sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Chapéu de burro para o modelo educacional do PSDB. Estados mais ricos têm evasão no ensino médio perto de 50%, diz o Ipea.




A quem chame os alunos de "burros", eu prefiro chamar o governo do PSDB de INCOMPETENTE. Ou melhor como diziam os meus amigos/as operários: "lambe botas" do capital transnacional, sim, as medidas adotadas durante do governo FHC e Covas que reformaram a educação e criaram um NOVO ANALFABETO, o funcional é o retrato da educação sob a ordem neoliberal.

O analfabetismo funcional nos diz que é aquele que cursa o ensino regular mas não aprende quase nada, se presta a DECORAR e operar os conhecimentos básicos (e olhe lá). Além da grande capacidade de ser seletivo, porque permite só aos mais bem aventurados que sejam melhores em determinadas disciplinas, ou seja o mérito é do esforço individual e não do sistema educacional.

Mesmo o educador (a) ficam em segundo plano no plano do capitalismo neoliberal, desvalorizado enquanto profissional e canalizando suas angústias para o salário temos um exército de profissionais formados em diversas áreas do conhecimento que pouco conhecem do contexto territorial, social e político da educação, o papel pedagógico diferente de ser um "REPASSADOR" de conhecimentos, como estão hoje com caderninhos, orientações sobre como devem "passar" os conhecimentos adquiridos, a ausência de cumprimento dos acordos, conceitos e produções quanto a legislação que regulamenta o ensino, enfim...

O caos instala-se em um antigo e carcomido modelo de BUROCRACIA ESTATAL EDUCACIONAL, que por melhor que sejam as leis, as propostas ou idealismos até mesmo "paulofreiriano" (o mesmo odiaria o termo), nada consegue meter na cabeça de um trabalhador INSTITUCIONALIDADO de que a escola deva ser diferente das X horas de aula, dos papéis e mais papéis que devem ser preenchidos, o "horário tempo perdido e caducado" (os próprios professores chamam o HTPC assim)...e assim termos e ações como CONSELHOS, PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE entre outros ficam em tercerio ou quarto plano.

Esta semana o Sindicato dos Professores, a APEOESP, cobrando a justa legislação (até porque dizem que lei se cumpre, mas não para o PSDB que se considera acima delas), tem cobrado o desajuste de horas que deveriam servir para os professores (as) para cursos, atividades complementares, estão em completo desacordo. Se fosse cumprida isso obrigaria o governo do estado a contratar mais 53 mil para adequar ao que exige a lei.

O governo demo-tucano de Geraldo Alckmin já disse: não vai contratar.

E aí? Onde estão os amiguinhos da escola? Onde estão o "todos pela boa educação"? Existe uma hipocrisia naqueles que dizem defender a educação. Se a escola precisa de mais professores (como todos e todas dizem, especialistas, sabe-tudos, graduados, etc, etc), porque o governo do estado não sofre uma pena dura?

Dizer para juventude brasileira de que a EDUCAÇÃO é um dos meios para "salva-la" soa como hipocrisia e cretinice discursiva na boca dos mais velhos que não ACORDAM para ver que a crise da educação NÃO É CULPA DA JUVENTUDE, MAS DA AUSÊNCIA DO GOVERNO ESTADUAL, no caso de São Paulo.

A questão não é criticar o aluno que deixa a escola, é saber porque ele está abandonando ela.

Enquanto nos preocuparmos em chamar de burros os alunos sem ver e cobrar os reais motivos da sua desistência e desinteresse, os ignorantes somos nós!


(Vejam as matérias abaixo)


1/01/2012 às 8:18h
Estados mais ricos têm evasão no ensino médio perto de 50%, diz o Ipea

SÃO PAULO – A evasão escolar do ensino médio em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Bahia e Minas Gerais beira os 50%. De acordo com o estudo Presença do Estado no Brasil, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgado nesta terça-feira, esses Estados, que figuram entre os mais ricos da federação, estão com as taxas mais baixas do país.

Segundo o levantamento, da população com faixa etária entre 15 e 17 anos, 45,6% deixaram de cursar o ensino médio em São Paulo, mesmo número do Rio de Janeiro, o nono colocado. No Paraná, a evasão era de 45,5%; na Bahia, de 48,7%; e em Minas Gerais, de 46,9%. O Estado com menor evasão é o Distrito Federal, com 31,2%, enquanto o que apresenta maior porcentagem de desistências é Rondônia: 68,4%. Os cálculos têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009.

O estudo do Ipea aponta que uma das principais causas da evasão do ensino médio brasileiro é a alta taxa de reprovação no ensino fundamental. Além disso, alunos de famílias de baixa renda contribuem para o fenômeno. Os sete Estados com maiores índices de desistência são da região Norte, e todos com taxas acima de 60%. Além de Rondônia, Acre (66,7%), Amazonas (65,6%), Roraima (63,9%), Pará (63,5%), Amapá (62,3%), Tocantins (61,8%), Maranhão (60,4%) e Piauí (60,1%) apresentam índices considerados elevados.

No ensino fundamental, a situação melhora. O Pará é o Estado com menor porcentagem de alunos entre seis e 14 anos frequentando as aulas: 87,2%. Mato Grosso do Sul possui 94,4% de sua população nessa faixa etária estudando. São Paulo conta com 93,4%.

Para o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, há correlação entre os maus resultados dos Estados do Norte e a política de educação do país. “O Estado não está colocando seus maiores esforços onde as carências são maiores. Esse modelo aprofunda ou mantém as desigualdades regionais”, afirmou, para depois criticar a taxa de evasão do país. “Ainda não temos, como pensávamos, acesso universalizado ao ensino fundamental. E no ensino médio a diferença regional é acentuada. Isso é inadmissível se o país quiser dar o salto para virar uma sociedade do conhecimento.”

O estudo do Ipea também mostrou desigualdade regional na qualificação dos professores. No Norte, 51,9% dos docentes que atuam no ensino fundamental não possuem ensino superior. Na região Sul, o índice é de 18%, enquanto no Sudeste é de 18,3%. No ensino médio, a diferença diminui um pouco. No Nordeste, 18,7% dos professores não fizeram licenciatura. No Sudeste, a porcentagem cai para 3,9%. “Não é uma relação direta, mas há correlação entre maior aprendizagem do professor e o nível de ensino. O problema no país não é número de escolas, pois elas existem em número suficiente, mas a qualidade do que é ensinado”, diz Pochmann.

A deficiência na área de educação no país também é refletida em levantamento sobre o acesso a cultura. Segundo estudo do Ipea, 378 municípios brasileiros não possuem biblioteca pública. Apenas 28% deles possuem livrarias, enquanto museus existem em 23,3%. Quadro semelhante é o de centros culturais, com presença em 29,3% dos municípios. Salas de cinemas existem em 9,1% deles, sendo que 53,1% delas estão concentradas em cidades do Sudeste.

Do Valor Econômico
Fonte: http://ruifalcao.com.br/estados-mais-ricos-tem-evasao-no-ensino-medio-perto-de-50-diz-o-ipea/


Desinteresse é o principal motivo da evasão escolar dos jovens, afirma pesquisa da FGV-RJ

A falta de interesse pela escola é o principal motivo que leva o jovem brasileiro a evadir. A pesquisa Motivos da Evasão Escolar, lançada nesta quarta-feira pela Fundação Getulio Vargas - FGV-RJ, revela que 40% dos jovens de 15 a 17 anos que evadem deixam de estudar simplesmente porque acreditam que a escola é desinteressante.

A falta de interesse pela escola é o principal motivo que leva o jovem brasileiro a evadir. A pesquisa Motivos da Evasão Escolar, lançada nesta quarta-feira pela Fundação Getulio Vargas - FGV-RJ, revela que 40% dos jovens de 15 a 17 anos que evadem deixam de estudar simplesmente porque acreditam que a escola é desinteressante. A necessidade de trabalhar é apontada como o segundo motivo pelo qual os jovens evadem, com 27% das respostas, e a dificuldade de acesso à escola aparece com 10,9%.

Coordenada pelo economista Marcelo Neri, a pesquisa mostra que, apesar de diversos estudos demonstrarem o impacto da Educação na qualidade de vida e na renda dos indivíduos, em 2006, 17,8% da população 15 a 17 anos, que deveriam estar cursando o Ensino Médio, caso não houvesse atraso escolar, estavam fora da escola.

Entre as motivações que levaram esses jovens a evadir, na comparação entre 2004 e 2006, o desinteresse pela escola caiu de 45,12% para 40,29%, embora ainda seja o principal motivo. Já a necessidade de trabalhar aumentou de 22,75% para 27,09%.

O coordenador da pesquisa acredita que o desinteresse do jovem pela escola reflete a falta de demanda por Educação. "O que a pesquisa está mostrando é que não basta garantir o acesso ou criar programas de transferência de renda para assegurar que esse jovem permaneça na escola, é preciso torná-la mais atrativa, interessante e cativante. O problema da evasão é grave e atinge quase 20% da população de 15 a 17 anos", explica.

Na opinião do pesquisador, as políticas públicas só terão sucesso se houver a concordância e a participação dos pais e os alunos. "É preciso entender as necessidades dos clientes dessas políticas", explica. Marcelo Neri diz que é importante informar e conscientizar esses jovens sobre os benefícios trazidos pela Educação e atraí-los à escola.

Na avaliação de Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco, uma das organizações que patrocinam o estudo, esses dados refletem uma situação preocupante. "As pessoas não estão atentas a esse problema, nem os governos, nem a opinião pública, nem a mídia, não se deram conta de que isto é uma bomba relógio. Estamos alimentando a exclusão desses jovens da entrada no mercado de trabalho moderno e, pior do que isso, excluindo o País de condições de competitividade no mercado internacional", argumenta.

Segundo Wanda Engel, falta ao jovem entender que a Educação é um investimento necessário. "Conseguir o diploma do Ensino Médio é essencial para entrar na vida adulta", afirma. Para ela, o problema precisa ser atacado em três níveis: criar as condições mínimas para que esse jovem freqüente a escola; melhorar a qualidade da escola; e fazer um trabalho para que esse jovem readquira a sua capacidade de sonhar com um futuro. "Os gestores públicos precisam conhecer o fenômeno, avaliar na sua própria realidade o que pesa mais desses três níveis e desenvolver estratégias específicas para cada um", explica.

O estudo, patrocinado por Fundação Educar DPaschoal, movimento Todos Pela Educação, Instituto Unibanco e Fundação Getulio Vargas - Rio de Janeiro, foi realizado com base nos suplementos de Educação das PNADs de 2004 e 2006 e na Pesquisa Mensal do Emprego - PME/IBGE, utilizando as respostas diretas de pais e alunos sobre os motivos da evasão escolar.

Fonte: Todos pela Educação
fonte: http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/noticias/pesquisa-da-fgv-mostra-causas-da-evasao-escolar-no-pais