Blog do Wagner Hosokawa. Para quem curte novas idéias para política, a sociedade e a vida!
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
Pacto Federativo para resgatar o SUAS.
sábado, 18 de dezembro de 2021
Chapa Lula-Alckmin, isso dá samba?
Pode ser especulação, pode ser conversa pra distrair, pode ser fakenews adversário ou pode ser uma articulação em curso. O que importa é que o bode, ou chuchu, está na sala e oficialmente até haverá um jantar fake para justificar o primeiro encontro dos enamorados (segundo nota da jornalista Mônica Bergamo, ver site: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2021/12/jantar-que-deve-reunir-lula-e-alckmin-pela-primeira-vez-em-publico-esta-lotado.shtml), apesar do Diretório Nacional alegar de joelhos que tal negociação não está na pauta, como já disse, Lula é autoridade e seus interlocutores uma direção a parte (que é a que manda).
Pelo menos por aqui, não vou ficar justificando meu voto. Nem vou apelar para a condição secreta do voto. Só quero trazer algumas reflexões.
Primeiro, concordo que um estranho no ninho (Alckmin) é sim a reprodução da governabilidade pregada em 2010 para ter Michel (golpista) Temer na chapa de Dilma. Com um elemento pré agregador que são os votos que supostamente a chapa atrairia (segundo seus defensores), o que a Falha de SP contesta em sua recente pesquisa, apontando a "indiferença" de 70% dos entrevistados/as para possível aliança (link: https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/12/17/datafolha-70percent-dizem-que-ter-alckmin-como-vice-nao-muda-intencao-de-voto-em-lula.ghtml).
Segundo, a esquerda liberal que ronda a classe assalariada média e que milita por redes sociais em suas bolhas prefere seguir sendo o que é: arregona. Prefere jogar os ímpetos da democracia para um baixo padrão, essa esquerda liberal iria na revolução francesa tentar convencer os liberais a encontrar um meio termo entre "aristocracia e liberalismo" e iria aceitar em vez de guilhotina uma saída tipo João Goulart, ou seja, "vira presidente, num parlamentarismo de última hora". Eu acho que essa esquerda liberal perderia suas cabeças diante dos ânimos e a determinação da burguesia em dar seu golpe fatal na aristocracia, na monarquia e na igreja, e deu, pois só assim poderiam moldar o poder aos seus interesses, por isso é revolução.
Mas a questão não é essa, minha questão é que essa esquerda liberal insiste em dourar uma pílula que no máximo é um placebo, pois, chamar de tático ou estratégico a aliança de Lula com Alckmin é no mínimo um exercício intelectual porco. Seria honesto se a justificativa ficasse no discurso do pragmatismo eleitoral mesmo, o numa vingança contra Doria, enfim, qualquer justificativa mais honesta do que ficar manchando a ciência política colocando plumas em pombo.
Terceiro, os argumentos contrários a Alckmin estão presentes no conteúdo do filme "Eu sei o que você fez no verão passado", mas convenhamos, 2003-2010 foi bom para classe trabalhadora e os pobres, porém, excelente para os banqueiros, o capital financeiro e outros né. Então, sim pesa a forma como o fascismo emplumado de Alckmin agiu contra a classe trabalhadora e os pobres, pesa porque só vivendo no "mundo colorido do estado de São Paulo" para entender como o Psdb ficou quase três décadas no poder mesmo pilhando o Estado, arrebentando com direitos sociais, humanos e públicos, jogando o estado para a vala da precarização com falta de água, educação pública de baixa qualidade, segurança pública repressiva, entre outras, essa aliança tinha tudo para não dar certo.
Contudo, parece que há uma situação que em política tradicional tudo se releva quando um inimigo ou adversário é maior, a vida como ela é.
A questão é o preço. Que preço a pagar para retirar Bolsonaro do palácio do Planalto?
Não prevejo futuro, mas isso pode levar a um período de estagnação da esquerda revolucionária, pelo simples fato de que nada terá mais sua identidade. Lula prefere a aliança, a conciliação e um longo período de paz institucional, tendo o centro como polo irradiador das decisões políticas. Nada de novo, a não ser pela possibilidade de conseguir construir com e fora do PT o que ele já queria com Dilma-Temer: estabilidade institucional, manutenção do poder e reformas que já tem nome: neodesenvolvimentismo.
Lembrando: neodesenvolvimentismo não é anticapitalismo
Então, aos anticapitalistas como eu, que se preparem para gelo da Sibéria. Não porque seremos silenciados ou perseguidos, pior, seremos ignorados enquanto organização política e ainda bem quistos no mundo acadêmico, que é o que vai restar.
E o trabalho de base? Bom, legal fazer. Mas não acho que Lula joga apenas pelo Estado desse vez. O sinal é que ele quer um partido ou partidos forte de articulação e reprodução dessa lógica, não manda interlocutores, vai a campo. Eu assisti a fala e presença dela no 5º congresso da juventude do PT que está ocorrendo em São Paulo nesses dias. (ver link: https://youtu.be/5mkaoy9tjlc), prevejo que seja sério a busca por "renovação".
Voltamos ao preço de retirar Bolsonaro do poder. Sabemos que o fascismo presente não abrirá mão de seguir na sua jornada pelo poder, então fica um alerta: não basta apenas ganhar eleição, vai ter que fazer.
Outro problema: Lula pode vencer e deverá jogar com um congresso que mesmo sem o parlamentarismo, exerce hoje um poder extraordinário sobre os recursos do Estado e sabemos que Cunhas, Liras e outros sempre então mais preocupados em reeleger a si e seus colegas para manter essa lógica que alimenta a direita no poder. como vai contornar isso? E já digo, não há reforma política que dê jeito, o caminho seria construir uma maioria robusta em 2028 jogando dois jogos: mantendo um olho no peixe e outro no gato.
Será que fará isso?
São mais duvidas do que certezas. Então, no momento ser contra Lula-Alckmin para uns como eu é preservar alguma dignidade, para outros que embarcarão é vencer a todo custo.
Ainda tem chão e jogo para andar e jogar. Só não queria estar nesse "Round 6" do jogo eleitoral de 2022.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
O PT abriu mão da organização-partido?
Uma imagem dessas que ficou foi emblemática, ainda no processo de construção da campanha presidencial de 2002, não me recordo a data, quando Guarulhos sediou alguns encontros nacionais setoriais e a plenária da juventude do PT acabou sendo na garagem do hotel. Um dos embates, hilários pensando agora, foi nas palavras de ordem, sendo que a esquerda petista entoava "Pra que Lula lá sem um programa pra radicalizar" e os "lulistas" respondiam "Pra que programa sem Lula lá", enfim, era infantil, reconheço!
Mas tem um fundo de verdade esses embates. Nosso centro gravitacional é Lula. Nunca deixou de ser, e tanto à esquerda, quando à ala moderada, em momentos diversos tentaram superar o criador, sem sucesso.
Antes tinha certeza que essa super dependência era a porta que permitia os membros da elite no PT a criarem suas personagens e personalidades, desconstruindo a identidade do partido, o individuo tinha força extraordinária no PT, antes mesmo das personalidades da internet. Isso mesmo, internamente, cultuar pessoas, em especial com destaque pelo cargo, posição ou influencia era a máxima da organização partidária que foi permeando a máquina partidária em especial no final da década de 1990 e ganhou ascensão nos anos 2000. O marketing era a direção indireta do partido, os assessores ocultos e eram os novos influenciadores do processo político e parte dos dirigentes apenas tinham os cargos, não necessariamente o poder.
Antes de você dizer: "lá vem ele de novo recorrer ao passado", sim, passados são reveladores, principalmente quando não se aprende nada ou não se reflete sobre ele. Eis a questão: 2016 não existiu para o PT. O partido como estrutura orgânica parece paciente de terapia, orientado a "esquecer o passado e seguir em frente", como se um divorcio entre duas pessoas tivesse o mesmo peso que um golpe institucional contra uma presidenta eleita e depois um processo que extinguiu quase a totalidade das conquistas sociais de quase 16 anos de governos do PT fossem coisas secundárias.
Tratando Bolsonaro como um adversário eleitoral esquecemos o fato de que a direta não precisa se organizar, ela nunca abandonou sua organização, está nas instituições, nas tradições, no cotidiano, nas mídias, nunca abandonou o controle do poder. Pode sazonalmente perder o poder institucional do poder executivo, mas nunca abandona suas posições originarias. É capitalismo. (ponto)
Já o fascismo presente é funcional, alimentado como um bode que precisa feder, mas não se reproduzir e assumir o controle da sala, serve a direita porque mantêm a polarização extrema contra a esquerda e joga no saco do "todos iguais", pois, ambos são extremos, gerando a boa e velha confusão. O problema é quando a direita tradicional, puro sangue, perde e (as vezes) recorre ao seu bode e prefere o fedor e confusão que causa a ter que redistribuir parte da riqueza que tributada ao Estado, ainda assim, ela (a direita) se acha dona desse recurso. Hitler, Mussolini, Trump, Bolsonaro entre outros só expressam a luta de classes e a luta pelo poder é o que é, isso só pra citar parte do século XX e essa terrível segunda década do século XXI.
Porém, quero falar do PT. Que em vez de combater o reducionismo intelectual que o neoliberalismo impôs em várias áreas, sito, educacional, cultural, político, etc., preferiu se adaptar. Adaptação que foi tão profunda que nos joga para a realidade que temos hoje. Depois de uma década na máquina do Estado o PT daquele tempo e a elite que nela estava dava como certa que o projeto político eleitoral do partido estava dado, mesmo após a crise de 2005, a reeleição de Lula e a vitória de Dilma sinalizavam para estes que eram favas contadas a certeza de que o PT liderava um novo centro de poder, inclusive sem a vergonha das seguidas alianças, sendo a última com o PMDB de Temer.
2013 não foi causa, mas consequência. Que poderia ter sido evitada se a percepção da analise política não fosse subjugada pela institucionalização incorporada a vida partidária. Olimpíadas e Copa do Mundo poderiam ser parte de um legado, sim, mas se tivesse sido fiel a "inversão de prioridades" defendida pelo "modo petista de governar".
2016 é mais importante sim que 2013. E cada vez mais o mito de que 2013 foi central para abrir a porta do fascismo presente cai por terra, pois, o bode bolsonarista sempre esteve presente e atuante ao longo das décadas, criando tentáculos, elegendo filhos, mantendo vivo o serviço sujo de criar contrapontos a esquerda em suas pautas ideológicas. Nós é que relativizamos e preferimos pintar o bode de "bobo da corte", "baixo clero do congresso", entre outros adjetivos.
Em cálculo eleitoral não tem erro de matemática, tem ludicidade com os números e as suas próprias formulas. "Ser antissistema" antes de ser uma posição político ideológica, é uma forma de construir base, eleitores e influenciar a opinião pública no Brasil. Vejamos o PT , que em 1998-1999 abandonou a luta anticapitalista pela "luta contra corrupção", agora o bolsonarismo persegue a "defesa da família, da moral, do nacionalismo sem nação, mas com valores cristãos" e aí vai. Não faltam teses e pesquisas sobre como o processo de erosão socioeconômica elevam a busca individual por saídas míticas.
Antes implicava com o Lula. É o presidente de honra do PT, sendo onipotente, onipresente e onisciente está acima das instâncias, até se afastou por um tempo quando deixou a presidência, contudo, não perdeu a influência. em 2002 queria cheque em branco, teve que engolir uma prévia interna contra Suplicy, que apelou para que a democracia petista não fosse questionada pelos adversários e a opinião pública, eu e muitos fomos votar na certeza de que Lula era mais um filiado a "serviço do partido", foi um momento histórico e 15% da militância disse Lula lá, respeitando o PT como centro do programa e das decisões (https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2002/03/20/suplicy-anuncia-resultado-das-previas-do-pt-com-vitoria-de-lula), foi bom pra alma. Não durou muito. Depois venho "carta aos mercados financeiros", vice empresário, alianças com centrão, enfim, foi a velha lógica.
A prisão de Lula no joguete da "lava jato" mexeu com os ânimos internos e externos. Até quem não estava mais entusiasmada com o PT e Lula vestiu a camisa, e isso foi um processo de retomada de posições antes confusas com o PT no poder e suas alianças e o golpe de 2016. Coesionou parte significativa da esquerda brasileira e reestabeleceu Lula no centro da oposição ao bolsonarismo como figura pública de contraponto. Não vamos negar a realidade. Sei que os movimentos e os partidos de esquerda se colocaram em luta, as frentes nacionais e as contrais foram as ruas (eu estava lá) nos colocamos contra as reformas pós golpe, porém, pra que nadar contra a maré? No quesito influencia pública e popular, Lula segue imbatível.
E é isso que tem me levado a pensar que discutir o PT frente a Lula, ás eleições ou eventual governo tem se tornado um exercício chato e de perda de tempo. Nesse momento não culpo Lula pela completa anestesia do PT. As vezes fiquei incomodado com os movimentos do "grande líder", contudo, ao ver como se comporta a bancada na Câmara e no Senado penso que não há saída, o PT é dependente de Lula (ponto).
Sem maniqueísmos. A questão não é se é bom ou ruim. A questão é se haverá partido para de fato ter capacidade política, ideológica e orgânica para decidir. Antes o PT era uma federação de tendências, mas tinha seu valor, cada organização tinha como intuito construir o partido, havia mais pluralidade interna, os mandatos parlamentares se guiavam por outras frentes de luta.
Agora, se há bancada e votos, se dá exclusivamente ainda ao fator Lula. Isso não expressa, necessariamente, a qualidade política dos parlamentares que são eleitos. Digo isso pela capacidade de articulação, combate e ação política, vazio que o PSOL ocupa dentro ainda de uma metodologia que o PT adotava e que já era postura dos partidos tradicionais da esquerda. Nenhum dos dois "inventou" essa combatividade, ela pertence a uma tradição de resistência.
Concordar que o PT abriu mão do protagonismo, não quer dizer que endosso as articulações do grande líder. Mas não carrego as mesmas ilusões de 2002, disso tenho certeza.
Lula para derrotar Bolsonaro pode ser um objetivo bem reduzido. Porém, é o que tem para hoje.
O risco é grande. Já que derrotar Bolsonaro não extingue e nem reduz as tensões do fascismo presente, agora temos novos sujeitos no cenário político brasileiro que são os "conservadores puros", o MBL e seus derivativos, os liberais liberalizantes do partido Novo, entre outras alegorias político ideológicas que irão seguir influenciando o público. Eles pregam a sua palavra e nós?
Seguimos presos ao medo. Medo digno de um xingamento que poderia sair da boca de Paulo Freire contra nossa arregada ideológica. E mesmo a historia provando que as massas entendem, quando a esquerda vai as ruas, os termos "mais complexos", há uma esquerda liberal que prefere subestimar a inteligência do povo (e não só na elite do PT). Os plebiscitos da divida externa, da ALCA, da Vale do Rio Doce e do Sistema Político provaram em MILHÕES de que a população compreende sim quais são as causas que afetam a sua vida.
Voltamos ao PT. Inerte, travado, envergonhado, entre outras situações, prefere manter um discurso que não consegue sustentar na prática, basta ver a ausência de uma avaliação séria sobre porque após a reascenso de Lula, seguimos um patamar tão medíocre nos últimas eleições municipais?
Mesmo com tantas instituições sindicais e institucionais, ainda assim é medíocre a articulação com o precariado brasileiro?
Lula é um político tradicional e do nosso campo. Tem suas prioridades e legitimidade pra fazer e está fazendo. Já o PT? O que ouço e vejo são articulações microscópicas dos seus indivíduos para construir candidaturas, muitas agora federal, pensando em como pilhar o futuro governo Lula e não como construir o processo que irá durante o mandato de Lula fortalecer esse campo popular, proteger a classe trabalhadora e blindar, mesmo que de forma inicial o fascismo vigente.
Há muitos erros nas nossas políticas públicas implantadas no período de 2003 a 2013. Isso é bom, pois, vai permitir que possamos retomar em bases renovadas e criar meios de consolidar pela força do próprio povo. Porém, há disposição pra isso?
O tal trabalho de base? Esse ficará para depois. Já que no tempo presente vários grupos internos preferiu associar trabalho de base a busca de votos ou a atividades pontuais de rua, isso agora vai pra gaveta, 2022 está aí. O panfletinho que vai circular na quebrada, no bairro, na região, nas casas, enfim, será o pedido de voto.
Quem prefere discordar, me responda como anda as reuniões do seu diretório? Se somos oposição nas cidades que vivemos, quantas ações e discussões programáticas foram realizadas? Que debate de programa de governo está sendo feito para impulsionar o grande líder? Lembrando que construção de programa de governo não tem impedimento legal ou jurídico e é um bom instrumento de trabalho de base. Agora pensando bem, que direção quer se comprometer a botar uma virgula e depois não poder nem divulgar na campanha?
Já disse. Isso tudo já vivi, construí e dei o sangue. Chega uma hora na vida militante que você para pra pensar "o que estou ajudando a construir mesmo?"
Quem sabe os ventos mudam.
Pra quem quer falar as mesmas bobagens que não sabe sustentar como "porque você não volta e ajuda então?", eu digo, VAI CAGAR. O sentido das ações, são os sentidos das ideias. Quando não há sentido, não há razão para perder tempo. Tempo é valioso, o capitalismo sabe disso, a um bom tempo.
Desculpas para as/os leitores do Blog - A vida é dura!
Imagem: https://br.pinterest.com/pin/535083999476652589/
Referência ao personagem O Pequeno Príncipe de Antoine De Saint - Exupéry
Confesso, que desde 07 de novembro de 2021 não entrei mais no blog. As justificativas não são poucas, preparo para um concurso público, um serviço de consultoria que apareceu e as tarefas do dia a dia. Porém não justifica ausência em momento tão importante da história do país.
Chegando a mais de 103.028 visualizações fiquei surpreso com o interesse do público, em particular com as duas últimas publicações, pelo alcance e interesse na opinião desde militante, que já foi mais atuante e agora é mais reclamante.
Pedir desculpa não ajuda e também não indica fôlego para escrever com uma intensidade que o público mereça.
Como muitos percebem ao entrar, pela primeira vez, que eu não habilitei o espaço de "comentários", e explico que esse lugar do blog é para emitir posições e opiniões sobre a luta política anticapitalista e sobre os rumos da esquerda brasileira e internacional, das quais ninguém precisa concordar, apoiar , discordar, enfim, quando esse blog começou foi um lugar de exercício da liberdade de expressão, mas, na luta política não existe respeito quando o assunto são os interesses que rondam os intestinos de cada um, e no fim (ou no começo) deu merda. Pessoas preferiram usar esse espaço como lugar de ataque, inverdades e de vontades intestinais. Fechei, pronto! esse não é canal de comunicação de massa, não é institucional, não é imprensa e em de longe preciso ficar perdendo tempo em responder poucas linhas de ataques sem reflexão alguma. Vai seguir como um "diário de consciência pessoal".
Outra coisa, fico envergonhado com a pouca regularidade que tenho na emissão de artigos aqui, já que sei que há pessoas valorosas e que tem interesse em pensar o Brasil, a classe trabalhadora.
Assunto represado não falta: filme Marighela, Carolina Maria de Jesus, chapa LulAlckimin, entraves na luta pelo Fora Bolsonaro, ou seja, há questões que estão esfriando e outras pegando fogo.
Vamos ver se o fechamento de 2021. Se for possível mais umas duas ou três provocações.
Obrigado e força pra resistir!
domingo, 7 de novembro de 2021
Fora Bolsonaro. Virou luta de ano pré-eleitoral?
As noticias para os militantes não são boas. Confusas como ainda está a perspectiva da luta unitária da esquerda brasileira e a campanha nacional Fora Bolsonaro. As primeiras lutas convocadas presencialmente alcançaram públicos diversos e desaproximou-se dos encontros de velhos e bons companheiros e companheiras, assim como foi o Fora Temer. Bolsonaro expressa uma ideia e permitiu uma transição geracional importante para que parte considerável da juventude se colocasse em oposição ao modelo autoritário, doutrinador e moralizador da extrema direita brasileira. Aqui há riscos, que devem ser analisados, pois, não sabemos se parte dessa oposição jovem se dá também no "eucentrismo" neoliberal que se apresenta como "moderno" e mercantiliza as lutas da diversidade sexual, racial e feminina, sabemos que as grandes corporações tem investido na "colorização" das suas marcas, buscando se aproximar dos jovens associados o ter bens materiais reconfigurados em expressões de modernidade tecnológica e cultural, tanto que vemos o investimento pesado das mídias em ressignificar as formas de relação com o mercado financeiro, com os jogos, compras, entre outras. Esses riscos existem e não podemos deixar de considerara-los.
Evidente que na luta antifascista atual, essa aliança é fundamental. O enfrentamento ao capital se dá na permanente resistência em quebrar essas ilusões do mercado e do capital, e há espaço e momento para isso agora, não vamos ficar presos ao "etapismo", isso já deu errado pelas mãos reformistas e pela acomodação stalinista no leste europeu.
O filme Marighella dirigido pelo ator e diretor Wagner Moura a partir do livro de Mario Magalhães chegou tarde devido a oposição e boicote institucional do bolsonarismo no poder executivo central mas parece ser providencial, já que tem sido expressivo nas bilheterias e traz a narrativa da necessária luta de projetos de país que estão ainda em aberto, a importância dos ideais enquanto sociedade e não apenas projetos individuais.
Beleza, estamos num processo de retomada, ok, porém, retomada para que direção política? Pela direita e o centrão, abre a oportunidade da manutenção e retomada da velha política em reaparelhar o Estado de um lado usando a máquina bolsonarista em crise, ocupando cargos no governo e utilizando para seus interesses no parlamentarismo de oportunidades em que se tornou nosso sistema presidencialista ou em lançar nomes velhos em combate a crise econômica que se tornou a aventura bolsonarista, como a ressuscitação de Alckmin em São Paulo.
E pela esquerda? A retomada parece estar mesmo presa na lógica político institucional. O tempo passou e a retorica critica ao governo Bolsonaro travou, onde as demandas institucionais em série associadas a uma pandemia da Covid-19 não permitiram uma retomada político ideológica que exigiria, por exemplo a retomada do trabalho de base.
O trágico ato nacional de 02 de outubro que reuniu oportunistas de todas as matizes centralizadas no MASP só expressam que a unidade sem uma articulação que deveria ser construída pelo debate dos programas, limites, problemas de organização, enfim, uma unidade que não pode ser constituída por meio de eventos, mas de bundas sentadas e sem hora para sair, não há unidade que se construa sem paciência, divergência e disposição. Os aceites das direções para que o ato simplesmente desconsiderasse os ânimos das bases e que "gregos e troianos" subissem no caminhão de som, como se por mágica, as divergências se pulverizassem no sentimento "fora bolsonaro" não aconteceu. Não é de bom tom acusar quem jogou a primeira garrafa de água ou a primeira vaia, já que as direções - tão capacitadas - desconsideraram uma unidade que não foi construída por um processo que deveria ser iniciado na base, com todos os problemas que isso fosse acarretar.
Amadurecer deveria ser um objetivo subjetivo a ser alcançado diante do caos que estamos vivendo. E não basta de forma simplista considerar que o governo Bolsonaro em si já é ponto de unidade. Não é. Já que estamos pulverizados pelo próprio governo bolsonaro nas diversas áreas do Estado e das políticas públicas. Tudo tem relevância nessa conjuntura. A história sempre foi elemento fundamental, contudo, em determinados momentos foi colocada de lado nas decisões centrais, como a "carta aos brasileiros" de 2002, as alianças no campo dos governos do PT e entre outros, antigos inimigo durante a ditadura militar sentaram-se a mesa para governar. Porém, agora o trauma de 2013, do golpe de 2016, das eleições de 2018 e a crise da Covid-19 ainda estão presentes na subjetividade política dos militantes, dos não militantes, dos novos militantes, dos que estão se aproximando, enfim, do público que em oposição a Bolsonaro não está necessariamente UNIDA num mesmo projeto político ideológico, institucional, eleitoral, etc., e uma parte mesmo participante dos nosso "fora bolsonaro" ainda estão assistindo que via seguir.
Afoitos com o momento e sem analisar conjuntura, chegaram a convocar o dia 02 de outubro e 15 de novembro querendo "guardar lugar" na fila da simbologia, já que 07 de setembro foi o "fascist day", o dia da proclamação da república deveria ser capitaneado pela esquerda, na cabeça das direções. Duas datas que antes do bolsonarismo só eram bons feriados. No final, o fiasco da unidade de 02 de outubro levou a desmentida das direções com relação ao 15 de novembro, ou seja, apagar o dito pelo não dito.
Numa inflexão débil ao nosso fraco "Black Lives Matter" com atraso histórico e com vários corpos negros já brutalizados, as direções resolvem reabilitar o 20 de novembro para limpar a cagada do 15 de novembro: reestabelecer a unidade pela esquerda e aliançar-se ao lado dos movimentos negros. Sim, antes tarde do que nunca! E agora convocam efusivamente como se pertencessem a unidade da causa negra. Inclusive se o 20 de novembro fosse tão prioritário antes, como será agora, quem sabe teríamos uma unidade real da classe trabalhadora.
Bom, não estou bem para ficar no entusiasmo do "fora bolsonaro" e "viva a esquerda brasileira" porque não há motivos para isso nessa conjuntura. Estamos chegando no fim de 2021 e adentrando 2022 em quase que área cega causada pela anestesia do debate político institucional eleitoral. Perdemos o bonde do trabalho de base, da solidariedade de classe e o "fora bolsonaro" entrou em rota de colisão com as urnas de 2022, se fundindo.
Quando digo direções, não estou fixo na lógica maniqueísta sobre o bem e o mal das direções, e sim como se constitui a forma que constrói o "tipo ideal de militante", do roteiro bem lido, da boa ficha hereditária e até mesmo acadêmica, dos "quem indica" e quem se submete a uma forma como se dão os perfis aceitos de fazer parte desse "mundo". Eu tentei habitar esse "modus vivendi", mas não gostei do que vi, vivi e percebi que identidade de classe exige mais do que ficar figurando num teatro das lideranças.
Escrevo pela minha consciência de classe, pela minha experiência de luta, pela certeza de que cada um contribui como pode no momento histórico que vive, que não quer errar as mesmas coisas, mas errar por motivos e causas diferentes, sigo impaciente pacientemente a enfrentar seja quem for: traidor, capitalista ou fascista e todos os seus derivativos.
Nos vemos na luta!
domingo, 10 de outubro de 2021
ROUND 6 : A perturbadora forma de viver do capitalismo atual.
Gosto dos recursos da sétima arte e acredito no seu papel educador. A despeito das criticas ao enredo onde um grupo de fudidos da nossa classe trabalhadora endividados pela sociedade do capital são convencidos a participarem de um jogo em que podem ficar ricos. Porém, o que tem perturbado parte da critica popular é que os jogos são jogos praticados na infância e os perdedores perdem a vida. A grande sacada do enredo da série é a critica acida e dura sobre o momento em que nos encontramos diante da forma de vida e sobrevivência do capitalismo global, indico a analise de Luciana Coelho (FSP, 07/10/21) (link: https://www1.folha.uol.com.br/
A verdade é perturbadora, ainda mais quando a contradição transborda pelos poros de um bando de "espertos". Os mesmos tipos de hipócritas, oportunistas, bons de conversas, moralistas, estudados, "bem sucedidos", racistas, machistas, religiosos sem caráter, enfim, só "tutti buona gente" que a sociedade capitalista produz. Os velhos estereótipos que são vistos na prática das relações sociais em momentos de crise da humanidade evidenciam o mal que representa a sociedade do capital. Basta ver o começo da pandemia da Covid-19 em março de 2020, e eu vivi para ver desde a escassez do álcool em gel e o vazio das baias de papel higiênico, passando pelos fura-filas da vacina, e só isso explica o vazio que a sociedade de mercado trouxe para todxs nós.
Então, reconhecendo a dor e desgraça pelo que passamos, porque ainda assistir Round 6? Simples, porque o Brasil chega aos 600 mil pessoas mortes pela Covid-19 sem causar nenhuma comoção que exigiria já uma revolta popular, nem uma "comoção nacional" já que a sociedade esta anestesiada pela mais velha lógica da alienação, apresentando os desafios do nosso tempo com domínio das novas tecnologias sobre as pessoas numa relação de dominação individualista, auto regulável, como se a exploração passassem ilesa como parte integrante da vida e não uma ideologia à enfrentar.
Pessoas merecem morrer pelos erros que cometem? Sigo minha posição em defender que não. Porém, o que a série mostra é como já nos relacionamos com desgraça humana desse sistema, via os "big brothers", os shows que impõem como competição destruir o coletivo, derrubar o próximo, ou seja, destruir o próximo se tornou uma diversão que permitimos deixar entrar em nossas casas e nossas mentes sem refletir criticamente.
Agora, isso vem sem uma intenção? Se prefere achar assim, siga em frente e cuidado para não acabar num desses jogos. Inclusive nem precisa procurar, se o seu banco já lhe incomodou em algum momento bem vindo (a).
E se alguém duvida que estejamos já inseridos nessa roda vida, basta ver o noticiário oficial:

(...) Dívidas, o tempo médio de atraso para quitação das dívidas ficou em 61,9 dias em julho. A principal dívida das famílias é no cartão de crédito, modalidade assinalada por 82,7% dos endividados, o maior nível da série histórica. Carnês de lojas foram indicados por 18% das famílias, 9,8% têm dívidas com crédito pessoal e 9,7% com financiamento da casa própria.".terça-feira, 11 de maio de 2021
A esperança vem de Kerala! Segue o artigo publicado na Tricontinental: "Em Kerala, o presente é dominado pelo futuro | Carta semanal 18 (2021)"
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