segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Pessoal Urgente: desafios para frente!




"O que fazer?" é a frase que se tornou não apenas o documento leninista estratégico para entender o levante de 1917, quanto uma forte linha de reflexão sobre os desafios que a realidade e a luta política impõe a quem sabe que após as eleições a vida continua, bem como os inimigos dos interesses da população que em suas frentes não descansam. Flavio fujão nem visitou o Pateta na Disney e aqui setores do bolsonarismo já se movimentam para construir uma alternativa aos cães raivosos da família, os movimentos de Tarcisio e Michele para 2030 parecem apressados, mas expressam como quer se movimentar a direita fascista após a segunda derrota do bolsonarismo raiz. 2026 expressa novamente e esses movimentos não param de acontecer e a miopia das nossas esquerdas seguem firme em negar as mudanças da luta de massas. 

Vamos aos fatos: 2013 a paciência diante do "New Deal" lulista, um tipo de "esperar o bolo crescer pra repartir com mais justiça social" não aconteceu e o levante daquele ano deu o tom que mexeu com todas as estruturas de poder, só que o fascismo já em curso também aproveitou a onda e apostando no lulismo como a "ordem" levantou parte da juventude e dos jovens adultos a ideia de que o Brasil está como está devido o governo do PT, onde a grande ação integralista foi mover parte das massas para o golpe de 2016, sem tanques, mas com grandes reformas que novamente atacaram os direitos dos trabalhadores. 

Na sequencia de 2014, novamente uma esquerda surpresa é pega no susto com a ocupação das escolas, ainda fruto da raiz da crise de projeto do lulo-dilmismo, os jovens não aceitam o fechamento de escolas a partir de desculpas administrativistas dada pelo governo do PSDB e isso erradia para o Brasil inteiro, e mesmo assim, sem muito inovar a esquerda deixa passar novamente essa oportunidade, preferindo na velha forma colher os bons militantes para suas agremiações, deixando uma massa de jovens com consciência dispersos, isso nos empurra para letargia de 2016, onde ao final de 2015 muitos de nós fomos as ruas denunciar uma ameaça de golpe, que foi ignorada pela direção majoritária do PT, o Psol e Pco nas ruas capitalizando o processo e em definitivo fomos golpeados com a queda da presidenta Dilma. 

No caminhar desse processo, o baixo clero liderado por Jair Bolsonaro começa a colher os grupos do oportunismo de direita - fascista a moda brasileira. Jair sempre soube explorar o saudosismo da ditadura e suas mentiras sobre "estabilidade econômica e paz social", contudo, martelou tanto a ideia e ainda apoiado por uma redemocratização cagona que conciliou crimes da ditadura a anistia aos que lutaram pela democracia, a pacificação que envolveu o MDB e o PDS, bem como todo aparato que manteve nos postos e na carreira corruptos e assassinos de farda, dito isto, as raízes de como a violência social anda ao lado de um tipo de política corrupta e violenta foi parte do ovo que foi chocado na transição democrática. Gerações pagam até hoje essas consequências históricas. 

2018 foi uma mescla de emoções, com Lula preso e Jair saindo do fim da fila para ser eleito presidente do Brasil. De novo as esquerdas em geral preferiram ignorar ou ridicularizar o senhor das armas, até que fomos empurrados para um segundo turno terrível em que fomos derrotados. O governo do Jair foi menos fascista, mais centrão, mais falastrão do que imaginávamos. A sorte também estava do nosso lado, em São Paulo com Doria os atos "fora Bolsonaro" foram de fato um evento tranquilo. Quando digo menos fascista não esqueço da pandemia e o negacionismo vacinal, mas a passividade das forças sociais também não ajudaram a enfrentar a raiz do problema. 

Ao final, o governo Bolsonaro parecia mais uma pilhagem colonial do que um governo fascista, mesmo a tentativa de golpe ao final da eleição de 2022 era um combinado de fanfarronice com amadorismo, milicos machos de um lado, garantidores preocupados com suas carreiras e aposentadorias, bolsonaristas raivosos com a certeza das ruas e portas de quarteis ocupados, paralelamente, joias, emendas, casas, e todo tipo de enriquecimento curioso rondavam o palácio do planalto, os filhos então, empenhados mais na vitória do pai pensando nas mamatas e menos no projeto político fascista original. Mesmo 08 de janeiro podemos colocar no rol das frustações dos radicais do fascismo. 

Lula chegou em ritmo de terceiro mandato achando que a combinação de macro economia e políticas sociais fossem ser a velha e atual forma de manter firme sua permanência pacifica no poder e quem sabe construir um sucessor para 2027, não deu certo, os dados eram bons? Sim, desemprego baixo, inflação controlada, políticas sociais retomadas, mesmo em ritmo lento, porém a classe trabalhadora estava amargurada com as derrotas das reformas e a precarização fluindo como um sangue pobre pelas veias da classe, no meio do caminho um balconista de loja se insurge contra a escala 6x1 de trabalho, uma vez que sua percepção e vivencia mostravam que UM DIA não era suficiente para vida, ou pelo menos para respirar, cujos lucros sobre esse sacrifício estavam mais do que pagas e sendo utilizada com cada vez mais intensidade com traços de crueldade, assim, um governo sem raiz, se escora num pauta sensível da classe que segundo as pesquisas, alcançava quase 70% de apoio pela sua derrubada. O terrorismo financeiro e economico mostraram que o caminho era necessário e na sequencia foram as BET's (jogos de apostas) que foram proibidas já que a família brasileira, tão defendida pelo bolsonarismo estava sendo destruida pela lógica das Bet's. 

 Chegando em 2026, novamente o susto, a incerteza, as velhas formas engolidas pelas novas formas e com esse elemento que nos persegue desde 2013: uma massa de ativismo sem organização, que sente e reage a ameaças variadas e que nesse caso foram canalizadas no enfrentamento ao fascismo de Flavio Fujão Vorcaro Bolsonaro. O "janonismo cultural", expressão do momento foi uma grande onda que não teve tempo para ser planejado, discutido em uma reunião de diretório ou executiva, que não pediu permissão para o marketing eleitoral, que não esperou nenhuma analise de conjuntura brilhante para reagir não apenas ao risco de derrota de Lula, mas de fortalecimento da violência política e do ódio como forma de governar paralelo a destruição de direitos. 2027 exige muito de todos/as nós. 

Vamos amadurecer de fato ou ainda seremos vitimas das velhas formas? Quando falo de velhas formas não digo de métodos. Evidente que como militante de esquerda jamais vou desmerecer a reunião, a analise de conjuntura e a organização. Todas seguem necessárias. Porém, vencer não pode ser uma questão abstrata, vencer precisa ser de fato um forma de reunir, canalizar e expandir essa força que teve se mover tanto desde 2013. 

Sei que todos/as nós estamos em nossas nobres tarefas e talvez alguns de nós não tenha disposição a abandonar algumas delas por outra que exija mais do que podemos entregar de nossa dedicação. Mas a vida é luta e para nós da luta de classes, cada vez mais isso é uma exigência histórica.