quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Vamos resistir e derrotar o fascismo com estudo e luta: doe agora!

 

https://www.expressaopopular.com.br/loja/produto/mochila-militante/

Mochila Militante

R$50,00

solidariedade é um dos pilares da e para a Editora Expressão Popular por ser o valor que temos como central para a construção do novo ser humano e de uma nova sociedade.

Na conjuntura que vivemos, com tantas ofensivas por parte do governo e das classes dominantes contra a vida, a Expressão Popular se propõe, em conjunto com os movimentos, a fomentar o desenvolvimento do trabalho de base nas periferias das cidades. Seja pela construção de bibliotecas populares, seja pela entrega da mochila militante.

Durante os três primeiros meses de 2021 entregaremos 500 Mochilas para 500 militantes que estão atuando nas periferias urbanas em 24 Estados do Brasil, contendo 3 livros, 3 cartilhas e um caderno, leituras fundamentais para compreender a nossa conjuntura e a dinâmica da luta de classes! Uma forma concreta de participar do processo de formação pessoal de cada militante.

Seguiremos o exemplo de Che que sempre carregava livros em sua mochila e o ensinamento de Paulo Freire: “A leitura é um ato de amor”.

Participe fazendo qualquer transferência bancária:

Editora Expressão Popular Ltda (CNPJ: 03.048.166/0001-76)

Banco do Brasil – Agência: 0442-1  | C/C: 283858-3

Ou simbolicamente assumindo os custos de uma (ou mais) Mochila Militante! Para saber mais informação sobre a campanha, envie um email para solidariedade@expressaopopular.com.br

497 em estoque

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Expressão Popular e Movimentos Populares

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Afasta de mim esse Lula!

 


Afasta de mim esse Lula!

Na política nada é previsível. Mas alguns fatos ainda deixam inquieto esse inexpressivo militante, que depois de quase 24 anos dedicados ao partido, ainda se surpreende com algumas posições.

Os personagens da semana são Jaques Wagner, Alberto Cantalice e Paulo Paim, para citar alguns que declararam publicamente que após o resultado das eleições municipais de 2020, “o PT deve seguir sem Lula", "buscar se renovar e ter mais autonomia”, ou seja, que o partido siga sem a interferência do grande líder dos povos, presidente de honra do partido, filho incontestável da categoria metalúrgica do ABC, enfim, pedem “renovação” que passam por “dar férias” para Lula.

Já vi movimentos parecidos como este e que naufragaram, sito a “Mensagem ao partido" que surge como alternativa de ex-dirigentes do campo majoritário envergonhados com a crise do “mensalão" e que em geral tentam oportunamente se aproveitar das crises pelo qual passam o partido. A proposta não vingou porque subestimou a máquina partidária majoritária que no pós Lula 2002 mudou de nome de “Articulação Unidade na Luta” para “CNB” Construindo um Novo Brasil.

Quero aqui declarar minha posição histórica: no PT nunca fui lulista. Militei na esquerda socialista do PT, compus coletivos e teses como “Socialismo ou Barbárie” no final da década de 1990, a “Esperança é vermelha", dentre outras chapas e teses que defendiam que Lula, como figura pública, deveria se centralizar como militante e filiado, se submetendo a decisões coletivas do partido. Relembremos 2002, onde Lula na sua postura arrogante de exigir do partido “unanimidade", votamos em Suplicy defendendo o debate e da democracia interna.

Sempre fui petista, buscando construir um partido da classe trabalhadora, por isso, nunca fui lulista. Não desprezo e nem desrespeito sua história e o que representa, mas o partido deve ser o instrumento das lutas e não suas personalidades.

Muito bem. Diferente de mim e de vários militantes que tem essa compreensão e construção do PT, os companheiros Jaques Wagner, Alberto Cantalice e Paulo Paim literalmente cospem no prato que comeram e se lambuzaram, são do campo majoritário e dirigentes da CNB (Construindo uma Nova Balbúrdia) e ao se referirem assim ao grande líder é a mais alta traição.

A conjuntura política é caótica. O Bolsonarismo fascista neoliberal dá sinais que sobreviverá e não irá sair tão cedo do poder, pois se mantém vivo pela política econômica entreguista e financeira de que é fiadora ancorada em Paulo Guedes, o seu mandato e a pilhagem do Estado entregue aos partidos do “centrão” seguem como um projeto de tornar o país numa caricatura da economia dos EUA.

Assim, devemos considerar a narrativa fascista mais funcional ao financerismo neoliberal e dessa elite medíocre, do que um governo dos “bons costumes” tipo Jânio Quadros. Não, esse é um projeto que une mais interesses particulares de riqueza pessoal por meio do Estado que inclui um laissez faire laissez passer geral do bloco político e econômico dominante. Como disse a economista Maria da Conceição Tavares, “o tempo dos capitalismos nacionais ficou no século XX”, esse século XXI retrocedeu duas casas e se converteu em século XIX nas relações de trabalho e na brutal normalização da desumanidade.

Defender projetos nacionais sem que possamos antes discutir como construir um processo que recomponha a condição da classe trabalhadora em vínculos duradouros primeiro de sobrevivência e depois de organização, mesmo que não seja por um vinculo formal, mas que garanta uma renda fixa, continua e não essa lógica da uberização, que coloca a vida humana sempre no fio da navalha, ou enfrentamos essa realidade ou nenhum discurso ou ação pontual será capaz de retomarmos a luta de classes pelo menos num nível aceitável de resistência.

O fato é que essa classe trabalhadora apoiada na grande indústria, com vinculo formal e que compunha parte orgânica do Estado está fragilizada, isso quando observamos que a indústria nacional corresponde por 22% em 2019, empregando 20% dos/as trabalhadores/as formais frente aos quase 20 milhões de desempregados em 2020, parte causada pela pandemia do COVID-19 e da negligência do governo Bolsonaro e dos estados como Doria em São Paulo, e frente aos 38 milhões de trabalhadores/as informais, temos um vazio que é acompanhado pela redução de políticas públicas que poderiam reduzir esse desastre nacional.

Não derrotamos a lógica da privatização durante os governos do PT, a escolha foi uma “convivência pacifica”, não potencializamos e nem aproveitamos para criar alternativas como na economia solidária ou cooperativismo, menosprezamos as possibilidades de democratização e democracia participativa por meio de políticas sociais, não fortalecemos no campo, em particular, as organizações camponesas, quilombolas e indígenas, nos apoiamos num republicanismo pobre que em 131 anos de República sempre foi marcado por regimes autoritários, ditatoriais e antidemocráticos, subestimamos a formação da Escola Superior de Guerra e que forma ainda nas suas salas de aula um típico militar oportunista e autoritário, de ideologia dominante, vê na ascensão dos pobres uma declaração de guerra contra sua civilização perfeita.

E diante disso tudo, Lula ainda teve que ser “cancelado” pelas elites e seus mercenários no Poder Judiciário, não bastava o golpe midiático-judicial-parlamentar-machista, precisava neutralizar a esquerda e a centro esquerda. Lula livre acabou se tornando uma ideia frente a uma ameaça que não privava apenas o PT, mas toda esquerda brasileira, ausente e escamoteada dos instrumentos do Estado. Não construímos hegemonia, e mesmo as armas que temos precisariam ser retiradas, nessa conjuntura totalitária, Lula “paz e amor” também não poderia jogar o jogo.

Reafirmo minha análise anterior: o partido não compreendeu o que aconteceu em 2016. Não compreendendo a dimensão do golpe segue tratando 2018 como uma “gripezinha” e anestesiado com um segundo turno que levou Haddad não vê as ameaças que seguem construindo o poder das elites e destruindo o Brasil.

Quer tratar a disputa de 2022 como um problema de nomes ou alianças. Atua ainda na ação cosmética e estética dos problemas dos movimentos sindical, popular e da esquerda, segue fazendo disputas, cálculos e negações diante da realidade.

Prefere do esgoto das velhas articulações usando palavras como “renovação”, querem ser a patética reprodução falseada da sua “revolução democrática” que não construiu um novo Brasil, mas pela ausência de constituir uma classe trabalhadora fortalecida, preferiu governar para uma classe assalariada média despolitizada, medíocre e ávida por privilégios das quais não tem e não terá acesso, já que estes privilégios pertencem a classe dominante, que ri em demasia da submissão destes trabalhadores mergulhados na piscina de merda das ilusões do “empreendedorismo” num país que caminha para se tornar numa caricatura de serviços e dependente (novamente) dos países desenvolvidos do capitalismo.

Ascender ao poder não dá ao indivíduo um livre passe para fazer o que quer, na esquerda inclusive, alçar espaços de poder deveria ser uma tarefa que deve se submeter a organizações e coletivos, já que para angariar votos prega a ideia da defesa e do serviço a estas organizações e coletivos.

Nosso mito construiu sua trajetória, fez opções e compôs o projeto de poder que o fez ser quem ele é, Lula resiste ao tempo. Não é eterno, não mesmo. Poderia dar um giro na defesa dessa “renovação”, poderia. Mas teria poder? Ninguém ousa questionar Lula no PT. Mas quanto de poder Lula possui para mudar a lógica interna?

Eu arriscaria que no momento nem mesmo o grande líder poderia mudar a lógica como se movimentam as forças internas, seus interesses e questões que estão em jogo. Muito se atribui a Lula, mas como se comprova?

E mesmo que Lula apoiasse a renovação. Não há indivíduos no PT que não estejam alinhados a tendências, teses, projetos ou um coletivozinho que seja, é um partido e as pessoas não estão flutuando no ar. Portanto, renovar seria, por exemplo, colocar a juventude do PT no centro da estratégia, e não apenas nos discursos. Teria que determinar que independente dos interesses internos, alguns jovens seriam designados como tarefa do partido colocar no centro das decisões e inclusive das eleições. Quem renunciaria a seus interesses internos? E quantos pedidos Lula teria que fazer Brasil afora para que isso se concretizasse?

Não são perguntas com respostas fáceis.

Só sei que nunca fui lulista. Mas não sou aloprado.

domingo, 29 de novembro de 2020

Eloi Pieta não venceu, mas quem foi derrotado foi o PT de Guarulhos.


 


Em 2009 o PT foi derrotado em Santo André (SP) encerrando uma hegemonia que foi construída pelo prefeito Celso Daniel, assassinado em 2002. Um companheiro que foi eleito vereador, Tiago Nogueira me disse como seria a estratégia do partido para enfrentar a derrota e construir a oposição, e uma delas foi a decisão da bancada em manter o Orçamento Participativo (OP) por meio das emendas da bancada do PT, demostrando unidade na Câmara de Vereadores/as, dentre outras ações. Em 2012 o PT voltava para prefeitura com a vitória de Carlos Grana. 

Essas lições são algumas das quais analisarei sobre a derrota de Elói Pieta à prefeitura de Guarulhos (SP). 

E por que a derrota é do partido? 

Vamos aos fatos, aos 95% das urnas do segundo turno apuradas, a distância de Guti (PSD de Kassab) de Elói é cerca de 14%. Ou seja, perto dos 10% que em minha avaliação poderiam ter sido conquistados já, se o partido tivesse cumprido sua tarefa na oposição, escolhido ficar imerso no cotidiano da população e reunido a militância em reuniões revelantes e não nas chatissimas discussões intermináveis sobre quem é o melhor ou as velhas marcações de posições.

Digo disso diante da realidade. O governo Guti é a imagem do novo com a velhas elites políticas, envolvido em polêmicas e ausências fez com que a saúde saltasse como o maior problema da cidade, onde 70% de pesquisados pelo IBOPE consideram o principal problema de Guarulhos cidade, o problema do aterro sanitário onde houve tragédia por má gestão e tentativa de ampliar para interesses de máfias que compõem a questão do lixo e a desaprovação que supera a barreira dos 40%, mesma média de rejeição apontada pelas pesquisas eleitorais. Cidade abandonada, foi maquiada descaradamente no ano eleitoral e o asfalto foi o protagonista.

Bom, e o PT? O partido não mudou algumas lógicas, e a prova é a própria campanha majoritária que afastou o próprio PT (como símbolo e identidade) e que parece uma anti marca na maioria das nossas candidaturas do partido, a direita na contramão explora a ideia de que o “PT é ruim", e o próprio PT assume a carapuça quando esconde. Espero, como sempre, que seja feito um balanço.

Na verdade fatores anteriores também pesam. Tínhamos uma bancada de sete vereadores, um foi para o Psol e foi reeleito recentemente, e era o mais atuante. Mas a bancada e o partido ficaram inertes nesses anos até o processo de escolha do candidato. Nesses quatro anos nenhuma ação pesada, não foi realizada uma permanente de fiscalização e denúncia, enfim nada foi feito de forma efetiva e o partido tinha poucas atividades politicas. Mesmo com o acordo entre o Alencar (dep. fed./ CNB)  e o Eloi (onde havia ameaça de previas internas) ainda assim fizeram com que o partido se colocasse para disputa sem a marca da oposição e sim da “mudança segura".

Elói ir para o segundo turno foi uma façanha, já que na última eleição que disputou em 2016 ficamos em terceiro lugar. Agora, a conjuntura foi aliada, onde “bateu aquela saudade do PT", em uma cidade que em 2018 o eleitorado mudou, aqui Bolsonaro levou 60% dos votos. 

Há gerações que não viveram o governo do Elói ou grupos e lideranças de bairro que escolhera manter seus projetos pessoais dependendo do financiamento do atual governo para suas "ações sociais" e migraram rápido para o colo de Guti. O OP em Guarulhos havia completado 10 anos em 2011 e mesmo assim, foi extinto em 2017 pelo atual governo, sem nenhuma reação da população ou do partido .

Ou seja, a vitória poderia ser por um mínimo, nossa distância do atual prefeito no primeiro turno foi de 10%, não é muito se considerar a onda “anti PT", mas poderia ter sido conquistada com uma ação do partido ao longo dos quatro anos.

As urnas mostram então quais devem ser as prioridades políticas do PT daqui para frente. Uma delas é erguer sua sede no Pimentas, como dever e respeito a população que de fato reconheceu o trabalho realizado pelos governos petistas, já que a região deu 61,88 % dos votos para Elói contra 38% de Guti. Em duas regiões há empate evidente, na grande região que envolve São João, Presidente Dutra e Bonsucesso, Eloi vence com 50% contra 49% de Guti.

Analisando onde Eloi foi derrotado, vejamos onde houve empate, como em Cumbica e adjacências, pois Guti vence com 53% contra 46% de Eloi, região periférica e que está polarizada, em outra região considerada periférica foi bem diferente, Cabuçu-Recreio-Taboão deram 66% para Guti contra 33% de Eloi, região marcada por reclamações de abandono de ambos candidatos na série histórica dos prefeitos da cidade.

A resposta da classe assalariada média preferiu a continuidade, se observamos a região da Ponte Grande Guti vence com 73% contra 26% para Eloi, em outra Cecap-Vila Barros Guti vence com 61% contra 38% e a região do Centro expandido (reunindo o bairro do Continental e adjacências) deu 71% para Guti contra 28%. Em todas tanto Guti como Eloi cresceram, em nenhuma região do primeiro turno para o segundo ambos conquistaram votos.

O que fazer diante dessa realidade? Guti teve ascensão mais pela onda anti-PT do que pelos seus mandatos na Câmara, como prefeito preferiu gerenciar mais do mesmo, fez um governo medíocre onde se envolveu em confusões causadas mais pelos seus próprios aliados do que pela oposição e ficou evidente que colocou a máquina para funcionar no processo eleitoral. A reeleição se deu mais pela ausência de oposição e não por um governo com uma marca ou dinamismo de gestão pública.

O PT precisa fazer uma avaliação política, repito política. A ausência do uso de personalidades como Lula na campanha evidência que a estratégia foi se afastar do próprio partido, e a imagem do grande líder NÃO aparece em nenhuma peça publicitária da campanha, bem diferente dos tempos áureos do petismo na cidade.

Não digo apenas o PT de Guarulhos. É uma questão nacional e que não devemos botar apenas na conta do bolsonarismo, este foi pra debaixo da mesa nessa eleição e o centro pragmático foi o vencedor. Sinais de que podemos estar perdendo a simbologia da constituição de 1988, marcada pelos direitos sociais e por políticas públicas. 

Mas por enquanto só posso falar de Guarulhos.

Os dados provam que algumas teses simplistas e despolitizadas não se confirmam: uma delas é a de que Eloi fora do PT poderia ter sido eleito, errado, tanto que o PT foi o partido com maior número de votos na cidade e elegeu cinco vereadores mesmo depois de um tsunami anti partido ter atingido em cheio em 2016 e 2018. Outro mito da derrota é a imagem do PT, a frase “não voto no PT" escuto desde os meus quinze anos, e agora com 41 anos, esse tipo de preconceito partidário é comum em sociedades onde a elite controla, manda e polariza a política contra seus inimigos de classe, e por fim não há espaço vago na política, se o partido não construir unidade programática mínima e ação política permanente e de massas melhor não se assustar com o futuro se não lhe for favorável.

No final não vamos culpar a vítima, a população. Se somos militantes de esquerda devemos ter análise de classe, compreender que há uma classe trabalhadora assalariada presa a ilusões políticas estéticas, sem quem dialogue com seus anseios, dúvidas e possibilidades, categorias profissionais que precisam de apoio e articulação, e a necessária politização da política.

Aqui é só uma análise preliminar. Espero que hajam outras sem julgamentos, catastrofismos, culpabilização, denuncismo, enfim, desejo o melhor para cidade, e a oportunidade foi perdida.

Abaixo, imagens tiradas de print do site G1 com a divisão eleitoral.
















sábado, 21 de novembro de 2020

Vidas Negras Importam! Antecedentes importam?

 





Novamente o Carrefour é centro de uma brutalidade. Novamente a brutalidade envolve um homem negro. Outras brutalidades já foram registradas e as brutalidades trabalhistas nem se fale, a lista é enorme, quem quiser conferir vai algumas matérias (clica no link): 

https://www.brasildefato.com.br/2020/11/20/sete-vezes-em-que-o-carrefour-atuou-com-descaso-e-violencia

https://secrj.org.br/noticias/liminar-determina-que-carrefour-acerte-as-contas-com-trabalhador/

http://www.esquerdadiario.com.br/Crise-Carrefour-lucrou-tanto-com-a-reforma-trabalhista-que-comprou-a-rede-concorrente

Mas o que me importa nessa breve reflexão é a postura da grande mídia e sua velha condição de classe. Assim que as imagens envolvendo a agressão contra João Alberto e sua morte por asfixia por seguranças da rede de supermercados. 

No calor de noticiar o fato a grande mídia teve tempo nas edições das suas matérias de "puxar" os antecedentes da vítima ao levantar que o mesmo tinha registros anteriores de violência doméstica, ameaça e porta de arma ilegal. Bom, se fosse liberal e moralista, me bastavam na minha débil análise justificar o discurso de que "o sujeito provocou a sua morte".

Mas não sejamos imbecis!

A razão humana evoluiu muito para minimizar problemas estruturais e cotidianos da sociedade.

Se João Alberto tinha pendências ou erros isso já estava sob a atenção do sistema jurídico do chamado Estado Democrático de Direito. Estado negado pelos fascistas, mas que respeita seus direitos civis e humanos.

Voltemos ao assassinato. Agora após informações recentes do caso, foi um assassinato. 

Qualquer profissão, qualquer profissão mesmo. Recebe a instrução e a formação necessária para o desempenho das suas funções, a minha, a sua, a de todos e todas nós. Profissões que lidam com o público principalmente. Ou pelo menos deveria ser apesar das imagens em contrário no caso de João Alberto.

E mesmo que João tenha errado. Que ele pudesse desfrutar da "liberdade" que a sociedade constitucional e liberal que as repúblicas no capitalismo a proporcionam. Sendo encaminhado para órgãos de segurança ou advertido conforme pede a nossa legislação devidamente racional.

Mas o caso seguiu por outro caminho. Os seguranças usando o poder que não lhes cabia agiram como animais, abandonaram o suporto poder do exercício das suas funções e partiram para agressão e a violência.

O fato é que João Alberto Silveira Freitas morreu. Não foi contido dentro das "normas profissionais", não foi encaminhado a um órgão de segurança ou de justiça e nem vai poder apresentar suas alegações sobre o fato. Foi calado.

Sobre os seus antecedentes? Tenho visto e perdido tempo com as "nobres" e porcas opiniões nas redes sociais, lugar realmente tóxico para humanidade e as alegações são no mínimo incríveis. 

Primeiro, os que cobram da esquerda "coerência". Pois estaríamos defendendo um "agressor de mulheres". Bom, jamais defenderíamos João Alberto se a cena fosse dele agredindo uma mulher. Outra coisa, a máxima liberal do "defendereis suas ideias mesmo que não concorde com nada que dizes", as vezes vale mais pelo gesto da esquerda do que pela coerência da direita. Defendemos sim o respeito a dignidade humana que foi privada no caso de João Alberto. 

Segundo, o discurso de ódio do "aqui se faz, aqui se paga", naqueles eruditos de centro que dizem que o mesmo pelos seus antecedentes, "provocou" a situação que lhe tirou a vida.

Agora, quando as vitimas são brancas e de classe social superior, não vejo a mídia pesquisando e expondo seus antecedentes. Muito pelo contrário, a vitima branca e de renda superior vira mártir de uma injustiça brutal.

Outra ponto central: E onde está a JUSTIÇA para os inúmeros jovens, homens e mulheres negros e negras que não possuíam ANTECEDENTES CRIMINAIS e mesmo assim perderam suas VIDAS? 

Estes, sem os antecedentes, perderam suas vidas e nada se fez em termos de justiça!

Ou seja, a regra continua sendo racial. 

O único antecedente que importa é o histórico. E este reafirma a necessidade do 20 de novembro e de todos os dias de todos os anos até que de fato todas as vidas negras importem. O que já denotaria grande passo de humanidade.

Enquanto isso. Vamos seguir denunciando, destruindo se necessário o que simboliza e mantem a lógica perversa do racismo em nosso país e no mundo.

 


sábado, 17 de outubro de 2020

Desde quando militância partidária virou palco de auditório?


 


Um Lênin envergonhado diante de tietes de torcida.

2020, além da pandemia mundial, do pandemônio governando de Brasília ainda temos que lidar com o infantilismo que reside na esquerda brasileira.

Entre discursos de amores, unidade, frente ampla, altos abraços e beijinhos nos anos pré eleição, quando a realidade bate a porta caminhamos por onde os pés pisam.

E as direções e personalidades da esquerda brasileira com suas indignações de rede social não construíram nem um programa e nem elementos que pudessem indicar a velha frase, “paz entre nós, guerra aos senhores".

No espectro partidário nada mudou. Ou melhor, com as mudanças promovidas pela maioria golpista e com certo apoio e desleixo parlamentar da nossa esquerda, as mudanças na organização dos partidos apenas fortaleceu o status quo das agremiações consolidadas, mas não trouxe a política programática para o mundo partidário, apenas jogou mais milho aos porcos.

A cláusula de barreira diz corrigir o número de partidos, em geral de aluguéis, e define requisitos para existência jurídica do partido. Mas isso está dissociado do conjunto de maracutaias que vão do apadrinhamento de cargos e vagas, uso da verba partidária para fins particulares, troca troca de legendas, entre outras que ainda mantém o caráter apolítico de um instrumento essencialmente político.

Diante disso, a sobrevivência é a regra. A unidade ou frente ampla contra o fascismo financeiro miliciano é detalhe. Ainda mais quando o assunto é eleição municipal.

O municipalismo no Brasil ganha força a partir de 1988 com a instituição do pacto federativo, da municipalização de políticas públicas e isso é objeto de estudo em particular nas ciências políticas, na sociologia e demais áreas das humanidades. Mas tudo isso não foi suficiente para superar o grau elevado de expressões presentes ainda nas relações políticas e que fazem parte da nossa cultura política, ou seja, mesmo em cidades como São Paulo a cultura cosmopolita passa longe quando o assunto é voto, e isso independe de classe social.

Como militante de esquerda e  socialista vivi todo tipo de tarefa, e fui candidato a vereador em 2008 e 2012 na cidade de Guarulhos pelo PT, e das lições aprendidas uma coisa é certa, os pobres pedem emprego e ajuda por meios de benefícios diversos e a classe assalariada média pede privilégios e jeitinhos junto ao poder público, nessa medida.

Coronelismo, paternalismo e assistencialismo são expressões ainda presentes no cotidiano da população com relação ao voto. Evidente que a persistência dessas expressões são parte do processo histórico e da não construção de uma cultura política alternativa.

A própria política foi contaminada pela ideia tóxica do “empreendedorismo" com frases do tipo “voto em pessoas e não em partidos”, ou “ele sim é honesto”, e posso até citar um bom exemplo paulista disso, o bom e velho Suplicy, que consolidou essa imagem. Mas que como indivíduo não expressa isso em um programa político mais amplo ou até mesmo coletivo. É a pessoa, o indivíduo, do qual seus pontos e carisma são intransferíveis.

E esse é o ponto de equívoco da esquerda brasileira. Reproduzimos na luta institucional a personalização dos nossos programas políticos coletivos em personagens individuais. E ficamos refém disso.

O lulismo cunhado teoricamente pelo sociólogo André Singer, é expressão moderna do que já vivemos com o getulismo em Vargas. Mas nesse caso, Lula não tem (toda) culpa. A culpa é nossa!

Partidos são e serão fundamentais para classe trabalhadora, sejam eles legalizados ou não. São historicamente os espaços em que a classe trabalhadora conseguiu se apoiar na organização e articulação na defesa dos seus interesses, refúgio dos que buscaram e buscam interferir na política diretamente, por onde ainda passam decisões que mexem com a vida do Estado e das pessoas.

Nesse aspecto NADA mudou na relação dos partidos e o seu poder na nossa debilitada República. E para quem dúvida basta ver como Temer, o golpista, destruiu em um ano uma parte das políticas públicas e sociais que foram criadas durante os governos de Lula e Dilma (2003-2016), parece incrível, mas não impossível. O próprio golpe de 2016 foi possível devido a ação dos partidos.

De lá pra cá o fascismo financeiro apoiado por parte das elites e o baixo clero dessas elites tem aprofundado o desmonte do Estado, que segue sendo deles, o velho Estado liberal é deles, e como um brinquedo, mudam a forma e o jeito de usar. Após aprovação da PL 529/20 de DoriaBolso, a certeza que fica é de que o Estado esvaziado de políticas públicas servirá mesmo como um gabinete dos negócios político financeiros do sistema, já que não há nada para gerir efetivamente.

Nesse climão chegamos nas eleições de 2020 e com certeza pior do que estávamos.

O passado só servirá de algo se for para constituir a nossa tática de novos ou renovados meios de buscar a nossa estratégia. O passado sendo usado para atacar candidato A ou candidato B só serve para plateia de auditório.

Cobrar fidelidade partidária quando a sua própria direção passou os dez anos de lulismo impondo um voto de silêncio para bancada do PT na ALESP (Assembleia legislativa do estado) em nome da governabilidade jogaram para baixo a capacidade do partido de ser PARTIDO. Lembremos que a última vez que o PT foi ao segundo turno em São Paulo foi com Genoino (2002) e a bancada petista era combativa, muito combativa.

Ou seja, a disciplina partidária da base é e sempre foi incompatível com a indisciplina das personalidades e seus interesses na realpolitic

E isso o neopetismo e os eleitores classe média do petismo jamais entenderão de fato o PT. Para qualificar o seu debate político precisa viver o partido, atuar e militar no partido. Não ajuda apenas “declarar o seu amor incondicional" no seu tuiter ou facebook, ou ate mesmo no Instagram, isso tudo não influencia e nem agrega para luta, apenas te faz um fanático.

Líder de torcida ou torcedor/a? Com certeza agora você deve estar entendendo do que eu estou falando.

Nas redes (anti) sociais o que mais vemos são comentaristas de um jogo, a diferença com o futebol é que você não pode entrar em campo e a sua opinião pouco importa ao treinador, na política é diferente, você pode intervir e interferir, pensa nisso.

E tem sido interessante e até entediante as brigas solitárias entre eleitores de Boulos e de Tatto. Primeiro cobrando o que não vale na regra geral, ou seja, os partidos que construíram agenda comum em alguns pontos de pauta e até em ações não superaram seus problemas internos e nem aprofundaram o debate programático, e vamos lembrar que o nascimento de um foi em divergência com o outro (e ponto!)

Cobrar unidade entre PT e PCdoB é mais coerente, andam de rosto colado a um bom tempo, um é ministro do presidente do outro.

Sobre o passado. Erundina pós prefeitura tem mais erros que acertos na esquerda, sim. E não errou sozinha, pois a ideia do “PT do SIM” não foi só dela em 1996. Foi ministra do Itamar, sim, e a direção majoritária também negociou sua parte e deixou o Plano Real e FHC navegarem sem oposição. Não cobre da velhinha se os seus BO's estão devidamente atualizados, eu me matei pela eleição e reeleição de Dilma, mas o governo era limitado, desmontando políticas da era Lula em nome de uma recuperação fiscal imbecil, e tem o golpe ainda como corolário da péssima articulação política que o governo tinha com o Congresso.

E com relação ao “meu voto é do X Y Z", “tem que respeitar a decisão”, “sou fiel ao partido”, isso é mais um problema particular e individual, que nada tem haver com a luta política necessária para enfrentar o problema maior. Tietagem em forma de argumento para justificar voto. E ainda, para influenciar quem mesmo? Ego não vota.

Ainda tem as pesquisas. Essas que sempre foram tratadas como manifestação pública da opinião geral apesar de serem aplicadas por institutos privados que a realizam mediante pagamento. A pesquisa de opinião nunca foram isentas e não seriam agora.

Na Nova República pós 1988 temos diversos motivos para não nos guiarmos pelas pesquisas isentonas, e exemplos não faltam e por coincidência sempre prejudiciais para esquerda. Lembremos de Brizola para governador no Rio de Janeiro e Luzia Erundina em São Paulo? Isso só em fatos de repercussão nacional. E os neopetistas e boulistas se guiando pelos instrumentos que a burguesia liberal usa para medir “opinião pública”, aqui nesse aspecto tamos fudidos.

Se esse for o parâmetro, melhor abandonar o socialismo e o comunismo já que parte da população se diz de direita. Lembrando que confunde “ser de direita" com “ser direito” em termos morais e não ideológicos. Jogos meus queridos, jogos.

Então, no final? Boulos ou Tatto? Ou BouloTatto ou TattoBoulo? Sinceramente, tanto faz. O que vai determinar a política ainda para esquerda é um misto de navegar na realpolitic e a massaroca do jeito de votar da população em geral e das maquinas partidárias, com sua militância, organização, mobilização, diálogo, enfim, ainda não aprendemos em 2020, e nem preciso dizer que 2022 está chegando.

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

O fim da esquerda liberal? A derrota da ilusões reformistas frente a PL 529/2020 de Dória em São Paulo.

 Reabertura de Doria tem aumento de 155% nos casos e 92% nas mortes

FascisDória, essa caricatura ou coisa ou "a coisa" que destoa da "geringonça", frente de centro esquerda em Portugal, pois o que está em alta no Brasil são frentes liberais-fascistas que não podem ser resumidas apenas a Bolsonaro. Se observarmos bem há mais de uma coalizão de direita e conservadora que emergiu em nosso país criando uma forma hibrida de oportunismo eleitoral e apropriação das instituições. 

O governo do gerente Dória apresentou o Projeto de Lei 529/ 2020 que de uma vez extingue 11 institutos e fundações estatais em nome de um "ajuste fiscal" de um estado que é governado pelo partido, o PSDB, a quase três décadas. O grau de incompetência administrativa, erosão do patrimônio público, destruição do desenvolvimento territorial e desproteção social com uma militarização progressiva da segurança pública como um mini exército de defesa dos interesses do capital financeiro são algumas das "reformas" e "mudanças" que fora feitas em nome do "povo paulista".

Os fascistas listrados não precisam enaltecer o ultraliberalismo de Guedes, o PSDB o fez com dedicação e maldade em São Paulo ao longo desses anos pilhando patrimônio e recursos públicos para o seus investidores, até porque, tucano não tem apoiador de campanha, tem investidor eleitoral que recebe em troca dividendos públicos convertidos em privado.

Dória só não pode ser condenado por uma coisa, de ser o pior. Covas, Alckmin e Serra juntos quase não deixaram nada para Dória dizer que privatizou, onde quando menos se esperava Alckmin LavaJato já tinha usado o golpe de 2016 e a crise econômica para eliminar fundações públicas em nome do ajuste fiscal.

E se considerar os fatos, primeiro é um mito mais do que comprovado de que o PSDB é "bom gestor", é péssimo e dissimulado, corroendo as finanças públicas para os investidores em detrimento da pobreza e miséria reinante nas periferias paulista, equivaleu a má gestão dos trens no descuido para o metrô, orgulho de São Paulo, para privatizar linhas futuras, deu o Banespa para o Banco Santander retirando capacidade de financiamento, apoio e atenção aos municípios, a gestão é tão boa que manteve áreas administrativas paradas no tempo do desgaste, erosão salarial e redução de profissionais e não tem capacidade de planejamento e atenção em especial na saúde, educação, assistência social, defesa civil, habitação, entre tantas áreas importantes. O governo é um desastre e o partido é o mesmo.

Então por que o PSDB vence as eleições? Vence porque deu sorte, em alguns momentos o "menos pior" atendeu os interesses de uma classe assalariada medíocre que prefere o sofrimento a ter que ver o Palácio dos Bandeirantes sendo ocupado por um qualquer, mas esquecem que esse lugar já foi de Jânio Quadros, Adhemar de Barros (o rouba mais faz original), Maluf (o rouba mas faz copiador), Quércia e Fleury, enfim, a galeria dos monstros assombra o palácio. Há outros nomes de espertos e ladrões que não citei e desonerei apenas o Franco Montoro.

Vence porque a formação social, econômica e política de São Paulo diferente do Nordeste brasileiro não foi para exploração de suas riquezas naturais ou agrárias de forma meramente predatória de acumulação de riquezas, mesmo a produção do café entra na sua história já com técnicas desenvolvidas e com uma estrutura econômico financeira capitalista que se estabelece, reconhecendo uma certa vocação indicada pela burguesia agroexportadora para o estado, ou seja, São Paulo não seria apenas um centro econômico, mas um comitê de gerenciamento dos interesses do capitalismo nacional. 

Tanto que a questão social no Brasil emerge com força do processo de desenvolvimento das forças produtivas paulista e a greve geral de 1917 mostra o grau de interesses das forças políticas que se concentravam em nosso estado. 

No plano nacional o Estado Nação e o desenvolvimentismo brasileiro nascem do autoritarismo, em especial em nossa Républica, esse desenvolvimento capitalista que não precisou de uma revolução burguesa tradicional, nem de uma democracia liberal para formar sua sociedade civil, as instituições nascem dos antigos privilégios e da herança escravista e como já havia dito a classe dominante no Brasil se antecipa a qualquer situação que represente risco aos seus interesses.

Bom lembrar a frase da grande Maria da Conceição Tavares no documentário "Livre Pensar" (2019) quando de uma fala com o Roberto Campos, ex-deputado e alinhado ao interesse do capital, onde o mesmo reclamou para Conceição Tavares sobre o "estatismo da esquerda" e ela sagaz o lembrou, "vocês que estatizaram tudo, tudo pra vocês (ditadura militar de 1964) era brás, Telebrás, Eletrobrás (...)", Vargas criou estatais como a CSN (extinta siderúrgica nacional) e só a Petrobrás surge num período de democracia, com o governo Vargas eleito em 1951 e uma pressão social nacional forte.

O tempo passou e na transição tardia e combinada da ditadura militar de 1964 para a década de 1980 em 1988 aprovamos a nova Constituição um sistema de direitos, cidadania plena, seguridade e proteção social que tenderia para uma Estado Social Capitalista, contudo, em baixa desde a década de 1970 pela crise econômica do capitalismo e a transição para o modelo neoliberal. No apagar das luzes da "festa da democracia" em 1988 estava no seu ascender o Consenso de Washington, ou seja, a burguesia financeira já havia eleito Ronald  Reagan nos EUA e Margaret Thatcher no Reino Unido, e porque deixaria um modelo keynesiano seguir num país da periferia do capitalismo como o Brasil?

"As coisas não funcionam no Brasil?" Funcionam sim, para as classes dominantes, e não funcionam para...classe trabalhadora. 

E a virada vem com o governo Collor com o primeiro plano de desestatização. Desde então, privatizar ganhou outras variáveis como concessão, cessão, contrato de longo prazo, enfim, qualquer tucanada que você queira chamar. 

Esta segunda semana de agosto de 2020, o PSDB publicou nas redes sociais virtuais que "privatizou mais que Bolsonaro" numa evidente provocação ao discurso do 💩 presidente sobre seu discurso ultraliberal, isso diz muito sobre como a opinião pública brasileira está envolvida no velho processo de controle da hegemonia. Capitalismo é capitalismo.

PSDB comemora que ainda é disparado o partido do imperialismo | DCO

E se você ficou com raiva da publicação acima, ok, você tem compreensão desse processo e o mal que gera para a sociedade e o Estado. mas o que está acontecendo agora?

Durante os governos do PT o que temos, concordando com Singer (Os sentidos do lulismo, 2009) foi fortalecer e potencializar as estatais existentes em favor de um desenvolvimentismo democrático fraco, mas relativamente exitoso se pensarmos nos bancos públicos (BB e Caixa), de fomento (BNDES), da Eletrobrás e todas as existentes que passaram a retomar o seu papel na lógica de uma funcionalidade estatal promotora de projetos, programas e ações de desenvolvimento. E mesmo promovendo crédito para os assalariados, gerindo a redistribuição estatal de renda às populações desempregadas, pobres e na miséria, apoiando as prefeituras no seu desenvolvimento via financiamento de projetos em diversas áreas, enfim, isso tudo não ganhou o coração e a mente da opinião pública. 

Podemos fazer a critica necessária que quisermos. Ausência de meios de comunicação contra hegemônicos, reformas estruturantes, inclusão com participação social e política, defesa de um projeto político que dispute projeto de nação, no fim a nossa conclusão é que faltou. E a falta será sentida após a entrega dessas instituições públicas e as vitimas, bom as vitimas são conhecidas né, já se olhou no espelho hoje?

Retornando a FascisDória e a PL 529/2020 e a eliminação sistemática de 11 instituições estatais. O que é mais cretino na medida é a sua inclusão em um projeto de ajuste fiscal, sem coragem para fazer com a cara limpa, prefere enfiar a extinção e privatização proposta dentro de outro projeto que inclui outras adequações fiscais de "equilíbrio" das contas públicas, como alterações de percentuais de impostos e contribuições, Programa de demissão incentivada para servidores, entre outras, segue o link: https://drive.google.com/file/d/18NHdpOcugl0yJz0vQ3MHvbdRPrgOnAz7/view.

Do massacre três de saúde pública, sendo a Fundação para o Remédio Popular “Chopin Tavares de Lima” (FURP), a Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP), ligado a prevenção do câncer e a Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN); uma ligada a saúde dos servidores (as) e suas famílias, o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE), uma importante da política de habitação, a CDHU, e outra, o ITESP, Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo "José Gomes da Silva" responsável em especial pela reforma agrária no estado; uma de segurança pública, o Instituto de Medicina Social e de Criminologia (IMESC), ameaçando a "polícia científica"; outra ligada ao transporte público, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S. A (EMTU/SP) afetando a vida dos que usam o transporte público no estado; o meio ambiente também perde com o fim do Instituto Florestal; nem o espaço aéreo e os animais foram polpados, com a extinção do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (DAESP) e da Fundação Parque Zoológico de São Paulo.

As desculpas, em sua maioria, para transferência de suas atividades de interesse público passam para suas respectivas secretarias, contudo fica a pergunta, se você extingue a prioridade de algo, isso continua sendo importante? A resposta é certa, não. No limbo somos todos iguais na máquina pública.
Não digo que nada pode mudar. Não somos imbecis. Nossa diferença está na forma e no projeto político. Extinguir algo depende de perguntar se o objetivo pelo qual foi criado foi superado ao ponto de não precisar mais daquele lugar. Sendo cretino no exemplo, com o fim do petróleo, para que a Petrobrás? Bom, se você não sabe, já faz um tempo que nossa (ainda nossa) estatal do petróleo investe em combustíveis renováveis, e na eminencia do fim o outro negro, ela poderia se reinventar. Agora a FURP no momento mais grave da saúde pública do país, é aceitável encerrar uma empresa que produz medicamentos a preço popular? Que abastece os municípios de pequeno porte e interfere se o mercado tentar impedir o acesso de medicamentos para população?

E no tempo tudo vai se adequando, se perdendo e se deteriorando. Vamos lembrar de uma história recente, o ressurgimento da febre amarela e o desabastecimento de água, ambos foram problemas gerados pelo tempo e a erosão dessas políticas públicas, onde com a redução do Estado pensando apenas na pilhagem para o setor privado com o tempo o que estava devidamente controlado e planejado se perdem na burocracia, nas prioridades de ocasião de cada governante. 

O estado de São Paulo segue sendo o comitê financeiro do capitalismo brasileiro. E posso arriscar que para a burguesia um petista ou um aventureiro pode subir o palácio do Planalto, mas nenhum deles ou seus similares jamais devem chegar nos Bandeirantes, e isso tem se intensificado com o tempo. O PSDB nacional pode estar em baixa, mas se um fascistoide como Dória aderiu e segue implantando o projeto de interesse do capital, será bem vindo. 

O aparelhamento da máquina estatal esta a olhos vistos, na lógica do gerenciamento do PSDB e que não envolve apenas ocupar cargos ou escolher amigos no setor privado, o Estado se tornou em uma empresa. Uma corporação que possui financiamento público e autoridade pública para sua proteção, modelo ideal que só precisa ser calibrada pelas eleições. 

Então, não podemos apenas supor que as vitórias eleitorais seguidas do PSDB não estejam dentro de um projeto programático maior e que vai afetar o sistema de ordem e poder.

Vamos supor que numa possibilidade de sorte, uma esquerda liberal vença as eleições? O que fará num futuro próximo para governar, quando não houver nada para governar? 

Se a PL 529/2020 for aprovada. Haverá pouco ainda do Estado para gerir para um projeto popular. A última fronteira é a educação pública, que há tempos segue a mesma lógica de desmonte e favorecendo a propostas oportunistas e privatistas sob a promessa da "qualidade".

Obvio que o problema pode ser inverso para essas forças políticas no poder. O gerenciamento pelo gerenciamento tira expectativas com relação ao governante, mesmo considerando o Estado uma corporação público-privada, ainda seus CEO's deverão ser eleitos pelo voto universal, e mesmo eleito novamente, um governo ultraliberal não poderá dizer que "governa", porque não haverá governo stricto sensu. Contar apenas com a segurança pública é voltar a era dos Czares, reinado opulente e repressão. 

Isso vai colocar em xeque a restrita visão (e ilusão) da esquerda liberal que vê o Estado como uma casinha que poderá ser redecorada e governada para maioria, pois, com um sistema de saúde gerido por uma série de Organizações Sociais, uma tentativa de romper com os privilégios é a morte do governo, onde os doentes não debitam na mão oculta do mercado seus problemas de saúde, e sim no governante de ocasião. Outra ilusão perdida, a necessidade de recriar ou criar instituições, fundações e outras estatais para implantar políticas públicas, sabendo que sem resultados de curto prazo haverá duras criticas pela criação de novos gastos ou favorecimentos de cargos para afilhados políticos. Tudo isso é possível.

Defendo não disputar eleições? Pelo contrário. Mas se uma esquerda revolucionária ainda mantêm o processo eleitoral como parte da sua tática, deve entender que a campanha para vencer eleições deve ser menos animada do que o entusiasmo para cumprir a tarefa. É comum vermos um pico de força para vencermos as eleições, tudo animado, gente, massa, votos, e quando acaba, e vencemos, parece que existe uma força que nos joga para o marasmo, cansaço e o acomodamento, na contramão de qualquer experiência revolucionária. A tarefa começa quando as condições objetivas e subjetivas estão dadas, e não na sua campanha. Agitprop é fundamental, principalmente para manter hegemonia (quando a conquistamos).

O mundo caminha para uma acumulação certa para o capital e incerta para classe trabalhadora. Nenhum dos dois será extinto, a dependência é a ÚNICA regra geral do sistema.  

Posso arriscar que nesse caos, há mais espaço para uma esquerda revolucionária do que para uma liberal. 

Vamos caminhando!

 


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Eleições 2020, nada a aprender. Porque a esquerda despreza São Paulo?

 O centro histórico de São Paulo precisa de vida noturna (e isso ...Líderes comunitários relatam mortes suspeitas em São Paulo

EleNão: Em SP, mulheres lideram marcha de 500 mil contra o ...Movimento integralista vê bom momento para difusão de suas ideias ...

Reforma ou revolução? Desde Rosa Luxemburgo, quantas vezes reatualizamos sua questão?! A militante comunista alemã fez no tempo a análise necessária frente a um dilema urgente para os rumos da luta de classes na Alemanha. Se seguirmos Marx como uma bíblia tudo na Alemanha de Weimar onde pós primeira guerra, restabelecimento do Estado a partir de uma democracia liberal, com um processo de desenvolvimento (mesmo limitado) das forças produtivas, consolidação da sociedade civil, a República constituída dentro das regras burguesas, enfim, tudo caminhando para uma economia política que pudesse criar as bases para o levante proletário e com um elemento a mais, a esquerda havia conquistado os corações e mentes da maioria do proletariado, com influência sobre os sindicatos, um partido forte (SPD) e influência social, a química perfeita. Numa virada da realidade, deu Hitler.

Rosa se soma aos que criticam elementos do processo revolucionário russo de 1917 e sua condição prematura, pois, país agrário, um proletariado pequeno, repressão institucional, regime aristocrático e imperial e baixo desenvolvimento das forças produtivas. Deu revolução. Bom, dialética critica e práxis não são apenas conceitos intelectuais, são instrumentos que atuam sobre a realidade e que definem como as consciências agem sobre os processos históricos em curso, em termos de organização e o tempo da política, Lênin segue grande.

Imaginem se a Germania e o Império russo fizessem parte do mesmo território? Fazer o pensamento viajar tem suas vantagens, nos permite imaginar esses gigantes tendo que construir um processo juntos, digo Rosa e Lênin. Não que a internacional comunista não os tenha sempre reunido, mas convenhamos que a ideia de nação contaminou parte dos nossos processos de luta de classes, e mesmo que todos e todas nós fossemos internacionalistas, a lógica de "cada um cuidar do seu quintal" prevaleceu ( e prevalece) até hoje.

Iniciei essa historinha ou essa grande parte da história mundial apenas para provocar aos que conhecem essa passagem importante e seus/ suas protagonistas, deixo para que sua revisitação e questionamentos ao meu precário conhecimento, aos que não conhecem deixo o desafio de buscar compreender por que duas realidades na sua mesma época histórica, dentro das suas coerências e contradições seguiram caminhos tão diferentes.

São Paulo em 2020 antes da pandemia e já com o fascismo instalado no Palácio do Planalto apontava para uma realidade político eleitoral previamente definida na capital paulistana. Covas em baixa com a ameças de Alckmin em postular a candidatura pelo PSDB (necessidade de fazer frente ou ter força política contra o hegeminismo de Doria), possível candidatura de Marcio França pelo centro, novamente Russomano ainda no páreo, indefinição e declarações de amores entre PT e Psol pela unidade contra o fascismo, apesar do flerte do campo majoritário do PT a possível candidatura de Marta (golpista). 

Então venho a pandemia e na política paulistana o quadro muda de março até julho. O pandemônio percorre os caminhos da lógica eleitoral e muda o jogo: Covas em primeiro nas pesquisas alçado pela pandemia (apesar das ações terem sido midiáticas e medíocres) encerra a questão no PSDB (mesmo com setores questionando sua saúde, tipo uma operação "Dilma doente" como fez Aécio), Marcio França segue no centro, em segundo e possivelmente vai capitalizar parte do eleitorado e das forças políticas antiDória, e o terceiro lugar, ora ora, emBoulos de vez (a piada é ruim, mas precisava fazer), há uma guerra de pesquisas, mas desde a aprovação da chapa Boulos-Erundina o processo começou a ganhar contornos de grande disputa. 

O PT escolheu Jilmar Tatto, para o petismo rosa-choque chapa branca não merece explicações, parece que o golpe de 2016, que o próprio campo majoritário insistiu em não acreditar, agora deu salvo conduto a todos os criminosos internos, não há demônios no PT mais, parece que todos e todas somos santos e absolvidos por uma força divina. Sobre o consensualismo institucional e da democracia liberal de baixa intensidade fez seu processo interno restrito aos delegados (as) do último PED (Processo de Eleições Diretas) fez como a boa e velha política, uma eleição onde os eleitores (as), sub dividido em suas forças políticas, já tinham na contabilidade a conta de onde cada voto ia pender. 

Habermas baixou no PT (a tempos) e agora opera sobre esse deliberacionismo medíocre. Parece agora que todos(as) são xiitas, reconhecem o imperialismo estadunidense, detestam o capitalismo financeiro, odeiam o PMDB e limitam o debate critico a poucas palavras.

E com isso, as redes sociais virtuais que são expertise do bolsonarismo segue subestimada pela esquerda que prefere ficar presa num loop onde inexiste a apreensão histórica e a estratégia como parte refinada do fazer político. 

Explicando o loop me refiro as intermináveis criticas dos petietes, filiados fanáticos que  como fãs de uma boa banda vão aos seus shows, ops atos e manifestações, replicam sem critica e são fieis ao ponto de desmerecer a ideia do que seja um individuo de esquerda, socialista e militante.

Um aparte, eu posso usar esses termos sim. Militante desde os quinze anos, vivi intensamente a vida do partido, fui designado para tarefas em várias instâncias, percorri madrugadas em colagens, panfletagens, reuniões a todo momento, viajei sem grana, dormi no chão, disputei instâncias, quebrei o pau, era odiado e respeitado, nunca havia falta do a uma reunião de diretório (até 2015), ou seja, vivi os tempos sombrios e frios do PT na oposição na metade da década de 1990, segui minha consciência e os coletivos que ajudei a construir, ocupei palco contra aliança com PMDB  e derrubei banner do Quércia com Lula em 2002, ergui a bandeira vermelha com sua estrela reluzente em locais mais perigosos do que destes de hoje do bolsonarismo. Disputa, debate e fascismo não são novidade para mim.

Seguindo a análise, a forma como o petietismo trata a chapa Boulos-Erundina nada mais reflete a ausência de respeito e reflexão política desses tietes abobalhados e por que ainda não encontramos um centro político de luta contra o fascismo bolsonarista. 

A história não se repete, mas ensina. E a arrogância dos que alegam que Boulos é "desconhecido" com um "partido pequeno" apenas repete (tragicamente) as mesmas criticas de Brizola e o PDT ao "sapo barbudo" e que o "PT era um partido pequeno", mas que elegeu a primeira prefeita mulher e nordestina em 1988. 

Estratégia em política não é definida pelo que se vê, mas sim pelo que constrói dentro do processo.

E para os curiosos ou raivosos, eu ainda persisto no PT, ainda filiado, porém não atuante. Tenho meus motivos e não cabe explicar aqui (leia os artigos anteriores referentes a análise do PT). 

Também não vou fazer campanha para Boulos. Moro em Guarulhos e aqui já tenho contradições demais para administrar no PT. 

Boulos e o Psol não são o PT. E quem repete essa conversa deve ser bem idiota. Boulos para mim é tentativa do pós lulismo, que não quer rivalizar ou ranger os dentes como Ciro Irritado Gomes, pelo contrário, desde a sua candidatura a presidência sua auto construção popular e de massa está aí para quem quiser analisar. E diferente de Lula, sua capacidade de construir unidade partidária não é unânime, desta vez diferente de 2018, enfrentou prévias e disputou com outras duas candidaturas (Sâmia e Gianazzi) e mesmo assim venceu com criticas de uma das forças derrotadas. Sua busca em agregar agora depende da simbologia em torno da sua chapa e articulação interna.

No PT tudo segue tardio. Programa de governo, tentativa de exposição da candidatura, a lógica tática do "cada um por si" e do "ema ema ema cada um com seus problemas eleitorais", a busca por colar a imagem de Jilmar junto a Lula e Haddad. Insatisfações internas não públicas e a tentativa de um grande pacto que envolve apoios para eleições de 2022. A velha política do campo majoritário consolidou e agora sem uma pujante máquina estatal e institucional para alavancar as candidaturas insistem em Suplicy, que seguirá sendo um soldado fiel, para "puxar" os votos da bancada caso o barco Tatto não avance, ou seja, pelo menos o partido tem seu Cássio para salvar das boladas do adversário, apenas isso.

 E parece que nada servirá de aprendizado ao PT paulistano. Tragedia, para um instrumento politico que se conformou em ser máquina eleitoral. Bom discurso, programa nem tanto e práxis sofrível. 

As eleições na capital paulistana podem ser a versão de "jogos vorazes" ou "jogos mortais", depende evidente do gosto do expectador. Na direita o bolsonarismo em cacos não emplacou ninguém, pode ser que o efeito BolsoDoria já tenha mesmo se despedaçado por vários lados e o exército de Deus e da Família tenha sido partilhada no espolio de herdeiros, nem Joice, nem Mamãe emplacam (para nossa sorte), na direita capitaneada por Dória o sorriso segue firme de otimismo, a pandemia lhe fez bem e esperam que isso perdure até novembro (sim, é cruel e desumano, mas estamos falando de Dória Farinata) e o centro pode surpreender, pode (?!) pois, Serra e Alckmin acoados pelas operações tardias da lava jato, não precisam aparecer, precisam operar, e Marcio França pode sim construir esse pacto. Vamos ver, quem viver verá.

E o que tudo isso revela? Que a esquerda brasileira não amadureceu para um plano que é o mais estratégico nesse momento e que exigiria ter a certeza que seria uma tarefa de um dia de vida: ganhar as eleições no estado de São Paulo. Digo isso por que vencer não seria fácil, se vencer não seria empossado, se empossado tentariam o impeachment. 

É verdade que a esquerda nunca ganhou as eleições no estado de São Paulo. É verdade que a burguesia jamais permitiu e que preferirá implodir o estado a ter que entregar a instituição para um (a) militante de esquerda socialista. E essa é a questão que não analisamos e nem nos debruçamos em entender.

Não que a presidência da República não seja importante. Porém, a alma da burguesia está em São Paulo, é o coração do dragão. Fincou suas raízes aqui para governar direta e indiretamente o país. Os vôos do país se concentram aqui e não em Brasília, todos e todas inevitavelmente passam por São Paulo. Sem São Paulo não haveria República Velha e nem o Estado Novo, não haveria golpe de 1964 sem a preventiva e orquestrada operação paulista "Deus-Família-Liberdade de mercado", não haveria neoliberalismo e todos os seus antecessores sem FIESP, aqui foi o grande laboratório da construção do Estado minimo, gerente do capital operada no Palácio dos Bandeirantes (se tem que derrubar o Borba Gato de Santo Amaro, imagine o palácio dos BANDEIRANTES), o capital passeia em São Paulo, há cada vez menos máquina pública para gerir, o governante age como Dória previu, como um CEO de uma empresa que gere para seus acionistas o capital investido e aporta com recurso público a falência ou crise do empresariado (agro, financeiro, industrial, serviços, o caralho).

Dito isso, e espero poder detalhar mais essa análise. A eleição da capital paulistana pode representar uma virada no cenário nacional, pode representar a consolidação do "novo" PSDB (FascisDória) ou pode sem mais uma eleição, essa última eu duvido.

Chega, vou dormir.

Se incomodei, devo ter contribuído pra alguma coisa.



ps.: E antes que alguns perguntem, "quem é essa cara?", eu respondo, "NINGUÉM". Como militante, sigo agora sendo ninguém.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Agitar, propagandear e avançar a resistência ao fascismo! Ler é dever revolucionário!

Agitar, propagandear e avançar a resistência ao fascismo! Ler é dever revolucionário!

Leia o Manifesto:
https://www.expressaopopular.com.br/loja/wp-content/uploads/2020/02/manifesto-comunista-EP.pdf



Um fantasma ronda as velhas e carcomidas engrenagens do capitalismo...a exploração não é humana, portanto não deve nunca ser aceitável. Nunca haverá paz para ordem.