terça-feira, 28 de julho de 2009

Conferência de Assistência Social mobiliza mais de mil pessoas



Quarta-feira - 01 de Julho de 2009 às 14:59


Conferência de Assistência Social mobiliza mais de mil pessoas



Mais de mil pessoas participaramdas nove miniconferências realizadas nos bairros para descentralizar asdiscussões sobre o Sistema Único de Assistência Social (Suas). Os encontrosprecederam a 6ª Conferência Municipal de Assistência Social, cuja aberturaaconteceu na última terça-feira (30), no Centro Municipal de EducaçãoAdamastor. O evento prossegue até a quinta-feira (2), das 8 às 17 horas, e temo objetivo de incentivar a participação popular no aperfeiçoamento daspolíticas públicas.


Segundo o secretário de Assistência Social de Guarulhos,Wagner Hosokawa, “a mobilização dá a certeza de que o Suas não está mais no plano dos sonhos, mas faz parte da realidade de todos os equipamentospúblicos”.


A diretora da SecretariaNacional de Assistência Social do MDS, Valéria Gonelli, elogiou as iniciativasdo município para incentivar a participação popular. “Cerca de 640 cidades doEstado estão realizando conferências preparatórias para a fase estadual enacional, mas Guarulhos saiu na frente com a realização de conferênciasregionais, ampliando o tempo de discussões. Isso representa um investimento nademocracia”, ressaltou.


Nesta quinta-feira (2) ainda serão eleitos os delegadosque vão representar as propostas da população, dos conselheiros e dosrepresentantes de entidades assistenciais nas próximas conferências estaduais.A entrada é gratuita.

Iniciativa da Secretária da Assistência Social promove encontro do prefeito com a populaçao em situaçao de rua


Almeida participa de café da manhã com moradores de rua

A Prefeitura está aumentando o diálogo com a população carente. Na manhã desta quarta-feira (27), mais de 100 moradores de rua participaram de um café-da-manhã com o prefeito e diversas autoridades das secretarias de Assistência Social e Cidadania, da Saúde, do Fundo Social de Solidariedade, e representantes de entidades de assistência ao morador em situação de rua.

Esse foi o primeiro encontro com moradores de rua na cidade. O objetivo era ouvir os problemas enfrentados por essa população para criar políticas públicas direcionadas e facilitar o acesso aos serviços básicos da Prefeitura, como encaminhamento para programas de transferência de renda, cursos profissionalizantes, cooperativas de trabalho e serviços de emissão de documentos.

O evento abriu espaço para os moradores de rua contarem suas histórias de vida, suas lembranças de pessoas que ainda se importam com elas e lhes dão apoio e expressarem as angústias que sentiam diante da discriminação. Lucas Henrique, que tem 20 anos, conta que desde os nove vive em situação de rua, com dependência química e com frustração por não cursar a tão sonhada faculdade de biologia. As solicitações mais urgentes são: abolição da taxa para emissão de documentos, criação de cooperativa de catadores de materiais recicláveis e ampliação de atendimento para dependentes químicos nos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps).

O prefeito Sebastião Almeida garantiu que sua gestão está comprometida com a construção de projetos sociais e disse que a iniciativa marca o início de um novo modelo de administração fundado no diálogo. O encontro deve se repetir no próximo dia 7 de julho, às 14 horas, no Centro Municipal de Educação Adamastor.

População discute políticas públicas de assistência social





Terça-feira - 26 de Maio de 2009 às 17:00




População discute políticas públicas de assistência social



Pela primeira vez em Guarulhos, a Prefeitura está realizando nove conferências e debates com o objetivo de ouvir da própria comunidade reclamações e sugestões para aperfeiçoar as políticas de assistência social do município. Na manhã desta terça-feira (26), aconteceu a abertura dos eventos no Adamastor Centro que contou com apresentações artísticas de música e dança de crianças e portadores de deficiência visual beneficiados pelas parcerias da Secretaria de Assistência Social e Cidadania. Os encontros ainda vão contemplar os bairros Itapegica, Cumbica, Presidente Dutra, Santos Dumont, São João, Acácio, Ponte Alta e Pimentas.

O próximo evento acontece nesta quarta-feira (27), das 9 às 12 horas, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do Itapegica, que fica na entidade Água e Vida (rua Leopoldo Cunha, 85, Gopoúva). A participação democrática deve ajudar a elaborar propostas que serão encaminhadas para a VI Conferência Municipal de Assistência Social, a ser realizada em junho. Posteriormente, as idéias vão se transformar em políticas que, independente da mudança de governo, serão aplicadas nas comunidades carentes.

Ainda em 2009, a conferência nacional e as conferências estaduais e municipais discutirão o tema “Participação e controle social no Sistema Único de Assistência Social (SUAS)”. Gestores, usuários e representantes de organizações não-governamentais, do governo e dos conselhos municipais participarão dos debates públicos.

A mobilização das pessoas nas conferências regionais permite que o poder público faça uma leitura da realidade local, levantando avanços e dificuldades. Com base nessa análise, será possível estabelecer estratégias para sinalizar caminhos de ruptura com as práticas desfavoráveis aos usuários do sistema de assistência social.

Governo Federal ampliará investimentos sociais em Guarulhos



Quinta-feira - 12 de Fevereiro de 2009 às 20:13


Governo Federal ampliará investimentos sociais em Guarulhos


O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, garantiu a ampliação de investimentos para programas sociais em Guarulhos. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira, em Brasília, durante encontro com o secretário municipal de Assistência Social, Wagner Hosokawa.

Além de apresentar os desafios da nova gestão, Hosokawa falou sobre a importância do atendimento aos moradores em situação de rua, do financiamento de medidas de proteção à criança e ao adolescente e das políticas de atenção integral nos abrigos municipais.

Patrus Ananias ressaltou as ações sociais do Governo Federal para combater os efeitos da crise econômica no Brasil e confirmou a ampliação de recursos para o município. “É importante fortalecer as parcerias, garantir investimentos e consolidar as ações sociais da segunda maior cidade do estado de São Paulo” afirmou. Também presente ao encontro, o senador Eduardo Suplicy assegurou que está disposto a reivindicar mais verbas para Guarulhos.

Uma das propostas discutidas em Brasília foi alinhar a agenda da Secretaria com o Governo Federal, além de dar continuidade ao processo de inclusão no município, que nos últimos oito anos aumentou de 3 mil para 108 mil o número de atendimentos nos programas de geração de renda.

Cidade comemora Dia do Assistente Social nesta sexta


Quinta-feira - 14 de Maio de 2009 às 15:33
Cidade comemora Dia do Assistente Social nesta sexta

Quinze de maio é dia do assistente social. Para homenagear esse profissional que defende os direitos de cidadania e intervém para diminuir as disparidades sociais, a Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Guarulhos vai promover um almoço de confraternização nesta sexta-feira (15), a partir das 11 horas, no Centro de Convivência do Idoso (avenida Salgado Filho, 1.732, Santa Mena). Mais de 40 profissionais da Secretaria serão homenageados por sua atuação direcionada ao bem-estar coletivo e a integração social em nossa cidade.
O trabalho do assistente social tem por objetivo garantir direitos e assistência para a população desamparada. Entre os principais campos de atuação profissional de um assistente social estão: redes de serviços sociais do governo; hospitais; escolas/creches; centros de convivência; administrações municipais, estaduais e federais; serviços de proteção judiciária; conselhos de direitos e de gestão; movimentos sociais. Além disso o assistente social orienta, planeja e ajuda a população a perceber sua capacidade de expansão e crescimento, para que aprendam a satisfazersuas necessidades e utilizar melhor seus próprios recursos. A profissão é regulamentada no Brasil pelo Conselho Federal de Serviço Social e seus respectivos Conselhos Regionais.

Assistentes Sociais comemoram o dia da profissional


20/05/2009
Assistentes Sociais comemoram o dia da profissional

O Grupo Expansão que é formado por Assistentes Sociais de várias empresas e órgãos públicos de Guarulhos e região, organizou no último dia 15 de maio, uma atividade no Hotel Santa Mônica, Cabuçú (Zona Norte) para comemorar o dia do profissional, que completa 50 anos de regulamentação. O evento contou com a participação do Wagner Hosokawa - secretário de Assistência Social e Cidadania de Guarulhos , as vereadoras Luiza Cordeiro (PCdoB) e Silvana Mesquita (PV), Firmino Manuel da Silva presidente da Associação Pelos Direitos da Pessoa Deficiente (ADPD) e Martinho Risso jornalista e militante do movimento social. Luiza, que também é Assistente Social, falou da Lei 6431/08, que institui o Serviço Social Escolar na Rede Municipal de Ensino. Em sua experiência como professora da Rede Pública e privada percebeu que muitos problemas de rendimento escolar estão relacionados as questões sócio-economicas requerendo um trabalho técnico e metodológico adequado, como visitas domiciliares, pois o educador por mais boa vontade não é o profissional indicado para esta abordagem. Que há muito campo para os Assistentes Sociais trabalharem na construção de um mundo melhor.
Hosokawa relembrou os desafios que a categoria enfrenta no dia-a-dia, exatamente por serem críticos e comprometidos com a justiça social, com a realização de direitos e com a ampliação da cidadania.

Jornal do Ministério do Desenvolvimento Social publica opinião de secretário da Assistência Social


O secretário municipal de Assistência
Social e Cidadania de Guarulhos
(SP), Wagner Hosokawa, defende
a contratação de profissionais
por meio de concursos públicos para
a consolidação do SUAS em todo o
País. “É importante para a manutenção
da política pública de assistência
social e a garantia dos vínculos dos
trabalhadores no sistema”, defende.

Cidade pode implantar Sistema Único de Assistência Social

Cidade pode implantar Sistema Único de Assistência Social

O secretário da Assistência Social, Wagner Hosokawa, participou nesta sexta-feira, dia 6, de reunião com o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), onde expôs as prioridades da pasta para este ano. Ele manifestou o desejo de implantar o quanto antes o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) em Guarulhos. O programa, criado em 2005 pelo Governo Federal, prevê a unificação dos programas sociais, como acontece hoje com o SUS (Sistema Único de Saúde).
Para aimplementação do SUAS na cidade, já estão sendo desenvolvidos processos de capacitação e construção coletiva para atender as exigências legais e conceituais do programa. O secretário também ressaltou a importância do Conselho como órgão de controle da sociedade, e colocou-se à disposição para ser parceiro em todas as demandas, com atenção especial ao Bolsa Família, cujos recursos, por orientação do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, são gerenciados pela entidade. “O CMAS é um instrumento para que a sociedade exerça o controle das ações do poder público na busca do interesse da comunidade”, concluiu Hosokawa.Formado por representantes da sociedade civil e do governo, com mandato de dois anos, o CMAS tem como principal função garantir a eficácia do Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS), que conta com recursos da Prefeitura e das esferas estadual e federal.

Atualizado em 09/02/2009 13:43:47
Publicado em 09/02/2009 11:24:06por Ass. de Imprensa/PMG

Militante Wagner Hosokawa assumirá a Assistência Social

Almeida anuncia 26 membros da nova equipe de governo: Militante Wagner Hosokawa assumirá a Assistência Social; Orlando Fantazini é confirmado na Habitação (17/12/09)

Renata MoreiraDa Redação

O prefeito eleito, Sebastião Almeida (PT), anunciou nesta quarta-feira (17) o nome de 26 integrantes do governo que se inicia em 1º de janeiro de 2009. Três titulares da gestão que está prestes a terminar foram mantidos no cargo: Nestor Seabra (Finanças), João Marques Luiz Neto (Obras) e João Roberto Rocha Moraes (Saae).
» Eleição de Almeida custou mais de R$ 4 milhões» Almeida nomeia mais cinco secretários» Almeida anuncia Derman na Saúde e Moacir na Educação
Fotos: João Machado


Uma das surpresas foi a escolha do assistente social Wagner Hosokawa para comandar a Secretaria de Assistência Social. Militante petista desde a adolescência, sempre pertenceu a correntes de cunho mais a esquerda no partido. Atualmente, Wagner é um dos integrantes do Fórum de Militantes em Defesa do PT. O professor de filosofia Samuel Vasconcelos Lopes foi escolhido para adjunto. Ele é vice-presidente do PT.

Na Habitação, o ex-deputado federal Orlando Fantazini foi confirmado como secretário e Arnaldo Francisco de Souza, como adjunto, conforme adiantou o Diário de Guarulhos no dia 13. "Essa foi uma escolha pessoal, porque o Orlando é um militante que passou pelo PT e é muito dedicado à justiça social", discursou Almeida, ao anunciá-lo.

Almeida também confirmou o nome dos advogados Severino José da Silva e Miguel Choueri, respectivamente secretário e adjunto de Assuntos Jurídicos. Essa indicação também foi antecipada pelo DG sua edição impressa desta quarta. Ambos são petistas e o primeiro teve uma atuação ativa durante a campanha eleitoral.

Foram anunciados também os secretários Marco Antonio Arroyo (Administração); Eder Marcos Paschoal, o Shel, (Comunicação); Hélio Arantes (Cultura); Álvaro Antonio Garruzzi (Desenvolvimento Urbano), Rafael Paredes (Chefe de Gabinete) e Genilda Bernardes como coordenadora do Fundo Social de Solidariedade, que será presidido por Lourdes de Almeida, mulher do prefeito.

Homens sem rostoidentidades perdidas de uma população no cárcere

Homens sem rostoidentidades perdidas de uma população no cárcere

autor: Wagner HosokawaAssistente Social formado pela PUC-SP
(artigo publuicado na revista PUC VIVA_versão completa no site: http://www.apropucsp.org.br/revista/r30_r10.htm)

Apresentação e análise

Conhecendo o sistema carcerário apenas pelo olhar da mídia, muitas vezes não observamos os rostos ou identidades dessas pessoas que perdem nomes e naturalidades, entre outros pertences da sua individualidade. O que é apresentado nos programas de linha policial a partir da lógica “mocinho e bandido” esconde a realidade presente na diária reprodução da ideologia dominante que limita as relações sociais, na sociedade capitalista contemporânea, e torna a população carcerária em meros casos que “infringem a ordem estabelecida pela legislação penal vigente”.
A criminalização da questão social não deve ser apontada apenas como uma manifestação pura e simples do individuo, mas como resultante dos aspectos sócio-econômicos, políticos e culturais pelos quais se apresenta. A própria reorientação do capitalismo na década de 1990, que aumenta sua acumulação via reestruturação produtiva, gera mudanças no processo de desenvolvimento industrial no Brasil, deslocando inclusive suas prioridades para o mercado financeiro, com métodos de produção cada vez mais dinâmicos, rápidos e quantitativos. Esses fatores reduzem significativamente os postos de trabalho, e sao elementos do período neoliberal em nosso país.
A alienação do trabalho alcançou um elevado estágio neste período da história, quando o individuo se individualiza, se desprende das idéia de coletivo e de vida comunitária, para se jogar à lógica da luta pela sobrevivência individualista. Como diz Ianni, “talvez se possa dizer que esse desencontro entre a sociedade e a economia seja um dos segredos da prosperidade dos negócios (no capitalismo moderno) (...) em outros termos, a mesma sociedade que fabrica a prosperidade econômica fabrica as desigualdades que constituem a questão social” (Ianni, 1991). Em relação a essa analise e à criminalização do indivíduo, observemos a opinião do Sr. Alberto Silva Franco, desembargador aposentado do TJ de São Paulo, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo (15/08/04), sobre a proposta de revisão da lei de crimes hediondos: “quem está num nível de miséria é um perturbador do sistema econômico. O Estado mínimo não está preocupado com o social (...).”
Isso se aplica ao modelo de Estado Mínimo adotado pelos governos desde o fim da década de 1980, num projeto que combina a desaceleração do desenvolvimento produtivo e o fortalecimento do mercado de capitais como política econômica na América Latina, inclusive no Brasil. Essa opção impôs uma idéia de que a melhor distribuição de renda acontece como conseqüência natural do crescimento econômico, da estabilidade monetária e do equilíbrio financeiro.
Passada mais de uma década, esse modelo não se mostrou eficaz, e mais uma vez ocorreu o seu inverso: aumento de desempregados na última década, queda de poder aquisitivo e renda e aumento dos crimes voltados contra o patrimônio.
Esta situação engendrou, como via possível, o subemprego, a informalidade, a mendicância, a dependência de programas de transferência de renda ou, em último caso, a criminalidade.
Buscamos, a partir desta compreensão da sociedade, partir para um estudo sobre a população carcerária, trazendo para o centro desse debate as particularidades de pessoas que, de forma diferenciada, tiveram suas vidas cruzadas pela situação do cárcere, e terão de aprender a ter uma nova convivência social, e buscar novos meios de sobrevivência no “mundo” muito restrito que é o da penitenciária.
Partimos dos mesmos pressupostos que direcionam o trabalho realizado pelo Instituto Terra Trabalho e Cidadania (ITTC)[1], que coordenou, de 1999 a 2001, uma pesquisa minuciosa para conhecer a população carcerária da penitenciaria Mário de Moura Albuquerque (P1, na cidade de Franco da Rocha-SP)[2].
Nosso objetivo aqui é construir um desenho das identidades dos presos para conhecê-los, individualmente e coletivamente, nas relações sociais existentes antes do delito e no dia-a-dia do cumprimento da pena. Nossa interrogação também diz respeito ao modo de estabelecer as relações com estas informações e criar possibilidades no processo de ressocialização dos presos.
A pesquisa, apesar da importância e riqueza dos seus dados, ainda não foi totalmente analisada ou organizada de forma completa, pois alguns elementos novos são atualizados pelo tempo, pelas mudanças na legislação, pelas penas já cumpridas ou deslocamento dos presos para outras unidades penitenciárias. Também é preciso considerar uma margem de diferença em alguns dados, devido à negativa ou desconhecimento do preso a respeito da questão apresentada pelo entrevistador. Assim, algumas análises não dizem respeito ao universo total pesquisado, mas esse cuidado foi adotado, para que não se generalize aquilo que se mostrou parcialmente na visão dos entrevistados.
Mesmo assim, as informações colaboram para apresentar um perfil de uma população, não reconhecida como formada por indivíduos que têm direitos, com um cotidiano desconhecido pelo próprio sistema penitenciário e pela sociedade.
No universo total da pesquisa[3], temos informações de caráter quantitativo e também questões abertas (de caráter qualitativo), sendo 327 os presos pesquisados.

Cress-SP discute reflexos da crise e divulga projeto ético-político no Fórum Social Mundial


Cress-SP vai ao Fórum Social Mundial reforçar o perfil da categoria as lutas encampadas e levar material informativo sobre direitos e serviços públicos Marina Pita e Fábio Nassif*
O Cress-SP foi ao Fórum Social Mundial (FSM) debater os desdobramentos da crise econômica, inclusive os impactos na assistência social, munido de material para informar os cidadãos de suas direitos, orientando como acessá-los. O folder preparado pelo Conselho apresentava também os princípios fundamentais do código de ética do serviço social, de forma a reforçar a opção da categoria por um projeto de sociedade.
“Nos dividimos pelas inúmeras oficinas, onde abordamos profissionais da nossa categoria que receberam com muito entusiasmo o material produzido pelo CRESS/SP justamente pela sua objetividade em pautar o contexto vivido pelos milhares de lutadores/as sociais presentes no FMS”, afirma Wagner Hosowaka, primeiro secretário do Cress-SP.
No contato com os demais participantes do Fórum, realizado em janeiro em Belém (PA), o Cress aproveitou para divulgar as atribuições e o perfil dos assistentes sociais no Brasil e as lutas encampadas pela categoria por meio do Conselho, tal como "Socializar a riqueza para combater a desigualdade", tema escolhido para o dia do Assistente Social.
O Cress-SP também esteve na atividade do Tribunal Popular dando continuidade à construção desse espaço de articulação de movimentos contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. Na ocasião foi apresentado o filme “O Tribunal Popular: O Estado Brasileiro no Banco dos Réus -um marco de resistência” e relatadas as sessões com a presença dos jurados do tribunal. Em seguida, foi realizada caminhada até comunidade próxima onde havia relatos de diversas formas de criminalização da pobreza.
A presidenta do Cress, Áurea Satomi Fuziwara, diz que a presença de mais de 120 “nações indígenas” foi um marco emocionante, expondo o genocídio e a violência contra as populações originárias, mas afirmando a soberania dos povos, as culturas tradicionais, a preservação dos recursos naturais.
Ela participou, por exemplo, da mesa “Convergências da crise e crise de civilização” em que se debateu a crise civilizatória para além da dinâmica economicista. Dentre os debatedores, Eric Troussant afirmou que a América Latina tem condições de utilizar suas reservas para a integração regional e o enfrentamento real da crise, que é estrutural e sistêmica. Para ele, a crise, que é climática, ambiental e financeira, não será realmente sanada sem a ruptura real com o capitalismo.
Para Raul Escobar, do Partido Comunista do México, que passou pela tenda de comemoração de 50 anos da Revolução Cubana, defendeu uma rápida articulação, face ao risco da direita assumir a frente da crise, alerta: “Estamos numa etapa defensiva, mas é preciso preparar urgente ofensiva”, afirmou. “A Tenda de Direitos Humanos esteve lotada todo o tempo, com denúncias dos ataques e homicídios contra os militantes”, lembra Áurea.
Outro momento marcante se deu na tenda Reforma Urbana, quando da elaboração coletiva da "Carta Mundial pelo Direito à Cidade" que vem sendo discutida pelos movimentos populares, organizações não governamentais, associações profissionais, fóruns e redes nacionais e internacionais da sociedade civil comprometidos com as lutas sociais por cidades justas, humanas e sustentáveis. “Este é também um compromisso do conjunto Cfess/Cress”, afirma Ivani Bragato, coordenadora do Núcleo Desenvolvimento Urbano e Direito à Cidade, na sede. A carta defende que o direito à cidade é de todos os habitantes, que buscam o desfrute equitativo da cidade dentro dos princípios de sustentabilidade, democracia, equidade e justiça social.
Ivani ainda pode acompanhar a mesa “Lutas pela Reforma Urbana: O Direito à Cidade como Alternativa ao Neoliberalismo”, que contou com a participação de David Harvey, geógrafo, professor da city University of New York e o Instituto de Formação e Assessoria em Políticas Sociais (POLIS).
Representantes do Cress-SP ainda participaram do encontro várias entidades pela Aliança Global Contra o Despejo. “Os despejos não estão acontecendo apenas em países como o Brasil. A Europa, em decorrência da crise econômica mundial, é obrigada a lidar com essa questão hoje. Por isso, houve participação de pessoas do mundo todo em busca de conhecer nossas práticas de políticas públicas urbanas”, conta Ivani.
Na avaliação de Cecília, o Fórum é um espaço aberto de encontros que estimula de forma descentralizada o debate, a reflexão, a formulação de proposta, a troca de experiências e a articulação entre organizações e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mais solidário, democrático e justo. Nele há plena diversidade de gêneros, etnias, culturas e gerações. “Por tanto, a presença do Cress/Cfess é importantíssimo no Fórum ou em qualquer espaço de luta”, afirma Cecilia.
Para Áurea, “O FSM, é ainda um espaço que possibilita expressões e é um esforço de diálogo. Sua importância é de ser um espaço que agregue as vozes e as forças na luta anticapitalista”.
Esteve presente no Fórum, como representantes dos demais profissionais do estado de São Paulo, a presidenta Áurea Satomi Fuziwara; o primeiro secretário Wagner Hosokawa; a diretora suplente Ivani Bragato; Cecília Barucco, diretora tesoureira da seccional do ABC e Selma Leite, diretora da seccional Sorocaba.
Cfess e Cress-PA promovem uma das atividades mais concorridas do Fórum
Lotadas. Assim ficaram as duas atividades organizadas pelo Cfess e pelo Cress do Pará no Fórum Social Mundial 2009: Direitos Humanos, Trabalho e Socialização da Riqueza no Brasil e Crítica ao Progresso Linear e Questão Ecológica em Marx e Engels. No debate, o trabalho gera recursos que deveriam ser investidos em assistência social e seu desvio para o pagamento dos juros da dívida.
A presidente do Cfess, Ivanete Boschetti, lembrou que a realidade brasileira seria outra se R$ 100 bilhões não fossem retirados do orçamento da seguridade social, nos últimos anos, para pagar os juros da dívida pública. Segundo ela, 40% da riqueza produzida pelos trabalhadores não ficam no país para promover os direitos sociais. E 56% dessa mesma riqueza estão nas mãos das classes mais ricas.
O trabalho, portanto, não vem servindo como fator de socialização da riqueza, mas para concentração do capital. Na opinião de Ivanete, é preciso garantir o direito ao trabalho, como forma de transformação da realidade e de bem estar social, sobretudo no âmbito das políticas de seguridade social (direito ao trabalho e trabalho com direitos, onde entra a seguridade social). No Brasil, porém, cerca de 50% da população economicamente ativa não tem carteira assinada, o que significa grande restrição a direitos como salário, férias e décimo terceiro, além de a previdência e saúde. Para Ivanete, a garantia do direito ao trabalho seria um mecanismo de regulação da economia e combate à crise.
O historiador Valério Arcary, que também participou da mesa Direitos Humanos, Trabalho e Socialização da Riqueza no Brasil, lembrou a pouca disposição da elite econômica em fazer concessões à classe trabalhadora. De forma que o modelo reformista de mudança da sociedade é praticamente inviabilizado.
Momentos de crise econômica, porém, impulsionam a luta dos trabalhadores à medida que as condições concretas de vida são degradadas, criando um momento histórico com potencial revolucionário.
Segundo o primeiro secretário, Wagner Hosokawa, todas as oficinas dirigidas prioritariamente à categoria foram muito concorridas, justamente pela linha de debate: “a crise do capital e os enfrentamentos que surgirão dessa nova reconfiguração geopolítica do mundo, sempre apontando que o tempo da luta precisa ser agora”. Para ele, “um bom exemplo é a oficina que abordou a questão do controle social sobre a política da assistência social e a importância de mobilização dos sujeitos sociais num maior rigor sobre a implantação da política pública”.
*Com informações do Cfess