segunda-feira, 11 de novembro de 2013

PED 2013: Uma vitória em clima de derrota.





PED 2013: Uma vitória em clima de derrota.

Com mais de 800 mil filiados (as) votando neste último domingo (10/11) o PT reafirma seu compromisso de renovar suas direções. O problema após a euforia dos “cabos eleitorais” e dirigentes é saber como superar o engodo da participação política que permite que seus filiados (as) exerçam o papel de militantes.

Militante é na opinião do poeta como “alguém que se doa a uma causa, que tem amor pela humanidade e tem determinação pelo que faz sem vinculo salarial”, isso porém representa muito pouco dos 800 mil votantes de domingo.

Já havia dito aqui que haverá no PT um profundo desafio paradigmático que será sentido ainda nos primeiros encontros das novas direções: a composição paritária de gênero, as cotas de jovens, negros (as) e indigenas que irão compor os diretórios do partido.

Contudo a força das nossas pautas, lutas e idéias só poderão ter uma medida a partir dos desafios que o partido enfrenta quando se torna uma grande máquina eleitoral e deixa de ser um instrumento de organização politíca dos trabalhadores (as).

Que papo é esse? Os enfrentamentos na afirmação das nossas políticas sociais, das questões relativas a cultura contra hegemônica que pressupõe derrotar o machismo, o racismo, os preconceitos de toda ordem, a homofobia, a xenofobia a brasileira (contra médicos estrangeiros e populações refugiadas como haitianos e bolivianos), o avanço de pautas conservadoras como ato médico, “cura gay”, etc.

A disputa pela direção política das manifestações mostrou o quanto nos distanciamos da massa que vivencia problemas gerados pelas elites e herdadas por nós nos lugares que governamos, inclusive no Planalto Central.

Nossa incapacidade ou ausência de protagonismo em poder canalizar tais expressões de mainifestação contra a exploração e a restrição de direitos como a mobilidade urbana representam o quanto estamos distantes da disputa pela hegemonia do Estado.

Hegemonia que abandonamos pela aceitação do status quo na forma de compor bases no parlamento e composição de governo. As alianças não são nossa maior dificuldade, dificil é conduzir os processos sempre de forma despolitizada e fortemente institucionalizada onde nós mesmos temos culpa pela força do aliado (a).

Se pudessemos retomar o conceito de disputa de hegemonia isso permitiria que pudessemos sobrepor a barreira das “garrafas” ou das lutas institucionalizadas (aquelas que nascem nos gabinetes e não nas articulações com os movimentos sindical e popular), e compor alianças de dentro pra fora e de fora pra dentro na formação dessa massa filiada, na redistribuição de tarefas por causas e pautas, na mobilização convocada por uma direção que compôs uma forte rede de militantes que podem estar no lugar certo, com a pauta de luta na mão.

O que vimos no dia 10/11 foi um show – de horrores – com “cabos eletorais” uns agressivos na abordagem outros totalmente passivos de ideias e dialogo, eleitores em trânsito (alta mobilidade urbana de filiados aos locais de votação), despreparo na recepção e organização em alguns locais de votação, abuso do poder econômico e da pressão sobre comissionados, enfim, essa na média foram os fatos ocorridos e as atas das localidades não me deixam mentir.

Esse processo de eleições diretas está falido!
Essa é a conclusão de muitos militantes Brasil afora seja pelos fatos ocorridos, seja pelo quorum que despencou em muitos lugares.

Ou seja, aquilo que serviu o campo majoritário no passado para retirar o processo interno e participativo, com debates durante o dia e eleição ao final pelo que chamamos de “processo de eleições diretas” hoje se mostra um instrumento que de longe garante a qualidade da escolha eleitoral e tampouco consegue permitir a participação direta do filiado (a) em algo que tenha sentido, repito, sentido a aquele (a) filiado (a) que venho aos espaços do partido apenas neste dia 10/11.

Nao há modelo conclusivo ou perfeito para democracia. O próprio conceito está em disputa se obervarmos que, por exemplo, o orçamento participativo que nasceu embrionariamente no PT para que sociedade pudesse decidir sobre parte do orçamento público, hoje é apresentado pelos órgãos mundiais do capitalismo como “forma de controle fiscal dos cidadãos sobre os governos”.

Sabemos que há diferenças na forma e no conteúdo entre nosso projeto político de esquerda e do FMI e Banco Mundial, e essa reflexão não consegue sair às ruas e nas casas dos nossos filiados (as). Eis o desafio, por isso a vitória de parte da esquerda popular e socialista do PT deve ser comemorada, mas com gosto de derrota.

Votos aos milhares não expressam necessáriamente um medidor dos desafios que estão colocados para o PT, expressam apenas que determinados grupos, tendências, correntes ou blocos majoritários reafirmam seu favoritismo a um preço danado de caro, o da morte do processo de criação e recriação de novos militantes para as lutas do partido.

É hora de manter firme nossos ideais, parabéns as novas direções!