sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

2013: que venha com a força e vontade de querer sempre mudanças, com novas idéias para todos e todas! É o que desejo a quem faz deste blog um instrumento de informação, você companheiro (a) leitor (a)



Eu tenho orgulho meu voto: Votei, votarei e voto pelo DESARMAMENTO. Um mundo de paz começa sem a necessidade de arma alguma. Nem para polícia, o bandido, o idiota da classe média na esquina, o segurança do rico...


EU TENHO ORGULHO DE NÃO FAZER PARTE DO SANGUE DERRAMADO NA ÚLTIMA CHACINA NA ESCOLA NOS ESTADOS UNIDOS.

Sinto a dor das famílias, mas eu não tenho a menor responsabilidade nisso. Nenhum. Não aceito de nenhum babaca mediano que diz que "todos temos que ter consciência", eu e muitos e muitas, brasileiros e brasileiras  demos uma resposta para paz: SIM AO DESARMAMENTO.

Para quem votou a serviço da indústria das armas, digo uma coisa:

OTÁRIO, LIBERDADE É NÃO HAVER ARMAS PARA QUE NINGUÉM SE MACHUQUE OU MORRA...

É verdade morrem muitas pessoas por arma de fogo no Brasil, mais do que nos EUA.

Mas já parou para pensar que a VIOLÊNCIA no Brasil tem raízes na desigualdade e não na cultura do desarmamento?

Ou melhor, que mesmo quem tem autorização para andar armado (digo principalmente as polícias), há uma pressão tão grande que se utiliza de forma irresponsável esse "direito"...quantos casos de policiais fora de serviço não souberam utilizar a arma de fogo em momentos de brigas banais de trânsito....

LIBERDADE NÃO É ANDAR ARMADO.

LIBERDADE É PODER DECIDIR JUNTOS AONDE SERÁ INVESTIDO NOSSAS RIQUEZAS...DE PODER APLICAR O DIREITO AO LAZER, SALÁRIO DIGNO...ENFIM AQUILO QUE PRECISA SAIR DO PAPEL (DE NOSSA CONSTITUIÇÃO.

CADA UM QUE FIQUE COM A SUA OPINIÃO...A MINHA É ESTA!


LEAIM AS MATÉRIAS NA IMPRENSA:

Xiiii, até a globo amiga das indústria da morte teve que dar cartaz ao debate do desarmamento nos EUA.

Edição do dia 17/12/2012

18/12/2012 00h42 - Atualizado em 18/12/2012 00h42

Mortos de chacina em escola dos EUA começam a ser enterrados
Tragédia terminou com 28 mortos.
Direito de possuir armas é garantido pela constituição americana.

Elaine BastNova York, EUA



Cresceu nos Estados Unidos o número de pessoas que acreditam que massacres como o da escola de Connecticut são reflexos de problemas maiores da sociedade, e não só do uso de armas. A tragédia terminou com 28 mortos.

A tarefa mais difícil para quem perdeu um filho: dizer adeus. Os pequenos Noah e Jack foram enterrados nesta segunda-feira (17), os primeiros em uma semana que ficará marcada por homenagens e funerais.

Ao contrário do que se imaginava, o atirador não tinha nenhuma relação com a escola primária que escolheu para o massacre. A polícia procura pistas no computador encontrado na casa dele e vai ouvir mais testemunhas para tentar esclarecer o motivo do ataque.

O presidente Barack Obama prometeu usar seu poder para engajar a sociedade em uma discussão sobre como evitar este tipo de tragédia. Foi a deixa para voltar o debate sobre o controle da venda de armas.

O direito de possuir armas é garantido pela constituição americana, mas a brutalidade do ataque fez crescer o apoio a uma regulação mais rígida, como mostra uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira. São 54% a favor de mais controle, a maior taxa em cinco anos. Já 43% são contra qualquer tipo de restrição.

O que mais surpreendeu na pesquisa é que a maioria da população agora acha que tragédias como a de Newtown não são casos isolados, mas um reflexo de problemas maiores da sociedade americana. Manifestantes fizeram um protesto em frente à sede da associação que representa a indústria de armas.

Um homem argumenta que quem mata não são as armas, e sim as pessoas. Temendo mudanças na lei, muita gente correu para as lojas de armas. “As vendas de armas no fim de semana foram recorde”, diz o vendedor.

Em meio à polêmica, a gafe de um jornal da Carolina do Sul chamou a atenção. A propaganda da loja de armas foi publicada ao lado da reportagem sobre o massacre. O jornal pediu desculpas pelo que chamou de "um erro terrível".

O prefeito de Nova York, um dos políticos mais engajados nessa discussão, voltou a defender a restrição ao comércio de armas. "O Congresso precisa banir urgentemente o uso dessas armas com grande poder de ataque”, afirmou Michael Bloomberg.



Edição do dia 18/12/2012

18/12/2012 09h23 - Atualizado em 18/12/2012 09h23

Aumenta número de americanos a favor do controle de armas

A brutalidade do massacre na cidade de Newtown trouxe à tona a discussão sobre a necessidade de regras mais rígidas para a comercialização de armas no país.


Elaine BastNova York, EUA



Nos Estados Unidos, a cidade de Newtown começa a se despedir das vítimas do massacre na escola de Sandy Hook. Uma pesquisa mostra que aumentou o número de americanos a favor do controle de armas, depois da tragédia em Connecticut.

Como consolar alguém que perdeu um filho? Lágrimas, abraços. Difícil se conformar quando a vida acaba tão cedo. Nesta segunda-feira aconteceram os primeiros funerais das vítimas do atirador.

Na memória, ficará sempre o sorriso meigo do pequeno Noah, de seis anos, descrito como a luz da família. “É inimaginável, horrível”, disse uma mulher que compareceu ao enterro.

Na segunda-feira (17), o chefe de polícia de Connecticut disse que, ao contrário do que se pensava, Adam Lanza não tinha nenhuma relação com a Escola Primária Sandy Hook. “Estamos tentando usar toda a nossa experiência e tecnologia para tentar entender porque e como isso aconteceu”, afirmou.

Questões que podem levar meses para serem respondidas, segundo a polícia. Aos poucos vão surgindo novos detalhes da família do atirador. A mãe dele havia comprado as armas para se defender, contou a cunhada de Nancy Lanza. Ironicamente, foi a primeira vítima delas.

De acordo com amigos, foi Nancy quem ensinou os filhos a usar as armas. E Adam, segundo eles, era cuidadoso ao usar o armamento. Era vegetariano porque se opunha à morte de animais.

A brutalidade do massacre trouxe à tona a discussão sobre a necessidade de regras mais rígidas para a comercialização de armas no país. Nos Estados Unidos, o direito de possuir armas é garantido pela Constituição.

De acordo com uma pesquisa divulgada, 54% dos americanos são a favor de um maior controle da venda de armas - o maior apoio em cinco anos. Mas 43% da população são contra qualquer tipo de restrição.

O que mais surpreendeu nessa pesquisa é que maioria das pessoas agora acredita que tragédias como a que aconteceu na escola primária de Newtown não podem ser vistas como casos isolados. Para elas, esses massacres são reflexo de problemas maiores da sociedade americana.

Vários manifestantes fizeram um protesto em frente à sede da associação que representa a indústria de armas. E gritavam: “Vergonha”.

Em meio à discussão, a gafe de um jornal da Carolina do Sul provocou polêmica nesta segunda-feira. A propaganda da loja de armas foi publicada ao lado da reportagem sobre o massacre. O jornal pediu desculpas pelo que chamou de “um erro terrível”.

O prefeito de Nova York, um dos políticos mais engajados nessa discussão, voltou a defender a restrição ao comércio de armas. “O Congresso precisa banir urgentemente o uso dessas armas com grande poder de ataque”, afirmou.

Ser de esquerda é ter posição. É hora de mudar critério de escolha da corte e fazer da defesa da constituição.

Nunca apoiei Zé Dirceu, sempre militei (e sou militante), da esquerda socialista do PT. Em todas as eleições internas tive posição e participei ativamente das chapas "Socialismo ou barbárie", "A esperança é vermelha"..., enfim, eu sei porque combati não Zé Dirceu, mas a prática política que levaria o PT a fazer alianças inclusive com o maior algoz do partido, "Bob Jerferson"  (dono do PTB, da tropa de choque do governo Collor, Fhc...)

Mas outra coisa é "vibrar" feito uma hiena idiota sem um pensamento critico sério sobre o que são os fatos e as decisões sobre o julgamento da Ação Penal 470, que discute o processo do "mensalão".

Muito bem vamos aos fatos:

As decisões são pressionadas pela mídia comercial e mercantil. Porque é o PT, é PT isso e aquilo. MUITO BEM, FHC COMPROU VOTOS NA APROVAÇÃO DA REELEIÇÃO....SILÊNCIO....SERGIO MOTTA (MINISTRO DAS TELECOMUNICAÇÕES) PROMOVEU A PRIVATIZAÇÃO MAIS FRAUDULENTA DA HISTÓRIA DO PAÍS ONDE MUITOS SÓCIOS HOJE SÃO TUCANOS AMIGOS NAS EMPRESAS...SILÊNCIO...EM SÃO PAULO TUCANOS TEM SOCIEDADE EM EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DO GOVERNO ESTADUAL...SILÊNCIO DOS MORTOS TOTAL NA IMPRENSA...E O MENSALÃO MINEIRO...(E DO DEM/PFL TAMBÉM)...SILÊNCIO....

Livro "Privataria tucana"...silêncio sobre os picos de venda deste que revela quem é o beneficiário do NOSSO DINHEIRO PÚBLICO no processo das privatizações...Serra, Alckimin...e na midia....SILÊNCIO...

E O MAIS ENGRAÇADO: QUEM INDICOU A MAIORIA DOS ATUAIS MINISTROS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL? LULA E DILMA (PARA VOCÊ ANTI PETISTA, BURRO E IDIOTA), SÓ UM PARTIDO COM POSTURA DEMOCRÁTICA INDICA QUEM HOJE CONDENA MEMBROS DO PRÓPRIO PARTIDO...QUE COISA NÃO!

LEIAM...O ARTIGO É BOM PARA REFLETIR...É O QUE MAIS FALTA NESTA ATUAL CONJUNTURA!



QUESTÕES DE ORDEM (publicado em 9 DE DEZEMBRO DE 2012, na fsp)


MARCELO COELHO ccoelhofsp@uol.com.br

Teorias, fatos, indícios


O ponto polêmico recai sobre a qualidade das provas usadas para incriminar José Dirceu

Corre na internet, em especial nos meios favoráveis a José Dirceu, a tese de que ele foi condenado sem provas, com base unicamente na teoria do domínio do fato, desenvolvida pelo jurista alemão Claus Roxin.

Em entrevista à Folha, Roxin disse uma obviedade: a de que ninguém pode ser condenado sem provas. A frase, que terminou indo para o título da reportagem, não se referia, é claro, ao julgamento do mensalão -caso de que Roxin não tinha o menor conhecimento. Mas serviu para fortalecer a ideia de que o Supremo Tribunal Federal, aplicando erradamente a teoria, condenou José Dirceu com base em meras suposições.

Nenhuma teoria é capaz de condenar ninguém. Pelo menos desde que se abandonou a concepção medieval da "responsabilidade objetiva". A saber, a ideia de que alguém deva ser punido não pelo que fez, mas sim pelo que é. Nesse gênero de retaliação, qualquer judeu poderia pagar pelos supostos "crimes dos judeus", apenas pelo fato de ser judeu.

A teoria do domínio do fato não se confunde com a tese da responsabilidade objetiva: isso foi dito e repetido nas sessões de julgamento do mensalão.

Na névoa que se criou em torno do assunto, o fato de Claus Roxin ser alemão contribuiu até mesmo para que se jogassem suspeitas sobre a legitimidade de sua teoria.

No caso de José Dirceu, vale lembrar que as alegações finais do Ministério Público, pedindo sua condenação, nem sequer citaram a teoria do domínio do fato. Considerou-se haver provas suficientes de que era o mandante do esquema, nada mais do que isso.

O problema é que os ministros do Supremo gostam de embelezar seus votos com citações a doutrinas que, por vezes, apenas reiteram o senso comum.

Luiz Fux e Celso de Mello, nos seus votos sobre José Dirceu, estenderam-se bastante sobre o pensamento de Claus Roxin; Ricardo Lewandowski, inocentando o ex-chefe da Casa Civil, manifestou sobretudo sua preocupação de que a teoria do domínio do fato venha a ser aplicada indiscriminadamente, nas instâncias inferiores, a partir do prestígio que estava ganhando no STF.

Suponha-se, disse Lewandowski, que aconteça um vazamento de petróleo num terminal da Petrobras. O risco é que, com base na teoria do domínio do fato, terminem condenando o presidente da empresa por causa disso.

Não faz sentido, respondeu Luiz Fux. Seria preciso provar que o presidente desejou, ordenou, o tal vazamento; que tinha poder de interrompê-lo, mas não quis que isso acontecesse.

É o bom senso.

O maior problema teórico na condenação de José Dirceu, se é que podemos chamar de teórico, não está na questão do domínio do fato; a teoria nem precisaria ser invocada, ressaltou o ministro Ayres Britto, e sua condenação viria do mesmo jeito. Nem o STF inova, insistiu Celso de Mello, nesse ponto. A teoria vem sendo aplicada no Brasil há décadas, disse ele em seu voto.

O ponto polêmico, na verdade, recai sobre a qualidade das provas utilizadas para incriminar José Dirceu. Não houve nenhum e-mail, nenhuma transcrição de conversa telefônica, nenhuma filmagem, provando claramente que ele deu ordens a Delúbio Soares para corromper parlamentares.

Houve declarações de testemunhas, segundo as quais os envolvidos diretos no esquema sempre telefonavam a José Dirceu para "bater o martelo".

Houve a circunstância de que Marcos Valério se encontrou com Delúbio Soares, José Dirceu e o presidente de um banco português, na Casa Civil. O encontro seria para tratar de investimentos turísticos na Bahia, alegou-se. Investimentos turísticos? Com Marcos Valério e Delúbio? Difícil de acreditar.

Houve a circunstância de que a ex-mulher de José Dirceu obteve, por intermédio de Marcos Valério, facilidades na compra de seu apartamento. Isso coroou o conjunto probatório contra José Dirceu, disse Luiz Fux. Não teve maior importância, avaliou por outro lado a ministra Cármen Lúcia.

Cada ministro expôs suas convicções. Para a minoria, os fatos não comprovavam de forma indubitável a culpa de José Dirceu. Para a maioria, duvidoso seria achar que Delúbio Soares sozinho tivesse organizado tudo, que a negociação da emenda sobre a reforma da Previdência tivesse sido conduzida apenas pelo ministro específico da pasta, que José Dirceu teve encontros com a presidente do Banco Rural, Kátia Rabello (intermediados por Marcos Valério) e não conversou sobre empréstimos ao PT.

Quando alguns juristas reprovam a condenação por "sinais e presunções", disse a ministra Rosa Weber, há de se entender que devem ser descartados os "sinais e presunções" que deixam lugar à dúvida. Mas quando as circunstâncias estão intimamente ligadas com o crime, chegando a formar convencimentos, a ressalva não se coloca; os indícios, as inferências, têm a claridade da luz.

Não para todos, evidentemente.

Royalties: o que está no solo pertence a quem? Para mim pertence aos brasileiros e brasileiras!

Reproduzo a opinião do colunista Janio de Freitas sobre a polêmica do pré-sal, o melhor exemplo da hipocrisia do Brasil "solidário", na verdade em matéria de riquezas nacionais, somos um país solitário (cada um por si)...

Lembro inclusive que a luta pela reestatização da Vale do Rio Doce, entregue aos interesses privados pelo governo corrupto e anti-patria de FHC ainda está sobre o olhar atento do ministério público federal e da produradoria federal...

Royalties? Para o povo, para educação, para saúde...e não para políticos corruptos e sangue sugas como o governador do RJ, Sergio Cabral...


02/12/2012 - 03h00
Arrastão político (publicado na fsp)


A pretendida eliminação dos contratos vigentes para a exploração do petróleo, e respectivos royalties, é uma nova modalidade de ação política por parlamentares, governadores e partidos, inspirada pela mentalidade que se dissemina no Brasil atual.

Agrupar-se em maioria para tomar bens e direitos de minoria surpreendida e indefesa é --na política, na praia, na rua-- arrastão. O lugar, a ocasião e o que é tomado (ou pretendem tomar) não faz diferença. Não mais do que a diferença entre o genérico e o remédio de marca, ou seja, o reduzido às suas condições verdadeiras e o protegido pelo facilitário das leis privilegiantes.

Foi fundamental para a sustentação do governo Lula, nos seus primórdios, a garantia de respeito integral a todos os contratos deixados pelo antecessor. A submissão aos contratos foi repetida ao longo do governo como uma ladainha. E transferiu-se como parte do mandato a Dilma Rousseff, passando, nesta etapa, a ser visto também como princípio pessoal da presidente.

Na praia e nas vias públicas, a horda atira-se ao arrastão sem meio de defesa das desavisadas vítimas, que se supõem protegidas pelo direito legal de estar onde estão. Da praia ao mar: o que dois ou três Estados produtores e retribuídos pelos royalties, com tal direito supostamente assegurado pela legislação, podem fazer em defesa desse direito se mais 23 ou 24 Estados agrupam-se para tomar-lhe a retribuição?

Não faz diferença se a arma para tanto é o voto na Câmara e no Senado e, na praia e na via pública, é outra. O voto parlamentar, por si só, não confere moralidade nem legitimidade. Durante 21 anos --para não discutir possíveis exemplos menos distantes--, os votos de Câmara e Senado consagraram indignidades por motivos, eles mesmos, os mais sórdidos.

Compete à União transferir em verbas ou serviços, aos Estados não produtores, a sua quota de recebimento pela exploração de bens nacionais.

O fato sem precedente, em tempo algum, de negar-se a um Estado o domínio do patrimônio natural de seu território, para transferir os benefícios a outros, nega a própria federação que define a ordem institucional do país. Até no nome República Federativa do Brasil.

Os arrastões pré-políticos levam os bens e o direito da pessoa. O arrastão político leva também a Constituição.

SUPREMA

Os ministros do Supremo não se entenderam muito bem em torno de confissão e colaboração. Deu no mesmo: queriam conceder a Roberto Jefferson o benefício da delação premiada e o concederam. Nem um dia de cárcere.

Decisão interessante para os conceitos de Justiça. A acusação inaugural de Jefferson era, de fato, uma forma de cobrança dos milhões que queria receber do PT. Não os recebeu mesmo, e na CPI fez, em represália, as acusações que silenciara. Daí não admitir, com certa razão, que seja delator. Interpretação muito original, portanto, a de que fez por merecer o prêmio.


Janio de Freitas

Gravidez mostra que o que interessa à realeza é o útero de Kate

Este artigo é de 09/12/12 da fsp, reproduzo porque é exatamente o que penso da monarquia - retrograda, atrasada, conservadora (da pior espécie), autocrática (contraditório até para os cristãos que não acreditam em ninguém maior que deus, imagine uma "realeza" falida)...

A manutenção desse status idiota só presta para manter "soberanos" otários sob os gastos fúteis de uma monarquia de representação, ja que o parlamentarismo e a democracia a muito tempo fazem a gestão pública do Estado-Nação.

Eu sou pela democracia, pela participação e se creio em um regime? Sim, do poder popular...sou assembleista, sou verticalista no processo decisório, sou pelo coletivo...(que de fato pouco existem como experiências de governo e nada existem enquanto (ainda) sistema de poder)

Adorei a critica (abaixo), principalmente pela forma MACHISTA e CANALHA como a monarquia trata as mulheres....


Gravidez mostra que o que interessa à realeza é o útero de Kate

BARBARA GANCIACOLUNISTA DA FOLHA

SE VOCÊ PRETENDE APOSTAR NO NOME DO HERDEIRO, NÃO TENTE NADA MUITO OUSADO; FRODO OU JUSTIN BIEBER 1º ESTÃO FORA DE QUESTÃO


Se alguém tinha dúvida sobre as utilidades de uma ex-plebeia transformada em duquesa que se casa com o herdeiro em linha direta do trono britânico, ela terá sido dissipada nos últimos meses.

Tamanha foi a especulação sobre quando, se e em que circunstâncias se daria o anúncio do nascimento do primogênito dos duques de Cambridge -e tanta tinta foi despendida elucubrando sobre a possibilidade de o casal não poder, não querer ou ter motivos misteriosos para rejeitar a paternidade- que não sobrou nenhuma ilusão sobre o papel que de fato cabe a Kate na estrutura da família real. Curto e grosso: o que interessa ali é seu útero.

E você pensando, meu caro leitor, que ela só tinha que andar, sorrir e abanar a mãozinha. Ou você, noiva à procura do vestido dos sonhos, achando que ela seria sua inspiração. Veja só o equívoco.

Há ainda a indústria da moda, que enxergava em Kate uma embaixatriz da produção "made in England", muito útil na hora de incrementar as vendas de modelitos "high-low". Tudo engano. A duquesa existe para dar prosseguimento ao show.

E a possibilidade de não haver um descendente direto de William já estava começando a deixar os súditos com urticária. É alerta vermelho com sirene de furacão de máxima potência! Já pensou o risco de ver uma das filhas do príncipe Andrew -como se chamam mesmo, Drizela e Anastácia?- coroadas?

Elizabeth engravidou de Charles logo depois de se casar com Philip. Diana a imitou dando à luz William em 21 de julho de 1982, 11 meses depois do casamento.

Nos quatro meses entre cerimônia e anúncio da gravidez, despreparada que só para as pressões do cargo, a defunta princesa de Gales disparou: "O mundo inteiro está de olho na minha barriga".

Kate é muito melhor assessorada (os Windsor são conhecidos unhas de fome, mas diante de tantos equívocos resolveram gastar em relações-públicas e, como se vê, os resultados têm surgido). Ela não dá opiniões em público.

Ninguém sabe o que pensa sobre Chelsea ou Manchester United, se tem bulimia ou anorexia, se sente vontade de se jogar da escada ou se acredita que exista gente demais no seu leito matrimonial.

A informação oficial foi a de que o casal demorou mais que o habitual (18 meses desde o casamento) para anunciar a gravidez para não interferir nas comemorações do Jubileu da rainha e porque estavam de mudança para Londres -para o palácio de Kensington, onde William e seu irmão, Harry, cresceram.

Uma dica: se você pretende fazer uma fezinha no nome do futuro herdeiro/a nas casas de apostas londrinas, sugiro que não tente nada muito ousado. Rei Nigel, Frodo, Usain ou Justin Bieber 1º estão fora de questão, bem como rainha Rihanna, Ke$ha, Selena ou Bruna Surfistinha.

Talvez não renda muito, mas nomes de reis e rainhas britânicos dificilmente fogem à regra: Elizabeth, George, James, Edward, Victoria, Henry, Mary, William, Charles, Arthur ou John são os cristianíssimos que mais emplacam.

Richard foi abandonado por um certo tabu em relação à matança de sobrinhos a fim de ascender ao trono. Margaret também não deve ser usado num futuro próximo, devido ao frescor da lembrança que os caprichos da mimadíssima irmã de Elizabeth ainda trazem a traumatizados membros da Corte de St. James.

O nome Diana também pode ser uma boa pedida. Mas eu só arriscaria essa aposta na eventualidade de a rainha já estar enterrada a sete palmos no dia do nascimento.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

DEFINIÇÃO DO SOCIALISMO PELAS LETRAS DE: Vai de Madureira - Zeca Baleiro




Vai de Madureira
Zeca Baleiro


Se não tem água Perrier eu não vou me aperrear
Se tiver o que comer não precisa caviar
Se faltar molho rose no dendê vou me acabar
Se não tem Moet Chandon, cachaça vai apanhar

Esquece Ilhas Caiman deposita em Paquetá
Se não posso um Cordon Bleu, cabidela e vatapá
Quem não tem Las Vegas, vai no bingo de Irajá
Quem não tem Beverly Hills, mora no BNH

Quem não pode, quem não pode
Nova York vai de Madureira

Se não tem Empório Armani
Não importa vou na Creuza costureira do oitavo andar
Se não rola aquele almoço no Fasano
Vou na vila, vou comer a feijoada da Zilá

Só ponho Reebok no meu samba
Quando a sola do meu Bamba chegar ao fim

Eu Despedi O Meu Patrão - música e letra Zeca Baleiro



Eu Despedi O Meu Patrão
Zeca Baleiro


-Eu Despedi O Meu Patrão!

Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego...(2x)

Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vazia
Eu despedi o meu patrão...

-Eu Despedi O Meu Patrão!

Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego...(2x)

Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vadia
Eu despedi o meu patrão...

-Eu Despedi O Meu Patrão!

Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego...(2x)

Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vazia
Eu despedi o meu patrão...

Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego...(2x)

Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vadia
Eu despedi o meu patrão...

Não acreditem!
No primeiro mundo
Não acreditem!
No primeiro mundo
Só acreditem!
No seu próprio mundo
Só acreditem!
No seu próprio mundo...

Seu próprio mundo
É o verdadeiro
Meu primeiro mundo
Não!
Seu próprio mundo
É o verdadeiro
Meu primeiro mundo
Não!
Seu próprio mundo
É o verdadeiro
Primeiro mundo
Então!...

Mande embora
Mande embora agora
Mande embora
Mande embora agora
O seu patrão
Seu patrão (O seu patrão!)
Mande embora
Mande embora agora
Mande embora, agora
Mande embora o seu patrão
O seu patrão...

Ele não pode pagar
O preço que vale
A tua pobre vida
Oh Meu!
Oh Meu irmão!...(2x)

(Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.)

Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego...(5x)

Eu Despedi O Meu Patrão!



* A parte em parênteses é trecho de soneto de Gregório de Mattos,
poeta bahiano barroco *

domingo, 9 de dezembro de 2012

Revista alerta para golpe direitista.




“…a leitura de um dos mais qualificados arautos da direita golpista. Merval Pereira não se confunde com Carlos Lacerda, mas na semana passada avisou não ser o caso de isentar Dilma das denúncias de corrupção, presentes e passadas”. 

A revista Carta Capital abre capa esta semana para o Instituto Millenium, think tank brasileiro , com capital transnacional, como o foram o Ibad e o Ipes, na conspiração contra o presidente João Goulart, em 1964. Ele estaria lançando as bases para um golpe de Estado, desta vez de escala continental, já que suas inspirações seriam os movimentos da argentina Cristina Kirchner e o venezuelano Hugo Chávez. Em “A velha cara da nova direita – Do Milenium aos jovens reacionários, o Brasil volta, ao passado, o jornalista Leandro Fortes penetra nos segredos deste novo laboratório golpista, e dando nomes e funções de ” um batalhão de 180 “especialistas”, profissionais de diversas áreas, entre eles os jornalistas José Nêumane Pinto, o historiador Roberto Damatta e o economista Rodrigo Constantino”.

” A tropa é comandada” – diz matéria de capa – “pelo jornalista Eurípedes de Alcântara, diretor de redação da revista Veja, publicação onde, semanalmente, o Millenium vê seus evangelhos e autos de fé renovados. Alcântara é um dos dois titulares do Conselho Editorial da entidade. O outro é Antônio Carlos Pereira, editorialista de O Estado de São Paulo… A dupla de jornalistas representa dois dos quatro conglomerados de mídia que formam a bússola ideológica da entidade, a Editora Abril eo Grupo Estado. Os demais são a Organizações Globo e a Rede Brasil Sul (RBS)”.

Carta Capital que dedica grande parte de suas páginas ao assunto, ainda conclui: ” Em 2010, graças à adesão maciça de empresários e doadores antipetistas em geral, a arrecadação do Millenium dobrou. A receita no ano eleitoral foi de um milhão de reais, dos quais 65% vieram de doações de e, com superavit de 153,9 mil reais.mpresas privadas. O número de funcionários remunerados quase dobrou… e as contas fecharam no azul” Leandro Fortes ainda divide o instituto em três categorias, dando foto e nomes ods responsáveis: 1) Os ” Especialistas”: Giambiagi, o argentino das contas pública; Lamounier, o figurino dos anos 1960 no século XXI; Villa (Marco Antônio), o ” intelectual” preferido da mídia; 2) os economistas: Franco (Gustavo, ex-presidente do Bando Central de FHC) e Fraga (Armínio, também presidente do BC da época FHC e financista internacional ligado a Georges Soros; e 3) Os comediantes: Madureira, o principal jornalista da turma: Mainardi (Diogo), “sua covardia o levou a se esconder na Itália; e Azevedo (Reinaldo, principal articulista da Veja On Line), “hilário”. A reportagem ainda não está disponibilizado no site da Carta Capital, mas,no editorial, intitulado ” Aonde eles pretendem chegar”, o diretor da revista Mino Carta dá algumas indicações:

”Há qualquer coisa no ar que me excita negativamente e me induz a pensamentos sombrios, algo a recordar tempos turvos, idos e vividos. É a lembrança de toda uma década, espraiada malignamente entre o suicídio de Getúlio Vargas e o golpe de 1964, aquele executado pelos gendarmes da casa-grande, e exército de ocupação. Dez anos a fio, a mídia nativa vociferou contra líderes democraticamente eleitos e se expandiu em retórica golpista logo após a renúncia de Jânio Quadros.

Muita água passou debaixo das pontes, embora algumas delas levem o nome de ditadores e até de torturadores, mas o tom atual desfraldado à larga pelos barões midiáticos e seus sabujos não deixa de evocar um passado que preferiria ver enterrado. Talvez esteja, de alguma forma, mesmo porque as personagens têm outra dimensão. Os propósitos são, porém, semelhantes, segundo meus intrigados botões. Acabava de lhes perguntar: qual será o propósito destes comunicadores, tão compactamente unidos no ataque concentrado ao PT no governo? Qual é o alvo derradeiro?

A memória traz à tona Jango Goulart e Leonel Brizola, a possibilidade de uma mudança, por mais remota, e os alertas uivantes quanto ao avanço da marcha da subversão. Os temas agora são outros, igual é o timbre. Além disso, na comparação, mudança houve, a despeito de todas as cautelas e do engajamento tucano, com a eleição de Lula e Dilma Rousseff. Progressos sociais e econômicos aconteceram. O ex-presidente tornou-se o “cara” do povo brasileiro e do mundo, a presidenta, se as eleições presidenciais se dessem hoje, ganharia com 70% dos votos.

Percebe-se, também, a ausência de Carlos Lacerda. Ao menos, o torquemada de Getúlio e Jânio lidava melhor com o vernáculo do que os medíocres inquisidores de hoje. Medíocres? Toscos, primários, sempre certos da audiência dos titulares e dos aspirantes do privilégio, em perfeita sintonia com sua própria ignorância. Contamos, isto sim, com o Instituto Millenium. Há quem enxergue na misteriosa entidade, apoiada inclusive com empresários tidos como próximos do governo, uma exumação do Ibad e do Ipes, usinas da ideologia fascistoide que foi plataforma de lançamento do golpe de 64.

Até onde vai a parvoíce e onde começa o fingimento? É possível que graúdos representantes do poder econômico não se apercebam das responsabilidades e alcances da sua adesão ao insondável Millenium? Ou estariam eles incluídos na derradeira prece de Cristo na cruz: perdoe-os, Pai, eles não sabem o que fazem? Que o golpismo da mídia da casa-grande seja irreversível é do conhecimento do mundo mineral. Causa espécie o envolvimento de personalidades aparentemente voltadas aos interesses do País em lugar daqueles da minoria.

….E à presidenta, que CartaCapital apoiou e apoia, recomendamos a leitura de um dos mais qualificados arautos da direita golpista. Merval Pereira não se confunde com Carlos Lacerda, mas na semana passada avisou não ser o caso de isentar Dilma das denúncias de corrupção, presentes e passadas. Está clara a intenção de aplicar à presidenta a tese do domínio do fato”.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Por uma escola de governo urgente!



16 anos governando uma cidade que traz mais de 450 anos de história de atraso político, social e econômico. Pouco ou muito tempo para resolver problemas que vem ao longo da sua trajetória histórica?

O debate é quente!

Aos pessimistas, oposicionistas ao governo atual, novos moradores, gerações que cresceram ao longo desse tempo diriam que 16 anos é tempo suficiente para transformar um município, diante da sua arrecadação e tamanho.

Outros defensores da continuidade do governo do momento, a população beneficiada e os sujeitos que viveram a história da cidade dirão com força que 16 anos são insuficientes diante das dividas financeiras e sociais herdadas da corrupção e de corruptos.

Entre meias verdades temos a certeza que Guarulhos ainda possui desafios com inúmeras comunidades vivendo precariamente em favelas, o baixo atendimento em creches, o numero insuficiente de funcionários públicos para o melhor atendimento a população, crescimento urbano e expansão sem critérios claros, a violência urbana, o transporte público eterno vilão do dia a dia, enfim, se não houvesse desafios não haveria compromissos e plano de governo apresentados pelo companheiro prefeito, Sebastião Almeida.

A questão que me move agora, depois da euforia da vitoria eleitoral é olhar para uma cidade renovada e diferente daquela em que se vivia a 20 anos atrás com vacas sendo conduzidas por sitiantes pela estrada de terra que leva hoje ao Parque da Transguarulhense ou no total abandono visível a 12 anos atrás na avenida Jurema no Pimentas. Eu vivi essa cidade que passou por grandes mudanças, promovidas sim, pelo governo do PT.

Agora a pulga que nos incomoda depois de 12 anos governando (indo para mais quatro), é qual o saldo político que tivemos para além dos mais de 115 mil votos de legenda e 15 mil filiados (as)?

Quantos militantes foram incentivados a estudar, se formar e contribuir para pensar políticas públicas em nossa cidade?

Quais experiências de políticas realizamos e que são estudadas, conhecidas ou tem a contribuição da militância política do partido?

Quantos petistas conhecem de fato a organização administrativa da prefeitura, os trâmites principais, os caminhos legais  e as nossas ações, programas e projetos?

Quantos quadros políticos formamos para substituir pessoas em funções chaves (importantes para o funcionamento da máquina), uma vez que todos (as) somos seres humanos que adoecemos e morremos como conseqüência natural da vida.

Quais ações ousadas e necessárias serão ainda preciso fazer para tornar a máquina mais eficiente na execução das políticas públicas na cidade?

Todas essas e outras perguntas dependem de uma posição que não pode ser debitada no prefeito, nem em Eloi e nem em Almeida. Essa responsabilidade é coletiva e partidária.

As chamadas escolas de governo criadas pelas primeiras prefeituras do PT tinham como objetivo fortalecer, aprimorar e consolidar os avanços nas políticas locais, valorizando servidores públicos com ética política no exercício das suas funções, militantes que poderiam apoiar ou substituir outros para continuar o projeto político em curso.

Mesmo a Escola de Sociologia e Política de São Paulo, que reúne intelectuais das mais variadas posições ideológicas surge num momento histórico que se exigia a formação de quadros políticos, pessoas voltadas para políticas públicas.

Não quero fazer critica a ninguém e nem a nenhuma ação do nosso governo, mas quero poder lembrar que todos somos substituíveis em nossas tarefas e que governar exige também dar respostas a população que nos creditará ou não um novo mandato. Na democracia não há eternidade, mas há alternância.

O que é preciso fazer agora é um balanço dos nossos 12 anos de governo. Um balanço que seja geral partindo da cidade como um todo e seus grandes desafios e especifica partindo para políticas públicas que precisam se consolidar e outras a serem criadas.

Redirecionar o debate sobre o futuro da cidade para o partido e nele a responsabilidade de reunir uma avaliação fria e necessária dos quadros da administração, de políticas de carreira e cargos que permitam formar servidores públicos que compreendam o projeto político em jogo. E não apenas as alianças.

De nada adianta uma Câmara de vereadores azeitada frente uma prefeitura engessada nos seus pontos estratégicos. Se temos oposição, nada impede que ela se enraíze na máquina.
E não proponho a mágica de fazermos ou fundarmos uma escola de governo, mas repito: “precisamos de um bom balanço de qual é a cidade temos? O que fizemos nela? Quais desafios vamos enfrentar? E como podemos nos transformar e revolucionar sem perder o horizonte da continuidade de governo a serviço das mudanças necessárias?"

Escola de governo não representa  a “arca de Noé” para o governo. Seu papel é depurar dos nossos mais de 15 mil filiados (as), e saber quais são os militantes dispostos a socializar o que sabem e outros aprenderem o que é preciso para fazer com que o projeto político que governa Guarulhos possa ser reconhecido para estar à frente o tempo que for necessário.

Wagner Hosokawa – militante da Esquerda Popular Socialista, tendência interna do PT. Foi membro do DM, da Executiva da macroregião, Secretário da Assistencia Social e Coordenador da Juventude no governo. É mestre em Serviço Social pela PUC/SP e servidor público municipal.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Coerencia e manifestações contra o autoritarismo na PUC/SP. Democracia chanceler D. Odilio, democracia!


Orgulho, é assim que eu defino o encaminhamento que recebi dos professores da UFF do colegiado de
professores do curso de Serviço Social, até porque e inclusive lá esta uma das minhas mentoras, prof. Cristina Brites referência tanto para o serviço social como para PUC/SP.

Reproduzo a moçao abaixo:


MOÇÃO DE REPÚDIO AO AUTORITARISMO DO GRÃO CHANCELER DA PUC/SP,
D. ODILO SCHERER

O Colegiado do Curso de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense, Polo de Rio
das Ostras, reunido em 14 de novembro de 2012, aprovou, por unanimidade, moção de repúdio à
atitude autoritária do Grão Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, D. Odilo
Scherer, pela nomeação arbitrária da candidata menos votada nas últimas eleições ao cargo de
Reitor da PUC/SP.

Ao nomear Reitora da PUC/SP a Professora Anna Cintra, D. Odilo Scherer, contraria a
decisão soberana das urnas manifestada pela comunidade acadêmica da PUC/SP, desrespeita a
histórica tradição democrática dessa Instituição de Ensino, que inspira e inspirou docentes e
universitários de todo o país e viola abertamente a autonomia universitária.

Nosso colegiado apoia a luta da comunidade acadêmica da PUC/SP em defesa dos princípios
democráticos dessa Instituição; apoia sua decisão de não reconhecer a Professora Anna Cintra como
Reitora e, mais uma vez, repudia veementemente o autoritarismo e a arbitrariedade que
comprometem a imagem da Fundação São Paulo, contrariam o caráter comunitário dessa
Universidade, violam direitos e os princípios e diretrizes do Projeto Institucional de Educação da
PUC/SP.

Rio das Ostras, 14 de novembro de 2012.
Colegiado do Curso de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense.



MANIFESTO
EM DEFESA DA DEMOCRACIA NA PUC-SP
fonte: http://www.apropucsp.org.br/

Em 13 de novembro de 2012 a comunidade de professores, estudantes e funcionários foi surpreendida pela escolha e nomeação, pelo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, da professora Anna Maria Cintra, terceira e ultima colocada na eleição para a Reitoria, contrariando o processo democrático de escolha que decidiu pela reeleição do professor Dirceu de Mello. Ainda que o Estatuto da PUC indique que a decisão do Cardeal esteja dentro da legalidade, a legitimidade de toda a história de lutas e conquistas de professores, estudantes e funcionários foi desconsiderada.

Os últimos anos não foram dos mais felizes para a PUC-SP. Demissões em massa; apelo à invasão policial; “maximização” dos contratos de trabalho; contratos diferenciados para quem docentes e funcionários que exercem as mesmas funções; aumento das mensalidades; estatutos mais autoritários.

O impedimento da posse do eleito, professor Dirceu de Mello, e a nomeação da última colocada, professora Anna Cintra, constituem um retrocesso político-acadêmico, uma péssima sinalização para a sociedade brasileira, um grave precedente que afeta o conjunto da universidade e o exercício de uma desalentadora pedagogia política, especialmente os jovens que não viveram tempos sombrios da época em que nossas conquistas democráticas se iniciaram. Em um grave momento no qual se decide o futuro da PUC-SP, esperamos que a professora Anna Cintra não se preste a este trabalho de demolição institucional.

Nossa luta, que se amplia cada vez mais, chama todos à unidade em defesa da democracia, para além de disputas eleitorais já encerradas. Congrega professores, funcionários administrativos e estudantes, independentemente das candidaturas que cada um sufragou ou rejeitou. Trata-se de defender um processo democrático que, claro, merece avançar. Retroagir, jamais!

Com determinação e tranquilidade, resistiremos.

Todos à greve geral!

Assembleia de professores na quarta-feira, 21 de novembro, às 17:00 na.sala 333

E, em seguida, todos ao ato político às 20:00 horas no TUCA!

domingo, 18 de novembro de 2012

Wallerstein: “nenhum sistema é para sempre”

Boa critica e analise sobre a crise do capitalismo, leiam...


Wallerstein: “nenhum sistema é para sempre”

Por: admin - 12/11/2012.

Para sociólogo, capitalismo não sobreviverá à crise, mas o que emergirá é imprevisível. Por isso, próximas décadas serão cruciais
Entrevista a por Lee Su-hoon | Tradução: Hugo Albuquerque Inês Castilho
Em dois sentidos, pelo menos, o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerestein parece disposto a contrariar as ideias que ainda predominam sobre a crise iniciada em 2007. Primeiro, no diagnóstico do fenômeno. Para ele, estamos diante de algo muito mais profundo que uma mera turbulência financeira. Foram abaladas as bases do próprio capitalismo. Ou, para usar um conceito caro a Wallerstein, do “sistema-mundo” que se desenhou a partir do século 16, em algumas partes da Europa, e se tornou globalmente hegemônico desde os anos 1800. Tal sistema teria atingido “o limite de suas possibilidades”, sendo incapaz de sobreviver à crise atual. Se ainda temos dificuldade para compreender o alcance das transformações em curso é porque, presos à inércia, demoramos a aceitar que “há alguns dilemas insolúveis”. “Nada dura para sempre – nem o Universo”, lembra Wallerstein, um tanto irônico.
O segundo ponto de vista não-convencional deste sociólogo – também um pesquisador de enorme repercussão internacional nos terrenos da História e da Geopolítica – diz respeito ao que virá, diante do eventual colapso do atual sistema-mundo. Ele diverge dos que pensam, baseados numa interpretação pouco refinada do marxismo, que podemos permanecer tranquilos – já que o declínio do sistema atual dará necessariamente lugar a uma ordem fraterna e socialista.
Não – diz Wallerstein – o futuro está mais aberto que nunca. O declínio do capitalismo pode abrir espaço, inclusive, a um sistema mais desumano – como sugere a forte presença, em todo o mundo, de correntes de pensamento autoritárias e xenófobas.
Estamos, portanto, condenados à ação, sugere este pensador, em cuja obra destaca-se a tetralogia “O Sistema Mundial Moderno”. Se o sentido do século 21 é imprevisível, isso deve-se ao fato de ele estar sendo construído neste exato momento, “em uma infinidade de nano-ações, desempenhadas por uma infinidade de nano-atores, em múltiplos nano-momentos. Em outras palavras, convoca Wallerstein, não se trata de prever o futuro, mas deconstruí-lo, inclusive em ações e atitudes quotidianas.
Para transformar, contudo, é preciso conhecer. Talvez por isso, embora aos 83 anos e consagrado por vasta obra teórica, Wallerstein dedica-se, em seu site, a análises quinzenais sobre temas contemporâneos muito concretos. Boa parte do material produzindo nos últimos dois anos traduzida e publicada por “Outras Palavras”. Entrevistado há poucas semanas pelo cientista político coreano Lee Su-hoon, ele avança no exame destes temas, muitas vezes expressando pontos de vista pouco usuais.
Indigado sobre a Europa, onde os cortes de direitos sociais e serviços públicos parecem não têm fim, propõe que se busque alternativas olhando, por exemplo, para a Argentina e Malásia. Estes países saíram da crise porque contrariaram, nas décadas de 1990 e 2000. Agora, pensa Wallerstein, o espaço para fazê-lo é ainda maior – mas é preciso ter coragem política.
O mundo irá tornar-se mais seguro se o Irã for impedido de desenvolver energia atômica? A resposta é “não”, garante este professor da Universidade de Yale: o atual Tratado de Não-Proliferação nuclear (TNP) é absolutamente hipócrita e será cada vez mais ineficaz. Contra o que ele preconiza, prevê Wallerstein, diversos países do Sul desenvolverão armas atômicas nos próximos anos – inclusive o Brasil…
China e Estados Unidos tendem a se converter em potências globais inimigas? Nada demonstra esta hipótese, frisa ele. A despeito da retórica, e da necessidade de satisfazer audiências locais, na prática Washington e Beijing mantêm cada vez mais interesses em comum. A entrevista completa, publicada pelo ótimo jornal sul-coreanoHankioreh, vem a seguir. (A.M.)

Lee Su-hoon: Você disse: “Nos próximos 50 anos o mundo vai mergulhar em uma turbulência econômica séria e, mais tarde, o capitalismo vai enfrentar uma crise tremenda, como a da Grande Depressão”. As pessoas dizem que a crise se deve à ganância de Wall Street e à bolha imobiliária etc. Como você analisa essa crise?
Wallerstein: Faz cinco anos que eu não mudo de opinião. Basicamente, a meu ver, estamos em uma crise estrutural da economia capitalista mundial desde os anos 1970, e ela vai continuar. E não vai ser totalmente resolvida até talvez 2040 ou 2050. É difícil prever a data exata, mas vai levar muito tempo. No momento, o sistema mundial está bifurcado. Tem problemas de tal magnitude que não poderá sobreviver, está tão longe do equilíbrio que não há como voltar atrás. Mas para onde ele vai é totalmente incerto, porque, como disse, essa bifurcação significa que, tecnicamente, há duas formas de resolver uma mesma equação, o que não é normal.
Em linguagem leiga, isso significa simplesmente que o futuro sistema mundial, ou sistemas mundiais (porque não sabemos se haverá um só) que vai ou vão surgir no final desse processo podem ter, no mínimo, duas variedades fundamentais. Assim, não se pode prever qual sistema teremos, porque ele vai ser uma consequência de uma infinidade de nano-ações, desempenhadas por uma infinidade de nano-atores, em múltiplos nano-momentos – e ninguém é capaz de elaborar tanta coisa. Mas vai acontecer. Então, aqui estamos nós, no meio de tudo isso. É caótico, como se diz.
E o que significa dizer “É caótico”? Significa que as flutuações são enormes e, portanto, há incertezas inclusive no prazo muito curto. Isso significa que uma pessoa que preveja qual será a relação entre o iene, o dólar, o euro e a libra dentro de um ano será alguém muito corajoso. Não há como saber. Mas os empresários precisam dessa informação. Eles têm de ter o mínimo de estabilidade, do contrário correm o risco de sofrer perdas enormes. Isso os deixa paralisados, com muito receio de se envolver em qualquer tipo de investimento, uma das coisas que está acontecendo no mundo todo. É por isso que o desemprego explodiu. E é também por isso que os governos estão em tal dificuldade financeira, pois sem essa produção adicional não há receitas fiscais, e sem receitas os governos passaram a sofrer um grande aperto. E então o desemprego aumenta, o que coloca mais pressão sobre o governo. É o que acontece hoje em praticamente todos os países do mundo. Os governos têm menos dinheiro e enfrentam demandas para gastar mais. Isso, naturalmente, é impossível: não se pode ter menos e gastar mais. Então, eles vêm com tudo quanto é tipo de solução. Nenhuma parece funcionar. É onde nos encontramos atualmente.
Lee: E muitos países europeus estão enfrentando uma crise fiscal, uma espécie de moratória, o que os leva a tentar obter ajuda da UE (União Europeia) e do BCE (Banco Central Europeu).
Wallerstein: Os europeus têm um problema básico. Possuem pelo menos nove moedas, e 17 países compartilham o euro. Mas não têm um governo federal. É uma situação muito complicada, pois significa que os governos não podem intervir em sua própria moeda. Uma dos instrumentos que os governos utilizam tradicionalmente para lidar com suas dificuldades é aumentar ou diminuir o valor da moeda. Ao diminuir o valor da moeda pode-se vender mais; aumentando o seu valor, pode-se comprar mais. Os países da zona do euro não têm essa opção, porque nenhum país tem moeda própria. E eles estão enfrentando os mesmos problemas de todos os outros. Ou seja, exigências crescentes, porque o aumento do desemprego gera mais demandas sobre o governo. Ao mesmo tempo, a receita do governo diminui, porque não há empregos.
Sua única opção (da Grécia, Espanha, Portugal ou Irlanda) é obter ajuda, algum tipo de solidariedade. Então eles se deparam com a relutância, por parte dos países mais ricos, em “salvar” os mais pobres. Isso não leva em conta o fato de que o único e maior beneficiário da zona do euro é, de fato, a Alemanha. E é justamente o país que está fazendo o maior estardalhaço sobre não querer ajudar outros países, a menos que façam X, Y ou Z – medidas que, na verdade, só pioram a situação. Essa é a questão da zona do euro. É o problema enfrentado por todo o mundo, acrescido do fato de que esses países não podem manipular individualmente suas próprias moedas. Mas o problema básico não é diferente daquele dos EUA, da Rússia, do Egito ou de qualquer outro lugar onde haja aperto.
Lee: Aqui na Coreia, os especialistas e a mídia apresentam dois argumentos diferentes. A Irlanda, a Grécia e outros gastam muito dinheiro em benefícios sociais – essa é uma linha de argumentação. A outra é o efeito de contágio, por causa da facilidade de migração na zona do euro.
Wallerstein: Vamos lidar com os dois argumentos. O primeiro é “a Grécia está em apuros porque exagerou no bem-estar social”. Isso é exatamente o que o Partido Republicano diz sobre os EUA. É um mesmo argumento para todo o mundo, não um argumento especial para a Grécia. A reação das forças mais conservadoras a essa crise é dizer “corte benefícios”, o que significa “reduzir os gastos do governo”. Mas se você cortar benefícios reduz também o poder de compra das pessoas. Cria assim uma demanda menos eficaz. Por exemplo, uma pessoa que fabrica camisetas, ou algo assim, tem menos clientes. De forma que essa não parece ser a solução. Para mim, só piora o problema. De qualquer forma, a questão é que não é um problema específico da Grécia, da Espanha ou de Portugal. É um problema de todos os países.
Agora, o efeito de contágio. O que acontece é que, como os governos estão sem recursos, precisam de dinheiro emprestado. E para obter esse dinheiro, dependem do mercado. As pessoas emprestam dinheiro com mais facilidade quando veem possibilidades de obter reembolso. Então há, sim, um efeito de contágio na Europa: a Grécia começa a ter problemas, Portugal e Irlanda começam a ter problemas, e Espanha e Itália começam a ter problemas. E agora é a França que está se metendo em encrencas, e depois a Holanda e a própria Alemanha. É o efeito de contágio, em parte criado pelas agências de classificação de risco – que não são neutras –, mas também um problema muito real. O efeito de contágio vai da Europa para os EUA, e da Europa para o resto do mundo. Vai deixando as pessoas paralisadas. Isso significa que, quando veem as coisas indo tão mal, dizem “bem, pode dar errado em outros lugares também, portanto, não vamos emprestar o dinheiro”, ou “vamos exigir taxas de juro mais elevadas”.
Mas se tomamos o dinheiro emprestado a taxas de juros mais altas, sobra ainda menos dinheiro para gastar em outras coisas. Esse é exatamente o problema mundial. Então, novamente, não vejo isso como um problema especialmente europeu. A questão na Europa, no momento, é saber se as forças que dizem ”os países europeus estariam em situação melhor se não houvesse euro” conseguirão aboliro euro e voltar para suas moedas nacionais. Há um certo movimento nessa direção, tanto da direita como de alguns setores de esquerda.
A esquerda europeia não gosta do fato de que Bruxelas, com tanta influência, tenha um viés neoliberal tão forte. Diz-se (em alguns países escandinavos e mesmo na França): “estaríamos melhor se estivéssemos livres do controle de Bruxelas”, em oposição ao ponto de vista ainda dominante – o de que o euro fortalece a posição europeia frente ao resto do mundo e, mais especificamente, frente aos Estados Unidos.
Está acontecendo uma luta política, não há dúvida. Tendo a acreditar que, em geral, deve-se separar a retórica política da realidade e das pressões geopolíticas. A retórica política é em geral uma resposta a uma circunstância política imediata de um país. Se a chanceler Angela Merkel diz certas coisas na Alemanha, não é necessariamente porque ela acredita naquilo, mas porque, na próxima eleição, que pode ser muito em breve, ela julga que com isso ganharia votos. A mesma coisa vale para Obama. Vale também, tenho certeza, para o presidente da Coreia. Os políticos têm de se preocupar com a próxima eleição. Isso não significa que: (a) eles querem realmente dizer o que falam, e (b) o que dizem tem importância. Não acho que importe muito.
Ainda que, numa situação muito volátil, a estupidez possa prevalecer. Em geral, o que acontece é decorrente de pressões geopolíticas. Então, penso que a pressão para manter o euro, os benefícios em termos de geopolítica, são muito maiores do que a pressão para voltar às moedas individuais.
A chanceler Merkel está dizendo às pessoas, em toda a Europa, “deixem-me fazer isso, e então terei cacife político para convencer os políticos e eleitores alemães a me acompanhar”. Penso que a Europa vai concordar com um aumento do federalismo, ainda que não chamem isso de federalismo, porque não gostam dessa palavra. Mas um fortalecimento do poder central e, em consequência, um aumento do fluxo de dinheiro. Nos EUA, um estado como o Mississippi só não vai à falência porque o governo federal pode redirecionar dinheiro para lá. É disso que a Europa precisa. É isso o que querem realmente dizer as pessoas que estão clamando por “solidariedade”.
Se você me pedir que faça previsões, penso que a probabilidade de vermos, em três anos, não apenas um euro, mas um euro fortalecido, é muito maior do que o contrário. E algum tipo de mecanismo que permita enfatizar menos a prosperidade e mais a volta de recursos, ter o dinheiro fluindo novamente, é a única solução de curto prazo para os problemas europeus, assim como para os dos EUA.
Lee: Gostaria de acrescentar algo em sua análise da situação da zona do euro. Você mencionou os países escandinavos, que são mais fortes em termos de benefícios sociais. São os que mais gastam com bem-estar social e os que pagam mais impostos. Mas não estão em crise, embora se argumente que o chamado “populismo do bem-estar” social é inteiramente errado.
Wallerstein: Sim, evidente. Isso pode ser demonstrada de várias maneiras. É claro, existem cinco países nórdicos diferentes, cada um com uma situação um pouco diferente, inclusive aqueles que estão e aqueles que não estão na zona do euro, e os que estão e os que não estão na OTAN. Mas, em geral, você tem toda a razão ao dizer que aqueles cinco países nórdicos ainda são estados de bem-estar fortes, com impostos relativamente altos.
Lee: Sim, na verdade o problema fiscal da Europa é um problema mundial. Quando você olha para países específicos, há diferenças. Em alguns países, a corrupção é mais grave do que em outros.
Wallerstein: Vamos nos deter um pouco na corrupção. Penso que a corrupção é mais grave nos EUA, na Grã-Bretanha, na França e na Alemanha, do que em alguns casos de países muito citados em todo o mundo. Eles são fichinha, perto da corrupção real. Temos escândalos o tempo todo nos EUA, França e Grã-Bretanha. Quando você se depara com esses escândalos, de repente descobre que se trata de trilhões de dólares. Já quando ocorre algo do tipo em Myanmar ou no Iraque, por exemplo, estamos lidando com milhões, nem sequer com bilhões de dólares.
Assim, a corrupção é uma arma deveras etnocêntrica. Os países do Norte tendem a dizer que os do Sul são imorais, porque são corruptos. Mas não dizem que somos imorais porque somos corruptos. A corrupção é geral em nosso sistema. É geral porque, se você tem um sistema em que o principal objetivo é a acumulação de capital, a corrupção é simplesmente um aluguel que as pessoas que estão no lugar certo cobram, da acumulação sem fim do capital. Dizer que “eles não deveriam” é uma posição moral correta, mas retórica, porque eles irão até onde der, já que a opinião pública não gosta de enxergar a corrupção. E talvez uma ou duas pessoas sejam presas por um tempo relativamente pequeno, mas, basicamente, nada mais é feito contra a corrupção. Quando foi a última vez que uma pessoa corrupta dessas foi mandada para uma prisão de verdade, por um período realmente longo e teve de devolver todo o dinheiro que levou? Isso simplesmente não acontece.
Lee: Quando ouvi o discurso de feito por Obama ao se candidatar à reeleição, anotei o que ele apresentou como receitas para salvar os EUA dos tempos difíceis: criar mais postos de trabalho na indústria, reconstruir a classe média, enfatizar a educação, cortar tributos sobre a riqueza, uma nova política energética, a redução das importações e benefícios sociais que incluíssem assistência médica – um tema sempre muito controverso nas eleições norte-americanas. Mas eu me surpreendi ao ouvir as mesmas coisas dos candidatos presidenciais aqui na Coreia do Sul. Claro, a Coreia tem uma situação peculiar: a divisão da península, razão pela qual a questão da paz e a questão nuclear são importantes. Fora isso, os programas e políticas socioeconômicas eram mais ou menos idênticos. Isso me levou a pensar se a Coreia do Sul seria como os EUA socioeconomicamente. Cerca de vinte anos atrás a Coreia do Sul foi saudada como modelo para os países de Terceiro Mundo, uma vez que alcançou o crescimento econômico com relativa igualdade. Mas após as crises de 1997 e 2008 a Coreia do Sul revelou-se muito parecida com os EUA, e então as receitas políticas são quase idênticas nos dois países, penso eu.
Wallerstein: Bem, não discordo. Dentre os países mais ricos do mundo, a Coreia do Sul não está no topo, mas não está muito mal. As opiniões sobre o bem-estar social parecem estar divididas entre os conservadores e as pessoas de esquerda. Mas penso que, na verdade, a divisão pode ser mais ampla. Quando se olha para o papel do governo nos países mais pobres do mundo, ainda há a questão de quanto eles têm de benefícios sociais. Uma das coisas que o neoliberalismo, como um movimento atuante desde os anos 1980, tem prescrito para os países do Sul é: “Vejam, ocês têm todos esses problemas econômicos. Querem emprestar dinheiro de nós? Então reduzam os benefícios sociais, porque isso é dinheiro jogado fora”. A teoria age como uma força conservadora contra o governo local, que está atuando mais à esquerda. É o mesmo tipo de debate.
Você se lembra da chamada ”crise da dívida asiática” de 1997? De repente, uma série de países do Leste e do Sudeste da Ásia se viu encrencado economicamente. Ou seja, o dinheiro desapareceu. Os governos viram-se em apuros. Alguns buscaram ajuda, dizendo: “emprestem-nos dinheiro.” E esses governos contaram que a resposta recebida em geral foi: “emprestar dinheiro para vocês? Sim, desde que façam assim e assado”.
O único país que se recusou a tomar dinheiro emprestado nesses termos foi a Malásia — e ela foi o que se recuperou mais rapidamente, por ter recusado. Ao aceitar as exigências, a Indonésia provocou a queda de Suharto. E eu gostaria de citar este episódio. Trata-se de uma famosa atuação de Henry Kissinger, um político reconhecidamente de direita. Após a queda de Suharto, ele escreveu: ”como vocês (FMI e governo dos EUA) podem ser tão estúpidos? Vocês prescrevem para o governo de Suharto medidas que provocam sua queda e colocam, no seu lugar, um governo à esquerda dele. É mais importante manter Suharto no poder do que negar-lhe dinheiro. Vocês não entenderam suas prioridades. A prioridade é geopolítica, e não econômica”. Ele os repreendeu por fazer o que vinham fazendo há dez ou vinte anos em países menos importantes que a Indonesia.
A Coreia ficou no meio, tendo em vista o modo como respondeu. Teve uma atuação melhor do que a dos países que se entregaram completamente ao FMI, mas não tão boa quanto a da Malásia. Uma das coisas que se aprende com isso, e depois do que aconteceu na Argentina, é que esses países têm mais poder geopolítico do que acreditam ter e são mais capazes de reagir contra agências tipo FMI. Naturalmente, o FMI e o Banco Mundial aprenderam a lição. E começaram a falar em programas contra a pobreza. De repente, sua linguagem mudou, como resultado da crise da dívida asiática, porque se deram conta daquilo que Kissinger estava lhes dizendo: precisam ser mais astutos politicamente; não podem ser estritamente econômicos em suas exigências.
Lee: Na convenção do Partido Democrata norte-americano deste ano, Joseph Biden afirmou, repetidamente, que “os EUA não estão em declínio”, e Obama disse que “os EUA são um país do Pacífico”. Isso pode ser interpretado como um retorno dos EUA à zona asiática do Pacífico, inclusive sugerindo a contenção da China.
Wallerstein: Aqui há duas questões. Uma delas é afirmar que os EUA não estão em declínio. A outra é o que eles estão tentando fazer com essa ênfase na Ásia e no Pacífico.
Os EUA não estão em declínio” é um mantra nos Estados Unidos. Nenhum político pode dizer que os EUA estão em decadência. Na verdade, todos eles se esforçam para negar essa realidade, porque a população dos EUA não está preparada para aceitar o fato de que os EUA não são mais o “Número 1”, um exemplo admirado no mundo inteiro. Eles não vão dizer isso publicamente. É uma pena porque, a meu ver, uma das coisas importantes é tornar a população dos Estados Unidos mais consciente da realidade geopolítica e do fato de que os EUA são um país muito forte – mas não mais, em nenhum sentido, acima dos demais. Há vários países com avaliação melhor que os EUA em determinadas questões. E a capacidade de os EUA para influenciar a situação em várias partes do mundo diminuiu enormemente. Então, penso que é preciso separar a retórica política da realidade política.
E agora, o que os Estados Unidos estavam fazendo na Ásia? A primeira coisa a notar é que os EUA não têm força econômica e militar suficiente para engajar-se por completo, como costumavam, na Europa e na Ásia. Se eles dizem publicamente “vamos estar fazer isso na Ásia”, querem dizer ao mesmo tempo que não vão fazer isso na Europa. Isso não está sendo ignorado pelos europeus. Está sendo ignorado pela opinião pública dos Estados Unidos. Ou seja: isso, em parte, é admitir o declínio.
Agora, a segunda parte é ”conter” a China. Os comunistas chegaram ao poder em 1948. A China não tem sido politicamente popular nos EUA. A Guerra da Coreia, entre o Norte e o Sul da península, foi também uma guerra entre os EUA e a China. Não a denominamos assim, mas essa é a realidade. E a linha de armistício não é tão diferente da linha anterior à guerra. Considero que houve um empate militar entre a China e os EUA. Nenhum dos lados ganhou. No entanto, a retórica era muito forte nos dois lados, China e EUA denunciando um ao outro de todas as maneiras possíveis, até que Nixon foi à China, guiado por seus instintos geopolíticos e os de Henry Kissinger. A combinação era bastante forte. Ambos eram muito cínicos e muito inteligentes. Naquele momento, a China travava uma grande disputa com a União Soviética. Tinham um terreno comum. Uniram-se contra a União Soviética, é simples assim.
Agora, a Guerra Fria acabou, e a União Soviética não existe mais, e há algo chamado Rússia, que é o mesmo país e ao mesmo tempo um país extremamente diferente. A China ficou mais forte do que era antes – militarmente e economicamente. Mas não se deve exagerar. A China está se afirmando geopoliticamente como líder da Ásia. Mas, trinta anos atrás, ninguém na África ou na América Latina pensava na China. A China simplesmente não fazia parte da cena. Agora, mudou. A China ambiciona ser uma potência, e uma potência mundial precisa interessar-se por todas as partes do mundo, da mesma forma que os EUA e a Grã-Bretanha, que são potências mundiais, estão interessados em todas as partes do mundo. Nesse sentido, a União Soviética era uma potência mundial.
A China e os Estados Unidos têm muitas diferenças sobre questões imediatas, e esfregam isso na cara um do outro, de modo errado, de tempos em tempos. E atualmente há um monte de difamadores da China nos EUA. Os políticos gostam de culpá-la por tudo. Isso irrita os chineses, mas é um jogo. Se você olhar para a realidade das políticas dos Estados Unidos e a realidade das políticas chinesas ao longo dos últimos trinta anos, verá que eles nunca fizeram nada que ultrapassasse os limites um do outro. Têm sido muito cuidadosos em manter boas relações geopolíticas.
Então, não considero tão significativa a nova ênfase dos EUA na Ásia e no Pacífico. Primeiro, vejo isso como um show de retórica, em parte para os EUA e em parte para os outros países da Ásia, porque há que se preocupar com a Coreia do Sul, Japão, Vietnã e Filipinas. Estes países são ambivalentes com relação aos EUA. Eles gostam dos EUA, porque Washington os ajuda em certas coisas. Por outro lado, não querem realmente os EUA. Então, têm relações complicadas. E os EUA sentiram que precisavam reassegurar a esses aliados que não os haviam excluído da cena completamente. Não acho que seja mais do que isso. Penso que, quanto a isso, os dois lados não vão cruzar a linha, a não ser a linha retórica, no máximo.
Agora, a península coreana é de fato uma das questões cruciais nas relações EUA-China, porque temos um país chamado Coreia do Norte e outro chamado Coreia do Sul. Ambos são muito coreanos, e o nacionalismo coreano é muito forte. A pressão geopolítica pela reunificação é enorme. E agora os EUA e a China têm de se preocupar com isso. Se as tropas americanas tiverem que sair, isso significa que a Coreia reunificada possuiria armas nucleares? E se eles tiverem armas nucleares, o que os japoneses diriam sobre isso? E Taiwan? Penso que a pressão para nuclearizar, para acabar com a abstenção de armas nucleares na Coreia do Sul, no Japão e em Taiwan é muito forte. Não acho que os EUA estejam felizes com isso. Nem a China. O que leva à aproximação, não ao distanciamento dos EUA e da China. E ambos estão tentando descobrir, “podemos parar este processo?”
Não posso enxergar o que têm em mente, mas suspeito que isso está no topo da sua lista de preocupações. O fato é que eles antecipam, não que a Coreia do Norte vá se desnuclearizar, mas que a Coreia do Sul, o Japão e Taiwan venham a se nuclearizar. Se você me pedir novamente uma previsão, diria que em dez anos, todos eles estarão nuclearizados. E não acho isso desastroso. O fato de os EUA e a União Soviética terem, ambos, armas nucleares, foi um fator importante para garantir que não haveria guerra entre eles. Foi uma coisa positiva, e não negativa.
Agora, é claro, com armas nucleares existe sempre a possibilidade de desastre. As armas nucleares estão em determinado lugar, sob um comandante militar. Ele pode apertar um botão qualquer e dispará-las. Nossa aposta é que ele, como indivíduo, irá obedecer ao comandante-em-chefe do seu país. Em 999 das vezes, é possível contar com isso. Mas há sempre uma chance em mil de haver um oficial descontrolado. Ademais, é bem verdade que, havendo mais armas nucleares no mundo, as pessoas podem roubá-las. Isso vem sendo discutido com relação ao Paquistão. Continua-se a dizer: ”Você sabe, o Paquistão tem de 70 a 80 armas nucleares e bombas” e “Será que os lugares onde estão armazenadas são realmente bem protegidos?”, “Alguém, afiliados à Al Qaeda ou talvez a outro grupo, poderia atacá-los e roubá-los?”
Assim, não excluo o potencial negativo da nuclearização generalizada. Mas não penso que isso significa que o Irã irá bombardear alguém. Na verdade, os governos usam as armas nucleares como um mecanismo de defesa, e não um mecanismo agressivo. Usam como um modo de se safar de ser bombardeados. Os EUA foram para o Iraque não porque ele tinha armas nucleares, mas porque ele não tinha. Os EUA sabiam que, portanto, Bagdá não poderia responder com uma arma nuclear.
Penso que essa é a lição que o Irã e a Coreia do Norte tiraram imediatamente do que aconteceu no Iraque. Na verdade, do ponto de vista da Coreia do Norte, essa é a única proteção real que eles têm militarmente, no momento. Minha previsão é de que, em dez anos, todos os países da Ásia Oriental terão essas armas. E também muitos outros países, como Brasil e Argentina. Suécia, Egito e Arábia Saudita as terão. Sempre pelas mesmas razões: para evitar de ser bombardeado pelos outros.
Lee: E se todo mundo desistisse das armas nucleares, inclusive aqueles que já as possuem?
Wallerstein: Isso seria o ideal, se você considera possível convencer os EUA ou o Paquistão, Índia, Israel, França e Grã-Bretanha. Mas não há política que possa persuadir esses países a reduzir os armamentos nucleares a zero. Você poderá persuadi-los a reduzir o número de bombas que têm, em certas condições. Mas voltar a zero não seria prático. Pela simples razão de que é difícil verificar se os outros estão de fato reduzidos a zero. Há muitas maneiras de esconder essas coisas. É por isso que eles não vão aceitar.
Mas essa é a razão porque o tratado de não-proliferação nuclear é uma farsa, pois basicamente o que ele diz é que ninguém deve possuir armas nucleares, exceto os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O resto de vocês, o mundo todo, deve renunciar a qualquer tentativa de ter armas nucleares, e em troca disso nós prometemos duas coisas: (1) vamos reduzir significativamente o nosso estoque, e (2) vamos permitir que você desenvolva a energia nuclear para fins pacíficos.
Desde que o tratado entrou em vigor, não houve uma redução significativa, e agora todo o mundo está falando novamente em renovar e expandir. Os três únicos países que se recusaram a assinar o tratado são a Índia, o Paquistão e Israel. E isso agora está praticamente aceito. Eles desafiam o mundo, desafiam todas as regras, e agora são membros do clube. Os EUA têm boas relações com os três países, e nenhum foi penalizado por ter armas nucleares.
Lee: Então, o que você diz sobre a nossa tentativa de persuadir a Coreia do Norte a desistir das armas nucleares…
Wallerstein: É que é impossível. Se eu estivesse dirigindo a Coreia do Norte, certamente não concordaria.
Lee: Se for esse o caso, acha que o impasse atual entre os EUA e a Coreia do Norte vai continuar? E o que dizer da China?
Wallerstein: Mais uma vez, há a retórica e a realidade. De fato, os diplomatas norte-americanos sabem, todos, que essa proibição é impossível. Mas não sabem o que fazer. Eles certamente não podem dizer, por razões políticas internas, que “não há esperança”. Então imaginam que, colocando pressão sobre a China, estão, por tabela, pressionando a Coreia do Norte. E usam um mecanismo de retardo, não um mecanismo sério. Os militares dos EUA dizem “não vamos enviar tropas ao Irã em hipótese nenhuma”. Por outro lado, os EUA estão comprometidos com Israel e Israel, por sua vez, está dizendo: “Temos que bombardear o Irã”. Então, o que fazem os EUA? Operam com seu mecanismo de retardo. Isso reflete as limitações essenciais do poder dos EUA, o que revela parte de seu declínio. Houve um tempo em que eles não precisavam retardar. Houve um tempo em que podiam tomar decisões fortes sobre outros países. Já não podem. Aqui estamos. Separemos a retórica da realidade geopolítica.
Lee: Isso deixa muitos coreanos progressistas, que são-aliança, pró-negociações, pró-diplomacia, pró-processo de paz, muito pessimistas.
Wallerstein: Por que? Há muitos possíveis acordos entre as Coreias do Norte e do Sul, a começar pelas questões econômicas. Veja, se você está no comando de um regime como o da Coreia do Norte, tem que levar em conta a realidade geopolítica. Por outro lado, quer permanecer no poder. Até agora, eles contaram com um regime de mão pesada, muito repressivo, e o apoio do exército. Podem tentar continuar a reprimir a maioria, os famintos, podem tentar ludibriá-los com a ideologia, tentando fazê-los acreditar que vivem maravilhosamente bem. Mas hoje é cada vez mais difícil fazê-los acreditar nisso. Então é preciso dar-lhes um pouco de bem-estar social – o que significa que deve haver algumas mudanças na política econômica da Coreia do Norte, na linha das que foram feitas pela China e Vietnã. Tanto a China quanto o Vietnã mostraram a eles um modelo, no qual um partido único pode permanecer no poder e ainda assim promover uma abertura econômica. E acho que o novo líder está tentado pela idéia, mas é um caminho difícil. Ele tem as mesmas dificuldades em negociar com o seu público interno que a chanceler Merkel tem, que Obama tem, e certamente todo o mundo precisa se preocupar em manter a retórica satisfatória, internamente. Assim, ele pode ser capaz de ter algo equivalente ao que os chineses fizeram, como as Zonas Econômicas Especiais.
Lee: Se você fosse o presidente da Coreia do Sul, interessado em desenvolver boas relações com a Coreia do Norte, se esforçaria mais para ajudá-la nesse esforço?
Wallerstein: Se eu fosse o presidente da Coreia do Sul é o que eu faria, até onde fosse politicamente possível. Você precisa assegurar um equilíbrio, mantendo o poder político na sua base e as demandas geopolíticas. Mas penso que esse vai ser o caminho a seguir. Sei que a resposta das forças mais conservadoras na Coreia do Sul seria dizer ”bem, nós tentamos uma política de diálogo e não funcionou.” E a resposta é ”sim, não funcionou, em parte porque os tempos eram diferentes, o líder era diferente, com uma atitude diferente. E em segundo lugar porque as coisas foram feitas sem entusiasmo. Talvez a gente tenha que fazer ainda mais.” Esse tipo de debate acontece o tempo todo na política.
Lee: Tocamos em muitas questões hoje. Uma última questão é sobre o capitalismo fundamentalista. Depois da crise de 2008, houve uma volta à abordagem keynesiana do mercado. Pessoalmente, acho que eles não estão certos, mas isso levanta a questão do futuro do capitalismo.
Wallerstein: Algumas reformas vão resolver esse problema. Mas as pessoas estão muito reformistas na sua abordagem dos problemas. É muito difícil para elas aceitar o fato de que há alguns dilemas insolúveis. Quando digo que alguma coisa é insolúvel, elas dizem “oh, nós gostamos do seu argumento até aqui, mas esse ponto nos incomoda.” Os sistemas têm vida. Nenhum sistema dura para sempre. Seja o universo, o maior sistema que possamos conhecer, ou o menor dos nano-sistemas que não podemos ver, nenhum deles vai durar para sempre. Em sua vida, os sistemas se movem gradualmente para mais e mais longe do equilíbrio até atingir um ponto em que já não podem equilibrar-se novamente. E nós somos um sistema. É o chamado sistema mundial moderno. Foi um sistema bem sucedido, mas atingiu o limite das possibilidades. Quando comecei a dizer isso, trinta anos atrás, as pessoas riam. Agora elas não riem, argumentam contra. Já é um progresso. Penso que daqui a vinte anos as pessoas vão estar bem conscientes disso. Pelo menos assim espero, porque é muito difícil empenhar-se em políticas inteligentes para tentar empurrar o mundo para a direção certa, sem que se esteja ciente da realidade.

A AP-470 do STF: A Consulta Popular Denuncia, Manifesta e Convoca.

reproduzo pela seriedade e comprometimento da organização, Consulta Popular.


A AP-470 do STF: A Consulta Popular Denuncia, Manifesta e Convoca.

A Consulta Popular denuncia o caráter de classe, político e anti-popular da decisão do Supremo Tribunal Federal que condena os dirigentes do Partido dos Trabalhadores no âmbito da Ação Penal n. 470..

A quase totalidade dos ministros do Supremo Tribunal Federal, seduzidos e submetidos às tentações e pressões da grande mídia porta-voz do neoliberalismo assumiu o papel desempenhado outrora pelos feitores de escravos e, mais recentemente, pelos integrantes dos organismos repressivos da ditadura militar, perseguindo os lutadores políticos em defesa dos interesses dos exploradores.

Pretende-se que o fato de emanar do órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro obrigaria à aceitação e reconhecimento da decisão resultante da Ação Penal 470, ainda quando o processo e a sentença tenham sido feridos em sua legalidade e legitimidade por negativa de obediência ao princípio do juiz natural, quebra do princípio da isonomia, violação ao direito de defesa e instituição do princípio de presunção da culpabilidade em substituição ao de presunção de inocência.

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal violou o princípio do juiz natural, uma vez que não tinham competência para julgar os réus que não ostentavam condição que obrigasse ao foro privilegiado.

Ao decidir, porém, arrogar-se tal competência, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal escolheu conscientemente quebrar o princípio da isonomia, estabelecendo distinções entre acusados, já que em outras situações, inclusive na ação penal em que são réus dirigentes do PSDB, reconheceram sua incompetência para o julgamento e desmembraram o processo.

Fica claro, com isso, que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal estava decidida a violar o direito de defesa, impedindo que os acusados pudessem ter o direito de recurso em face das decisões que viessem a ser proferidas, antecipando sua intenção de condenar e impedindo que o próprio Poder Judiciário pudesse reexaminar a causa.

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal decidiu impedir o reexame judicial da causa pela via recursal porque já havia, antecipadamente, optado por afrontar a Constituição Federal e a lei processual penal instituindo princípios pelo quais os acusados são presumivelmente culpados em razão dos cargos que ocupem – a tese do domínio funcional do fato; devem provar que acusações publicadas pela imprensa não são verdadeiras – inversão do ônus probante, tudo de modo a fazer poeira do princípio constitucional de presunção de inocência.

A Consulta Popular manifesta que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal arrogou-se o papel de escolher, por suas próprias opções políticas, as correntes de opinião que devam ter a possibilidade de exercer os poderes Executivo e Legislativo no Brasil, consumando a um só tempo os processos de judicialização da política e politização do judiciário.

Essa maioria de ministros toma de assalto não apenas o Poder Judiciário, reduzido a sua vontade quando o juiz natural deixa de existir, mas os demais Poderes da República, ao anunciar que pode destituir seus ocupantes sem provas, sem validade das acusações, somente por ocuparem seus cargos e exercerem suas funções.

Mais do que um julgamento de fancaria, tratou-se de um golpe contra o estado constitucional.

Mas a decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal não expressa apenas sua afronta à Lei Maior da República. Anunciou por meio dessa decisão bastarda e ilícita, que os juízes podem e devem doravante judicializar as lutas sociais e perseguir com as mesmas ilegalidades os movimentos e militantes sociais, afirmadas as manifestações do povo como crimes e o direito dos exploradores como o único possível na sociedade brasileira.

A Consulta Popular convoca, por isso tudo, a sociedade brasileira, os homens e mulheres de nosso povo e os lutadores e lutadoras sociais a manifestarem solidariedade aos vitimados pelas ilegalidades e injustiças perpetradas pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

A Consulta Popular convoca, a que se manifeste repúdio à violação da Constituição, à politização do Poder Judiciário e à judicialização e criminalização da política e das lutas sociais.

A Consulta Popular convoca a que lutemos pela revogação das condenações e das penas ilegalmente impostas.

A Consulta Popular convoca a que unamos nossas forças para as duras tarefas que se exige e anunciam para a defesa da democracia.

Pátria Livre, Venceremos!

4ª Plenária Nacional Soledad Barrett Viedma da Consulta Popular - 18 de Novembro de 2012