sábado, 17 de outubro de 2020

Desde quando militância partidária virou palco de auditório?


 


Um Lênin envergonhado diante de tietes de torcida.

2020, além da pandemia mundial, do pandemônio governando de Brasília ainda temos que lidar com o infantilismo que reside na esquerda brasileira.

Entre discursos de amores, unidade, frente ampla, altos abraços e beijinhos nos anos pré eleição, quando a realidade bate a porta caminhamos por onde os pés pisam.

E as direções e personalidades da esquerda brasileira com suas indignações de rede social não construíram nem um programa e nem elementos que pudessem indicar a velha frase, “paz entre nós, guerra aos senhores".

No espectro partidário nada mudou. Ou melhor, com as mudanças promovidas pela maioria golpista e com certo apoio e desleixo parlamentar da nossa esquerda, as mudanças na organização dos partidos apenas fortaleceu o status quo das agremiações consolidadas, mas não trouxe a política programática para o mundo partidário, apenas jogou mais milho aos porcos.

A cláusula de barreira diz corrigir o número de partidos, em geral de aluguéis, e define requisitos para existência jurídica do partido. Mas isso está dissociado do conjunto de maracutaias que vão do apadrinhamento de cargos e vagas, uso da verba partidária para fins particulares, troca troca de legendas, entre outras que ainda mantém o caráter apolítico de um instrumento essencialmente político.

Diante disso, a sobrevivência é a regra. A unidade ou frente ampla contra o fascismo financeiro miliciano é detalhe. Ainda mais quando o assunto é eleição municipal.

O municipalismo no Brasil ganha força a partir de 1988 com a instituição do pacto federativo, da municipalização de políticas públicas e isso é objeto de estudo em particular nas ciências políticas, na sociologia e demais áreas das humanidades. Mas tudo isso não foi suficiente para superar o grau elevado de expressões presentes ainda nas relações políticas e que fazem parte da nossa cultura política, ou seja, mesmo em cidades como São Paulo a cultura cosmopolita passa longe quando o assunto é voto, e isso independe de classe social.

Como militante de esquerda e  socialista vivi todo tipo de tarefa, e fui candidato a vereador em 2008 e 2012 na cidade de Guarulhos pelo PT, e das lições aprendidas uma coisa é certa, os pobres pedem emprego e ajuda por meios de benefícios diversos e a classe assalariada média pede privilégios e jeitinhos junto ao poder público, nessa medida.

Coronelismo, paternalismo e assistencialismo são expressões ainda presentes no cotidiano da população com relação ao voto. Evidente que a persistência dessas expressões são parte do processo histórico e da não construção de uma cultura política alternativa.

A própria política foi contaminada pela ideia tóxica do “empreendedorismo" com frases do tipo “voto em pessoas e não em partidos”, ou “ele sim é honesto”, e posso até citar um bom exemplo paulista disso, o bom e velho Suplicy, que consolidou essa imagem. Mas que como indivíduo não expressa isso em um programa político mais amplo ou até mesmo coletivo. É a pessoa, o indivíduo, do qual seus pontos e carisma são intransferíveis.

E esse é o ponto de equívoco da esquerda brasileira. Reproduzimos na luta institucional a personalização dos nossos programas políticos coletivos em personagens individuais. E ficamos refém disso.

O lulismo cunhado teoricamente pelo sociólogo André Singer, é expressão moderna do que já vivemos com o getulismo em Vargas. Mas nesse caso, Lula não tem (toda) culpa. A culpa é nossa!

Partidos são e serão fundamentais para classe trabalhadora, sejam eles legalizados ou não. São historicamente os espaços em que a classe trabalhadora conseguiu se apoiar na organização e articulação na defesa dos seus interesses, refúgio dos que buscaram e buscam interferir na política diretamente, por onde ainda passam decisões que mexem com a vida do Estado e das pessoas.

Nesse aspecto NADA mudou na relação dos partidos e o seu poder na nossa debilitada República. E para quem dúvida basta ver como Temer, o golpista, destruiu em um ano uma parte das políticas públicas e sociais que foram criadas durante os governos de Lula e Dilma (2003-2016), parece incrível, mas não impossível. O próprio golpe de 2016 foi possível devido a ação dos partidos.

De lá pra cá o fascismo financeiro apoiado por parte das elites e o baixo clero dessas elites tem aprofundado o desmonte do Estado, que segue sendo deles, o velho Estado liberal é deles, e como um brinquedo, mudam a forma e o jeito de usar. Após aprovação da PL 529/20 de DoriaBolso, a certeza que fica é de que o Estado esvaziado de políticas públicas servirá mesmo como um gabinete dos negócios político financeiros do sistema, já que não há nada para gerir efetivamente.

Nesse climão chegamos nas eleições de 2020 e com certeza pior do que estávamos.

O passado só servirá de algo se for para constituir a nossa tática de novos ou renovados meios de buscar a nossa estratégia. O passado sendo usado para atacar candidato A ou candidato B só serve para plateia de auditório.

Cobrar fidelidade partidária quando a sua própria direção passou os dez anos de lulismo impondo um voto de silêncio para bancada do PT na ALESP (Assembleia legislativa do estado) em nome da governabilidade jogaram para baixo a capacidade do partido de ser PARTIDO. Lembremos que a última vez que o PT foi ao segundo turno em São Paulo foi com Genoino (2002) e a bancada petista era combativa, muito combativa.

Ou seja, a disciplina partidária da base é e sempre foi incompatível com a indisciplina das personalidades e seus interesses na realpolitic

E isso o neopetismo e os eleitores classe média do petismo jamais entenderão de fato o PT. Para qualificar o seu debate político precisa viver o partido, atuar e militar no partido. Não ajuda apenas “declarar o seu amor incondicional" no seu tuiter ou facebook, ou ate mesmo no Instagram, isso tudo não influencia e nem agrega para luta, apenas te faz um fanático.

Líder de torcida ou torcedor/a? Com certeza agora você deve estar entendendo do que eu estou falando.

Nas redes (anti) sociais o que mais vemos são comentaristas de um jogo, a diferença com o futebol é que você não pode entrar em campo e a sua opinião pouco importa ao treinador, na política é diferente, você pode intervir e interferir, pensa nisso.

E tem sido interessante e até entediante as brigas solitárias entre eleitores de Boulos e de Tatto. Primeiro cobrando o que não vale na regra geral, ou seja, os partidos que construíram agenda comum em alguns pontos de pauta e até em ações não superaram seus problemas internos e nem aprofundaram o debate programático, e vamos lembrar que o nascimento de um foi em divergência com o outro (e ponto!)

Cobrar unidade entre PT e PCdoB é mais coerente, andam de rosto colado a um bom tempo, um é ministro do presidente do outro.

Sobre o passado. Erundina pós prefeitura tem mais erros que acertos na esquerda, sim. E não errou sozinha, pois a ideia do “PT do SIM” não foi só dela em 1996. Foi ministra do Itamar, sim, e a direção majoritária também negociou sua parte e deixou o Plano Real e FHC navegarem sem oposição. Não cobre da velhinha se os seus BO's estão devidamente atualizados, eu me matei pela eleição e reeleição de Dilma, mas o governo era limitado, desmontando políticas da era Lula em nome de uma recuperação fiscal imbecil, e tem o golpe ainda como corolário da péssima articulação política que o governo tinha com o Congresso.

E com relação ao “meu voto é do X Y Z", “tem que respeitar a decisão”, “sou fiel ao partido”, isso é mais um problema particular e individual, que nada tem haver com a luta política necessária para enfrentar o problema maior. Tietagem em forma de argumento para justificar voto. E ainda, para influenciar quem mesmo? Ego não vota.

Ainda tem as pesquisas. Essas que sempre foram tratadas como manifestação pública da opinião geral apesar de serem aplicadas por institutos privados que a realizam mediante pagamento. A pesquisa de opinião nunca foram isentas e não seriam agora.

Na Nova República pós 1988 temos diversos motivos para não nos guiarmos pelas pesquisas isentonas, e exemplos não faltam e por coincidência sempre prejudiciais para esquerda. Lembremos de Brizola para governador no Rio de Janeiro e Luzia Erundina em São Paulo? Isso só em fatos de repercussão nacional. E os neopetistas e boulistas se guiando pelos instrumentos que a burguesia liberal usa para medir “opinião pública”, aqui nesse aspecto tamos fudidos.

Se esse for o parâmetro, melhor abandonar o socialismo e o comunismo já que parte da população se diz de direita. Lembrando que confunde “ser de direita" com “ser direito” em termos morais e não ideológicos. Jogos meus queridos, jogos.

Então, no final? Boulos ou Tatto? Ou BouloTatto ou TattoBoulo? Sinceramente, tanto faz. O que vai determinar a política ainda para esquerda é um misto de navegar na realpolitic e a massaroca do jeito de votar da população em geral e das maquinas partidárias, com sua militância, organização, mobilização, diálogo, enfim, ainda não aprendemos em 2020, e nem preciso dizer que 2022 está chegando.

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

O fim da esquerda liberal? A derrota da ilusões reformistas frente a PL 529/2020 de Dória em São Paulo.

 Reabertura de Doria tem aumento de 155% nos casos e 92% nas mortes

FascisDória, essa caricatura ou coisa ou "a coisa" que destoa da "geringonça", frente de centro esquerda em Portugal, pois o que está em alta no Brasil são frentes liberais-fascistas que não podem ser resumidas apenas a Bolsonaro. Se observarmos bem há mais de uma coalizão de direita e conservadora que emergiu em nosso país criando uma forma hibrida de oportunismo eleitoral e apropriação das instituições. 

O governo do gerente Dória apresentou o Projeto de Lei 529/ 2020 que de uma vez extingue 11 institutos e fundações estatais em nome de um "ajuste fiscal" de um estado que é governado pelo partido, o PSDB, a quase três décadas. O grau de incompetência administrativa, erosão do patrimônio público, destruição do desenvolvimento territorial e desproteção social com uma militarização progressiva da segurança pública como um mini exército de defesa dos interesses do capital financeiro são algumas das "reformas" e "mudanças" que fora feitas em nome do "povo paulista".

Os fascistas listrados não precisam enaltecer o ultraliberalismo de Guedes, o PSDB o fez com dedicação e maldade em São Paulo ao longo desses anos pilhando patrimônio e recursos públicos para o seus investidores, até porque, tucano não tem apoiador de campanha, tem investidor eleitoral que recebe em troca dividendos públicos convertidos em privado.

Dória só não pode ser condenado por uma coisa, de ser o pior. Covas, Alckmin e Serra juntos quase não deixaram nada para Dória dizer que privatizou, onde quando menos se esperava Alckmin LavaJato já tinha usado o golpe de 2016 e a crise econômica para eliminar fundações públicas em nome do ajuste fiscal.

E se considerar os fatos, primeiro é um mito mais do que comprovado de que o PSDB é "bom gestor", é péssimo e dissimulado, corroendo as finanças públicas para os investidores em detrimento da pobreza e miséria reinante nas periferias paulista, equivaleu a má gestão dos trens no descuido para o metrô, orgulho de São Paulo, para privatizar linhas futuras, deu o Banespa para o Banco Santander retirando capacidade de financiamento, apoio e atenção aos municípios, a gestão é tão boa que manteve áreas administrativas paradas no tempo do desgaste, erosão salarial e redução de profissionais e não tem capacidade de planejamento e atenção em especial na saúde, educação, assistência social, defesa civil, habitação, entre tantas áreas importantes. O governo é um desastre e o partido é o mesmo.

Então por que o PSDB vence as eleições? Vence porque deu sorte, em alguns momentos o "menos pior" atendeu os interesses de uma classe assalariada medíocre que prefere o sofrimento a ter que ver o Palácio dos Bandeirantes sendo ocupado por um qualquer, mas esquecem que esse lugar já foi de Jânio Quadros, Adhemar de Barros (o rouba mais faz original), Maluf (o rouba mas faz copiador), Quércia e Fleury, enfim, a galeria dos monstros assombra o palácio. Há outros nomes de espertos e ladrões que não citei e desonerei apenas o Franco Montoro.

Vence porque a formação social, econômica e política de São Paulo diferente do Nordeste brasileiro não foi para exploração de suas riquezas naturais ou agrárias de forma meramente predatória de acumulação de riquezas, mesmo a produção do café entra na sua história já com técnicas desenvolvidas e com uma estrutura econômico financeira capitalista que se estabelece, reconhecendo uma certa vocação indicada pela burguesia agroexportadora para o estado, ou seja, São Paulo não seria apenas um centro econômico, mas um comitê de gerenciamento dos interesses do capitalismo nacional. 

Tanto que a questão social no Brasil emerge com força do processo de desenvolvimento das forças produtivas paulista e a greve geral de 1917 mostra o grau de interesses das forças políticas que se concentravam em nosso estado. 

No plano nacional o Estado Nação e o desenvolvimentismo brasileiro nascem do autoritarismo, em especial em nossa Républica, esse desenvolvimento capitalista que não precisou de uma revolução burguesa tradicional, nem de uma democracia liberal para formar sua sociedade civil, as instituições nascem dos antigos privilégios e da herança escravista e como já havia dito a classe dominante no Brasil se antecipa a qualquer situação que represente risco aos seus interesses.

Bom lembrar a frase da grande Maria da Conceição Tavares no documentário "Livre Pensar" (2019) quando de uma fala com o Roberto Campos, ex-deputado e alinhado ao interesse do capital, onde o mesmo reclamou para Conceição Tavares sobre o "estatismo da esquerda" e ela sagaz o lembrou, "vocês que estatizaram tudo, tudo pra vocês (ditadura militar de 1964) era brás, Telebrás, Eletrobrás (...)", Vargas criou estatais como a CSN (extinta siderúrgica nacional) e só a Petrobrás surge num período de democracia, com o governo Vargas eleito em 1951 e uma pressão social nacional forte.

O tempo passou e na transição tardia e combinada da ditadura militar de 1964 para a década de 1980 em 1988 aprovamos a nova Constituição um sistema de direitos, cidadania plena, seguridade e proteção social que tenderia para uma Estado Social Capitalista, contudo, em baixa desde a década de 1970 pela crise econômica do capitalismo e a transição para o modelo neoliberal. No apagar das luzes da "festa da democracia" em 1988 estava no seu ascender o Consenso de Washington, ou seja, a burguesia financeira já havia eleito Ronald  Reagan nos EUA e Margaret Thatcher no Reino Unido, e porque deixaria um modelo keynesiano seguir num país da periferia do capitalismo como o Brasil?

"As coisas não funcionam no Brasil?" Funcionam sim, para as classes dominantes, e não funcionam para...classe trabalhadora. 

E a virada vem com o governo Collor com o primeiro plano de desestatização. Desde então, privatizar ganhou outras variáveis como concessão, cessão, contrato de longo prazo, enfim, qualquer tucanada que você queira chamar. 

Esta segunda semana de agosto de 2020, o PSDB publicou nas redes sociais virtuais que "privatizou mais que Bolsonaro" numa evidente provocação ao discurso do 💩 presidente sobre seu discurso ultraliberal, isso diz muito sobre como a opinião pública brasileira está envolvida no velho processo de controle da hegemonia. Capitalismo é capitalismo.

PSDB comemora que ainda é disparado o partido do imperialismo | DCO

E se você ficou com raiva da publicação acima, ok, você tem compreensão desse processo e o mal que gera para a sociedade e o Estado. mas o que está acontecendo agora?

Durante os governos do PT o que temos, concordando com Singer (Os sentidos do lulismo, 2009) foi fortalecer e potencializar as estatais existentes em favor de um desenvolvimentismo democrático fraco, mas relativamente exitoso se pensarmos nos bancos públicos (BB e Caixa), de fomento (BNDES), da Eletrobrás e todas as existentes que passaram a retomar o seu papel na lógica de uma funcionalidade estatal promotora de projetos, programas e ações de desenvolvimento. E mesmo promovendo crédito para os assalariados, gerindo a redistribuição estatal de renda às populações desempregadas, pobres e na miséria, apoiando as prefeituras no seu desenvolvimento via financiamento de projetos em diversas áreas, enfim, isso tudo não ganhou o coração e a mente da opinião pública. 

Podemos fazer a critica necessária que quisermos. Ausência de meios de comunicação contra hegemônicos, reformas estruturantes, inclusão com participação social e política, defesa de um projeto político que dispute projeto de nação, no fim a nossa conclusão é que faltou. E a falta será sentida após a entrega dessas instituições públicas e as vitimas, bom as vitimas são conhecidas né, já se olhou no espelho hoje?

Retornando a FascisDória e a PL 529/2020 e a eliminação sistemática de 11 instituições estatais. O que é mais cretino na medida é a sua inclusão em um projeto de ajuste fiscal, sem coragem para fazer com a cara limpa, prefere enfiar a extinção e privatização proposta dentro de outro projeto que inclui outras adequações fiscais de "equilíbrio" das contas públicas, como alterações de percentuais de impostos e contribuições, Programa de demissão incentivada para servidores, entre outras, segue o link: https://drive.google.com/file/d/18NHdpOcugl0yJz0vQ3MHvbdRPrgOnAz7/view.

Do massacre três de saúde pública, sendo a Fundação para o Remédio Popular “Chopin Tavares de Lima” (FURP), a Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP), ligado a prevenção do câncer e a Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN); uma ligada a saúde dos servidores (as) e suas famílias, o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE), uma importante da política de habitação, a CDHU, e outra, o ITESP, Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo "José Gomes da Silva" responsável em especial pela reforma agrária no estado; uma de segurança pública, o Instituto de Medicina Social e de Criminologia (IMESC), ameaçando a "polícia científica"; outra ligada ao transporte público, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S. A (EMTU/SP) afetando a vida dos que usam o transporte público no estado; o meio ambiente também perde com o fim do Instituto Florestal; nem o espaço aéreo e os animais foram polpados, com a extinção do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (DAESP) e da Fundação Parque Zoológico de São Paulo.

As desculpas, em sua maioria, para transferência de suas atividades de interesse público passam para suas respectivas secretarias, contudo fica a pergunta, se você extingue a prioridade de algo, isso continua sendo importante? A resposta é certa, não. No limbo somos todos iguais na máquina pública.
Não digo que nada pode mudar. Não somos imbecis. Nossa diferença está na forma e no projeto político. Extinguir algo depende de perguntar se o objetivo pelo qual foi criado foi superado ao ponto de não precisar mais daquele lugar. Sendo cretino no exemplo, com o fim do petróleo, para que a Petrobrás? Bom, se você não sabe, já faz um tempo que nossa (ainda nossa) estatal do petróleo investe em combustíveis renováveis, e na eminencia do fim o outro negro, ela poderia se reinventar. Agora a FURP no momento mais grave da saúde pública do país, é aceitável encerrar uma empresa que produz medicamentos a preço popular? Que abastece os municípios de pequeno porte e interfere se o mercado tentar impedir o acesso de medicamentos para população?

E no tempo tudo vai se adequando, se perdendo e se deteriorando. Vamos lembrar de uma história recente, o ressurgimento da febre amarela e o desabastecimento de água, ambos foram problemas gerados pelo tempo e a erosão dessas políticas públicas, onde com a redução do Estado pensando apenas na pilhagem para o setor privado com o tempo o que estava devidamente controlado e planejado se perdem na burocracia, nas prioridades de ocasião de cada governante. 

O estado de São Paulo segue sendo o comitê financeiro do capitalismo brasileiro. E posso arriscar que para a burguesia um petista ou um aventureiro pode subir o palácio do Planalto, mas nenhum deles ou seus similares jamais devem chegar nos Bandeirantes, e isso tem se intensificado com o tempo. O PSDB nacional pode estar em baixa, mas se um fascistoide como Dória aderiu e segue implantando o projeto de interesse do capital, será bem vindo. 

O aparelhamento da máquina estatal esta a olhos vistos, na lógica do gerenciamento do PSDB e que não envolve apenas ocupar cargos ou escolher amigos no setor privado, o Estado se tornou em uma empresa. Uma corporação que possui financiamento público e autoridade pública para sua proteção, modelo ideal que só precisa ser calibrada pelas eleições. 

Então, não podemos apenas supor que as vitórias eleitorais seguidas do PSDB não estejam dentro de um projeto programático maior e que vai afetar o sistema de ordem e poder.

Vamos supor que numa possibilidade de sorte, uma esquerda liberal vença as eleições? O que fará num futuro próximo para governar, quando não houver nada para governar? 

Se a PL 529/2020 for aprovada. Haverá pouco ainda do Estado para gerir para um projeto popular. A última fronteira é a educação pública, que há tempos segue a mesma lógica de desmonte e favorecendo a propostas oportunistas e privatistas sob a promessa da "qualidade".

Obvio que o problema pode ser inverso para essas forças políticas no poder. O gerenciamento pelo gerenciamento tira expectativas com relação ao governante, mesmo considerando o Estado uma corporação público-privada, ainda seus CEO's deverão ser eleitos pelo voto universal, e mesmo eleito novamente, um governo ultraliberal não poderá dizer que "governa", porque não haverá governo stricto sensu. Contar apenas com a segurança pública é voltar a era dos Czares, reinado opulente e repressão. 

Isso vai colocar em xeque a restrita visão (e ilusão) da esquerda liberal que vê o Estado como uma casinha que poderá ser redecorada e governada para maioria, pois, com um sistema de saúde gerido por uma série de Organizações Sociais, uma tentativa de romper com os privilégios é a morte do governo, onde os doentes não debitam na mão oculta do mercado seus problemas de saúde, e sim no governante de ocasião. Outra ilusão perdida, a necessidade de recriar ou criar instituições, fundações e outras estatais para implantar políticas públicas, sabendo que sem resultados de curto prazo haverá duras criticas pela criação de novos gastos ou favorecimentos de cargos para afilhados políticos. Tudo isso é possível.

Defendo não disputar eleições? Pelo contrário. Mas se uma esquerda revolucionária ainda mantêm o processo eleitoral como parte da sua tática, deve entender que a campanha para vencer eleições deve ser menos animada do que o entusiasmo para cumprir a tarefa. É comum vermos um pico de força para vencermos as eleições, tudo animado, gente, massa, votos, e quando acaba, e vencemos, parece que existe uma força que nos joga para o marasmo, cansaço e o acomodamento, na contramão de qualquer experiência revolucionária. A tarefa começa quando as condições objetivas e subjetivas estão dadas, e não na sua campanha. Agitprop é fundamental, principalmente para manter hegemonia (quando a conquistamos).

O mundo caminha para uma acumulação certa para o capital e incerta para classe trabalhadora. Nenhum dos dois será extinto, a dependência é a ÚNICA regra geral do sistema.  

Posso arriscar que nesse caos, há mais espaço para uma esquerda revolucionária do que para uma liberal. 

Vamos caminhando!

 


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Eleições 2020, nada a aprender. Porque a esquerda despreza São Paulo?

 O centro histórico de São Paulo precisa de vida noturna (e isso ...Líderes comunitários relatam mortes suspeitas em São Paulo

EleNão: Em SP, mulheres lideram marcha de 500 mil contra o ...Movimento integralista vê bom momento para difusão de suas ideias ...

Reforma ou revolução? Desde Rosa Luxemburgo, quantas vezes reatualizamos sua questão?! A militante comunista alemã fez no tempo a análise necessária frente a um dilema urgente para os rumos da luta de classes na Alemanha. Se seguirmos Marx como uma bíblia tudo na Alemanha de Weimar onde pós primeira guerra, restabelecimento do Estado a partir de uma democracia liberal, com um processo de desenvolvimento (mesmo limitado) das forças produtivas, consolidação da sociedade civil, a República constituída dentro das regras burguesas, enfim, tudo caminhando para uma economia política que pudesse criar as bases para o levante proletário e com um elemento a mais, a esquerda havia conquistado os corações e mentes da maioria do proletariado, com influência sobre os sindicatos, um partido forte (SPD) e influência social, a química perfeita. Numa virada da realidade, deu Hitler.

Rosa se soma aos que criticam elementos do processo revolucionário russo de 1917 e sua condição prematura, pois, país agrário, um proletariado pequeno, repressão institucional, regime aristocrático e imperial e baixo desenvolvimento das forças produtivas. Deu revolução. Bom, dialética critica e práxis não são apenas conceitos intelectuais, são instrumentos que atuam sobre a realidade e que definem como as consciências agem sobre os processos históricos em curso, em termos de organização e o tempo da política, Lênin segue grande.

Imaginem se a Germania e o Império russo fizessem parte do mesmo território? Fazer o pensamento viajar tem suas vantagens, nos permite imaginar esses gigantes tendo que construir um processo juntos, digo Rosa e Lênin. Não que a internacional comunista não os tenha sempre reunido, mas convenhamos que a ideia de nação contaminou parte dos nossos processos de luta de classes, e mesmo que todos e todas nós fossemos internacionalistas, a lógica de "cada um cuidar do seu quintal" prevaleceu ( e prevalece) até hoje.

Iniciei essa historinha ou essa grande parte da história mundial apenas para provocar aos que conhecem essa passagem importante e seus/ suas protagonistas, deixo para que sua revisitação e questionamentos ao meu precário conhecimento, aos que não conhecem deixo o desafio de buscar compreender por que duas realidades na sua mesma época histórica, dentro das suas coerências e contradições seguiram caminhos tão diferentes.

São Paulo em 2020 antes da pandemia e já com o fascismo instalado no Palácio do Planalto apontava para uma realidade político eleitoral previamente definida na capital paulistana. Covas em baixa com a ameças de Alckmin em postular a candidatura pelo PSDB (necessidade de fazer frente ou ter força política contra o hegeminismo de Doria), possível candidatura de Marcio França pelo centro, novamente Russomano ainda no páreo, indefinição e declarações de amores entre PT e Psol pela unidade contra o fascismo, apesar do flerte do campo majoritário do PT a possível candidatura de Marta (golpista). 

Então venho a pandemia e na política paulistana o quadro muda de março até julho. O pandemônio percorre os caminhos da lógica eleitoral e muda o jogo: Covas em primeiro nas pesquisas alçado pela pandemia (apesar das ações terem sido midiáticas e medíocres) encerra a questão no PSDB (mesmo com setores questionando sua saúde, tipo uma operação "Dilma doente" como fez Aécio), Marcio França segue no centro, em segundo e possivelmente vai capitalizar parte do eleitorado e das forças políticas antiDória, e o terceiro lugar, ora ora, emBoulos de vez (a piada é ruim, mas precisava fazer), há uma guerra de pesquisas, mas desde a aprovação da chapa Boulos-Erundina o processo começou a ganhar contornos de grande disputa. 

O PT escolheu Jilmar Tatto, para o petismo rosa-choque chapa branca não merece explicações, parece que o golpe de 2016, que o próprio campo majoritário insistiu em não acreditar, agora deu salvo conduto a todos os criminosos internos, não há demônios no PT mais, parece que todos e todas somos santos e absolvidos por uma força divina. Sobre o consensualismo institucional e da democracia liberal de baixa intensidade fez seu processo interno restrito aos delegados (as) do último PED (Processo de Eleições Diretas) fez como a boa e velha política, uma eleição onde os eleitores (as), sub dividido em suas forças políticas, já tinham na contabilidade a conta de onde cada voto ia pender. 

Habermas baixou no PT (a tempos) e agora opera sobre esse deliberacionismo medíocre. Parece agora que todos(as) são xiitas, reconhecem o imperialismo estadunidense, detestam o capitalismo financeiro, odeiam o PMDB e limitam o debate critico a poucas palavras.

E com isso, as redes sociais virtuais que são expertise do bolsonarismo segue subestimada pela esquerda que prefere ficar presa num loop onde inexiste a apreensão histórica e a estratégia como parte refinada do fazer político. 

Explicando o loop me refiro as intermináveis criticas dos petietes, filiados fanáticos que  como fãs de uma boa banda vão aos seus shows, ops atos e manifestações, replicam sem critica e são fieis ao ponto de desmerecer a ideia do que seja um individuo de esquerda, socialista e militante.

Um aparte, eu posso usar esses termos sim. Militante desde os quinze anos, vivi intensamente a vida do partido, fui designado para tarefas em várias instâncias, percorri madrugadas em colagens, panfletagens, reuniões a todo momento, viajei sem grana, dormi no chão, disputei instâncias, quebrei o pau, era odiado e respeitado, nunca havia falta do a uma reunião de diretório (até 2015), ou seja, vivi os tempos sombrios e frios do PT na oposição na metade da década de 1990, segui minha consciência e os coletivos que ajudei a construir, ocupei palco contra aliança com PMDB  e derrubei banner do Quércia com Lula em 2002, ergui a bandeira vermelha com sua estrela reluzente em locais mais perigosos do que destes de hoje do bolsonarismo. Disputa, debate e fascismo não são novidade para mim.

Seguindo a análise, a forma como o petietismo trata a chapa Boulos-Erundina nada mais reflete a ausência de respeito e reflexão política desses tietes abobalhados e por que ainda não encontramos um centro político de luta contra o fascismo bolsonarista. 

A história não se repete, mas ensina. E a arrogância dos que alegam que Boulos é "desconhecido" com um "partido pequeno" apenas repete (tragicamente) as mesmas criticas de Brizola e o PDT ao "sapo barbudo" e que o "PT era um partido pequeno", mas que elegeu a primeira prefeita mulher e nordestina em 1988. 

Estratégia em política não é definida pelo que se vê, mas sim pelo que constrói dentro do processo.

E para os curiosos ou raivosos, eu ainda persisto no PT, ainda filiado, porém não atuante. Tenho meus motivos e não cabe explicar aqui (leia os artigos anteriores referentes a análise do PT). 

Também não vou fazer campanha para Boulos. Moro em Guarulhos e aqui já tenho contradições demais para administrar no PT. 

Boulos e o Psol não são o PT. E quem repete essa conversa deve ser bem idiota. Boulos para mim é tentativa do pós lulismo, que não quer rivalizar ou ranger os dentes como Ciro Irritado Gomes, pelo contrário, desde a sua candidatura a presidência sua auto construção popular e de massa está aí para quem quiser analisar. E diferente de Lula, sua capacidade de construir unidade partidária não é unânime, desta vez diferente de 2018, enfrentou prévias e disputou com outras duas candidaturas (Sâmia e Gianazzi) e mesmo assim venceu com criticas de uma das forças derrotadas. Sua busca em agregar agora depende da simbologia em torno da sua chapa e articulação interna.

No PT tudo segue tardio. Programa de governo, tentativa de exposição da candidatura, a lógica tática do "cada um por si" e do "ema ema ema cada um com seus problemas eleitorais", a busca por colar a imagem de Jilmar junto a Lula e Haddad. Insatisfações internas não públicas e a tentativa de um grande pacto que envolve apoios para eleições de 2022. A velha política do campo majoritário consolidou e agora sem uma pujante máquina estatal e institucional para alavancar as candidaturas insistem em Suplicy, que seguirá sendo um soldado fiel, para "puxar" os votos da bancada caso o barco Tatto não avance, ou seja, pelo menos o partido tem seu Cássio para salvar das boladas do adversário, apenas isso.

 E parece que nada servirá de aprendizado ao PT paulistano. Tragedia, para um instrumento politico que se conformou em ser máquina eleitoral. Bom discurso, programa nem tanto e práxis sofrível. 

As eleições na capital paulistana podem ser a versão de "jogos vorazes" ou "jogos mortais", depende evidente do gosto do expectador. Na direita o bolsonarismo em cacos não emplacou ninguém, pode ser que o efeito BolsoDoria já tenha mesmo se despedaçado por vários lados e o exército de Deus e da Família tenha sido partilhada no espolio de herdeiros, nem Joice, nem Mamãe emplacam (para nossa sorte), na direita capitaneada por Dória o sorriso segue firme de otimismo, a pandemia lhe fez bem e esperam que isso perdure até novembro (sim, é cruel e desumano, mas estamos falando de Dória Farinata) e o centro pode surpreender, pode (?!) pois, Serra e Alckmin acoados pelas operações tardias da lava jato, não precisam aparecer, precisam operar, e Marcio França pode sim construir esse pacto. Vamos ver, quem viver verá.

E o que tudo isso revela? Que a esquerda brasileira não amadureceu para um plano que é o mais estratégico nesse momento e que exigiria ter a certeza que seria uma tarefa de um dia de vida: ganhar as eleições no estado de São Paulo. Digo isso por que vencer não seria fácil, se vencer não seria empossado, se empossado tentariam o impeachment. 

É verdade que a esquerda nunca ganhou as eleições no estado de São Paulo. É verdade que a burguesia jamais permitiu e que preferirá implodir o estado a ter que entregar a instituição para um (a) militante de esquerda socialista. E essa é a questão que não analisamos e nem nos debruçamos em entender.

Não que a presidência da República não seja importante. Porém, a alma da burguesia está em São Paulo, é o coração do dragão. Fincou suas raízes aqui para governar direta e indiretamente o país. Os vôos do país se concentram aqui e não em Brasília, todos e todas inevitavelmente passam por São Paulo. Sem São Paulo não haveria República Velha e nem o Estado Novo, não haveria golpe de 1964 sem a preventiva e orquestrada operação paulista "Deus-Família-Liberdade de mercado", não haveria neoliberalismo e todos os seus antecessores sem FIESP, aqui foi o grande laboratório da construção do Estado minimo, gerente do capital operada no Palácio dos Bandeirantes (se tem que derrubar o Borba Gato de Santo Amaro, imagine o palácio dos BANDEIRANTES), o capital passeia em São Paulo, há cada vez menos máquina pública para gerir, o governante age como Dória previu, como um CEO de uma empresa que gere para seus acionistas o capital investido e aporta com recurso público a falência ou crise do empresariado (agro, financeiro, industrial, serviços, o caralho).

Dito isso, e espero poder detalhar mais essa análise. A eleição da capital paulistana pode representar uma virada no cenário nacional, pode representar a consolidação do "novo" PSDB (FascisDória) ou pode sem mais uma eleição, essa última eu duvido.

Chega, vou dormir.

Se incomodei, devo ter contribuído pra alguma coisa.



ps.: E antes que alguns perguntem, "quem é essa cara?", eu respondo, "NINGUÉM". Como militante, sigo agora sendo ninguém.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Agitar, propagandear e avançar a resistência ao fascismo! Ler é dever revolucionário!

Agitar, propagandear e avançar a resistência ao fascismo! Ler é dever revolucionário!

Leia o Manifesto:
https://www.expressaopopular.com.br/loja/wp-content/uploads/2020/02/manifesto-comunista-EP.pdf



Um fantasma ronda as velhas e carcomidas engrenagens do capitalismo...a exploração não é humana, portanto não deve nunca ser aceitável. Nunca haverá paz para ordem.

"Esquerda precisa apresentar narrativas contra o bolsonarismo", diz Esth...



São os alertas que eu e diversos/as companheiros/as estamos apontando. Há uma força política que emerge das trevas e agora exige o seu lugar na política. E nós? Trataremos a política como "normal"? Ou iremos resistir e fazer subir nossas bandeiras.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Porque teve ato pela democracia domingo?








O de fato estamos numa pandemia, de fato deveríamos estar em isolamento social. Mas porquê essa estratégia ? Porque a doença é nova, os testes são variados e não tem avaliação 100% conclusiva e não ha uma vacina. Evidente que para conter contaminação há propostas de isolamento social pelo grau de contaminação, nesse caso por ar, por toque, enfim.

Mas isso não determina que a consciência do ser social mude por completo. Capitalistas seguem sendo capitalistas (mesmo os bonzinhos), racistas são racistas, machistas seguem machistas...e assim vai. Não haverá mudanças radicais, a não ser pela nossa sobrevivência.

Estamos desde o início da quarentena em completa negação. Deixamos em "stand-by" nossas relações, gostos e até mesmo ideias, vontades, e isso em nome da sobrevivência.

Mas mesmo o próprio governo federal que decretou urgência é o mesmo que desrespeita as normas de isolamento, flerta com manifestações de apoio de todo tipo de lixo humano (racista, oportunista, machista, milico, pedofilo, etc) para apoiar uma afronta as instituições do Estado (que são frágeis, sempre foram) e ainda apoiando volta da ditadura militar.

Imagine milhares ou milhões em negação. Imagine milhares ou milhões que pensaram que durante a pandemia que as botas sujas e os rifles do Estado iam "dar um tempo" nas suas comunidades, pois o vírus chegou com força nas periferias, que não podem se dar ao luxo de um isolamento social ou pedir comida pelos aplicativos, e mesmo assim Joãos, Marias, Amarildos...ainda assim surgem aos montes. O unico consolo das famílias desses jovens negros será a de que poderão velar, já que bala de fogo não é causado pelo Covid-19.

Mas imagine essa insatisfação gerada, aos montes, que em algum grupo social, fração de classe ou coletivo que seja incomodado e provocado direta e indiretamente pelo xurume crescente das ruas em verdeamarelo, em clima de copa do mundo e babando por ditadura e eliminação do outro.

Bom, não há controle para liberdade de expressão, para o sacrifício humano, para o ser social vivo e vivente.

Há no meio das torcidas muitas pessoas, humanas e vivas, que estão a muito tempo entendendo que o seu lazer, seu esporte, seu time do coração não está desassociado desse ser social que é único, que tem particularidade e totalidade, que sabe que quer conviver entre os seus iguais, mas não entre aqueles que ameaçam valores básicos conquistados como vida, democracia, igualdade...

Os EUA tem outro dinâmica, a guerra, a conquista pela força está na base da formação da sociedade estadunidense. Sim, nasceram como uma sociedade fincada numa ariatocracia democratico liberal (ler Tocqueville, "democracia na América). Lá nasce a luta pelos direitos civis, Martin Luter King, Panteras Negras, Malcon X, a "libertação" foi inclusa, nasceu a segregação racial como política institucional e a resistência como resposta.

Aqui fomos domesticados (ler Eduardo Galeano, As veias abertas da America Latina) nossa colonização, monarquia, República foram de sangue, suor e lagrimas dos povos, concentração absurda de riquezas para uma minoria dominante. A alienação imcorporou rápido na década de 1990 a passividade como parte integrante das relações sociais no Brasil (ler Jesse de Souza, "A elite do atraso") e ter assumiu o lugar do ser.

O que assistimos na pandemia não é solidariedade. É um show de horror, onde a periferia é de a jaula e os "doadores" os visitantes, que querem ter a certeza que os animais devem ficar nas suas jaulas com seu cheiro fetido, sua brutalidade controlada e sua razão domesticada.

Isso é uma panela de pressão. E não foi o lado de cá que ligou o foda-se, mas não vamos ver essa pressão   chiar na nossa cara.

Se precisar morrer, melhor morrer vivendo.

Parta de onde partir, a defesa da vida e da democracia não exige carta, autorização, lugar ou pessoas detterminadas ou mesmo identidade. Ela surge, surge porquê desde o primeiro ser humano que descobre o poder da sua práxis é assim, somos contraditórios.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

O país em chamas, mas é preciso parar para alguma distração fora dessa realidade surreal.


Não sei como começar um análise de conjuntura. São tantos fatos que ficamos atônitos, o "bolsonarismo" como força politica fascista venho para ficar e a nós cabe saber como combate-lo e parar de nega-lo.

Vou retomar essa ideia mais tarde.

Agora no momento quero compartilhar boas lembranças de um estudante de escola pública que sem os recursos necessários caminhou o seu caminho.

Essas lembranças são para dizer que minha aproximação com a ideologia marxista, em especial "O manifesto do partido comunista" de Marx e Engels emprestado pelo professor de história, Marcos, ainda na EEPSG Profº Frederico de Barros Brotero, que na empolgação e como leitor iniciante fiz a leitura detida de cada um dos prefácios feitos à edição em várias linguás e países até chegar no texto mais importante propriamente dito. Nessa mesma escola na minha pesquisa em saber mais sobre o que era o Grêmio Estudantil e meio influenciado (pasmem) pelo seriado da Tv Glogolpe, "anos rebeldes" fui à biblioteca da escola perguntar se havia alguma publicação sobre o assunto, semanas depois a bibliotecária da escola venho na porta da sala de aula me entregando uma cópia xerocada e me deu, tamanho deve ter sido meu interesse, esses gestos não esquece nunca de minha memória.

A militância no movimento estudantil secundarista e minha aproximação com a esquerda me deu um objetivo de vida, gosto pelo estudo, onde descobri o sentido real da educação como direito e não como dever, gosto pela leitura - coisa que odiava - interesse pleo sentido de Brasil e a certeza de que parte das minhas duvidas sobre as desigualdades sociais que me incomodavam tinham respostas e soluções.

Dessas lembranças vem de 1999 e 2001:

O jornalista Elio Gaspari da Folha havia ficado muito incomodado com o privatizador ministro da educação, sim não foi só Bolsonaro que tinha o seu sinistro da educação, Paulo Renato de Souza era tão empenhado em destruir a educação pública que havia dito que "nenhum auno da escola pública brasileira tinha ido bem na redação do ENEM", fazendo com que uma chuva de cartas chegasse a redação e Elio disponibilizou sua coluna para desmascarar o ministro.

Eu, fui um desses alunos.
São Paulo, Domingo, 26 de Dezembro de 1999 

ELIO GASPARI

A segunda lista da turma 10 do Enem

Aqui vai a segunda lista dos estudantes que tiraram 10 na prova de redação do Enem e pediram que isso fosse registrado, sobretudo porque se noticiou aqui que nenhum dos 315 mil jovens que fizeram a prova conseguiu semelhante sucesso:
Alice Caroline Santos Prado, do colégio Delta, de Goiânia.
Ana Silvia Meira, do Santa Maria, de Santa Maria (RS).
Cibele Lourdes dos Santos, do Universo, de Praia Grande (SP).
David Carletti Levy, Centro Federal de Educação Tecnológica, do Rio.
Diego Luiz Boava, de Itatiba (SP).
Felipe Costa Fuchs, do Farroupilha, de Porto Alegre.
Fabiano Jesus de Souza, do José de Anchieta, de Vila Prudente, São Paulo. O cachorro dele comeu um naco do boletim, mas poupou o pedaço onde estava a nota.
Fernanda Zuffellato, do Bandeirante, de São Paulo.
Gabriela Andrade Vasques, do Crummond, de Lorena, SP. (9,5 em conhecimentos gerais.)
Gisele Moriel, do Objetivo, de Santo André (SP).
Jorge Luís Oliveira Tostes. Tem 37 anos, mora em Bauru (SP) e concluiu o curso médio em 1980, no Instituto de Educação Governador Roberto Silveira, de Caxias, RJ. (9,4 em conhecimentos gerais.)
José Borbolla Neto, do Bandeirantes, de São Paulo.
Leonardo Lage Bertschinger, do Farroupilha, de Porto Alegre.
Manoel Moacir Rocha Farias Junior, do Sete de Setembro, de Fortaleza.
Marco Antonio Cochar Pisani, Liceu de Artes e Ofícios, de São Paulo.
Milton Minoru Miyamoto, de São Paulo.
Paulo Roberto de Morais Almeida, tinha concluído o curso secundário há 12 anos, na Escola Estadual Antonio Lordello, em Limeira (SP). Fez vestibular para direito na USP e, com as notas do Enem, elevou sua média de 104 para 112,1, o que praticamente lhe assegurou a aprovação. (Teve 9,0 na prova de conhecimentos.)
Renata Yuri Takemura, do Rainha dos Apóstolos, São Paulo.
Renato Antunes dos Santos, Curso Anglo, de Tatuí (SP).
Tamara Rangel Vieira, Colégio Pedro 2º, do Rio.
Tatiana Lisita Ribera, do Disciplina, de Goiânia.
Thaís Maria Novellino Natale, do Colégio São Paulo, São Paulo.
Thiago Jung Bauermann, do Marista, de Curitiba. (9,5 em conhecimentos).
Tiago Rodrigues de Oliveira, do Colégio Militar, de Porto Alegre. (9,0 em conhecimentos gerais.)
Wagner Hosokawa, da Escola Estadual Conselheiro Crispiniano, de Guarulhos (SP).
Karin Ribeiro Nascimento Cardoso, do Rio, não tirou 10. Tem 16 anos e ficou com 9,5, mas sua mãe, Maria Marta Nascimento, ficou de tal maneira orgulhosa da filha, que não custa nada acrescentá-la à lista. Karin tem um sonho: conhecer o jornalista Ziraldo. Tomara que consiga.

(fonte:https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2612199918.htm)

E a minha passagem da primeira para segunda fase da Fuvest, sem cursinho e vindo da escola pública: (Ah na época a tentativa era Letras na USP, bom não deu. Mas ir para segunda fase é um sentimento tão gostoso)


Fovest


A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z
FUVEST 2001
9600136 WADYR AUGUSTO DOS SANTOS
2603180 WAGNER AKIO SHIMADA KAJIYA *
5823825 WAGNER ALBERTO DE SENA
4806980 WAGNER ANDRADE DA SILVA JUNIOR
3013880 WAGNER ANDRADE JUNIOR
3608382 WAGNER APARECIDO DA SILVA
1207387 WAGNER BRANCO SANTORO
9477460 WAGNER BUENO VIEIRA
8231864 WAGNER CAVAZIN
4426062 WAGNER DA SILVA CAMPOS
7229950 WAGNER DA SILVEIRA
3228946 WAGNER DE ALMEIDA MEDINA
2231722 WAGNER DOS SANTOS HENKLAIN RONCHI
7222677 WAGNER DUTRA DE MORAES *
6015840 WAGNER FERNANDO FAZIO
1824820 WAGNER FONZI
8627212 WAGNER FRANCISCO PERON
7217986 WAGNER GOMES DA SILVA H02
4419317 WAGNER HOSOKAWA