quinta-feira, 26 de março de 2015

NOTA SOBRE A CONJUNTURA Movimentos populares contra o golpe, em defesa da democracia e dos direitos sociais.



NOTA SOBRE A CONJUNTURA

Movimentos populares contra o golpe, em defesa da democracia e dos direitos sociais.


A Central de Movimentos Populares do Estado de São Paulo (CMP-SP), reuniu sua Direção Estadual no último dia 21/03/15, num seminário sobre a conjuntura, e após um amplo debate torna pública sua posição frente a conjuntura nacional.

A CMP-SP congrega diversas entidades de movimentos populares, dentre os quais, movimentos de sem-teto, associações de moradores, grupo de mulheres, educação, saúde, LGBT, juventude e combate ao racismo, e cumpre o papel da sua articulação nas lutas comuns e gerais, tendo como objetivo, lutar por uma nova sociedade e pelo fim de todas as formas de opressão, preconceito, discriminação e exploração capitalista. 

A ofensiva da direita no Brasil está vinculada ao cenário de disputa do capital internacional, que aposta no enfraquecimento da democracia e atua pela privatização da Petrobrás, pois o principal interesse das corporações estrangeiras é a qualquer custo, a alteração do regime de partilha do pré-sal pelo sistema de concessão, favorável aos interesses econômicos e geopolíticos.

Neste sentido, o cerco contra os governos progressistas e o estímulo às teses neoliberais e conservadoras ocorrem de forma articulada e ao mesmo tempo, na Venezuela, Argentina, Equador, Bolívia e Brasil.

No Brasil, a direita (fora e dento do governo), a grande mídia,  setores conservadores do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e do Congresso Nacional, operam diuturnamente para sangrar o governo federal e criminalizar o Partido dos Trabalhadores,  a esquerda e os movimentos sociais.

Antes e durante a campanha eleitoral ficou evidente que o campo popular e o governo vinham perdendo a batalha da comunicação. Durante os últimos 12 anos o governo federal não enfrentou a mídia monopolista e golpista, não fez  a reforma política e abriu mão das grandes batalhas ideológicas e culturais. E ao mesmo com toda esta crise, o governo continua adiando a tão necessária e prometida regulamentação da mídia, apostando num modelo de conciliação de classes, e prioridade nas alianças com setores da burguesia e no campo institucional.

A CMP-SP, juntamente com os demais movimentos sociais, certamente contribuiu para assegurar a recente vitória da presidenta Dilma, numa das mais acirradas disputas eleitorais do último período democrático.

Ganhamos a eleição com uma pauta à esquerda e um duro embate com as teses neoliberais e conservadoras e foi neste embate que mobilizamos centenas de milhares de militantes num movimento político e social para impedir o retrocesso político, econômico e social,  em nosso país.

Porém, antes mesmo da posse da Presidenta, fomos surpreendidos com a composição conservadora dos Ministérios (com Kátia Abreu, Levy, Armando Monteiro e Kassab, entre outros), num claro “afago” à direita. Após a posse, veio o ajuste fiscal – afetando direitos trabalhistas, previdenciários e as políticas sociais.

Paradoxalmente, nesse momento que a direita (no parlamento e nas ruas), propala abertamente o golpe pedindo o “impeachment” e intervenção militar,  são os movimentos sociais que estão indo às ruas para, lutar contra o golpe da direita,  defender a democracia e se opor às medidas de ajuste fiscal que afetam os trabalhadores adotadas pelo governo.

O PT – que é o principal partido do campo democrático-popular no Brasil é o mais atacado pela direita, mas estranhamente esteve ausente nas mobilizações do último dia 13/03/15. Falta uma reação contundente por parte do partido. Correto seria o PT, juntamente com as forças populares,  liderar um processo amplo de mobilizações de massas na defesa da democracia de suas bandeiras históricas, dos compromissos de campanha que propiciaram a eleição de Dilma, especialmente no segundo turno. 

 Da nossa parte, achamos que se esgotou a política de conciliação de classes. Em um cenário de crise econômica, não há mais “cobertor” para os muito ricos e para os pobres. Os ricos que paguem a conta da crise. 

A CMP-SP esteve, junto com outras entidades como a CUT, a CTB, o MST e tantas outras do campo popular, na linha de frente das mobilizações do último dia 13/03/2015, em todo o país, e vai  continuar nas ruas, nas futuras jornadas de mobilizações, na batalha decisiva contra o golpismo, contra o fascismo, pelas reformas estruturais, em especial, a reforma política.

Além da agenda unitária, a CMP vai  promover em São Paulo no dia 31 de maio uma mobilização “por políticas sociais, por mais direitos e contra o golpe”.

Para consolidar nossa unidade, estamos articulando um fórum dos movimentos sociais de esquerda no Estado de São Paulo, capaz de construir uma agenda de lutas para enfrentar nas ruas o governo tucano e  o conservadorismo, pois é neste  Estado, que a fúria direitista se dá  com maior intensidade, disseminando ódio, a homofobia, o preconceito racial, de gênero e contra os pobres, negros/as e nordestinos. 

Não é hora de vacilo na defesa da democracia, é hora de mobilizar contra o golpe da direita e dos setores reacionários. Defendemos a Petrobrás, mas é preciso que aqueles que roubaram milhões do maior patrimônio do povo brasileiro, sejam investigados e punidos.

A bandeira contra a corrupção é nossa, da esquerda, é dos trabalhadores (as) e dos movimentos sociais e não da direita, que através da mídia, convocou as manifestações do dia 15/03/05. Corrupção se combate com a reforma política, através de uma constituinte exclusiva e soberana.

Estamos engajados na campanha do “Devolve Gilmar”, pelo fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais – causa maior da corrupção. A democracia que defendemos não pode permitir uma criminosa defesa do golpe militar.

Democracia é a ampliação de direitos e políticas sociais, deliberadas por instrumentos de participação popular e controle social.

Estaremos nas ruas, nas mobilizações dos movimentos sociais nos meses de abril e maio, em defesa dos direitos dos trabalhadores, da Petrobras, da democracia, contra o golpe e pela reforma política com constituinte exclusiva.


Central de Movimentos Populares do Estado de São Paulo