sábado, 24 de dezembro de 2022

Deforma Trabalhista: segundo pesquisa Datafolha "Datafolha: Para 56% reforma trabalhista trouxe mais benefício para empresários do que para trabalhador"

 Importante: 1) Apesar da Datafolha fazer um esforço tremendo em "justificar" a reforma trabalhista que tirou direitos, inclusive dos trabalhadores (as) da imprensa, tentando fazer um contorcionismo com os números de 2017 e 2022, a margem da consciência de classe permanece firme em mais de 50% com a certeza de que a reforma ajudou a burguesia (patrões, donos, etc.) e tirou direitos dos (as) trabalhadores (as). 2) Não se deve subestimar a consciência da classe trabalhadora, portanto não se deve abandonar as ruas e suas lutas, pois eleger Lula foi para tirar o caos do poder central, mas sua base permanece firme; 3) Esperançar significa isso, manter esses vínculos que só a nossa forme organização pode dar como contribuição. Boa leitura!






DATAFOLHA

Datafolha: Para 56% reforma trabalhista trouxe mais benefício para empresários do que para
trabalhador

Avaliação de que mudança foi boa para ambos aumentou desde 2017, segundo pesquisa

23.dez.2022 às 23h15




Eduardo Cucolo

Para 56% dos brasileiros, a reforma trabalhista de 2017 trouxe mais benefícios para os empresários do que para os trabalhadores. É o que mostra a pesquisa Datafolha realizada nos dias 19 e 20 de dezembro.

O número, no entanto, é menor do que a expectativa que havia antes da mudança na legislação. Levantamento feito em abril de 2017 mostrou que, na época, 64% tinham a expectativa de que a reforma beneficiaria principalmente os empregadores.

Na época, 21% avaliavam que empresários e trabalhadores seriam beneficiados na mesma medida. Agora, essa opinião é compartilhada por 27% dos entrevistados.

O percentual dos que avaliam que a reforma traz mais benefícios para os trabalhadores do que para os empresários está em 6% na pesquisa mais recente, praticamente o mesmo percentual de 2017 (5%).

As novas regras criadas pela reforma trabalhista de 2017 completaram cinco anos em novembro. Desde a campanha eleitoral, as mudanças estão na mira do novo governo Lula.

A postura contrária à reforma supera 50% em praticamente todos os recortes socioeconômicos na pesquisa mais recente. As exceções são os grupos de renda acima de dez salários mínimos (37%), moradores da região Sul (43%) e os próprios empresários (27%).






A avaliação de que a mudança beneficia empregadores e trabalhadores na mesma medida é maior entre homens (32%) do que mulheres (23%), entre brancos (30%) e pardos (29%)  do que entre pretos (22%), e cresce conforme a renda, saindo de 23% para quem ganha até dois salários mínimos e chegando a 46% na faixa acima de dez mínimos. Por ocupação, os percentuais mais altos estão entre empresários (58%), assalariados registrados (32%) e autônomos (30%).

Na pesquisa, foram realizadas 2.026 entrevistas em todo o Brasil, distribuídas em 126 municípios. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

CARTEIRA ASSINADA

A pesquisa também mostra que 77% dos brasileiros prefere ter carteira assinada, com direitos trabalhistas garantidos, mesmo que a remuneração seja menor. Outros 21% A primeira opção tem mais apoio de mulheres (81%), pessoas com ensino fundamental (83%), moradores do Nordeste (80%) e católicos (82%). Os percentuais são menores entre homens (73%), no grupo com curso superior e médio (ambos com 75%), moradores do Sul (72%) e evangélicos (73%).




A preferência por salário maior a direitos trabalhistas e registro encontra mais apoio no grupo de autônomos, profissionais liberais e freelancers (37%), entre empresários (28%) e assalariados sem registro (20%).

DESEMPREGO

De acordo com o levantamento, 11% dos entrevistados estão desempregados (9%) procuram trabalho e outros 2% deixaram de procurar). Entre os que buscam emprego, 65% são mulheres, e 35%, homens. São 43% sem emprego há mais de dois anos e 31% há até seis meses.

Entre assalariados sem carteira, autônomos e outros ocupados sem registro, 64% já trabalharam com carteira assinada.

Entre essas pessoas que já tiveram registro, mas trabalham atualmente sem carteira assinada, 70% estão nessa situação há mais de dois anos e 19% há menos de um ano.

Gostariam de ter carteira assinada 61% dos brasileiros que trabalham por conta própria.





A VERDADE SOBRE OS EFEITOS DA "REFORMA TRABALHISTA" DE TEMER-BOLSONARO E PORQUE A POPULAÇÃO TRABALHADORA É CONTRA.

Por Marcelo Ferreira | Brasil de Fato

“Reforma” foi vendida como uma modernização da legislação que criaria até seis milhões de novos empregos

Cinco anos depois da aprovação da reforma trabalhista, trabalhadores perderam direitos, grandes empresários mantêm seus lucros e a taxa de desemprego não caiu, após bater recorde em 2020 e 2021. A análise é de Lucia Garcia, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). 

“Além disso, o mercado interno foi desintegrado e a renda pública foi colocada em risco, principalmente o orçamento da Previdência Social”, afirma a especialista em mercado de trabalho. “Quem ganhou com as reformas foram os setores exportadores e financeiro, aprofundando nossa vocação de entregar o sangue de povo para luxúria da elite”, complementa.:

O projeto que alterou ou revogou mais de 100 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi apresentado, votado e aprovado em menos de um ano após o golpe que tirou Dilma Rousseff (PT) da presidência, no bojo do programa “Ponte para o futuro” lançado pelo então vice-presidente Michel Temer (MDB).

“Ponte para o abismo”

Chamado por sindicatos de “Ponte para o abismo”, o projeto foi formulado pelo então PMDB com amplo apoio do setor empresarial brasileiro, a exemplo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Nem mesmo greves gerais e intensos protestos impediram sua implantação.

A precarização não parou por aí. Foi aprofundada por Jair Bolsonaro com diversas medidas provisórias. Uma delas, que cria o Programa Nacional de Prestação de Serviço Civil Voluntário, está prestes a virar lei. A MP 1099/22 foi aprovada pelo Senado no dia 25 de maio.


Arte: Brasil de Fato RS / Fonte: IBGE

Modelo espanhol que inspirou reforma no Brasil não deu certo e foi revisto

Um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP), assinado pelos pesquisadores Gustavo Serra, Ana Bottega e Marina da Silva Sanches, concluiu que, ao contrário do que prometiam os defensores da reforma trabalhista, cortar direitos do trabalhador não teve impactos positivos no mercado de trabalho. A pesquisa cita, ainda, que reformas semelhantes adotadas na Europa também não entregaram o que prometiam.

Um exemplo é o da Espanha, que serviu de inspiração para a reforma no Brasil. O estudo “A desregulamentação diminui o desemprego?: uma análise empírica do mercado de trabalho na Espanha” constata que as alterações de 2010 e 2012, visando flexibilizar as leis trabalhistas e estimular contratos temporários, tiveram efeito zero sobre o desemprego. Acabaram apenas reduzindo a capacidade de negociação dos trabalhadores.

Um terceiro levantamento, abrangendo vários países europeus que desregulamentaram as leis trabalhistas, indicou, em vez de avanços, uma elevação da taxa de desemprego.

No início de 2022, a reforma espanhola foi parcialmente revogada pelo governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez, do partido socialista. Caminho que pode ser seguido no Brasil, a depender do resultado das eleições deste ano. Entre os pré-candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PDT) propõem rever a legislação, enquanto Jair Bolsonaro (PL) defende medidas que favorecem os empresários.

FONTE: http://abet-trabalho.org.br/dieese-flexibilizacao-das-leis-trabalhistas-foi-ponte-para-o-futuro-de-um-pais-desempregado/#:~:text=Cinco%20anos%20depois%20da%20aprova%C3%A7%C3%A3o,e%20Estudos%20Socioecon%C3%B4micos%20(Dieese).

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

A esquerda e o interior paulista, ou repensa sua estratégia ou nunca irá avançar!


O mapa do resultado eleitoral de 2022 é quase um cenário estático, onde apesar da nossa esquerda ter inúmeros pesquisadores e intelectuais, expertos em estudo de pesquisas e grande elaboradores de análise, ninguém consegue ver o que está na sua frente. A esquerda vence, mesmo quando perde, na capital e na grande São Paulo. A relação política é outra, não apenas em volume populacional, mas em capiralidade e movimento. Está presente nas veias dos muros de concreto, tem uma cultura mais pulverizada, aberta para inovações, há injustiças que só uma superestrutura é capaz de produzir e por isso produz mais resistência. 

É fato, na capital um sussurro é grito, no interior um grito pode ser um sussurro. 

Desde a eleição de Genoíno ao governo de São Paulo pelo PT, as chances da esquerda são apenas aproximações para um segundo turno, com uma barreira que parece ainda instransponível: o interior. O que fez um desconhecido como Tarcísio ter 9 milhões de votos e estar a frente na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Primeiro vai ver que é isso mesmo, "palácio dos bandeirantes", será difícil um (a) candidato (a) de esquerda vencer o governo estadual onde só capitães do mato, em sua maioria absoluta já passaram por lá, temos desde os latifundiários do "café com leite", Adhemar de Barros o "rouba mas faz", o golpe militar de 1964 teve sustentação de forças sociais paulistas, Maluf eternizou a ideia de "rouba mas faz" e assim vai. Mesmo quem tenha alçado para promover mudanças foi sendo mudado pela "força dos bandeirantes". 

A capital e a grande São Paulo já teriam eleito um governador de esquerda a muito tempo e sito: Marta Suplicy, Genoíno, Mercadante, Padilha e Marinho, tal é lugar e o papel da capital e sua zona de influência, a grande São Paulo. Dos partidos da centro esquerda e esquerda, só o PT poderia ter mudado essa história. Seja no meio sindical, pois controla o principal sindicato de professores do Brasil, a APEOESP e já governou inúmeras cidades no interior paulista como França, Ribeirão Preto, Registro, Campinas, Itapeva, São Jose dos Campos, Santos, Ubatuba, entre tantas. Porém o que faltou? Eu tive essa impressão de análise quando militei no mandato do companheiro Luiz Eduardo Greenhalgh, ao viajar e articular com militantes do PT no interior a impressão era mesma, forte influência do PMDB, ampliação do PSDB e um conservadorismo que se espraia nas regiões do agronegócio, uma relação partidária subordinada a capital e ausência de uma política para o interior. 

Sem uma estratégia, as eleições se tornaram apenas parte da lógica e vencer um município apenas mais uma "máquina administrativa" para governar e aparelhar. Vimos a perda gradual dessas cidades, sem uma análise necessária do porquê não mantemos, não criamos um cinturão de proteção que deveria sim envolver ter quadros políticos internos para uma boa administração e quadros políticos externos para articular o avanço. Ah uma ladainha discursiva que apenas serve para acalmar corações e justificar erros, de que o "interior tem outra dinâmica, é conservador mesmo" e blá, blá, blá. Explica tudo e não resolve nada. 

Então podemos ainda saudar e com razão os bolcheviques que num país gigante como a a Rússia do início do século XX, pouco industrializado, com grandes parcelas da população analfabetas e monarquista foi tomado por uma revolução popular-militar que com meios de comunicação próprios e criando redes de apoio e articulação venceram. As razões da derrota não superam o fato de que a vitória foi possível, e se alguns querem debater por esse caminho digo que para o PT que já governou cidades importantes no interior também foi dizimado a pouco tempo atrás e não se recuperou. Governamos nada mais nada menos na grande São Paulo apenas Franco da Rocha e no interior Araraquara, e retomamos Diadema no ABC. Também é verdade que a intestinal disputa interna é grande responsável pela derrota da estratégia de ampliar no interior. 

No PT há regras para vencer uma disputa, mas não regras para superá-las. E a função da organização partido seria criar campos de unidade quando o assunto é ocupar o interior para fortalecer a estratégia eleitoral para o estado. Sem isso, vamos imaginar hipoteticamente uma revolução, vai ser lindo as ruas vermelhas na capital, o povo sorrindo, as mudanças acontecendo, mas lembrar da Comuna de Paris? É, essa merda pode e vai acontecer aqui também. Não subestimo a burguesia. Vamos aos números: primeiro tirar os lugares onde a onda lulista foi grande pelos motivos (quase) óbvios, na capital (Lula-Haddad vencem), hna grande São Paulo onde governamos Diadema e Franco da Rocha e adjacências, macro Osasco vencemos em várias cidades, inclusive Osasco. 

Agora onde não se explica: vencemos em Barra do Turvo, Ribeira, Apiaí entre outras cidades que pertencem a região de Sorocaba (bem no fundão, já divisa com o Paraná), uma cidade chamada Coronel Macedo deu 50% dos votos pra Haddad, cerca de 1400 votos, outra Marabá Paulista 50% (1.100), as cidades sob influência das lutas do MST como Teodoro Sampaio, Rosana e Euclides da Cunha cerca de 40% a 50%, Dolcinópolis deu 51% de votos para Haddad (800 votos) e 29% para Tarcísio, Bananal e Areias no Vale do Paraíba juntas somam quase 3.000 votos, em Itapura já divisa com Mato Grosso, deu 56% (1200) para Haddad, e assim vai. Um partido deveria ter uma estratégia. Hora de guerrear internamente e hora de governar externamente. 

O PT de São Paulo deveria ter a obrigação de apoiar diretamente estes munícipios num projeto de poder estadual, oferecer às cidades pequenas uma chance para mostrar que a esquerda, o socialismo e o comunismo tem mais o oferecer na gestão pública, o medo de ver afetada suas vidas morais apenas serve de combustível para que o interior e o litoral sejam cada vez mais isso, lugares apêndices. Importante constatar que quem provou que o interior pode evoluir culturalmente e politicamente foi a própria ditadura militar. Na estratégia de constituir a integração de institutos de ensino superior em 1976 o governo do estado cria a UNESP, sua presença no interior produz uma cultura política adversa ao traço conservador, mostrando o caminho no campo da política partidária de que não precisamos nos prender a lógicas ou ideias preconcebidas de como funciona essa dinâmica. Nem ficar com o dilema do "adaptar-se ou resistir", basta ousar em querer existir e resistir. 

Os números e as articulações subterrâneas do conservadorismo paulista podem até nos empurrar para uma tragédia, mas ainda não perdemos essa batalha. Lutar até o fim e numa virada caso vença, o governo Haddad, suas alianças e coalisões, bem como o PT precisam saber "o que fazer?" para reverter não eleitoralmente, mas culturalmente uma lógica política que trava e desamina quem pouco quer entender a dinâmica do interior.

Neste segundo turno os avanços foram poucos, mas expressam o raio de influência por onde o PT governa ou tem força social, como na região de Araraquara com prefeito Edinho a frente, na grande São Paulo em especial Macro Osasco e Grande ABC e na capital a força social do petismo e do anti bolsonarismo. Não fazer a leitura das tarefas necessárias do partido é querer seguir tentado vencer no estado de São Paulo por pura osmose.


 
É inegável que ampliação de Tarcísio, em azul escuro, foi considerável, Haddad empata ou perto por pouco nas cidades marcadas com azul claro e vence nas cidades em tom de vermelho (escuro ou claro). Assim, temos um desafio que não compete apenas ao PT, mas a esquerda de modo geral, se quer vencer na capital financeira do capitalismo brasileiro deve assumir uma estratégia que caiba o interior. O interior paulista representa o conservadorismo das elites do agronegócio, que parece uma versão terrível da pré industrialização paulista e do Brasil de antes da década de 1920-30, e como sabemos pela história, esse tipo de elite tende a ser mais conservadora. A desindustrialização não afetou apenas a burguesia, mas atingiu a esquerda na possibilidade de organizar a classe trabalhadora como polo mais dinâmico e atuante da luta de classes, e com isso, o interior pressionado também por uma economia do empreendedorismo dos serviços é apenas força auxiliar do agronegócio. E os bloqueios dos derrotados só mostra que os desafios são ainda maiores com a consolidação da direita conservadora paulista, se contrapor exige mais do que discurso, exige ação em várias frentes.

Se seguirmos a lógica errada, tenho pena dos meus valorosos companheiros e companheiras interior afora que resistem bravamente pela liberdade, pela justiça social, contra a desigualdade, o agronegócio, entre tantas expressões de uma questão que depende de nós reconhecer que dar invertida nesse mito vai além do "aceitar a derrota". 

Enquanto não mudarmos nossa postura com relação ao interior, onde somos reféns de um mito que nós mesmos alimentamos, se não conquistarmos a população com investimento de fato chegando a quem interessa e possa sentir parte dessa mudança, seguiremos apontando o dedo acusatório para o lugar errado, quando deveríamos nós a apoiar mais e decididamente a corajosa militância desse mesmo interior do estado.

PT: dois partidos e nenhuma direção.



Já aviso aos leitores/as, o artigo é longo e trata justamente do momento presente e futuro que vivemos na política brasileira e em particular da esquerda. Não é uma análise eleitoral Lula x Jair, mas sim de uma reflexão sobre o papel do instrumento político que é o partido político, sua forma partido, uma organização que Gramsci designou ser das organizações a de maior importância na sociedade moderna, pois, expressa os projetos societários em disputa na sociedade. E o intelectual marxista tem toda razão. Somada a compreensão de Lênin, para quem o partido da classe trabalhadora deve ser e expressar a vontade da força social que não só representa, e sim impulsiona as transformações necessárias. Ou para Rosa " vermelha", que exigiu da forma partido uma responsabilidade única sobre o rumo estratégico da classe. Luxemburgo por sinal foi lucida em sua Intervenção no Congresso de fundação do Partido Comunista Alemão (https://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1919/mes/40.htm) ao criticar o boicote da ala esquerdista as eleições da Assembleia Nacional, e conclui dizendo: 

"Concluo com a formulação: entre nós, no que se refere aos fins e às intenções, não há nenhuma diferença. Estamos todos sobre o mesmo terreno, combatendo a Assembleia Nacional como um bastião da contrarrevolução, querendo chamar e educar as massas para aniquilar a Assembleia Nacional. Põe-se a questão da conveniência e dos melhores métodos. O de vocês é mais simples, mais confortável, o nosso é um pouco mais complicado e, justamente por isso, considero-o capaz de aprofundar o revolucionamento espiritual(4) das massas. Além disso, a tática de vocês é uma especulação sobre o precipitar dos acontecimentos nas próximas semanas, a nossa encara o caminho, ainda longo, da educação das massas. A nossa tática leva em conta as próximas tarefas ligadas às tarefas da iminente revolução no seu todo, até que as massas proletárias alemãs estejam maduras para segurar as rédeas. O camarada luta contra moinhos de vento ao atribuir-me tais argumentos. Precisaremos recorrer às ruas. Nossa tática apoia-se no fato de que, nas ruas desenvolvemos a ação principal. Isso prova então que, ou bem o camarada quer empregar metralhadoras, ou bem entrar no Reichstag alemão. Ao contrário! A rua deve, em toda parte, dominar e triunfar. Queremos colocar dentro da Assembleia Nacional um sinal vitorioso, apoiado na ação exterior. Queremos explodir este bastião de dentro para fora. Queremos a tribuna da Assembleia Nacional Queremos a tribuna da Assembleia Nacional e também a das assembleias dos eleitores. Quer você decida assim, ou de outra maneira, fica conosco sobre um terreno comum, o terreno da luta revolucionária contra a Assembleia Nacional." 

 E o que isso tem haver com as eleições de 2020? Tem haver o fato de que há sinais para que tenhamos a certeza que ainda haverá vida longa ao petismo na forma eleitoral e institucional a julgar pelo movimento ou humor dos votos de agora serem uma disparidade com 2018. Fato: 2016-2018 foi a agonia do PT, alvo sempre preferencial das frações burguesas no Brasil, nunca foi o Lula o alvo certo, mas o partido. Lula como maior expressão foi carregado para as amarras lavajatistas porquê essas mesmas frações burguesas sabem que a alta dependência do PT ao lulismo só aumentou pós golpe de 2016, tirar de cena ou enfraquecer essa expressão era necessário. As eleições municipais no mesmo ano confirmaram que a derrota do petismo era certa com a destruição do "cinturão vermelho" na grande São Paulo, em especial na região do grande ABC, isolamento e derrotas em lugares de referência em Minas Gerais (Belo Horizonte) e no Rio Grande do Sul (Porto Alegre), o investimento pesado nas facções fascistas-conservadoras-de direita para prosseguir com a ocupação das ruas, lugar antes legitimo da esquerda. 

O PT preferiu seguir uma conveniente oposição institucional contra Temer, voltado as ruas como se nada tivesse acontecido, preferiu seguir uma onda "Fora Temer" mesmo sem legitimidade, a ter que convocar um congresso extra partidário, não público e de intensos debates e deliberações urgentes. Apostou na solidariedade a prisão política de Lula, focando no apelo "popular" pela sua liberdade, voltado o espetáculo às portas do cárcere na PF de Curitiba, enquanto a vida social seguia agonizante, numa paralisia diante das reformas contra os direitos dos/as trabalhadores/as e aguardando as eleições de 2018. 

A ausência da política para um partido é como um corpo humano sem alma, apenas caminha divagando e aguardando. 2018 derrotados todos, mas todos mesmo que pertencem a esse "establishment político", da direita neoliberal à extrema esquerda não houve um que tenha tratado a candidatura de Bolsonaro como "algo realmente sério". Também vindo de um oportunista que nunca trabalhou na vida e mergulhou a vida política numa veia conservadora e saudosista da ditadura militar mantinha um eleitorado fiel, mas de baixa expressão. Só que o fascismo nunca dorme no ponto. A família mafiosa foi aos poucos ocupando os espaços institucionais do parlamento e como alguém que gosta do poder para seus fins privados teve a sorte do momento histórico batendo a sua porta no Brasil e no exterior. 

O rebaixamento político cultural, educacional e de Estado promovido pelos governos neoliberais e conciliados pelo lulismo-dilmismo foram acompanhados de um híper-colonialismo do modo de viver do capitalismo contemporâneo. Comunismo não, consumismo sim! 

Essa lógica do individualismo empreendedor, desindustrialização, banalização do mundo do trabalho de um lado, precarização de outro, só criou uma versão moderna e controlada da versão da "luta de todos contra todos" do livre mercado. A soma de tudo: acumulo de forças, mudanças na conjuntura, clima favorável e uma sociedade desideologizada abriram a porteira de oportunidades que Jair e a família queriam para dar um salto em suas vidas. E deram. O deputado do baixo clero virou presidente. Ah, esqueci do PT. 

E apesar de ser piada de bolsonarista, não seria errado dizer que nesse caso haveria uma certeza: a escolha de Haddad foi uma decisão pessoal do grande líder, direto da PF. Sem direção, sem congresso, sem nem uma reunião de executiva, mesmo que as atas provêm o contrário, o fato de que Lula tornou-se infinitamente maior que o PT após 2010 e 2016 não há duvidas. A chapa era boa, a campanha no clima bom pós golpe, a ida ao segundo turno mostrou o vigor da indignação e no final faltou aquela reunião, aquele congresso, aquela reunião de executiva...perdemos de um candidato que criou um fato político ainda sem resposta (a feikada) e um ausente nos debates. Um fator também era certo: as frações burguesas tinham a crença de que Bolsonaro seria uma versão "Lula" na economia com um upgrade, uma política econômica mais liberalizante. 

Realmente Haddad-Manuela foram guerreiros nessa eleição, enfrentaram mais oposição do que Lula agora em 2022. 2018-2021 Jair e família mostram o que são e o que sempre foram. O governo parecia um hospício, uma tropa de despreparados que desconheciam o Estado, antissociais com as instituições da democracia burguesa, falavam apenas para o cercadinho, foco numa política econômica e social voltada para o grande mercado. 

Teve pandemia! Sim, uma crise sanitária internacional que aqui foi desprezada, o chefe de Estado cagando e andando para as mortes e para o próprio ministério da Saúde que durante uma crise de saúde teve ao todo quatro ministros em curto espaço de tempo, falta de vacina de um lado, oxigênio do outro, corrupção com recursos da saúde em volumes do tamanho da própria pandemia e o show do negacionismo presidencial e seus aliados. Desemprego, fome, crises sanitárias, humanitária, ambiental, entre tantas. 

Despenca aprovação e sobre rejeição. Para a cúpula do lulismo cenário perfeito para o retorno triunfal. Lula solto, livre, sendo absolvido das acusações e derretimento do lavajatismo que já tinha sido corrompido com a subida de Moro ao Ministério da Justiça de Jair "rachadinha". 

Mesmo assim, as eleições municipais de 2020 ainda demostram que a rejeição ao governo de Jair não é maior do que a rejeição ao petismo, mesmo diante desse cenário na capital paulista um novo nome ascende ao segundo turno, Boulos do PSOL, sinais de mudanças nos colégios eleitorais das capitais e grandes cidades onde parte do eleitorado tende para esquerda. Ainda assim, o centro do comando petista prefere a orientação do grande líder, que teve duas posições em tempos diferentes. 

Na saída da prisão Lula afirma que o PT precisa se reinventar, renovar e ampliar o espaço da juventude, aqui o preço é escamotear e pedir que antigos quadros se afastem ou apoiem novos nomes, e lógico, isso não aconteceu. E não aconteceu porque não era uma diretriz partidária ou orientação tática ou estratégica, mas um discurso num momento de grande comoção. O tempo vai passando e as prioridades mudando. 

Mudam ao ponto de priorizar a mesmíssima lógica: aliança-conciliação-pacificação. Ao PT, siga-se o jogo como foi sempre jogado. Mesmos nomes, mesmos financiamentos, os mesmos acenos e muita simbologia para movimentos sociais, identitários, sindicais e populares. Para quem estava acostumado com as coordenações eleitorais, comando de campanha, deliberações partidárias, nada disso, a novidade é a força do "deixa o Lula me levar, leva eu" e levou mesmo. Autonomia total para quem quer fazer campanha, mas restrição para as decisões políticas no processo eleitoral. 2022 o cenário político eleitoral para centro esquerda é: PT = 14 milhões de votos e a retomada de uma bancada de 80 deputados/as, a mesma que conquistou em 2002. Vai entender o eleitor né. Mas tem explicação.

O PT se consolidou como um grande partido da centro-esquerda brasileira. Sem demérito, é a realidade. Até as eleições de 2002 a disputa interna político e ideológica era intensa, já comentei em outro artigo que neste ano até Suplicy disputou prévias contra Lula, para enfrentar as arrogâncias do campo lulista à época. Ainda existem tendências internas, debates, mas não com a intensidade do período. O último ensaio que pode ter tido algum efeito antes mesmo das eleições de 2014, quando setores do campo majoritário lulista e personalidades do campo de esquerda questionaram a reeleição de Dilma diante da crise política e econômico-social que explodiu em 2013 com as manifestações de julho. Estes setores defendiam um recuo tático, retirando Dilma e recolocando Lula, nesse momento a lavajato ainda não tinha "radicalizado" para prisão de Lula, porém a ideia geniosa pode ter vindo daí, nesse momento até setores da elite e da mídia burguesa já atiçavam as hostes petistas com pesquisas de opinião, simulações eleitorais com Lula e Dilma como candidatos, vale lembrar que a voz da burguesia, o jornal "O Estado de São Paulo" deu destaque para uma pesquisa e a chamada foi "Lula é nome favorito para 2014, aponta pesquisa da CNT, [o] ex-presidente receberia 69,8% das intenções de voto, contra 11,9% do senador tucano Aécio Neves; Dilma foi citada por 59% dos eleitores em cenário sem Lula" (Estado de São Paulo e Reuters de 03/08/12, segue o link: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,lula-e-nome-favorito-para-2014-aponta-pesquisa-cnt,910543)

Após a reeleição de Dilma vivíamos numa montanha russa constante. 2015 foi a luta contra o golpe, não interpretado pelo PT, como um todo, as manifestações contra o golpe foram se intensificando nas ruas fora da orientação partidária, no PT ainda não havia acordo sobre o risco e nos demais partidos a pauta econômica e de reformas não permitia sequer mover-se na defesa contra um golpe contra a presidente. O estado não era nem de atenção, mas de situação estática.

Precisamos passar por dois momentos-chave para que 2016 fosse o ano da crise se tornar um problema real: o impeachment. Vamos lembrar que Cunha havia tentado negociar sua situação na Comissão de Ética do congresso e o PT tinha os votos para engavetar os pedidos de processos contra Cunha. Tensão e apreensão, no final o PT decide pela continuidade do processo e Cunha declara guerra a presidente, o resto já sabemos: golpe!

O PT retornando à oposição não voltou igual ao que era antes. Isso é a lição da política, "tudo que é sólido se desmancha no ar" e o movimento da sociedade é único como água do rio, que mesmo passando por um sistema de tratamento, nunca será mesma água. Fato, o petismo na oposição associada ao lulismo se tornou o mito do lado de cá do progressismo, sem qualquer direção do partido, a reascenção pós golpe de 2016 não foi de um partido ou uma esquerda renovada e sim de um lulismo fortalecido. Lula encarnou para as novas gerações fora do petismo ou incorporadas por ela pós 2016 a oposição ao Temer-Bolsonaro. Não o partido, o instrumento político que por natureza seria a organização estável do movimento da sociedade.

Desde então, o tamanho das tendências diminuem, sua organicidade sendo substituída pelas personalidades e um elemento de classe que acompanha o PT desde a sua fundação: o estigma às correntes de pensamento político ideológico não é novidade e a mídia burguesa ou PIG na definição de Paulo Henrique Amorin (saudoso) sempre reiteraram que se há o que preferir no PT, que fosse o lulismo, pois os "radicais" reunidos ou desunidos no campo da esquerda  socialista e revolucionária precisavam ser combatidos direta ou indiretamente. Sempre houve critica à Lula, mas o tom era bem mais elevado quando o assunto era destas correntes.

2020 a ausência desse PT ideológico mostrou que com uma organização fraca derrotas também no simbólico eram possíveis de acontecer. Na capital paulistana Boulos vai para o segundo turno contra Bruno Covas, o PT tinha como candidato Jilmar Tatto, nome da elite do petismo paulista, influente em inúmeros governos, porém fora da sua zona de conforto amargou um sexto lugar atrás de França, Russomano e Arthur do Val, situação inédita para o PT desde 1988. Essa simbologia também reflete na ampliação e renovação da bancada do PSOL nas eleições de 2018, ainda em São Paulo temos para federal nomes novos como Sâmia na política ultrapassando em votos nomes tradicionais como Ivan Valente e Erundina, e na Assembleia fazendo uma bancada de quatro deputadas, sendo apenas Gianazzi deputado veterano. 

Há uma migração de votos de um eleitorado de um campo de pensamento à esquerda, independente de partido, migrando do PT para outras legendas, em especial o PSOL? Essa é uma questão que realizo na minha análise para justificar que a ausência de uma direção política, não as pessoas, mas as ideias, o programa, a estratégia, o agitprop, enfim, a disputa de projetos que um partido de esquerda deve fazer para conquistar, mudar ou revolucionar uma sociedade e um Estado. 

Primeiro, minha hipótese é que sim. Porque, no campo parlamentar o que se espera de uma representação de esquerda? Combatividade, denúncia, enfrentamento, disposição para o debate, articular a serviço das pautas classistas, trabalhistas, de políticas públicas e populares. E é justamente o que parte significativa das representações parlamentares tem feito em baixa intensidade, sem essa força que sai dos muros dos parlamentos, que ganha as ruas. E me parece que 2022 venho consagrar essa migração gradual de votantes de várias matizes, sejam elas do petismo, da classe assalariada média progressista, de simpatizantes que desagregados da dinâmica partidária petista que institucionalizou sua forma partido, que marca posição cada vez mais plástica e menos carismática, de presença pontual e não de articulação com as pautas e lutas em movimento, do distanciamento do mundo real das relações sociais mais presentes da classe. 

O Psol em números cresceu pouco, mas em intensidade da sua atuação política pela esquerda associada a novos números eleitorais relevantes tem sido um dos canalizadores dessa migração político eleitoral. A bancada federal com Boulos frente como o mais votado do estado para federal com um milhão de votos, seguido de Erica Hilton, Sâmia, Sônia Guajajara e Erundina, e na Assembleia Legislativa, com cinco deputados/as. O fato é que há uma migração sutil de votos petistas para o parlamentarismo psolista, justamente pelos valores que se espera de uma representação parlamentar de esquerda. Falemos do mundo real, no espectro do eleitorado ativo, sejam ativistas ou militantes, relativamente pequeno, estamos falando de Brasil e de uma esquerda que passou da redemocratização até o primeiro mandato do ex-presidente Lula atuando sobre uma metodologia de lutas internas e de movimento definido por um tipo de organização que ficou tradicional, que ainda persiste, mas agora coexiste com novas formas que abarcam as mudanças da sociedade com relação as pautas políticas que passam pelas lutas identitárias e a precarização do mundo do trabalho, as redes sociais virtuais e as relações sociais, a luta pela sobrevivência de um conservadorismo que acusa essas próprias mudanças da sociedade como desestabilizantes do "mundo perfeito" em que vivemos. 

Esse turbilhão de mudanças evidenciam que algo está acontecendo com a base, mas nenhuma análise tem se preocupado com o lado de cá, pois o lado de lá tem causado mais horror. Contudo, o lado de cá é tão fundamental quanto, porquê aqui estão os ativistas e militantes, indivíduos que se movimentam voluntariamente pela causa ou por uma (ou mais) causas, são imprescindíveis pois quando assumem uma luta a fazem com amor revolucionário, cumprem a tarefa, reúnem pessoas, pautam os debates, não são pautados, ou seja, uma base que tem se dispersado na ausência diretiva do PT.

Segundo, a questão da direção não deve ser interpretado como uma reflexão trotskista, por onde as direções são centrais para que as bases se ocupem das tarefas necessárias da revolução. Minha questão é sobre organização, corpo, massa, força social, estas definições que se tornam responsabilidade do partido. Sem partido não haveria Lula, contudo devemos reconhecer que há Lula sem partido. 

Haverá partido com Lula presidente? Haverá partido com Bolsonaro presidente? Sim, haverá, mas não na forma tradicional de antes e nem cativante para uma base decidida a caminhar por ideais. Muitos perguntam como isso é possível se o PT alçou novos sujeitos, com jovens sendo eleitos parlamentares, mesmo diante da crise que se arrastou desde 2016. Bom, a empolgação do pós golpe e a força atrativa do lulismo ainda criam essa figura popular do petismo, mas o petismo não consegue agregar e agradar os seus. Duas situações são emblemáticas e tristes ao mesmo tempo, uma remete a um problema antigo, a interferência do lulismo com seus interesses sobre os interesses do próprio petismo, como em Pernambuco que em nome da coalisão nacional rifou pela segunda vez Marilia Arraes, e lá deu no deu, saída de Marilia. O caso de Renato de Freitas. vereador em Curitiba cassado após participar de um ato contra o racismo em uma igreja católica é emblemática, já que a direção do PT e o próprio Lula foi dúbia e repreensiva ao jovem vereador, que seguiu em frente e foi eleito deputado estadual. A velha lógica que amadureceu após a derrota de 1989, avançou na década de 1990, se consolidou nos governos do PT, agora maduro segue cristalizando uma triste realidade interna: o PT é centro esquerda e ponto!

Agora, na transição do caos para o futuro governo não impressiona que Alckmin seja o coordenador e muito menos as especulações sobre futuros ministros da coalisão, dos aliados do segundo turno ou das representações políticas simbólicas. Diante do quadro eleitoral e do risco que apresentou uma distancia pouco segura de quase 2 milhões de votos de Lula para o segundo colocado, é fato que o PT se resigne a grandeza da tarefa histórica e se preocupe mais em sua organização partidária, no enfrentamento necessário que passa pela formação e educação política, bem como das tarefas do partido-massa.

 Os sinais de que é necessário e possível seguir em frente na tarefa partido-massa é a adesão da juventude à candidatura de Lula, que representou o anti conservadorismo, uma oposição urgente ao projeto conservador de Bolsonaro. Esse fator precisa ser considerado inclusive pelo partido e pelo governo. Outro elemento é a antiga e urgente inversão de valores do "modo petista de governar", onde a pauta ambiental, antiracista, feminista, lgbtqiap+ e de direitos humanos e sociais que precisa ser enraizada por políticas públicas evidentes e realizadoras, e não apenas simbólicas. Enfrentar o modelo capitalista que âncora os desempregados e desprezados em geral do direito ao trabalho sob o signo de um "empreendedorismo" de serviços que é sazonal, atemporal e instável na economia de mercado, e para isso é preciso minar as bases dessa lógica por uma outra economia possível e urgente, a economia solidária por meio das cooperativas, da circulação econômica solidária, de um novo marco das compras públicas como incentivo aos grupos coletivos, como foi na experiência da compra direta da alimentação escolar e as cooperativas da agricultura familiar, com força e peso das instituições, com a busca pela autonomia progressiva em um campo econômico progressista.

A organização partido ainda demostra que nada aprendeu com o golpe de 2016. Preferiu, na oposição, adotar um tom MDB contra ARENA  aguardando 2022 como se fosse um "passeio", a realidade mostrou que o passeio quase se tornou um calvário.

Dou outro lado, na banda B da esquerda brasileira observamos uma renovação não apenas singela, mas efetiva. A consolidação do Psol à esquerda na tarefa parlamentar atraiu inclusive votos de militantes petistas, e digo militantes e não filiados, já que a condição é totalmente diferente. O/a militante se doa, vive e respira a política, se organiza mesmo sem organização, está em permanente luta e debate, exerce a política na rotina e não pontualmente, doa seu tempo, recursos pessoais e o que mais for necessário à mudança da sociedade. Filiado é filiado, está nas fileiras das fichas em algum HD ou armário de metal. Esse fator representa para onde foi empurrado parte da militância petista que tem votado no executivo no PT e no parlamento no Psol. E porquê? Porque o parlamento é o lugar do combate, do embate, do debate, da luta, do enfrentamento, da denúncia, enfim, a busca por projeto societário.

Não há duvidas que o PT seguirá grande. Também não há duvidas de que Lula não é eterno, é humano. Não há duvidas que o PT seguirá sendo um partido como o PSOE na Espanha, influente, mas não empolgante, apenas necessário quando a classe assalariada precisa arrumar a casa. Mas terá coragem de retomar o debate estratégico de partido, sociedade e Estado? 

Poderia dizer: "só o tempo dirá". Porém o tempo é nosso inimigo quando sabemos que a direita reafirma seu projeto e ainda por cima, organizado como um partido orgânico na sociedade e no Estado, usando seu poder já preexistente na superestrutura e na sociedade civil, apoiada na violência como forma de exercer a política, ou como podemos resumir no lema do Partido Novo, "liberal na economia e conservador nos costumes", isso é fascismo clássico. 

O mal ainda está presente e vivo. E nós? Ganhamos a eleição, estancamos a sangria, contudo a luta continua!  






Recomendo aos interessados que leiam: "A social democracia e o PT de Antonio Ozai; os dois livros de Andre Singer, sito, "Os sentidos do lulismo" e a "Crise do Lulismo"; e "O PT e os rumos do socialismo" de Florestan Fernandes.

sábado, 8 de outubro de 2022

Dia 30 de outubro o Brasil precisa barrar o fascismo da presidência e em São Paulo dar uma reviravolta progressista!



Ruas, redes, mensagem direta ou subliminar, não interessa a forma nossa prioridade agora é conversar e convencer com quem tenha escolhido se abster ou que no primeiro turno tenha apoiado qualquer uma das candidaturas que não seguiram no segundo turno.

A mensagem nas redes que foi dita pelo jogador Rai expressa muito da defesa da democracia e da sociedade que queremos para seguir enfrentando problemas e as divergências num campo de debate e não de extermínio como pregam os fascistas.

Não vamos subestimar as forças do bolsonarismo. Basta ver que na grande mídia ah quem esteja fechado e alinhado, observando como a "informação" é emitida se vê que esse apoio é explícito, nesse lugar estão Record, Jovem Pan e SBT com maior poder de fogo, no campo do neutralismo falso estão Band, Globo e TV Cultura e outros, o que dizem e como se reportam tanto a um como a outro é vergonhoso e após essas eleições temos que conversar sobre comunicação. Fazer mensagem subliminar com as medidas destrutivas de Jair não deixa subentendido de que o mesmo é um péssimo governante, oportunista e que faz uso da máquina pública a seu favor. Criticar e subvalorizar os apoios de Lula não expressam "isenção jornalística".

Recomendo a critica dura e certeira de Milly Lacombe sobre o papel da mídia (segue o link: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/milly-lacombe/2022/10/05/midia-deve-assumir-seu-papel-na-naturalizacao-da-extrema-direita-no-brasil.htm), lá no seu artigo chamado "Mídia deve assumir seu papel na naturalização da extrema-direita no Brasil" faz uma reflexão crítica seria sobre como a naturalização do fascismo representado pelo conservadorismo de base do sr. Jair representa uma força política presente e maior que o seu líder, e que mesmo o fascismo necessitando de um líder populista para construir o seu espaço, a "neutralidade" da mídia diante dos fatos positivos e republicanos das gestões do ex-presidente Lula e Dilma, ofuscam o debate sobre o papel do Estado e os rumos do desenvolvimento da sociedade brasileira.

A linha adotada pelo campo que elegeu mandatos populares com Boulos a frente tem representado uma fora corajosa de enfrentar o momento político-eleitoral e poderá ser a nova dinâmica da organização política militante, que já tem um programa político pré-concebido das pautas gerais dos/as trabalhadores/as e que precisam de uma direção-ação.

Mesmo que tenhamos visto a campanha de Lula nas ruas, ação que deveria ter sido mais intensa no primeiro turno, o fato é que o maior partido da centro-esquerda ainda não acordou da ressaca do dia 02/10/22. Segue apenas dando a mesma orientação para militância na forma como atuar na campanha, pontualmente, sem uma unidade de ação da sua base, em especial, aqueles militantes e ativistas liberados, para que se tomem as ruas. 

A disposição fica mesmo para base que está presente no dia a dia da classe. No trajeto do trabalho, na padaria, na hora do almoço com os colegas, na parada para descansar, enfim, para grande parcela que segue em luta mesmo sem a direção na forma partido ou de outra organização que entenda a responsabilidade do momento. Quem de ausenta agora e espera jogar pedras na vidraça no futuro deveria ter o caráter de de ausentar também do debate de um futuro governo Lula, não merece crédito já que preferiu jogar com a sorte frente a ameaça fascista presente.

Não sabemos ainda, mas o risco de termos a votação da PEC 32 sendo votada até antes do dia 30/10/22 exige de todos, servidores públicos e população atendida, o máximo de alerta, já que quer enterrar não os trabalhadores do serviço público, mas principalmente a constituição, que garantiu a estabilidade dos servidores/as para que o trabalho realizado fosse a serviço do público, com impessoalidade e responsabilidade com a "coisa pública", algo que funcionários contratados por empresas, em geral apadrinhadas pelos políticos profissionais de plantão, quebrando essa relação, jogando favorável aos interesses das instituições e não da população, e essa poderá ser a mais séria batalha que vamos travar.

Dito isso, adesivo no peito, certeza na frente e a história na mão. 

Dia 30 de outubro 22, votar 13 sem vacilar. É resistir e seguir em frente.


sexta-feira, 23 de setembro de 2022

É tempo de resistir.



É tempo de resistir. É tempo de recuar pelo mal maior. É tempo de mudar e seguir em frente. O Brasil não pode seguir sendo governada por um fascista, financista e corrupto das milícias. 

Que despreza a vida, que desrespeita o país, que destrói serviços públicos e direitos sociais em nome de orçamentos secretos, que conduz a morte encoberta por um discurso de "pátria" que nem ele mesmo acredita. Foram anos de covardia contra o povo, em especial os/as trabalhadores/as. 

Voto Lula pelas suas virtudes. Voto Lula pelas qualidades do seu governo. Voto Lula porque mesmo depois de tenta perseguição, tanta estória negativa e tanta mentira ele segue o caminho que escolheu: ser alguém que mesmo humilhado no passado, sabe que o Brasil precisa de reconstrução. 

Em São Paulo podemos finalmente derrotar quase três décadas de destruição do estado promovido pelo Psdb. Voto Haddad. 

Respeito quem cumpre acordo, mesmo com diferenças votarei em Marcio França senador. 

E para meus deputados federal, irei votar em Boulos - 5010, pois é a voz que me representa na luta anticapitalista e para deputado estadual voto em Edmilson Souza - 50600, primeiro vereador do Psol de Guarulhos, um militante que confio para esta tarefa. Mas, ao mesmo tempo também indico outro lutador, com quem caminhei em vários momentos e sei que também será um gerreiro na tarefa parlamentar, companheiro Julio do Quilombo Periférico - 50020. 

É tempo de se animar, sim, mesmo diante do caos, o sorriso largo na certeza de que não nos derrotarão. Se querer guerra, não esperem de mim a outra face, mas o punho cerrado, o futuro pertence ao que lutam, não aos que se acovardam! 

Ousar lutar, Ousar vencer.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Nossas crianças serão alfabetizadas e olharão para o futuro com dignidade? | Carta semanal 28 (2022) - do Instituto Tricontinental

 

Nossas crianças serão alfabetizadas e olharão para o futuro com dignidade? | Carta semanal 28 (2022)

Nú Barreto (Guiné-Bissau), A Esperar, 2019.

Queridos amigos e amigas,

Saudações do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.

O mundo está à deriva nas marés da fome e da desolação. É difícil pensar em educação, ou qualquer outra coisa, quando seus filhos não podem comer. E, no entanto, o forte ataque à educação durante a última década nos obriga a considerar o tipo de futuro que os jovens herdarão. Em 2018, antes da pandemia, as Nações Unidas calculou que 258 milhões de crianças, ou seja, uma em cada seis crianças em idade escolar, estava fora da escola. Em março de 2020, início da pandemia, a Unesco estimou que 1,5 bilhão de crianças e jovens foram afetados pelo fechamento de escolas; impressionantes 91% dos estudantes em todo o mundo tiveram sua educação interrompida pelos isolamentos e lockdowns.

Um novo estudo da ONU divulgado em junho de 2022 descobriu que o número de crianças passando por dificuldades em sua educação quase triplicou desde 2016, passando de 75 milhões para 222 milhões hoje. “Essas 222 milhões de crianças”, observa o programa Educação Não Pode Esperar, da ONU, “estão em um espectro de necessidades educacionais: cerca de 78,2 milhões (54% meninas, 17% crianças com dificuldades funcionais, 16% deslocadas à força) estão fora da escola, enquanto 119,6 milhões não atingem a proficiência mínima em leitura ou matemática nas séries iniciais, apesar de frequentarem a escola”. Muito pouca atenção está sendo dada à calamidade que isso imporá às gerações vindouras.

O Banco Mundial, em colaboração com a Unesco, apontou que o financiamento para a educação caiu em países de baixa e média renda, 41% dos quais “reduziram seus gastos com educação com o início da pandemia em 2020, com um declínio médio nos gastos de 13,5%”. Enquanto os países mais ricos retornaram aos níveis de financiamento pré-pandemia, nos países mais pobres o financiamento passou a ser abaixo da média pré-pandemia. O declínio no financiamento para a educação produzirá uma perda de quase 21 trilhões de dólares em ganhos ao longo da vida, muito superior aos 17 trilhões de dólares estimados em 2021. À medida que a economia vacila e os donos do capital aceitam o fato de que simplesmente não vão contratar bilhões de pessoas que se tornam – para elas – “população excedente”, não é à toa que o foco na educação seja tão marginal.

 

 

Professora escreve em lousa em uma escola do PAIGC em uma área liberada nas florestas da Guiné, 1974. Fonte: Roel Coutinho, Guiné-Bissau e Senegal Photographs (1973–1974).

 

Olhar para os experimentos de libertação nacional de uma época anterior revela um conjunto de valores totalmente diferente, que priorizava acabar com a fome, aumentar a alfabetização e garantir outros avanços sociais que aumentassem a dignidade humana. Do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social vem uma nova série chamada Estudos sobre Libertação Nacional. O primeiro estudo desta série, A Educação Política para a Libertação da Guiné-Bissau (1963–1974), é um texto fabuloso baseado na pesquisa de arquivo de Sónia Vaz-Borges, historiadora e autora de Educação militante, luta de libertação e consciência: a educação do PAIGC na Guiné-Bissau, 1963-1978 (Peter Lang, 2019).

O PAIGC, abreviação de Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, foi fundado em 1956. Como muitos projetos de libertação nacional, o PAIGC começou dentro do quadro político estabelecido pelo Estado colonial português. Em 1959, os estivadores do cais de Pidjiguiti entraram em greve por melhores salários e melhores condições de trabalho, mas descobriram que os portugueses “negociavam” com armas quando mataram cerca de 50 trabalhadores, deixando outros feridos. Esse massacre convenceu o PAIGC a prosseguir uma luta armada, estabelecendo zonas libertadas do domínio colonial na então Guiné (hoje Guiné-Bissau).

Nessas zonas libertadas, o PAIGC implantou um projeto socialista, que incluía um sistema educacional que buscava abolir o analfabetismo e criar uma vida cultural digna para a população. É essa busca de um projeto educacional igualitário que nos chamou a atenção, pois mesmo em um país pobre e enfrentando a repressão armada do Estado colonial, o PAIGC ainda desviou preciosos recursos da luta armada para construir a dignidade do povo. Em 1974, o país conquistou sua independência de Portugal; os valores desse projeto de libertação nacional continuam a ressoar em nós.

 

 

Estudantes dentro de uma sala de aula do PAIGC em uma escola primária nas áreas liberadas, 1974.
Crédito: Roel Coutinho, Guinea-Bissau e Senegal Photographs (1973–1974)

 

O projeto de libertação nacional que o PAIGC iniciou tinha dois objetivos simultâneos:

  1. Derrubar as instituições coloniais de opressão e exploração.
  2. Criar um projeto de reconstrução nacional para buscar a libertação econômica, política e social do povo que se oporia aos resíduos tóxicos deixados pelas estruturas coloniais nos corpos e mentes.

Até 1959, não existiam escolas secundárias na Guiné-Bissau, controlada pela monarquia portuguesa desde 1588. Em 1964, o primeiro congresso do PAIGC, sob a liderança de Amílcar Cabral, fez a seguinte promessa:

Criar escolas e desenvolver a instrução em todas as áreas libertadas. […] Melhorar o trabalho nas escolas existentes, evitar um número muito elevado de alunos que pode prejudicar o aproveitamento de todos. Criar escolas, mas ter em conta as possibilidades reais para evitar que depois tenhamos que fechar algumas escolas por falta de meios. […] Criar cursos especiais para formação e aperfeiçoamento de professores […] Criar cursos para ensinar a ler e a escrever aos adultos, sejam eles combatentes ou elementos da população. […] Criar, a pouco e pouco, bibliotecas simples nas zonas e regiões libertadas, emprestar aos outros os livros a que dispomos, ajudar outros a aprender a ler um livro, o jornal e a compreender aquilo que se lê.

Quem sabe deve ensinar quem não sabe, diziam os quadros do PAIGC, conforme se empregavam muitos esforços para ensinar alfabetização básica, a história de sua terra e a importância de sua luta pela libertação nacional.

 

A student uses a microscope during a PAIGC medical consultation in a college in Campada, 1973. Source: Roel Coutinho, Guinea-Bissau and Senegal Photographs (1973–1974)

Estudante usa um microscópio durante uma consulta médica do PAIGC em uma faculdade em Campada, 1973.
Crédito: Roel Coutinho, Guinea-Bissau e Senegal Photographs (1973–1974)

 

O nosso estudo explica todo o processo do sistema educativo criado pelo PAIGC, incluindo uma avaliação das formas e práticas educativas. Central para o estudo é um olhar atento sobre a pedagogia do PAIGC e seu currículo anticolonial e centrado na África. Como observa nosso estudo:

As experiências do povo africano, seu passado, seu presente e seu futuro tinham que estar no centro dessa nova educação. Os currículos escolares precisavam lidar e serem moldados pelas formas de conhecimento que existiam nas comunidades locais. Com essas novas abordagens, o PAIGC pretendia cultivar nos estudantes um sentido pessoal de obrigação para consigo próprios, com seus pares e com suas comunidades. Já em 1949, Cabral defendia que a produção de conhecimento se concentrasse nas realidades africanas existentes através das suas experiências de investigação sobre as condições agrícolas em Portugal e nos seus territórios africanos. Ele argumentou que uma das melhores maneiras de defender a terra era aprender e entender como usar o solo de forma sustentável e melhorar conscientemente os benefícios que obtemos dele. Conhecer e compreender a terra era uma forma de defender o povo e seu direito de melhorar suas condições de vida.

O estudo é cativante, uma janela para um mundo que foi vencido pela austeridade do ajuste estrutural do Fundo Monetário Internacional que arrasta a Guiné-Bissau para a turbulência desde 1995, com uma taxa de alfabetização perto de 50% – chocante para um país com o tipo de possibilidades de libertação postas em marcha pelo PAIGC. A leitura do estudo abre janelas de outrora, esperanças que continuam vivas enquanto nossos movimentos permanecerem atentos e retornarem à fonte para construir futuros melhores.

 

 

Watch the Video

Cesária Évora (Cabo Verde) sings Amílcar Cabral’s poem ‘Regresso’, 2010.

 

O líder do PAIGC, Amílcar Cabral, foi assassinado em 20 de janeiro de 1973, um ano antes de o colonialismo português sofrer uma derrota histórica. O PAIGC sofreu com a perda de seu líder. Em 1946, Cabral escreveu um poema lírico, “Regresso”, que apontava para a ética do movimento pelo qual deu a vida. “Retorno” era um termo importante no vocabulário de Cabral, a frase “retorno à fonte” era central em sua visão de que a libertação nacional deve tratar o passado como um recurso e não como um destino. Escute a grande cantora de Cabo Verde, Cesária Évora, declamar o poema de Cabral acima, e leia abaixo, uma porta para as esperanças que temos de uma educação libertadora:

 

Mamãe Velha, venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
Que vibra dentro do meu coração

A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,
Que há tanto tempo não batia assim…
Ouvi dizer que a Cidade-Velha
– a ilha toda –
Em poucos dias já virou jardim…

Dizem que o campo se cobriu de verde
Da cor mais bela porque é a cor da esp’rança
Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.
– É a tempestade que virou bonança…

Venha comigo, Mamãe Velha, venha
Recobre a força e chegue-se ao portão
A chuva amiga já falou mantenha
E bate dentro do meu coração!

 

Cordialmente,

Vijay.

terça-feira, 19 de julho de 2022

16 de julho de 2022. Entrega dos arquivos e a memória da UGES para o CEDEM, o Centro de Documentação e Memória da UNESP




 16 de julho de 2022. Realizei a entrega dos arquivos e a memória da UGES que estavam sob minha responsabilidade para o CEDEM, o Centro de Documentação e Memória da UNESP. Foi com orgulho e certeza que esse acervo agora estará preservado para pesquisadores/as do Brasil e do mundo que poderão resgatar e preservar a memória das lutas de inúmeras gerações de estudantes que ousaram sonhar e lutar por uma sociedade justa, igualitária, anticapitalista e de direitos humanos e sociais.


A UGES foi e é uma escola permanente viva na história e na coragem da juventude brasileira. Lá, onde a partir dos meus 14 para os 15 anos comecei minha militância política. Foi minha escola de valores humanos, de amizades e companheirismo. Carrego na alma e no coração meus tutores, mestres e guerreiros e guerreiras que me formaram. Pode ser que eu seja injusto em não citar algum nome, a falha é humana. Mas sei que não vamos parar por aqui. Quero agora seguir na fase de colher as histórias orais de cada um e cada uma que fez parte da UGES e foi esse forte coração de estudante!

Aos compas David Fumyo, Luis Claudio e Valdir Ramos Cunha. Aos que me acolheram Luciano, Marcos Silva, Marina Pinto (em memória), Jairo, Janecleide, Benedita, Wagner (de Arujá) entre tantos. Aos que militaram ombro a ombro Rover Marinho, Edlene, Marcos, Andre, Olívia Andreoli, Sidnei, a companheirada das escolas estaduais que visitei passando por debaixo de catraca de ônibus, andando a pé e seguindo no passo da luta! Agradecimento a minha companheira Tati Lima, que está sempre ao meu lado e Edvaldo Belussi companheiro e amigo, que me acompanharam nesse momento.

E aos e ás companheiros/as do CEDEM que fazem da universidade pública um lugar de resistência das lutas coletivas da classe trabalhadora. Muito feliz mesmo! Uma felicidade que não cabe no peito.