segunda-feira, 18 de junho de 2012

Mulheres fazem protesto pelo direito de fazer o parto em casa

Marcha começou na região da Avenida Paulista e seguiu até o Centro.
Grupo defende que sejam realizadas menos cesarianas no país.
17/06/2012 17h39 - Atualizado em 18/06/2012 07h16

Centenas de pessoas fizeram uma marcha na tarde deste domingo (17) em São Paulo, em defesa do parto domiciliar. O ato começou na região da Avenida Paulista, passou pela Rua da Consolação e seguiu até a sede do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), na altura da Praça Roosevelt, no Centro de São Paulo. A organização da marcha estima que mil manifestantes estiveram presentes. Já a Polícia Militar fala em 400 pessoas. 

No Recife, manifestantes defendem o direito do parto em domicílio O ato acontece após o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) apresentar denúncia contra o médico e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Jorge Kuhn. O obstetra se manifestou favorável ao parto domiciliar em reportagem realizada pelo Fantástico, da TV Globo, no último domingo (10). 

A manifestação é a favor do direito da mulher de escolher como e onde onde quer fazer o parto, de acordo com a obstetriz Ana Cristina Duarte, uma das organizadoras do ato. Entre as opções estão fazer o parto em casa, no hospital, escolher um parto normal ou uma cesárea. 

Você não pode chegar em uma maternidade e fazer o parto em uma banheira, por exemplo", diz Ana Cristina, para quem esta opção deveria estar disponível. Ela critica o alto número de cesáreas no Brasil. 

Mulher grávida participa de marcha a favor do parto
domicilar, em São Paulo (Foto: Edu Saraiva/AE) 

"A mulher é empurrada a fazer uma cesárea porque é mais rápido e mais fácil", reclama a obstetriz. A informação é reforçada pelo próprio professor Kuhn, que estava no ato. 

O parto se tornou um evento cirúrgico, nem sempre por má vontade do obstetra, afirma Kuhn. "Se o médico encara o parto da mulher como um sofrimento, ele vai e dá anestesia. Mas nem sempre a mulher é consultada", ressalta. Para ele, a cesárea é uma conquista da medicina, mas está havendo um abuso na rede de hospitais particulares. 

De 10% a 15% das mulheres que fazem parto em casa são removidas para hospitais, sendo que em apenas 1% das situações há de fato uma emergência que exige internação, assinala Kuhn. "Em 85% dos partos, os médicos não precisam nem entrar em ação. Eles precisam acompanhar, monitorar para ver se não há complicação." Os médicos precisam "aceitar que o parto é um processo fisiológico", afirma ele. 

 O bancário Murilo Loyola, de 31 anos, levou a mulher e a filha de dois anos para participar do ato. Ele contou que o parto da criança foi feito em casa, mas houve complicações. "A gente optou pelo parto domiciliar, mas houve um problema e minha mulher teve que ir ao hospital fazer uma cesárea", diz. Ainda assim, ele defende a opção de parto em casa. "Fizemos com o acompanhamento de uam parteira e de um médico", afirma. 

A enfermeira Marcela Zanatta , de 30 anos, disse ver muitas cesáreas desnecessárias sendo feitas. "Quase sempre há uma má assistência aos partos normais", comenta. O médico Kuhn, que é pai de três filhos, nascidos todos por parto normal, diz se sentir mais próximo do papel de parteiro do que de cirurgião. "Nunca me senti mais um cirurgião. Eu cresci em uma família que pensa nas causas das mulheres", comenta. 

O protesto começou às 14h, no vão livre do Masp. Uma faixa da Avenida Paulista foi fechada durante o protesto, e trechos da Rua da Consolação também. As pistas já foram liberadas. 

fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/06/mulheres-fazem-protesto-pelo-direito-de-fazer-o-parto-em-casa.html 

Mulher grávida participa de marcha a favor do parto
domicilar, em São Paulo (Foto: Edu Saraiva/AE)

"A mulher é empurrada a fazer uma cesárea porque é mais rápido e mais fácil", reclama a obstetriz. A informação é reforçada pelo próprio professor Kuhn, que estava no ato.

O parto se tornou um evento cirúrgico, nem sempre por má vontade do obstetra, afirma Kuhn. "Se o médico encara o parto da mulher como um sofrimento, ele vai e dá anestesia. Mas nem sempre a mulher é consultada", ressalta. Para ele, a cesárea é uma conquista da medicina, mas está havendo um abuso na rede de hospitais particulares.

De 10% a 15% das mulheres que fazem parto em casa são removidas para hospitais, sendo que em apenas 1% das situações há de fato uma emergência que exige internação, assinala Kuhn. "Em 85% dos partos, os médicos não precisam nem entrar em ação. Eles precisam acompanhar, monitorar para ver se não há complicação." Os médicos precisam "aceitar que o parto é um processo fisiológico", afirma ele.

Mulheres se organizam em prol de parto domiciliar humanizado

Cremerj entrou com denúncia contra Jorge Kuhn após a defesa do procedimento em reportagem do Fantástico. Ativistas farão marchas em todo o Brasil a favor da prática

Por Felipe Rousselet [15.06.2012 10h15]
Devido à repercussão de uma matéria sobre parto humanizado domiciliar, exibida pelo Fantástico no último domingo (10), o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) encaminhou denúncia ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) contra Jorge Kuhn, coordenador do departamento de obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo.
O médico, que agora corre o risco de ter seu registro profissional cassado, defendeu o parto domiciliar humanizado na reportagem. Kuhn afirmou em duas falas curtas que o parto é um ato natural e não cirúrgico, porém, ponderou que, para que ele seja realizado, é necessário que a gestação tenha ocorrido na mais perfeita normalidade, sem nenhuma intercorrência ou fator de risco para a gestante e a criança. O Cremesp informou ainda não ter recebido a denúncia e, a partir do momento que estiver de posse do documento, abrirá uma sindicância para verificar se o médico infringiu algum artigo do código de ética médica. Segundo o Cremesp, este é o procedimento padrão para qualquer denúncia recebida pela entidade.
A obstetriz Ana Paula Duarte, que também aparece na reportagem, afirma que a perseguição de conselhos de medicina ao parto humanizado domiciliar é motivado por esta modalidade não necessitar do apoio de um profissional formado em Medicina. “Existe algo no sentido de que o parto humanizado domiciliar é o único onde a enfermeira obstetra pode atuar sozinha. Não precisa de médico no parto domiciliar, essa é a verdade, assim como na casa de parto. Então, a tendência dos conselhos de medicina é coibir essas práticas que sejam independentes do médico. Acho que existe uma defesa da categoria sim”, frisou. Para ela, a denúncia do Cremerj contra Kuhn é uma forma de coibir os médicos defensores do parto domiciliar humanizado. “Você coíbe os médicos defensores da prática, e, portanto, você coíbe a prática que não depende de médicos.”
Abaixo-assinado em solidariedade
Em solidariedade a Jorge Kuhn, o obstetra e ginecologista Ricardo Herbert Jones publicou uma carta aberta à sociedade na qual repudia a atitude do Cremerj. Na carta, o médico afirma que a denúncia do conselho agride a liberdade de expressão. “Acreditamos estar vivenciando um momento em que nós todos, que atendemos partos dentro de um paradigma centrado na pessoa e com embasamento científico, estamos provocando a reação violenta dos setores mais conservadores da Medicina. Pior: uma parcela da corporação médica está mostrando sua face mais autoritária e violenta, ao atacar um dos direitos mais fundamentais do cidadão: o direito de livre expressão. Nem nos momentos mais sombrios da ditadura militar tivemos exemplos tão claros do cerceamento à liberdade como nesse episódio”.
A carta de repúdio é assinada por Ricardo Herbert Jones em nome dos médicos humanistas, enfermeiras-obstetras e obstetrizes, e todos os profissionais, entidades civis, movimentos sociais e usuárias envolvidas com a humanização da assistência ao parto e nascimento no Brasil. Junto com a carta, está sendo divulgado um abaixo-assinado para que o parto humanizado domiciliar seja debatido cientificamente e, a partir deste debate, seja regulamentado.
O abaixo-assinado cita a posição da OMS (Organização Mundial de Saúde) e da Figo (Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras) de respeitar a escolha da paciente pelo parto domiciliar humanizado, quando for assistido por profissionais habilitados. A OMS reconhece como profissionais habilitados para o procedimento os médicos, enfermeiras-obstetras e obstetrizes. Já a Figo recomenda que “uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura, e no nível mais periférico onde a assistência adequada for viável e segura”.
Entidades, usuárias, e profissionais envolvidos com a causa da humanização da assistência ao parto organizam neste fim de semana (16 e 17), manifestações em todo o país denominadas de Grande Marcha Pelo Parto em Casa. Veja abaixo as datas e locais onde vão ser realizadas as marchas.
fonte:http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9919






























































O bancário Murilo Loyola, de 31 anos, levou a mulher e a filha de dois anos para participar do ato. Ele contou que o parto da criança foi feito em casa, mas houve complicações. "A gente optou pelo parto domiciliar, mas houve um problema e minha mulher teve que ir ao hospital fazer uma cesárea", diz. Ainda assim, ele defende a opção de parto em casa. "Fizemos com o acompanhamento de uam parteira e de um médico", afirma.

A enfermeira Marcela Zanatta , de 30 anos, disse ver muitas cesáreas desnecessárias sendo feitas. "Quase sempre há uma má assistência aos partos normais", comenta. O médico Kuhn, que é pai de três filhos, nascidos todos por parto normal, diz se sentir mais próximo do papel de parteiro do que de cirurgião. "Nunca me senti mais um cirurgião. Eu cresci em uma família que pensa nas causas das mulheres", comenta.

O protesto começou às 14h, no vão livre do Masp. Uma faixa da Avenida Paulista foi fechada durante o protesto, e trechos da Rua da Consolação também. As pistas já foram liberadas.







fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/06/mulheres-fazem-protesto-pelo-direito-de-fazer-o-parto-em-casa.html