terça-feira, 24 de março de 2020

"O preço a pagar?"

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O afastamento de Bolsonaro estaria em pauta? No meu último artigo, escrevi sobre os riscos da decretação de um "estado de sítio" justamente pelo sr. Jair B., mas como a política nacional está mais contaminada pela crise do bolsonarismo do que a população em geral pelo coronavírus (Covid-19), eu suponho que os movimentos da política nacional mudaram, ou vão mudar.

Análise política é sempre em tese, não é um jogo de adivinhação e nem previsão do tempo, mas é um recurso, nesse momento, necessário.

Lênin tratava momentos chave de crise como oportunidades históricas das forças políticas, contudo, nem sempre dava em revolução proletária, muito pelo contrário, na maioria das vezes deu merda. Bom, após o discurso em cadeia nacional do sr,. Jair à nação, desprezando as orientações de organizações como OMS - Organização Mundial da Saúde e fazendo disputa contra possíveis adversários políticos nos governos estaduais, Doria e Writzel, em particular, desdenhando da crise de saúde pública e gerando novo desconforto político institucional, conseguiu em um discurso UNIFICAR o país contra si próprio. Podemos até dizer que pelo menos fez algo certo desse vez.

Mas piadas à parte, o certo é que o cenário pode estar mudando. 

Vamos lembrar do rito para um impeachment do presidente? Pedido feito ao Congresso, que analisa a admissibilidade (lembra do Cunha?!) que se considerar procedente AFASTA o chefe da nação e dá início ao processo que irá avaliar pela procedência ou não do afastamento definitivo. Vice assume nesse período.

Opa, você diria: "Peraí, o sr. Jair fez composição com os militares e Mourão é fiel", desde que não haja uma articulação antes, pois, em política o que vale é a estratégia. 

O afastamento até concluir o processo é de 180 dias. Bom, 180 dias é um bom tempo para que as forças políticas se reagrupam em torno do novo chefe da nação que pode escolher seus "Golberys", reunificar os poderes, destinar recursos para estados e munícipios para atender a crise de saúde, colocar as forças armadas no atendimento de saúde pública com exército, aeronáutica e marinha, dar respostas rápidas, coesionar a opinião pública via mídia hegemônica, enfim, uma nova versão do "com supremo, com tudo" de Jucá. 

Mas e a base bolsonarista? Parte dela não poderá sair as ruas, parte não sairá pelo puro egoísmo individualista de medo da contaminação pelo Covid-19 e frações podem rachar até aí. Como já disse, em política se joga com estratégia. 

Parece uma analise simplista né. Mas os fatos e as entrelinhas não dormem no ponto e o discurso de hoje coesinou muitas figuras da velha e "nova" política. Basta dar uma olhada, e dessa vez não vou linkar em matéria externa nenhuma, é público e notório. 

É um jogo para ser jogado. E nesses casos Brasília não dorme, pode ser que seus protagonistas não queiram aparecer agora, mas dormir diante disso, nunca. 

Diante de um quadro favorável, nada muda em termos de reformas neoliberais se Bolsonaro cai. Não há ilusões que o possível governo Mourão vai ser tão mais alinhado à política econômica neoliberal que o próprio Bolsonaro, mas com um detalhe, sem combustão do atual chefe do executivo. Vai ser mais "liberal-republicano".

Com uma esquerda fragmentada em projetos, sem unidade nas oposições, com interesses para todos os gostos e uma tendência ao suicídio, não há sinais de que esse protagonismo seja da esquerda nesse quadro, e por isso o título desse artigo é "o preço a pagar".

Vamos aceitar pagar esse preço para retirar esse fascista do poder? 

O cenário pode não ser esse, ou poder ser outro, ou pode ser qualquer um. O certo é que seja qual for o cenário que possa derrubar Bolsonaro, nenhum deles inclui na linha de frente a nossa esquerda, pelas debilidades existentes (sem unidade, sem liderança em comum, Lula livre mas sem alianças sólidas, o dilema do projeto e do trabalho de base, enfim) e nenhum cenário será progressista. 

E quais sinais do dia de hoje: a nota do Senado pela sua presidência de Alcolumbre e Anastasia, lideranças do DEM, PSDB, Novo, antigos aliados do bolsonarismo, entre outros. E uma msg que uma amiga enviou que é o vídeo do comandante do exército que "orienta" as tropas para apoiarem a "guerra contra o vírus" (https://www.youtube.com/watch?v=f1pmexyCcGg), declaração insituticonal interna no mínimo estranha, ou seja, há movimentações sendo feitas.

E pense firme se valerá o "preço a pagar?" Vejam que isso num contexto em que Maia não aparece com destaque e defende descaradamente a redução dos salários dos trabalhadores/as do serviço público, passando ileso. (De um lado o "bunda-molismo" da nossa elite sindical, do outro uma catarse diante do que fala e pensa o sr. Jair.)

Será esse o preço a pagar?


ps.: Será esse o preço que a esquerda irá pagar pela ausência de uma estratégia?

domingo, 22 de março de 2020

Aos que acompanham esse blog, minhas desculpas!



Zeca Afonso - Grândola, Vila Morena





Olá,



Estive sumido, seja pelas tarefas ou pela perplexidade. As tarefas, como sabem, são do cotidiano. Mas a perplexidade é sobre esse vergalhão de situações absurdas, ignorantes e oportunistas vindo de um indivíduo que usurpou um poder (e a CPI  das Fake news me peritem agora falar assim) e se instalou em Brasília atuando como analisei em artigos anteriores.



Me afastei de escrever sobre o esse caos que é o governo do Bolsonaro e sua famiglia justamente porque iria "chover no molhado". Já há na mídia oficial, mercadológica e popular muita informação. evidente que da oficial e do mercado só escondem a vergonha em nome das reformas neoliberais, anti-soberanas e pró elites. Já havia sinalizado que esse era o governo que iria criar fumaças para encobrir seus desmandos e interesses econômicos-financeiros, e isso se confirmou, em especial, na reforma da previdência.



Diante desse tsunami de merdas, não consegui forças para emitir - mais uma - voz crítica desna, tenho utilizado mais o twitter (que está linkado com este blog), melhor ser mais objetivo nesse momento.



Porém, também exige de nós, militantes de esquerda, nos posicionarmos sobre como superar esse momento.



Por isso, peço desculpas pela publicação irregular de posições. Tentarei ser mais disciplinado.



Falando em disciplina: leiam Marx e leiam Lênin.



E para não perder a fé a esperança, deixo uma música que sempre me emociona: "Grandôla vila morena" foi a canção que embalou a resistência e a derrubada da ditadura em Portugal, onde não estava apenas na pauta derrubar o governo ditatorial, mas também defender a libertação dos povos subjugados e mantidos como colônias de Portugal.



Seguimos resistindo. Mas não vamos vencer sem luta!

Um sinal de alerta: coronavírus e a ameaça à democracia.

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"Prevenir é melhor do que remediar", essa frase pode ser verdade para esse momento de crise de saúde pública internacional, quanto a defesa da democracia brasileira. Parar e organizar parte da vida em tempos de reclusão nos faz refletir mais do que de costume. Ao ver na minha estante a nossa Constituição da República Federativa de 1988, me lembrei que havia feito uma breve consulta às brechas constitucionais, em especial aos artigos 137, 138 e 139 que tratam do "estado de sítio", e logo associei ao momento de caos político e institucional que passamos desde o golpe de 2016 e agora desde a posse de Bolsonaro em 2018. 

Numa rápida pesquisa na internet vi que o assunto é real: o deputado federal do PSB do RJ, Alessandro Molon levantou a bola sobre os riscos de uso da crise sanitária em nome de uma "defesa da população e do país, e acendeu o sinal de alerta. (link: https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/congresso-esta-atento-pra-bolsonaro-nao-decretar-estado-de-sitio-diz-molon/)

Por coincidência o professor José Eduardo Faria, professor titular e decano da Faculdade de Direito da USP e chefe do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito escreve na data de hoje (22/03/20) no jornal conservador e neoliberal, "O estado de SP" sobre esse assunto sob o título: "Pandêmia e estado de sítio", ao analisar a competência do atual governo afirma: "É nesse contexto em que um capitão ignaro, tosco e populista conseguiu se sobressair prometendo, em vez de políticas que alterem as estruturas da sociedade, “salvá-la” de inimigos imaginários. Em que um mau militar, como reconheceram seus antigos superiores – militar esse que cresceu na vida pública fazendo do cinismo e da mentira seus principais instrumentos de ação, ascendeu politicamente, apesar de ter uma visão de mundo da altura do rodapé.".

E dá o tom do "alarme" sobre um possível estado de sítio: "É por isso que, nesse cenário, tem de ser visto com enorme preocupação um eventual pedido de Estado de Sítio para conter a desordem que a pandemia poderá trazer. Entre outros motivos, porque esse pedido pode ser uma tentativa de usar mecanismos jurídicos da democracia pata corroê-la; de se valer do princípio da “comoção grave de repercussão nacional” e da “declaração de estado de guerra” a um vírus estrangeiro como pretexto para cercear liberdades públicas e restringir os direitos de manifestação e protesto.", ou seja, para um oportunista, tudo vale. E nesse caso confiar na "capacidade" do governo Bolsonaro em gerir a crise a partir de um "estado de exceção" é como confiar que a raposa não irá atacar nenhuma galinha, a não ser que a raposa seja vegetariana, o que não é o caso.

Os influenciadores da "famiglia" - mafiosa e miliciana - tem como "consultores" agentes do atual conservadorismo neoliberal, que vêem mais oportunidade em crises como esta para seus interesses no poder, do que ter uma postura "republicana".

Antes disso, publicado na agência Brasil, órgão do governo federal em 20/03/20 a informação publicada foi sobre esse assunto: "Decreto de estado de sítio não está no radar, diz Bolsonaro", e das questões abordadas, há uma frase de Bolsonaro que diz: "Ainda não está no nosso radar isso, não.", ou seja, onde há fumaça, pode haver fogo. (link: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2020-03/decreto-de-estado-de-sitio-nao-esta-no-radar-diz-bolsonaro)

A questão é: Ah uma ameaça a democracia? O que pode representar uma crise de saúde pública que impacta em todos os setores e segmentos do país, e que precisa de uma estrutura e infraestrutura capaz de dar respostas ao processo de contenção e atenção à população, diante de um governo federal preocupado exclusivamente com seus interesses no poder? Tal combinação representa perigo a nossa existência humana, evidente, mas e as instituições do Estado? E se setores do bolsonarismo entenderem que a crise de saúde tornasse uma oportunidade para provocar uma ruptura com a democracia, agora sobre uma "causa nobre"?

Qual deve ser a reação das esquerdas? Esperar o movimento atual? Ou reagir? Reagir entrando em discussão permanente, nem que seja remoto, por meios digitais, enfim, é urgente promover discussões em torno do tema, agir em estado de alerta contra o que será pior do que o próprio vírus, o vírus da ignorância e do oportunismo que representa Bolsonaro e sua "famiglia". Pois, a crise de saúde poderá e deve ser superada, mas a crise da democracia pode perdurar mais do que três anos ou até 2022. 

"Canja de galinha e repouso" agora não faz mal a ninguém. Ficar alerta com a democracia, seja em casa ou não também.

E nesse caso "bater panela" não vai substituir a velha e necessária articulação política.

É sério e urgente compas!!!