segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Dr. Victor Frankenstein repudia seu monstro | Carta semanal 2 (2025)

 

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Dr. Victor Frankenstein repudia seu monstro | Carta semanal 2 (2025)

Zulkifli Yusoff (Malásia), Sem título, 1995.

Queridas amigas e amigos,

Saudações do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.

Pouquíssimos humanos tiveram a sorte de descer às profundezas dos oceanos do mundo. O lugar mais profundo — 11 quilômetros abaixo do nível do mar em seu ponto mais profundo — é a Fossa das Marianas, que está localizada ao norte das 607 ilhas dos Estados Federados da Micronésia, no Oceano Pacífico (em comparação, o Monte Everest está quase 9 quilômetros acima do nível do mar). Lá embaixo, nas profundezas abaixo de 6 quilômetros, no que é chamado de zona hadal, não há luz. É chamada de zona hadal em homenagem a Hades, o antigo deus grego do submundo. Em Os Persas, de Ésquilo, o coro canta: “Hades, o deus que tudo recebe, toma tudo em suas mãos e nunca os liberta”. As profundezas são tratadas com medo, a escuridão abaixo é quase uma porta de entrada para o inferno de fogo de Hades.

Exploradores que estiveram nas profundezas do oceano em vários submarinos relatam que a escuridão é total por 6 quilômetros. Mas mesmo nas águas mais profundas, eles testemunharam flashes de luz e então viram que criaturas do fundo do mar emitem sua própria luz (bioluminescência) para atrair parceiros ou caçar alimentos, produzindo luciferina (uma molécula emissora de luz) e luciferase (uma enzima), ambas palavras vindas do latim e que significam “portador da luz”, que interagem e produzem fótons. De fato, um novo estudo nos diz que 76% dessas criaturas das profundezas do mar possuem essa habilidade. Alguns são tão pequenos quanto algas unicelulares que não podem ser vistas pelo olho humano, enquanto outros são tão grandes quanto uma lula gigante, que pode atingir até 13 metros de comprimento. Existem criaturas únicas nessas grandes profundezas, muitas delas evoluíram para se adaptar não apenas à escuridão, mas também à extrema pressão da água (16 mil libras por polegada quadrada ou psi, em comparação com cerca de 14,7 psi no nível do mar). Eles receberam nomes fantásticos de humanos que os veem por sua estranheza: tubarão-duende, polvo-dumbo, lula-vampira, vermes zumbis, peixe-machado seminu. A chave para sua sobrevivência não está apenas em seus olhos e bocas fantásticos, mas na luz que eles produzem para combater a escuridão.

Jean Cocteau (França), Édipo ou a encruzilhada dos três caminhos, 1951.

A luta pela sobrevivência define a história natural e humana na Terra. Nenhum animal ou planta sucumbe a quaisquer desafios absurdos que lhe sejam impostos. Nas praias de Pohnpei, um dos Estados Federados da Micronésia, há flores — como os lindos hibiscos costeiros laranja, rosa e vermelho — que brotam do solo arenoso e florescem quando a água salgada as banha. Em 2013, o poeta pohnpeiano Emelihter Kihleng escreveu “Maré”, que captura essa resiliência:

A maré me puxa,
um lembrete das coisas que se perderam
e das coisas que retornam.
Eu estou na praia,
pés afundados na areia,
imaginando se o oceano se lembra de mim.

Pohnpei não foi bombardeado na Segunda Guerra Mundial e foi poupado dos testes nucleares que atingiram o Atol de Bikini (23 testes nucleares dos EUA entre 1946 e 1958) e o Atol de Enewetak (43 testes nucleares entre 1948 e 1958), ambos a aproximadamente 900 a 600 quilômetros de distância, respectivamente.

Em 1934, Jean Cocteau publicou a peça La Machine infernale [A máquina infernal]. Nele, o Oráculo de Delfos, que conhece a história de Hades, diz ao sábio Édipo: “O mundo subterrâneo nada mais é do que um espelho do mundo superior, onde encontramos apenas o mesmo rosto, os mesmos destinos e as mesmas sombras”. Mas, na verdade, o Oráculo de Delfos errou. Nas profundezas, perto dos portões de Hades, em vez de sucumbir à sua situação, as criaturas que ali vivem — apesar da realidade do lema de Thomas Hobbes, Bellum omnium contra omnes [a guerra de todos contra todos, ou a luta pela sobrevivência] — produzem sua própria luz interior por razões de reprodução ou preservação. Quando li sobre a onipresença desses animais bioluminescentes nas profundezas do oceano, senti mais as implicações metafóricas do que as evolutivas: sua luminescência é meramente uma reação bioquímica ou pode ser lida como resiliência?

Do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social chega o dossiê n. 83 (dez. 2024), O falso conceito de populismo e os desafios da esquerda: uma análise de conjuntura da política no mundo do Atlântico Norte Este texto foi estimulado pela vitória eleitoral de Donald Trump nos Estados Unidos, mas também pela sensibilidade entre setores do antigo liberalismo e da social-democracia de que é isso — a chegada da extrema direita de um tipo especial — a causa dos problemas que a humanidade enfrenta. Trump sozinho não nos deu os hábitos de intimidação e repressão que os Estados Unidos e seus aliados infligem ao Sul Global. Trump nasceu em 1946, um ano depois de os EUA usarem bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. Quando criança, os EUA invadiram a península coreana (1945) e interferiram nas eleições na Costa Rica (1948), Síria (1949), Irã (1953) e Guatemala (1954). Trump certamente definiu os termos para a ofensiva regional israelense com os Acordos de Abraham (2020), mas ele não assinou as ordens para transferir sistemas de armas perigosos para Israel para sua guerra genocida, nem é a única força no Atlântico Norte comprometida em defender seus financiadores.

Trump é um produto do pacto neoliberal. Ele é o monstro de Frankenstein. Sua afirmação de ser um bilionário self-made é tão realista quanto sua afirmação de ser um político self-made: em ambas as áreas, ele foi impulsionado por forças muito maiores do que ele. Quando os antigos liberais e muitos dos sociais-democratas deixaram de lado seus compromissos com o bem-estar social e o bem comum e salivaram em direção ao neoliberalismo, eles perderam cada vez mais popularidade entre grandes setores do eleitorado no Atlântico Norte. Esses velhos liberais e alguns social-democratas usaram o estado para desviar enormes partes do excedente para criar bilionários e depois assumir empregos no mundo deles. À medida que perdia sua base, a classe dominante buscava freneticamente uma maneira de manter sua hegemonia eleitoral. Isso significava, primeiro, destruir a possibilidade de qualquer renascimento do assistencialismo por meio da centro-esquerda (a sabotagem contra a campanha de Bernie Sanders e a conspiração contra Jeremy Corbyn são exemplos disso) e depois encontrar candidatos dispostos a dizer qualquer coisa para criar e disciplinar uma nova base (desde que esses novos candidatos, como Trump, permanecessem comprometidos com as estruturas rígidas de extração de excedentes do trabalho social de muitos para as contas bancárias de poucos). Com o tempo, incapazes de cumprir suas promessas, Trump e outros da extrema direita de um tipo especial cairão na desgraça com sua base. Quando isso acontecer, a classe dominante, os Frankensteins do capitalismo, encontrarão outro mágico que deslumbrará uma base desorientada enquanto continuará a impor brutalidades aos trabalhadores e camponeses do mundo.

Salah Elmur (Sudão), Jubileu de Ouro, 2020.

O que a presidência de Trump significará para o mundo, pergunta o comentarista liberal? O que o pacto neoliberal significou para o mundo? Quando o “mal menor” do pacto neoliberal — Biden nos Estados Unidos, Starmer no Reino Unido, Macron na França, Scholz na Alemanha (e até o patético fim de sua carreira política, Trudeau no Canadá) — é totalmente cúmplice de um genocídio em andamento, há pouco que Trump possa fazer para ser pior. Além de “terminar o trabalho” em Gaza, como ele e seus comparsas prometeram fazer, talvez tudo o que resta seja se ele realmente, ao estilo do Dr. Strangelove, é conduzir o extermínio da raça humana e a aniquilação do planeta. Mas mesmo quando o tema é a destruição planetária, o que as mega corporações do pacto neoliberal têm feito senão cometer ecocídio e ignorar a evidência da catástrofe climática? Essas forças neoliberais alegam apoiar formas de liberalismo, como a liberdade de expressão, mas, na verdade, foram essas antigas forças liberais e antigas forças sociais-democratas no mundo atlântico que introduziram poderes amplamente sem contenção para as forças de repressão em nome do antiterrorismo, entregando assim esses poderes a forças — como Trump — que são instintivamente contra as liberdades de expressão e associação. Os velhos liberais e os antigos sociais-democratas dirão que pelo menos não são patriarcais ou racistas, mas mesmo aqui os números deles são péssimos: a taxa de deportação nos Estados Unidos é tão alta, se não maior, sob presidentes liberais quanto sob conservadores, e os velhos liberais e antigos sociais-democratas não fizeram quase nada para defender os direitos das mulheres, que se tornaram um hobby de campanha em vez de um campo de luta.

É precisamente esse o ponto: nem os velhos liberais e os antigos social-democratas, nem a extrema direita de um tipo especial são capazes de expandir o campo de luta. Isso dá espaço para que os trabalhadores entrem nesse campo com confiança e clareza e moldem uma política de emancipação das garras do capitalismo, e permite que aprofundem a batalha de ideias e levantem questões programáticas que buscam resolver problemas reais em vez de apenas tentar construir formações eleitorais para derrotar a direita.

Larkin Durey (Costa do Marfim), Haut les mains [Mãos ao alto], 2020.

Não consigo tirar essas criaturas das profundezas do mar da minha mente. Em um ponto do romance Frankenstein, de Mary Shelley, o monstro diz que, embora ele “devesse ser o Adão [de seu criador]”, ele é “mais como um anjo caído” (ou seja, Lúcifer). O nome Lúcifer — assim como luciferina e luciferase — vem da palavra latina para “portador da luz” e, embora o termo tenha aparecido pela primeira vez em uma tradução da Bíblia hebraica do final do século IV como uma tradução da palavra hebraica Heilel ou “aquele que brilha”, foi somente em Paraíso Perdido (1667), de John Milton, que ele foi identificado com o anjo caído. Será que os monstros, os portadores da extrema direita de um tipo especial – como Trump – também são, em algum aspecto, “portadores da luz” luciferianos, cujas contradições nos permitem ver melhor os enganos do pacto neoliberal? Eles podem fazer isso, mas eles e o resto dos monstros do mundo do Atlântico Norte não podem fazer nada além disso. Eles não são como as criaturas das profundezas do mar. Seus seguidores ficam momentaneamente animados com seu carisma, mas logo tremem com seus fracassos. Para onde irão essas massas quando perderem o interesse na extrema direita de um tipo especial? As realidades sombrias da guerra e da fome enfraqueceram as possibilidades de uma luz interior para muitos humanos que parecem ter perdido a faísca em seus olhos que traga a promessa de iluminar um caminho adiante.

Mas essa luz não pode se apagar. Sempre há um feixe de luz. O poeta haitiano Paul Laraque (1920–2007) escreveu surrealisticamente sobre essas curtas explosões de luz nas danças das criaturas e flores nas profundezas das águas em seu poema “Mourir” [Morrer], que aparece em sua coleção de 1979 , Les armes quotidiennesPoésie quotidienne [Armas do Cotidiano: Poesia Cotidiana]:

A onda de sombra os arrastou para o nada,
para o fundo do mar, onde descansam entre os corais,
que se abrem como rosas, a dança vermelha e brilhante dos peixes,
os restos enferrujados dos navios, a opulência irrisória das areias.

Aquela dança vermelha e brilhante dos peixes, nosso protesto por um novo mundo.

Cordialmente,

Vijay

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Você é Arthur Fleck ou Coringa? (Tem spoiler de Coringa - Delírio a dois)

 


Em que beco estamos? Confesso que assisti "Coringa - Delírio a dois" com grande preconceito, não fui ao cinema assim que me disseram que era um musical. Não gosto de musicais, enfim, gosto é gosto. Prefiro boas histórias com enredo, tramas e tudo mais. Musicais, veja bem, ficam presos nessa coisa alegórica, cantoria, o show...talvez "Chicago" com Renée Kathleen Zellweger.

Bom, vamos ao que interessa. Tirando a cantoria, o filme me surpreendeu, pois joga luz a questão que foi o estopim do primeiro, a vida social dos indivíduos, numa sociedade marcada pelo capitalismo financeiro, numa cidade afogada no marasmo da rotina determinada por um vazio existencial, ricos sendo ricos, fodidos sendo fodidos, passividade do fim dos serviços públicos e indiferença geral. 

Coringa 1, estabeleceu desse debate do anti-herói que, em sequencia, reage ao abuso dos três imbecis no metrô, vamos lembrar a cena, os três "investidores" de família formada por "cidadãos de bem" assediam uma moça no vagão onde estava o desempregado Arthur Fleck, ele nem foi tão altruísta assim, sua risada de nervoso apenas mudou o foco dos três imbecis para ele mesmo. Diante da agressão destes, a reação, tiro pra todo lado, a força humana irracional em se defender. Não justifica? Bem, eu diria que não, como também não justificaria ele apanhar de três imbecis, isso vira um bom debate ético não é?

Sobre a degola do "colega" de trabalho, voltemos para trás, quem deu a arma de fogo para o indefeso Arthur Fleck? O "colega", que a principio queira vender a arma. Depois de perceber que a mesma foi usada no atentado aos três imbecis, ficou com medo, tentou de tudo para reaver o revolver. Mereceu morrer? Acho que não! Agora, Arthur podia ter rejeitado o artefato, com certeza. Vejam como a sequencia de merda acontece. 

Matar a mãe. Outro ponto de virada, já que descobriu ou rememorou fatos do seu passado, da infância e das mentiras da mãe, já idosa. Outro gatilho, daqueles que vai criando o "Coringa" na alma. 

O tiro no meio da cara do apresentador Murray Franklin, precisava? Olha, esteticamente (falando de filme) adorei, tanto quanto a morte do Wayne. mas voltando o social da coisa, vamos lembrar que o objetivo do Arthur era se matar em público, contudo, outro sentimento desencadeou, chamemos de indignação numa variação de alto nível. Sim, adrenalina nas alturas. Lá nasce o Coringa? Eu achava que sim, até assistir "Delírio a dois"

Lá temos uma pessoa, Arthur Fleck, domesticado pela medicação, sem a euforia e os gatilhos que desencadearam a fúria anterior. O argumento da advogada de defesa sobre as "duas personalidades" até poderia ser um bom argumento legal, mas de fato pelo andar da carruagem, não era verdade. 

Talvez o "Coringa" em nós esteja por outras vias e não duplas, triplas ou múltiplas personalidades. Nós associamos indignação como um ato político, quando na verdade não é sempre. Aas vezes é um impulso individual, algo que pisou no nosso calo, o não reconhecimento, a indiferença dos demais por nós, enfim, só é ato político se é coletivo.

Novamente talvez, o que o "Coringa" em Arthur Fleck tenha causado na massa tenha sido uma indignação coletiva, já Arthur não, foi mais impulso individual. Ele nunca quis defende ruma causa, e sempre deixou isso bem explicado, várias vezes. 

Mas a provocação da sua admiradora Harley Quinn, engraçado tentaram fazer um trocadilho com "Arlequina", foi sendo assedio puro, pois, ela tinha na sua cabeça de que existia "Coringa", e nunca considerou Arthur Fleck, ela sempre o chama por "Coringa". E isso dá o gatilho que Arthur (não precisava) para aos poucos buscar ser aquele indignado que mais tentava ser o "astro da comedia" do que uma simbologia das massas. Outra incoerência, já que Harley queria o "Coringa" das massas e Arthur queria o astro do palco, tanto que os delírios, talvez por isso a cantoria, sempre foi ele representando no palco, como apresentador, cantor...e não um líder de ideais. Contradição danada né. 

A contradição que eu considero mais canalha é aquela do inicio, dos três imbecis no metrô, em nenhum momento, a moça branca assediada pelo menos tem dignidade de dizer em algum lugar que seja de que se não fosse a intervenção involuntária de Arthur Fleck, ela poderia ter sido inclusive estuprada. Nada. Não aparece nada. Isso diz muito sobre a tal a empatia, esse sentimento mentiroso, ligado apenas ao que interessa no intimo do umbigo de quem faz querendo cartaz, likes ou qualquer outro reconhecimento de merda dessa sociedade doente. 

O desfecho é o mais significativo. Começa na última argumentação do tribunal, quando ele novamente volta ao chão da realidade e decide que quem vai falar é a única pessoa que de fato existe, Arthur Fleck. Gerando frustração dos admiradores, com a saída de Harley e várias pessoas do tribunal.

Confesso que quando rolou o final fiquei chateado, achei uma bosta. Mas depois de um tempo refletindo, cheguei nestas conclusões, e no final um dos detentos que também depositou confiança no "Coringa" também entrou na fila dos frustrados e encerrou com o golpe a facadas no estomago do real e único Arthur Fleck. 

Vamos lá. O filme não é sobre o "vilão" de Batman, é sobre a existência humana. Ou a falta dessa existência para nós, para nós todos, ricos, pobres, fodidos, trabalhadores, polícia, todo mundo em pânico!

Como esse atual sistema capitalista tem conduzido a ausência da  nossa existência.

Sim, por incrível que pareça, o filme superou minhas expectativas e como sempre jogou pra baixo, num grande lago de merda, as expectativas com o ser social do capitalismo. 

Assistam, vale a pena!

Resista, meu povo, resista | Carta semanal 52 (2024) Mensagem do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social

 Queridas amigas e amigos,

Saudações do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.

A dor percorre as artérias da sociedade global. Dia após dia, o genocídio contra o povo palestino continua e os conflitos na região dos Grandes Lagos da África e no Sudão aumentam. Mais e mais pessoas caem na pobreza absoluta à medida que os lucros das empresas de armas aumentam. Essas realidades endureceram a sociedade, permitindo que as pessoas façam vista grossa e ignorem os horrores que acontecem no mundo todo. A indiferença pela dor dos outros se tornou uma forma de se proteger de um intenso sofrimento. O que se pode fazer com a miséria que passou a definir a vida em todo o planeta? O que posso fazer? O que você pode fazer?

Em 2015, a poetisa palestina Dareen Tatour escreveu Qawim ya sha’abi, qawimhum [Resista, meu povo, resista a eles], pelo qual foi presa e encarcerada pelo Estado israelense. Um poema que pode te mandar para a prisão é um poema poderoso. Um Estado ameaçado por um poema é um Estado imoral.

Resista, meu povo, resista a eles.
Em Jerusalém, curei minhas feridas e expressei minhas tristezas a Deus.
Eu carreguei a alma na palma da minha mão
para uma Palestina árabe.
Não sucumbirei à “solução pacífica”,
nunca abaixe minhas bandeiras
até que eu os expulse da minha terra natal
e os faça ajoelhar por um tempo vindouro.
Resista, meu povo, resista a eles.
Resista ao roubo do colono
e siga a caravana dos mártires.
Destrua a constituição vergonhosa
que impôs uma humilhação implacável
e nos impediu de restaurar nossos direitos.
Eles queimaram crianças inocentes;
Quanto a Hadeel, eles atiraram nela em público,
mataram-na em plena luz do dia.
Resista, meu povo, resista a eles.
Resista ao ataque colonialista.
Não dê atenção a seus agentes entre nós
que nos acorrentam com ilusões de paz.
Não temam os Merkava [tanques do exército israelense];
a verdade em seu coração é mais forte,
enquanto você resistir em uma terra
que sobreviveu a ataques e vitórias.
Ali gritou de seu túmulo:
resista, meu povo rebelde,
escreva-me como prosa no ágar,
pois você se tornou a resposta para meus restos mortais.
Resista, meu povo, resista a eles.
Resista, meu povo, resista a eles.

Choi Yu-jun (República Popular Democrática da Coreia), A Bela Adormecida, 2018.

“Hadeel” no poema se refere a Hadeel al-Hashlamoun (18 anos), que foi morta a tiros por um soldado israelense em 22 de setembro de 2015. Este assassinato ocorreu junto com uma onda de tiroteios – muitos fatais – contra palestinos por soldados israelenses em postos de controle na Cisjordânia. Naquele dia, Hadeel chegou ao posto de controle 56 na rua al-Shuhada em Hebron (Território Palestino Ocupado). O detector de metais apitou e os soldados disseram para ela abrir a bolsa, o que ela fez. Dentro havia um telefone, uma caneta Pilot azul, um estojo marrom e outros pertences pessoais. Um soldado gritou com ela em hebraico, e ela não entendeu. Fawaz Abu Aisheh, de 34 anos, que estava por perto, interveio e traduziu o que estava sendo dito. Mais soldados chegaram e apontaram suas armas para Hadeel e Fawaz. Um soldado disparou um tiro de advertência e depois atirou na perna esquerda de Hadeel.

Nesse momento, um soldado, alegando ter visto uma faca, disparou vários tiros no peito de Hadeel, que foi fotografada parada momentos antes. Depois de ficar no chão por algum tempo, ela foi levada para um hospital, onde morreu por hemorragia e falência múltipla dos órgãos resultante dos ferimentos à bala. Organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional e a B’Tselem disseram que a questão da faca era irrelevante, já que Hadeel havia sido alvo de uma “execução extrajudicial” (sem falar no fato de que os depoimentos sobre a faca eram inconsistentes). A representação de Tatour da execução de Hadeel em plena luz do dia é um enorme lembrete das ondas de violência que estruturam a vida cotidiana dos palestinos.

Maksudjon Mirmukhamedov (Tadjiquistão), Meu Mustang, 2020.

Um mês depois da morte de Hadeel, conheci um grupo de adolescentes em um campo de refugiados perto de Ramallah. Eles me disseram que não veem nenhuma saída para suas frustrações e raiva. O que eles veem é a humilhação diária de suas famílias e amigos pela Ocupação, o que os leva ao desespero. “Temos que fazer alguma coisa”, diz Nabil. Seus olhos estão cansados. Ele parece mais velho do que seus anos de adolescência. Ele perdeu amigos para a violência israelense. “Marchamos até Qalandiya no ano passado em um protesto pacífico”, Nabil me conta. “Eles atiraram em nós. Meu amigo morreu”. A violência colonial pesa sobre seu espírito. Ao redor dele, crianças são executadas impunemente pelos militares israelenses. O corpo de Nabil se contorce de ansiedade e medo.

Pensei muito nesses adolescentes, especialmente no último ano, que foi definido pela escalada do genocídio dos EUA e de Israel contra os palestinos. Penso neles por causa da enxurrada de histórias sobre jovens como Hadeel e o amigo de Nabil sendo mortos por tropas israelenses não apenas em Gaza, mas na Cisjordânia.

Em 3 de novembro de 2024, Naji al-Baba, de quatorze anos, de Halhul, ao norte de Hebron, voltou da escola com seu pai, Nidal Abdel Moti al-Baba. Eles comeram molokhia, seu prato favorito, no almoço, e então Naji disse ao pai que iria jogar futebol. Naji e seus amigos brincavam perto da loja de seu avô. Soldados israelenses chegaram e atiraram nos meninos, atingindo Naji na pélvis, no pé, no coração e no ombro. Após o funeral, Nasser Merib, gerente do Halhul Sports Club, onde Naji jogava futebol, disse que ele tinha um pé direito forte. “Ele era ambicioso e sonhava em se tornar internacional como Ronaldo”. Esse sonho foi destruído pela ocupação israelense.

Chuu Wai (Myanmar), Quando Amelie e Khin encontram a revolução, 2021.

A morte de um jovem é um ato imperdoável. A morte de uma criança é particularmente difícil de entender. Naji poderia ter sido capitão do time de futebol palestino. Hadeel poderia ter se tornado uma cientista extraordinária. As famílias olham para as fotografias que restam e choram. Em Gaza, outras famílias estão sentadas em tendas sem nenhuma maneira de se lembrar de seus filhos perdidos, seus corpos destruídos ou desaparecidos e suas fotos transformadas em cinzas nos escombros. Tanta morte. Tanta desumanidade.

Se o tempo e a luta nos permitirem, seremos capazes de despertar adequadamente os sonhos da humanidade. Mas a noite antes do amanhecer será longa e difícil. Ansiamos pela humanidade, mas não esperamos que ela chegue facilmente. Pequenas vozes clamam por um novo mundo, e muitos pés marcham para construí-lo. Para chegar lá, será necessário pôr fim à guerra, à ocupação e à feiura do capitalismo e do imperialismo. Sabemos que vivemos na pré-história, na era anterior ao início da verdadeira história humana. Ansiamos por esse mundo socialista, onde Naji e Hadeel terão um futuro pela frente e não apenas um breve interlúdio em nosso mundo.

Feliz Ano Novo. Que ele nos aproxime da humanidade.

Cordialmente,

Vijay

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Jovens, se o "futuro" do PT for eleger Jo´se Dirceu deputado federal, então saiam do PT !

Respeito a história do Zé. Eu era de uma geração que não teve medo de gritar "Stalin não morreu, necarnou no Zé Dirceu. Eu respeito a história até ele ser o líder do Campo Majoritário do PT. José Dirceu tem direito de disputar eleição. Com certeza, uma vez resolvida todas as questões com a justiça é seu direito buscar um mandato de deputado para "lavar a sua honra", mesmo sendo esse conceito de "honra" bem pequeno burguês. Como militante e dirigente acredito que teriam melhores formas de preservar sua história, honra e desforra ao que enfrentou nos últimos anos. Poderia liderar uma grande frente que buscasse reeleger e eleger uma bancada de jonens lutadores (as). Poderia liderar um novo pacto nacional com um amplo grupo de forças políticas do campo progressista ao centro esquerda para resurgir um projeto de nação. Poderia, mas prefere não fazer. Buscar um mandato para dizer que é seu é melhor, mais comôdo e bom para os negócios. Se em 2026 o que restou para jovem militância polítca do PT é escutar "não é o momento", para "ajudar na vitória" do "grande líder" José Dirceu de Oliveira, eu diria, com conhecimento de causa que: jovens deixem o PT e busquem se organizar, mobilizar, articular e construir um espaço que lhes valorize. A frase "não é o momento" é o que minha geração escutou na década de 1990. Sobre o discurso de inexperiência, "vocês ainda são jovens" e todo tipo de desculpa, minha geração serviu para tudo: votar, eleger e reeleger (até hoje) os mesmos dirigentes nos seus cargos de executiva, carregar bandeira, organizar listas, distribuir jornais, fazer campanha na rua, se fazer presente em reuniões, plenárias, encontros, congressos, seminários, etc., etc., só que poucos tomaram a frente e ocuparam espaços fundamentais de luta política. Eu mesmo tive poucas dessas tarefas e mesmo assim escutando o velho mantra "não é momento", fui dirigente municipal, da executiva da macro região, membro de chapa municipal, estadual e nacional e as vezes negociador. ontudo, a luta interna por um programa de esquerda e socialista foi solitária, a candidatura a vereador por duas vezes foi solitária e derrotada. No fim, aos 45 anos, nunca foi o momento e nunca seria se depender da lógica dos dirigentes que agora empurram seus familiares para alçar o lugar do parlamento e poucos governos do PT. Sobrenomes agora são eleitos pela normalidade da sucessão patriarcal que criticamos nas ruas e são reproduzidas nos nossos espaços. Então jovens, se alguém disser que não é o seu momento, saia, procure constrruir o seu lugar na luta política de classes, pois isso não pertence a ninguém. Leia Lênin, que diz, "Há décadas em que nada acontece e a semanas em que décadas acontecem", não espere o tempo do momento, o momento da luta, do levante, da revolução, do enfrentamento, da resistência esses são os momentos. Não é apenas 2026, mas antes, durante e depois. Um jovem que dispõe sesu esforços para eleger o velho, que com seu passado nesse caso levou a vitória de Lula em 2002 com Roberto Jeferson, Valdemar da Costa, Maluf e companhia, sim estes mesmos que deram o golpe, que se aliaram ao bolsonarismo fascista, estes que eram chamados de companheiros e quem criticasse a política de alianças era considerado "inimigo", foram construidos pelo velho modo de vera política como uma oportunidade pessoal e não coletiva. Coletivo é palavra que usada é apenas um, item de discurso. Coletivo como exercicío é a ação, o estudo, escuta, fala, diálogo e principalmente gesto. Lula no Seminário do PT sobre a realidade brasileira no dia 06/12/24 fez um discurso (novamente) duro sobre a militancia e o trabalho de base (assista:https://www.youtube.com/watch?v=zwGfAVpLQEM) e amídia adora essa contradição (ver; https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2024/12/06/a-petistas-lula-faz-mea-culpa-reclama-de-comunicacao-e-pede-volta-a-base.htm), porém, isso é suficiente? O chamado de Lula quando deixou a carceragem de Curitiba foi uma convocação aos jovens para ocuparem os espaços da política, mas foi para todos/as ou só para alçar Boulos para sua lista de sucessão futura? Aos que querem pagar para ver ou fazer parte da turma do "não é o momento", só tenho que lamentar. Cada vez que um jovem em um partido que se denomina de esquerda como PT tem que ser contido com a frase, "não é o momento", essa sim é a morte da primavera!

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Trump venceu! E daí?

 

Trump venceu. Com votos dos delegados e com a maioria dos votos dos eleitores, seu partido alcançou maioria no Senado e na Câmara e tem maioria conservadora no Supremo Tribunal. 

A esquerda liberal está esquizofrênico, fala em perigo para "democracia", perigo para os imigrantes, perigo, perigo e perigo. Mas cá entre nós, a democracia burguesa não é assim? Venceu quem captou votos e melhor expressou ideias. E esses mesmos liberais dizem: "ele mentiu, fez fake news", sim, mas os democratas também não?

Ou o movimento Black Lives Matter conquistou uma legislação ou uma polícia menos racista? A política econômica de Biden trouxe segurança social aos pobres e trabalhadores subarternizados, que em geral são funcionários de bilionários como Bezos, a questão das guerras foram resolvidas? Os Palestinos podem dormir em paz, as mulheres abandonadas a própria sorte no Afeganistão depois das promessas do "mundo livre" estadunidense?

Biden e Kamala são parte do mesmo projeto de Trump com uma diferença, os primeiros fazem um discurso moderno e o segundo é honesto em suas intenções, mas ambos serão a garantia de que o sistema financeiro do capital seguirá sendo apoiado em detrimento a população.

O fascismo de Trump é um tipo peculiar de nacional entreguismo, diz defender a "América grande" porém não pode abrir mão da dura realidade, os EUA é uma país colonizado por bandidos que o Reino Unido expulsava, bandidos convertidos a protestantes, depois impulsionou seu desenvolvimento com escravidão negra e imigração de miseráveis. Agora suas empresas lucram com a mesma mão de obra que seja imigrante ou nos centros de produção global como a Índia e a China, foram escolhidas pelos mesmos "nacionalistas" estadunidenses que pela lógica do capital preferem mão de obra barata a ter que pagar direitos de um conterrâneo nascido na "make América great again".

Sinceramente mesmo quem lamenta a derrota de Kamala sabe no fundo que mesmo com todas as promessas nada séria feito fora do roteiro: manutenção do sofrimento palestino, guerra infinita para aquecimento da economia, retórica negra com repressão branca, enfim, a única coisa que seria relevante para os liberais era poder dizem que a opressão segue respeitando os "valores democráticos" (liberais burgueses)

Essa mesma esquerda liberal que se esconde atrás das lutas legítimas das mulheres, do povo negro e LGBTQIA+ e eles que de fato criam os entraves que são denominadas pautad identitária, e não a esquerda que sempre levantou essas bandeiras e lutas. Agora quem tem monetizado com o identitarismo é essa esquerda liberal, que contamina os espaços e enfraquece as lutas populares.

O que fazer? O de sempre uai. Organizar, dialogar, formar e construir o Programa para disputar a sociedade. Não tem fórmula mágica, sem tomar aquele café com os colegas de trabalho, com a família e os conhecidos não tem trabalho de base. Trabalho de base não é oportunismo de ocasião, é dia a dia sincero, é dizer e fazer.

Trump é parte do sintoma de um fascismo que fica encubado, como uma cloaca podre que consegue se reproduzir assexuadamente em termos biológicos e por mitose se reproduzir.

Trump, Bolsonaro e outros são como disse nacional entreguistas, são parte do sistema, querem entregar serviços públicos para amigos, lucrar com isso e ainda dizer que estão "quebrando o sistema" quando na verdade estão alimentando esse próprio sistema e quebrando de fato os imbecis que creem e as vítimas que não apoiam suas ideias. 

Nessa questão insisto que aí está a culpa da nossa esquerda, que fica cada vez mais parecida com os democratas estadunidenses, prometem mas não entregam. 

Se dissemos que as escolas e a saúde públicas devem ser o caminho porquê nossos governos não fazem tudo que podem e que não podem para fazer dar certo, com concursos, com carreira pública, com recursos e com a participação política de profissionais e população para integrar, decidir e intervir independente de governo. Foda-se. Se a democracia confirma a nossa finita humanidade, onde seja pelas urnas ou pela vida tudo acaba, porquê não fazemos? Ajuste fiscal e contenção de gastos para alimentar o sistema financeiro é tarefa deles, não nossa! A nossa, da nossa esquerda é de fortalecer quem interessa: a população trabalhadora.

Correto é a análise de Valério Arcary no BdF (https://www.brasildefato.com.br/2024/11/06/cinco-polemicas-sobre-a-derrota-da-esquerda-no-brasil), esse debate sobre a perda de votos entre os pobres não explica porquê perdemos votos mas regiões onde a classe trabalhadora de carteira assinada também não foi tocada pela mudança necessária.

#ficaadica

domingo, 3 de novembro de 2024

O fim de uma era na política de Guarulhos. Uma direita que se renova e uma esquerda que encerra um ciclo!

 Lutas operárias, resistência a ditadura militar, Casa de Cultura Paulo Pontes na Vila Fátima, Greves operárias, Oposição Sindical metalúrgica, luta de padres contra o esquadrão da morte, fundação do PT de Guarulhos, lutas pelo direito a moradia, Tribunal da Terra de Guarulhos, Movimento Estudantil e fundação da UGES,  Lula lá em 1989, lutas contra a privatização do SAAE, Espaço Cultural Florestan Fernandes, cassação do sr. Nefi Tales, vitória eleitoral do PT na prefeitura, 16 anos de governos do PT e o golpe de 2016. Esquecimento da história da cidade antes e depois dos governos do PT, lembrando 10 anos de Orçamento Participativo, mais de 100 escolas municipais, mais de 60 equipamentos de saúde pública, Teatro Adamastor, modernização do serviço público, criação do Fácil, Unifesp e Hospital Pimentas, urbanização entre tantas mudanças.

A derrota de Eloi Pieta, ex-PT e atual Solidariedade, e por uma diferença de 100 mil votos e uma ausência de mais de 332 mil  entre faltantes, votos brancos e nulos, este último grupos (dos ausentes) poderia ter ficado atrás do eleito,  o sr. Lucas Sanches que obteve 361 mil votos.

Eloi perdeu e ganhou onde justamente Lula havia perdido e ganho em 2022, no Pimentas. Apesar de Lula ter tido desempenho melhor na 394 na região de Bonsucesso por uns poucos 400 votos. 

É o fim de uma era. E digo porquê, primeiro Eloi fora do PT não vai promover coesão da esquerda, já que com uma terceira derrota e fora deste campo, bem como a forma de organizar a tática e a estratégia, ficaram presos a uma lógica que mudou. O PT precisa saber se vai gravitar em torno da reeleição de Alencar ou buscar se reconectar com a população como um partido de oposição presente e não ausente como foi nos oito anos da gestão Guti, as demais organizações podem se sobressair como o PSOL principalmente, bem como Unidade Popular, Pstu e Pcb mas precisar também construir, e repito construir  e não correr, com essa reconexão com a população guarulhense.

Guarulhos está virando um grande galpão. O setor de serviços, comercio e logística vieram para ficar e estabelecendo uma nova identidade da cidade dentro do processo de interesses do capitalismo mundial e nacional, contudo, classe trabalhadora é classe trabalhadora. Essas categorias são categorias frágeis da classe, podem ser contratado sem vinculo, sem direitos, precarizados e agora inseridos na lógica dos aplicativos, da plataformização e da polivalência do trabalho, estão inseridos nessa lógica do consumo rápido, urgente, fetichizado ao máximo, onde o prazer fica preso também a uma ideia de lazer mercadológico, ostentação e sem necessariamente refletir o bem estar de viver.

2025 é um novo. Novas angustias e novas esperanças. 


Já em São Paulo...

Em São Paulo um Boulos "petizado" perdeu por uma diferença de 1 milhão de votos e um saldo de crescimento quase insignificante da última disputa para esta, ou seja, Marta de vice, mais de 40 milhões do Fundo Eleitoral do PT, determinado por Lula e um apagamento da lógica militante demostram que algo está errado na lógica atual que se repete faz um tempo. Talvez o Psol do "não recebi um real, tô na rua por um ideal" empolgasse mais um público que buscar mudança não pela direita na política.

Não tem muito que analisar, tem boas reflexões de Saflate, Jessé de Souza, Rudá...mas um alerta.

Tem uns liberais da imprensa a esquerda defendendo que com a vitória eleitoral do centrão, onde PSD de Kassab é o vencedor do momento, tem defendido que a esquerda precisa se "atualizar" olhar para Marçal, "comprar" o discurso do empreendedorismo e abandonar suas lutas, virar uma versão "Tabata-João Campos", tipo um produto de limpeza desengordurante.

Cuidado! Formulas de formuladores que sempre apoiam ou se ausentar nas questões de privatização, terceirização, redução da força dos (as) servidores (as) públicos (as), reformas trabalhista e previdenciária entre outras mágicas que não deram certo para a população, sempre estão aproveitando esses momentos eleitorais para deslegitimar uma luta que é necessária: de classe.

 

Eleições Municipais em Guarulhos, 2. Turno: O que o voto na direita tem a dizer para nós?





















TODA SOLIDARIEDADE À CUBA SOCIALISTA!

Campanha de Apoio a Cuba Estimadas/os amigas/os do MST,

Vocês todos/as estão acompanhando as dificuldades econômicas que CUBA está passando em razão do bloqueio econômico e financeiro que os EUA continua aplicando. 

 Bloqueio naval, que não permite que navios atraquem, pois são penalizados com a proibição de atracarem depois em qualquer porto dos EUA; 

 Bloqueio de turistas, que impede que o país aumente acesso às divisas estrangeiras;

Pela ocorrência dos furacões, que afetaram todo rede elétrica e pela impossibilidade de acesso ao petróleo no mercado mundial. 

 Diante disso, o MST se somou a dezenas de movimentos e pessoas de boa vontade no Brasil, para levantar recursos. Veja o PIX abaixo. 

Faça também a sua parte. A solidariedade é a mais bela qualidade do ser humano! Abraços Secretaria Nacional

Fortaleça a campanha de solidariedade a Cuba doando qualquer valor!

📲 DOE PELO PIX: 34.131.511/0001-64 (Câmara Empresarial Brasil - Cuba)
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