quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mr. Palocci é a voz dos neoliberais no governo Dilma.


Não precisamos de inimigos, basta deixar o Palocci agir. O ministro (ou sinistro) Chefe da Casa Civil tem realizado o que mais interessa ao capital: privatizar. Ou seja, não sustentaremos por muito tempo essa bandeira nas campanhas eleitorais.

O que me incomoda não é o tom irônico do medíocre jornalista Eraldo Pereira - comentarista do Jornal da Globo - ou do sarcasmo do pseudo jornalista Willian "Vacúo". Mas a reprodução explícita de uma história que não é verdadeira: a incompetência do Estado na gerência de estatais públicas.

O governo Lula (2003-2006 e 2007-2010), mostrou a partir de um víes desenvolvimentista da econômia e da gestão federal de que é possível garantir os lucros e o funcionamento das empresas estatais, protegendo-as dos interesses e lobbys do setor privado em querer privatiza-las.

Esta lógica que empurra toda estrutura estatal para a gestão privada é anti-nacional e anti-patriotica, seja pelo grau elevado que um país deve ter sobre a sua soberania, e sem o controle de riquezas e áreas estrátegicas não há soberania. Se não há soberania temos a prostituição vivida pelo consumidor (a) diante do descaso das empresas de telefonia ou da imoral lucratividade da Vale do Rio Doce sobre os minérios nacionais.

Um país se faz com homens, mulheres e Estado forte ao ponto de proporcionar a segurança social e econômica do país e isso se faz com políticas públicas e controle estrátegicos de serviços e riquezas. Vejamos as pequenas e médias cidades que sobrevivem com parte de seus tributos advindo das previdências, e onde a ordem do capital não gera trabalho, o apoio as famílias pobres pelo Bolsa Família mantêm viva a econômia local.

Os investimentos dos bancos públicos, da Petrobrás e loterias são dados diretamente para universidade pública, único capaz no Brasil de hoje para investir em pesquisadores e cientistas - o que as instituições privadas se recusam a fazer, nenhum país cresceu sem o investimento pesado do Estado. Os países que tiveram suas economias entregues ao jugo do mercado não fazem avançar a sociedade, só seus lucros, assistam o documentário "Trabalho interno".

O grande culpado: o capital

A estória de que privatizar é melhor ainda é um fantasma que onda nossas cabeças. Dizer que empresas como a Shell, Microsoft e as empresas aéreas, só para citar algumas, são suficientemente competentes ou livres da "corrupção"do Estado, ou são ingênuos ou burros.

Quem corrompe é o privado. Quem oferece é o privado. Quem mantêm essa relação de força e de poder é o privado (a grande maioria, 90% dos empresários com relação com o Poder Público - em todos os três poderes, nem negam e nem confirmam, mas essa relação esta viva e presente nessas relações, quem duvidar que defenda agora maior transparência nas negociações, proibição de encontros ou reuniões com gestores e fornecedores, produção de atas de dialogo das reuniões de acerto "técnico", publicação mensal de extratos bancários de empresas, empresários e gestores no período de vigência dos contratos).

Vamos defender a quebra de sigilo bancário do inicío ao fim dos contratos de todos os envolvidos na execução de atividades do poder público.

Não vamos esquecer que dados da própria receita apontam que os maiores sonegadores são os mais ricos, empresários e banqueiros que posam de "bons moços" e que não tem a vergonha de honrar compromissos, para eles não existem tribunais de contas, para o poder público sim.

E então Mr. Palocci? De que lado você está? com certeza do projeto de governo do PT não!

Ou o governo Dilma diga ao que veio ou estraremos nas próximas eleições presidenciais dizendo que somos "melhores privatistas" do que o PSDB...triste fim!!!

Veja a matéria abaixo:

27/04/2011 09:16:04
Palocci anuncia concessão parcial de Cumbica

Setor público: Intenção é começar novo modelo com três aeroportos e publicação dos editais em dez dias

Paulo de Tarso Lyra e Tarso Veloso | De Brasília

O chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci, anunciou ontem, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que o governo vai entregar para a iniciativa privada, pelo modelo de concessão, a reforma e ampliação de três aeroportos: Cumbica, Brasília e Viracopos. Os editais com as regras da concessão da reforma dos dois primeiros devem ser publicados em dez dias; o de Viracopos, até o fim de maio. Outras duas concessões estão em estudo e devem ser anunciadas no início do segundo semestre: Galeão (RJ) e Confins (MG).

O Valor apurou que, no momento, a intenção é restringir a concessão às obras necessárias para a ampliação dos terminais aeroportuários e sua posterior operação [da parte ampliada]. Mas não está descartado, caso a parceria dê certo, estender o modelo para todas as operações dos aeroportos. O período de concessão não está definido, mas uma das alternativas estudadas pelo governo é que ela seja de pelo menos 20 anos. O prazo para a entrega das obras também será analisado caso a caso, dependendo da demanda de cada aeroporto.

Essa foi a principal decisão tomada na reunião da presidente Dilma Rousseff com representantes do setor, inclusive o futuro secretário nacional de Aviação Civil, Wagner Bittencourt. O encontro ocorreu na segunda-feira e durou mais de quatro horas. A medida também é uma resposta ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apresentaram estudos mostrando o atraso nas obras dos aeroportos e afirmando que elas não ficarão prontas até a Copa do Mundo de futebol de 2014.

A presidente Dilma aproveitou a reunião do Conselhão para dar uma resposta política às críticas de que o cronograma do governo está atrasado. Ela disse que o aumento das viagens aéreas superou muito o crescimento do país. "Esse fato exige que eles [os aeroportos] estejam prontos não para a Copa ou para a Olimpíada, mas para atender o crescimento da imensa demanda da população brasileira por viagens de avião, devido à extraordinária melhoria da sua renda", completou.

Dados da própria Infraero confirmam que todos os aeroportos que serão concedidos à iniciativa privada estão operando com capacidade além do que suportam, uma situação que vai se agravar com a Copa do Mundo de 2014. A estatal já programou uma série de obras, mas os dados apresentados pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação (SNEA) indicam que elas não serão suficientes.

O aeroporto de Brasília, por exemplo, tem um terminal de passageiros com capacidade para 10 milhões e recebeu 14 milhões de pessoas no ano passado. Em 2018, esse contingente subirá para 21 milhões de pessoas (dados do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação - SNEA), diante de uma capacidade projetada pela Infraero de 18 milhões de pessoas.

A primeira obra - reforma e ampliação do terminal sul de passageiros, a ampliação do sistema de pátios de aeronaves e do sistema viário e a construção de edificações complementares - está prevista para acabar em dezembro de 2013 e custaria R$ 744 milhões. A segunda obra seria a construção de um outro Módulo Operacional (MOP) - popularmente conhecido como "puxadinho", com custo de R$ 4 milhões e previsão de término em julho de 2013.

O aeroporto de Cumbica recebeu, em 2010, 26,7 milhões de viajantes, mas sua capacidade está projetada em 20,5 milhões de pessoas. Em 2014, o sindicato prevê 37 milhões de pessoas/ano, mas a capacidade, depois da conclusão das obras previstas pela Infraero, será de apenas 35 milhões. Os gastos para as cinco obras em Guarulhos - incluindo a construção de dois MOPs, ampliação e revitalização de pátios e pistas, construção de pistas de taxiamento e de saída rápida e a construção do terceiro terminal de passageiros - chega a R$ 1,2 bilhão.

Já em Viracopos, localizado em Campinas e cujo edital de concessão só deve estar pronto no fim de maio, a situação é menos grave, caso as obras sejam realizadas e as previsões da Infraero e do sindicato se concretizem na prática. Em 2010, o aeroporto recebeu 5 milhões de passageiros, embora a capacidade total seja de 3,5 milhões. Em 2014, a Infraero estima que as obras - orçadas em aproximadamente R$ 50,9 milhões - ampliem a capacidade para 11 milhões e o sindicato prevê que 9,5 milhões de passageiros passem pelo terminal naquele ano.

O governo também pretende estabelecer uma parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU) para tornar mais rápidas as obras da Copa e da Olimpíada. Funcionários da Secretaria de Aviação Civil seriam treinados por técnicos do Tribunal para corrigir rumos e evitar a paralisação das obras. Assessores palacianos afirmam, contudo, que essa parceria não tiraria do tribunal o poder para fiscalizar o andamento dos projetos. O tribunal deverá avaliar o questionamento ético de ser o próprio fiscalizador de uma atividade de que participará.

Veículo: Jornal Valor Econômico
Publicado em: 27/04/2011 09:16:04