quinta-feira, 9 de maio de 2013

"Não é porque a minha mãe teve que vender o corpo pra me alimentar que ela vai deixar de ser chamada de prostituta pela sociedade conservadora!"



É um título grande, mas é pra isso mesmo! Refletir a partir daí já é um bom ponto de partida. E na maioria das vezes esse é o comportamento da sociedade, desta sociedade, a sociedade do capitalismo.

Sim, é uma sociedade do capital e da exploração do trabalho do trabalhador (a). É uma sociedade liberal que abraçou-se ao conservadorismo para manter sua hegemonia.

A moral burguesa nunca foi tão vigorosa, cruel e despudorada como neste tempo. Homossexuais apanhando nas ruas e avenidas das grandes cidades, direitos das mulheres sendo criticados e restritos, negros e negras impedidos de pelo menos terem acesso ao ensino pelas cotas, empregadas domesticas no centro de um debate marginal sobre sua condição humana - tem ou não direitos trabalhistas?, enfim, este país da economia em desenvolvimento e do acesso a bens de consumo tem nos levado a fazer várias, inúmeras e necessárias reflexões.

A desigualdade é a expressão desta sociedade do capital, portanto ela sempre existiu desde o nascimento do capitalismo. OK, então porque ainda determinadas estratégias de sobrevivência são tão criticadas?

Imaginemos o ser humano. É a humanidade que conseguiu manusear a natureza, a capacidade de projetar coisas e ter sentimentos é que nos torna superiores aos demais seres vivos. Primeiro era a sobrevivência, a luta pela vida na vida das cavernas, o instinto não foi sucumbido dentro de nós, mas humanizado.

Sendo a sobrevivência um instinto portanto numa sociedade onde quem não teve oportunidades ou direitos tem outras opções: viver de comer o que há no lixo, vender seu corpo, roubar, furtar, etc...

Uma coisa interessante da contradição do capitalismo: mesmo que tenhamos tornado o nosso instinto de sobrevivência domado, humanizado e moralmente controlado (tipo roubar é ruim, é subtrair da outra pessoa humana), isso só não estava combinado com que foi deixado a margem da sociedade, os excluídos/as.

Quem não está incluído, é excluído certo? E aí observamos para expressões de como a sobrevivência tem diversos níveis para nós humanos.

O morador em situação de rua para manter sua sobrevivência expressa na sociedade civilizada do capitalismo o nojo, pois, ele dorme na rua, é mal vestido, não toma banho, recolhe do lixo o seu sustento e sua comida. Mas ele mesmo assim se mantém vivo e é isso que causa o horror e o ódio das elites. E ela sutilmente transfere o seu ódio para os de baixo - as camadas médias da sociedade (aqueles assalariados que eles chamam de "classe média" para se sentirem incluídos).

A trabalhadora do sexo que para manter sua sobrevivência vende o próprio corpo para satisfazer de sexo outras pessoas, sobre elas o capitalismo tem vergonha e aplica a pena moral-religiosa, seu ódio é em defesa da "família". Aqui a relação é hipócrita, pois os homens desta mesma elite se utilizam do trabalho para satisfazer prazeres ocultos.

E os homossexuais, a imperdoável  descoberta da pessoa humana. Esta não é uma sobrevivência de vida, mas de direito de viver. E esta o veneno das elites é destilada pela moral religiosa, social, cultural e política.

As mulheres, que é incompreensível as inúmeras idiotices criadas, principalmente no campo religioso para defini-las como "seres inferiores". Sobre elas é determinado uma carga de opressões em nome da preservação da vida (com certeza não a das mulheres, claro). Nem preciso comentar sobre o ódio das elites sobre o direito ao seu corpo e a igualdade de direitos, isso é perceptível.

E o povo negro. Escolhido pelas elites brancas como "seres humanos menos reconhecidos", o mal criado aos povos negros persiste e o ódio destas elites concentra-se não apenas contra as cotas raciais, mas principalmente contra o fim da escravidão. Isso mesmo, só há racismo e discriminação racial porque não se tolera o fim dessa forma desumana de relação entre seres humanos.

Há outras questões para o ódio das elites, porém a resposta para o título e todas as outras formas de exclusão, opressão, discriminação, racismo, segregação tem no centro este ódio dos que cima sobre nós, os de baixo.

Wagner Hosokawa
apenas um militante.

p.s. Martin Luther King, utilizei esta foto dele, pois imagino que ele ainda presente em nossas reflexões.