sexta-feira, 31 de outubro de 2014

PT: ganhamos as eleições presidenciais e perdemos para mídia ?


Muitas pessoas se aglomeraram na porta do TUCA durante a realização do evento de apoio à candidatura de Dilma Rousseff. (Foto: Agência Estado)


2014 é um ano que começa sem graça e termina entrando para história da república. As eleições presidenciais foram marcadas pelos que analisam a conjuntura política de "janelas que se abriram" indo desde a morte de Eduardo Campos (PSB) até a votação expressiva de Aécio, os efeitos mais conservadores de junho de 2013 foram mais fortes do que as lutas progressistas que o insuflaram e a mídia que em nome da sua sede de retomada do poder executivo nacional apostou todas as suas fichas no "vale tudo" da vitória do representante político autêntico do sistema financeiro neoliberal.

É esse ano morno, e as primeiras pesquisas presidenciais mostravam isso, foi se consolidando como uma colcha de retalhos de variadas formas e posições. Onde no subterrâneo das articulações políticas os representantes da mídia mercantilizada arquitetavam o tom do movimento anti PT construindo dois mitos: 1) do crescimento baixo e a volta da inflação; e 2) o PT é o grande partido da corrupção, "como nunca antes na história";

Dois mitos construídos na melhor forma que o dinheiro pode comprar e pagar, de um lado intelectuais, economistas, estudados e estudiosos vomitando o velho "economês" dos mercados, um mantra diário que saltou aos olhos como na máxima ideia de que "uma mentira contada milhares de vezes torna-se uma verdade". Do tomate as declarações de técnicos da Fazenda tudo foi para criar o clima de terror sobre um passado já vivido e amargo. 

Contudo o modelo desenvolvimentista mantinha-se forte: taxa de empregabilidade e aquecimento do mercado consumidor individual, esfriando ali e aqui e não gerando a adesão necessária para o candidato do sistema financeiro neoliberal.

Então colocou-se força naquilo que marcou as eleições de 2006: "mensalões e petrolões" foram termos usados para ligar diretamente ao petismo a ideia de corrupto, acrescendo um pouco de ódio e factoides da guerra fria como "comunismo e cubanização". E a "tropa de elite" do jornalismo mercantilizado forçosamente imprime essa marca. Com certeza já tinham em mãos através de suas consultorias e analises de que a tática "colou", esse é o tom que se elevou do primeiro para o segundo turno.

O que assistimos era uma candidata (Dilma) com 10 minutos de um lado e do outro o candidato do sistema financeiro neoliberal ocupando a quase totalidade dos meios de comunicação de rádio, TV, revistas, jornais e drones eletronicos nas redes sociais. Se na década de 1960 pudemos ter na história do Brasil a "rede da legalidade" conduzida por Brizola na defesa da constituição e da posse do vice presidente eleito João Goulart, agora em 2014 vivenciamos a "rede da ilegalidade" mostrando que a mídia mercantilizada exerce - sem limites - a força de ser um poder que se esconde atrás da liberdade de expressão para expressar interesses de classe, das elites claro!

Quero expressar minha opinião dizendo que já faz algumas eleições que estava preferindo o que aconteceu nesta. Já faz um tempo que dissemos que a sociedade brasileira não superou seu racismo, seu ódio aos próprios irmãos/irmãs (a diversidade regional), a discriminação de classe, etc., e o que pude viver nestas eleições é a SAÍDA DO ARMÁRIO do que pensa de fato a sociedade brasileira herdeira de uma ditadura civil militar que fez acordos por cima para conciliar o seu fim via a impunidade dos seus crimes e de uma democracia que não amadureceu tanto assim.

Ver, ouvir e perceber o que pensa parte da sociedade brasileira é reconhecer o quanto estamos longe de romper paradigmas conservadores para dar um salto civilizatório enquanto povo brasileiro. Reconhecer que a formação socio historica do país ainda precisa de novos tons de claro para sair do cinza que encobre e distancia sua população da realidade produzida para uma realidade real.

De todas as tensões uma foi acompanhada por uma parte de nós com esperança e apreensão: o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político reuniu o melhor de uma militância que estava dispersa, nos reagrupamos em comitês (mais de 2 mil pelo Brasil), e conseguimos num esforço que a tempos não se observava 7,5 milhões de votos, sendo que na sua grande maioria a favor da Constituinte Exclusiva e Soberana para mudar o atual sistema político.

A melhor tradução disso é que a sociedade brasileira, principalmente a classe trabalhadora assalariada média é refém dos mesmos e já citados, estudados e discutidos meios de (re) produção das ideias dominantes, o sonho pequeno burgues e o mito da "classe média" em busca de privilégios. Agindo direta ou indiretamente a serviço da manutenção de uma elite que não a quer na sua festa, mas precisa dela para limpar o salão. 

E a outra é a mudança do atual sistema político brasileiro, que nasce no paradigma da democracia liberal burguesa, que limita a sociedade a escolher apenas pessoas, personalidades e personagens para se sentir "representado", sem poder para decidir rumos das reformas políticas e sem opção no atual modelo legal. 

Os 7,5 milhões de votos no Plebiscito Popular mostram o caminho que parte da classe trabalhadora quer e com toda certeza não é seguir o modelo conservador proposto e alimentado pelo candidato do sistema financeiro neoliberal.

Porém, é uma manifestação que espera uma direção, um chamado para que seja proposto de fato mudanças. Aqui fica o recado das urnas oficiais e populares: Dilma e o PT, agora é a hora de fazer as reformas estruturais! Sistema político, agrário e fundiário, público e estatal, social e econômico...

Um país que desde o inverno de 1964 nunca mais soube o que é luta de classes. Desde a democratização tratamos as divergências com conciliações, quando se impõem derrotas aos trabalhadores pede-se calma em nome do "outro dia", os que não aguentam e gritam são obrigados a se calar, os que questionam são taxados como "chatos ou do contra", e de recuo em recuo permitimos que o mostro guardado no armário do "politicamente correto" finalmente ensaiasse a sua saída.

O problema é saber qual gigante foi acordado, o da mudança ou do totalitarismo. 

Historias de jovens sendo assediadas e até estupradas, militantes recebendo xingamentos e outros até mortos pelo simples ato de defender, numa democracia, a sua liberdade de expressão. Esses e os vários fatos foram relatados durante essa eleição. Nós petistas temos o hábito da proposta, do dialogo e da emoção diante do processo eleitoral e nas lutas que defendemos, mas o lado de lá reunindo seus seguidores recém saídos do armário mostram que não surgiram para a democracia, mas para a agressão, a ofensa e a baixaria.

Temos um mandato presidencial para propor reformas estruturais urgentes, com apoio que não lhe faltará e o calor contagiante da militância mostra isso. Em política quem não faz escolhas é conduzido. 

Saber agora o que é melhor para sociedade brasileira daqui para o futuro cabe a nós.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Por que escolhemos Dilma Rousseff - da Revista Carta Capital.

Posição, a política brasileira está precisando de posição ea revista Carta Capital desceu do muro obscuro da mídia brasileira que se apresenta "imparcial", quando já é escrava do capital.

boa leitura!
Wagner hosokawa

Dilma-Rousseff

Editorial
Por que escolhemos Dilma Rousseff

Queiram ou não, Aécio Neves e Eduardo Campos serão tragados pelo apoio da mídia nativa e da chamada elite. Ou seja, da reação

por Mino Carta — publicado 04/07/2014 03:52, última modificação 05/07/2014 12:16


Começa oficialmente a campanha eleitoral e CartaCapital define desde já a sua preferência em relação às candidaturas à Presidência da República: escolhemos a presidenta Dilma Rousseff para a reeleição.

Este é o momento certo para as definições, ainda mais porque falta chão a ser percorrido e o comprometimento imediato evita equívocos. Em contrapartida, estamos preparados para o costumeiro desempenho da mídia nativa, a alegar isenção e equidistância enquanto confirma o automatismo da escolha de sempre contra qualquer risco de mudança. Qual seria, antes de mais nada, o começo da obra de demolição da casa-grande e da senzala.

O apoio de CartaCapital à candidatura de Dilma Rousseff decorre exatamente da percepção de que o risco de uns é a esperança de outros. Algo novo se deu em 12 anos de um governo fustigado diária e ferozmente pelos porta-vozes da casa-grande, no combate que desfechou contra o monstruoso desequilíbrio social, a tolher o Brasil da conquista da maioridade.

CartaCapital respeita Aécio Neves e Eduardo Campos, personagens de relevo da política nacional. Permite-se observar, porém, que ambos estão destinados inexoravelmente a representar, mesmo à sua própria revelia, a pior direita, a reação na sua acepção mais trágica. A direita nas nossas latitudes transcende os padrões da contemporaneidade, é medieval. Aécio Neves e Eduardo Campos serão tragados pelo apoio da mídia e de uma pretensa elite, retrógrada e ignorante.

A operação funcionou a contento a bem da desejada imobilidade nas eleições de 1989, 1994 e 1998. A partir de 2002 foi como se o eleitorado tivesse entendido que o desequilíbrio social precipita a polarização cada vez mais nítida e, possivelmente, acirrada. Por este caminho, desde a primeira vitória de Lula, os pleitos ganham importância crescente na perspectiva do futuro.

CartaCapital não poupou críticas aos governos nascidos do contubérnio do PT com o PMDB. No caso do primeiro mandato de Dilma Rousseff, vale acentuar que a presidenta sofreu as consequências de uma crise econômica global, sem falar das injunções, até hoje inescapáveis, da governabilidade à brasileira, a forçar alianças incômodas, quando não daninhas. Feita a ressalva, o governo foi incompetente em termos de comunicação e, por causa de uma concepção às vezes precipitada da função presidencial, ineficaz no relacionamento com o Legislativo.

A equipe ministerial de Dilma, numerosa em excesso, apresenta lacunas mais evidentes do que aquela de Lula. Tirante alguns ministros de inegável valor, como Celso Amorim e Gilberto Carvalho, outros mostraram não merecer seus cargos com atuações desastradas ou nulas. A própria Copa, embora resulte em uma inesperada e extraordinária promoção do Brasil, foi precedida por graves falhas de organização e decisões obscuras e injustificadas (por que, por exemplo, 12 estádios?), de sorte a alimentar o pessimismo mais ou menos generalizado.

Críticas cabem, e tanto mais ao PT, que no poder portou-se como todos os demais partidos. Certo é que o empenho social do governo de Lula não arrefeceu com Dilma, e até avançou. Por isso, a esperança se estabelece é deste lado. Queiram, ou não, Aécio e Eduardo terão o pronto, maciço, às vezes delirante sustentáculo da reação, dos barões midiáticos e dos seus sabujos, e este custa caro.