Não tenho prazer de escrever essas críticas. Já expliquei isso em algum momento. O que não entendo é como militantes de esquerda não conseguem se alimentar da crítica como forma de fortalecer sua luta, seu projeto. Talvez o institucionalismo tenha penetrado tanto no petismo que os valores pequenos burgueses tenham fundido a alma até do mais valente militante.
Esse ser do petismo consegue ir no Galpão Elza Soares e curtir com o MST, apoia a palestina, usa boné do Che, ao mesmo tempo que justifica as alianças de Lula com Lira e parte da direita bolsonarista, defende a floresta, mas não aceita críticas ao governo quando o assunto é perfurações de petróleo na Foz da Amazônia.
Isso tudo leva a ausência total de protagonismo nas grandes manifestações que passam por 2013, pelo Fora Temer, pelo Ele não, no Fora Bolsonaro e recentemente na luta contra a Pec da Bandidagem, não vamos esconder a verdade, a triste verdade. Tirando 2013, todas as demais participei ativamente, e o que percebi, a ausência do PT, não estou falando que os petistas se aumentaram, muito pelo contrário, estavam lá.
Mas a direção, os influenciadores, mandatários e qualquer dirigente estes não souberam se conectar com as lutas reais, quando estavam pensando o que fazer, as convocações já estavam circulando, quando exitaram em apoiar e convocar, as massas já estavam nas ruas, quando pensaram que tudo ia se instabilizar, o congresso de direita do orçamento secreto, aliados do governo Lula seguiam dado outra facada nas costas, e novamente novas mobilizações que não passaram pelo protagonismo do PT.
Confesso que saúdo essa mudança, a esquerda não é um clube fechado e exclusivo, ser de esquerda é caminhar pelo terreno da luta de classes, é enfrentar o capital e o capitalismo.
Escrevo isso também porque hoje abrindo meu e-mail recebi mensagem da fundação Perseu Abramo, do PT, e ótimo primeira notícia era sobre o 14 encontro nacional de mulheres do PT, fundamental, mas na sequência umas dez matérias chapa branca, só governismo, só governismo. Nada que alimente o militante partidário, militante que fica em "modo espera" por definições do partido e não informes do governo.
Mas não seria isso o PT? Mandatos presos a lógica do Estado capitalista, que não sobrevive sem essa estrutura.
O sangue de Rosa Luxemburgo está nas mãos dos sociaisdemocratas alemães, que embriagados pelo poder conciliatório e o acomodamento nesse poder que não sabiam mais o que era se sacrificar pela libertação da sua classe, que as migalhas do sindicalismo econômico não eram presentes e sim concessões raivosas da burguesia. Preferiram abrir mão da sua revolução e pior ainda abater as oposições a sua esquerda e dormir com a direita. Não tem perdão e a história foi cruel. Ascensão de Hitler e o nazismo varreu a Alemanha da história operária, dizimou e empreendeu a pior guerra é massacre humano da história.
Não, o PT não iria tão longe. Mas subjugar o petismo coocando-lhe uma coleira institucional e buscando manter o establishment, sua pequena e feliz elitizinha não mudará em nada a correlação de forças.
Concordo que o novo sempre vem. Mesmo que eu reconheça que fora do PT há poucas esperanças, e também já disse isso em outro lugar.
Para me confrontar, talvez um desses petistas que tratam a política como religião e Lula como um Deus, vá dizer que o PT fo o partido que mais filiou no Brasil, ok parabéns. Um partido político não faz.mais do que sua obrigação. Quero lembrar que o PT de 2003 a 2010 também filiou muita gente, durante os anos de ouro do lulismo, mas não teve gente para lotar a esplanada em defesa de Dilma e de seu mandato legítimo. A prisão de Lula mobilizou militantes, mas as massas "ingratas" nem sairam na janela.
Quem erra na análise, erra na ação.
E no 08 de janeiro de 2023 tirando os ministros de Estado e suas responsabilidades, o petismo ficou imóvel, sem saber o que fazer. O que impediu o golpe foi a preguiça e o medo das aposentadorias na confortável carreira militar, viva aos privilégios, ou alguns deles.
2026 não haverá nada de novo. Pelo menos no petismo.