uma posição política que busca dialogar o mais amplamente possível com bons e boas camaradas, compas e demais militantes, repito: militantes.

É comum na esquerda brasileira pós ditadura civil-militar construirmos consensos e "saídas possíveis" para as crises que rondam a república, pois foi assim na constituinte de 1988, nas eleições de 1989, no "Fora Collor", nas narrativas pelo "Fora", "Renuncia", "Sai" FHC (na década de 1990), na coalisão "lulista" via "carta aos brasileiros", na manutenção das "conquistas sociais" na chapa Dilma-Temer até...bom de 2013 pra frente você, leitor (a), já conhece a história.

Estas formas de interagir com os diferentes pode ser, a principio, a busca de uma identidade de esquerda pluralista, mesmo que a reciproca da reação burguesa não seja igual e muito menos republicana. O certo é que a esquerda brasileira tem abandonado a sua perspectiva pela "unidade", palavra que parece mágica diante de olhos esperançosos de que um dia o capitalismo perca fôlego ou ganhe "visão social" sobre os males que causa.

Antes de continuar, vamos entender como o termo "veja bem" é muito usado para justificar o injustificável como disse Rogério Ceni, que esta semana quando indagado sobre as vendas de jogadores do São Paulo (SPFC) no meio de um campeonato e onde no passado o atual técnico havia, enquanto jogador, criticado tal atitude. Sua resposta expressa o que virou a política brasileira aos olhos da massa: "Veja bem, todos os times precisam de dinheiro.".

 OK, mais um que desfila sobre o manto do discurso quando convêm. Digo isso, porque o técnico sãopaulino apoiou Aécio e é mais um no arco das "celebridades" que usam o seu capital político-cultural.

E é essa forma particular de "fazer política" que tem expulsado a esquerda brasileira das urnas, herança do "lulismo" entre o "projeto necessário para o país" e o que é "possível fazer". A ousadia é de ocasião. Governar é para os fracos.

E essa deve ser a primeira questão que me leva a não ir em show e sim em manifestação organizada e preparada para "botar o dedo na ferida" da sociedade brasileira, ou retomamos o trabalho de base no sentido de uma identidade de classe trabalhadora, da periferia, do cotidiano da massa simples e divagante, dos que assistem anestesiados os "globais", dos que desfilam na marcha fúnebre dos pontos de ônibus, metros e trens, enfim, do homem e da mulher do mundo real, ou novamente queremos conversar com esse biotipo de assalariado médio, a velha "classe média" que se julga mais "esclarecida", porém, com fortes tendências conservadoras, pois é a base da hegemonia brasileira esse ser conservador, reproduzido para pensar e agir sobre um modo de vida clássico: o "eu".

Agora uns dirão que essa é a principal justificativa da submissão da esquerda brasileira ao show de domingo (04 de junho), que é o "dialogo com esta classe (assalariada) média", como argumentou inclusive o líder do pós lulismo, Boulos, onde novamente, para nós "os fins justificam os meios". Já vimos no que deu essa análise. 

Não acredito que publicamente devêssemos nos "dividir" agora, mas um pouco de análise critica e discernimento deveriam servir para a atual conjuntura. Onde a soma dos diferentes nem sempre dará o resultado igual.

Também não é verdade que a luta pela derrubada de Temer e por novas eleições gerais signifiquem "unidade", pois há mais de duas versões sobre quem deve ser o sucedâneo do pós Temer. Todos sabemos que o PT ainda tem a sua maior cartada, Lula é candidato e com certeza o que mais tem penetração social na massa. Com os senões atrás: "vai ser uma coalisão lulo-centrista", "vai ter desgarrados do golpe no apoio, com Renam?", "vai aprofundar a necessidade de constituir uma bancada democrático-progressista como um bloco de esquerda?", vamos ver depois do seu 6º Congresso agora no começo de junho.

Boulos tem cartucho, mas entre o lupem do MTST e a esquerda "classe média", lhe falta vigor - apesar do seu esforço - e organização partidária (partido de classe e não do TSE) para avançar e mesmo no Psol as definições passam por outras premissas, inclusive sobre "rachar ou não" o "lulismo" com uma candidatura média ou simbólica, ou seja, entre fazer votos+bancada e puxar para baixo o "lulismo" ou manter o que tem em termos de bancada e buscar vencer um estado com uma candidatura a presidência simbólica (e assim deixar o lulismo passar), bom, seja qual for a escolha, é da sua soberania partidária decidir.

As demais forças políticas de esquerda (Pstu, Pcb, Pco, etc.) até poderiam decidir o jogo do pós Temer, mas ainda estão presos em formas e discursos que ainda se enraízam no terreno pantanoso da classe assalariada média penetrando nas elites da graduação universitária, dos sindicatos e instituições de categorias, das reuniões recheadas de "verdades" sobre si e defeitos sobre os outros, da denuncia da alienação para o esvaziamento das reuniões e atividades, etc., etc..

Todos podem ter razão em querer "convocar" para o show de domingo. Mas alerta de classe para os sinais evidentes do problema de se "alimentar a cobra entre quatro paredes", vejamos os motivos que me convencem a não ir neste domingo: 

- A polêmica nasce da matéria do UOL (da família Frias/Falha de S.Paulo) na matéria de 28/05/17 ao extrair a curiosa frase de um dos organizadores: "Não temos a intenção de excluir ninguém. Temos o máximo respeito pelas lutas históricas de cada segmento, mas achamos importante termos também a chance de fazer um evento com todos que queiram participar, puxado pelas diversas expressões culturais. Achamos que é uma forma de agregar, ampliar e mostrar a quantidade de gente que quer diretas-já", diz o produtor cultural Alexandre Youssef, presidente do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. (https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2017/05/31/artistas-excluem-partidos-e-sindicatos-de-ato-na-paulista.htm) 

Polêmica instalada foi como um rastilho de pólvora foi tanta que até sexta feira (02/06/2017) as justificativas estão sendo disseminadas e com amplo apoio dos setores populares, sites de esquerda e organizações para "corrigir" as afirmações vinda de um dos organizadores que tem ficha conhecida, e este é o ponto. Youssef é empresário do ramo de shows e entretenimento, se considera empreendedor mas é empresário, foi coordenador de juventude no governo Marta (quando era do PT), passou pelo PV e ajudou a criar a REDE de Marina. Queridinho da Globo participou do programa de Regina Case (o dominical "Esquenta"), ou seja, não é apenas um "empreendedor financeiro", mas político. 

- O movimento dos setores da mídia, aliados de primeira hora do golpe, agora procuram outro marionete para o mais alto cargo da república, recordemos que a Globo colocou o foco em Temer e Aécio, este último mereceu inclusive mais de 12 minutos no programa dominical-alienante "fantástico" (ou "fanático" para mim), e o mais impressionante é que desde os atos de junho de 2013 e a resistência ao golpe de 2016 essa mesma mídia ignorou, ignorou e dedicou-se a criar fatos e estórias para simplesmente fazer sumir das paginas do noticiário as manifestações promovidas até então. 
Agora, para este domingo a (in) Veja publica em matéria aberta para os internautas não-assinantes chamada "Show por ‘Diretas Já’ acontece em São Paulo no domingo. Ato terá presença dos rappers Mano Brown, Emicida e Criolo, do sambista Péricles e dos cantores Maria Gadu, Tulipa Ruiz, Otto e Simoninha" em 31/05/2017, com direito a cartaz e tudo (http://veja.abril.com.br/politica/show-por-diretas-ja-acontece-em-sao-paulo-no-domingo/) destacando o caráter "independente" do show, ops, ato.

Bom, toda luta política exige diálogo entre as forças que se incorporam nela. Alguns dirão que meu "radicalismo" não procede nessa conjuntura em que "algo maior precisa ser combatido" e que houve momentos na história em que "recuar" era necessário, mas vejamos: (a) durante a revolução cubana não havia unidade em torno da tomada do poder entre as esquerdas, porém o movimento 26 de julho ocupou protagonismo e Fidel Castro obteve apoio dos setores urbanos, contudo o aliado estava no mesmo espectro ideológico, não eram a máfia e nem setores desgarrados do ditador Batista; (b) o PCB mesmo adotando a estratégia da "resistência pacifica" foi massacrado pela ditadura civil-militar brasileira; (c) Florestan fez análises duras sobre o papel do "centrão" na constituinte, mantendo o mesmo centro ultra-conservador e atrasado oferecendo as saídas para o país, somado ao que temos com uma anistia ampla para torturadores e que depois de três décadas engessou a Comissão da Verdade e o retorno de uma frase conhecida desde a redemocratização, "foi o que foi possível fazer".

"Foi o que foi possível fazer" 

Essa parece ser a frase que justifica tudo no campo de força social da esquerda brasileira quando as direções hegemônicas não tem resposta concreta para um desafio concreto. Ou seja, a ousadia sempre fica a cargo dos palanques e e não da nossa iniciativa a frente das instituições públicas ou dos instrumentos necessários a luta da classe trabalhadora.

O susto de 2013 é outra boa forma de ver o quanto a esquerda brasileira não tem apresentado projeto estratégico, isso porque, depois do desastre da disputa de direção desses movimentos, tivemos ainda o ascenso das lutas pelas escolas ocupadas e outras manifestações que partiram da boa e velha articulação dos despossuídos em luta pelos seus direitos, sem uma organização por trás ou parte de um projeto construído de longo prazo. Essas iniciativas denominadas de iniciativas espontâneas ou classificadas pelos nossos doutos revolucionários de "espontaneísmo" só explicam - em profundidade -  a forma como a esquerda brasileira dividiu-se, desconectou-se e desagregou-se de um projeto nacional de classe, ao ponto de desenraizar-se da luta pelo cotidiano da classe trabalhadora real, massa cada vez mais crescente, informal ou precarizada. 

A aliança - mal constituída de domingo - pode representar a perda objetiva do processo que foi iniciado pela esquerda brasileira que voltou a ocupar protagonismo de massas na luta contra o golpe, pelo Fora Temer - Diretas Já e na greve geral de 28 de abril. 

Esses movimentos que pedem para "abaixar as bandeiras" nos atos foi o estopim dos constrangimentos gerais sobre a legitimidade da direção política e social das lutas. Essa deslegitimação recorrente ganha força, por exemplo, na reforma trabalhista quando propõe o fim do imposto sindical (presente do ditador Vargas) e que tem apoio sim da massa dos trabalhadores que a tempos foi abandonada - inclusive pela esquerda - a "deus dará" nos locais de trabalho, sem a boa e velha articulação, busca pelo convencimento coletivo, pela participação coletiva na defesa dos seus interesses trabalhistas.

Baixar as bandeiras em um ato pelo Fora Temer e por eleições diretas será a vacilação do século XXI no Brasil promovido pelas forças da esquerda brasileira. Será a destacada submissão pós ditadura mostrando que é mais forte do que aqueles que são atacados por este sistema do capital.

Submissão e aliança que é deliberadamente feita por cima, pelos "entendidos" em mobilização social, "youtubers do discurso progressista", e oportunistas de vanguarda pela esquerda brasileira.

A ideia do que é ser de esquerda está em desuso, justamente porque nossa tendência é metamorfosear quem somos ou o que escolhemos ser enquanto militantes sociais de esquerda. 

Não peço para que abandonemos ou queiramos que hajam restrições a luta pelas Diretas pós Temer, até porque as lutas não são pautas exclusivas de ninguém, apesar do momento político ser permeado de "verdades" que se impõem sobre o "meio classificatório" sobre quem é de esquerda e quem não é, tipica arrogância de quem pertence a classe, porém não se reconhece nela, ou se reconhece quando convêm.

Mesmo não considerando o valor de vários artistas participantes, alguns que já expuseram sua posição política, o certo é que se a esquerda brasileira não reassumir o seu protagonismo estará construindo o mesmo caminho que a direta já faz com destreza.

As candidaturas midiáticas representam uma vertente da atual política nacional e João Dória é a maior expressão disso pela direita brasileira, agora se a esquerda preferir tirar o seu próprio em nome das apostas por pessoas "famosas", artistas e qualquer um que não possui formação político-ideológica para assumir uma posição de classe, OK não conte comigo. Veremos em 2018.

Retirar esse protagonismo é empurrar as massas populares a se ancorarem nas tradicionais formas partidárias existentes e um retorno ao velho assistencialismo político e outras formas dos carentes serem atendidos por "políticos bem intencionados" no meio do povo.

Abrir mão da mobilização e dos meios que de fato politizam as relações e tensões de classe existente e que expõem as contradições desse sistema do capital relativizam as lutas políticas e jogam os lutadores e lutadoras para um abismo do "show" como meio de reunir a "massa", a questão é que durante uma greve de professores ou de metalúrgicos, se eu valorizo meios criativos de luta como valorizar a articulação com a cultura, não estamos retirando o protagonismo da ação central: a greve, meio que de fato estabelece laços fortes e duradouros com a luta e a reflexão critica (individual e universal) que realmente importa para práxis.

Não me venham com o discurso de que "é preciso acumular forças com outros setores da massa", bom essa história já vemos em variedade e o resultado tem sido a capitulação pelas frações (ou facções) da direita.

Solidariedade de classe: uma saída para formação de uma nova sociedade brasileira.

Em que momento deslocamos nossas energias para o Estado totalizante? Hoje, nós da esquerda cobramos dos governos a efetivação das políticas públicas em um momento adverso, o Estado reformado não pertence mais a nós, defensores do Estado de direitos universais de 1988. 

O CEDEM da Unesp possui um acervo valioso das experiências das lutas da classe trabalhadora brasileira, lembrando que quem quer alterar a correlação de forças na sociedade, destruir o modelo capitalista e fazer avançar um projeto de sociedade alternativo a esquerda brasileira compreendia o que era penetrar e politizar a sociedade investindo nas cheches populares, nos times comunitários, nas comunidades de base, nas ações das pastorais, vide a pastoral da criança, ou seja, na penetração direta na massa, vinculando sua realidade com o gesto de solidariedade de classe, sem a velha mascará da neutralidade do Estado Social capitalista.

Depositar as cartas em políticas públicas através das lutas sociais não representa abrir mão da luta político-ideológica que deve aliar os conhecimentos adquiridos pelos filhos e filhas da classe trabalhadora para impulsionar a organização, em primeiro lugar, a formação permanente e ativar as lutas sociais.

Uma vez me contaram a história ou estória de como o militante metalúrgico Santo Dias fazia sue trabalho de base e como entrava na casa dos operários para dialogar sobre a necessidade das lutas, e citam que ele levava debaixo dos braços uma bíblia, um sinal de que lutar por direitos "não representa a baderna" e deve ser praticada pelos que acreditam que a justiça social precisa ser conquistada contra a ordem. E isso sempre me motivou a continuar construindo nessa (e outras) perspectivas. 

De lá pra cá vim do movimento estudantil secundarista, tentei fazer trabalho de base na comunidade próximo de casa, me articulei com movimentos de ação direta via organizações de esquerda que confiava, fiz parte de cursinho comunitário e tento via o processo político-pedagógico da minha profissão e dos recursos socioeducativos construir alternativas a esse violento sistema do capital e o velho tradicionalismo-conservador da política brasileira. Sigo em frente.

Talvez seja por isso que atualmente me permito opinar com direito de me posicionar, porque creio que a esquerda brasileira deve reaprender, reassumir e retomar um projeto de nação que afirme sua alternativa ao capital, que seja plural, que tenha certeza da direção politico-social que conduz, que vença lutas e processos institucionais enraizado e enraizador de uma nova cultura política, e ao conduzir pela gestão pública institucional ou não com a certeza de que não pertencemos ou dependemos daquilo, somos passageiros e construtores de um projeto. 

Eu não vou domingo, eu vou em manifestação, ato público e lutas que reúnam e busquem reunir o melhor da nossa classe. Se não for assim, a falência da atual e da nova geração gestada na esquerda brasileira está em curso. 

Domingo é show! Bom show para vocês!

ps.: eu gosto muito da mistica, mesmo que outros em nossa esquerda odeie, mas o que toca a alma também pulsa na razão e no coração dos lutadores e lutadoras, por isso essa canção tem me tocado muito nesse período.

Caçador de Mim

Compositor: Sergio Magrão e Luiz Carlos Sá

Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura


Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

https://www.youtube.com/watch?v=Se9XYKHQi3Y


terça-feira, 30 de maio de 2017

Vale a pena compartilhar: Como o burocratismo destruiu a experiência do Conservatório de Tatui (de Luis Nassif)

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A esquerda brasileira precisa decidir como quer conduzir o Estado, caso queira manter essa tática em suas hostes. Contudo, para ser diferente precisa ousar sem medo, ousar querendo afirmar que a máquina pública não pertence a uma sigla partidária e que a esquerda busca agora perpetuar o controle público da sociedade organizada, participativa e em permanente transformação.

Será que é possível?

Esse Estado brasileiro herdado da burocracia lusitana e construído por partes desde a república velha até a constituição de 1988 reúne as contradições de uma organização que foi se moldando aos interesses de grupos econômicos e de classe, produzido e reproduzido para não ser compreendido é alvo de discursos e oportunismos de toda parte.

Ausência de uma identidade de grande parte do corpo de funcionários do Estado, o compromisso público passa longe dos debates sindicais e as lutas econômicas apenas alimentam a apatia dos que escolhem sobreviver nas repartições e serviços públicos.

E a massa? Mais ausente ainda, porém ausente intencional promovida por uma sociedade política cada vez mais ausente de dever público e transformando as instituições em lugares de total desreconhecimento geral, forjando o que classifico de "hegemonia da farsa" em que estão a legitimidade das instituições, as manobras eleitorais, o elitismo e outras formas sutis de contravenção moral das elites contra a democracia. Isso pretendo discutir em breve.

Reproduzo abaixo o artigo do Nassif que de forma bem curta acerta nas questões que discuto, mas deveria escrever, de que nós na esquerda brasileira não tem projeto de Estado.

E se não temos projeto de Estado, ou deveríamos abandonar a disputa institucional, nos render as regras do jogo (logo a tese do golpe extinguisse) ou buscamos cria-lo urgentemente.

Boa leitura!

Como o burocratismo destruiu a experiência do Conservatório de Tatui

Luis Nassif
(da fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/como-o-burocratismo-destruiu-a-experiencia-do-conservatorio-de-tatui)

Há décadas desenvolve-se uma discussão profícua sobre modelos de políticas de inovação. O modelo dos sonhos dos cientistas é um ambiente no qual convivem cientistas de várias formações, trocando ideias e experiências livremente, sem o burocratismo das organizações formais.
Nos anos 90 visitei a Bell Labs, um dos laboratórios mais inovadores da época. Havia pesquisadores de vários países, cada um deles com liberdade para lançar ideias, buscar parcerias internas livremente. Era essa liberdade, essa sintonia sem amarras que garantia a criatividade interna.
Em Seminários que a Agência Dinheiro Vivo promoveu anos atrás, trouxemos a experiência francesa da EDS, a sueca da SAAB-Scania. Com variações pequenas, todos os modelos se baseavam nesses princípios de desburocratização da pesquisa, de criação de ambientes informais onde cientistas e alunos se relacionavam livremente.
Ao longo dos anos, acompanhei várias experiências brasileiras, os Parqtecs, as incubadoras de empresas. Nenhum foi mais bem-sucedido que duas experiências inovadoras no campo da música, o Conservatório de Tatuí e a Universidade Livre de Música Tom Jobim.
Tatui, com o Maestro Neves, ainda irá merecer estudos mais aprofundados para servir de modelo de ambiente inovador.
Em ambiente de absoluta liberdade, conviviam músicos de todos os níveis, tendo aulas com professores reputados. Muitos deles já tinham carreiras nacionais e internacionais. Então, havia flexibilidade para as turnês, reconhecendo-se que ajudavam na consolidação da reputação do conservatório e no desenvolvimento dos músicos.
Do mesmo modo, facilitava-se a vida de alunos de outras cidades, concentrando em alguns dias o conteúdo da semana para viabilizar suas idas ao Conservatório.
Um dos pilares do Conservatório era o amplo respeito e reconhecimento aos talentos tanto dos professores quanto dos alunos.
Aí entra em cena uma praga paulista chamada de gerencialismo, o irmão mais burro da gerência, matando o potencial criativo de Tatuí.

A praga do gerencialismo

Primeiro, vamos conceituar o que seja gerencialismo.
Gestão é fundamental em qualquer ramo de atividade. Mas gestão virtuosa é a que busca conhecer as pessoas envolvidas e extrair delas as melhores contribuições. É o oposto das velhas estruturas dos sargentões. Gestão é meio. Fim são os resultados e a capacidade de extrair o melhor da organização.
Gerencialismo é o método de colocar os processos mecanicamente, sem levar em consideração o meio em que serão implementados. O pior modelo paulista é o da educação, de um corpo de pretensos educadores, como Maria Helena Guimarães, que julgou ser possível modificar a educação sem envolver os professores. É uma falsa modernidade do sujeito dominar duas ou três ferramentas de gestão, sem o menor conhecimento do ambiente a ser implementado, e supor que tem a força.
Burocratas, sem nenhuma sensibilidade para identificar processos criativos, decidiram enquadrar Tatuí. Personagens da história da música brasileira - como o violonista Geraldo Ribeiro – foram obrigados a prestar concursos para serem mantidos no cargo. A flexibilidade para as aulas foi substituída por um engessamento do currículo, inviabilizando a permanência de alunos de fora.
Mais que isso, a nova direção, com o diretor Henrique Autran Dourado, investiu com truculência desmedida sobre quem ousasse criticar seus métodos. Acabou gerando uma greve geral, que precisou ser mediada pela Secretaria da Cultura do estado.
Restabeleceu-se a paz, não a excelência do ensino. E Autran Dourado acabou direcionando sua ira contra ex-alunos que ousaram denunciar seus métodos pelas redes sociais, abrindo ações em seu nome e no do Conservatório. Os alvos são ex-alunos sem recursos sequer para contratar advogados.
Esse desmonte começou no governo Serra e se prolongou pelo governo Alckmin. Agora, se completa com o desmonte perpetrado pela gestão João Dória Jr em todas as iniciativas ligadas à música, artes e educação musical.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

É o fim da república brasileira? Temer cai, mas...

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Eu quero que Temer caia, mas não quero ser inocente útil. A noticia de que empresários da JBS teriam feito delação premiada e gravado conversas com inúmeros políticos tradicionais, inclusive Temer e Aécio, foi publicada pelo jornal "O Globo" (https://oglobo.globo.com/brasil/dono-da-jbs-grava-temer-dando-aval-para-compra-de-silencio-de-cunha-21353935) jornal ligado as organizações Globo.

E com "exclusividade" com 12 minutos, sim doze minutos, quem faz uma matéria absurdamente engasgada e desencontrada: o Jornal Nacional - porta voz de Temer nestes últimos meses. (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/05/dono-da-jbs-grava-conversa-com-michel-temer-diz-o-globo.html)

Nem Temer e nem Maia. Pode cair um ladrão experiente e assumir indiretamente (de novo) um "batedor de carteira da política", Rodrigo Maia.

A solução republicana seria eleições diretas para recompor a República.

É preciso que a esquerda brasileira reaja e esteja a frente desta conjuntura. Derrubar Temer deve ser vitória do projeto popular para o Brasil, a hora é agora!

Porém, todo cuidado. Vejamos a opinião do colunista Alan Gripp de "O Globo" logo as 19h30 após a matéria "bombástica" chamado "E agora Brasil?" colocando o pingo nos "is" do lado da reação de setores das elites que não conseguem mais sustentar o governo golpista e avisam pela escrita torta dos seus porta-vozes: "A Lava-Jato não tem cor, não tem time, não tem controle possível. Alguém duvida ou precisa desenhar?"

Já vimos esse roteiro, golpe dentro do golpe, sem conseguir traduzir quais interesses estão por trás.

Devemos avançar e medir se a esquerda revolucionária, dos lutadores e lutadoras do povo, setores populares e sindicais não devam tratar as eleições parlamentares de 2018 como sua "constituinte", ou seja, buscar eleger e ampliar o quanto for possível o número de parlamentares do lado de cá.

É as ruas, as comunidades, as quebradas...vida ou morte da classe trabalhadora.

domingo, 23 de abril de 2017

Negros, índios, mulheres e jovens ATRAPALHARAM as eleições internas do PT?

Resultado de imagem para diversidade

Importante dizer que a fonte é do jornal "O Estado de São Paulo", voz da direita assumida do país. Porém, a pactuação ou leviandade são impressionantes. Primeiro pelo teor da matéria que atinge diretamente o coração da direção política do partido, segundo pela forma como é tratada a questão da derrota interna referente a baixa participação política dos filiados/as.

A afirmação "Alguns dirigentes do PT apontam a dificuldade para preencher as cotas obrigatórias destinadas a negros, índios, mulheres e jovens como motivo para o desaparecimento dos diretórios nessas cidades." é uma evidente forma de preservar quando interessa os nomes dos dirigentes. Ora, nunca tomam cuidado com nenhuma fonte ligada ao PT, quando um membro da esquerda, minoritária, se expõe falta apenas colocar o RG do sujeito, agora neste caso não é preciso "dar nome aos bois".


Isso quando o partido precisa orgulhar-se de compor suas direções com a maior diversidade e representação da classe trabalhadora brasileira, e expor as verdades sobre os limites da população negra, das mulheres, indígenas e da juventude em poder ocupar os espaço na política brasileira, e note-se a ausência da população LGBT. E somado a isso, as afirmações de que a "exigência" impôs limites na construção das chapas é ridícula, para não dizer despolitizante.

O certo é que o partido que contribuiu muito para mudança de certos hábitos da política brasileira pudesse agora enfrentar o golpe e a crise política renovando-se ao ponto de transpor, expor e desafiar-se a mudar novamente a política enfrentando a mare que se abate.

Segundo, é a polêmica das fraudes que pouco serão constatadas se as coisas caminharem como estão sendo dadas a condução. 



http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,pt-encolhe-27-e-perde-1120-diretorios-municipais,70001747592


PT encolhe 27% e perde 1.120 diretórios municipais

Em série de reveses, partido não conseguiu nem sequer montar nessas cidades uma chapa para eleger direção; órgãos serão substituídos por comissões provisórias

Números do Processo de Eleição Direta (PED) do PT realizado no dia 9 em todo o Brasil mostram que, das 4,1 mil cidades onde o partido está organizado, cerca de 1.120, 27% do total, não conseguiram organizar nem sequer uma chapa de 20 filiados para compor o diretório municipal. Nesses municípios, os diretórios serão substituídos por comissões provisórias. Entre eles estão cidades importantes como Uberlândia, a segunda maior de Minas.

Foto: FOTO FILIPE ARAUJO/INSTITUTO LULA
Lula - Filipe Araujo - Instituto Lula
Luis Inácio Lula da Silva vota no Processo de Eleições Diretas do PT, no dia 9 de abril



É por meio do PED que os petistas escolhem as direções locais do partido e os delegados para os Congressos Estaduais, que, por sua vez, vão definir os representantes para o 6.º Congresso Nacional, onde será eleita a nova direção partidária, em junho deste ano.

Alguns dirigentes do PT apontam a dificuldade para preencher as cotas obrigatórias destinadas a negros, índios, mulheres e jovens como motivo para o desaparecimento dos diretórios nessas cidades. Há ainda suspeitas de fraudes que podem contribuir para o resultado (mais informações nesta página).

Outros, porém, admitem que o encolhimento do partido revelado pelo PED é mais um capítulo na série de reveses que levaram o PT a uma crise contínua desde o início da Operação Lava Jato, em 2014. São incluídos nesse processo a dificuldade para reeleger Dilma Rousseff naquele ano, as prisões de petistas importantes, como José Dirceu e Antonio Palocci, as acusações contra Luiz Inácio Lula da Silva, o impeachment de Dilma, a derrota histórica do partido nas eleições municipais do ano passado e a debandada de prefeitos e vereadores da sigla.

“Essa queda reflete uma situação em que o partido perde com a saída de prefeitos e vereadores em função dos ataques que sofremos”, disse o secretário nacional de Formação Política, Carlos Árabe, representante da corrente Mensagem.

No total, 290.124 filiados saíram de casa no Domingo de Ramos para votar no PED em cerca de 3 mil municípios em todo o Brasil – o País tem 5.570 cidades. O número de votantes é 31% menor do que os 425 mil participantes do último PED, em 2013. Mesmo assim, diante das circunstâncias, o partido comemorou o resultado.

Encolhimento do PT
Encolhimento do PT
“Com essa situação toda que nós vivemos, o PED ficou dentro do esperado. Ninguém tinha a expectativa de superar os 300 mil. Ver que 290 mil pessoas saíram de casa para votar mostra que o partido está muito vivo”, disse Gleide Andrade, vice-presidente do PT e integrante da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB).

Segundo ela, a situação nos 1.120 municípios onde não houve eleição para diretório municipal reflete a necessidade de uma mudança no estatuto do partido, que, no auge do governo Luiz Inácio Lula da Silva, criou cotas de gênero, raça e faixa etária para todas as esferas de direção.

Quórum. Segundo o PT, 909 cidades nem sequer se credenciaram para eleger um diretório municipal e outras 210 não conseguiram realizar a eleição. Em 89, o partido não cumpriu o quórum mínimo de eleitores. É o caso de Uberlândia, segundo maior colégio eleitoral de Minas, com 478 mil eleitores, governada pelo PT até 2016. O ex-prefeito petista Gilmar Machado, da corrente Mensagem, teve apenas 10% dos votos na eleição do ano passado e atribuiu o mau resultado à “onda de ódio” contra o partido.

Em conversas reservadas, dirigentes petistas dizem que na maioria das cidades onde os diretórios foram extintos – a lista é guardada a sete chaves – houve debanda de prefeitos e vereadores para outros partidos. Os detentores de cargos levaram consigo os filiados que compunham seus grupos políticos, esvaziando o partido.

Segundo o secretário nacional de Organização, Florisvaldo Souza, o encolhimento é um fenômeno que tem atingido todos os partidos, mas no PT fica mais visível por causa do PED. “Historicamente, o PT tem vida ativa em cerca de 3 mil cidades. Por isso, comemoramos o resultado”, disse Florisvaldo.

Dos 3.086 municípios onde o PSDB está organizado, cujos números constam do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 1.847 (59%) são comandados por comissões provisórias. No PMDB, essa mesma estrutura alcança 22% das 3.703 cidades cujos dados são publicados pelo TSE – o site do tribunal não informa os números dos Estados de Minas, Rio e Paraíba.

“Com essa situação toda que nós vivemos, o PED ficou dentro do esperado. Ninguém tinha a expectativa de superar os 300 mil.” Gleide Andrade / VICE-PRESIDENTE DO PT