terça-feira, 23 de junho de 2015

Lula está provocando uma "revolução cultural" tipo chinesa?





Ouço agora que "não é momento" de debater com Lula ou sobre suas posições. Bem eu escuto essa desculpa revestida de bons "argumentos" há tempos, muito antes do "Lula lá".

Me lembro (vagamente) de um encontro nacional da juventude do PT que ocorreu em Guarulhos um um pouco antes da nossa vitória nas urnas em 2002, e a coisa mais celebre é a disputa de palavras de ordem, onde as tendências do campo a esquerda cantavam "Pra que o Lula lá sem um programa pra radicalizar" e do outro lado as tendências majoritárias em resposta, "Pra que programa pra radicalizar, sem o Lula lá". 

Não quero debater sobre essa passagem infantil e simbólica dos nossos confrontos internos. Mas que é interessante é. A blindagem a nossa figura enigmática não é de hoje, a desculpa de "armar" a direta também não.

Agora não escrevo esse artigo aos não petistas, nem aos coxas e muito menos aos de mente pequena manobrável por esta medíocre e poderosa mídia.

Escrevo no sentido de manter vivo o debate político no PT e sobre o PT. Sem está liberdade, não seria de fato um petista. (Como não sou lulista, me dou o direito militante a essa discussão).

O grande "timoneio", Mao Tsé-tung - tem na sua história de vida algo que ninguém poderá negar: liderou a luta pela unidade da república chinesa e promoveu uma revolução no oriente jamais pensada, um legado de libertação contra ataques internos e externos que ameaçavam o povo chinês.

Contudo uma passagem ainda fica em aberto para historiadores, sociólogos, cientistas políticos e dirigentes de toda ordem: a Revolução Cultural chinesa.

Segundo Max Altman (OperaMundi),


"Em 1966, Mao decide lançar a Revolução Cultural a fim de consolidar seu poder apoiando-se na população jovem. Desejava expurgar o Partido Comunista de seus elementos “revisionistas” e limitar o poder da burocracia. Os “guardas vermelhos”, grupo de jovens inspirados pelos princípios do Pequeno Livro Vermelho tornaram-se o braço ativo dessa revolução e puseram em causa a direção do Partido.
Os intelectuais, assim como os quadros partidários, foram publicamente humilhados. Os tradicionais valores chineses e alguns valores ocidentais foram denunciados em nome da luta contra as “quatro velharias”. Milhares de esculturas e templos budistas foram destruídos. Os “guardas vermelhos” se expressam politicamente pelos “dazibao”, cartazes afixados nos muros. O caos se estabeleceu antes que a situação fosse empalmada por Chu en Lai. A agitação permitiu a Mao retomar o controle do Estado e do Partido, todavia, foi um alto preço, pois a Revolução Cultural foi responsável pela morte de milhares de pessoas."

Agora o atual discurso do Grande Líder operário do ABC diz, "“Fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido e ter lideranças mais jovens, ousadas, com mais coragem”" (segue abaixo na íntegra)


O que ele quer dizer com isso? Nem minha geração que viveu pelo menos uma derrota (1998) entende. Pois até hoje a vontade do Grande Líder foi atendida, lembremos que das condições para que disputasse as eleições de 2002 era "confiar na sua articulação política", ser "aclamado como candidato único" e coisas do tipo. Lembremos que houveram tentativas de prévias com Suplicy e Cristovan Buarque, polêmicas sobre as alianças com o PL (atual PR) e concessões da "Carta aos brasileiros".

2006 a vontade do grande líder prevaleceu, ainda mais forte. 

2010 pediu, impôs, convenceu e criou sua "criatura" (como diz e desdisse no 5. congresso do partido), e até mesmo a vinda do sinistro Michel Temer como apólice da vinda do PMDB valeu desta vez.


Uma revolução cultural tipo lulista pode estar em curso. Porém, na atual condição dele é fácil, conduziu o partido, fez a sua "imagem e semelhança" e agora faz dos discursos arma contra o recuo e a ausência de projetos políticos. 


Contudo, o lugar das mudanças de rumo são as instâncias, o Grande Líder pode ser um voto ou influenciar muitos votos, mas não tem feito uma coisa e nem a outra. O que deixa novos, velhos e apadrinhados perdidos numa pergunta (não muto revolucionária) sobre "o que fazer?"


Perguntas que merecem respostam, "o que seria esse revolução interna?", "Quais os critérios e rumos para a direção do partido?", "Essa nova direção "jovem" poderia ir até onde no quesito ousadia e coragem?"


E desta vez não adianta colocar na conta da presidenta (Dilma), o governo é o que ele escolheu ser. O problema do PT não é a operação "Lava a jato", mas sim a operação "Mata PT" que esta a um bom tempo em curso e justamente essa sem nenhuma resposta a altura do partido.


Vamos lembrar qual era o centro da Revolução Cultural Chinesa, fortalecer a imagem e a liderança do grande Timoneio, e a revolução cultural lulista? Fortalecer a eleição do Grande Líder?


Nunca fui lulista, sempre fui petista. 


Para mim é um desrespeito do Grande Líder do ABC propor uma pseudo revolução cultural para si, desprezando e ignorando que o baixo astral ou fastamento ou novas buscas de militância política para fora do PT de vários companheiros e companheiras (lembremos do Plebiscito por uma reforma soberana do sistema político, mais de oito milhões de votos sem a participação oficial ou deliberada pela direção ou mobilizada pelas direções do partido), mostrando que a luta contra o projeto das elites pode (e desta forma) ser empreendida fora do PT.


A própria recondução do Grande Líder como única alternativa ao PT é uma profunda ofensa a militância jovem do partido, pois eleger e continuar precisam de sinais claros, pois a pergunta também a ser feita é: "haverá nova governabilidade contra o projeto democrático popular? E em nome de um clientelismo de bem estar social? 

Me lembro do trecho do filme "Entreatos", quando o Grande Líder diz que "não tem paciência para as reuniões do partido e por isso não vai mais a elas", se isso não é um sintoma, o que será?


Singer em "Os sentidos do lulismo", evidencia claramente os limites do projeto político lulista de Estado quando aponta que a elevação da renda da classe assalariada média foi o ponto máximo desse projeto. Contudo não basta elevar a renda, pois um setor da classe seduzido pela renda, não tem no seu horizonte um projeto político de sociedade.


Se o Grande Líder quer uma revolução cultural interna lulista diga logo. Porque todos e todas nós queremos saber para onde ir. Inclusive se o ir representa estar longe dessa "revolução".

Quero meu partido dirigindo processos de mudanças e transformação. E não de joelhos.






Lula: o PT precisa construir uma nova utopia

O ex-presidente defendeu a urgência do partido se reaproximar da juventude
Por Agência PT de Notícias
Terça-feira, 23 de junho de 2015
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (22), que o PT faça uma “revolução interna” e construa uma “nova utopia”. A fala aconteceu durante a conferência “Novos Desafios da Democracia”, realizada pelo Instituto Lula, em São Paulo, com a participação do ex-presidente do Governo da Espanha Felipe González.

“Queremos salvar a nossa pele, nossos cargos, ou queremos salvar o nosso projeto?”, questionou.

Para Lula, é urgente a reaproximação do partido com a juventude. “Fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido e ter lideranças mais jovens, ousadas, com mais coragem”, declarou.

O ex-presidente ressaltou a importância da comunicação feita pelo próprio partido e pela militância como forma de contrapor a grande mídia. “Temos que brigar melhor na internet, nas redes sociais”, observou.

domingo, 21 de junho de 2015

Petistas expectadores ou protagonistas?

Revista ÉPOCA - capa edição 889 - Ele ameaça derrubar a República (Foto: Revista ÉPOCA/Divulgação)

Com o fim do 5. Congresso do PT de forma "morna" e sem muitas orientações claras para militância agora vemos na capa da revista da poderosa Globo (porque não considera-la assim, já que nos faz de "gato e sapato") a "ameaça" de um poderoso empresário da ramo da empreiteiras (a Odebrecht) dizer que vai derrubar a República com o que pode "revelar" dos acordos durante os governos Lula e agora Dilma.

A imagem da capa é digna de quem quer ainda a revanche. Vamos lembrar que as "multidões" ou "opiniões públicas" são manipuladas a tempos em nossa pequena República brasileira.

Minha questão não é essa. Não é a mídia e nem as elites. O problema ainda é o partido.

Até quando nós, militantes, assistiremos isso como uma novela onde queremos (claro) que o "mocinho" vença! E espero estar do lado do "mocinho" (óbvio) Mas de cena em cena, a cada canetada autoritária do poderoso juiz Mouro (e é poderoso mesmo, porque faz da República "gato e sapato"), assistimos (inquietos) cada capítulo.

Outra duvida cruel: é uma novela mexicana ou uma nova narrativa novelista? Será uma daquelas histórias onde quem decide é o público? Pode até ser pelo caminhar das cenas, ou seja, a cada novo capítulo o enredo é o mesmo: o "mocinho" é aquele que desde o começo da estória sofre, consegue chegar um pouco no topo (na presidência, no caso), mas continua sofrendo, apanhando e quando você imagina que ele (e ela) saem da mer..., voltamos a ameaça da "paz". 

Eu gosto de novelas. Mas essa já está dando naquele lugar!

E a passividade de nós, expectadores militantes do PT, tenta por meio de outros subterfúgios elevar o ego - já destroçado - quando lançam pesquisas (pouco confiáveis) sobre o ódio concentrado em apenas 12% da população. 

Ora, então 12% é desprezível? Hitler na Alemanha não iniciou o nazismo com força, foi ampliando, crescendo. 12% de ódio, para mim é significativo. 12% dialogam, conversam e influenciam a depender da forma e do conteúdo. Alimentados então...

E claro a história das nossas 16 mil adesões. Muito significativas, se não fossem pela forma.

Há tempos as organizações e tendências internas do PT onde milito denunciam a forma como se filiam os "novos" petistas e como a "máquina" partidária se movimenta. O "Processo de Eleições Diretas" não "democratizou" o PT como uns dizem, porém "ir votar" não é participação política ainda mais como são carregados (literalmente e sem aspas).

A ausência da definição sobre papel da organização partidária que é necessário apenas com analises e posições políticas não irá tão cedo resolver os problemas da unidade. O partido que governa o Brasil precisa dizer a sua militância o que fazer? 

Não apenas para ocupar as ruas, isso não basta e é tem se tornado medíocre. Entregar panfletos também não. Ou seja, ativismo só tem função na organização partidária quando há clareza no programa a seguir. O velho Lênin disse, muitos repetiram e poucos entendem: "sem teoria revolucionária, não há ação revolucionária".

"O tempo e vento" podem até compor o final desta novela a qual milhares de militantes petistas estão aguardando, a questão é se haverá cenas emocionantes de reencontro, reconciliação e grandeza.

Por enquanto, há incerteza, angustia e duvida. A duvida é provocada pelo que poderá acontecer e pelo que não esperávamos.

2005 o mensalão foi nossa crise moral. 2015 a lava jato poderá ser a ressaca da qual não imaginávamos. E a dor de cabeça é inquietante.