segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Por uma escola de governo urgente!



16 anos governando uma cidade que traz mais de 450 anos de história de atraso político, social e econômico. Pouco ou muito tempo para resolver problemas que vem ao longo da sua trajetória histórica?

O debate é quente!

Aos pessimistas, oposicionistas ao governo atual, novos moradores, gerações que cresceram ao longo desse tempo diriam que 16 anos é tempo suficiente para transformar um município, diante da sua arrecadação e tamanho.

Outros defensores da continuidade do governo do momento, a população beneficiada e os sujeitos que viveram a história da cidade dirão com força que 16 anos são insuficientes diante das dividas financeiras e sociais herdadas da corrupção e de corruptos.

Entre meias verdades temos a certeza que Guarulhos ainda possui desafios com inúmeras comunidades vivendo precariamente em favelas, o baixo atendimento em creches, o numero insuficiente de funcionários públicos para o melhor atendimento a população, crescimento urbano e expansão sem critérios claros, a violência urbana, o transporte público eterno vilão do dia a dia, enfim, se não houvesse desafios não haveria compromissos e plano de governo apresentados pelo companheiro prefeito, Sebastião Almeida.

A questão que me move agora, depois da euforia da vitoria eleitoral é olhar para uma cidade renovada e diferente daquela em que se vivia a 20 anos atrás com vacas sendo conduzidas por sitiantes pela estrada de terra que leva hoje ao Parque da Transguarulhense ou no total abandono visível a 12 anos atrás na avenida Jurema no Pimentas. Eu vivi essa cidade que passou por grandes mudanças, promovidas sim, pelo governo do PT.

Agora a pulga que nos incomoda depois de 12 anos governando (indo para mais quatro), é qual o saldo político que tivemos para além dos mais de 115 mil votos de legenda e 15 mil filiados (as)?

Quantos militantes foram incentivados a estudar, se formar e contribuir para pensar políticas públicas em nossa cidade?

Quais experiências de políticas realizamos e que são estudadas, conhecidas ou tem a contribuição da militância política do partido?

Quantos petistas conhecem de fato a organização administrativa da prefeitura, os trâmites principais, os caminhos legais  e as nossas ações, programas e projetos?

Quantos quadros políticos formamos para substituir pessoas em funções chaves (importantes para o funcionamento da máquina), uma vez que todos (as) somos seres humanos que adoecemos e morremos como conseqüência natural da vida.

Quais ações ousadas e necessárias serão ainda preciso fazer para tornar a máquina mais eficiente na execução das políticas públicas na cidade?

Todas essas e outras perguntas dependem de uma posição que não pode ser debitada no prefeito, nem em Eloi e nem em Almeida. Essa responsabilidade é coletiva e partidária.

As chamadas escolas de governo criadas pelas primeiras prefeituras do PT tinham como objetivo fortalecer, aprimorar e consolidar os avanços nas políticas locais, valorizando servidores públicos com ética política no exercício das suas funções, militantes que poderiam apoiar ou substituir outros para continuar o projeto político em curso.

Mesmo a Escola de Sociologia e Política de São Paulo, que reúne intelectuais das mais variadas posições ideológicas surge num momento histórico que se exigia a formação de quadros políticos, pessoas voltadas para políticas públicas.

Não quero fazer critica a ninguém e nem a nenhuma ação do nosso governo, mas quero poder lembrar que todos somos substituíveis em nossas tarefas e que governar exige também dar respostas a população que nos creditará ou não um novo mandato. Na democracia não há eternidade, mas há alternância.

O que é preciso fazer agora é um balanço dos nossos 12 anos de governo. Um balanço que seja geral partindo da cidade como um todo e seus grandes desafios e especifica partindo para políticas públicas que precisam se consolidar e outras a serem criadas.

Redirecionar o debate sobre o futuro da cidade para o partido e nele a responsabilidade de reunir uma avaliação fria e necessária dos quadros da administração, de políticas de carreira e cargos que permitam formar servidores públicos que compreendam o projeto político em jogo. E não apenas as alianças.

De nada adianta uma Câmara de vereadores azeitada frente uma prefeitura engessada nos seus pontos estratégicos. Se temos oposição, nada impede que ela se enraíze na máquina.
E não proponho a mágica de fazermos ou fundarmos uma escola de governo, mas repito: “precisamos de um bom balanço de qual é a cidade temos? O que fizemos nela? Quais desafios vamos enfrentar? E como podemos nos transformar e revolucionar sem perder o horizonte da continuidade de governo a serviço das mudanças necessárias?"

Escola de governo não representa  a “arca de Noé” para o governo. Seu papel é depurar dos nossos mais de 15 mil filiados (as), e saber quais são os militantes dispostos a socializar o que sabem e outros aprenderem o que é preciso para fazer com que o projeto político que governa Guarulhos possa ser reconhecido para estar à frente o tempo que for necessário.

Wagner Hosokawa – militante da Esquerda Popular Socialista, tendência interna do PT. Foi membro do DM, da Executiva da macroregião, Secretário da Assistencia Social e Coordenador da Juventude no governo. É mestre em Serviço Social pela PUC/SP e servidor público municipal.