terça-feira, 20 de setembro de 2011

Quanto custa investir em um jovem?



Olhando para os números da Fundação Casa (a velha Febem), imagino quanto pode custar um jovem em nossa sociedade? Este é um investimento a longo prazo, onde quem ganha é a própria sociedade.

Há cerca de 230 adolescentes internos, cumprindo medida sócio educativa regime de privação de liberdade, destes, grande parte (cerca de 90%) estão cumprindo pena por roubo ou tráfico de drogas, ou seja, seduzidos pela melhoria das suas condições de vida foram levados por “adultos”a cometer crimes em nome de um “futuro melhor” na concepção do crime.

Agora não será possível o estado mais rico do país resolver o problema de 230 adolescentes? Oferecer os programas e as ações já previstas para famílias em situação de pobreza. Não estou falando de “privilégio”, mas investimento. Como na cidade de São Paulo que possui em torno de menos de mil entre crianças e adolescentes vivendo nas ruas, será que uma ação antecipada não evitaria sua “entrega” ao consumo de drogas?

Onde não há Estado não há direitos. Enfim, há todo tipo de “sedução” fácil via drogas, tráfico, roubo, furto... Onde não há ação firme do governo, há esquecimento e vidas perdidas.

A Coordenadoria da Juventude realizou nos últimos dias 08 e 09 de setembro a 2ª Feira do Estudante que reuniu num só lugar oportunidades de cursos, faculdades, universidades, oficinas (inclusive feita por este Portal, sobre a comunicação digital, que teve grande público), e por lá passaram mais de 7 mil jovens, estudantes muitos do ensino médio.

Ao fazer uma pequena consulta aos participantes, todos (as) sem exceção demonstraram grande satisfação com a Feira, às possibilidades de seguir uma carreira, ter uma profissão, continuar os estudos. No passado isso só seria possível se você, por iniciativa própria e “sola de tênis”, conseguiria pesquisar essas oportunidades.

Todo ano mais de 50 mil jovens se matriculam no ensino médio da nossa cidade. A esperança é que pelo menos a maioria chegue até o 3º. ano colegial.

A vida de estudante não é fácil, com cobranças como o primeiro emprego, a dificuldade com transporte, acesso a material de qualidade como livros, pesquisa, internet, analfabetismo funcional, escolas com baixa qualidade com seus professores (as), funcionários e dirigentes mal renumerados e desvalorizados, ou seja, ó vida difícil.

E na outra ponta os adolescentes e jovens que estão Fundação Casa, onde suas famílias não possuem qualquer apoio para que possam escrever outra história. O custo disso? Pouco minha gente, muito pouco.

Por isso me impressiona ouvir falas sobre o atual estágio em que estão os jovens estudantes, quando os adultos reclamam das suas formas de falar ou de escrever. Quando um jovem escreve “erro” com um “r” só não é o jovem que é o culpado, mas a sociedade e o Estado é que está desatenta a sua formação.

Cidadania não se aprende nas escolas, por quê? É o medo da democracia participativa, da critica necessária, da observação inocente, mas que ofende quem não quer mudar nem os discursos e nem a sua prática.

Sigo o que diz o poeta: “vamô que vamô que o som não pode parar”, insistindo na letra para que possamos acordar!

P. S. : Em tempo, no encerramento da 2ª Feira do Estudante com mais de 700 jovens fizemos uma linda homenagem a Manuel Gutierrez – um estudante de 16 anos que morreu nas manifestações dos jovens chilenos que lutam por uma educação pública, de qualidade e por mudanças constitucionais.

Wagner Hosokawa, é blogueiro, assistentes social e Coordenador Municipal da Juventude da Prefeitura de Guarulhos (SP)