quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O mal que corrói o petismo!

 


Não tenho prazer de escrever essas críticas. Já expliquei isso em algum momento. O que não entendo é como militantes de esquerda não conseguem se  alimentar da crítica como forma de fortalecer sua luta, seu projeto. Talvez o institucionalismo tenha penetrado tanto no petismo que os valores pequenos burgueses tenham fundido a alma até do mais valente militante.

Esse ser do petismo consegue ir no Galpão Elza Soares e curtir com o MST, apoia a palestina, usa boné do Che, ao mesmo tempo que justifica as alianças de Lula com Lira e parte da direita bolsonarista, defende a floresta, mas não aceita críticas ao governo quando o assunto é perfurações de petróleo na Foz da Amazônia. 

Isso tudo leva a ausência total de protagonismo nas grandes manifestações que passam por 2013, pelo Fora Temer, pelo Ele não, no Fora Bolsonaro e recentemente na luta contra a Pec da Bandidagem, não vamos esconder a verdade, a triste verdade. Tirando 2013, todas as demais participei ativamente, e o que percebi, a ausência do PT, não estou falando que os petistas se aumentaram, muito pelo contrário, estavam lá. 

Mas a direção, os influenciadores, mandatários e qualquer dirigente estes não souberam se conectar com as lutas reais, quando estavam pensando o que fazer, as convocações já estavam circulando, quando exitaram em apoiar e convocar, as massas já estavam nas ruas, quando pensaram que tudo ia se instabilizar, o congresso de direita do orçamento secreto, aliados do governo Lula seguiam dado outra facada nas costas, e novamente novas mobilizações que não passaram pelo protagonismo do PT. 

Confesso que saúdo essa mudança, a esquerda não é um clube fechado e exclusivo,  ser de esquerda é caminhar pelo terreno da luta de classes, é enfrentar o capital e o capitalismo.

Escrevo isso também porque hoje abrindo meu e-mail recebi mensagem da fundação Perseu Abramo, do PT, e ótimo primeira notícia era sobre o 14 encontro nacional de mulheres do PT, fundamental, mas na sequência umas dez matérias  chapa branca, só governismo, só governismo. Nada que alimente o militante partidário, militante que fica em "modo espera" por definições do partido e não informes do governo.

Mas não seria isso o PT? Mandatos presos a lógica do Estado capitalista, que não sobrevive sem essa estrutura. 

O sangue de Rosa Luxemburgo está nas mãos dos sociaisdemocratas alemães, que embriagados pelo poder conciliatório e o acomodamento nesse poder que não sabiam mais o que era se sacrificar pela libertação da sua classe, que as migalhas do sindicalismo econômico não eram presentes e sim concessões raivosas da burguesia. Preferiram abrir mão da sua revolução e pior ainda abater as oposições a sua esquerda e dormir com a direita. Não tem perdão e a história foi cruel. Ascensão de Hitler e o nazismo varreu a Alemanha da história operária, dizimou e empreendeu a pior guerra é massacre humano da história.

Não, o PT não iria tão longe. Mas subjugar o petismo coocando-lhe uma coleira institucional e buscando manter o establishment, sua pequena e feliz elitizinha não mudará em nada a correlação de forças.

Concordo que o novo sempre vem. Mesmo que eu reconheça que fora do PT há poucas esperanças, e também já disse isso em outro lugar. 

Para me confrontar, talvez um desses petistas que tratam a política como religião e Lula como um Deus, vá dizer que o PT fo o partido que mais filiou no Brasil, ok parabéns. Um partido político não faz.mais do que sua obrigação. Quero lembrar que o PT de 2003 a 2010 também filiou muita gente, durante os anos de ouro do lulismo, mas não teve gente para lotar a esplanada em defesa de Dilma e de seu mandato legítimo. A prisão de Lula mobilizou militantes, mas as massas "ingratas" nem sairam na janela. 

Quem erra na análise, erra na ação.

E no 08 de janeiro de 2023 tirando os ministros de Estado e suas responsabilidades, o petismo ficou imóvel, sem saber o que fazer. O que impediu o golpe foi a preguiça e o medo das aposentadorias na confortável carreira militar, viva aos privilégios, ou alguns deles. 

2026 não haverá nada de novo. Pelo menos no petismo.


Justificando o sumiço.

 


Feliz 2026. Principalmente para você que ainda segue, bisbilhota ou tenta ver se esse blog segue ativo. Confesso que depois que se cria um espaço, a responsabilidade de mante-lo torna-se grande.

Desculpe pelos meses de longo inverno. Confesso minha máxima culpa, pois tenho utilizado o Instagram para expressar posições ou replicar posições que defendo.

Sempre achei aqui um lugar mais "refinado", no sentido de me aprofundar mais sobre temas e questões do nosso tempo e da nossa luta de classes.

E aqui estou. Esse post é para dizer que sigo firme. Já fui aconselhado a ir pelo caminho do audiovisual, tipo um canal, mas ainda não sei. Tenho me dedidcado sim ao canal do Sinpro Guarulhos e ao programa Papo de intervalo, porquê é algo coletivo. Um canal meu sou um tanto personalista, e não creio que essa exposição seja necessária.

Talvez eu insisto em manter esse lugar como uma terapia, para mim e você leitora e leitor, pois isso me exige pensar e escrever, e a você LER. Três coisas que se torna casa vez mais importantes em nosso tempo. 

Estou lendo o livre recente do Saflate, "Cinismo e falência da crítica", confesso que não ia mais comprar livros, já tenho muitos na minha lista de dívidas pessoais para ler, mas algo me chamou atenção, seja capa, resumo...enfim, foi e está sendo fundamental. Isso somado ao turbilhão de situações pessoais pelo que passei parece que se encontraram e se encaixaram perfeitamente.

Portanto, se você está em completa paralisia diante do fascismo brasileiro, Trump, Venezuela, direita, aquecimento global, crise da água e outros, minha primeira sugestão é: LEIA. De preferência um livro.

Só tem condições de lutar quem coloca nos eixos sua razão e compressão da realidade a sua volta. Se indignar ou criticar a torta direito só farão vocês errar visto como uma pessoa chata e não um militante de uma causa.

Eu não sou religioso, mas creio em forças sejam elas quais forem. Talvez algo que acontece com a gente influencie mesmo a nossa trajetória.

Digo isso, porque bem no final de 2025 naqueles momentos de alta estima lá no alto, eu estava fazendo tarefas de casa e fui novamente limpar o telhado da garagem, e bem no final algo ruim me aconteceu, pisei erroneamente numa trinca, e tive uma queda livre de lá. Dores, ambulância, maçã, atendimento médico, medicamentos e o custo da cagada: escapula direita fraturada e 60 dias de repouso. Sim, quando se está dependente é se recuperando de um acidente, o "repouso" é quase uma tortura.

Voltando ao meu momento holístico, porquê falei que creio em forças, pois esse tempo e os desafios que tem me trazido talvez seja um aviso de "reduza a velocidade", refletir sobre o que tem sido feito e talvez reavaliar rotas. Sim, parece que precisava desse tempo.

Ainda tenho muitas coisas para fazer e na lista de prioridades, sem data fixa estão:

- concluir o documentário sobre a UGES (União Guarulhense dos Estudantes Secundaristas);

- cumprir e honrar o mandato no Sinpro Guarulhos;

Do que pretendo fazer ou talvez me dedicar mais seria apoiar os Centros de Memória que guardam hoje os arquivos históricos da Uges com o Cedem da Unesp e os arquivos das lutas sociais de Guarulhos-SP que estão com o Centro de Memória da Unifesp campus Guarulhos.

Preciso tirar da gaveta o livro sobre minha experiência na Marcha Nacional da Reforma Agrária de 2005, onde caminhei de Goiânia até Brasília em maio daquele ano com as/os camaradas sem terra. 

Talvez ser assistente social voluntário em alguma associação que valha a pena para contribuir paea luta de classes. 

Tudo em 2026? Não querides, uma coisa que tenho tentado aprender é essa coisa do viver cada momento. 

No tempo que escrevo esse artigo pensei em contribuir com alguns escritos sobre a educação política e popular, o agitprop e outro que trata da arte da articulação política, duas coisas que foram sempre minha especialidade. 

Bem, é isso. Bom ano pra nós e que alguma força ou forças nos protejam, pois é ano de eleição.

A imagem desse artigo é de um cartão de Natal soviético